A invenção da Himlaíte, do Pirélioforo e dos painéis solares

Jesué Pinharanda - Carta DominicalO Padre Manuel António Gomes, natural de uma freguesia de Arcos de Valdevez, era um homem muito alto. Os colegas, ainda no Seminário, chamavam-no Himalaia, e ele gostou tanto do epíteto, que adoptou o nome: Manuel António Gomes (Himalaia).
Alfredo Nobel descobrira a dinamite em 1866, e o Himalaia nasceu em 1868. Mas, em dada altura da sua vida, achou necessário rebentar com uns barrocos lá pelo Alto Minho, mas a dinamite de Nobel dava para pouco. Era precisa uma pólvora de «arrebenta barrocos». Muito dado às experiências física e químicas, que lhe tiravam algum tempo da vida sacerdotal, trabalhou a dinamite, à qual deu uma energia fora do comum. Onde a dinamite falha, aplica-se a himlaíte, de mais fácil aplicação do que a complexa dinamite. Himalaia queria ajudar o povo simples sem grandes e complexas operações.
Em dada altura da sua vida foi estudar física para Paris, e lá inventou a sua obra-prima: o Pyrheliophoro (isto é : eu trago o fogo do Sol). Era uma parábola, como a das antenas circulares, dispondo de poderosos jogos de espelhos, tudo montado numa estrutura que se movia em círculo, apanhando sempre a melhor luz solar. O Pirélioforo atingia temperaturas nunca imaginadas, para cima dos mil graus centígrados. Podia mover maquinismos a vapor, mover turbinas, aquecer rios de água, etc.
Padre HimalaiaQuando, hoje em dia, todos falamos dos painéis solares como a coisa mais natural deste mundo, poucos nos lembramos que tudo isso depende da invenção do Padre Himalaia, que foi revelada em 1904 na Exposição Universal de S. Louis (USA) onde recebeu o Grande Prémio e diversas medalhas. A seguir, as indústrias copiaram e ele, inventor, veio a morrer pobre (1933) como capelão de um hospital em Braga, que lhe dava cama e mesa. Era também um grande orador sacro.
Quem muito o admirava era o Padre A. J. Fernandes, que em 15 de Abril de 1905, sendo pároco da Bismula, escreveu um artigo na revista «A Guarda» em que elogia as invenções do colega: «Um teu colega no sacerdócio te dedica cá de longe este insignificante elogio e como teu admirador pedirei ao Altíssimo pela conservação da tua saúde.» E conservou por mais 28 anos.
«Carta Dominical» de Pinharanda Gomes

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