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António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Histórias de médicos… invulgares

Tarde de fins de maio, com um ambiente natural calorento, nuvens como castelos a ameaçar pequenas trovoadas, o para-raios atento, vento ainda suave a invadir os nossos espaços físicos e psicológicos. Sentado a uma comprida mesa, cercado de livros de diversas temáticas, afastado das teclas do computador, olho a cúpula de uma capela, o campanário arquitectado e indicador de Serviço em Missão.

Um médico ouve uma história e acrescenta outra

Fernando Lopes - A Quinta Quina - © Capeia Arraiana

Pontas soltas

A infindável saga com os bancos, a crónica falta de médicos, a recorrente indignação dos colégios privados e o continuado folclore com interior do país.

Um fartar vilanagem

Um fartar vilanagem

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

Guarda acolhe mais de 500 médicos

Mais de 500 profissionais de todo o país são esperados no 1.º Congresso Médico da Beira Interior, a realizar na cidade da Guarda, entre 24 e 27 de Setembro, com a temática geral «A urgência».

Congresso de Saúde na Guarda

Congresso de Saúde na Guarda

A boa caligrafia que devem ter os médicos

Embora a ciência médica tenha evoluído muito nas últimas décadas, a verdade que regrediu em igual proporção a responsabilidade da prática da medicina, o que é perfeitamente visível na simples forma como são emitidas as prescrições terapêuticas.

Ventura ReisHá dias fui a uma consulta médica no Centro de Saúde da minha área de residência. O facultativo que me observou e sobretudo ouviu os meus queixumes, entendeu passar-me receita com alguns medicamentos.
Já na farmácia, a diligente funcionária que me atendeu tentou compreender os rabiscos da prescrição, mas teve de recorrer a uma colega, que também nada decifrou. Quando me apercebi, já todos os funcionários da farmácia estavam de roda do papel, dando palpites acerca dos gatafunhos da receita, mas sem que chegassem ao necessário consenso. Uma tentativa de contacto com o Centro de Saúde também foi em vão, pelo que, educadamente, me solicitaram que lá retornasse e solicitasse uma nova receita, por aquela ser absolutamente ilegível.
Voltei ao Centro de Saúde, mas o médico saíra e só voltaria a dar consultas daí a dois dias. A minha sugestão de alguém falar com outro médico não pegou e, face à postura irredutível dos funcionários, tive de ali voltar ao fim de dois dias para o médico, a contragosto, e vociferando contra os funcionários da farmácia, emitir novo receituário, com arabescos algo melhor desenhados do que aqueles que o papel anterior continha.
Esta irresponsabilidade do médico não poderia passar-se nos tempos antigos, quando a lucidez boiava à tona da água e todos cumpriam as regras estipuladas. Durante muitos anos vigorou o decreto-lei n.º 32.171, de 29 de Julho de 1942, cujo artigo 11º estipulava: «As receitas serão redigidas em língua portuguesa, usando-se sempre que as circunstâncias o permitam folhas apropriadas em que se contenham impressos o nome e morada do médico que as firme, sem emprego de abreviatura, com as doses expressas por extenso e de harmonia com o sistema decimal, datadas, e devendo o seu teor ser escrito a tinta e com letra bem legível, de forma a serem facilmente entendidas pelos farmacêuticos. Quando se prescreva dose menos usual deve esta assinalar-se, quer sublinhando as palavras que a indicarem, quer escrevendo-as não só por extenso, mas também por algarismos.»
E lá vinha a disposição sancionatória, para que a norma tivesse eficácia: «A infracção ao disposto é punida com multa de 100 a 500 escudos».
No Sabugal recordo dois grandes clínicos, que ali tinham consultório, os doutores Francisco Maria Manso e Raul Baptista Monteiro, cuja letra aposta nas prescrições era cuidadosamente desenhada, tal qual o professor Frederico, de Vila Boa, a ensinara nos bancos da escola, para que todos a compreendessem.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis

Médicos espanhóis abandonam o Interior

A notícia vem estampada na edição de hoje, 17 de Junho, do jornal Público, onde se refere que depois da vinda massiva de médicos espanhóis no final da década de 90, os mesmos estão a regressar progressivamente ao seu país, aliciados pelo governo espanhol que lhes oferece agora melhores condições para o exercício da profissão.

MédicoNo Centro de Saúde do Sabugal trabalham actualmente dois médicos espanhóis e também estes poderão aceitar os incentivos, seguindo os passos de um outro colega que há pouco tempo regressou a Espanha.
A notícia do Público, que se reporta sobretudo à situação vivida no Norte, Alentejo e Algarve, originou uma outra, da Agência Lusa, que procurou saber junto da sub-região de saúde da Guarda qual o ponto da situação.
Apurou-se então que são actualmente 20 os médicos espanhóis que prestam serviço em unidades de saúde do distrito da Guarda, colmatando a falta de clínicos nacionais em várias áreas. Isabel Coelho, coordenadora da sub-região de saúde, referiu que ao nível dos centros de saúde, há 10 clínicos a prestar serviço no distrito: um em Almeida, um em Fornos de Algodres, dois no Sabugal, um em Seia, quatro na Guarda e um em Vila Nova de Foz Côa. Os outros 10 prestam serviço no Hospital Sousa Martins, na Guarda, nos serviços de medicina, cirurgia e pediatria.
Em Espanha a carência de médicos e enfermeiros nas unidades de saúde obrigou as autoridades a aliciar esses profissionais radicados em Portugal para regressarem a casa. Porém a responsável da sub-região de saúde não se manifesta muito preocupada com o alerta, uma vez que «a grande avalanche de saídas foi há mais de meio ano».
Nessa altura cinco clínicos regressaram a Espanha, «mas uma médica já regressou ao centro de saúde de Vilar Formoso». Os outros, que saíram definitivamente, prestavam serviço nos centros de saúde de Figueira de Castelo Rodrigo, Guarda, Trancoso e Sabugal.
«Espero que a situação tenha estabilizado», admitiu a responsável à Lusa, esclarecendo que os médicos espanhóis que se mantêm ao serviço em centros de saúde do distrito são oriundos de Castilla y Léon e da Galiza.
Considerou que apesar de os médicos ainda não terem dado indicações de tencionarem abandonar Portugal, “são emigrantes e a qualquer momento podem querer regressar”.
Daí que Isabel Coelho tenha, neste momento, «uma preocupação relativa» em relação à presença dos clínicos espanhóis. «Há sempre um grau de preocupação, até porque são pessoas que, de um momento para o outro, podem decidir regressar à sua terra», concluiu.
plb

Pinharanda Gomes escreve sobre João XXI

Foi, recentemente, publicada e apresentada publicamente uma colectânea de trabalhos de investigação sobre a vida e a obra do Papa João XXI. O pensador e filósofo português Pinharanda Gomes colaborou com a investigação «Pedro Hispano, mestre de Lógica».

Uma colectânea de 12 trabalhos de investigação sobre a vida e a obra de Pedro Julião, conhecido na Europa por Pedro Hispano ou Petrus Hispanus Portugalensis, e que foi Papa com o nome de João XXI foi, recentemente publicada pela Associação de Médicos Católicos.
O volume é organizado por J. Paiva Boléo-Tomé e tem a intenção de comemorar os 800 anos do nascimento daquele sábio em Lisboa, em data não definida, mas situada segundo as investigações, entre 1205 e 1210.
O volume agora publicado resulta do conjunto de conferências de um ciclo que se realizou entre Setembro de 2001 e Maio de 2002. O conjunto de estudos analisa as vertentes mais conhecidas da sua sabedoria: a vertente científica e médica, e a vertente de filósofo e cultivador do pensamento medieval. À maneira da época, era o homem enciclopédico, que procurava abarcar toda a sabedoria humana e divina, como então se dizia.
O pensador e filósofo Jesué Pinharanda Gomes contribui com a investigação «Pedro Hispano, mestre de Lógica» destacando que o religioso inaugurou a tradição dos compêndios como forma de consulta sistematizada para os estudantes.
O volume vem ilustrado com bastantes imagens que documentam a sua notoriedade na época. Trata-se, pois, de uma obra essencial para o conhecimento desta figura ímpar do século XIII, contemporâneo de nomes como S. Tomás de Aquino ou Afonso X o Sábio.
Sendo pouco conhecidas as circunstâncias da sua vida, sobretudo quando viveu em Portugal (poderá ter sido prior em Mafra ou membro de uma colegiada em Guimarães), a sua acção como pensador da grande Idade Média faz dele uma das figuras culturais da Humanidade.
jcl