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Carta aberta aos pais do concelho do Sabugal

A direcção da Associação de Pais e Encarregados de Eduação do Sabugal (APEES) solicitou a publicação de uma carta aberta aos pais da comunidade estudantil do concelho do Sabugal, onde se apela à ajuda para a criação de uma sala para crianças com necessidades educativas especiais. Publicamos na íntegra a referida carta aberta.

APEES

No mês de Junho do corrente ano, apresentou a APEES (Associação de Pais e Encarregados de Educação do Sabugal), ao agrupamento de escolas do Sabugal (ao seu director), e ao município do sabugal (á sua vice presidente), um projecto que a APEES pretende levar a cabo para a comunidade estudantil do concelho do Sabugal, projecto a que foi dado uma importância primeira, tendo o agrupamento já disponibilizado uma sala e o município material escolar.
Este projecto surge, depois da APEES, ter constatado a lacuna da falta de um espaço que reunisse, todas as condições para a aprendizagem, integração e autonomia das crianças com Necessidades Educativas Especiais (NEE), um espaço que para alem da aprendizagem, possa ser um espaço motivador, um espaço de reunião para estas crianças, mas sobretudo um espaço onde estes possam desenvolver competências de autonomia e responsabilidade para a sua vida futura.
Concluído um levantamento pelas técnicas do ensino especial que trabalham na APEES, verificou-se que as crianças com NEES no concelho de Sabugal, para este ano lectivo que vai começar (2012-2013) é de 47 crianças, este projecto pretende congregar em um único espaço de aprendizagem varias áreas temáticas e do comportamento, permitindo em um mesmo local trabalhar com um numero de 6 a 8 crianças durante um dia inteiro, permitindo às técnicas (terapeuta da fala, motricidade, psicóloga, entre outros) desenvolver as suas actividades com o real valor que estas crianças merecem.
Este projecto necessita de um valor considerável de investimento, montante este que a APEES não possui, pretendemos assim levar a cabo uma recolha de fundos, onde o chamamos a aliar-se a esta construção:
Para o efeito foi criada uma conta solidária no credito agrícola, balcão do sabugal com o NIB- 0045 4025 4025 2279 23726, onde de forma muito sincera e agradecia contamos com a sua generosidade.
Dada a extrema importância deste projecto e certos do vosso apoio, agradecemos desde já, em nome da associação, mas sobretudo em nome de toda a comunidade, este não é um projeto da APEES, mas sim um projeto de todos.
O vosso empenho, mas sobretudo a atenção dada bem como o vosso contributo é para nós de um valor inestimável.
O nosso Muito Obrigado.

Sabugal, 30 de Agosto 2012
A Direção da APEES:
Ana Gonçalves, António Castilho, David Carreira, Carlos Robalo, Ester Saldanha

Povo, Nação, País, Pátria, Estado…

Povo, Nação, País, Pátria, Estado! Palavras plenas, amplas de significado, com que se enchem bocas, se lançam apelos, se gritam protestos. Palavras com que se justificaram actos de heroísmo e chacinas tremendas, guerras justas e expansionismos agressivos, sacrifícios sobrehumanos e terríveis lutas fratricidas. Em nome da Mãe Pátria verteram-se rios de sangue, derramaram-se lágrimas amargas, engoliram-se indescritíveis sofrimentos, praticaram-se inacreditáveis genocídios, criaram-se monstruosos gulags. Em nome do Povo ergueram-se forcas e guilhotinas, morreram criminosos e homens bons, revolucionários e contra-revolucionários, heróis e traidores. Tudo a bem da Nação.

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaPovo, Nação, País, Pátria, Estado… Existem Povos que não constituem Nações, Nações que não são Estados, Estados que englobam várias Nações. O Reino Unido é um Estado que integra quatro Nações: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Não existe a Nação Espanhola. O que existe é o Estado Espanhol, que engloba a Nação Basca, a Nação Catalã, a Nação Galega. Cada uma destas Nações, possui um País (um território próprio), habitado por um Povo, que tem língua, tradições, história, cultura, constituindo, portanto, uma unidade nacional.
Por sua vez, os Curdos, ou os Palestinianos, existindo como verdadeiras Nações, pretendem definir-se como Países (assegurando a demarcação de territórios próprios reclamados desde há muito) e também como Estados autónomos. Durante décadas, o Povo Palestiniano foi um Estado sem terra, uma Pátria suspensa. Só recentemente, com os acordos de Washington, a desocupação da Faixa de Gaza por parte de Israel e o estabelecimento da Autoridade Palestiniana na Cisjordânia, a Palestina possui um embrião de País e de Estado. Desde 1948, data da constituição do Estado de Israel, que o Povo Palestiniano reclamava a terra de onde tinha sido expulso para viver em acampamentos precários e campos de refugiados nos países árabes vizinhos (Jordânia, Líbano, Síria, Egipto).
Também a dramática questão jugoslava, ainda não completamente resolvida, tem no seu cerne o problema das nacionalidades, e só se torna compreensível à luz da anterioridade.
Portugal existe, como Estado autónomo, como «unidade política», desde o século XII. E a Nação Portuguesa, já estaria então constituída? A chamada «consciência nacional», segundo a maior parte dos historiadores, não só não existia como demorou ainda muitos séculos a formar-se. A este propósito, António Sérgio conta um episódio elucidativo: já na segunda metade do século XIX, o rei D. Luís, numa das suas habituais expedições marítimas, encontrou um grupo de pescadores no mar alto e perguntou-lhes se eram Portugueses. Ao que um deles respondeu: «Nós cá na senhor, nós semos póveiros.»
A consciência de se fazer parte de uma unidade mais vasta do que a aldeia onde nascemos só tardiamente se desenvolveu, sobretudo graças ao serviço militar obrigatório, às migrações do interior para as grandes metrópoles do litoral e ao desenvolvimento dos transportes e das comunicações.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

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