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António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Família desavinda

Trump e Merkel são dois «familiares» desavindos, ambos se identificam com o Capitalismo Selvagem, só que Trump e os seus seguidores como JaroslaW Kaczynki e o húngaro Orban são nacionalistas autoritários e querem regressar aos valores mais profundos dos seus povos, Merkel e Macron procuram os valores modernos do cosmopolitismo. O problema é cultural, talvez nem económico nem político, porque a todos eles interessa simplesmente enriquecer ainda mais os mais ricos.

Liberalismo - Capeia Arraiana

Neoliberalismo derrotou a Democracia

O estertor do Liberalismo

O Capitalismo sem regras posto em marcha por Milton Friedman e seus acólitos, choca com o Liberalismo de economistas como Keynes e até Adam Smith, estes nunca desvincularam a economia da sua dimensão política, social e moral.

António EmídioOs valores sociais e morais já desapareceram por completo dos actuais governantes liberais, melhor dizendo, neoliberais, só assim se compreende que queiram um relançamento económico, um crescimento baseado num retrocesso social e laboral, importando-se pouco ou nada, com os problemas humanos das pessoas.
Esta Europa, Portugal incluído, claro, está a afastar-se de uma economia regulada, de uma Social-Democracia em que tanto contava o capital como a mão-de-obra, e com o Estado a arbitrar os conflitos, lançando leis justas tanto para um lado como para o outro. Era um modelo socialmente justo.
Se um indivíduo ou uma nação, orientam toda a sua vida, todos os aspectos da sua vida, simplesmente para o dinheiro, isso não é vida, é morte! É o que nos acontece presentemente, porque os homens que administram o actual Capitalismo desregulado, só têm como objectivo multiplicar os seus lucros, sabendo que esta liberalização absoluta dos mercados e as privatizações, vão contra a população trabalhadora, ou seja 90 por cento das pessoas, só assim se compreende que os ricos sejam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
O espírito liberal está no seu estertor, foi uma época destas, a época do laissez-faire, que tanto dano causou às classes trabalhadoras, a causa do surgir de pensamentos socialistas, comunistas, social-democratas e anarquistas, de teóricos sociais como Marx, Proudhon e outros. Agora, no actual momento histórico que atravessamos, o mesmo laissez-faire de meados do século XIX está de volta, o que irá dar origem a conflitos, na medida em que os poderosos, ébrios de lucro, não aceitam a justiça, e onde não há justiça há violência.

O dono da Zara (marca de roupa), é tão rico que com a sua fortuna comiam nove milhões de famílias durante um ano! É talvez por causa de coisas destas que Sua Eminência o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, mandou as pessoas, principalmente os católicos a estarem quietinhos e deixarem-se roubar à vontade, mais um entrave à fé, como o é a Macroestrutura da Igreja Católica… Por aqui me fico, receio ter de mandar um qualquer inquisidor para um sítio desagradável…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Uma Real História

O nosso rei D. João VI foi, segundo os historiadores, um fraca figura e um governante indeciso na hora de tomar decisões importantes para o Reino. A favor dele, se isso se pode considerar a favor, foram os tempos conturbados de finais do século XVIII e, o período do século XIX em que governou, até à sua morte em 1826. Mas não ficaram por aí os problemas do desventurado rei.

António EmidioOs pactos e alianças da Corte portuguesa com a Corte espanhola, ou entre as casas reais, como queiram, arranjaram-lhe um casamento com uma espanhola. Quando isso aconteceu, a espanholinha, que viria a ser Dª Carlota Joaquina, tinha apenas 10 anos de idade. Era uma menina irrequieta e desobediente, muitas vezes foi necessária a intervenção da rainha Dª Maria para a meter na ordem. Convém dizer que a espanholinha veio viver para a Corte portuguesa.
Aos 15 anos «fez-se pública a visita mensal», menstruação, assim se exprimiu o cronista de Xabregas, um frade que vivia na Corte. Foi uma festa! Dª Carlota Joaquina foi nesse dia (ou noite) acompanhada ao quarto do esposo (que esteve cinco anos à espera!!!) por um séquito de cortesãs e princesas. Mas também começaram os problemas conjugais de D. João VI.
Os filhos foram nascendo, mas tudo indica que alguns, talvez a maior parte, não eram dele. Raul Brandão, chega mesmo a dizer que dos nove filhos que teve, só três ou quatro foram do marido, D. João VI. Vejamos: D. Pedro e Dª Isabel Maria, foram mesmo dele. Dª Ana era de João dos Santos, caseiro da quinta do Ramalhão, já falarei nela mais à frente. Dª Maria Francisca era filha do general Luís de Motta Feo. D. Miguel, do Marquês de Marialva, mentira, já falarei nele mais à frente também. Dª Maria da Assunção, outra filha do caseiro João dos Santos, e diz que dos outros nem se conhece o pai. O próprio D. João VI declarou a vários membros do Corpo Diplomático que não se considerava pai do recém-nascido D. Miguel, porque há dois anos que não tinha relações com a mulher.
D. Miguel, dizia-se que era provavelmente filho do Marquês de Marialva, um dos amantes preferido de Dª Carlota Joaquina, mas o povo, que já tinha ouvido tanta coisa, não acreditava e, dizia que D. Miguel era filho da tal caseiro da quinta do Ramalhão, João dos Santos – a quinta que D.João comprou para enviar para lá Dª Carlota Joaquina, sinal de problemas entre os dois – o povo cantava este refrão:

Não é filho do Marquês
E menos de D. João
É filho sim do caseiro
Da Quinta do Ramalhão

Quem ao de leve fala na quinta do Ramalhão e, de uma maneira nada abonatória, é Camilo, no seu livro – A Brasileira de Prazins – é esta a cena: O tenente coronel realista, Vasco Cerveira Leite, estava casado com Dª Honorata, um pouco levantada da cabeça e, que se tinha feito mulher na quinta do Ramalhão, fora açafata de Dª Carlota Joaquina e, amada segundo ela, Dª Honorata, pelo Conde de Vila Flor, outro dos que frequentavam a quinta… O Vasco Cerveira, quando estava com a sua bebedeira diária e, ela lhe «chateava a cabeça», disciplinava-a militarmente com uns pontapés no rabo e lançava-lhe à cara este piropo: «ainda tens saudades dos bordéis do Ramalhão, aqueles pagodes reais?».
Dª Carlota Joaquina estava sempre contra o marido politicamente, age contra ele até nos últimos anos da vida dele. Tinha grandes ambições politicas próprias, era como que o líder do Partido «Contra Revolucionário», anti-liberal e apoiante do filho D. Miguel. Uma mulher assim querido leitor, nem ao maior inimigo se deseja.
O que eu não acredito é que tenha sido uma atrasada mental qualquer, nem uma vulgar mulher, ela devia ter sido inteligente, mas teve o azar de ter sido dada a D. João VI.
Vejam esta, queridos leitores(as)! É de mestre…
Era necessário reanimar a causa realista, nada melhor do que um milagre. Então a Virgem «apareceu» a duas pastorinhas em Carnaxide, possivelmente em 1822, dizendo-lhes que Portugal sobreviveria ao ateísmo maçónico (Liberalismo) e, outras coisa próprias para a ocasião. Dª Carlota Joaquina patrocinou grandes peregrinações a esse lugar «sagrado». O povo e a nobreza estavam unidos nessa devoção. Mas a coisa não pegou e as pastorinhas e a Virgem depressa foram esquecidas. Quase cem anos depois, a mesma jogada, mas desta vez pegou mesmo, embora noutro lugar…
Compreendo que espíritos mais puritanos não aceitem estas coisas de bom grado. Mas o que está feito não se pode desfazer. Li a história, não só uma, todas, com pequenas cambiantes dizem o mesmo. Tinha de ser assim, eu não vivi na Corte de D. João VI, nem tive acesso aos mais privados aposentos de Dª Carlota Joaquina, nem às conversas que ela teve com os frades da Corte, bispos e cardeais.
Voltando às aparições, o leitor já notou que estas aparições da Virgem acontecem quando surgem dois regimes políticos que a Igreja abominou, Liberalismo e República?
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

A História é de todos

Invasões Francesas, Liberalismo e República, muito se tem falado este ano sobre estes acontecimentos históricos. Para o ano, aqui no nosso Concelho, iremos comemorar os 200 anos sobre a batalha do Gravato, que se travou aqui bem perto da cidade do Sabugal, na margem direita do Côa em 3 de Abril de 1811.

António EmidioAcredito que a Câmara Municipal do Sabugal e a Junta de Freguesia também do Sabugal, não irão deixar passar esse dia, sem pelo menos, singelamente, homenagear todos aqueles que participaram nesse combate. Aliás, tanto a Câmara como a Junta, já nos habituaram durante o período democrático de trinta e seis anos, a honrar este povo e a sua história.
No nosso Concelho não foi só a batalha do Gravato que marcou a passagem dos exércitos franceses. Aldeia da Ponte, Soito e Quadrazais, ficaram quase em ruínas, as terras agrícolas junto a Malcata foram saqueadas, levando os seus produtos e, queimando as matas.
Este Artigo é para quem o ler, é público, mas vou escrever agora para todas as mulheres e homens do nosso Concelho que estão dedicados à causa pública, aquelas e aqueles que nós eleitores, democraticamente pusemos no poder.
A história do nosso Concelho confunde-se com o Mundo, o há bem pouco tempo falecido Tony Judt, o historiador mais lúcido da Social Democracia, no seu volumoso livro intitulado Pós-Guerra, a história da Europa desde 1945, diz o seguinte numa das suas páginas: «Num município português, Sabugal, no norte rural, a emigração reduziu a população local de 43.513 em 1950 para unicamente 19.174 trinta anos depois». Isto faz parte da história da Europa. As carências de toda a ordem obrigaram a partir, a responder à chamada de De Gaulle, milhares de habitantes do Concelho.
Todas as manhãs bem cedo, antes de ir para o trabalho, vou beber um café, quem se cruza comigo a essa hora também a caminho do trabalho? Búlgaros, ucranianos e sérvios. Quem me serve o café? Uma romena. O Sabugal e o seu Concelho também foram apanhados pela onda de choque causada pela queda do Muro de Berlim, a história está novamente presente.
Falei somente um pouco da história contemporânea, por uma questão de disciplina de espaço.
Presentemente o que poderá acontecer? Há quem por razões comerciais, interesses espúrios e sórdido autocentrismo, poderá querer apoderar-se da história do nosso Concelho, porque nesta sociedade em que infelizmente vivemos, predomina mais o consumo do que a cultura e o consumo traz lucro e prestigio social, a partir daí a história poderá ser deturpada, se com isso alguém tirar dividendos económicos ou políticos. Esta época é cínica, perdeu todo o pudor e guia-se por essa lei do tudo é permitido, para isso lá estão os «mass media» e a publicidade.
Termino com um apelo aos eleitos, não deixem privatizar a história do nosso Concelho.
E nós, cidadãos, não podemos ser uma massa amorfa e manipulável, temos uma história a defender. Eu, já a estou a defender.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

O Iberismo

Os colaboradores deste Blogue, Adérito Tavares e António Cabanas, lançaram-nos como que um repto: as relações entre nós portugueses e esses vizinhos tantas vezes ignorados, que são os espanhóis. Como quase todos os que escrevemos no Capeia Arraiana, somos gente da Raia, porque não aceitá-lo?

António EmidioO nosso encaixe físico, esta vizinhança, faz com que tenhamos sempre os olhos postos uns nos outros. Assim foi ao longo da história. Neste post, não irei falar sobre batalhas ganhas e batalhas perdidas, nem tão pouco em nacionalismos serôdios. Falarei nos períodos de amuos e boas relações entre os dois povos.
O Iberismo é uma tendência política, espanhola, de integrar Portugal num todo ibérico. Esse Iberismo é conseguido no reinado de Filipe II . Alguns historiadores afirmam, que até essa data, Portugal se integrava sem muitos e grandes problemas numa Espanha medieval, renascentista e barroca. Era uma «pequena Espanha», mas com o surgir de novos pensamentos e correntes políticas, como o centralismo do poder, essa situação foi radicalmente posta de parte pelos portugueses a partir de 1640.
Depois desta data, cada um seguiu caminhos separados, o que deu origem a uma secular história de antagonismos. Portugal vive então de costas voltadas para Espanha, sendo assim a melhor maneira de defender a sua independência.
Só no século XIX, Portugal e Espanha têm uma postura diferente. Surge então uma espécie de Iberismo, mas este de carácter positivo, fruto das Invasões Francesas e da Guerra Peninsular. Ambas contribuíram para uma revolução ideológica, que foi o Liberalismo. Mas depressa este Iberismo deu lugar a um novo voltar de costas, fracasso da Primeira República Espanhola e proclamação da República Portuguesa. Nessa altura, em Portugal, era considerado anti-patriotismo e traição, falar em Iberismo.
Revolução de 28 de Maio de 1926, a partir daí, com toda uma séria de peripécias entre Salazar e Franco, durante a Guerra Civil Espanhola, em que Salazar apoia Franco, porque deseja uma convergência de regimes, e abomina a República, vendo nesta, ou seja, na vitória dela, o aparecimento de um Iberismo Revolucionário que levaria à queda do seu regime, o Estado Novo. Mas não esqueçamos que franco, e a Falange, sempre mantiveram, muito secretamente, uma vontade de anexar Portugal.
Vem depois a Segunda Guerra Mundial, Franco apoia os países do Eixo, chega a encontrar-se com Hitler, deseja participar na guerra. Salazar tudo faz para o dissuadir, sabe que isso traria uma invasão do território nacional pelos exércitos de Espanha e da Alemanha. Vários condicionalismos, entre eles – Hitler não aceitar uma série de condições de Franco – fazem com que a Espanha se mantenha fora da guerra.
Seguem-se anos de silêncio e calma, não há problemas. A Espanha, pela mão de alguns tecnocratas católicos da Opus Dei, entra numa liberalização económica, a partir dos anos sessenta. Liberalização económica, não política, a ideologia (ditadura) sempre esteve nas mãos de Franco. Portugal mantém-se inalterável, tanto política como economicamente. O que faziam os povos da fronteira, o que fazíamos nós, raianos, por estes lados? Contrabando, fazer compras nas povoações espanholas de fronteira, sempre com receio às autoridades, casamentos entre espanholas e portugueses, e vice-versa, idas e vindas entre caminhos e veredas, havia portugueses que tinham pequenas terras agrícolas em Espanha. As populações davam-se bem, apesar dos nacionalismos e proteccionismos dos seus governantes.
Revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal, começa a evolução para a democracia em Espanha (A Transição) . Franco ainda pensa em invadir Portugal, caso o Partido Comunista Português se instale no governo. Começa uma mudança ideológica que se reflectiu em todos os sectores.
Em 1981 há uma tentativa de golpe de estado em Espanha, feito pelos militares saudosistas do Franquismo. A concretizar-se, seria mais um período de tensão entre os dois países e muitos democratas espanhóis se refugiariam em Portugal. Falei com um, que andou pela serra á procura de caminhos que o trouxessem a Portugal, não só a ele, mas a muitos outros que tinham contactado com ele. As fronteiras entre os dois países fechariam, e as perseguições políticas começariam.
Vem 1986, entrada conjunta de Portugal e Espanha na União Europeia, então CEE.
Chegou-se ao fim da história nas relações entre os dois países? Ainda não. A história caminha para diante sem deixar para atrás o passado. Vivemos presentemente num Iberismo positivo, isto não quer dizer que um dia volte um Iberismo negativo.
Num dos artigos que escrevi para este Blogue, intitulado «Que Federação Ibérica?», disse que houve, e há, autarcas do Concelho que fizeram e fazem um grande esforço no intuito de uma aproximação cultural e económica com as populações do outro lado da fronteira. A história concelhia lembrar-se-á deles com fomentadores de um Iberismo são, e talvez precursores de uma Confederação Ibérica de Nacionalidades. São símbolos de paz e progresso.
Uma pequena história para terminar:
Quando Franco entra em Madrid, e se proclama vencedor da Guerra Civil, num clube, aqui na então Vila do Sabugal, estava toda a gente com atenção ao rádio que transmitia o acontecimento. Possivelmente o Rádio Clube Português, que durante a guerra transmitia programas de apoio às tropas franquistas. Ouve-se então uma voz clamar bem alto:
– Legionários!!! Isto ouve-se em sentido!!!
Foi o comandante da Legião Portuguesa da Vila que lançou esta ordem para os legionários presentes, tal era o fervor ideológico!
Escusado será dizer que toda a gente se pôs de pé e em sentido, legionários e não legionários, estes últimos com medo, não fosse o diabo tecê-las…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com