As joaninas é o nome dado às tradicionais festividades de culto a São João Baptista, o percursor de Jesus Cristo, e seu primo, uma vez que Nossa Senhora era prima de Santa Isabel, mãe de João Baptista.

Jesué Pinharanda - Carta DominicalA sua missão espiritual liga-se aos símbolos da água e do fogo, motivo bastante para que a Igreja fixasse a sua festa em pleno solstício de Verão, a 24 de Junho, que é o dai mais longo do ano, a par da noite mais curta. No espaço da cristandade, celebrando o Verão, e os dons das ceifas e do pão novo, os cultos pagãos já faziam a festa do fogo, mas a história de João Baptista permite um culto novo, no cenário o Evangelho, associando a água e o fogo, de modo que a sua festa é de carácter baptismal. Celebra-se o baptismo de Jesus nas águas do Jordão, por João Baptista e a descida do fogo do Espírito Santo no momento do baptismo, com as palavras de que o neófito era o seu filho muito amado.
A par da liturgia eclesial, mantiveram-se os cultos pagãos antigos, sobretudo nos meios rurais. A queima do carvalho significa um exorcismo, ou um acto purificatório: queimar o mal no fogo. A matrafona que se põe no cimo da árvore corresponde à Eva, por quem o pecado entrou na história. O cheiro do rosmaninho e da bela luz ardendo, purificava os ares das povoações, por instantes libertas dos odores de uma sociedade que não tinha sistemas de saneamento. Defuma-se o povo, cura-se a sarna.
A água. A mocidade toma banho, ou nada, na ribeira, ou no largo, entre a meia noite e a madrugada, mas antes da aurora. Este banho é também um gesto purificatório: lavar as mazelas do corpo, libertar os males para a corrente. É o banho orvalhado, que, aliás, se encontra aludido no Salmo 109: «Antes da aurora, como orvalho, te gerei.» O banho equivale à procura da santidade, já que ser santo é ser são, separado e escolhido.
«Carta Dominical» de Pinharanda Gomes

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