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José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Postal TV (194)

A Selecção Nacional de futebol brilhou no jogo em que venceu a Suíça e carimbou o acesso directo ao Campeonato do Mundo de Futebol que vai decorrer na Rússia no próximo ano. A RTP1, com esse jogo, acedeu também – por um bocadinho de uma tarde – ao lugar cimeiro do campeonato das audiências.

Selecção Nacional de Futebol - José Carlos Mendes - Capeia Arraiana

Selecção Nacional de Futebol

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Casteleiro – A Festa de Santo António

No fim-de-semana «d’além» (ou seja: daqui por menos de quinze dias), é a Festa de Santo António no Casteleiro. Três dias de agitação em que pululam na aldeia os filhos da terra, os amigos e os visitantes. Quanto ao Programa, hoje divulgamos o cartaz e alguns apontamentos. Leia tudo mais adiante.

O cartaz da festa do Casteleiro

Cartaz da festa do Casteleiro

Casteleiro: falemos então do «alçapão»

Mais uma abertura que havia em muitas casas do Casteleiro. O alçapão. Nas casas com dois pisos, por vezes lá estava um caminho abreviado entre um piso e o outro. Para que era o misterioso «buraco» e a escada anexa?

Hoje vai para si um texto mínimo. É sobre uma peça bem especial das casas de muitas famílias na minha terra. Hoje já poucos haverá a funcionar. Mas há cinquenta anos…
Este escrito é produzido e enviado a pedido.
Quando, em roda de amigos beirões contava em síntese a história do «postigo» (que alguém logo emendou para «bestigo», forma bem mais genuína – como já aditei em comentário), houve quem dissesse logo:
– Então e os alçapões?
Aí, senti-me como que apanhado em falta.
O alçapão era fundamental nas casas em que existia.
Por acaso, nas casas da minha família, não havia.
Mas onde havia, era uma passagem fundamental.
Eu explico.

Passagem interior entre dois andares
O frio é muito, em certos meses, no Casteleiro. Isso, todos sabemos.
As casas dantes por norma tinham, não uma escada interior, mas um balcão por fora, para ligar os dois andares habituais (quase todas as casas tinham dois andares e muitas ainda um sótão). Em geral, em baixo são as lojas (para lenha, vinhos, produtos agrícolas etc.). Em cima, a habitação. No sótão, quando havia, mais arrumos.
Ora, no que se refere ao constante movimento entre a loja e a casa, a miudagem era particularmente «castigada». Era preciso cozinhar umas batatas, «Ó não sei quantos, vai lá buscar as batatas à loja». Era preciso queimar mais lenha, «Ó fulano, vai lá buscar uns cavaquinhos».
Claro que os adultos não eram poupados às viagens constantes entre os dois patamares…
Ora, é aí que entra o alçapão.
Muito mais frio se raparia se não houvesse essa passagem: um buraco quadrado de meio metro de lado ou pouco mais, uma escada quantas vezes bem tosca – e pronto, escusava de se ir à volta ela rua a perder mais tempo e a apanhar muito mais frio, muito mais.
É que naqueles dias de antanho ainda nevava no Casteleiro…

Notas
1. Lamento mas esta razão de oportunidade de juntar já o alçapão de hoje ao postigo da semana passada leva-me a adiar de novo a peça já pronta sobre aquele admirável som «tch» da minha terra e da Raia em geral, herdado das gerações que nos antecederam e por nós abandonado…

2. A foto que se publica é de um alçapão, de facto. Mas um dos modernos, com a madeira muito brilhante e aparadinha. Naquele tempo eram bem mais toscas. Foi o que se pôde arranjar como ilustração…

3. Fiquei muuuito satisfeito por descobrir esta semana que o mural do Vale da Senhora da Póvoa está atento e publica bastantes nacos de peças do ‘Capeia’, designadamente com a minha assinatura. E qual não foi o meu espanto ao verificar que mais de 200 leitores tinham manifestado que gostaram de um desses «nacos», como pode ver aqui. A nossa Beira agradece o interesse.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes