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Ruta de los Castillos – Almeida

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaEis-me, de novo, pronta a enfrentar mais um desafio: prolongar “La Ruta de los Castillos” e versejar sobre os castelos das Aldeias Históricas. Apesar de continuar a considerar-me pouco digna de o fazer, tentarei honrá-las como merecem. Imbuídas de valor histórico, nascidas antes de Portugal, mas fortalecidas pelo seu amor pátrio, ei-las nobres e belas, altivas e dignas do seu passado, em luta pela sobrevivência, acarinhando as povoações que, por sua vez, as amam e eternamente admiram. Guardadoras de segredos, de lutas e terrores, de paixões e amores, é o coração que pulsa no Interior das Beiras e Interior Norte, como qualquer coração… que se impõe no amor aos seus.

Ruta de los Castillos - Almeida

ALMEIDA

De Castro pré-histórico
A castelo Muçulmano
Reconquistado por Leão
Mais tarde português ficaste…
Tão sublime, Almeida bafejaste!

É também Alcanizes
Que te define português
D. Dinis te deu castelo
Outros castelos se revigoraram
E com D. Fernando te renovaram.

Com covilhanense Mateus Fernandes
D. Manuel te duplicou muralhas
Figurado por Duarte de Armas
Em Livro das fortalezas
Por teu valor, tuas riquezas.

Revalorizado na Restauração
Por tua posição fronteiriça
Foste modernizado
Te tornaram Praça-forte
Mais por teu valor, do que por sorte.

Reedificadas fronteiras
Imponente, albergaste teu povo.
Em galerias subterrâneas
Onde o perigo esmorecia
E a população se recolhia

No século dezanove sofreste
Com a Guerra Peninsular
Em 17 dias, o que perdeste!
Mas mantiveste dignidade sem igual.
Como valioso Monumento Nacional

Tua planta hexagonal
E seu traçado em estrela
Com seis baluartes aos Santos
Foste prisão durante as lutas liberais
Mas os Santos eternizaram teus portais.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Ruta de los Castillos – Alfaiates

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaNa «Ruta de los Castillos» e ao encontrar-me com Alfaiates, tenho que confessar que me senti embaraçada por não conhecer suficientemente esta terra raiana. Li, reli folhetos, relatos e encontrei, como esperava, gente de coragem que luta pelos seus espaços, mantém a religiosidade e tradições, mima os seus idosos, defende as associações, investe na formação virtual e de futuro e, em contrapartida, é acarinhada pela Junta de Freguesia, pelo Presidente do Município, eng.º Robalo e pelo Governador Civil, dr. Santinho Pacheco, numa característica que lhes é tão peculiar, de amarem as gentes da terra e defenderem as riquezas raianas. Então,vamos até Alfaiates?

Castelo de Alfaiates

ALFAIATES

«Dos fracos não reza a História»
Sempre se ouviu dizer
Teu castelo por ser «pouco»
Ainda muito quer dizer.

Como castro pré-histórico
Ou como Castilho de La Luna
Pareces ganhar magia
Quando perdido entre a bruma.

Ó Castelo de Alfaiates
Embora erguido em planalto,
Deixas ver terras do Côa
Das tuas muralhas, lá do alto.

Homenageamos, de novo, D. Dinis
Estratega, homem de saber
Com o Tratado de Alcanizes
Veio fronteiras estabelecer.

E construindo ou reforçando
De Alfaiates, teu Castelo
Falar da «fermosíssima Maria»
Tornam-te ainda mais belo

Pelo estilo, D. Manuel
Marca presença, este Senhor
A linda coroa ao centro
Mostra bem o seu valor.

As cruzes da Ordem de Cristo
E as esferas armilares
São páginas vivas da história
Dessas páginas milenares.

Poeta Garcia de Mascarenhas
Teu alcaide e cavaleiro
Deixou seu nome na praça
Da Restauração o primeiro.

Com ele serviste Alfaiates
Apoiaste a Restauração
E com os outros castelos do Côa
Também defendeste a Nação.

Albergaste heróis anglo-lusos
Depois, um pouco esquecido
Mas recebeste aí teus mortos
Como um pai enternecido.

Algumas das tuas pedras
O hospital foram servir
De Interesse Público reconhecido
Não te esquecerão no porvir.

Se as tuas façanhas estão longe
O povo quere-as presentes
Pois se as pedras também falam
Não podem mentir as gentes.

O meu carinho para Alfaiates

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Ruta de los castillos – Sabugal

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaSabugal. Agora conheço-o melhor mas sempre o admirei pela imponente singeleza do seu castelo que, sendo duro mas simples, altivo mas singelo, continua a ser um forte marco de vidas heróicas, retalhos da história e da lenda, símbolo da emigração e luta das gentes do interior em que a alegria do convívio recorda (mas pretendo que reforce e eternize) as noites frias à lareira ou o cheiro fresco a terra regada, dos fins de tarde Estivais.

Castelo Cinco Quinas Sabugal - Noite

SABUGAL

Do Sabugal, escrevi um dia…

Ali perto, o castelo
Viveram encanto belo
(Já para lá vão os tempos)
D. Dinis ou outros reis
Se não lerdes, não sabereis
Como tudo se passou.

E agora continuo…

Terás começado em castro
Que aí deixou seu lastro
A pré-história recordar
Os Romanos militares
Daí lançavam olhares
Para o Côa vigiar.

És um famoso castelo
Desde imponente e belo
Tudo tens a teu favor
E segundo reza a história
Um nome escrito na memória
D. Dinis foi teu Senhor

Deste nos conta a lenda
Isabel leva merenda
Mata fome a qualquer pobre
Apanhada de surpresa
Mostra a sua realeza
Com rosas, seu gesto nobre.

O foral de (12) 96
A esse rei o deveis
E Castelos a marcar fileiras
Mas para serdes mais felizes
Precisaste de Alcanizes
P´ra marcar tuas fronteiras.

Pois foi então o dito rei
(Como sempre li e sei)
Que fez construção tão altiva
D. Manuel renovou foral
Deixando no Sabugal
Esta marca sempre viva.

É sobre a porta da entrada
A obra de D. Manuel lembrada
Pelo seu digno brasão
Registadas suas proezas
No Livro das Fortalezas
Segundo regista o guião.

Soberano, marcaste o tempo
Que em (18) 11 foi momento
De duras, vivas emoções
Páginas de escrita dourada
Ali, no Gravato, marcada
Dando fim às Invasões.

Em cemitério albergaste
Homens da vila honraste
Até (19) e vinte e sete
Ergues-te com novo vigor
Sempre bem dominador
Como se disse e repete.

Castelo das Cinco Quinas
Nossa caminhada animas
Mas descobrimos ainda mais
Tu com Torre de Menagem
Mereceste digna homenagem
Pela DGM Nacionais.

O meu abraço ao Sabugal.

A minha pena por não ter podido assistir, como desejava, às dignas comemorações dos 200 anos da batalha do Gravato.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com