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Romeu Bispo - Colaborador - 180x125 - Capeia Arraiana

Ermida de Nossa Senhora da Graça

As últimas obras de recuperação da antiga capela da Senhora da Graça vieram possibilitar uma melhor compreensão e resposta para algumas interrogações que se podiam colocar.

Portada inacabada na antiga capela da ermida de Nossa Senhora da Graça

Os bens das igrejas de Aldeia de Santo António

:: :: ALDEIA DE SANTO ANTÓNIO :: :: O arrolamento dos bens das igrejas e capelas da freguesia de «Aldeia de Santo António ou Urgueira» (como titula o documento), no concelho do Sabugal, foi coligido pela comissão concelhia de inventário em 31 de Julho de 1911, tendo sido um dos primeiros, pois a lei que obrigou a esse inventário datava de abril desse mesmo ano. Curiosamente em 1932 foi lavrado um auto de inventário adicional para incluir a capela da Senhora da Graça. Transcrevemos, na íntegra, os documentos existentes no respectivo processo.

Capela da Senhora do Pilar - Urgueira - Aldeia de Santo António - Capeia Arraiana

Capela da Senhora do Pilar – Urgueira – Aldeia de Santo António – Capeia Arraiana

Ciclismo - Capeia Arraiana

Gustavo Veloso vence na Senhora da Graça

A subida à Sra. da Graça, em Mondim de Basto, continua a fazer as delícias dos amantes do ciclismo e este domingo, mais uma vez, assistiu-se a uma etapa de grande nível da 78ª Volta a Portugal em Bicicleta com uma autêntica romaria espalhada Monte Farinha acima. Gustavo Veloso ganhou a etapa e garantiu no final: «Ataquei sem prejudicar o Vinhas».

Gustavo Veloso a cortar a meta

Gustavo Veloso a cortar a meta

Os ex-votos a Nossa Senhora da Graça

José Saramago passou pelo Sabugal nos finais da década de 1970, como já o referiu neste blogue o cronista José Robalo, numa das suas sublimes crónicas semanais. O escritor calcorreava o País, tomando as notas que dariam origem ao seu livro «Viagem a Portugal», e o que verdadeiramente o fez vir ao Sabugal foi o propósito de admirar os ex-votos depositados na capela da Senhora da Graça.

Saramago chegou ao Sabugal ao fim de uma manhã. Como ele mesmo escreveu, vinha na mira dos ex-votos populares do Século XVIII, buscando-os na ermida de Nossa Senhora da Graça, onde era suposto estarem. Contudo o Ti Simão, mais conhecido por Ti Ratinho, guarda do santuário, não lhe soube dizer onde estavam, contentando-se o viajante com uma breve visita à capela nova, que achou de «espectacular mau gosto». O viajante almoçou no Sabugal. Não se sabe o restaurante que o acolheu, contudo, foi em local central, porque deixou nova nota de reparo: «nada mais viu que o geral aspecto duma vila ruidosa que vai para a feira ou vem de feirar». Desiludido com o Sabugal rumou à Guarda, onde tinha alojamento.
Os afamados ex-votos que José Saramago procurou e não encontrou, existem de facto, e são verdadeiras obras-primas. Quando Saramago veio ao santuário, não revelando a conselho de quem, as peças estariam depositadas na sacristia da capela velha, degradadas e amontoadas a um canto. De pouco lhe valeria tê-las examinado, e talvez fosse isso que levou o guardião a dizer que desconhecia o seu paradeiro.
Dos painéis dedicados à Senhora da Graça, analisemos um deles, que no presente se encontra exposto na capela do santuário. Trata-se de uma tela pintada a óleo, datada de 25 de Maio de 1760, pela qual se agradece o milagre que Nossa Senhora da Graça concedeu a uma religiosa, afectada com um cancro num peito, despedida pelos médicos, mas que foi salva pela intervenção divina.
O quadro é obra de artista. Em baixo representa-se a paciente, amparada e consolada pelas enfermeiras que dela cuidam. Ao lado os médicos com ar de desalento, seguros de que a ciência já nada pode fazer para salvar a doente. Numa mesa coberta com vistosa toalha, repousam os frascos de remédios e demais instrumentos da medicina. Fixadas na parede do quarto estão representações da Virgem e do Sagrado Coração, um espelho e um ramo de flores. Em cima, do lado esquerdo, sob um claustro gradeado representa-se um grupo de sete religiosas rezando à Virgem pela salvação da irmã doente. No canto superior direito está uma nuvem contendo no interior uma comovente representação de Nossa Senhora da Graça, de túnica branca e manto azul ferrete, com o Menino Deus no regaço. À sua volta seis querubins fazem-lhe escolta, concedendo-lhe especial encanto. Em rodapé a legenda em português vernáculo, explicando o milagre que Nossa Senhora concedeu à religiosa. A moldura de madeira, dum vivo azul celeste, dá ao quadro um magnífico efeito, ajudando a tecer o jogo das tonalidades que o compõem.
Os ex-votos de Nossa Senhora da Graça estão agora devidamente restaurados e expostos na capela do santuário graças à acção de uma mordomia, que decidiu recuperar estes importantes testemunhos da fé popular, autênticas obras-mestras da arte sacra. Pode agora vir o nosso Nobel visitar o santuário, que sem dúvida avistará o que na altura pretendeu ver mas que não lhe foi apresentado.
plb

Festa da Senhora da Graça sem merendas

Só algumas famílias mantêm ainda a tradição de ir à romaria da Senhora da Graça, no Sabugal, e se instalarem nas imediações da capela para aí merendarem e passarem todo o dia.

Festa da Senhora da Graça no SabugalAs merendas dos romeiros, que durante tanto tempo foram a imagem de marca da festa, são hoje uma raridade. Não por culpa das mordomias, que melhoraram sucessivamente o santuário, instalando até mesas de pedra e fazendo outros melhoramentos importantes, mas por manifesta falta de interesse dos romeiros de hoje. Os tempos são outros, é verdade, nas há tradições que importa manter e esta é seguramente uma delas.
A romaria fez-se do passado dia 7 de Setembro, primeiro domingo do mês. Centenas de pessoas assistiram á cerimónia religiosa, onde foi pregador, o jovem padre Hélder Lopes, e depois participaram na procissão que contornou a capela. Coube á banda filarmónica da Bendada abrilhantar a festa, o que fez com galhardia e distinção, como é seu timbre.
Finda a cerimónia, os romeiros dirigiram-se para os seus automóveis, ou para o autocarro que a empresa Viúva Monteiro disponibilizou, e rumaram a suas casas para almoçarem. Ficaram junto ao santuário, ocupando algumas mesas e lameiros, meia dúzia de famílias sabugalenses, que persistem em querer manter a tradição de ali degustarem a merenda. Lá estiveram, em convívio por toda a tarde, mantendo assim uma velha tradição que cada ano parece ter menos adeptos.

Sugere-se que o todo da festa se transfira para o santuário. Para além do cerimonial religioso, a mordomia deveria apresentar também um programa de animação durante a tarde, como um concerto da banda filarmónica, actuação de concertinas, ou mesmo jogos tradicionais. Depois, à noite, fazer ali tradicional baile. Talvez assim, com estes atractivos, se consiga rumar contra a maré, voltando a concentrar os romeiros no santuário, onde poderão passar um dia diferente e, seguramente, muito mais animado e saudável.
plb