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António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Moura! Uma viagem ao passado

Alguns de vós sabem que passei uma parte da minha vida em Moura, Baixo Alentejo. Normalmente era o Natal e o Carnaval e, nas férias grandes, a minha família alentejana acorria para Setúbal. No início o hábito não era a praia mas sim o campo. Iam para o Casal da Ajuda, mesmo junto à Quintada Comenda. Tudo girava na amizade extraordinária da minha Avó Esperança com a sua Irmã Maria da Luz. Uma ligação mais unida que gémeas. Não podiam passar uma sem a outra. Durante gerações e gerações este laço ficou… até um dia. Mesmo assim, depois do sucesso de 2011 em que se juntou a família, a Ana Vidal da Gama, uma das descendentes da minha Tia-avó Maria da Luz, organizou um mega-almoço com mais de 100 primos. Revi pessoas que não via dos tempos da ditadura. Afinal sempre valeu a pena tanta amizade. Invulgar por sinal, mas que ainda continua a dar os seus frutos.

A infância em Moura - António José Alçada - Capeia Arraiana

A infância em Moura

«Tierras del Gran Lago» – Alqueva

Nós fizemos a barragem que levou a que o rio Guadiana formasse uma enorme mancha de água que domina a planície, mas é Espanha que está na dianteira do aproveitamento das potencialidades turísticas que o Alqueva proporciona.

Quem for por estes dias à Bolsa de Turismo de Lisboa, na FIL, e se deslocar ao pavilhão do turismo internacional, verificará que Espanha domina em toda a linha. Metade dos pavilhões são espanhóis, com todas as regiões autonómicas representadas e com muitas cidades a marcar presença própria, mostrando as suas potencialidades turísticas.
Mas há um pavilhão que enche o olho, ao mostrar um grande mapa onde impera uma enorme mancha azul. Trata-se do pavilhão «Tierras del Gran Lago – Alqueva». Sim, fala-se da barragem do Alqueva, construída no Alentejo. O enorme mapa mostra sobretudo território português, porque é cá que a barragem foi edificada e é pelas terras portuguesas que o grande lago se estende. E os nossos vizinhos revelam grande orgulho no lago artificial que a barragem formou: Es el más grande de Europa y el segundo en tamaño del mundo, com alrededor de 250 km2 de superfície y más de 1.160 km de márgenes.
Mais acima o Guadiana também engordou, distendendo as suas margens ao longo do percurso em que marca a fronteira com Espanha. E isso foi o suficiente para que a «Diputacion» de Badajoz vislumbra-se a oportunidade de se apresentar ao mundo como um destino turístico especial. Três pequenos cais, junto a Villareal, a Cheles e a Villanueva del Fresno, são o que Espanha possui no Alqueva e são esses os pontos de partida para o aproveitamento turístico do grande lençol de água.
A «Deputacion» avançou já com um projecto estruturante para o desenvolvimento das «Terras do Grande Lago». Desportos náuticos, turismo sustentável, produtos locais, inovação, natureza, economia integrada, destinos de qualidade, arquitectura popular e gastronomia tradicional, são as valências que Espanha quer aproveitar neste novo destino turístico que Portugal lhe proporcionou.
No mesmo balcão a Junta da Extremadura disponibiliza uma brochura designada «Ruta de los Castillos». E quais são os castelos que rodeiam o grande lago, que integram esta rota que Espanha se propõe explorar turisticamente? Apenas dois são em Espanha (Coluche e Olivença) e oito estão em Portugal (Juromenha, Alandroal, Terena, Mourão, Moura, Portel, Serpa e Monsaraz). Ou seja, as jóias turísticas estão em Portugal (a água, os castelos, a gastronomia) mas é Espanha que está na dianteira tentando tirar desde já partido da nova potencialidade.
Enquanto isso em Portugal ainda se dorme, não se revelando capacidade para um capaz aproveitamento das grandes potencialidades que o maior lago da Europa nos pode proporcionar.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com