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José Carlos Lages - Capeia Arraiana - Orelha

É tempo de… viajar! (5)

155%> A Ilha Terceira, nos Açores foi o destino europeu de curta-distância com maior crescimento na Europa. 23%> O número de reservas em agências de viagens online cresceu em 2017. 4> Cristiano Ronaldo e o Grupo Pestana vão passar de dois para quatro hotéis da marca até 2018. 10> Lisboa e Porto no dez primeiros destinos europeus de 2017. 2> A MSC vai ampliar a sua frota de supernavios de cruzeiros até 2023. No Diário de Bordo é tempo de… viajar! Carpe Diem.

Ilha Terceira nos Açores foi o destino mais procurado em 2017 - José Carlos Lages - Capeia Arraiana

Ilha Terceira nos Açores foi o destino europeu de curta-distância
com maior crescimento de procura em 2017 (Foto: D.R.)

José Carlos Lages - Capeia Arraiana - Orelha

É tempo de… viajar (4)!

Em Novembro os cerca de 30 agentes de viagens da DIT Portugal rumaram a Málaga num autocarro fretado à empresa Viúva Monteiro e Irmão do Sabugal. Em Fevereiro o Turismo Centro de Portugal será o destino convidado da BTL. Entre Janeiro e Maio a TAP vai disponibilizar voos de baixo custo para Budapeste. Durante os primeiros seis meses de 2018 o Turismo de Portugal vai levar 20 startups portuguesas a feiras internacionais. Para o Verão os visitantes da EuroDisney vão ser recebidos pelos Super-Heróis da Marvel. No Diário de Bordo é tempo de… viajar! Carpe Diem.

1.ª Convenção Ibérica da DIT Gestion em Benalmádena (Málaga)

José Carlos Lages - Capeia Arraiana - Orelha

Mega Convenção da DITGestión reúne 600 participantes

O grupo DIT Gestión, com sede no País Basco, organizou uma Mega Convenção que juntou cerca de 550 agentes de viagens e 60 operadores de turismo europeus e mundiais. O encontro teve lugar, entre os dias 17 e 19 de Novembro, em Benalmádena, na província de Málaga.

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José Carlos Lages - Capeia Arraiana - Orelha

É tempo de… viajar! (3)

Desde os glaciares, vulcões e desertos do Chile às montanhas da Geórgia, no Cáucaso meridional, a Lonely Planet elaborou uma lista dos 10 melhores países que valem a pena visitar no próximo ano… Portugal ocupa o terceiro lugar. Tempo ainda para falar do novo terminal de cruzeiros em Lisboa, das novas regras para bagagem de porão na TAP, para o comboio gastronómico do Alentejo, e para a procura de alojamento local para o Web Summit. No Diário de Bordo é tempo de… viajar! Carpe Diem.

Miradouro do Castelo de São Jorge, em Lisboa - Capeia Arraiana

Miradouro do Castelo de São Jorge em Lisboa

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

Na apresentação do livro de Barreto Xavier

«Alexandria», o mais recente livro de Jorge Barreto Xavier foi apresentado no Grémio Literário, em Lisboa, perante muitos convidados e amigos do autor, incluindo uma embaixada de sabugalenses.

J. Barreto Xavier entre sabugalenses – José Paiva, Pedro Mexia (com ascendência no Sabugal), José Carlos Lages e Paulo Leitão

José Carlos Lages - Capeia Arraiana - Orelha

Na Quarta-feira os Dias criam tesouros gastronómicos

Os celtas chamaram-lhe Ebora. Júlio César homenageou a cidade elevando-a à categoria de município com o título honorífico de Ebora Liberalitas Julia, por lhe ter sido fiel durante a Guerra Civil em que andou envolvido com Pompeu. Em 1986 a UNESCO classificou-a como Património Comum da Humanidade. A cidade de Évora é a rainha do Alentejo, terra de planícies a perder de vista pintadas de dourado com o horizonte recortado por sobreiros e oliveiras. No perímetro urbano delimitado pelas muralhas quinhentistas o centro histórico de Évora não deixa ninguém indiferente. A Sé Catedral de Évora e o Templo Romano dedicado a Diana, deusa da caça, são ponto de partida para demorados passeios pelas estreitas ruas medievais decoradas com rasteiras casas caiadas de branco e rodapé amarelo torrado. E é precisamente na Rua do Inverno, escondida no labirinto das ruelas empedradas que está guardado o mais fascinante e precioso tesouro gastronómico de Évora… a Taberna Típica da Quarta-feira.

Taberna Típica Quarta-Feira - Évora - José Dias - Capeia Arraiana

Na Taberna Típica Quarta-Feira, em Évora

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

Alemanha está a mais na União Europeia

Há muito tempo (atrevo-me a dizer anos) que defendo esta ideia. Quem está a mais na União Europeia é a Alemanha. Como podemos competir com um país que tem a melhor indústria farmacêutica, automóvel e tecnológica do mundo, com marcas de grande tradição como a Bayer, a Volkswagem ou a Bosch. De que serve ir no comboio se apenas podemos espreitar pela janela e lobrigar a potência da locomotiva Siemens. E, já agora, nos territórios das unificadas Alemanha Federal (RFA) e República Democrática da Almanha (RDA) estão sedeados os mais poderosos bancos e banqueiros europeus e mundiais. Agora apareceu um alemão, o empresário Roland Berger, a pensar como eu.

União Europeia - José Carlos Lages - Capeia Arraiana

Alemanha está a mais na União Europeia

Local Visão Tv - © Capeia Arraiana (orelha)

Festival Ó Forcão Rapazes 2016 no Soito

Lageosa da Raia, Aldeia do Bispo, Alfaiates, Soito, Forcalhos, Aldeia da Ponte, Aldeia Velha e Ozendo continuam a manter viva a tradição do Festival Ó Forcão Rapazes. Reportagem da jornalista Sara Castro com imagem e edição de Renato Pereira da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana

ca2013_localvisaotv_550x15Autoria: LocalVisãoTv (Guarda) posted with Galeria de Vídeos Capeia Arraiana

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Para os mais distraídos ou menos informados nunca é demais esclarecer que na Capeia Arraiana os touros não são picados nem molestados. Limitam-se a fazer aquilo que mais gostam quando são bravos. São encaminhados desde os lameiros onde pastam e chegam à praça pela sua «própria pata» escoltados por valorosos cavaleiros. Às cinco horas da tarde começa a Capeia Arraiana. Os touros investem contra o forcão onde cerca de 30 rapazes se tentam defender de acordo com técnicas ancestrais de jogo de pés e de equipa e onde se destacam «os da galha» e os «rabejadores». Tentar encontrar semelhanças com qualquer outra tourada é um mero exercício de ignorância.
jcl

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Casteleiro – Animação na aldeia

Uma aldeia no Interior Centro-Norte anima-se de vez em quando e isso é motivo de grande esperança. Como se animam muitas outras – e ainda bem. Um passeio a 27 de Junho, um mês e tal antes da Festa de Santo António e o relato da Festa da Caça – fazem esta crónica nº 232, para si especialmente.

Convívio na Festa

Convívio na Festa

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

Natália Bispo – a guardiã da Casa do Castelo

Em tempo de Festas Natalícias o Capeia Arraiana solidariza-se com o momento de saúde extremamente doloroso de Natália Bispo, a Talinha para muitos dos seus amigos e conhecidos. Aqui deixamos emocionados desejos de rápidas melhoras para a «Guardiã da Casa do Castelo». Faltam-nos palavras e sobejam-nos lembranças e memórias do muito e muito que tem feito pela divulgação das gentes e das terras do Sabugal a grande sabugalense Natália Bispo. Força, coragem e fé querida amiga!

José Carlos Lages - Natália Bispo - Paulo Leitão Batista - Capeia Arraiana

Natália Bispo com os responsáveis pelo CapeiaArraiana.pt

jcl e plb

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Casteleiro – Encantos da Serra d’ Opa

A Serra d’ Opa domina a paisagem, do alto dos seus 800 e tal metros. Ao responderem ao inquérito do Governo do Marquês de Pombal, os padres das aldeias da beira-Serra, Casteleiro, Moita e Vale de Lobo, dão a sua visão de cada um dos aspectos inquiridos pelo governo do país. Vamos acompanhar essas respostas das três aldeias. No final, tem os «links» para aceder a informação actual através do jornalinho local, o «Serra d’ Opa».

Belas formações rochosas

Belas formações rochosas

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

A crise – uma história mal contada

Peço desculpa pela intromissão. Mas isto passou das marcas todas. Um economista inglês de alta responsabilidade europeia desmascara a banca alemã de forma inequívoca. Tudo o resto, a história que andam a contar, é tudo treta. Mas esta novidade tem uma semana – e no entanto não passa nos telejornais.

A crise vem basicamente da banca

A crise vem basicamente da banca

Casteleiro – o bom humor popular

No meio das agruras da vida, ao Povo restou sempre uma veia de piada. Uma enorme vontade de viver e de não se deixar derrotar. E isso, o instinto da sobrevivência levado ao extremo e no dia-a-dia, é fundamental. O Povo tem mesmo uma grande, enorme vontade de ser feliz, de estar bem, de contrariar as agruras da vida, custe o que custar.

Muitos ditos populares têm por base a ironia, o sarcasmo. O bom humor anda sempre por ali, nos ditos, naquelas frases que me diziam quando era pequeno e que estão cá gravadas até hoje: as frases e as circunstâncias em que eram atiradas à criança que eu era. Mas há também os ditados muito irónicos e cheios de malandrice…
Se pensarmos que a maioria desses ditos vêm de tempos de grande dificuldade de vida, ainda nos admiramos mais.
Ditados e ditos. Acho que um ditado popular é um dito que se refere a situações pré-determinadas e que se constituem em regras de vivência e de sabedoria. Exemplo: «Pelo São Martinho, / Vai à adega e prova o vinho».
Um dito é em minha opinião uma frase que se baseia em estória antiga que nunca é contada mas que está por detrás de muitas dessas palavras que juntas numa sentença dizem tudo o que o autor quer dizer mas que muitas vezes em seu sentido profundo e em seu alcance mais lato escapam a muitos dos interlocutores – mas há sempre alguns que entendem muito bem. E, assim, a sentença ganha o dobro da força. As risadinhas e o sarcasmo rodeiam a «vítima».

Rebelhos
Primeiro dito de hoje:
– Este foi como o Manel Leitão a Rebelhos.
Era-me dito quando ia a um sítio sem objectivo ou se me enganava no que me pediam ou se me esquecia do que ia fazer.
Que história era essa, afinal, do tal Manel Leitão que terá ido a Rebelhos sem objectivo?
Parece que o rapazola era de facto muito bem mandado: fazia tudo o que lhe pediam, mesmo que se precipitasse e fosse fazer recados até antes de lhe dizerem o que era preciso ir fazer.
Então um dia alguém lhe disse:
– Ó Manel, amanhã hás-de ir a Rebelhos.
E pronto. Era preciso ir e ele foi.
Nem deu tempo de lhe dizerem o que devia ir fazer a Rebelhos nem ele perguntou.
Foi.
Do Casteleiro a Rebelhos são para lá de sete quilómetros, parece-me.
Foi.
E, quando lá chegou, é que se deu conta de que afinal nem sabia o que ia fazer.
Voltou ao Casteleiro e perguntou então o que é que tinha de ir fazer a Rebelhos…
Coitado…
A caminhada dupla e a estouvadice fizeram dele uma referência negativa: ir como o Manel Leitão a Rebelhos significou sempre na minha terra fazer primeiro e pensar depois, sobretudo se se tratar de uma caminhada.
Vai-se para o campo e não se levam as batatas para semear? È como o Manel Leitão a Rebelhos.
Chegava à minha madrinha (e avó) e não me lembrava o que ia buscar? É como o Manuel Leitão a Rebelhos…

Edital
Esta frase sempre a ouvi chateado, porque era dita quando fazia asneira da grossa e me dava mal com o resultado.
Exemplo: estar a tentar arranjar a bicicleta mas afinal acabar por estragar ainda mais.
Aí, ou me diziam aquela do «Não te metas a mordomo sem devoção».
Mas aquela sentença que mais vezes me lembra e que mais me incomodava: «Está um edital à porta da igreja: / Quem é burro, não o seja».
Já em tempos aqui escrevi quanto esta me irritava… talvez por me chamarem burro, mesmo que indirectamente.
Qualquer das duas sentenças é, como se vê, bastante irónica e bastante brincalhona. No fundo, trata-se de chamar a atenção de forma forte mas meio a brincar, como quem dissesse: «Tens de aprender à tua custa».
Mas ambas transmitem duas coisas que em meu entender são a base da filosofia popular: por um lado, a referência religiosa que é uma constante na vida rural daqueles tempos, por outro, a imensa vontade de sorrir no meio das dificuldades da mesma vida rural da mesma época…

Abafado
Agora, uma piada minha que nunca fiz vinho – mas vi fazer muito, e aguardente e jeropiga e abafado – tudo…
E agora até aprendi que se fazem de modo diferente e que é nessa pequena diferença que está a diferença. A piada, para mim mesmo, é eu falar disto como se soubesse do que estou a falar…
Já ouviu falar de jeropiga? E de vinho abafado? Você pensa que é a mesma coisa??? Engana-se.
É isso.
Neste São Martinho até deu para provar ambos…
E sabe qual a diferença entre as duas bebidas no fabrico artesanal?
Eu explico em resumo, pelo que perguntei e me responderam.
Quando se pisa a uva, começa aí um processo de fermentação. O líquido vai ferver. Depois de ferver, começa o processo de «consolidação» do vinho, que vai durar na pipa mais de mês e meio até ser provado.
Vindima-se em Setembro e prova-se o vinho pelo São Martinho.
Ora bem: antes de o vinho ferver, ou seja, logo que está pisado, mas sem que comece a fermentar, quem quiser fazer abafado ou jeropiga tira a quantidade desejada de mosto e envereda de um dos dois processos:
– Para fazer jeropiga: mistura-se o mosto com aguardente, na proporção de 3 para 1 (25% de aguardente), mete-se no pipo ou vasilha que se quer, espera-se um dia e tapa-se antes de ferver. Passadas umas semanas valentes, abre-se e… bebe-se com estalar de lábios…
– Para fazer abafado, é tudo igualzinho, mas com uma enorme diferença: tapa-se logo que se tira da dorna onde foi pisado. O resto segue igual: como fica logo tapado, ainda fermenta menos do que a jeropiga (jurpia, no linguajar do Casteleiro!…). Depois prova-se e… é de estalar a língua.
Há muito quem escreva que abafado e jeropiga é a mesma coisa. Há quem escreva: «vinho abafado, vulgo, jeropiga». Erro. São feitos de modos ligeiramente diferentes.

Imagens
Quem ler com atenção o artigo entende a selecção das seguintes imagens:
Procissão no Casteleiro.
Rebelhos, freguesia vizinha.
Uvas pretas e belas.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

Os «protagonistas» do poder autarca

As autarquias locais são, nos termos da Constituição, «pessoas colectivas territoriais dotadas de órgãos representativos que visam a prossecução de interesses próprios das populações respectivas». E será que todos os eleitos sabem isto?

O pecado do vereador Joaquim Ricardo

A última sessão ordinária de 2010 da Assembleia Municipal teve lugar no Auditório do Sabugal na noite de 28 de Dezembro. Os trabalhos (e as intervenções) foram dominados pela ligação à A23, as votações das Grandes Opções do Plano e do Orçamento para 2011 e os ataques ao vereador Joaquim Ricardo pelo pecado de ter chegado a um acordo com a presidência social-democrata permitindo uma maioria e a governação estável e empreendedora do executivo sabugalense.

Câmara Municipal Sabugal

A Assembleia Municipal do Sabugal é constituída, de acordo com a lei, pelos presidentes das 40 Juntas de Freguesia do concelho do Sabugal e pelos 41 deputados eleitos por sufrágio universal nas autárquicas.
Durante o ano de 2010 foram realizadas cinco assembleias municipais ordinárias e foi marcada uma extraordinária (29 de Outubro) que não chegou a efectivar-se por falta de quórum. A última reunião, marcada para 28 de Dezembro era aguardada com bastante interesse até porque a ordem de trabalhos registava assuntos relevantes como, por exemplo, a votação do Orçamento para 2011 e as Grandes Opções do Plano.
A sessão com início às 20.15 horas ocupou praticamente todo o período «antes da ordem do dia» com a suspensão das obras de ligação à A23. O assunto sintetiza-se em poucas palavras. O executivo defende, estrategicamente, que a ligação é fundamental para o desenvolvimento do concelho mas deve ser suportada financeiramente com os dinheiros do Ministério das Obras Públicas. A decisão é correcta e só peca por tardia porque a fórmula imaginada pelo anterior presidente, Manuel Rito, com recurso aos militares do Regimento de Engenharia e com a execução de pequenos troços que no final ficavam ligados entre si apenas era compreendida pelo seu autor. Tal como escrevi no Capeia Arraiana no dia 27 de Junho de 2010 (Aqui.) era tempo de parar com um processo que apenas serviu para delapidar a tesouraria do município sabugalense. Na memória dos presentes ficam as defesas de honra de quem se sentia ultrajado sem ninguém o ter atacado na sua dignidade mas apenas e tão somente nas suas decisões políticas.
A Ordem do Dia «obrigou» a votações importantíssimas. O «Orçamento para 2011» foi aprovado por maioria com 17 votos contra e seis abstenções. As «Grandes Opções do Plano» foram aprovadas por maioria com 18 votos contra e cinco abstenções. O «Regulamento para Cargos de Direcção Intermédia de 3.º e 4.º grau» foi aprovado por maioria com a abstenção de Ramiro Matos (presidente da Assembleia Municipal), Manuel Rito (ex-presidente da Câmara) e António Moreno (presidente da Junta de Freguesia da Moita).

Das duas, uma, ou das duas, três
A actividade na «sessão ordinária» ficou marcada pelos constantes ataques de alguns deputados ao vereador Joaquim Ricardo considerando-o como «o grande responsável pela estabilidade governativa do actual executivo camarário».
Das duas, uma, ou das duas, três. Um: em democracia governa quem ganha e apenas o povo está mandatado para fazer «o ajuste de contas» nas eleições seguintes. Dois: em democracia a legitimidade política não se esgota nos dois principais partidos, PSD e PS. Três: em democracia as maiorias absolutas são, na minha opinião, o seu maior defeito. Porquê? Porque, por vezes, criam autoritarismos e despotismos prejudiciais à causa comum. Há países na Europa como, por exemplo, a Alemanha ou a Itália, governados, quase sempre, por governos de coligação.
Há, contudo, importantes reflexões que se impõem a todos os sabugalenses. A quem beneficia ter no Sabugal um executivo minoritário (três vereadores contra quatro) com evidentes dificuldades de governação? A quem beneficia ter no Sabugal um partido com a força nacional do PSD incapaz de colocar em prática o programa eleitoral com que se apresentou nas autárquicas e que mereceu os votos favoráveis dos cidadãos? A quem beneficia no Sabugal colocar em causa o acordo democrático entre o presidente eleito e o vereador eleito pelo MPT? O pecado do vereador Joaquim Ricardo foi ter chegado a acordo com o presidente António Robalo e ter permitido uma governação estável do município. Algo vai mal na democracia do meu Sabugal. Algo vai mal nos conceitos de democracia de alguns sabugalenses que confundem o combate político com interesses pessoais. É feio e fica mal.
Subscrevo as palavras do presidente António Robalo em plena Assembleia Municipal que fez a defesa, aqui sim, da honra de Joaquim Ricardo em resposta aos constantes ataques de que foi alvo o vereador que assumiu entre Julho e o início de Dezembro a presidência da empresa municipal Sabugal+. Os factos dizem (e contra factos não há argumentos) que desde o dia da votação e nomeação para o cargo na Sabugal+, Joaquim Ricardo, deixou a sua manutenção no cargo dependente dos pareceres que foram na altura solicitados às entidades competentes. No dia em que estes foram conhecidos e apontavam para uma ilegalidade processual por dúvidas na votação em causa própria Joaquim Ricardo demitiu-se imediatamente do cargo. Percebe-se que para a oposição, ou melhor, para os seus opositores seria sempre um caso de «preso por ter cão e preso por não ter». Infelizmente para casos idênticos virtudes diferentes.
Os deputados (ou membros) eleitos nas listas do MPT, António Gata e Francisco Bárrios, decidiram constituir um grupo independente demarcando-se dos restantes eleitos pelo Partido da Terra. Em bom rigor todos os candidatos nas listas do MPT eram independentes porque suponho que nenhum era filiado no partido. O MPT serviu, no concelho do Sabugal, para agilizar um processo democrático que privilegia os partidos constituídos que se apresentem a eleições mas sempre vi este movimento encabeçado por Joaquim Ricardo como um grupo de cidadãos que, por diversos motivos (insatisfação com as principais forças políticas, insatisfação com os políticos locais ou reconhecimento das capacidades do candidato) se juntaram para concorrerem às eleições autárquicas. Considero, contudo, que a lei eleitoral tem pormenores «perigosos». Se em todos os grupos políticos das assembleias municipais mais de metade dos seus eleitos entendessem passar a independentes estes passariam a «governar» a assembleia municipal e as grandes decisões do executivo camarário. Interessante mas perverso.
Aqui chegados gostaria de dissecar aquilo que considero uma «ilegalidade» democrática. Vamos por exemplos concretos. Nos sufrágios universais (com voto secreto) os candidatos podem votar em si mesmos seja para presidente da República seja para qualquer outro cargo. Numa autarquia onde as forças partidárias no executivo se dividam em quatro contra três (num total de sete eleitos) mesmo que a força partidária vencedora entenda colocar o presidente, vice-presidente, e um dos vereadores no conselho de administração de uma empresa municipal esse acto poderá ser, sempre, inviabilizado pela oposição minoritária porque os três elementos indicados não podem votar. E para concluir podemos sempre acrescentar que a votação e respectiva eleição para a Sabugal+, com ausência do voto do vereador Joaquim Ricardo já seria possível num cenário de três contra três e voto de qualidade do presidente. Pormaiores que reduzem a nada quem clama pormenores esquecendo que o papel dos políticos é apresentar caminhos e soluções deixando os enredos guionistas para os produtores de ficção.
Pessoalmente assumo e defendo que as empresas municipais são fundamentais nos serviços sociais que prestam e agilizam muitos dos processos que são burocratizáveis nas Câmaras Municipais. As administrações das empresas municipais devem ser constituídas por gestores especializados e pragmáticos que estejam sempre disponíveis para dar o seu melhor inovando em cada época, em cada temporada, em cada mês, em cada dia, trabalhando com muita cumplicidade com todos os funcionários. Mas, acima de tudo, uma empresa municipal tem de ser vista como mais uma divisão da estrutura da própria Câmara Municipal liderada pelo presidente do partido mais votado nas eleições.

Memórias que marcam a História
A cada momento da História está tudo por fazer. Alguns – os aprendizes e os saudosistas – perdem-se nos ataques personalizados e nas lamentações caliméricas pelo regresso de outros tempos sem apresentarem soluções práticas. Outros – pragmáticos e empreendedores – arregaçam as mangas e empenham-se com competência profissional na gratificante tarefa de realizar obras que transformem realmente o futuro do concelho. É destes que fica a memória. É destes que fica a marca.
Adaptando Almada Negreiros não resisto a afirmar que o Sabugal é um concelho que reúne alguns defeitos e muitas qualidades.
Todos temos direito à nossa cidadania. Sempre entendi dar ao meu concelho, dos meus pais e dos meus antepassados, o meu melhor pela sua promoção e valorização. E o meu melhor sempre se apoiou nas minhas competências profissionais. E o meu melhor sempre se apoiou nas minhas convicções pessoais e políticas. Assim continuarei!
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

jcglages@gmail.com

À Fala Com... - © Capeia Arraiana

À fala com… Natália Correia Guedes (1)

O Museu do Oriente comemorou este sábado, 9 de Maio, o primeiro aniversário. O Capeia Arraiana esteve à fala com a sua directora, Natália Correia Guedes, doutorada em Museologia e com fortes ligações ao concelho do Sabugal onde passa com a família «os tempos livres possíveis» na sua quinta recuperada, junto ao rio Côa, em Vale das Éguas.

À Fala Com... - © Capeia Arraiana

À fala com… Natália Correia Guedes (2)

Esta segunda parte da conversa com a directora do Museu do Oriente, Natália Correia Guedes, aborda a riqueza do património do Sabugal, o Grupo dos Amigos do Museu do Oriente e a Ordem Hospitaleira de São João de Deus cuja história se mistura com a das terras da raia ribacudana.

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

O incontornável forcão da Capeia Arraiana

O Capeia Arraiana é Opinião Pública provocada pela edição informativa dos pensamentos de quem escolhe este espaço para dar espaço ao seu pensamento. O tema do momento anda à volta da realização de uma Capeia Arraiana nos Açores por ocasião das festas Sanjoaninas onde o religioso anda de mãos dadas, perdão, de cordas dadas com as célebres largadas das vacas. E só há duas hipóteses: os que estão a favor e os que estão contra. Os indecisos não contam para esta discussão. Após a discussão importa ficarmos todos do mesmo lado, ou seja, a agarrar ao forcão.

O Presidente Manuel Rito Alves

«A memória do povo é curta», diz o ditado… se «a História for incorrectamente escrita» acrescentamos nós. O que está em causa a uma distância de cerca de 480 dias (!?) não são, não podem ser, os candidatos a candidatos mas julgar e ajuizar o que foi e vai ser feito durante este mandato autárquico. E, claro, dar voz aos vereadores da Oposição para perceber aquilo que não foi ou foi mal feito. Mas… há uma personalidade incontornável quando tivermos que escrever a história da primeira década do século XXI do nosso concelho: Manuel Rito Alves, presidente da Câmara Municipal do Sabugal.

Manuel Rito AlvesO concelho do Sabugal entrou numa espiral de faz-de-conta. Num território com uma área (826 km2) maior que a ilha da Madeira (740 km2), com 40 freguesias e cerca de 100 aglomerados populacionais, contabilizando quintas e anexas, já tudo deixou de fazer sentido.
Deixaram de ser importante as obras da Câmara Municipal, deixaram de ser importantes as obras das Juntas de Freguesia, deixou de ser importante o mais importante. Ainda falta cerca de um ano e quatro meses – será que disse bem? – sim, mais coisa menos coisa faltam cerca de 16 meses ou se preferir 480 dias com muita água a correr por debaixo das pontes da Côa.
E qual é a preocupação dos sabugalenses? De todos? De alguns? A resposta que é em si mesma uma questão é evidente. Quem vão ser os candidatos à Câmara Municipal do Sabugal?
E já agora, pergunto eu porque é igualmente importante. Quem vão ser os candidatos às Juntas de Freguesia? Aqueles que, pela sua proximidade, defendem mais de perto os verdadeiros interesses das envelhecidas populações do nosso concelho? E por falar de população envelhecida. Seria muito interessante saber quem se quer candidatar à Direcção das IPSS (lares de idosos) do nosso concelho. Ou se calhar não…
Quem é o candidato à Câmara Municipal de Lisboa? Não sabemos. E do Porto? Ainda não está assumido. E das outras grandes metrópoles? «O corno do homem? Logo se bê!» como gostava de dizer o Manuel Falcão quando na minha meninice – nos anos 80 do século passado –, me dava boleia até ao Sabugal na sua velha camioneta depois de carregarmos cimento e ferro em Alverca. Aproveito para destacar com muita amizade a Dona Isabel Cerdeira e o carismático sabugalense Manuel Falcão que muito têm contribuído para o desenvolvimento do nosso concelho.
Falta fazer obra no concelho. Falta acabar obra. As eleições «julgam» o que se fez e o que ficou por fazer. A seu tempo teremos que avaliar grandes obras deste mandato. A recuperação das Termas do Cró, a ligação à A23 e… o arriscado desafio do Centro Transfronteiriço de Negócios do Soito que vai ficar concluído durante o presente mês de Junho, cerca de três meses antes da data prevista graças ao grande profissionalismo e competência da equipa de construção civil liderada pelo empresário Manuel Augusto.
Mas será importante dar voz aos vereadores da Oposição para todos percebermos aquilo que não foi ou foi mal feito.
Assumo hoje publicamente, pela primeira vez, a minha admiração pela personalidade e carácter de Manuel Rito Alves, presidente da Câmara Municipal do Sabugal.
O homem de quem, alguns, já não querem falar. A memória dos homens é curta, todos o sabemos, mas a História do concelho do Sabugal vai passar a incluir obrigatoriamente mais um nome: Manuel Rito Alves. Pelo muito que tem feito pelo concelho e pela sua capacidade aglutinadora de consensos.
Constatei, ao vivo, o à-vontade com que lida com as populações. É reconhecido em todo o lado («nada de especial» dirão alguns) e reconhece pelo nome a grande parte daqueles que se lhe dirigem («nada de especial» dirão outros).
Surpreende quem o acompanha porque sabe e reconhece (sem papéis) em cada freguesia os investimentos da «sua» Câmara, os valores, os objectivos e as obrigações a que se comprometeram os que tomaram posse das obras. Aqui deixo uma «pergunta difícil»: Quantos habitantes tem a Retorta? A resposta foi-me dada, recentemente, por Manuel Rito à vista desse pequeno presépio encrustado na encosta do vale entre Penalobo e Quarta-Feira.
Vive um mandato com dificuldades pessoais mas quando questionado na ruas das nossas aldeias respondeu, invariavelmente, com um sorriso no rosto: «Nem vale a pena falar disso!»
Não me cabe a mim neste momento, enquanto jornalista e em respeito pela minhas fontes, dizer se ele é novamente candidato. Mas cabe-me a mim enquanto repórter e opinador assumir publicamente o imenso carisma desta personalidade sabugalense.
Muito fica por dizer. Talvez numa próxima oportunidade. Mas aqui fica, PUBLICAMENTE, a minha grande admiração pelo sabugalense, pelo político e pelo empreendedor Manuel Rito Alves.
Se a minha independência fica beliscada? Só na boca daqueles que nunca souberam assumir frontalmente o que pensam. Estou e ficarei de consciência tranquila.
Termino com uma frase do presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Manuel Rito Alves, na cerimónia de apresentação do livro «Celestina»:
«Só somos dignos do nosso futuro se soubermos respeitar o nosso passado!».
Obrigado Senhor Presidente.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

jcglages@gmail.com