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Badamalos quer restaurar a igreja matriz

A igreja matriz de Badamalos, freguesia do concelho do Sabugal, cujo orago é S. Bartolomeu, precisa de ser sujeita a obras, facto que motivou a comissão fabriqueira a lançar um apelo a todos os naturais e amigos de Badamalos para colaborarem na angariação de fundos para o efeito.

A comissão fabriqueira é formada, pelo padre Hélder Lopes e os paroquianos João Nobre, Natália Valente, Manuel Vaz, José Messias e Isabel Monteiro. A mesma pediu orçamentos e predispõe-se a fazer avançar a execução das obras de restauro, começando desde já a angariar apoios financeiros para esse efeito.
A comissão pediu ao Capeia Arraiana para colaborar através da divulgação do propósito e do NIB da conta bancária da comissão: 003507020002192683035.
Badamalos foi em tempos uma abadia da representação do reitor de Vilar Maior, em cujo concelho se situava antes de integrar o concelho do Sabugal. Em meados do século XVIII contava com 350 habitantes, mas hoje tem menos de 100 residentes, sendo uma das mais pequenas freguesias do concelho do Sabugal.
A igreja matriz é o mais importante edifício da freguesia e está situada no centro da povoação. Tem altar e retábulo em talha dourada e o tecto decorado com figuras sagradas. A igreja é ladrilhada, à excepção da capela-mor. O templo é de origem muito antiga, embora o campanário tenha sido construído apenas em 1883.
A igreja, que foi sujeita a grandes obras de restauro em meados do século XX, volta a necessitar de uma intervenção de fundo, estando o povo empenhado em garantir a angariação de meios para esse efeito.
plb

O imponente castelo das cinco quinas do Sabugal

Achados históricos como machados de pedra e facas de sílex, indiciam que o Sabugal é um povoado de origem longínqua, sendo de crer que fosse também um reduto fortificado. Só mais tarde foi erguido o castelo das cinco quinas, que teria uma importância histórica fundamental do ponto de vista da defesa militar. O seu abandono posterior quase o levou à ruína, não fosse a realização de obras de restauro. Hoje é um dos ex-libris da região de Riba Côa.

De castro pré-histórico o lugar evoluiu para fortificação estratégica, e, já na Idade Média, foi ali fundada uma povoação cristã com castelo altaneiro e muralha envolvente. Segundo a lenda, houve uma transferência da povoação original, o Sabugal Velho, que estava junto à actual Aldeia Velha, cujo povo terá fugido a uma praga de formigas. Porém tal não passa de uma história, que nunca se provou ter nexo.
O Sabugal tornou-se terra portuguesa com a acção de D. Dinis, que tomou a Fernando IV de Castela várias praças militares da região. O rei Lavrador efectuou obras nas muralhas e no castelo, dando-lhe a magnanimidade que ainda hoje mantém.
A torre pentagonal, com 38 metros de altura, é um das mais imponentes torres de menagem de Portugal. Do ponto de vista militar, a torre, com três andares interiores, equipada de seteiras e de balcões, tinha óptimas condições para a vigilância das tropas inimigas e para a acção guerreira contra sitiantes.
Foi no castelo do Sabugal que se celebraram, em 1328, os esponsais do rei Afonso XI de Castela com a nossa infanta Maria, filha de D. Afonso IV. Mas logo após os festejos, o mesmo castelo foi repetidamente usado pelo nosso rei na guerra que moveu contra o seu genro, que durou até ao ano de 1340.
Também no período que se seguiu à restauração da independência nacional, em 1640, o Castelo do Sabugal, de par com o de Alfaiates, foi um importante ponto de sustentação das tentativas de invasão que se mantiveram por alguns anos e que incluíram algumas escaramuças com as tropas espanholas. Foi a derradeira acção militar activa do castelo, que daí em frente teria uma importância reduzida.
Com o fim da época medieval os castelos perderam importância para a acção militar. O desenvolvimento da mobilidade dos exércitos e das técnicas de cerco levaram à construção de outro tipo de fortificações, surgindo então os baluartes como técnica defensiva. O castelo do Sabugal ficou ao abandono, e a muralha da vila começou a ser desmantelada para uso na construção de habitações.
Em 1846, com a proibição dos enterros nas igrejas, o castelo do Sabugal foi convertido em cemitério, tendo a sua praça de armas recebido progressivamente os corpos dos habitantes falecidos. Porém o monumento continuou ao desmazelo, sem qualquer obra de manutenção, o que o levaria à quase ruína total.
Para salvar o castelo, a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) fez ali uma profunda intervenção. Tudo começou com a remoção do cemitério, efectuada em 1939, seguindo-se intensas obras de restauro. Regularizou-se o solo da praça de armas, demoliram-se muros de alvenaria que haviam sido construídos, reconstruiu-se a barbacã, as ameias, as torres e os mata-cães. As obras findaram em 1949, e o castelo do Sabugal recuperou a magnanimidade que o tornara lendário.
Mas o tempo encarregou-se de voltar a colocar em crise a sua estrutura e a ameaça de ruína voltaria a sobrevir, situação que obrigou a nova intervenção por parte da mesma DGEMN. Isso sucedeu em 1999, portanto 50 anos após a intervenção anterior. As obras incluíram sobretudo a consolidação dos muros, face às muitas fissuras.
O castelo do Sabugal, conhecido pelas suas cinco quinas, é o mais belo e imponente monumento medieval da região de Riba Côa e simboliza a força do povo da região.
Paulo Leitão Batista