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Simples apontamentos

Em tempo de férias há uma tendência natural para esquecer os problemas. Depois de aceitarmos não ser possível fazer aquelas férias com que sonhámos todo o ano, resta-nos aproveitar o sol. Esquecemos já o deficit e as medidas para o combater. Esquecemos o aumento do IVA, o imposto excepcional sobre os rendimentos do trabalho ou simplesmente as medidas alternativas que foram propostas, mas que o governo não aceitou.

José Manuel Monteiro - Largo de Alcanizes - Capeia ArraianaVem tudo isto a propósito das notícias recentes.
A PT faz um encaixe líquido de cerca de 3,8 mil milhões de euros, com a venda da VIVO à Telefónica por 7,5 mil milhões de euros e a aquisição de uma quota na OI.
O resultado líquido da transacção, será uma parte distribuída pelos accionistas, a título de dividendos. Estes terão uma retenção de 20%, de imposto, se for pessoal singular, podendo 50% desses dividendos serem englobados nos rendimentos dos seus titulares, ficando os 20% retidos como pagamento por conta.
Serão tributados se não forem colocados em offshores. Está visto que os accionistas não são funcionários públicos, nem simples trabalhadores por conta de outrem.
Mas, relendo os jornais do dia, outra notícia nos surpreende, ou talvez não, vejamos:
«Bancos com mais 12 % de lucros e menos 1/3 em impostos.»
Pois é, parece que a banca portuguesa, como todo o sector financeiro, lucra com a crise, crise em grande parte da sua responsabilidade.
Vejamos um quadro comparativo entre lucro e impostos (fonte DN, de 29-7).

BANCO LUCRO IMPOSTOS
BCP + 10,7 % – 52,7 %
BES + 14,6 % – 59,6 %
BPI + 11,8 % – — %
Total + 12,9 % – 68,9 %

Há muito que se exige que o sector financeiro pague os mesmos impostos que as restantes empresas, há muito que se pede para que as transacções bolsistas sejam tributadas.
Se a forma como é distribuído o rendimento é indicador dos índices de desenvolvimento, também a forma como a carga fiscal é aplicada é indiciadora das políticas praticadas.
Afinal a crise não é para todos.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Silêncios no Tarrafal

Visitei esta semana pela segunda vez a prisão do Tarrafal em Cabo Verde. Em ambas as visitas, os silêncios dominaram o percorrer daquele que também ficou conhecido como o «Campo da Morte Lenta». Nos silêncios ouviam-se os gemidos daqueles que por lá passaram. Nos silêncios ouvia-se a força da razão e da luta de todos os que querendo um pais melhor e diferente resistiram à tortura, à solidão, ao sofrimento, porque sabiam que da sua luta haveria de nascer uma alvorada de cravos vermelhos.

Holandinha - Tarrafal - Cabo Verde

José Manuel Monteiro - Largo de Alcanizes - Capeia ArraianaCom os silêncios troquei umas palavras comigo e romperam num turbilhão as memórias dos revoltosos da Marinha Grande em 1934, que fizeram parte dos 152 prisioneiros que inauguraram o campo, com Edmundo Pedro, dirigente da Juventude Comunista, também incluído no grupo dos primeiros prisioneiros.
Das vidas que por lá ficaram, vêm à memória Mário Castelhano, secretário da Confederação Geral do Trabalho, e director do seu jornal «A Batalha» que morre em 1940. Bento Gonçalves, secretário-geral do Partido Comunista Português de 1926 até à sua morte em 1942 ma prisão do Tarrafal. No total são 37 os presos que acabaram por morrer no Tarrafal.
Para lá foram encarcerados dirigentes do PCP, ou da Juventude Comunista, como Francisco Manuel Duarte, Júlio Fogaça, Sérgio Vilarigues, ou apoiantes e lideres dos movimentos independentistas e anticolonialistas como o escritor Angolano Luandino Vieira, preso como consequência da atribuição do prémio Camilo Castelo Branco pela Sociedade Portuguesa de Autores.
O campo prisional foi fundado em 1936 e funcionou até 1954 ininterruptamente albergando muitos dos antifascistas portugueses.
Com o inicio da guerra colonial o campo foi reactivado em 1961 e passou a ser essencialmente destinado a prisioneiros das ex- colónias portuguesas, nomeadamente Angola, Guiné e Cabo Verde. O seu encerramento como prisão ocorreu em 1 de Maio de 1974. Funciono depois como quartel das Forças Armadas Cabo-verdianas.
Actualmente está transformado em Museu da Resistência e o governo de Cabo Verde fez a sua candidatura a Património da Humanidade, prevendo-se que em 2011 ou 2012 isso venha a acontecer.
Do campo ficou conhecido a «Frigideira» exterior ao muro da prisão, constituída por um buraco no chão e uma chapa a cobri-lo e para onde eram enviados os prisioneiros mais resistentes. Imagina-se o sofrimento desses homens que dias e dias aguentavam o sol a bater directamente na chapa e sentiam o seu corpo fritar. A sua localização fora dos muros ainda hoje nos transporta para os gritos que dela devem ter saído.
Conhecida também ficou a «Holandinha», cela contígua à cozinha onde eram colocados os prisioneiros cujo castigo era não serem alimentados. O cheiro da comida no outro lado da parede deverá ter sido tão doloroso que só foi possível aguentar, porque esses homens acreditavam profundamente nas convicções e iam buscar ai a coragem necessária a toda a sua luta.
E, para que o futuro não tenha mais campos de morte é preciso Não Apagar a Memória.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Tributo a Saramago

Morreu esta semana o escritor que eu mais admirava e apreciava.

José Manuel Monteiro - Largo de Alcanizes - Capeia ArraianaLi «Levantado do Chão» no inicio dos anos 80 e essa leitura levou-me à leitura de todos os livros da obra de Saramago. Alguns, para ai dois, comprei e não terminei a sua leitura. Foi a fase de não conseguir ler Saramago, como já me tinha acontecido, e ainda acontece, com Lobo Antunes.
De todos os seus livros gostaria de destacar aqueles que maior prazer me deram a ler e aqueles que após cada leitura recomendava a todos os amigos.
Em «Levantado do Chão» descobri um povo que luta contra a opressão num ambiente de miséria rural. Da luta dos trabalhadores agrícolas alentejanos contra os latifundiários, as forças da ordem e a igreja descobri um povo antifascista e um autor que não tem medo de revelar as suas opções políticas.
No «Memorial do Convento», com a criação de personagens fantásticas: Baltazar, sete-sóis e Blismunda, sete-luas, o padre Bartolomeu Dias e a sua passarola, o rei e a rainha, o povo anónimo, através da construção do convento de Mafra, Saramago volta a ter na sua acção a História de um Povo.
Nos anos 90 são publicados «O Evangelho segundo Jesus Cristo» e «Ensaio sobre a Cegueira».
Com o Evangelho nasce a primeira polémica. Depois de Abril um governo censura um livro ao proibir a sua participação num prémio europeu de literatura. Saramago parte para as Canárias.
José Saramago - Foto de Sebastião SalgadoEm o evangelho Cristo é homem. Vive as angústias de um homem, os amores e as paixões, a revolta e a crucifixação, como todos aqueles que sem medos se revoltam num mundo de misérias e injustiças.
As angústias de quem não vê ou não quer ver, na cegueira colectiva de um povo e quase a apontar para a ficção científica foram sentidas no final da leitura do «Ensaio sobre a Cegueira».
«Caim» a ultima obra lida de Saramago, volta a por em destaque o sagrado e gera novas polémicas, sendo já tema de uma das primeiras crónicas escritas e publicadas aqui por mim.
Deixei para último o livro que por estes dias mais me fez recordar Saramago. «Intermitências da Morte». É o livro que nos deixa sem resposta. Apenas sabemos que na morte e no seu compromisso para com a humanidade reside o medo do desconhecido, do vazio, algures numa hora e num lugar deste planeta.
No escritor descobri o homem, coerente com os seus pensamentos, fiel aos seus valores.
Hoje, no desconhecido da morte, restam os livros.
A todos aqueles que nunca tiveram coragem ou interesse em ler José Saramago desejo que o descubram e retirem da leitura dos seus livros prazer mas também a coragem para que sem medos se afirmem os pensamentos e as ideias, mesmo que incómodas ou não maioritárias na sociedade.
Por tudo, Obrigado José Saramago.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Executivo Municipal do Sabugal

Depois do executivo municipal do Sabugal ter votado por unanimidade uma proposta do Presidente, propondo dois vereadores a tempo inteiro, tudo leva a crer que vamos ter um resto de mandato sem oposição na Câmara.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»PSD, PS e Partido da Terra irão partilhar assim a responsabilidade do bom e do mau que for feito pelo desenvolvimento das nossas terras nos próximos anos.
Perante este cenário duas posições poderão ser tomadas:

– Uns podem afirmar que pelo Sabugal faz sentido deixar os seus programas e a sua visão de desenvolvimento de lado e que o concelho necessita de uma «Santa Aliança» e como tal os interesses partidários devem ser deixados para segundo plano;
– Outros podem afirmar que a existência de uma oposição faz parte da democracia e na diversidade de opiniões e propostas se deve encontrar um rumo certo para esse desenvolvimento.

Não creio que em período de poucos recursos o Presidente vá atribuir pelouros a tempo inteiro a mais 2 vereadores. As características do concelho e os meios financeiros disponíveis não o permitem. Mas, as alianças não são feitas somente com lugares no executivo. A empresa Sabugal+ também tem lugar na sua administração para caberem todos (PSD, PS, PT) e assim garantirem os acordos estabelecidos.
Uma das grandes virtudes do actual sistema eleitoral das autarquias, nomeadamente dos municípios, está na existência de oposição. Uma oposição responsável e participante tem tanta ou mais importância que as maiorias que se possam formar nos executivos municipais. A existência de alguém não comprometido com o poder permite que esse mesmo poder seja um poder equilibrado, sem abuso, com transparência, com respeito pelas opiniões dos outros. Digamos que serve de auditor no exercício desse poder.
Esperemos para ver que se vai passar nos tempos futuros.
E, com um executivo comprometido todo ele com as políticas que vierem a ser definidas, resta à Assembleia Municipal desempenhar o seu papel fiscalizador.
Na actual constituição da Assembleia ainda restam pessoas eleitas que continuarão a assumir-se como oposição, assim o creio. Continuarão a apresentar propostas válidas para o desenvolvimento do concelho, continuarão a denunciar tudo aquilo que seja feito, não pelos interesses do Sabugal, mas por qualquer outro tipo de interesse. Espero que pelo menos os eleitos da CDU, continuem a manter firme o seu projecto, a participar quando for de participar, mas igualmente a dizer não quando a sua consciência assim o ditar.
O Sabugal precisa de projectos alternativos. Precisa de todos, é verdade, mas precisa de todos, uns no poder outros contrabalançando esse poder. Precisa de oposição forte e responsável, e essa parece-me que, pelo menos na Câmara não vai existir.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Tempos difíceis

As autarquias locais, enquanto organizações da administração pública, devem ser solidárias com as politicas nacionais em tempos que se pretende «arrumar» as Contas Públicas. Tanto o défice como a divida das autarquias farão parte das Contas Nacionais e como tal é necessário introduzir racionalidade, onde ainda não exista, na gestão das autarquias, nomeadamente ou essencialmente nos municípios. E, esta verdade é inquestionável para mim.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Contudo, é importante reflectir e analisar o contributo do poder local tanto para o défice como para a dívida e simultaneamente verificar o contributo que esse poder local pode dar na minimização da crise social já patente na sociedade portuguesa e que irá agravar-se nos tempos próximos.
Na última crise orçamental de 2005 em que o défice foi de 6.1% as autarquias tinham um contributo de 0,5%, não sabendo qual o contributo para o défice de 2009, mas a proporcionalidade não se deve ter alterado significativamente. Em termos de divida pública o contributo anda no 1%. Sendo assim, não são as autarquias as grandes culpadas e responsáveis dos défices excessivos e da divida publica. Mas, analisando a proposta de lei aprovada em 20 Maio pelo conselho de ministros e em discussão na Assembleia da Republica, tudo levava a crer que sim.
Vejamos as propostas da lei:
– Em termos de contratação de pessoal as autarquias terão que justificar perante o governo a necessidade dessa contratação e só se o governo considerar importante dará autorização à abertura de concurso;
– Redução de 100 milhões de euros das transferências do Orçamento de Estado já em 2010;
– Proibição de contracção de empréstimos bancários, independentemente do nível de endividamento da autarquia.

(A autonomia administrativa e financeira das autarquias, consagrada na legislação subsequente à revolução de Abril, mesmo que transitoriamente está posta em causa)

Estas medidas a juntar à quebra de receitas na maioria das autarquias em consequência da situação económica das famílias e empresas, farão com que os tempos que se avizinham não sejam nada confortáveis para os autarcas.
Perante estas medidas restará a todos os municípios a necessidade de reverem os seus orçamentos de modo a acomodar a despesa à nova realidade. Reconheço que muitos municípios, terão ainda «gordura» no seu funcionamento que poderão derreter e fazer baixar as suas despesas fixas. Contudo, a muitos não restará alternativa senão ir aos seus planos de actividades e investimento e cortar nas acções ainda não comprometidas e nos apoios previstos.
E, fácil será de prever que será nas áreas sociais e culturais que os cortes serão efectuados.
Tirando os centros urbanos, a vida cultural existente é essencialmente resultado das autarquias através da oferta de teatro, cinema, musica, exposições, etc. E quando não são os municípios a «comprar» a cultura e levá-la às populações, são as autarquias que através de subsídios ajudam a manter vivas as associações culturais recreativas e também desportivas existentes no seu território.
No apoio social, muito embora as Instituições Privadas de Solidariedade Social, desempenhem um papel essencial, tanto ao nível da infância como da população idosa, para citar somente 2 áreas importantes, também todos reconhecem que é às Câmaras Municipais que recorrem quando as dificuldades são maiores.
Não será então de admirar que em muitas partes do país a actividade cultural, social e até desportiva (tirando talvez o futebol), e os apoios sociais a faixas de populações mais carenciadas sejam diminuídos. Muitos autarcas falam já em desligar a iluminação pública mais cedo de modo a não cortarem outras actividades que consideram mais essenciais.
Era importante, que as medidas de poupança e racionalização da máquina administrativa do sector público não pusessem em causa o direito a uma vida mais digna da população em geral e em particular daqueles que por opção continuam a viver no interior do país. Mas, quando é novamente anunciado o fecho de escolas do 1.º ciclo com menos de 21 alunos, pensemos que quem nos governa, estará muito pouco preocupado com a qualidade de vida, tanto das crianças que serão deslocadas, como da população dessas zonas em geral. E, também com esta medida serão os municípios a suportar os transportes escolares.
Com esta medida quantas escolas do concelho do Sabugal poderão encerrar?
Será mais uma machadada nas aldeias deste país.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Tourada na Raia

Nos últimos dias carros de bois colocam-se em círculo formando a arena onde touros de raça serão lidados numa luta entre homem e animal.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Nos carros toros de árvores darão a estabilidade suficiente para que as gentes da terra e arredores se dependurem neles e participem na tourada.
O largo, onde ainda ontem garotos jogavam à bola, é hoje a praça da lide.
Pela manhã chegam os animais. A camioneta é acompanhada por um bando de garotada que entre medos e fascínios vai gritando e pulando de modo a que os touros de olhos grandes e língua de fora urrem e urrem deixando os putos ainda mais empolgados.
Na praça já o forcão marca presença. Aquele «instrumento» de lide característico das touradas das terras do Côa, será manejado pelos rapazes da terra emprestando a esta tourada as características próprias da garraiada arraiana.
Os touros são despejados dentro das paredes do castelo, onde permanecerão até hora da tourada. Coração apertado, sentia sempre o medo da fuga de algum animal.
Nas horas seguintes as pessoas iam-se amontoando nos carros de bois e eu sentava-me no telhado de minha casa, onde em segurança assistia à união do homem contra a natureza.
Confesso aqui, que aquela luta nunca me deixou tranquilo. Sei hoje que a razão estava no facto da lide ser feita no largo em frente da minha casa e ter medo da possibilidade de ser visitado por algum daqueles selvagens touros.
Anos mais tarde quando já jovens adultos percorríamos as aldeias nos dias de verão para ver as garraiadas, começando logo pela manhã pelo encerro, descobri e senti, que estas manifestações de cultura local faziam e fazem parte da nossa identidade.
E por fazer parte da nossa identidade e por ser importante divulgá-la a Casa do Concelho realizará em Lisboa a XXXII Capeia Arraiana, onde muitos sabugalenses, numa união de saberes e quereres, numa crença colectiva, demonstrarão que o que faz genuinamente parte das culturas locais vencerá todos os obstáculos e continuará a manifestar-se através dos tempos.
Por isso é importante participar.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Paradoxo

Os últimos dias têm-se revelado cheios de paradoxos.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»São os banqueiros que representando uma parte conservadora da sociedade apregoam alto e a bom som que são necessárias mudanças e rupturas, terminologia muito utilizada pela ala mais progressista da sociedade.
Mudar e ruptura significa no essencial alterar, cortar, interromper, seja com práticas assumidas, seja com pensamentos ou formas de actuação.
Se reflectirmos sobre o que os banqueiros dizem ser preciso mudar, passa muito pela concepção de um emprego seguro e para toda a vida e consequentemente pela necessidade de flexibilizar.
Pensemos contudo, o que é exigido quando um simples mortal vai a um banco pedir um financiamento ou mesmo simplesmente abrir uma conta bancária. Pedem justificativos do «Emprego», «situação no emprego», «anos de trabalho na entidade patronal», etc, etc…
Então Senhores Banqueiros em que ficamos: Emprego precário ou emprego seguro?
Pensemos igualmente em práticas usadas antes da crise, pelo sector bancário.
Telefonemas sucessivos para aceitação de créditos, com um simples «Sim aceito»;
Envio de cartões de crédito a serem activados com simples telefonemas;
Saldos de contas com valores acrescidos de uma percentagem do saldo médio a ser possível utilizar quando fosse necessário;
Financiamentos autorizados sem análises ou análises mal feitas do risco a eles associados;
etc. etc.
E fizeram estas campanhas sabendo que se o crédito não tivesse retorno, haveria uma entidade – Estado – que viria em socorro do sector.
Então Sr. Banqueiros, depois de terem sido os principais responsáveis pela crise, e os Estados dos vários países terem vindo ao vosso encontro rejeitam o papel desses Estados na economia?
Sucedem-se debates televisivos, onde passeiam pensadores económicos, quase todos antigos governantes, antigos gestores públicos, ou actuais responsáveis não só pelo pensamento como pelas práticas económicas dos últimos anos.
De um modo geral os debates acabam por «concluir» que os portugueses gastam acima das suas possibilidades e ganham acima da sua produtividade. A este respeito reproduzo aqui um mail recebido nestes dias:
É preciso que se saiba
«… que os portugueses comuns (os que têm trabalho) ganham pouco mais de metade (55%) do que se ganha na zona euro, mas os nossos gestores recebem, em média:
– mais 32% do que os americanos;
– mais 22,5% do que os franceses;
– mais 55 % do que os finlandeses;
– mais 56,5% do que os suecos.»
(dados de Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 24/10/08).
– mais 68% do que os australianos;
– mais 74% do que os neozelandeses.
(dados do «Labour Department» australiano).
E, acreditem ou não, a Austrália esteve fora da crise económica…
Mudar… afinal estas mudanças não passam de adaptações obrigatórias para que o sector financeiro continue a fomentar e a alimentar o sistema capitalista selvagem das ultimas décadas e permitir que esse sector continue a ter lucros escandalosos como os que continua a ter em épocas de falência e desemprego acelerado.
Mudar.. é preciso. Mas, para alterar à escala internacional as politicas económicas que conduziram a mais uma crise do capitalismo.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Robin Hood

Estreia hoje Robin Hood, o Robin dos Bosques da nossa infância e adolescência, realizado desta vez por Ridley Scott. Por coincidência estreia no dia em que os dois principais partidos portugueses (PS e PSD) aprovam mais um conjunto de medidas para combate ao défice – Aumento de 1% no IRS em salários até 2.375 euros e 1,5% em salários superiores a esse valor. Aumento do IVA em 1%, aumento de 2% a taxa de IRC, redução de 5% no salário de políticos e gestores públicos e membros de entidades reguladoras, de acordo com o que a comunicação social divulga.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Todos conhecemos o argumento do filme e sabemos que o Robin herói da mitologia popular, tem como princípios a justiça e a aventura, junta-se assim a outros e formam um grupo de saqueadores que combate a corrupção desafiando a coroa. De forma simples rouba aos ricos para distribuir pelos pobres. Hoje qualquer realizador tem argumento para fazer um Robin dos Bosques mas em que o argumento seja tirar aos pobres, sendo aqui pobres igual a classe média, para permitir ao sector financeiro continuar a enriquecer.
Todos sabem que a crise internacional teve origem na especulação financeira, todos sabem que em Portugal continua o sector bancário e financeiro a dispor de benefícios fiscais que fazem com que as taxas efectivas de IRC pagas sejam não de 20% mas inferiores a 13%. A especulação bolsista continua sem ser taxada.

E como combatemos o défice?
Agravando a carga fiscal de quem trabalha, agravando a carga fiscal das empresas, diria eu, das médias e pequenas, pois as grandes encontram formas e benefícios para fugirem, aumentando o IVA, e depois para que o povo não refile, faz-se figura bonita com a redução de salários de políticos e gestores.

Ao sector financeiro e especulativo sorri-se…
Com todas estas medidas poder-se-á combater o défice, mas tenhamos a certeza que a economia não crescerá e o País não terá desenvolvimento. Fácil será de prever que as pequenas e médias empresas viradas para o mercado interno, terão dificuldades em se manter em funcionamento, resultado da diminuição dos rendimentos das famílias e consequentemente do consumo privado. O desemprego continuará a subir, o sector produtivo português continuará a ser aniquilado, cada vez mais ficaremos nas mãos dos poderosos da União Europeia.
José Sócrates e os seus pares da União Europeia até poderiam ser convidados a desempenhar o papel de Robin Hood, para que pudessem de uma vez por todas encarnar os princípios de justiça da personagem. Mas, não me parece que o desejem porque o futuro de muitos deles passará por assumirem funções de assessores e consultores de muitas das empresas do sector financeiro e especulativo. E por tudo isto, e antes de ficar sem mais 1,5% do vencimento vou (re)ver o Robin dos Bosques, num cinema perto de casa.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Os ventos que sopram para os lados de Sortelha

Esta semana ecos de ventos em sentido contrário fizeram-se sentir na comunicação social relativos ao licenciamento de um parque eólico nas vizinhanças de Sortelha. Recebi no facebook um pedido para que me pronunciasse sobre este assunto. Respondendo a essa sugestão mas, também porque considero importante que o faça como cidadão e sabugalense em particular, aqui fica a minha posição.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Desde sempre defendi que Portugal tem condições excepcionais para desenvolver e apostar nas energias alternativas, nomeadamente a energia eólica e a energia solar, só para citar duas das mais conhecidas. O aproveitamento do vento para produção de energia, para além de ser um recurso energético natural, necessita de um investimento reduzido e como tal torna-se facilmente rentável. Tudo isto para dizer que efectivamente sou favorável a estes investimentos. Contudo, torna-se necessário analisar a localização dos aerogeradores (penso ser este o termo técnico para as chamadas ventoinhas) em função de critérios que devem ultrapassar os critérios da mera análise económico -financeira do projecto.
Nas últimas eleições autárquicas o projecto que encabecei apontava como um dos vectores de desenvolvimento do concelho, uma aposta no Turismo, turismo este que deveria ter em consideração a valorização do património natural e edificado.
Sortelha tem todas as condições para ser potenciada e vir a transformar-se, ainda mais do que é actualmente, num pólo de atracção de turistas, tanto nacionais como estrangeiros. Tem património edificado, que se apresenta em condições, nomeadamente o miolo central da aldeia, tem paisagens naturais, tem uma classificação de aldeia histórica, tem nome e uma marca.
Não conheço, admito, a localização exacta do parque. Mas, a acreditar nos promotores da petição, não me parece aceitável que, existindo tantos montes no concelho do Sabugal, um projecto desta natureza só se torne rentável nas imediações de Sortelha.
Porquê Sortelha? Foram estudadas e apontadas pela Câmara outras possíveis localizações? Penso que a Câmara deveria esclarecer esta questão.
É evidente que todos os investimentos são essenciais para o desenvolvimento do concelho, mas há que saber conciliar os vários interesses. Compreendo que para os proprietários dos terrenos, a renda que vão usufruir seja importante e uma fonte de rendimento, nos magros rendimentos familiares e que para eles possa ser um investimento «amigo». Mas, é preciso não matar, ou pelo menos, para não ser tão radical, não amputar as potencialidades existentes, e pelo contrário saber rentabilizá-las tanto económica como socialmente.
Ainda relativamente a esta questão, surge-me uma dúvida. Que estudo de impacto ambiental foi feito? Foi o mesmo posto a discussão pública?
Espero que todos os trâmites legais deste licenciamento tenham sido observados. Fica aqui mais uma vez o alerta para a necessidade da participação dos cidadãos na vida e nas decisões do poder local. É patente, neste e em tantos outros casos, que uma boa discussão pública pode resolver eventuais conflito e conciliar interesses. Repito interesses colectivos e interesses privados, quando estes sejam de conciliar, pois nem sempre é possível que assim aconteça.
Para terminar reafirmo que sendo favorável à produção de energias alternativas não é esta localização aquela que melhor defende os interesses, nem de Sortelha nem do concelho do Sabugal. A não ser que, após a colocação das ventoinhas, façamos de Sortelha o cenário para recriar a batalha dos moinhos de vento de D. Quixote e Sancho Pança…
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Saudação a Abril

Era Abril. Na madrugada de uma noite vozes da resistência soaram na rádio. Grândola Vila Morena era a última senha para que o Movimento das Forças Armadas (MFA) avançasse para a conquista da liberdade. Liberdade, Igualdade, Fraternidade, da Revolução Francesa transformam-se em «Democratizar, Descolonizar, Desenvolver».

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»«O Povo está com o MFA» – O movimento transforma-se em revolução. Nas praças o povo grita, chora e canta. Conquista o espaço, cheira os cravos vermelhos que do cano da espingarda e na mão de uma criança faz a «Poesia Descer à Rua».
Quem trabalha exige direitos.
«A Terra a quem a Trabalha» grita-se nas terras de Catarina Eufémia.
Nas fábricas nasce «o controlo operário».
Nas escolas ensina-se o impossível e vivem-se os restos do Maio de 68 – «Proibido proibir», «Imaginação ao poder», «A novidade é revolucionária, a verdade, também».
«Só a verdade é revolucionária».
Nos bairros nascem as comissões de moradores.
As Comissões Administrativas tomam conta das Câmaras Municipais.

Descoloniza-se, democratiza-se, começa o desenvolvimento.

Nas vilas e aldeias do Portugal mais profundo, muitos deixam a velha candeia a petróleo e passam a ter energia eléctrica. O cântaro para ir á fonte, dá lugar ao simples gesto de abrir a torneira em casa. Abrem-se ruas para colocar esgotos. Faz-se teatro e declama-se poesia. Nos bancos das escolas, sentam-se pessoas que enquanto crianças nunca o foram. Aprendem a aprender. Todos, mas todos mesmo, participam na vida que sentem também ser sua. O sonho já não é oprimido e até escolher quem governa passou a ser realidade.
Maio junta-se a Abril, e multidões nas ruas cantam em uníssono «O Povo é quem mais ordena».

Passaram 36 anos daquele dia 25 de Abril de 1974.

Comemorar Abril é continuar a sonhar. Comemorar Abril é manter vivo os seus valores, é lutar pelo desenvolvimento da nossa Terra. Comemorar Abril é exigir mais justiça na distribuição da riqueza e igualdade de direitos e oportunidades para todos os cidadãos.
Continuar Abril é acreditar que o futuro se constrói com a participação de todos, em todos os domínios do nosso quotidiano. Com trabalho e luta, mas também com alegria e confiança na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.
Abril exige comemorações. Mas, Abril exige movimento, rupturas, utopias, exige de todos nós, homens e mulheres de todas as gerações, que digamos:

«Chega. Não matem a Esperança de um Mundo Novo.»

«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro
jose.m.monteiro@netcabo.pt

Figo e a Taguspark

Foi conhecido por estes dias o resultado da investigação do Ministério Público relativo ao filme promocional realizado Taguspark, com a participação de Luis Figo.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Três dos administradores são acusados de corrupção passiva por actos ilícitos. O agente de corrupção activa, esse ficou ilibado, por não ter agido com dolo ou intenção e desconhecer a composição accionista da empresa, dito de outra forma por desconhecer existir dinheiros públicos no capital do Taguspark.
Para leigos em direito, digamos que faz alguma confusão como se acusam pessoas por se deixarem corromper sem que se acuse simultaneamente aquele ou aqueles que corrompem. Mas enfim. Este não é para mim o interesse que apresenta este despacho (daquilo que conheço através da comunicação social).
O maior interesse que apresenta este processo, apanhado pelo processo «Face Oculta» é que a procuradora Teresa Almeida determina que o mesmo seja comunicado à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, para que esta entidade investigue eventuais financiamentos ilícitos do Partido Socialista.
Juntemos agora a este processo o também tão actual processo das contrapartidas pela compra de submarinos. Aqui ouve-se em voz mais ou menos alta, que outro partido político (CDS/PP) beneficiou eventualmente de financiamento com a compra dos submarinos.
Muitos destes processos que envolvem figuras ligadas a partidos, no meu ponto de vista, estão associados a financiamento partidário. Não me parece que o motivo principal dos actos praticados esteja no enriquecimento pessoal dos envolvidos, muito embora não deixe de admitir que alguma coisa possa cair nas suas contas bancárias ou em contas bancárias de familiares. O que está em causa em processos desta natureza são questões de financiamento dos partidos políticos, que em determinados momentos são poder ou se situam no chamado arco do poder.
Luís Figo e José SócratesE, esta realidade leva-me a uma outra realidade.
Todos concordamos que a essência do regime democrático é a existência e o funcionamento normal de partidos políticos. Todos sabemos que os partidos políticos para exercerem a sua actividade necessitam de meios financeiros. As quotas dos militantes, por muitos que sejam, não são suficientes, pelo que, esta é a minha profunda convicção, os partidos obrigatoriamente terão que ser financiados por fundos públicos.
Não sejamos demagogos afirmando que em períodos de crise, com défices e divida pública para além do normal, a redução da despesa é necessário, qualquer que seja essa despesa. Há determinada despesa que deverá ser rígida, isto é, não deverá ser possível a sua diminuição. Nessa despesa incluo, para além da despesa com prestações e apoio social, a despesa com o funcionamento do regime democrático. E nas despesas com o funcionamento do regime democrático obrigatoriamente se deverá incluir o financiamento dos partidos políticos.
Finalmente, parece que alguém do ministério público, teve a coragem de num despacho associar corrupção também a financiamento partidário. Penso eu que se avançou um pouco.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Memórias de um Edifício

Esta semana morreu com 87 anos o Senhor Pires, filho do antigo proprietário da padaria e do cinema D. Dinis do Sabugal.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Tive o privilégio de ter convivido com a família Pires, enquanto criança com a Senhora Zézinha, ainda prima de minha avó Isabel, mas sobretudo nos anos 80, quando vindo estudar para Lisboa me acolheram em sua casa, onde vivi 6 anos. A toda a família o meu agradecimento, gratidão e o meu Bem-haja E foi como forma de homenagem ao Sr. Pires que esta crónica surgiu, até porque reencontrei os filhos (Tó Mané e Zé Quim) que não via há bastante tempo, e com quem nesta semana pude lembrar e relembrar tempos passados. Está claro, que o cinema nosso refugio nos finais dos anos 70 foi lembrado.
O edifício, localizado no ainda largo do cinema, foi construído segundo me foi dito, nos meados dos anos 40. Por ele passou muita da vida do Sabugal, das suas gentes, dos seus costumes. Tenho dele uma vaga ideia, da altura que ainda projectava filmes. Lembro-me da cortina vermelha (seria vermelha?) que separava a porta de entrada da sala. Lembro-me do Sr. David na figura de porteiro e lembro-me de ter lá visto alguns filmes, sem ter contudo, qualquer recordação exacta de quais.
O cinema morre.
Depois vem Abril e as recordações, estas sim já bem presentes, trazem-me de novo os hinos da revolução: são os encontros com o MFA, as sessões de esclarecimento dos partidos políticos, o despertar dos sabugalenses para a realidade política e social que se vivia.
Foi ainda naquela velha sala, já sem actividades regulares, que tive contacto com o teatro, eu, e provavelmente muitos dos jovens da minha idade quando um grupo de jovens sabugalenses, universitários em Lisboa, levou à cena a peça de Bernardo Santareno «O Crime da Aldeia Velha».
Ainda na década de setenta, a sala serviu para passar algumas fitas, mas acolheu igualmente os Bailes de Finalistas – foi lá que o baile de finalista do meu ano, se realizou e foi sala de ensaio do grupo musical «Stradivarius». Mas, as melhores recordações que tenho do edifício, foi quando uma parte dele se transformou no primeiro e único clube privado do Sabugal.
Uma tarde andávamos algures pelo Sabugal e o Zé Quim, lembrou-se que um dos espaços do cinema (ainda com condições de segurança) daria uma boa sala de estudo. Pensou e concretizou. Nessa mesma tarde fui a casa, onde tinhas umas latas de tinta, e começámos a pintar as paredes.
Não me lembro se a «sala de estudo» ficou pronta nessa tarde. Lembro-me sim, que esse espaço baptizado, por nós, de Bataclâ, rapidamente passou a ser a disco que não existia, o espaço dos amigos, o sítio das nossas vidas. Ainda hoje muitos se lembram das tardes lá passadas, dos amores por lá havidos, do tempo das descobertas.
Hoje do antigo cinema, restam memórias e no seu lugar, ergue-se um prédio de alguns andares. Era condição do licenciamento do Paliz Hotel, continuar a existir uma sala de cinema – nos primeiros anos, após a construção ainda existia a placa a identificar o cinema – hoje não sei se anda por lá. Mas, os compromissos nunca se concretizaram, e perdeu-se o espaço, construindo-se outro é verdade, mas sem o cheiro e a essência do passado.
São recordações de criança, recordações de adolescente, recordações de uma terra que é a nossa. Não tenho dúvida que aquele velho edifício, para muitos dos sabugalenses, faz parte do filme da sua vida.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

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José Manuel Monteiro - Capeia Arraiana

Desabafos

Deixou de chover… Mas alguns continuam a meter água.

José Manuel Monteiro - Capeia Arraiana

PEC – O Programa do nosso descontentamento

Foi apresentado esta semana aos partidos políticos e aos parceiros sociais o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), que o governo português irá apresentar a Bruxelas. Neste Programa vão constar as medidas propostas, por Portugal, para combate ao défice e sua consequente redução até 2013. É objectivo que em 2013 o défice se situe em 2,8 por cento, abaixo dos 3 por cento imposto por Bruxelas.

José Manuel Monteiro - Capeia Arraiana

Pela dignificação e valorização do Serviço Público

Quinta-feira, 4 de Março, dia de greve geral na Função Pública. Greve que une todas as estruturas sindicais, greve que do ponto de vista prático não terá qualquer efeito, greve que contribuirá também ela para a redução do défice. A esta hora estaria no meu local de trabalho, hoje estou escrevendo esta crónica.

Moral da História

Os acontecimentos do último fim-de-semana na Ilha da Madeira, trouxeram-me à memória um texto de um dos livros da escola primária, não me recordo se da 3.ª ou 4.ª classe, sobre os rios portugueses.

Eleições presidenciais já mexem

Depois de Manuel Alegre é agora Fernando Nobre a anunciar a sua disponibilidade e intenção de se candidatar à Presidência da República, eleições a realizar no início de 2011.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Quando, na semana passada, li na Comunicação Social a possibilidade da candidatura de Fernando Nobre lembrei-me da sua intervenção no 3.º Congresso dos Economista em Outubro de 2009. Na altura discutia-se o aumento do Salário Mínimo Nacional. Foi este o mote para a sua intervenção. Hoje fala-se de deficit, na necessidade de congelar salários da Administração Pública. E juntando as duas situações – Salário Mínimo Nacional e salários da Administração Pública, pergunto: – É justo que o Índice Remuneratório 1 da tabela remuneratória da Administração Pública se situe em 450 euros quando o Salário Mínimo Nacional é de 475 euros? E temos colocado neste índice, por exemplo, todas o(a)s auxiliares de acção educativa no início de carreira, que trabalham nas escolas deste país. Não é possível que o Estado exija que o sector privado pague no mínimo, e com toda a justiça, 475 euros no ano 2010 e ele próprio pague a trabalhadores ao seu serviço somente 450 euros.
E é por isso tudo que considero importante pegar novamente no essencial da intervenção de Fernando Nobre e divulgá-la aqui. O texto seguinte é uma reprodução do texto publicado em vários meios de comunicação, considerando não ser necessário reescrever o que outros já fizeram, sendo importante sim reter o seu conteúdo.
O presidente da AMI, criticou a posição das associações patronais por se manifestarem contra aumentos no salário mínimo nacional. Na sua intervenção, considerou «completamente intolerável» que exista quem viva «com pensões de 300 ou menos euros por mês», e questionou toda a plateia se «acham que algum de nós viveria com 450 euros por mês?»
Numa intervenção que arrancou aplausos aos vários economistas presentes, Fernando Nobre disse que não podia tolerar «que exista quem viva com 450 euros por mês», apontando que se sente envergonhado com «as nossas reformas».
«Os números dizem 18% de pobres… Não me venham com isso. Não entram nestes números quem recebe os subsídios de inserção, complementos de reforça e outros. Garanto que em Portugal temos uma pobreza estruturada acima dos 40%, é outra coisa que me envergonha…», disse ainda.
«Quando oiço o patronato a dizer que o salário mínimo não pode subir… Algum de nós viveria com 450 euros por mês? Há que redistribuir, diminuir as diferenças. Há 100 jovens licenciados a sair do país por mês, enfrentamos uma nova onda emigratória que é tabu falar. Muitos jovens perderam a esperança e estão à procura de novos horizontes… e com razão», salientou Fernando Nobre.
O presidente da AMI, visivelmente emocionado com o apelo que tenta lançar aos economistas presentes no Funchal, pediu mesmo que «pensem mais do que dois minutos em tudo isto». Para Fernando Nobre «não é justo que alguém chegue à sua empresa e duplique o seu próprio salário ao mesmo tempo que faz uma redução de pessoal. Nada mais vai ficar na mesma», criticou, garantindo que a sociedade «não vai aceitar que tudo fique na mesma».
No final da sua intervenção, Fernando Nobre apontou baterias a uma pequena parte da plateia, composta por jovens estudantes, citando para isso Sophia de Mello Breyner. «Nada é mais triste que um ser humano mais acomodado», citou, virando-se depois para os jovens e desafiando-os: «Não se deixem acomodar. Sejam críticos, exigentes. A vossa geração será a primeira com menos do que os vossos pais.»
Fernando Nobre ainda atacou todos aqueles que «acumulam reformas que podem chegar aos 20 mil euros quanto outros vivem com pensões de 130, 150 ou 200 euros… Não é um Estado viável! Sejamos mais humanos, inteligentes e sensíveis».
Espero que o discurso de Fernando Nobre, enquanto presidente da AMI, se mantenha idêntico ao discurso de Fernando Nobre candidato a Presidente da República.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

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Natalidade e envelhecimento

Teve esta crónica duas razões de ser: A leitura do documento relativo às Primeiras Jornadas sobre «Regiões periféricas, envelhecimento e exclusão» realizadas entre 29 e 30 de Maio de 2006 pela Presidência da República, e a notícia da decisão do Ministério da Saúde da Coreia do Sul, de obrigar os funcionários a saírem mais cedo do trabalho, de forma a estarem mais tempo com os seus parceiros para procriarem.

Transparência ou Voyeurismo?

A comunicação social tem vindo nos últimos dias a dar relevo a uma proposta subscrita por três vice-presidentes da bancada do partido Socialista (Jorge Strecht Ribeiro, Afonso Candal e Mota Andrade) relativa ao levantamento parcial do sigilo fiscal, permitindo o acesso público aos rendimentos brutos dos contribuintes, através da sua disponibilização na internet. Esta proposta dizem os seus autores seria um contributo no combate à corrupção.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»As reacções não se fizeram esperar e desde o líder da bancada parlamentar socialista – Francisco Assis –, que diz que enquanto for líder da bancada esta proposta não será viabilizada, até a líderes de partidos políticos ou a figuras de relevo na opinião cá da terra.
O Bloco de Esquerda pela voz de Francisco Louça vem dizer que esta ideia é uma «coscuvilhice fiscal», Paulo Portas considera-a como um «striptease fiscal», Bagão Félix considera «pura e simplesmente voyeurismo».
Eu por mim diria que a Transparência é um dos princípios basilar da democracia e defendo, não somente por uma questão de combate á corrupção, mas por princípio democrático o fim do sigilo fiscal como igualmente defendo o fim do sigilo bancário.
É óbvio e normal que a transparência possa levar ao voyeurismo à coscuvilhice ou mesmo ao stripe fiscal. Mas, também é verdade que todos, a não ser os doentes patológicos, e esses encontrarão maneiras de alimentar o seu desejo, nos fartamos de coscuvilhar. Aliás a este propósito podemos relembrar que quando foi instituído o Portal dos Ajustes Directos na Administração Pública, muitas notícias circularam sobre quem compra o quê e por quanto. Hoje os coscuvilheiros esqueceram que existe o Portal, ou simplesmente as notícias já não vendem a não ser que o facto seja verdadeiramente escandaloso.
A «exposição» do rendimento dos contribuintes é de há muito uma prática nos países escandinavos. A este propósito dizer aqui que tive uma vez uma conversa com uma economista sueca que me dizia que a declaração de rendimento das famílias é fixada á porta de casa, pelas próprias famílias, como forma de demonstrarem serem bons cidadãos e bons contribuintes. Dizendo ela que havendo discrepância entre sinais exterior de riqueza e a declaração de rendimentos são os vizinhos que desempenham o papel de fiscais das finanças na chamada de atenção não às finanças mas aos vizinhos. Outras gentes, outras mentalidades outras forma de ser voyeurista, coscuvilheiro ou strip fiscal. Nós portugueses provavelmente beberíamos uma cerveja como esse vizinho para nos ensinar a fazer e a preencher a declaração de rendimentos.
Tornar acessível a qualquer cidadão os rendimentos brutos – e o projecto não defende que se tenha acesso nem aos abatimentos nem deduções, nem consequentemente ao imposto pago, talvez facilmente percebamos os gastos (custos) que muitos empresários imputam às empresas relativos a férias e carros que eles e a família têm e fosse possível compreender como certas personalidades com imensos sinais exteriores de riqueza apresentam declarações de rendimentos equivalentes ao rendimento mínimo nacional, aqui sim trabalhos jornalísticos a coscuvilharem ou a investigarem, dizem os jornais, as declamações que são confidenciais.
Não me interessa neste momento analisar as divergências políticas existentes, e que se começam a sentir, no partido socialista. Interessa-me realçar que concordo com os princípios subjacentes ao projecto mas, que sabemos desde já, não irá passar de uma boa intenção. Contudo, a comissão contra a corrupção constituída na Assembleia da República irá continuar a trabalhar. E eu pergunto: e o combate à corrupção meus senhores como se faz? Intenções? E as medidas… essas parece que, por vontade de alguns políticos, continuam na gaveta.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

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A mulher que amava a música

Nos últimos dias temos visto todo o tipo de notícias sobre a situação no Haiti. Reportagens de enviados especiais das televisões, das rádios e dos jornais tanto nacionais como internacionais. Reportagens sobre destruição, mortos, forma como a ajuda internacional chega, trabalho das ONG, mil e uma cerimónias e actos de solidariedade e angariação de fundos, uma panóplia de notícias e actos.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Contudo, de todas elas ficou-me na memória a notícia ouvida numa destas manhãs entre o pára-arranca do trânsito a caminho do trabalho.
Ícaro encontrava-se no Canadá no momento do sismo. Em Port-au-Prince tinha ficado a mulher. Ao saber da notícia regressa ao Haiti. Nos escombros da sua casa, sente a presença da mulher. Entre sons de trombetas e flautas recorda passagens bíblicas do livro do Apocalipse…

E o primeiro anjo tocou a sua trombeta,
e houve saraiva
e fogo misturado com sangue,
e foram lançados na terra,
e foi queimada na sua terça parte;
e queimou-se a terça parte das árvores,
e toda a erva verde foi queimada.
E o segundo anjo tocou a trombeta;
e foi lançada no mar uma coisa como um grande monte ardendo em fogo,
e tornou-se em sangue a terça parte do mar,
e morreu a terça parte das criaturas que tinham vida no mar;
e perdeu-se a terça parte das naus.

E olhei,
e ouvi um anjo voar pelo meio do céu,
dizendo com grande voz:
Ai! ai! ai!
dos que habitam sobre a terra!
por causa das outras vozes das trombetas dos três anjos
que hão de ainda tocar.

Rosas BrancasÍcaro reconheceu nesses sons a palavra da mulher e sabia que ela não poderia descansar em paz, sem que dos céus a viessem buscar. Mas, para isso Ícaro tinha de oferecer à sua mulher as rosas brancas que tanto gostava. Reuniu os amigos e, vestidos de branco com rosas brancas na mão passearam nas ruas do bairro, evocando os deuses do amor, os deuses da música.
Entre tambores e cânticos pediram aos céus que a mulher que agora todos amavam deixasse os escombros da casa que foi sua e procurasse entre os anjos uma trombeta que também ela tocasse.
A mulher que amava a música voou nas asas do seu Ícaro. Voou alto rumo aos céus, e as asas, essas não derreteram, porque Ícaro amava a sua mulher, a mulher que amava a música.
Para todas as vítimas que não tiveram um Ícaro que as amava, rosas brancas.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

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Haiti – O antes e o depois do dia 12

Quando a 12 de Janeiro se soube da notícia do sismo e da tragédia que assolou o Haiti ondas de solidariedade varreram o mundo. Do Haiti e da sua história sei muito pouco, por isso procurei saber um pouco mais desse país e partilhar com os leitores.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Sabia que divide com a República Dominicana uma das ilhas das Caraíbas. Que após a abolição da escravatura e seu primeiro governador-geral foi um ex-escravo, descobri agora que se chamava Toussaint Louverture.
Fiquei a saber porque a língua oficial da República Dominicana é o espanhol e no Haiti o francês – Foi cedida pela Espanha à França em 1697. Descobri que o Haiti só vem a declarar a independência em 1804 e que fica sujeito a um bloqueio comercial durante 60 anos, imposto pelos estados europeus esclavagistas, para desincentivar a revolta de outros escravos na região. Simon Bolivar em 1815 refugia-se no Haiti, após uma revolta fracassada contra os espanhóis. Depois já na segunda metade do século XX associa-se o Haiti ao carnificina François Duvalier (Papa Doc) e ao seu filho Jean-Claude Duvalier.
Já no inicio dos anos 90 lembro-me das eleições serem ganhas por um padre de esquerda Jean-Bertrand Aristide, deposto pouco tempo depois por um golpe de Estado.
HaitiLembro as tentativas dos Estados Unidos da América e das forças das Nações Unidas para repor o presidente Aristide e do seu regresso ao poder, das eleições posteriores e da sua fuga para a África do Sul. Descobri que desde a sua independência tem sido um constante por e depor de Presidentes. Sei que actualmente uma força das Nações Unidas está no território a assegurar a paz e a ordem a uma população estimada de 8,1 milhões de habitantes (só soube a população na procura que fiz).
Procurei alguns indicadores de natureza social que possam caracterizar o país e comparei-os com Cuba (país vizinho) e Portugal, como país em que os números nos trazem associados uma realidade por nós conhecida.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), como indicador comparativo entre os vários países que mede o bem-estar da população englobando três dimensões – Educação, riqueza e esperança média de vida. Este é um indicador utilizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Para além do IDH, a taxa de mortalidade infantil, a taxa de analfabetismo, a esperança de vida e o rendimento por habitante. Os dados são estes:

  HAITI CUBA PORTUGAL
Taxa de Analfabetismo 45,2% 0,2% 5,1%
Esperança de Vida (anos) 60,9 78,3 78,1
Índice Desenvolvimento Humano (IDH) 0,532 0,863 0,909
Taxa de Mortalidade Infantil
(mil por nascimento)
48,8 5,1 5
PIB per capita $ USA 1291 4500 23073

Estes números retratam a situação do Haiti antes do sismo deste mês. Diga-se que é uma realidade muito pouco animadora. Quase metade da população é analfabeta, a esperança de vida é baixa e a taxa de mortalidade infantil bastante elevada. O índice de desigualdade social é igualmente bastante elevado. E estes indicadores apresentam estes valores porque a riqueza esta mal dividida, o acesso à saúde é muito limitado e a existência de infra-estruturas. De acordo com os repórteres a falta de água e electricidade era já uma constante da vida da grande maioria dos habitantes do Haiti. Os números, estes e outros são justificativos para se afirmar ser o Haiti o país mais pobre da América.
Agora, que factores naturais provocaram a tragédia e voltaram a chamar as atenções para o Haiti, importa que a comunidade internacional una esforços para que, para além da reconstrução dos edifícios destruídos sejam criadas condições de alteração dos indicadores referidos. E que os donativos de toda a comunidade internacional permitam:
Educação para todos, acesso aos cuidados de saúde universal, emprego digno para homens e mulheres, distribuição equitativa da riqueza, acesso e valorização da cultura local.
No fundo que sejam criados os alicerces de uma sociedade democrática e desenvolvida: democracia política, democracia económica e democracia social.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Fixar população – Desenvolver um concelho

Antes de começar a escrever esta crónica, correspondendo a um desafio lançado pelo Zé Carlos e pelo Paulo Leitão, perguntei a alguns sabugalenses residentes na área da Grande Lisboa, as razões da fixação da sua residência neste região, e as condições necessárias ou suficientes para um regresso ao Sabugal.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Não sendo significativo o número de pessoas contactadas para poder extrapolar, do ponto de vista estatístico, sobre esta matéria, penso que o meu conhecimento desta realidade, estando eu igualmente incluído nesta amostra, faz-me concluir o seguinte:
– A saída do concelho do Sabugal deu-se ou por motivos de prosseguir estudos superiores ou por motivos relacionados com emprego. Foram razões de empregos condignos e melhor remunerados que fizeram com que muitos conterrâneos nossos, nos anos 60 tivessem emigrado.
Educação e Emprego são assim as duas palavras essenciais para que as pessoas possam ficar na terra onde nasceram.
São hoje obrigatoriamente os pilares de qualquer estratégia de desenvolvimento do nosso concelho.
No âmbito da campanha eleitoral autárquica de 2009 a CDU apresentou o seu programa eleitoral que assentava em sete pontos, sendo o primeiro relacionado com a necessidade da criação de emprego.
Criar emprego pressupõe que o município defina áreas de actividades económicas privilegiadas e empregos a apoiar.
No nosso programa apontávamos essas áreas: A dinamização turística, a dinamização das potencialidades ligadas à cultura e à gastronomia, ao lazer e à população sénior eram e são segmentos por onde obrigatoriamente uma estratégia de desenvolvimento do concelho tem de passar. E avançámos com algumas dessas medidas, que aqui quero recordar:
Implementação de uma Rota dos Castelos, a reabilitação dos núcleos antigos tanto do Sabugal como das principais aldeias do concelho, o fomento do turismo rural e do turismo do lazer e saúde, a valorização da gastronomia local e a sua associação à rota dos castelos, não descorando o apoio ao comercio tradicional e o apoio a todos aqueles que pretendam instalar pequenos negócios com a criação do que chamamos «centro de partilha de recursos».
A entrada em funcionamento da Universidade da Beira Interior na Covilhã e o dinamismo que teve, e que hoje necessita de novo impulso, do Politécnico da Guarda, podem ser factores de sucesso para fixar população e contribuírem para que um número significativo de jovens do nosso concelho, não tenha necessidade de abandonar a região para continuar os seus estudos.
É por isso importante que existam protocolos entre o município e esses centros universitários, onde as empresas locais também estejam representadas ligados às questões da inovação, por exemplo, ou à possibilidade de estágios em unidades empresariais localizadas no concelho do Sabugal.
Evidentemente que a existência de boas infraestruturas, sejam elas rodoviárias ou equipamentos culturais e desportivos são um contributo para elevar o nível de vida de quem já reside no concelho. Não são porém factores de decisão para fixar residência.
Parece-me muito pouco credível que todos os que deixaram o Sabugal, voltem. Serão poucos os que regressam. Talvez alguns regressem quando se reformarem, outros nem isso. É por isso mais importante que as entidades competentes elejam como prioritário criar condições para que os que ainda residem no concelho aqui permaneçam.
Numa das crónica do João Aristides Duarte dizia não ter uma varinha de condão para poder parar a desertificação do nosso concelho. Eu também não a tenho, mas tenho uma certeza que volto aqui a reafirmar.

Qualquer estratégia de desenvolvimento do nosso concelho, passa pelo envolvimento e pela participação das suas gentes, pelos contributos individuais e ou colectivos dos que habitam no concelho, mas igualmente pelos contributos de todos os sabugalenses espalhados pelo país e pelo mundo.

«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro
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Tempo de planear e tempo de exigir mudança (2)

Em princípios de Novembro de 2009, numa das crónicas aqui inseridas, escrevia que a gestão municipal deveria ser alicerçada numa projecto de «Gestão Pública Participada – gestão dos bens públicos de forma pública e participação dos cidadãos em todos os momentos cruciais da vida autárquica, nomeadamente na elaboração das Grandes Opções do Plano».

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Aproveito para recordar que na mesma crónica acrescentava e passo a citar «o que hoje os cidadãos reclamam, face à insatisfação e à falta de soluções apresentadas, tanto a nível nacional como local, é a necessidade de transparência das decisões políticas e do seu envolvimento no processo de decisão, ou seja uma mudança do modo de governação até agora praticado. É importante envolver as pessoas e ouvi-las». Acrescentava no final voltar a estes temas com a apresentação do Orçamento e Grandes Opções do Plano por parte da Câmara Municipal.
O que neste momento pretendo é voltar a esta temática e lançar um desafio. Desafio ao presidente da Câmara Municipal e executivo para envolver e discutir com as populações alguns dos projectos propostos e apresentados nas Grandes Opções do Plano 2010/2013 e a serem concretizados nos anos de 2011, 2012 e 2013.
E a título de exemplo aponto 3 projectos que considero ser útil envolver as pessoas, ouvi-las e acolher, caso se considere válido, as propostas que elas tenham. E o envolvimento pode passar por acções muito simples como a convocação de reuniões para a apresentação destes projectos. Com o envolvimento das populações todos ficam a ganhar. Os cidadãos que ficam a conhecer, antes da tomada da decisão, das pretensões do município. O município que vê assim cumprido um dos seus deveres, enquanto poder político, o de informar, e poder recolher contributos daqueles que vão usufruir desses equipamentos, muitas vezes pequenos contributos que os técnicos e políticos em gabinete não tiveram em consideração aquando da sua concepção. E esta metodologia de trabalho não põe em causa nem retira a responsabilidade aos técnicos, nem retira a responsabilidade política a quem tem que decidir avançar para a sua concretização. Muito pelo contrário faz uma partilha dessas responsabilidades.
Indico como disse 3 projectos que gostaria de ver discutidos: a sua concepção, a sua funcionalidade a sua exploração no caso de se aplicar:
«Construção de um açude para fruição turística e desportiva na área da albufeira do Sabugal» – com uma verba de 3,3 milhões de euros a ser realizado no ano (2012);
«Concelho do Sabugal em FO» – com lançamento do projecto no ano de 2010 e concretização em 2011 e uma afectação de 3 milhões de euros;
Casa da Música da Bendada – 600 mil euros previsto para 2011.

Contudo, e porque as Grandes Opções do Plano ainda apresentam folga para a concretização de outros projectos, nomeadamente nos anos de 2012 e 2013, e o executivo municipal não tem esses projectos, porque a tê-los seriam inscritos neste documento, pergunto porque não encetar no nosso concelho a implementação do Orçamento Participado?
Chamar as populações de cada freguesia a pronunciarem-se sobre as suas necessidades, discutir com elas a forma da sua resolução, aceitar os investimentos que técnica e financeiramente sejam viáveis é uma forma de aprofundar a democracia. É aproximar o cidadão do poder político, é partilhar decisões é credibilizar o poder autárquico.
E todos pensamos que a credibilização do poder político tem obrigatoriamente de ser feita.
Aqui fica o desafio.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

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Orçamento e GOP– Estratégia de desenvolvimento?

A Câmara Municipal do Sabugal apresentou para discussão na Assembleia Municipal o Orçamento para o ano de 2010 e as Grandes Opções do Plano (GOP) para 2010/2013.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Este documento pelo seu conteúdo e por aquilo que ele significa é dos documentos mais importantes, não me referindo ao Plano Director Municipal como é óbvio, que a Assembleia Municipal analisa durante o mandato autárquico. A sua importância advém de ele conter, ou dever conter, a estratégia e o modelo de desenvolvimento que se pretende implementar para o concelho nos próximos 4 anos.
Na apresentação do documento é referido que as Grandes Opções do Plano seguem as orientações do Plano de Desenvolvimento Económico e Social do Concelho do Sabugal, aprovado em 2001. Seria interessante desenvolver e apontar quais as orientações e como é que elas se concretizam no período 2010/2013. Não o é feito pelo que, a leitura dos números deste documento são o indicador dessa estratégia e do respectivo plano de acção para a concretizar.
Analisemos então alguns dos números e o seu significado.
O Orçamento para o ano 2010 tem um valor aproximado aos 30 milhões de euros, cerca de 2,4 milhões de euros superior ao Orçamento aprovado para o ano 2009. Em período de crise e recessão económica um orçamento superior ao anterior parece não ser natural. Contudo, porque o objectivo não é fazer uma análise técnica ao documento, aceitemos como válidos os valores apresentados, até porque cerca de 13,6 milhões de euros são receitas extraordinárias provenientes de Fundos Comunitários (9,2 milhões de euros) de candidaturas apresentadas e ainda não aprovadas, as mais significativas do ponto de vista financeiro, e empréstimo bancário (4,4 milhões de euros). Exista capacidade de concretização.
É importante recordar que, em 2008, a taxa de execução do orçamento ficou-se pelos 61,2% na parte da receita e de 56,4% a despesa, sendo que a despesa de capital onde são classificados entre outros os investimentos se situou em 37,9%. A taxa de execução do Plano Plurianual de Investimentos ficou em 31,9%.
Deixemos o passado e projectemos o futuro. Dos 30 milhões de euros previstos o município afecta:
– 20,5 Milhões de euros às GOP;
– 4,2 Milhões de euros a pagamento de pessoal;
– 5,3 Milhões a outras despesas.
Parece-me um documento equilibrado do ponto de vista da afectação dos recursos financeiros disponíveis.
Vejamos contudo as prioridades definidas nas GOP e a sua distribuição pelas 3 áreas com mais meios financeiros afectos:
1 – Desenvolvimento económico e abastecimento público – 6,5 milhões de euros;
2 – Comunicações e transportes – 6,5 milhões de euros;
3 – Educação – 1,9 milhões de euros.
Continuo a pensar que em termos de modelo de desenvolvimento nada tenho a acrescentar e o subscrevo. Desenvolvimento económico, nele incluindo o turismo, mobilidade e acessibilidades e educação, são efectivamente três áreas prioritárias. Mas, vejamos que acções se propõe o município concretizar:
Dos 6,5 milhões de euros destinados ao desenvolvimento económico cerca de 3,9 milhões de euros são para as «Termas do Cró», onde já foram gastos cerca de 1,1 milhões de euros num valor global de 5 milhões de euros. Nesta área são depois afectos 510 mil euros para aquisição de terrenos, 760 mil euros para subsídio à exploração da Empresa Municipal «Sabugal+», 541 mil euros para abastecimento de Água, 153 mil euros para o Pólo Empresarial do Souto e 137 mil euros para a Localização de Empresas no Alto do Espinhal.
Sendo assim, e relativamente às Termas do Cró pergunto:
– Existe um estudo de viabilidade económico-financeiro? Tendo apresentado uma candidatura ao QREN esse estudo deve ter acompanhado a candidatura. Que resultados apresenta?
– Que modelo de Gestão está o município pensar utilizar na exploração da Termas do Cró? Exploração directa? Concessão a privado? Constituição de uma empresa municipal? Empresa mista de capitais municipais e privados?
Afectar cerca de 5 milhões de euros a um projecto, por demais importante que ele seja, sem ter em consideração a sua viabilidade e a sua forma de exploração, parece-me uma aventura para não dizer irresponsabilidade de quem gere dinheiros públicos. Aqui surge a minha primeira divergência com este documento, que neste concreto dá sequência a decisões anteriores.
E a aquisição de terrenos destinam-se a quê? Nada também é dito relativamente a eles.
Na área das Comunicações e Transportes os 6,5 milhões de euros são destinados essencialmente a:
– Via estruturante da Raia – 1,8 milhões de euros, para um projecto no valor de 2,5 milhões de euros;
– Variante ao Souto – 2,3 milhões de euros para um projecto no valor de 2,4 milhões de euros;
– EN 233 – Alto de Pousafoles – 300 mil euros para um projecto no valor de 4,8 milhões de euros;
– Ligação Sabugal-A23 – 515 mil euros para um projecto de 1,7 milhões de euros.
Temos aqui cerca de 5 milhões de euros só para 2010 em projectos que no total rondam os 11,4 milhões de euros.
Pergunto: São estas as vias prioritárias ao concelho de Sabugal?
Partindo do principio de concordamos com essas prioridades pergunto se não está o Município a apropriar-se das competências de outras entidades. A salvaguarda dos interesses do concelho, passa igualmente por uma afectação correcta dos meios financeiros disponíveis, mesmo com financiamentos externos há sempre uma comparticipação municipal ao desenvolvimento destes projectos.
Defender os interesses do concelho passa também pela capacidade de diálogo e de reivindicação junto de outros poderes, nomeadamente do poder central.
A ligação do Sabugal à A23, pendo eu define o paradigma do que tem sido a gestão do município. Escolha errada das prioridades e incapacidade negocial.
Esta foi uma primeira abordagem ao documento. Em futuras crónicas continuarei a analisar tanto o Orçamento como as Grandes Opções do Plano, nomeadamente as propostas para anos futuros.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Copenhaga a caminho de Berlim

Decorreu em Copenhaga entre 7 e 18 de Dezembro a conferência promovida pelas Nações Unidas, sobre alterações climáticas. As expectativas eram bastante elevadas para esta conferência. E, eram bastante elevadas porque se acreditava na possibilidade de um acordo vinculativo para reduzir 2ºC a temperatura no planeta, feita através da redução da emissão de CO2 em 50% nos países desenvolvidos até ao ano 2050 comparativamente a 1990 e de 30% até 2020, limitar o aumento das emissões nos países em desenvolvimento e por ultimo financiar acções destinadas a mitigar os efeitos das alterações climáticas e os esforços de adaptação efectuados pelos países pobres.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Sendo os Estados Unidos da América, conjuntamente com a Rússia e a China um dos principais emissores de gases com efeito de estufa o facto do Presidente Barack Obama se mostrar empenhado em contribuir para o sucesso da conferência e pessoalmente estar presente no final dos trabalhos elevava só por si essas expectativas. Não podemos esquecer que a Administração Bush, nunca ratificou o Protocolo de Quioto por o considerar contrário aos interesses da economia Americana e não acreditar que aquecimento global do planeta seja provocado pela emissão de gases com efeito de estufa.
Mas, se as expectativas eram grandes hoje quase todos consideram que muito pouco resultou desses trabalhos. Fracasso e decepção são palavras pronunciadas e ditas por muitos dos que acreditavam, que em tempos de desenvolvimento sustentável, um dos seus pilares, o desenvolvimento ecológico e ambiental, tenha sido preterido aos interesses económicos dos principais líderes mundiais.
Desta conferência saiu um acordo, não vinculativo proposto por 28 países, que afirmam a necessidade e a vontade de reduzir a emissão de poluentes. Para além deste acordo de vontades foi aprovado o envelope financeiro de ajuda aos países pobre, 21 mil milhões de euros nos próximos 3 anos e cerca de 70 mil milhões de euros anuais a partir de 2020. Simples e não incomodativo. Os países desenvolvidos e industrializados encontraram as formas de retorno das ajudas aprovadas.
Aquecimento do planeta TerraPara uma politica de redução dos gases poluentes, será necessário, entre outras medidas:
– Diminuir a dependência face aos combustíveis fósseis (que satisfazem actualmente 85% das necessidades energéticas a nível mundial), nomeadamente através do aumento da eficiência energética e do desenvolvimento e aplicação de alternativas energéticas de domínio público;
– A defesa da produção local e a redução da amplitude dos ciclos de produção e consumo;
– A travagem da liberalização do comércio mundial, factor de incentivo ao aumento do consumo energético;
– Uma política de preservação de recursos naturais que assente na interacção entre as populações autóctones e o meio em que se inserem, sem lugar à sua gradual apropriação por parte de grandes grupos económicos.
Medidas que vão contra os interesses dos modelos de desenvolvimento económico vigentes. Por isso pergunto:
Alguém acredita que seja possível fazer em Junho em Berlim o que não foi feito em Copenhaga?
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Democracia

O regime democrático português assenta, do ponto de vista institucional, no funcionamento de 3 instituições – Presidência da República, Assembleia da República e Governo. O melhor ou pior funcionamento destas instituições vai contribuir para a sua credibilização ou descredibilização e para aumentar ou diminuir o índice de confiança dos cidadãos no próprio sistema político.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Exige-se por isso das pessoas que fazem parte dessas instituições um comportamento que as dignifique e que contribua para aumentar o respeito do cidadão para com elas. Exige-se assim dignidade e respeito. Todos sabemos, ou pelo menos é isso que nos dizem os estudos de opinião, que nomeadamente a Assembleia da Republica apresenta índices de popularidade bastante baixos.
Ultimamente, talvez fruto da depressão económica e social que paira pelo mundo e pelo país alguns episódios ocorridos na Assembleia da República, que a comunicação social fez eco e utilizou para primeiras páginas de jornais e aberturas de noticiários em nada contribuíram para dignificar este órgão.
Ainda todos nos recordamos dos insultos do deputado Eduardo Martins (PSD) a Afonso Candal (PS) em Março de 2009, dos gestos tauromáquicos do Ministro da Economia Manuel Pinho para o deputado do PCP, Bernardino Soares, que levou à sua demissão em Julho de 2009, da troca de palavras entre a deputada do PSD, Maria José Nogueira Pinto, e o deputado, Ricardo Gonçalves, do PS, numa audição da comissão de saúde no inicio deste mês. Mas, se nos recordamos dos episódios talvez nenhum de nós já se lembre ou mesmo tenha sabido dos assuntos que se discutiam e estiveram na origem destes comportamentos. Todos sabemos que Maria José Nogueira Pinto chamou palhaço ao seu colega deputado, mas poucos sabemos que assuntos se discutiam na comissão parlamentar de saúde e, foram recentes estes acontecimentos. Sobre os temas em debate nada ou muito pouco a comunicação social disse. As notícias produzidas sobre essas problemáticas, não dariam provavelmente capas de jornais.
Jaime Gama, Cavaco Silva e José Sócrates - Foto: Ricardo Oliveira - GPMAcredito que a liberdade e a democracia impõe limites ao comportamento individual e colectivo e que por razões acrescidas esses limites devem ser respeitados por todos aqueles que desempenham funções públicas. Comportamentos desadequados, pondo em causa a dignidade, o respeito e a responsabilidade, são maus exemplos para todos.
Por isso acredito que episódios como os descritos a juntar à forma como a maioria da comunicação social faz a cobertura do trabalho parlamentar (imagens do plenário mais ou menos vazio, ignorando muitas vezes o trabalho das comissões) e a juntar ao afastamento dos deputados dos seus eleitores são algumas das razões para a fraca aceitação da Assembleia da República.
Acredito igualmente na formação cívica e no desempenho de uma maioria dos deputados, sabendo também que, nomeadamente nos partidos com maior número de eleitos, muitos há, que até pela ausência da sua participação nada acrescentam ao trabalho parlamentar.
A democracia muito tem ganhar se os seus protagonistas se lembrarem que são os legítimos representantes do povo que os elegeu.
Por último, lembrando que estamos em épocas festivas, quero desejar a todos um Natal em família feliz e um ano de 2010 cheio de sucessos pessoais e profissionais.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Minaretes no país da Heidi e do Pedro

Começar esta crónica com este título traz-me uma recordação dos tempos da escola primária, hoje escola do ensino básico, quando com simplicidade nos referíamos à diferença entre o Homem e os outros animais – o homem é o único animal racional. Hoje, esta definição parece simples de mais num mundo cada vez mais complexo e a necessitar isso sim, da existência de um Homem como animal racional.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»E ser racional implica ser tolerante. Tolerante com a diferença, seja ela de natureza física, sexual, etária, racial ou religiosa.
A proibição da construção de novos minaretes, aprovado por 57% dos suíços remete-nos para a intolerância religiosa e para fenómenos que alguns já chamam de «islamofobia». Num país em que cerca de 5% da população (cerca de 400 mil) é de origem árabe só um partido xenófobo da extrema-direita – Partido Popular Suíço – confundindo alguns com o todo, e utilizando o medo lançaria uma campanha contra a construção da torre (minarete) das mesquitas, onde os fieis são chamados às cinco orações diárias,
E esta proibição nada tem a ver com questões urbanísticas ou estéticas, mas tem somente a ver com a associação feita entre a torre, o islão e o terrorismo. Foi bem elucidativo o cartaz usado na campanha, em que os minaretes eram apresentados como mísseis, numa associação directa ao terrorismo. O minarete foi assim apresentado como o símbolo da invasão islâmica. O que esteve em referendo não foi a construção, ou o pedido de construção de novos minaretes, mas sim a liberdade religiosa, num país conhecido pela sua tolerância e neutralidade. A este propósito as noticias apontam para que da cerca de 180 mesquitas existentes na Suíça somente quatro têm minarete construído e sem apelos sonoros às orações.
O que esteve e está em causa e nos deve fazer reflectir, não são as ideias de partidos de direita e a xenofobia normalmente a eles associados. O que esteve e está em causa é a adesão popular a essas mesmas ideias.
MinaretesAté ao referendo todas as sondagens apontavam para a derrota do sim e a respectiva proibição. Contudo, no momento do voto, na solidão da câmara de voto, o populismo, o medo, a associação de minorias à crise, ao crime e o encontrar bodes expiatórios para todos os males, fez com que no país da neutralidade fosse violado um dos direitos consagrados na convenção do direito do homem – o direito á liberdade religiosa. É muito mais simples apontar os outros como a razão da crise, do que assumir que a crise tem origem nas políticas do próprio sistema.
Num país em que a democracia directa faz parte do sistema politico, resta ao governo suíço (conselho federal) que estava contra esta medida, mas que já disse respeitar a vontade da maioria, o apelo do partido os Verdes para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, para a não entrada em vigor da lei resultante deste referendo.
E para terminar porque não fazer um apelo ao mesmo partido que propôs este referendo, para que proponha um outro proibindo o depósito dos petro – dólares depositados nos bancos suíços?
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Desemprego

O Eurostat (Gabinete de Estatística da União Europeia) divulgou no passado dia 1 de Dezembro a taxa de desemprego nos vários países da União, relativa ao mês de Outubro de 2009, registando Portugal um das maiores taxas de desemprego: 10,2%.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»De acordo com os dados oficiais Portugal apresenta assim cerca de 567,7 mil desempregados. Contudo, todos sabemos que os números reais são muito mais elevados. Não constam das estatísticas oficiais todos aqueles que estando efectivamente desempregados, não procuraram emprego no ultimo mês (inactivos disponíveis) ou fizeram uns biscatos (sub-emprego invisível) para ir vivendo. Assim, o emprego real será muito superior, atingindo perto dos 717 mil portugueses.
Mas, ao mesmo tempo que o desemprego sobe, dados publicados pelo Boletim Estatístico do Ministério do Trabalho e da Solidariedade do mês de Outubro, indicam que a taxa de cobertura do subsidio de desemprego diminui, passando de 350.822 para 436.899 os desempregados a receberem subsidio de desemprego.
Perante este cenário e as previsões unânimes que o desemprego vai ainda subir em Portugal, recordemos que os últimos dados do INE, relativos ao 3.º trimestre de 2009, apontavam para 9,8% de desempregados, torna-se urgente tomar medidas efectivas que combatam este flagelo.
A crise actual, é uma crise típica do capitalismo, caracterizada por um excesso de produção face à procura. As empresas não conseguem escoar uma parte da sua produção, não porque as necessidades da população estejam satisfeitas, mas sim porque esta não tem poder de compra para a sua aquisição. Não sendo possível escoar a produção, as empresas entram em processos de redução da produção, reduzindo os postos de trabalho e muitas delas entram mesmo em processos de falência, agravando ainda mais o problema e a redução do poder de compra da população. A juntar à falta de poder de compra, o endividamento das famílias – nem sempre feito para aquisição de bens de primeira necessidade, mas dirigido a outros bens oferecidos pela sociedade de consumo com o acesso facilitado pela simplicidade de crédito dado pelo sistema bancário – aumenta perigosamente. Paralelamente a este ciclo assistimos a um grupo restrito de população a aumentar desmesuradamente os seus rendimentos e a ostentar bens de luxos, nomeadamente carros sem pudor nem vergonha.
As desigualdades sociais agravam-se também elas características dos modelos capitalistas.
Dizia que era necessário encontrar vontade política e medidas certas para combater esta situação.
Não tenho dúvidas que essas medidas passam obrigatoriamente pela aplicação de uma correcta politica de rendimentos, nomeadamente na melhoria dos salários e pensões, no aumento do subsídio de desemprego e na maior taxa de cobertura do mesmo, no aumento do salário mínimo nacional e numa política fiscal justa que não penalize os rendimentos do trabalho. Estas medidas provocariam aumento do poder de compra de parte significativa da população e seriam indutoras de diminuição só por si do desemprego. Não podemos esquecer que o desemprego está igualmente na origem de destruição de riqueza. Estudos económicos referem que, se o total de desempregados estivesse em situação de trabalho, o valor da riqueza anual criada corresponderia a cerca de 14% do PIB previsto para 2009.
É urgente repensar as políticas económicas, é urgente alterar algumas mentalidades empresariais baseadas em baixos salários.
A competitividade não se alcança com a desmotivação e a precariedade do trabalho.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Matança do porco

Sábado de trabalho que me impediu de participar no almoço promovido pela Confraria do Bucho e saborear a iguaria que, faz alguns anos, não como. Entre saliva e recordações dos cheiros e sabores, vou até àquelas frias manhãs de Inverno em que o porco criado e engordado com os produtos menores da horta e restos de comida – a vianda – faria parte da alimentação, em boa parte do ano da família, não sem que antes tivesse já parido uns bons bácoros que, vendidos, contribuíram para o amealhar de mais uns cobres.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Bem cedo, a azáfama é grande. Na cozinha, preparam-se os alguidares de barro que irão apanhar o sangue quente do marrano, que mãos de mulher irão mexer para não coalhar e, mais tarde, dar origem a morcelas – «despejem bastantes cominhos que é como eu gosto». A prova será feita deitando a massa na sertã, naquela mesma noite.
Lá fora, homens e garotada preparam o banco, qual altar de sacrifício, onde o animal será deitado e morto. Sem traumas, fazendo parte da realidade da nossa terra, os garotos ajudam naquilo que podem. Momentos mais tarde, brincarão com as unhas do porco, metendo-os nos bolsos uns dos outros.
Entre grunhidos de agonia, alquidar no regaço, molídea ao ombro, a mulher apanha o sangue.
Morto o animal, começa a amanhar-se. Chamusca-se com palha. Mais tarde, virão os maçaricos, raspa-se com facas e navalhas, lava-se com pedras de granito e água que vai gelando nas mãos duras e ásperas dos homens.
Lavado e bem tratado, deixou de ser porco, tomou o seu primeiro banho, diziam os garotos numa atitude de gozo perante o animal. Corta-se a «passarinha», que assada na brasa irá ser comida somente pelos homens.
MatançaLá dentro, o chambaril espera que o porco nele seja dependurado. Será depois aberto e retiradas as tripas que caem sobre o tabuleiro a fumegar.
Tabuleiro à cabeça, equilibrado pela rodilha, as tripas serão depois lavadas no rio. Delas se espera serem suficientes para se transformarem em morcelas, bucheiras, chouriças e chouriças de osso, farinheiras e mioleiras.
No dia seguinte inicia-se a desmancha. A salgadeira, já cheia de sal, espera pela carne (a gorda) que irá curtir, conjuntamente com os presuntos e outras peças do porco. As febras, essas, serão cortadas, temperadas no barranhão de barro e, passados uns dias, com a ajuda de uma enchedeira, farão chouriças.
Do fumeiro noites mais tarde, se cortará algum enchido que a família à volta do lume assará na brasa.
Com esta pequena crónica, não pretendi produzir qualquer texto literário, mas somente evocar e trazer para os dias de hoje um conjunto de regionalismos, muito deles já em desuso, porque a realidade que eles representam deixou de existir.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Bastidores do debate entre os candidatos

Uma emissão de televisão começa muito tempo antes de o programa ir para o ar ou, para sermos mais precisos, subir para ficar on-line. O último debate entre três dos cinco candidatos autárquicos à Câmara Municipal do Sabugal só foi possível graças ao esforço e profissionalismo da redacção da Guarda da «LocalVisãoTv» em colaboração com o «Capeia Arraiana».

Local Visão Tv - Guarda

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Com um lema muito multimédia (com o qual nos identificamos) a LocalVisãoTv «prossegue na sua trajectória de melhor informar e gerar a maior proximidade com as gentes e territórios locais. Nesta missão, arrepiamos caminho nos conteúdos audiovisuais seguindo critérios editoriais que nos diferenciam do jornalismo televisivo seguido pelos restantes órgãos de comunicação audiovisual. LocalVisãoTv, mais perto de si».
Por mais esta parceria e em jeito de agradecimento a Carlos Ramalho, director-geral, Gabriela Leal, directora para o distrito da Guarda, Paula Pinto, chefe de redacção, Sara Castro, Miguel Almeida e Leonor Colaço (produção), Miguel Lima e Orlando Almeida (imagem), Miguel Dinis (som), Sérgio Caetano (grafismo), Miguel Almeida e Miguel Lima (pós-produção) aproveitamos para publicar a peça das filmagens de bastidores produzida pelo «realizador-chefe» da LocalVisão Tv.
jcl

Candidatos do Sabugal debatem na LocalVisão (3)

SEGUNDA PARTE da mesa redonda entre os candidatos à presidência da Câmara Municipal do Sabugal que teve lugar na capela do cibercentro da Guarda no dia 7 de Outubro de 2009 organizada pela «LocalVisão Tv» e pelo «Capeia Arraiana».

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Candidatos do Sabugal debatem na LocalVisão (1)

A «LocalVisão Tv» e o «Capeia Arraiana» organizaram esta quarta-feira, 7 de Outubro, uma mesa-redonda com os candidatos à presidência da Câmara Municipal do Sabugal. O convite endereçado aos cinco candidatos foi aceite por António Dionísio (PS), Joaquim Ricardo (MPT) e José Manuel Monteiro (CDU). A candidata do CDS-PP, Ana Isabel Charters, invocou dificuldades de agenda para não estar presente e o candidato do PSD, António Robalo, mandou dizer que declinava a presença na mesa-redonda onde se debateu o futuro político do concelho do Sabugal.

Mesa-redonda na LocalVisão Tv

A campanha eleitoral no concelho do Sabugal transferiu-se esta quarta-feira, 7 de Outubro, para as plataformas multimédia das novas tecnologias de informação do século XXI.
Pela primeira vez na história eleitoral sabugalense os cinco protagonistas políticos das próximas autárquicas foram convidados para estar presente num tempo de antena televisivo on-line.
Aceitaram o convite da LocalVisão Tv e do Capeia Arraiana os candidatos António Dionísio (PS), Joaquim Ricardo (MPT) e José Manuel Monteiro (CDU).
O programa decorreu num formato de quatro perguntas iguais para os candidatos e de um minuto final para convencer «olhos nos olhos» os eleitores sabugalenses das qualidades das suas propostas.
No final os três candidatos presentes foram unânimes em considerar que a experiência valeu a pena e destacaram a importância da aposta na comunicação nas novas tecnologias de informação.
A candidata do CDS-PP, Ana Charters, informou na segunda-feira dificuldades de agenda para estar presente.
O candidato do PSD, António Robalo, após um primeiro acordo verbal na quarta-feira da semana passada entendeu declinar, através do seu director de campanha, o convite invocando uma agenda preenchida para a manhã desta quarta-feira.
Em Fevereiro deste ano o Capeia Arraiana convidou os três candidatos (à altura) para uma entrevista na Rádio Caria. Aceitaram António Dionísio e Joaquim Ricardo. Recusou António Robalo.
Em Agosto deste ano o Capeia Arraiana convidou os cinco candidatos para uma grande entrevista para o blogue. Aceitaram Ana Isabel Charters, António Dionísio, Joaquim Ricardo e José Manuel Monteiro. António Robalo entendeu não ser ainda o tempo certo. Uma semana depois da publicação das quatro entrevistas mostrou a sua disponibilidade para também dar uma entrevista ao Capeia Arraiana que vinha, quanto a nós, fora de tempo até porque as quatro entrevistas foram todas realizadas antes de darmos início às suas respectivas publicações.
Em Outubro deste ano o Capeia Arraiana convidou os cinco candidatos para estarem presentes numa mesa-redonda televisiva a dois dias do final da campanha eleitoral. A resposta de António Robalo foi, mais uma vez, negativa.

Aqui ficam os factos. Os argumentos ficam para depois…
jcl

Mesa redonda reúne os candidatos à Câmara

A «LocalVisão TV» e o blogue «Capeia Arraiana», organizam em parceria, amanhã, dia 7 de Outubro, uma mesa redonda entre os candidatos à Câmara Municipal do Sabugal. Trata-se da primeira aparição dos candidatos raianos em televisão e da última oportunidade para cada um expor as suas ideias em contraposição às das candidaturas adversárias.

Parceria Localvisão / Capeia ArraianaProsseguindo a sua trajectória de proximidade com o público-alvo, e tendo a missão de informar e chegar a todos os territórios – locais, nacionais e internacionais – a Localvisão TV e o Capeia Arraiana convidaram os cinco candidatos à Câmara Municipal do Sabugal nestas eleições autárquicas.
O encontro terá lugar na Guarda, na Capela do Cybercentro, no Solar dos Póvoas, espaço que servirá de estúdio para a gravação da mesa redonda. As imagens estarão on-line amanhã, quarta-feira, a partir das 20 horas.
Com esta mesa redonda entre os candidatos, a Localvisão TV e o Capeia Arraiana pretendem dinamizar um espaço on-line em antena aberta, na perspectiva de informar e esclarecer o eleitorado.
Durante o programa cada candidato terá oportunidade de defender os motivos da sua candidatura, os projectos para o concelho do Sabugal, as áreas temáticas a potenciar e advogar o seu projecto, enfim, sustentar o futuro do Sabugal.
O programa terá uma duração entre 30 a 40 minutos, havendo a preocupação de proporcionar a todos os participantes o mesmo tempo de antena, de modo a que possam expor com igual oportunidade as ideias mestras das suas candidaturas.
plb

Campanha eleitoral está na estrada

A campanha eleitoral no Sabugal está ao rubro. Num território com 40 freguesias e mais de 100 localidades é enorme o esforço exigido «à máquina de campanha», aos candidatos e aos seus apoiantes. Este domingo as caravanas automóveis de António Dionísio (PS), António Robalo (PSD) e Joaquim Ricardo (MPT) alteraram ruidosamente a pacatez das aldeias e estenderam-se a perder de vista nas estradas do concelho do Sabugal. Nas inevitáveis contagens dos aderentes todos clamam vitória. Há, contudo, uma certeza: todos ultrapassaram a centena de viaturas.

Os candidatos desdobram-se em iniciativas para convencer o eleitorado que o seu programa e as soluções que apresentam são os melhores para o futuro do concelho.
Contactos de porta em porta, distribuição de folhetos em mercados, discursos em comícios, palavras de ordem nos carros de som, é assim o quotidiano das candidaturas, especialmente nas dos três partidos acima referidos. Os restantes – CDU e CDS – optam por campanhas mais discretas e menos onerosas.
A candidata do CDS, Ana Charters, tem saído à rua. Esteve em alguns mercados e percorreu as ruas de algumas povoações, mantendo contactos directos com as populações. Prefere as conversas pessoais e parece desvalorizar os discursos em apresentações de listas e em comícios, assim como os debates. Também não aposta na Internet, sendo a única candidatura que não tem um blogue.
José Manuel Monteiro, candidato da CDU, ainda não foi ao terreno, mas esta semana estará já em campanha, optando por algumas sessões de esclarecimento, distribuição de folhetos e contactos pessoais com os eleitores. Desde há muito que tem um blogue na Internet, onde divulgou o seu programa eleitoral, e participou no debate promovido pela Rádio Altitude.
As caravanas das três principais candidaturas marcaram o dia 4 de Outubro. As filas de automóveis estenderam-se pelas estradas, passando pelas terras em grande burburinho, ferindo a pacatez de domingo. Para os participantes foi um dia extenuante, com cerca de 12 horas em movimento, parando apenas para comer e fazer as necessidades, incluindo o almoço.
Todos saíram do Sabugal, onde os apoiantes se concentraram, seguindo depois em diferentes direcções. Os do MPT e do PS almoçaram no Soito, os primeiros na Lameira e os segundos na Praça de Touros, enquanto que o PSD optou pelo Sabugal, no Largo da Fonte. No final do dia, já com a noite cerrada, o PSD acabou no Soito e o PS e o MPT terminaram no Sabugal. Os conta-quilómetros de cada participante nas caravanas marcavam ao final do dia mais 300 quilómetros, que correspondiam ao consumo de algumas dezenas de litros de combustível. Ficou o sentimento do dever cumprido e cada candidatura com a ideia de que tinha ganho às outras, juntando mais automóveis e mais gente na sua comitiva.
Os comícios de encerramento da campanha eleitoral estão marcados para a noite de sexta-feira com António Robalo (21.30 horas) no Auditório Municipal, Joaquim Ricardo (21.00) no Salão da Junta de Freguesia do Sabugal e António Dionísio (21.00) no Salão das Escolas do Sabugal.

GALERIA DE IMAGENS – CAMPANHA ELEITORAL – ANTÓNIO DIONÍSIO
 
 
GALERIA DE IMAGENS – CAMPANHA ELEITORAL – ANTÓNIO ROBALO
 
 
GALERIA DE IMAGENS – CAMPANHA ELEITORAL – JOAQUIM RICARDO
 
 
Clique nas imagens para ampliar

jcl e plb

Os programas eleitorais autárquicos

Combater a desertificação humana do concelho do Sabugal é o objectivo comum aos programas eleitorais das várias candidaturas à Câmara Municipal do Sabugal. Capeia Arraiana «esmiuçou» os vários planos de acção para os próximos quatro anos e dá conta daquilo que em cada um é mais expressivo.

Ana Isabel Charters - CDS-PP - SabugalANA ISABEL CHARTERS, candidata do CDS-PP, aceitou ser candidata por ter sentido o «chamamento» das origens e propõe-se fazer o melhor que sabe.
No seu programa de acção começa por se comprometer a obter junto dos organismos responsáveis as condições técnicas necessárias para o acesso eficaz ao telemóvel e à Internet em toda a área do concelho.
Tal como os demais candidatos, elege a desertificação humana como a principal preocupação: «Sem uma luta sem tréguas neste domínio de nada valerão os restantes esforços camarários.»
Bater-se-á pelo apoio da Câmara às associações e aos privados que queiram concretizar projectos económicos na área dos desportos a desenvolver na barragem do Sabugal, na área da pesca desportiva, na área das bicicletas de montanha, na construção de parques de campismo, de campos de férias e de unidades de juventude.
Ana Charters vai acarinhar o rio Côa, evitando a sua poluição e promovendo a limpeza das margens. Fomentará os Encontros Ambientais do Sabugal, para que os jovens possam, durante as férias e em campos próprios, trocar experiências e aprender com especialistas desta área como conseguir um equilíbrio ecológico sustentável.
Para Ana Charters, «ser velho não é uma doença: chegar a velho é uma virtude», pelo que se propõe fomentar a animação recreativa e cultural, de confraternização social, de ocupação de tempo ao ar livre e de exercício físico para os idosos.
Também se propõe intermediar entre os agricultores e o Ministério da Agricultura, criando um posto de atendimento permanente na Câmara destinado aos agricultores.

António Dionísio - PS - SabugalANTÓNIO DIONÍSIO, candidato do Partido Socialista, apresenta um programa assente na ideia de mudança para a criação de «um concelho do Sabugal com futuro». No fundo, pretende um concelho «atractivo para nascer, crescer, viver, trabalhar, investir, envelhecer e visitar».
Propõem-se afirmar o Sabugal no contexto regional, lançando mão de um conjunto de medidas para obter o desenvolvimento sustentado, apostando no turismo, reforçando a coesão social e fomentando a cultura e o associativismo. Por outro lado António Dionísio pretende promover a qualidade de vida, melhorar as acessibilidades e melhorar a «governação local». Dentro das medidas propostas surge o compromisso de «apoiar o reconhecimento da Capeia Arraiana enquanto património cultural único», e a introdução do ensino da língua espanhola nas escolas.
O programa aponta um conjunto de medidas, que se propõe realizar já em 2010. Dentre elas está a criação do gabinete de imagem do concelho e a instituição da figura do provedor do munícipe. Também pretende criar conselhos municipais: dos anteriores autarcas, da cultura, desporto e lazer e do turismo. Também fala na loja do cidadão móvel e na loja do munícipe, prometendo ainda levar as reuniões do executivo municipal às freguesias.
O candidato socialista enumera ainda um conjunto de programas, a implementar a breve trecho, como: o «Novo Sabugalense», de apoio à gravidez e à maternidade; «O Meu Livro Escolar» para distribuição de manuais aos alunos; o «Férias de Verão» para ocupação dos tempos livres; o «Noivos Felizes» de apoio aos jovens casais; o «Na Minha Casa», para melhorar o apoio domiciliário aos idosos; o «Sou Idoso, Estou Isento» para livrar os idosos de impostos e taxas municipais; o «Sabugal Terra da Castanha» para incentivo à plantação de castanheiros; o «Sabugal, Terra Doce» para apoio à apicultura; o «A Minha Aldeia é Linda» para requalificação das aldeias; e o «Sabugal Alternativo», para apostar nas energias renováveis.

António Robalo - PSD - SabugalANTÓNIO ROBALO, candidato do PSD, tem como maiores apostas o combate ao despovoamento e a obtenção de mais coesão social e mais competitividade para o concelho. Atrair investimento, melhorar as infra-estruturas e os serviços públicos, promover a protecção do ambiente, o desporto e o lazer, são também metas essenciais.
O candidato aposta na inovação e na promoção do emprego qualificado, bem como na dinamização das actividades económicas. Numa palavra: «manter o concelho no rumo certo».
O programa aponta para grandes objectivos: um concelho empreendedor, um concelho atractivo, um concelho preocupado com as pessoas, um concelho com ensino qualificado, um concelho equilibrado, um concelho jovem e inovador.
Enumeramos algumas medidas concretas que constam do plano de acção nas áreas do empreendorismo e da acção social: constituir a «SabugalInvest» para a captação de investimento, incluir pavilhões multiuso no espaço do mercado municipal, requalificar o espaço entre as pontes do sabugal do rio Côa, criar um centro de micologia, apoiar a efectivação do projecto Ofélia Club (1027 camas e 342 empregos em Malcata), criar condições de conforto e segurança nas capeias arraianas, fundar uma universidade sénior e defender a implementação de uma rede de cuidados continuados.
Na área da educação, a candidatura também aponta medidas: construir os centros previstos na carta educativa, dar mais meios informáticos às escolas e instalar o Centro de Estudos Pinharanda Gomes.
Para se atingir um concelho equilibrado, fala-se na conclusão da ligação A23-Fronteira, na requalificação das estradas e numa melhor parceria entre a protecção civil municipal e os bombeiros.
Também se defendem medidas para os jovens: criar um Fórum Jovem voltado para debates temáticos, criar espaços informais de desporto e de convívio.
O programa eleitoral acaba com a revelação de um sonho do candidato: «A instalação de um parque temático com atractividade internacional».

Joaquim Ricardo - MPT - SabugalJOAQUIM RICARDO, candidato do MTP – Partido da Terra, expõe no seu programa dois objectivos estratégicos: gerir na autarquia a pensar nas pessoas e promover a sustentabilidade económica e social.
Para gerir melhor a autarquia propõe um conjunto de «medidas estratégicas», de que são exemplo a promoção da qualidade dos serviços prestados e o reforço das competências das Juntas de Freguesias.
Enuncia ainda um conjunto de medidas no campo da saúde, da cultura e do desporto, assim como da mobilidade, onde fala da criação de circuitos para veículos não poluentes ou a urbanização dos recursos hídricos junto das povoações.
O candidato propõe-se criar um pólo universitário no concelho, desenvolver a indústria da construção civil e dar incentivos à fixação de residência no concelho.
No que toca à meta estratégica de promoção da sustentabilidade económica e social, a candidatura apresenta medidas de apoio à actividade empresarial e social, ao turismo, floresta e ensino.
Joaquim Ricardo quer criar pólos industriais ao longo do território concelhio, incentivar a criação do próprio emprego, apoiar as IPSS criando uma imagem de marca dos seus serviços (que quer promover no exterior) e criar uma liga concelhia das IPSS. Quanto às tradições quer que a capeia arraiana se realize ao longo de todo o ano e, em alternativa a um parque de campismo de grande dimensão, prefere criar pequenos parques de campismo ao longo do concelho.
Quanto ao apoio à floresta, Joaquim Ricardo quer promover a produção da castanha em larga escala, para além de espécies não resinosas. Já na educação quer apoiar as famílias a suportar as despesas com o ensino superior dos filhos e criar uma escola profissional e uma escola de música na Bendada.

José Manuel Monteiro - CDU -SabugalJOSÉ MANUEL MONTEIRO, candidato da CDU, aposta no lema «Tornar Possível o Impossível», assumindo-se como uma candidatura de ruptura.
O programa de acção assenta na ideia de um desenvolvimento com quatro eixos: económico (concelho economicamente viável), social (socialmente coeso e solidário), cultural (aliando a tradição à modernidade), ecológico (sustentável para as gerações futuras).
O candidato aposta na ideia de uma «gestão participada», em que os cidadãos tomam parte em todos os momentos cruciais da vida autárquica, e promete a descentralização das reuniões de Câmara e da Assembleia Municipal.
Como objectivos, a candidatura afirma querer fixar população através de incentivos à criação de emprego, reduzindo ou isentando taxas e impostos municipais, criando apoios às empresas e ao comércio tradicional e dialogando com os agentes económicos.
Também aposta na atracção turística, criando a Rota dos Castelos, reabilitando os núcleos históricos, fomentando o turismo rural e reabilitando os moinhos existentes. Aposta ainda na cultura, recuperando a gíria quadrazenha e constituindo museus do contrabando e da emigração.
Quanto ao lazer, ganha expressão a criação de um passeio público entre a ponte do Sabugal e a barragem, também com funções de ciclovia. No apoio social, quer um concelho socialmente coeso e solidário, criando o «cartão sénior», atribuindo bolsas de estudo e criando um centro de recolha de material escolar usado e outros bens, para distribuição a famílias carenciadas.
Quanto às acessibilidades diz que exigirá ao Governo o reperfilamento da estrada para a Guarda. No que toca aos serviços da autarquia, aposta na implementação de um Balcão Único de Atendimento ao Munícipe e no envolvimento dos trabalhadores municipais na gestão da autarquia.
plb

Candidatos do Sabugal em debate na Rádio Altitude

António Dionísio (PS-Partido Socialista), António Robalo (PSD-Partido Social-Democrata), Joaquim Ricardo (MPT-Partido da Terra) e José Manuel Monteiro (CDU-Coligação Democrática Unitária) marcaram presença esta sexta-feira, 25 de Setembro, no programa de Rui Isidro na Rádio Altitude. Ana Isabel Charters (CDS-PP) declinou o convite por considerar ser ainda muito cedo para dar início à sua campanha eleitoral. Divergências à parte os quatro candidatos concordaram num ponto: a desertificação é o grande problema do concelho do Sabugal.

Rádio AltitudeO jornalista da Rádio Altitude, Rui Isidro, introduziu o debate recordando que o concelho do Sabugal é o exemplo de maior alternância política no poder em todo o distrito da Guarda. Em 1976, nas primeiras eleições a presidência da Câmara foi conquistada pelo CDS. Em 1979 e durante dois mandatos foi governada pelo PSD para mudar de cor em 1985 novamente para o CDS e também por duas eleições. Em 1993 o PS conquistou a autarquia sabugalense mas, nas eleições seguintes, o PSD reconquistou a presidência. Em 2001 os sociais-democratas em coligação com o CDS mantiveram o poder e nas últimas eleições, 2005, o PSD, com Manuel Rito Alves, voltou a ganhar o município com maioria (quatro em sete) de mandatos .
Abriu o debate o candidato da CDU, José Manuel Monteiro, que após cumprimentar todos os sabugalenses deu a conhecer as linhas mestras do seu programa eleitoral com o lema «tornar possível o impossível». «As propostas da CDU assentam em quatro eixos de desenvolvimento: um concelho economicamente viável, um concelho socialmente coeso e solidário, um concelho culturalmente vivo aliando a tradição à modernidade e um concelho ecologicamente sustentável para as gerações futuras. «Achamos que é necessário fazer roturas, achamos que é necessário mudar», disse, ainda, José Manuel Monteiro.
António Dionísio foi o segundo candidato a entrar na antena da rádio elegendo como bandeira da candidatura o combate à desertificação. O candidato socialista considerou, também, que «o concelho do Sabugal tem que se afirmar no contexto regional com qualificação e inovação».
Joaquim Ricardo começou por agradecer à Rádio Altitude a possibilidade de estar presente num debate com os outros candidatos ao município sabugalense. Elegeu igualmente a desertificação como o grande inimigo a combater durante os próximos quatro anos. «Comigo as pessoas estarão sempre em primeiro lugar. As política autárquicas nos últimos 30 anos esqueceram as pessoas. Os dois grandes pilares da candidatura assentam na gestão da autarquia a pensar nas pessoas e na promoção da sustentabilidade económica e social do nosso território».
António Robalo chegou à Rádio Altitude já com o debate a decorrer e foi o quarto candidato a responder à questão inicial do moderador Rui Isidro. «Eu candidato-me na sequência do trabalho desenvolvido há doze anos durante três mandatos. O maior problema é não termos gente. Tudo temos feito para captar gente e vamos continuar a tudo fazer nesse sentido», explicou o candidato social-democrata.
O debate entre os quatro candidatos continuou com o balanço sobre os últimos quatro anos da gestão social-democrata na Câmara do Sabugal, sobre as apostas para o futuro do concelho do Sabugal e por fim a oportunidade a cada candidato para expor as razões porque consideram que os eleitores sabugalenses devem votar nas suas candidaturas.

Rádio Altitude on-line (90.0 FM). Aqui.

Rádio Altitude – Debate entre os candidatos à Câmara Municipal do Sabugal

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jcl

Soltem a parede

O Sabugal prepara-se para viver um fim-de-semana de intensa campanha eleitoral. Os três principais candidatos apresentam-se ao eleitorado acompanhados dos elementos das listas à Câmara Muncipal, à Assembleia Municipal e às Juntas de Freguesia. Estão todos na área do jogo e preparam-se para superar o desafio sem cairem na piscina. É caso para dizer: soltem a parede.

Faltam 21 dias para as Eleições Autárquicas e apenas oito para «umas» Legislativas que escolhem o Governo de Portugal mas que parecem não ter importância no concelho do Sabugal. Também é um facto que os principais protagonistas ignoram o concelho e para eles Portugal termina na cidade da Guarda. Será pelos maus acessos? Será pela proximidade a Espanha?
A propósito de espanhóis e de TGV não há ninguém que explique aos portugueses que o comboio de alta velocidade é estratégico mas não é prioritário. O motivo parece-me evidente. Uma das linhas do AVE espanhol (bandeira da Expo espanhola) liga Sevilha a Madrid. Da capital espanhola partem linhas para Barcelona, Málaga e Vallodolid mas ainda ninguém sabe quando será feita a ligação, através dos Pirinéus, à cidade de Pau onde termina (começa) o TGV francês. Contra factos…
Mas voltemos ao concelho do Sabugal ignorando deliberadamente as Eleições Legislativas «em represália» à ausência total de campanha eleitoral dos partidos políticos na conquista de votos para a eleições dos quatro deputados do círculo eleitoral da Guarda. Impõe-se ignorar quem nos ignora.
Os eleitores sabugalenses não podem queixar-se da falta de candidatos à Câmara Municipal do Sabugal. Apresentam-se a votos cinco candidatos – Ana Isabel Charters (CDS-PP), António Dionísio (PS), António Robalo (PSD), Joaquim Ricardo (MPT) e José Manuel Monteiro (CDU) – e apenas o concelho da Guarda, com seis candidaturas, tem mais opções de escolha. Nos outros dez concelhos temos Aguiar da Beira (com três candidaturas), Almeida (três), Celorico da Beira (quatro), Figueira de Castelo Rodrigo (três), Fornos de Algodres (quatro), Gouveia (quatro), Manteigas (três), Mêda (três), Pinhel (três), Seia (três), Trancoso (três) e Vila Nova de Foz Côa (três).

Candidaturas posicionam-se para ir a jogo
Este fim-de-semana os sabugalenses estão (todos) convidados para as três iniciativas partidárias que vão decorrer no Sabugal marcando o arranque em força das campanhas para as eleições autárquicas.
Para este sábado, 19 de Setembro, às 21 horas, está marcada para o Salão da Junta de Freguesia do Sabugal a apresentação dos candidatos das listas do MPT- Partido da Terra e a divulgação pública oficial do compromisso eleitoral. Joaquim Ricardo lidera a lista à Câmara Municipal e António Gata é candidato à Assembleia Municipal. O MPT apresenta listas a 14 Assembleias de Freguesia sabugalenses.
Lema: «Um projecto, um rumo, um futuro, e uma certeza: Mudar é possível!»

MPT-PARTIDO DA TERRA
Câmara Municipal Joaquim Ricardo
Assembleia Municipal António Gata
Assembleias
de
Freguesia
Águas Belas António Manuel P. Oliveira
Aldeia do Bispo Francisco Luiz Bárrios
Aldeia da Ribeira Filomena Neves Dias Rito
Aldeia S. António Nuno Miguel Silva Mota
Aldeia Velha José da Silva Moreira
Bendada Joaquim José S. P. Roque
Bismula Susana Maria A. André
Casteleiro Jorge M. C. Cameira
Quadrazais Simão N. M. Leitão
Sabugal Patrício da Silva Martins
Santo Estêvão António C. S. Martins
Seixo do Côa Domingos Cairrão Neto
Soito Rui José Rito Martins
Vale de Espinho António M. V. Fernandes

No domingo, 20 de Setembro, terá lugar no Auditório Municipal do Sabugal, às 17:30 horas, a cerimónia de apresentação pública dos candidatos sociais-democratas à Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Assembleias de Freguesia. O Partido Social Democrata apresenta o actual vereador António Robalo como candidato à Câmara Municipal e o actual presidente da autarquia, Manuel Rito Alves como candidato à Assembleia Municipal. Os sociais-democratas concorrem em 24 Assembleias de Freguesia.
Lema: «Saber fazer bem.»

PSD-PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA
Câmara Municipal António Robalo
Assembleia Municipal Manuel Rito Alves
Assembleias
de
Freguesia
Águas Belas Carlos José A. Barata
Aldeia da Ribeira António M. Fernandes
Aldeia S. António Paulo Jorge F. Afonso
Aldeia do Bispo João Grancho Inácio
Baraçal Luís C. C. Lajes
Bendada Jorge Manuel Dias
Bismula Joaquim M. M. Leal
Cerdeira Joaquim M. C. Matos
Malcata Vítor Manuel Fernandes
Penalobo Daniel Alves
Pousafoles Bispo Nazaré N. A. M. Gomes
Quadrazais Carlos A. Panto
Q. S. Bartolomeu Joaquim A. F. Corte
Rapoula do Côa Álvaro M. P. Santos
Rebolosa Albino Frango
Rendo José Miguel P. M. Robalo
Sabugal Manuel A. A. Lousa
Seixo do Côa Manuel Reduto
Soito Alberto J. L. Barata
Sortelha Geraldo Mendes
Vale de Espinho Domingos M. G. Malhadas
Vila Boa Alfredo M. A. Monteiro
Vila Touro Manuel F. T. Simões
Vilar Maior António Bárbara Cunha

Igualmente no domingo, 20 de Setembro, às 18 horas, a Comissão Política Concelhia do Sabugal do Partido Socialista faz a apresentação pública das listas à Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Juntas de Freguesia no Salão da Junta de Freguesia do Sabugal. O comunicado socialista indica que estará presente o Secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, os candidatos às legislativas pelo círculo eleitoral da Guarda e os representantes das listas para as eleições autárquicas do concelho do Sabugal. António Dionísio é o candidato à Câmara Municipal e Ramiro Matos à Assembleia Municipal. O Partido Socialista concorre a 20 Assembleias de Freguesia.
Lema: «Assim é possível. Sabugal – Concelho do Futuro.»

PS-PARTIDO SOCIALISTA
Câmara Municipal António Dionísio
Assembleia Municipal Ramiro Matos
Assembleias
de
Freguesia
Aldeia S. António José António Amândio
Águas Belas Carlos Alberto C. Capelo
Aldeia da Ribeira Manuel Gonçalves Martins
Bendada Adérito Alves Pinto
Bismula José Augusto Vaz
Casteleiro António J. G. Marques
Malcata Sandra M. G. Varandas
Moita António J. N. Moreno
Q. S. Bartolomeu Lénia C. Santos Diogo
Quadrazais Silvina M. V. Silva
Rapoula do Côa Horácio Martins
Rebolosa Manuel Rei E. Barros
Rendo Rafael F. M. P. Costa
Sabugal Manuel Joaquim Rasteiro
Seixo do Côa Martinho L. Correia
Soito João Manuel F. Calva
Sortelha Fernanda M. M. Esteves
Vale de Espinho José M. Lucas Mendes
Vila do Touro Carlos Santos Lages

Aproveitamos para lembrar as listas das candidaturas do CDS-PP com Ana Isabel Charters (com o lema «Temos soluções e sugestões, venham comigo»)…

CDS/PP-CENTRO DEMOCRÁTICO SOCIAL/PARTIDO POPULAR
Câmara Municipal Ana Isabel Charters
Assembleia Municipal Filipe Paulo Mendes Cunha
Assembleias
de
Freguesia
Aldeia S. António Jorge Joaquim B. M. Simões
Pousafoles Bispo Francisco Pires Dias

…e da CDU com José Manuel Monteiro.

CDU-COLIGAÇÃO DEMOCRÁTICA UNITÁRIA
Câmara Municipal José Manuel Monteiro
Assembleia Municipal João Carlos Taborda Manata
Assembleias
de
Freguesia
Alfaiates Porfírio Ramos
Cerdeira do Côa Osvaldo Teixeira d’Almeida
Moita Honório Antunes Santos
Rendo Manuel António Pereira
Sabugal Celso Cruz das Vinhas

É, portanto, um fim-de-semana de muitas movimentações políticas com os candidatos a alinharem-se na linha da área de jogo para a grande partida. No final apenas um conseguirá passar com todos os seus trunfos pela «urna da parede eleitoral». Para os outros está reservado… «um banho» apesar de considerar a esta distância que nenhuma das candidaturas irá conseguir alcançar os quatro vereadores que permitem governar com uma confortável maioria como aconteceu nesta mandato. Os acordos pós-eleitorais (ou pré) serão por isso um factor a ter em conta numa autarquia com sete mandatos e onde os cenários mais prováveis são: 3 – 3 – 1 ou 3 – 2 – 2. Não é uma sondagem. É, apenas, uma projecção a 21 dias da data das eleições. Vale o que vale.
É agora tempo de conhecer os programas eleitorais dos candidatos. Assim eles sejam tornados públicos. A finalizar deixo um desejo em forma de pedido aos próximos presidente e vereadores: tenham capacidade e querer para colocar os interesses do concelho acima dos interesses pessoais.

Alguns comentários mal-educados (escondidos sob anonimato) que nos têm chegado só demonstram a falta de cultura democrática, ou melhor, a asfixia democrática que alguns desejam para o Sabugal e para os Sabugalenses.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

jcglages@gmail.com

Investimento público na floresta (J. M. Monteiro)

Na sequência da tragédia provocada pelos recentes incêndios no concelho do Sabugal entendemos colocar, publicamente, aos candidatos duas questões. Depois da candidatura de António Dionísio (PS) e de Ana Isabel Charters (CDS-PP) é agora tempo de saber o que pensa o candidato da CDU, José Manuel Monteiro.

José Manuel Monteiro - CDU– Se estivessem no poder como actuariam para colmatar no imediato as dificuldades dos agricultores em arranjar alimentos para os seus animais?
– Em primeiro lugar o que haveria a fazer era a distribuição de alimentos para o gado pelos agricultores afectados, uma vez que o gado ficou sem alimentação. Julgamos saber que a Câmara Municipal do Sabugal já disponibilizou isso. Aqui está uma boa medida. Assim, os criadores de gado afectados poderão, no imediato, resolver a situação. Parece-nos também que a declaração de calamidade pública, solicitada pela Câmara Municipal deverá ser acatada pelo Governo e as verbas solicitadas, após um apuramento correcto, deverão ser entregues aos criadores de gado de forma célere.
A criação de um seguro agrícola público, financiado por fundos comunitários, que permita garantir um rendimento mínimo aos agricultores em casos de calamidades públicas como secas, temporais, granizo, incêndios, epizootias, etc. é, desde há muito, uma das propostas do PCP para colmatar estas situações catastróficas.
– Como pensam investir na reflorestação de videiras, oliveiras, carvalhos e outras árvores no concelho?
– A causa maior dos incêndios é a desertificação (humana e agrícola) a que as nossas aldeias estão votadas. E as consequências da política agrícola comum (PAC) e as políticas nacionais que lhe estão subjacentes e que têm causado a destruição da agricultura e abandono forçado dos campos por falta de rendimento e as dificuldades de escoamento das produções.
A Câmara Municipal poderá colocar os seus técnicos florestais a trabalhar, em parceria com as Juntas de Freguesia, no sentido de serem apuradas as árvores que melhor se enquadram na paisagem e para serem concedidos apoios dos fundos comunitários para as catástrofes. Mas, não se deve esquecer que o Governo tem também uma grande responsabilidade. O Governo PS não explica porque razão a floresta não é rentável ou é abandonada – nada diz, por exemplo, sobre a estagnação ao longo dos anos do preço da madeira.
Na reflorestação da área ardida, no concelho do Sabugal, poderá ver-se, também, a vontade do Governo no investimento público, uma das suas grandes bandeiras. Não basta investir em grandes obras. O investimento público num sector como o florestal, poderá ser de grande interesse nacional e é, com certeza, de grande interesse para o concelho do Sabugal.
jcl

Grande entrevista com… José Manuel Monteiro

«Não estou nesta luta para combater as outras candidaturas, quero sim contribuir para o debate acerca do futuro do concelho», disse-nos em entrevista José Manuel Monteiro, o candidato da CDU à Câmara Municipal do Sabugal. O ponto de encontro com o economista de 48 anos, natural do Sabugal e director do Departamento de Administração e Finanças da Câmara Municipal de Palmela, foi na esplanada do Centro Comercial Loures Shopping, próximo da morada do candidato que assume protagonizar uma candidatura de ruptura.

Grande Entrevista José Manuel Monteiro candidato CDU eleições autárquicas Sabugal

– Quais são as suas origens no concelho?
– Sou natural do Sabugal, assim como o meu pai, Carlos Monteiro. Já a minha mãe, Maria Alice, é natural das Quintas de São Bartolomeu. Vivi e cresci no Sabugal, de onde saí com 17 anos, vindo para Lisboa para fazer o ano propedêutico, que era um ano de estudos de preparação para a Universidade. Tirando eu, toda a minha família vive no Sabugal e eu vou mantendo uma ligação à minha terra, indo lá quando posso, pelo menos duas vezes por ano. E acompanho também com muito interesse a vida do Sabugal.
– Como surgiu a oportunidade de se candidatar à Câmara Municipal do Sabugal pela CDU?
– Recebi um convite do PCP do Sabugal e, após ponderar, achei que deveria aceitar esse desafio, no sentido de dar um contributo para a discussão daquilo que queremos que o concelho seja.
– Quais as expectativas que tem face a esse desafio?
– Em primeiro lugar queremos apresentar uma equipa que esteja disponível e possa dar um contributo para o debate. Depois queremos apresentar propostas nas quais, independentemente das questões político-ideológicas, os sabugalenses se revejam. Quanto a resultados eleitorais, a nossa maior expectativa é aumentar o número dos representantes da CDU na Assembleia Municipal, o que claramente se justifica na medida em que os mesmos têm tido aí um papel preponderante. E, já agora, seria simpático que a CDU elegesse um representante no executivo.
– Portanto acredita que poderá ser eleito vereador?
– Porque não? Isso dependerá da vontade dos sabugalenses em fazerem rupturas.
– Como conta fazer a campanha para passar a sua mensagem ao eleitorado?
– Estamos neste momento a programar a nossa campanha e temos princípios de base e propostas concretas que apresentaremos a seu tempo na forma de programa. Quanto à forma de passarmos a nossa mensagem, eu acredito sobretudo no contacto directo com as pessoas e é nisso que vamos apostar.
– As outras candidaturas falam muito na necessidade de se lutar contra a desertificação. Como é que a candidatura da CDU encara este problema e como pensa fazer-lhe face?
– Posso adiantar que defendemos quatro eixos de desenvolvimento: económico, social, cultural e ecológico. Depois queremos, no fundamental, atingir seis objectivos. Em primeiro lugar, enquanto grande objectivo, colocamos a necessidade do Sabugal recuperar a sua posição estratégica, tanto no plano regional como nacional, sendo aqui muito importante ter em conta que o concelho do Sabugal é periférico relativamente ao espaço nacional, mas não o é no contexto ibérico, dada a nossa posição junto à fronteira. Um segundo objectivo é a criação de emprego, nomeadamente na área dos serviços, no apoio à população sénior, bem como na agricultura e na indústria. A estratégia do poder local passa não apenas pelo desenvolvimento das competências próprias das autarquias, mas também por haver um trabalho de influência institucional, exigindo e reivindicando junto do poder central.
– Mas como se cria emprego no Sabugal?
– Esta questão da criação de emprego é fundamental para a fixação das populações e a luta contra a desertificação. Há um conjunto de instrumentos, como o uso das taxas municipais, reduzindo e ou isentando, o mesmo se passando em relação a alguns impostos, como IMI e a derrama sobre o IRC. Mas temos também um terceiro objectivo, que é revitalizar alguns núcleos habitacionais históricos, nomeadamente o do Sabugal. Há ali um conjunto de casas que estão degradadas e que importa recuperar porque elas representam, de certa forma, a nossa identidade. Chegou a altura da Câmara agir. Se os particulares não têm capacidade e condições para recuperarem as casas isso deve caber à Câmara, que as deverá recuperar e depois colocar no mercado de arrendamento ou até colocá-las à venda. Não se pode continuar a pactuar com a degradação dos núcleos históricos.
– Isso quanto ao Sabugal. E quanto às aldeias?
– Algumas aldeias também têm núcleos históricos que podem beneficiar dessas medidas. É possível revitalizar algumas aldeias apostando na captação de turistas. Falo aqui, por exemplo, no turista de fim-de-semana. Para isso também é necessário valorizar o património natural, dando a devida atenção à Serra da Malcata, ao Rio Côa e a outros recursos naturais que possuímos. Depois não esqueçamos que o concelho tem cinco castelos e isso deve dar azo à criação de uma rota dos castelos, ligando-os e associando a esta rota a gastronomia. Aliás o nosso quarto grande objectivo é a valorização e difusão da cultura raiana, tendo em conta, por exemplo, alguns valores gastronómicos, como os enchidos, a truta, o cabrito e o queijo, sendo aqui importante a certificação dos produtos, na qual a Câmara pode ter um papel directo de apoio a quem se dedica a estas actividades. A isto deve-se associar a restauração e a hospedagem, entrando aqui as aldeias porque muitas delas têm condições para apostarem no turismo de habitação. Um quinto grande objectivo é a implementação de uma política de gestão pública e participada.
– Mas a gestão pública dos serviços já existe…
– Sim, mas veremos o que sucederá quando a água for privatizada.
– É contra a privatização da água?
– A água é um bem público. Há princípios dos quais eu não abdico e um deles é o de que os bens públicos como a água têm de ser geridos de uma forma pública. O privado interessa-se pelos negócios rentáveis, mas não é aceitável que se faça negócio com bens públicos.
– Falava-nos no objectivo da gestão pública e participada…
– Tem de haver uma gestão pública, mas também uma gestão participada, no sentido de que a população deve ser chamada a participar na gestão autárquica, em vez de apenas ser chamada a pronunciar-se cada quatro anos, em eleições.
– E como se faz essa gestão participada?
– Chamando as pessoas a intervir. Se a população não vem ter com o poder político, é este que deve ir ao encontro das populações. De resto há exemplos em Portugal e no mundo de práticas de gestão pública em que é a administração pública que vai a ter com os cidadãos. Mas quero dizer ainda que temos um sexto objectivo, que é a optimização dos recursos financeiros da autarquia e a valorização dos trabalhadores autárquicos.
– Como se pode fazer diferente e melhor no Sabugal?
– Em primeiro lugar, e como já disse, chamando as populações a participar. Depois é necessário assumir que a Câmara não tem que substituir a administração central. Por isso a execução da ligação à A23 a expensas da Câmara é um erro. Tem de se bater à porta do poder central as vezes necessárias, pressionando as Estradas de Portugal e o Ministério dos Transportes e Obras Públicas, no sentido de se garantir que o Estado cumpra o seu dever, dentro das suas competências. Neste caso concreto, quanto muito deveria haver um protocolo em que a Câmara garantisse que as Estradas de Portugal pagariam as obras ainda que a Câmara avançasse com a sua execução por considerar isso urgente.
– Há quem defenda que, neste momento, o mais prioritário seria a melhoria da ligação à Guarda, enquanto sede do distrito, também pensa assim?
– Neste momento isso é essencial, porque essa estrada liga-nos a duas auto-estradas, a A23 e a A25, sendo até necessário redefinir o traçado. Claro que a ligação à A23 também é importante, mas é necessário definir qual é a primeira prioridade em termos de obra a executar. O aliciante de um programa autárquico é a ideia de que nem tudo vai ser possível realizar em quatro anos, até por insuficiência de meios. O que distingue as candidaturas é a prioridade que colocam na satisfação das necessidades e como isso se concretiza. Sendo os recursos limitados, a acção politica baseia-se na capacidade de decidir.
– Que acção cultural defende para o concelho?
– Há várias iniciativas a realizar, mas há uma que considero fundamental, que é a recolha da gíria quadrazenha. Isso pode ser feito através da comunidade escolar, mas é fundamental recolher aquele património etnográfico, assim como o do contrabando, enquanto forma de vida que deu de comer a muita gente durante décadas.
– Quanto ao Centro de Negócios Transfronteiriço do Soito, recentemente inaugurado, o que considera que deve ser feito para o dinamizar?
– São óptimas instalações, que podem ser sobretudo usadas para instalar um pólo de apoio à constituição de empresas, sobretudo as micro e pequenas empresas, que poderão encontrar ali um centro de partilha de recursos. Também pode ser um pólo cultural, que acolha iniciativas dessa natureza.
– E quanto à Praia Fluvial do Sabugal?
– Eu não gosto de lhe chamar praia fluvial. Para mim é o rio. Era ali que, quando era miúdo, ia com os meus amigos. Chamávamos-lhe o Muro, e usufruíamos daquele recurso durante todo o Verão. Considero que o rio deve ser melhor utilizado nos dias de hoje, desde os Fóios a Badamalos. O essencial é ter um rio limpo, com alguns apoios básicos, mas sem lhe retirar o seu aspecto natural. É necessário valorizar e dignificar aquele espaço. Ainda dentro disso temos a proposta de criar um passeio público, ou um percurso pedonal com ciclovia, entre o Sol Rio e a Barragem do Sabugal. Teria de ser o mais natural possível. As caminhadas estão na moda e podemos criar ali um percurso com condições de ser usado por toda a população nos momentos de lazer.
– Que outras propostas concretas vai apresentar?
– Muitas, que farão parte do nosso programa eleitoral. Por exemplo, defendo a criação de um cartão sénior para se garantirem descontos no comércio local aos mais idosos, assim se apoiando também as lojas comerciais. O Instituto Politécnico da Guarda também pode criar um pólo no Sabugal, com cursos ligados à gestão agrícola, por exemplo. Também defendemos que a Câmara crie bolsas de estudo para jovens carenciados. Quanto aos serviços do Município, deve ser criado um gabinete de atendimento ao público, que trate de todos os assuntos, com possibilidade de se descentralizar pelas aldeias. Pode ser um serviço móvel, que além do mais leve a biblioteca municipal às freguesias.
jcl e plb