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Dezembro - 2015 - Efemérides - Capeia Arraiana

Efemérides 2015 – 13 de Dezembro

:: :: EFEMÉRIDES 2015 :: 13 DE DEZEMBRO :: :: O Capeia Arraiana publica diariamente as efemérides mais relevantes de cada data… Hoje destacamos a confirmação da Irmandade das Almas da Miuzela, por bula papal, em 1721.

Há 294 anos o Papa Inocêncio III confirmou a Irmandade da Miuzela do Côa

Há 294 anos o Papa Inocêncio III confirmou a Irmandade da Miuzela do Côa

José Fernandes - Do Côa ao Noémi - © Capeia Arraiana

Brasão, Selo e bandeira (5)

:: :: MIUZELA :: :: – Como se disse nos textos anteriores, a generalidade das autarquias possui os seus símbolos heráldicos. Esses símbolos, para cada povoação são uma espécie de denominador comum a toda a comunidade. Vamos ver que comunidade é esta.

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Concelhos da região vão perder freguesias

A reforma administrativa do território poderá conduzir a uma substancial perda de freguesias nos distritos da Guarda e de Castelo Branco por força das agregações propostas pela Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT). Apenas Manteigas mantém intacta a sua estrutura administrativa do território.

Penamacor pode perder três freguesias
A proposta formulada pela UTRAT aponta para agregações de freguesias no concelho de Penamacor, passando o mesmo para nove freguesias, menos três do que as que possui actualmente.
Pedrogão de São Pedro junta-se à Bemposta, passando a formar uma única freguesia.
A outra união prevista é a que reúne as freguesias de Aldeia do Bispo, Águas e Aldeia de João Pires, que passam a ser uma só.
A proposta mexe na única freguesias com menos de 150 habitantes, a Bemposta, que a UTRAT agrega a outra freguesia. Mas a proposta vai mais longe e, cumprindo os critérios legalmente definidos, aponta-se para a redução de três freguesias.
A Assembleia Municipal de Penamacor pronunciou-se contra a reorganização administrativa do território do concelho, não propondo a agregação de qualquer freguesia.

Manteigas não vai perder freguesias
O concelho mais pequeno do distrito da Guarda, mantém as quatro freguesias que o compõem, ainda que duas delas se situem na própria malha urbana da sede do Município.
Nenhuma das freguesias do concelho de Manteigas tem menos de 150 habitantes, além de que a lei da reorganização administrativa não obriga à redução de freguesias em municípios que têm quatro ou menos freguesias.
Face a estes factos a UTRAT entendeu não promover qualquer agregação, tanto mais que o próprio Município não expressou essa vontade.
A Assembleia Municipal de Manteigas pronunciou-se através da aprovação de uma moção em que lamentou a lei de reforma administrativa pelo facto da mesma não promover a transferência de freguesias entre municípios.
Assim sendo, em Manteigas vão manter-se inalteradas as freguesias de Santa Maria, São Pedro, Sameiro e Vale da Amoreira.

Almeida pode perder 13 freguesias
A proposta formulada pela UTRAT aponta para agregações de freguesias no concelho de Almeida que implicarão que passe a ter apenas 16 freguesias, menos 13 do que as que possui actualmente.
Azinhal junta-se a Peva e a Valverde.
Junça e Naves passam a formar uma só freguesia.
Leomil, Mido, Senouras e Aldeia Nova também se agregam numa só.
Castelo Mendo, Ade, Monte Perobolso e Mesquitela serão igualmente agregadas.
Amoreira, Parada e Cabreira é outra das agregações em Almeida.
Miuzela e Porto de Ovelha também passam a uma só freguesia.
Malpartida e Vale de Coelha também se unem.
A proposta da UTRAT mexe em todas as 16 freguesias do concelho de Almeida com menos de 150 habitantes, provocando uma redução de 13 freguesias, número muito maior do que aquele que a lei obrigaria, pois aplicando os critérios legais este município apenas teria de perder, no máximo, sete freguesias.
Porém o facto de a mesma lei impor que em nenhum município poderão restar freguesias com menos de 150 habitantes determinou a proposta que a UTRAD aponte para um maior número de agregações.

Concelho da Guarda pode perder 12 freguesias
A proposta formulada pela UTRAT vai de encontro ao parecer emitido pela Assembleia Municipal da Guarda, o que implicará que o concelho passe a ter apenas 43 freguesias, menos 12 do que as que possui actualmente.
As três freguesias localizadas no perímetro urbano da cidade da Guarda (Sé, São Vicente e São Miguel) ficam a constituir uma só freguesia.
Adão e Carvalhal Meão também se unem.
Gonçalo e Seixo Amarelo seguem o mesmo caminho.
São Miguel do Jarmelo e Ribeira dos Carinhos passam a uma só freguesia.
São Pedro do Jarmelo e Gagos irmanam-se igualmente.
Avelãs de Ambom e Rocamondo também ficarão agregadas.
Corujeira e Trinta passam a uma só freguesia.
Misarela, Pero Soares e Vila Soeiro também se juntam.
Pousade e Albardo reúnem o seu território.
Rochoso e Monte Margarido agregam-se também.
O caso da Guarda é um dos poucos na região em que a proposta da UTRAD vai inteiramente de encontro à pronúncia que a Assembleia Municipal fizera acerca do processo.

Belmonte pode perder uma freguesia
O concelho de Belmonte perde uma só freguesia, de acordo com a proposta formulada pela UTRAT, o que fará com que o concelho passe a ter quatro freguesias.
A própria cabeça do Município junta-se ao Colmeal da Torre, passando a formar uma só freguesia, o que melhora a dimensão demográfica de Belmonte enquanto sede.
As freguesias de Maçainhas, Inguias e Caria permanecem inalteradas.
A Assembleia Municipal de Belmonte não se pronunciou, limitando-se a fazer chegar à Assembleia da Republica as posições tomadas pelo Município e pelas assembleias de freguesia, que se mostraram contrárias a qualquer redução do número de freguesias no concelho.
plb

Sepulturas do Porto Mancal e Eiras Velhas (3)

No dia 16 de Agosto, foram inauguradas na Miuzela as instalações definitivas da Associação de Cultura Prof. Dr. José Pinto Peixoto, insigne cientista natural dessa freguesia do concelho de Almeida. Coube ao escritor e investigador Célio Rolinho Pires, natural de Pêga proferir no acto uma conferência, que nos transmitiu que publicamos na integra, embora, dada a sua extensão, dividida em três textos que publicamos em dias sucessivos.

Deixem ainda que, a título de hipótese, ou de exercício meramente académico, (penso não ser proibido!), e com base em três nomes de rios (hidrónimos) declaradamente romanos, em alguns topónimos bem conhecidos, complementados pela cultura popular no que, ainda, ao Cancioneiro do Alto-Coa se refere, me atenha ao que considero ser uma unidade espacial importante, espécie de pequeno país lusitano, a que nós beirões do Alto-Coa pertencemos, e aferir assim de hipotéticos avanços, faseados no tempo, de forças invasoras, provavelmente romanas. Vejamos.
O Rio Zêzere, a poente, que começa por definir o vale da Amesendinha a partir de Belmonte, mais não é, em termos etimológicos (José Pedro Machado) que o rio de César, querendo talvez significar que o espaço para além dele (adentro da hipótese que coloco – o lado poente…) é romano. Mas mais a norte, próximo de Famalicão da Serra, temos também a Ribeira do Quêcere, um afluente do Mondego, que é também o nome de César com pronúncia clássica, ou seja, o C a valer Q. Os entendidos sabem disso. Em termos delimitativos penso que o Rio Noémi, cujo significado desconheço, e que vos é aqui bem próximo, bem poderá ser o prolongamento da ribeira do Quêcere até ao Coa, a fechar o quadrilátero a norte. Mas, certo, certo, é que do lado leste temos um outro nome romano – o rio Cesarão – igualmente um rio de César, cujo aumentativo, poderia ter, tal como hoje, um sentido depreciativo ou pejorativo. Este rio, vindo de Aldeia da Ponte, a que se junta a ribeira das Chulreiras (ou Churras – ovelhas) de Aldeia Velha, fecha do lado leste o polígono ao desembocar no Coa entre Porto de Ovelha e Badamalos, como vocês sabem. A Sul, e mais uma vez, o Cancioneiro do Alto-Coa, a propósito do topónimo Malcata, seja a povoação seja a serra, diz-nos que «aí tocam armas ou caixas nem que seja para espantar os pardais». Este verso condiz, reparem bem, com o étimo de Malcata que é Male Capta, ou seja, espaço mal conquistado, querendo significar que aí, por esse lado sul, as populações do polígono em análise resistiram por largo tempo ao inimigo invasor de modo a que o fenómeno ficasse registado na linguagem. Mas há mais: o termo Coa, de um ponto de vista semântico, é francamente indígena, autóctone, a contrastar com os nomes romanos anteriores, quer considerado como cuda ou coda, com o significado de crina ou cauda de cavalo, quer seja cola – serpente. Ainda hoje o verbo colear, de cola, significa exactamente isso – serpear, serpentear. Portanto o rio Coa é pertença de povos que, entre eles, teriam o rito ou o culto da Serpente, e isto condiz ainda com o que consta do Ora Maritima de Avieno (século IV AC) ao falar dos Sefes e dos Draganes, adoradores da Serpente e do Dragão, eventualmente do Lagarto. Mas mais ainda: os dois topónimos – sabugal velho, nas imediações de Aldeia Velha e o sabugal novo (o actual) não terão nada a ver com os sabugueiros, penso, mas sim com a passagem dos sabujos em dois momentos históricos diferentes. Interessante de referir que o ponto exacto do sabugal velho não é no castro da Senhora dos Prazeres, junto da capela, mas em baixo, na ribeira das Chulreiras onde aliás existe uma cruz gravada numa pedra. Sabugal, em termos etimológicos, será assim um composto de sabujos + callis. Callis é o mesmo que a calle espanhola e significa rua, quelha, passagem estreita…Temos por aí muitos topónimos com esse nome… Sabujo, segundo o Dicionário da Língua portuguesa, significa “cão de montaria”, o que condiz com a cultura lusitana em que os perros ou cães estão em relação com os malfeitores, os prevaricadores, os traidores, os inimigos, como tenho proposto nos meus trabalhos. Portanto, estes cães, ou perros, ou sabujos, serão assim, originariamente, os romanos, os invasores, vindos de leste pelas Calçadas da Guinea, Dalmacia, e até de algumas derivações da Colimbriana que, segundo o Dr. Eurico Palos, passaria no alto do Barreiro aqui na Miuzela. Mas também pela via romana que ia de Mérida a Braga passando pela Idanha-a-Velha, Vale da Senhora da Póvoa e Centum Cellas de Belmonte… Isto converge, ainda, com os «cães de fila» do Cancioneiro do Alto-Coa que não terão nada a ver com a bondade ou maldade dos habitantes do Sabugal mas sim com os invasores de outras eras. Demasiadas coincidências! Não acham? Nada de extravagante quanto a esta minha interpretação para o étimo do Sabugal! Portugal não deriva também de portus-calle, ou seja, a passagem do porto?
Penso que a investigação, ao nível da História, pois é disso que se trata, terá abusado do método analítico e desprezado a síntese que pressupõe uma visão global, abrangente e multidisciplinar para a descoberta da verdade. Não me parece que o microscópio seja o aparelho indicado para a investigação histórica. Ao fim e ao cabo, tudo funciona como um puzzle em que as peças que não encaixam sobram necessariamente.
Finalmente, contextualizado que está, penso, o tema que aqui me trouxe, será tempo de vos falar do Porto Mancal que não pode, de modo algum, ser analisado fora da temática das Pedras que tratei nos meus três livros já publicados sobre o assunto. Não faria sentido, todavia, não sei se vocês teriam paciência para ouvir, mesmo que resumidamente, tudo o que ao tempo escrevi (1995, 2001, 2011) respectivamente em Os Cabeços das Maias, O País das Pedras e Na Rota das Pedras.
Grosso modo, e de forma sucinta, com estes meus livros, pretendi demonstrar, e penso tê-lo conseguido, que as Pedras, ou algumas Pedras, seja no tocante às muitas formas que apresentam, seja no que respeita às marcas nelas gravadas, não são um fruto da erosão provocada por ventos, mares que nunca existiram, chuvas, líquenes, como alguns pretendem, mas sim um resultado da acção do homem pela via do martelo e do escopro e do pistolo, pertencendo por isso à época e à cultura do ferro. Mais, ao inserirem-se em um contexto espacial de um determinado tipo de povoamento, no geral disperso, e de cultura (lusitana, penso), essas formas, essas marcas, têm um determinado significado que propus nos meus livros atrás referidos. E é aqui, neste tipo de interpretação proposta por mim que residirá porventura, alguma novidade, algum atrevimento, talvez pioneirismo, como lhe queiram chamar. Não há ninguém aqui, penso, que por esses barrocais fora, não tenha já tropeçado com o que parecem ser cabeças, cágados, figuras antropomórficas, zoomórficas, sulcos, poças, umas maiores, outras menores, etc, etc. No tocante à detecção do fenómeno são muitos os autores que a ele se referem. Entre outros, o nosso quase conterrâneo (da Ruvina), Dr. Joaquim Manuel Correia, já no século XIX, nas suas «Memórias sobre o Concelho do Sabugal», um grande livro, escrevia: «No limite da Ruvina cujo solo é todo granítico, existem grandes rochedos, a que chamam barrocos, que dão à paisagem um aspecto áspero e rude, mas onde há muito que observar porque nalguns existem vestígios incontestáveis de em tempos remotos o homem ter neles assinalado a sua passagem…Referimo-nos às fossas ou pias existentes nos barrocos, algumas denominadas cúpulas pelos especialistas». Leite de Vasconcelos chama-lhes covas ou covinhas. Eu chamo-lhes tão simplesmente poças, como toda a gente, por aqui, lhes chama!. Mas também as constituições dos bispados, o próprio S. Martinho de Dume (Século VI) a estas Pedras se referem ao proibirem certos cultos, por sinal bem tardios, por parte dos cristãos, que tarde ou nunca deixaram de venerar e honrar. Daí, e ainda, as muitas cruzes que por aí existem nos barrocais com vista à sua cristianização. Tratei disso abundantemente nos meus livros.
Uma das conclusões a que cheguei nos meus trabalhos, e a que já atrás aludi, é a relação directa e intrínseca dos nomes dos terrenos em que certas Pedras se situam, ou seja, os topónimos rústicos, com a função que essas Pedras tiveram em determinado momento histórico, certamente antes do advento do Cristianismo e da dita romanização. E é aqui que começa, ou melhor, continua, para mim, a história do vosso Porto Mancal que passarei a contar-vos pois, como disse no início, foi esta a principal razão que aqui me trouxe.
Conheci as sepulturas do Porto Mancal (6) aí pelos fins da década de 90 por intermédio do meu amigo, Sr. António Fernando, ao tempo penso que secretário da Junta de Freguesia da Miuzela, que fez o favor de me levar até lá, que observei e fotografei com a ideia de virem a integrar o meu livro «O País das Pedras», o que aconteceu, e que viria a ser publicado em 2001. Propus ao tempo, e mantenho, que essas sepulturas, como no geral as que se encontram abandonadas pelos nossos campos, quase sempre descontextualizadas, serviriam para expor o defunto, honrá-lo, venerá-lo, perfumá-lo, consoante o seu estatuto social ou guerreiro, antes da cremação – à semelhança, aliás, do que aconteceu com os funerais de Viriato, segundo os textos. Sabendo eu, no entanto, da relação dos topónimos com o fenómeno cultural do que aí se passava, ou à volta, dei em reflectir sobre o étimo de Mancal e proceder a outro tipo de observações, certo de que iria encontrar outros elementos, para além das sepulturas, em convergência com o seu significado. E não me enganei. Mancal vem de manco (mancus,a,um – lat.). Manco, como toda a gente sabe, é aquele que coxeia, a quem eventualmente falta uma perna; mas, na origem, manco era aquele a quem faltava qualquer coisa, fosse uma perna, um braço, uma das mãos, o nariz, ou até outras coisas em sentido ético e moral que eu agora não digo. Nesse sentido, o termo francês, «manquer», que muitos de vocês conhecem melhor que eu, estará mais próximo da sua verdadeira origem semântica pois significa tão somente faltar (seja o que for). O texto de Estrabão acerca da justiça lusitana também ajudou: «Os lusitanos cortam as mãos dos prisioneiros e consagram as direitas aos deuses; aos condenados à morte precipitam-nos e os parricidas são apedrejados e expulsos para além das montanhas e dos rios». Uma fotografia aérea do local gentilmente cedida pelo Sr. Dr. Eurico Palos, que ampliei, foi-me decisiva no sentido de poder reconstruir a área em que se situam as sepulturas, de formato ostensivamente fálico, eventualmente dividida em duas partes: uma afecta ao poder civil e militar (digamos) e a outra que seria o campo dos mortos, separados os dois espaços por uma divisória ou parede assinalada ainda hoje por um montão de pedras de que faz parte a da entrada com olhal para varal. Quanto às sepulturas, uma poça para trave mestra, mais ou menos ao meio do conjunto fúnebre, diz-nos que se tratava de uma área coberta, o que é natural. Um escudo derrubado, próximo e a sul, com o valor de sentido proibido, significa que o espaço das sepulturas era uma área interdita, o que também é natural. Um portado a norte sugere a saída dos despojos fúnebres rumo às aras crematórias, masculina e feminina, no barroco contíguo ao caminho velho e que corre junto ao muro norte do campo dos mortos. Na cabeça do acampamento, a poente, restos de muros de pedra solta atestam da existência de eventuais habitações, pelo menos duas, a justificar, no futuro, trabalhos de escavações arqueológicas.
Extra-muros, ou seja, fora da área vedada pelas paredes e alguns cavalos de frisa intervalados, na crença de que os condenados manchavam com o sangue a «civitas» ou o acampamento, tinham vez as execuções pela decapitação ou aplicação de outro tipo de penas, eventualmente a amputação de membros, a cegueira, e outras, bem em consonância com o significado e a semântica do termo Mancal. Daí os patíbulos executórios – o feminino a poente, e mais alto no terreno, assinalado por uma cabeça de mulher e com um símbolo feminino a meio de espécie de terreiro. O masculino situa-se lá ao fundo, a nascente, junto das aras crematórias. Um símbolo vélico, espécie de triângulo rectângulo, a nascente, e bem visível do fundo da ladeira, dos lados da ribeira do Noémi, atesta do grupo social e militar dominante – os vélites – a quem estaria confiado aquele espaço. As Eiras Velhas, o caminho dos Mortórios, surgem já na parte final do meu trabalho, como um complemento e como que por exclusão de partes, a justificar e a confirmar toda a semântica e todo o contexto fúnebre e sacrificial do Porto Mancal
Mas o texto do meu livro «Na Rota das Pedras», as fotos, e, seguramente, uma visita ao local, falarão muito mais do que aquilo que eu vos disse ou possa dizer.

Célio Rolinho Pires

Sepulturas do Porto Mancal e Eiras Velhas (2)

No dia 16 de Agosto, foram inauguradas na Miuzela as instalações definitivas da Associação de Cultura Prof. Dr. José Pinto Peixoto, insigne cientista natural dessa freguesia do concelho de Almeida. Coube ao escritor e investigador Célio Rolinho Pires, natural de Pêga, proferir no acto uma conferência, que nos transmitiu e que publicamos na integra, embora, dada a sua extensão, dividida em três textos que publicamos em dias sucessivos.

De referir ainda que, aquando da celebração do Tratado de Alcanizes em 1297, pelo rei D. Dinis, o espaço português até ao Algarve já estava definitivamente conquistado, o que aconteceu em 1249 com o rei D. Afonso III, como é sabido. Mesmo pelo que a nós diz respeito, neste espaço de aquém do Coa, também a fronteira a essa data estava já definida por esse rio e o território organizado e defendido pela Cidade da Guarda cujo concelho em termos de projecto ia até ao Tejo (1199) mas que, na prática, teve de repartir, dada a sua extensão, pelos concelhos de Vila do Touro e Sortelha (1228) que compreendiam uma boa parte das Terras do Estremo, até à Fatela, no sopé da Serra da Gata, incluindo terras hoje espanholas, seja, Valverde del Fresno, Eljas, S. Martinho de Trevejo, Hoyos, Vila Miel, etc, onde, aliás, ainda hoje se fala um dialecto galaico-português que Leite de Vasconcelos apelida de «Samartinhego», certamente uma fala residual dos tempos da presença portuguesa no Estremo (século XII a XIV). Mais ainda, e já que se trata de direito consuetudinário, os Costumes da Guarda, reduzidos a escrito apenas em 1217, no reinado de D. Afonso II, e com aplicação seguramente no território do seu concelho, que era a margem esquerda do Coa até ao Erges, na encosta da Serra da Xalma (Valverde), falam já, no seu art.º 117-º, dos «aveladores do monte», ou seja, os vigias ou sentinelas, espalhados pelo território, que tinham privilégios idênticos aos dos andadores (espécie de GNR), aos avinadeiros encarregados de levar as partes a acordo e aos saiões que aplicavam a justiça (algozes, carrascos…). Conheço duas dessas vigias naturais, entre fragas, uma na Vila do Touro, outra no S. Cornélio. Tratei de tudo isto no meu livro «A Guarda No Caminho do Estremo» (2001) em que me propus, e penso tê-lo conseguido, definir o papel da Guarda-Cidade, no alargamento do território até ao Tejo e na definição das fronteiras com o Reino de Leão pelo Coa e pelo Erges e ainda a organização das populações, de permeio, em concelhos, nomeadamente, como disse, Vila do Touro e Sortelha. Evidente que uma análise dos Costumes da Guarda e dos Forais destes concelhos teria de ser feita e foi-me muito gratificante e compensador verificar que muito do vocabulário e da cultura popular do Alto Coa têm raízes arcaicas bem profundas, no mínimo século XIII, ou mesmo antes, dado o cariz do direito consuetudinário predominantemente oral dos Costumes da Guarda que Alexandre Herculano classifica de os mais representativos do reino. Penso que alguns conflitos entre as populações de um e do outro lado da fronteira, pelo Coa e pela Ribeira do Boi, terão sido meramente episódicos e pouco duradouros, quase sempre, por razões de acerto dos limites e poderes dos concelhos ribeirinhos. Haja nomeadamente em vista o derrube do Castelo de Vila do Touro em 1221 pelos do concelho da Guarda e o diferendo acerca dos termos entre o concelho do Sabugal e o concelho de Sortelha, já depois do Tratado de Alcanizes, e resolvido pela Carta da Fatela (do Estremo e não de Penamacor!) em 1315, sob o alto patrocínio do Rei D. Dinis (Ver A Guarda no Caminho do Estremo).
Todavia, e antes dessa circunstância do alargamento dos vários reinos hispânicos, com o objectivo comum de recuperar o território aos mouros, penso que as populações de um e de outro lado do Coa reagiram sempre em bloco e solidárias perante inimigos comuns que, no geral, se apresentavam de leste, e não foram poucos ao longo da História. Vejamos.
Logo no início do século VIII AC, com origem no Danúbio e na Anatólia, foram as invasões indo-europeias que, segundo Manuel Gorbea Almagro, professor da Universidade de Madrid, terão trazido consigo a língua, a religião, a cultura do ferro e o culto da incineração dos mortos. Serão porventura estes povos que estão na origem da cultura ibérica que os romanos vieram encontrar no século II AC, aí incluída certamente a cultura lusitana..
Depois, aí pelo século III AC, foram os cartagineses que abriram as portas aos romanos e a cujo general, Aníbal Barca, e a propósito da ferocidade dos lusitanos, se atribui a ironia da seguinte frase: «andei por lá (na Lusitânia) e o que de mais feroz encontrei foram os rebanhos que tive de afastar a pontapé para poder passar com os meus soldados».
Depois (século II AC) foram os romanos cuja luta se prolongou por cerca de dois séculos. E a luta de guerrilha desencadeada pelos povos autóctones, nomeadamente lusitanos e vetões, não foi pera doce para eles.
A seguir foram os povos bárbaros (século V DC) – vândalos, alanos, suevos, visigodos que retalharam entre si o Império Romano e estarão na origem dos vários reinos ibéricos com destaque, no início, para o Reino dos Suevos (Braga) e o Reino dos Visigodos (Toledo).
No século VIII (711) chegaram os árabes que, em pouco tempo, ocuparam a Península, à excepção das Astúrias, dando origem ao movimento de sinal contrário – a Reconquista Cristã – que terminará apenas em 1492 com a conquista do Reino de Granada.
Quanto a leoneses e castelhanos não foram poucas as vezes que as populações fronteiriças tiveram de os enfrentar, quase sempre em relação com as várias crises dinásticas, nomeadamente a de 1383/85 e aquela que se seguiu à morte de D. Sebastião em Alcácer Quibir (fins do século XVI). Quer isto dizer que a independência e a liberdade de Portugal que alguns povos ibéricos separatistas ainda hoje pedem a Madrid, não foi uma dádiva dos nossos «hermanos» do tipo do «tostão manuelino» que o alcaide do Sabugal dava todos os anos em uma salva de prata ao alcaide de Sortelha por despacho de Filipe II, em 1615, segundo o tombo desta vila.
Finalmente (princípios do século XIX) foram os franceses de que o Prof. Pinto Peixoto no seu livro sobre a Miuzela nos conta tantas histórias ouvidas à sua avó, ao abordar também a questão das milícias, das ordenanças e até da Ronda, em sentido próprio, quando os tambores anunciavam o perigo pelas ruas das aldeias.
De todos estes povos, não há dúvida que aqueles que mais marcas terão deixado na nossa cultura terão sido os romanos – é pelo menos o que consta! Basta pensar na rede viária, na organização e na unidade política e administrativa das populações, no direito, aquedutos, teatros, anfiteatros, pontes, etc. Já quanto à romanização linguística e à introdução, pela primeira vez, do latim como língua mãe e base das várias línguas românicas, não me parece que isso seja tão linear assim… É francamente perturbador, pelo menos, no tocante às inscrições das Fráguas e de Lamas de Moledo, consideradas do século I AC, e até a muitos dos topónimos que fazem ainda hoje muitas das matrizes das Finanças dos vários concelhos, constatar que muitos desses nomes pertencem ao denominado português popular, seja latim, seja grego, seja céltico, seja de origem obscura, todavia português, e anterior à chegada dos romanos. É que, muitas dessas palavras, sobretudo os topónimos têm a ver com a cultura das Pedras e com a função que elas tiveram antes da romanização. Sirvam, a todos os títulos de exemplo, topónimos como a Cornusela (santuário lusitano), as Carapitas, a Maçaperra, o Peneducho, o Barroco Empinado, o Tamanco, a Laje da Lancha, a Sangrinheira, as Panchorras, o Porto Mancal, etc, etc, muitos deles tratados no meu livro «Na Rota das Pedras». É que, não faria sentido, seria mesmo um absurdo, as Pedras, nomeadamente as que integram os patíbulos executórios, de que apresento vários modelos nos meus trabalhos, incluindo o vosso Porto Mancal, terem funcionado como tal em determinado momento histórico (séculos I, II AC?) e virem a ser baptizadas pelos romanos 300 ou 400 anos mais tarde. Mas essa questão ficará para os eruditos, ou tidos como tal, resolverem.

Célio Rolinho Pires

Sepulturas do Porto Mancal e Eiras Velhas (1)

No dia 16 de Agosto, foram inauguradas na Miuzela as instalações definitivas da Associação de Cultura Prof. Dr. José Pinto Peixoto, insigne cientista natural dessa freguesia do concelho de Almeida. Coube ao escritor e investigador Célio Rolinho Pires, natural de Pêga, proferir no acto uma conferência, que nos transmitiu e que publicamos na integra, embora, dada a sua extensão, dividida em três textos que publicamos em dias sucessivos.

Ao ser convidado pelo Sr. Major General Augusto José Monteiro Valente para uma sessão de «apresentação da minha obra e de esclarecimento sobre as sepulturas do Porto Mancal e das Eiras Velhas, seu valor histórico e interpretação», «no âmbito do programa de actividades respeitantes à inauguração das instalações definitivas da Casa de Cultura Pinto Peixoto e celebração do 90-º aniversário do nascimento do seu patrono…», devo confessar-vos, com toda a franqueza, o que na altura senti: surpresa, porventura alguma perplexidade e até, porque não dizê-lo, um certo embaraço. É que, se o convite me honra, e honra com certeza, aceitá-lo, assumi-lo, responsabiliza e compromete. E isso mexe por dentro! Afinal, e por pouco, já que aceitei o convite, que agradeço, a situação em que eu me encontro neste momento, se pensarem bem, não é nada cómoda porque embora vosso vizinho e quase conterrâneo, pois sou de Pêga, eu não sou de cá, e todavia, mercê das circunstâncias, vejam bem, aceitei vir aqui para vos falar de coisas que vocês conhecem, estou em crer, muito melhor que eu, seja, o Porto Mancal, as Eiras Velhas, o caminho dos Mortórios, o Barreiro, a ribeira do Noémi, etc, etc. Chama-se a isso meter a foice em seara alheia e isso não vale! Talvez, no entanto, assim o espero, eu possa sair um pouco redimido, se atendermos à maneira como eu, a partir de certa altura, comecei a olhar para estas coisas… Mas isso já não é comigo.
Como já disse, eu sou de Pêga e a Miuzela, como referência, faz ainda hoje parte das minhas memórias antigas! É que, junto ao Carvalho milenar que ainda hoje lá está no largo do mercado de Pêga, havia sempre uma taberneira, acho que era a Ti Lourdes, que assentava arraiais em um caracão de pedra onde os lavradores conversavam, discutiam e bebiam e o cheirinho do trigo de quartos da Miuzela a «rescender», como diria Eça de Queiroz, e que dispensava bem qualquer tipo de peguilho, foi coisa que me ficou para sempre. Verdade! Coisas tão simples, vejam bem, como uma noz, uma castanha fora de época, um figo seco, um rebuçado, uma bola mal finta… A escolha do local pela Ti Lourdes não era ocasional: estava-se a meio do mercado do gado e, como é sabido, negócio fechado, alboroque celebrado… Mas também, e ao longo da minha vida, consegui e tenho aqui ainda bons amigos que aproveito para cumprimentar. Evoco também, se me dão licença, a memória do meu amigo César Falcão que já não está entre nós.
Posto assim perante o facto consumado de ter aceite, e ainda antes de entrar na ordem do dia pelo que a mim diz directamente respeito, deixem que eu de forma sucinta e despretensiosa, preste a minha homenagem muito sincera ao vosso conterrâneo, Prof. Dr. José Pinto Peixoto, que dá o nome à vossa Associação de Cultura, que não cheguei a conhecer, mas de quem muito ouvia falar já nos meus tempos de Faculdade, aí pela década de 60, altura em que terá sido, penso, vice-reitor da Universidade de Lisboa. Já ao tempo era sem dúvida motivo de honra e de orgulho não só para os miuzelenses, mas também para todos os beirões confinantes e vizinhos deste espaço étnico-culturalmente homogéneo na margem esquerda do Rio Coa, que «grosso modo» se desenha desde o Rio Noémi até às nascentes do Coa, e que as vicissitudes da História ajudaram a construir e a cimentar. As qualidades humanas do Prof. Pinto Peixoto, tais sejam, a simplicidade, a popularidade, a simpatia, o bairrismo, o amor à sua terra, de que muito tenho ouvido falar, juntamente com os seus predicados ao nível da ciência que fizeram dele um dos mais conceituados geofísicos e meteorologistas, sendo mesmo pioneiro ao nível do estudo do ciclo da água à escala global, fizeram dele um verdadeiro modelo e paradigma a imitar sobretudo pelos mais novos e a merecer a estima e o respeito de todos nós. Esta é assim uma reunião de beirões que aqui se juntaram, na Miuzela, para homenagear um dos seus pares, porventura o mais ilustre e representativo da sua terra em sentido lato.
O beirão, como diz Miguel Torga, no seu livro «Portugal», é um ser muito especial capaz de lá longe, América, Canadá, França…dirigir os destinos da sua terra como presidente ou secretário da junta de freguesia, para não falar, acrescentaria eu, dos que, à distância, orientam e coordenam as Irmandades dos Mortos e as mordomias do orago e de outros santos do lugar. A Beira, esta nossa Beira, é uma terra vera, verdadeira, autêntica, vestida de luto na paisagem e nas roupas dos homens e das mulheres que a habitaram e habitam. O fato do casamento haveria de ser guardado religiosamente para a mortalha, como sabemos. Não será por acaso que, por aqui, ao cemitério se chama ainda a «terra da verdade». E nós sabemos que é! Foram, sem dúvida, as vicissitudes da História, as dificuldades, as lutas com o invasor, a morte, para não falar da avareza do solo povoado de pedras enigmáticas, austeras e sombrias que fizeram desta gente o que ela é na verdade – uma gente sóbria, de poucas falas, amiga do seu amigo, pouco dada a fanfarronices ao jeito dos arraiais minhotos, com o devido respeito…
Guardarei a temática das Pedras e do Porto Mancal lá mais para o fim, se me dão licença. Deixem então que vos fale de outras coisas que me parece terem sido igualmente importantes, mesmo decisivas, para a formação da nacionalidade, ainda antes do acerto das fronteiras por D. Dinis em 1297, com o Tratado de Alcanizes. Só que talvez menos badaladas… É que, se Guimarães foi o berço da nação, as terras de Beira-Coa foram sem dúvida esquife para muitos dos nossos antepassados…
Chamei há pouco a atenção para as afinidades de ordem étnico-cultural e de boa vizinhança sobretudo entre os povos da margem esquerda do Coa, seja, Miuzela, Cerdeira, Peroficós, Marmeleiro, Rapoula, Pêga, Pousafoles, Vila do Touro, Malcata…mas também com os povos do lado de lá, embora em momentos diferentes da nossa história. Que mais não seja, a título de curiosidade, vejam no vosso livro «Miuzela, a Terra e as Gentes» da autoria do homenageado, Prof. Pinto Peixoto, página 208, a série de castelos, redutos, atalaias, vigias, castros, etc, que povoavam todo este nosso espaço com vista à defesa do território e das populações! Alguns exemplos apenas: Miuzela, para começar, Vila Fernando, Cerdeira, Águas Belas, Sortelha, Vila do Touro, Rapoula, etc, do lado de cá…mas também Caria Talaia, em frente à Rapoula, Ruvina, Sabugal, Vilar Maior, Bismula, Alfaiates, do lado de lá… Só que, e até 1297, por razões óbvias, estas fortificações, de um e do outro lado do Coa, eram, evidente, de sinal contrário, já que os de cá defendiam-se dos de lá, e os de lá dos de cá… Mesmo assim, o Cancioneiro do Alto-Coa cujas quadras, muito antigas, da idade dos étimos, estou em crer, os tocadores cantavam e tocavam nos mercados e à Ronda, aí está ainda a denunciar o que foi a unidade e o movimento solidário das populações que através do lúdico e do humor, revelam bem o que terá sido assunto bem sério em termos de história, de luto e de luta, e de sofrimento…
Apenas alguns versos:
Lagartixos os de Sortelha
Carrapatos os da Bendada
Borrachões os de Pousafoles
Falupos os de Penalobo
Cornudos os do Monte Novo
Espreita-ratos os do Ruivós,
Ceboleiros os de Peroficós
Cerdeira curtos de vista
Tocam armas em Malcata
Cães de fila os do Sabugal…
Etc, etc, etc….

Célio Rolinho Pires

Miuzela evoca República e Invasões Francesas

A freguesia da Miuzela, do concelho de Almeida, vai comemorar o centenário da Implantação da República e o bi-centenário das Invasões Francesas, tendo já delineado um programa comemorativo que inclui diversas iniciativas de interesse.

A acção partiu da Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto Peixoto, sedeada na freguesia, e vai em grande parte desenrolar-se no próximo fim-de-semana.
No sábado, dia 7 de Agosto, a Associação, de parceria com a Câmara Municipal de Almeida, realiza uma conferência na Biblioteca Municipal, haverá uma sessão evocativa da República e das Invasões Francesas. Aí se homenagearão algumas almeidenses que se distinguiram na luta pela República, sendo conferencistas Augusto Monteiro Valente e António Sousa Júnior.
No domingo, 8 de Agosto, haverá uma conferência a cargo do professor universitário Amadeu Carvalho Homem, especialista em história contemporânea, que abordará o tema: «As Invasões Francesas e o Republicanismo». A intervenção deste professor da Universidade de Coimbra está prevista para as 15 horas, seguindo-se a entrega de prémios aos vencedores de um concurso de trabalhos sobre as temáticas evocadas, a que concorreram os alunos da escola básica da Miuzela.
A população da Miuzela, tal como a de outras terras da região, sofreu grandemente com as Invasões Francesas, sobretudo com a terceira invasão, que se iniciou em 23 de Julho de 1810. Os soldados franceses, assolados pela fome, prestaram-se a actos de extrema violência sobre as populações, quer para lhes confiscarem alimentos, quer para se vingarem quando nada encontravam capaz de lhes servir.
plb

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

«O Jantar do Bucho» de José Pinto Peixoto

José Pinto Peixoto foi um dos mais destacados geofísicos e meteorologistas portugueses. Mas este cientista de renome, que viveu radicado em Lisboa, quis legar à sua terra de nascimento uma extensa e cuidada monografia, o que fez em cumprimento de um dever de homem citadino que nunca esqueceu as suas origens humildes.

Feira rural de caça e pesca em Almeida

O Município de Almeida promove nos dias 8 e 9 de Novembro no Pavilhão Multiusos de Vilar Formoso a I Feira da Caça, Pesca e Desenvolvimento Rural. Entre as várias actividades previstas no programa destaque para a Montaria ao Javali em Nave de Haver e para a Largada de Perdizes em Vilar Formoso.

Feira de Caça, Pesca e Desenvolvimento Rural de AlmeidaA primeira edição da Feira de Caça, Pesca e Desenvolvimento Rural organizada pela Câmara Municipal de Almeida decorre nos dias 8 e 9 de Novembro no Pavilhão Multiusos de Vilar Formoso. A montaria ao javali em Nave de Haver no sábado e a largada de perdizes em Vilar Formoso no domingo são as cabeça de cartaz do certame.
A abertura do salão de exposições está marcada para as 10 horas da manhã de sábado podendo ser admirados no recinto do pavilhão objectos de caça, pesca, jipes florestais, produtos agro-alimentares e tradicionais do mundo rural e fauna viva como cavalos, falcões, javalis, avestruzes, perdizes, coelhos, pombos e cães de raça.
O programa inclui demonstrações de meios da equipa cinotécnica da Guarda Nacional Republicana, o grupo de concertinas Clave de Sol, exibição de aves de presa (falcoaria) e de cães de parar com a presença de Vítor Maurício. O colóquio «Caça, pesca e Comunidade» conta com os oradores António Borges (Caça e Sociedade), Lurdes Martins (Contributo das concepções de pesca desportiva para o desenvolvimento local), Paulo Paixão (O corço no concelho) e Amílcar Teixeira (Caracterização das comunidades salmonídeas da Região Centro). A actuação do Grupo de Fados da Guarda finaliza o primeiro dia do evento.
No domingo terá lugar em Vilar Formoso uma largada de perdizes, nova demonstração de meios da equipa cinotécnica da GNR, a actuação do grupo de concertinas de Figueira de Castelo Rodrigo, a libertação de uma ave recuperada nas Cervas, a exibição do Grupo de Lendas, Danças e Cantares de Ribacôa. A primeira edição encerrará com as danças do Rancho Folclórico da Miuzela.
O evento contará em permanência com tasquinhas com petiscos de caça e pesca, assadores de castanhas, exposições de cães e matilhas, tiro com arco e besta e passeios de charrette para todos os visitantes.
jcl

Encontro de associações juvenis na Miuzela do Côa

A Miuzela do Côa, concelho de Almeida, recebe no fim-de-semana de 6 e 7 de Setembro cerca de 250 jovens para discutir o tema «Energias Renováveis» no XII Encontro das Associações Juvenis do Distrito da Guarda e III Encontro Transfronteiriço de Associações Juvenis.

Miuzela do Côa«E a tua energia é renovável?» será a questão colocada a cerca de 250 jovens oriundos das associações juvenis do distrito da Guarda e da província de Castilla y León.
O XII Encontro das Associações Juvenis do Distrito da Guarda e III Encontro Transfronteiriço de Associações Juvenis encontro está marcado para os dias 6 e 7 de Setembro, na Miuzela do Côa, concelho de Almeida. A iniciativa tem como objectivo estabelecer dinâmicas de cooperação, identificar e promover iniciativas e acções de desenvolvimento.
O programa inclui diversos workshops e debates relacionados com a problemática ambiental, concertos com bandas convidadas, peddy-paper e uma festa dançante com merenda no sábado à noite.
O encontro é organizado pela Federação das Associações Juvenis do Distrito da Guarda (FAJDG) e pelo Centro Social, Cultural e Desportivo Miuzelense com o apoio do Instituto Português da Juventude.
Em comunicado, a FAJDG destaca a falta de «um quadro de referência de natureza territorial capaz de enquadrar uma estratégia global e localizada de cooperação entre as associações juvenis da Região Centro e da província de Salamanca».
jcl