Tag Archives: joaquim tenreira martins

Literatura - Capeia Arraiana (orelha)

Rostos da Emigração – Apresentação no Consulado de Paris

O Capeia Arraiana publica um artigo de Carlos Pereira, jornalista e Director do LusoJornal de Paris, que foi um dos apresentadores dos livros do autor sabugalense, Joaquim Tenreira Martins, no passado dia 22 de Março, no Consulado Geral de Portugal em Paris.

Apresentação do livro de Joaquim Tenreira Martins no Consulado de Portugal em Paris- Capeia Arraiana

O Cônsul Geral Adjunto João de Melo Alvim fez as honras da casa

Literatura - Capeia Arraiana (orelha)

«Rostos da Emigração» apresentados em Paris

O sabugalense Joaquim Tenreira Martins vai apresentar os seus livros «Rostos da Emigração» e «Visages de L’Emigration Portugaise» no dia 22 de Março, às 18:30 horas no Consulado Geral de Portugal, em Paris.

Apresentação do livro «Rostos da Emigração», em Paris, no Consulado Geral de Portugal - Capeia Arraiana

Apresentação dos livros de Joaquim Tenreira Martins em Paris no Consulado Geral de Portugal

Confraria Bucho Raiano - Capeia Arraiana (orelha)

Tenreira Martins profere oração de sapiência

A habitual oração de sapiência que integra a cerimónia protocolar do Capítulo da Confraria do Bucho Raiano, será este ano proferida pelo confrade Joaquim Tenreira Martins, que abordará o tema «À mesa, na diáspora, com o Bucho Raiano».

Joaquim Tenreira Martins

Joaquim Tenreira Martins - Orelha - Pedaços de Fronteira - Capeia Arraiana

Conto de Natal – A epopeia da emigração portuguesa

Um verdadeiro Conto de Natal – A epopeia da emigração portuguesa. Era uma vez um país à beira do mar plantado onde vivia um povo trabalhador, bondoso e inteligente. Havia uns que eram detentores de uma grande riqueza, mas a maioria das pessoas eram pobres e com famílias numerosas.

Natividade de Georges La Tour - Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

Natividade de Georges La Tour

António Jorge Cristóvão - Capeia Arraiana

A minha pintura e o teu livro

Ser convidado para fazer um conjunto de exposições em Bruxelas, foi um desafio muito interessante. Sair de Cascais, de carro, com os meus quadros, foi como uma lufada de ar fresco, a lembrar a viagem do ano anterior onde expus em Nova York, na galeria de um amigo. A arte precisa de se abrir ao mundo e eu, com a minha pintura, não sou exceção. Esta abertura acaba por me dar uma apetência para fazer a minha migração para outras terras.

Rostos da Emigração, de Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

Rostos da Emigração de Joaquim Tenreira Martins

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

Tenreira Martins apresenta livro

O livro «Rostos da Emigração», de Joaquim Tenreira Martins, vai ser apresentado em Lisboa e no Porto, nos dias 11 e 12 de Maio.

23042017_2

Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

O bucho raiano em Bruxelas

Não vão dizer que se comeu Bucho Raiano em Bruxelas em plena quaresma. Mesmo se esta cidade foi sempre uma terra acolhedora de dissidentes políticos e religiosos de outros países, convém não espalhar a notícia que pode sempre ferir susceptibilidades menos bem formadas.

Os confrades Joaquim Pinto da Silva e Joaquim Tenreira Martins prontos a degustar o bucho

Os confrades Joaquim Pinto da Silva e Joaquim Tenreira Martins prontos a degustar o bucho

Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

Diálogo tonto com o bucho raiano (1)

O senhor bucho teria batido, há dias, à minha porta. Ele disse que bateu, mas eu não ouvi. Digamos, o senhor bucho entrou sorrateiro no meu gabinete sem me pedir autorização nem previamente ter batido à porta. Claro, sentou-se logo na minha frente, ao ver a cadeira vazia. Já lhe estava a apontar duas faltas de educação: uma por não ter batido à porta e outra por se ter sentado sem pedir licença. Não foi assim que eu fui educado, mas adiante…

Bucho raiano

Bucho raiano

Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

Ao Padre Belmiro – uma amizade, um testemunho

Há pessoas que não podemos deixar partir sem dizer aquilo que nos vai na alma. Uma delas é o Padre Belmiro Narino de Campos que teve essencialmente duas vidas: uma de professor nos mais diversos lugares de Portugal e outra de pastor religioso junto da comunidade portuguesa do Luxemburgo.

Padre Belmiro Narino Campos - Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

Padre Belmiro Narino de Campos

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

Apresentação de livro sobre a Emigração

O livro «Visages de l’Émigration Portugaise», da autoria do valdespinhense Joaquim Tenreira Martins, vai ser apresentado no Salão Nobre dos Paços do Concelho do Sabugal, no dia 12 de Agosto, pelas 16h30.

Visages de l'emigration portugaise - Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

Capa do livro «Visages de l’emigration portugaise» de Joaquim Tenreira Martins

Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

Emigração – a pátria do nosso exílio

Da Babilônia até Sião é um êxodo de muitos anos, a galgar montes, desertos e a passar fome e sede. São muitas cicatrizes no rosto, são muitas lágrimas contidas. São muitos Julhos e Agostos a passar a fronteira. Deixámos para trás amigos, família, e interrogamo-nos sobre o valor da grande decisão de um dia ter partido.

Judeu Errante - Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

O Judeu Errante de Marc Chagall

Impressões e Notas de Leitura

Depois de ter visto a emissão da RTP – «A Hora dos Portugueses» – do passado dia 5 de Junho, levada a cabo pelo jornalista Carlos Pereira, na qual era entrevistado o autor Joaquim Tenreira Martins, a propósito da publicação, em Paris, do seu mais recente livro – «Visages de l’Émigration portugaise» –, não resisti à tentação de o ler. E devo dizer que a sua leitura foi, para mim, uma experiência muito enriquecedora e um verdadeiro prazer. Aqui seguem algumas impressões.

Visages de l'emigration portugaise - Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

Capa do livro «Visages de l’emigration portugaise» de Joaquim Tenreira Martins

Joaquim Tenreira Martins - Opinião - Capeia Arraiana

O meu livro e a tua pintura

Começarei por prestar homenagem ao meu amigo Alcínio Fernandes Vicente que há alguns meses abordei com uma certa timidez, pedindo-lhe para me ceder a sua bonita pintura que designou Êxodo, e que encontrara nos arquivos do bloque Capeia Arraiana, onde, regularmente escrevemos.

O novo livro de Joaquim Tenreira Martins

O novo livro de Joaquim Tenreira Martins

Joaquim Tenreira Martins - Opinião - Capeia Arraiana

O grande Amadeo de Sousa Cardoso

Fiquei deveras orgulhoso ao visitar a exposição de nosso compatriota, o pintor Amadeo de Sousa Cardoso, em Paris, no Grand Palais, patente ao público até ao próximo dia 18 de Julho. Tinha já visto as exposições deste pintor na Europália de Portugal em Bruxelas, em 1991, e na Gulbenkian, em 2006, mas foi nesta que percebi a grandeza e a profundidade deste artista. Senti-me mais português ao ver um dos nossos, agora reconhecido no Grand Palais, no mesmo espaço onde ainda há pouco tempo tinham sido expostos nomes que dispensam apresentações, como Velasquez, Picasso e E. Hopper…

Amadeo Sousa Cardoso - Capeia Arraiana

Procissão do Corpus Christi – Amadeo Sousa Cardoso

Joaquim Tenreira Martins - Opinião - Capeia Arraiana

De Bruxelas, com todas as emoções

Depois dos últimos atentados de Paris, no mês de Novembro, era de esperar a vez de Bruxelas, capital das instituições europeias. E quando a violência e a morte rodam à nossa volta, é difícil encontrar as palavras para exprimir as nossas emoções.

A tragédia parece ter-se instalado no quotidiano das nossas vidas

A tragédia parece ter-se instalado no quotidiano das nossas vidas

Obituário - © Capeia Arraiana

Faleceu Cândida Tenreira Nicolau

Faleceu, com a idade de 102 anos, Cândida Tenreira Rosinha Nicolau, natural de Vale de Espinho, mãe do nosso colaborador Joaquim Tenreira Martins.

Cândida Tenreira Rosinha Nicolau

Cândida Tenreira Rosinha Nicolau

Joaquim Tenreira Martins - Opinião - Capeia Arraiana

À procura das palavras

Para mim o mais importante na vida são as palavras. Os humanos distinguem-se dos outros animais pelo uso da palavra. É por isso que escrevo. E escrevo para não me esquecer das palavras, pois a maior angústia de todos nós é a de um dia perder completamente o seu uso. Impressionou-me saber que o grande escritor latino-americano, Gabriel Garcia Marques, depois de ter escrito, pronunciado e inventado tantas palavras com as suas magníficas histórias, tenha perdido a memória das palavras.

São as palavras que nos dão as emoções

São as palavras que nos dão as emoções

Joaquim Tenreira Martins - Opinião - Capeia Arraiana

O Sabugal encontrou a diáspora em Paris

Sabugal está a fazer um grande esforço para sair do estigma da interioridade e, no sábado passado, o seu Presidente, Eng° António Robalo, juntamente com os líderes das freguesias do nosso Concelho foi ao encontro dos seus munícipes que vivem e trabalham em Paris.

Pessoas do Concelho do Sabugal em Paris

Pessoas do Concelho do Sabugal em Paris

Joaquim Tenreira Martins - Opinião - Capeia Arraiana

Rembrandt e a Sinagoga Portuguesa de Amesterdão

Uma viagem a Bruxelas, sobretudo quando comporta vários dias, partilha-se sempre com uma outra à Holanda e quase necessariamente a Amsterdão, a Veneza do norte, notável pela sua beleza, mas também pela sua tolerância (que já se vai perdendo, tem de se dizer!), a acolher gente de todos os quadrantes, num ambiente de cidade multicultural.

Rembrandt - retrato de Isac e Rebeca, também designado «A Namorada Judia»

Rembrandt – retrato de Isac e Rebeca, também designado «A Namorada Judia»

Joaquim Tenreira Martins - Opinião - Capeia Arraiana

Marc Chagall, o poeta da pintura

Depois da vista à exposição sobre Marc Chagall no Musėes Royaux des Beaux Arts de Belgique, em Bruxelas, disse para comigo que, tendo já tudo sido dito sobre este grande pintor do século vinte, que mais poderia eu dizer? Não pretenderia fazer uma nota biográfica, nem uma análise da sua obra, mas simplesmente entrar em contacto com a sua sensibilidade artística e com o seu itinerário pictural e poético.

Auto-retrato de Chagall, 1911

Auto-retrato de Chagall, 1911

Joaquim Tenreira Martins - Opinião - Capeia Arraiana

A fascinação dos botões

Quando eu era criança e abria a grande gaveta dos botões que se encontravam debaixo do balcão da alfaiataria do meu pai, estava longe de pensar que o pequeno objecto redondo que designamos por BOTÃO poderia um dia interessar os artistas, a tal ponto de lhe terem dedicado uma exposição no Museu des Arts Décoratifs, em Paris.

Os botões das fardas da tropa eram símbolo de autoridade

Os botões das fardas da tropa eram símbolo de autoridade

Joaquim Tenreira Martins - Opinião - Capeia Arraiana

João Sebastião Bach, um génio musical

Há pessoas que transformaram o mundo e uma delas foi certamente João Sebastião Bach, tornando-o mais humano e melhor com a bela música que produziu ao longo da sua vida. O génio deste homem poderia ter caído nos limbos da história se não fosse o entusiasmo e a honestidade de alguns músicos, como Felix Mendelsshon, Robert Schumann e Johannes Brahms a ressuscitá-lo para dar a conhecer às gerações futuras a sua complexa diversidade nos mais diversos palcos internacionais.

João Sebastião Bach

João Sebastião Bach

Joaquim Tenreira Martins - Opinião - Capeia Arraiana

Do Sabugal a Waterloo

Este ano, a Bélgica prepara-se para festejar o bicentenário da grande batalha histórica de Waterloo, que teve lugar no dia 18 de Junho de 1815, onde o pano caiu definitivamente para Napoleão, retirando-se para sempre da cena como o herói superstar personificado nas numerosas campanhas que o imortalizaram. Em menos de quinze anos, o General Bonaparte, que galgou até ao cimo da glória com o estatuto de Imperador Napoleão I, colecionou vitórias atrás de vitórias nos campos de batalha em Itália, Egipto, Alemanha, Prússia, Polónia, Espanha e Portugal, tendo subjugado quase toda a Europa.

Batalha de Waterloo - Napoleão Bonaparte - Capeia Arraiana

Batalha de Waterloo (Bélgica) no dia 18 de Junho de 1815 marcou o fim dos Cem Dias
Foi a último confronto de Napoleão Bonaparte

Joaquim Tenreira Martins - Opinião - Capeia Arraiana

André Brink – um escritor indignado

Este artigo poderia também ter como título: o escritor branco que defendeu a causa dos negros. André Brink, que faleceu no dia seis do corrente mês, no avião que o conduzia à sua África do Sul, depois de ter sido investido com o doutoramento honoris causa, quatro dias antes, pela Universidade Católica de Lovaina, é, de facto, um grande escritor da época actual.

André Brink

André Brink

Joaquim Tenreira Martins - Opinião - Capeia Arraiana

Os ferros e os mármores de Maria Leal da Costa

A exposição da escultora Maria Leal da Costa, a decorrer na Embaixada do Brasil em Bruxelas até ao dia cinco de Fevereiro, não deixa nenhum visitante indiferente. Com esta exposição, Maria Leal da Costa pretende escrever no mármore e no aço a sua maneira de ver o mundo. É que, como ela diz, «a pedra voa, flutua, corre, fala. É como as palavras» com as quais mencionamos as coisas deste mundo e do outro.

Maria Leal da Costa - Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

António Rodrigues Fernandes - Capeia Arraiana

Joaquim Tenreira Martins – 40 anos a servir Portugal

Joaquim Tenreira Martins; mais conhecido por, «Senhor Martins da Embaixada». Um nome, um rosto, uma postura. O assistente social, diligente e interessado… O confidente, em quem se podia confiar! Eloquente e dedicado, sabia como informar, aconselhar, orientar…

Dr. Joaquim Tenreira Martins Serviço Social e Jurídico da Embaixada de Portugal na Bélgica

Dr. Joaquim Tenreira Martins
Serviço Social e Jurídico da Embaixada de Portugal na Bélgica

Joaquim Martins Tenreira © Capeia Arraiana

As duas tentações de Massena (4)

Dentro da estratégia global de Napoleão, que consistia na subalternização do império britânico, a conquista de Portugal era uma parte essencial no xadrez europeu. A sua chave passava necessariamente pela conquista de Lisboa. Massena, ao constatar a impossibilidade de tomar Lisboa, sofreu um grande choque e uma tremenda desilusão que o paralisaram, por alguns meses, às suas portas. Ao tomar a decisão de se retirar para Espanha, e antes de entrar definitivamente neste país, foi assaltado por intensos remorsos motivados pela sensação de ter tido feito uma campanha totalmente infrutífera e indigna de um guerreiro da sua estirpe.

Invasões francesas

Invasões francesas

Joaquim Martins Tenreira © Capeia Arraiana

As duas tentações de Massena (3)

Dentro da estratégia global de Napoleão, que consistia na subalternização do império britânico, a conquista de Portugal era uma parte essencial no xadrez europeu. A sua chave passava necessariamente pela conquista de Lisboa. Massena, ao constatar a impossibilidade de tomar Lisboa, sofreu um grande choque e uma tremenda desilusão que o paralisaram, por alguns meses, às suas portas. Ao tomar a decisão de se retirar para Espanha, e antes de entrar definitivamente neste país, foi assaltado por intensos remorsos motivados pela sensação de ter tido feito uma campanha totalmente infrutífera e indigna de um guerreiro da sua estirpe.

Batalha de Fuentes de Oñoro

Batalha de Fuentes de Oñoro

Joaquim Martins Tenreira © Capeia Arraiana

As duas tentações de Massena (2)

Dentro da estratégia global de Napoleão, que consistia na subalternização do império britânico, a conquista de Portugal era uma parte essencial no xadrez europeu. A sua chave passava necessariamente pela conquista de Lisboa. Massena, ao constatar a impossibilidade de tomar Lisboa, sofreu um grande choque e uma tremenda desilusão que o paralisaram, por alguns meses, às suas portas. Ao tomar a decisão de se retirar para Espanha, e antes de entrar definitivamente neste país, foi assaltado por intensos remorsos motivados pela sensação de ter tido feito uma campanha totalmente infrutífera e indigna de um guerreiro da sua estirpe.

Infantaria inglesa enfrenta as tropas napoleónicas

Infantaria inglesa enfrenta as tropas napoleónicas

Joaquim Martins Tenreira © Capeia Arraiana

Uma mãe centenária

«Uma mãe centenária» poderia ser o título do meu próximo livro. E haveria muito que dizer e lhe dizer, sobretudo a uma mãe que continua mais lúcida do que os seus filhos, netos e bisnetos. Não foi à escola, não sabe escrever, faz uns rabiscos como assinatura e aprendeu a juntar as letras com uma das suas netas aos 60 anos para ler a Imitação de Cristo.

A mãe centenária

A mãe centenária

Joaquim Martins Tenreira © Capeia Arraiana

José Carlos Callixto – um místico da paisagem

Já há muito tempo que tinha em mente escrever um artigo sobre a pessoa da nossa terra que nos merece a maior estima e consideração. Trata-se do nosso amigo José Carlos Callixto. Quando no seu último mail, que enviou aos amigos, nos confiou que ia em romagem a Vale de Espinho para festejar, no dia 19 de abril, os 40 anos de amizade com esta aldeia, não podia adiar mais a minha homenagem ao um homem que modificou completamente a nossa maneira de ver e estar nestas terras.

José Carlos Callixto - Vaie de Espinho - Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

José Carlos Callixto

Joaquim Martins Tenreira © Capeia Arraiana

O conclave e o mundo de hoje

Talvez o gesto lúcido, corajoso e moderno da resignação do papa Bento XVI possa inspirar o atual conclave para eleger um sucessor de Pedro que ponha mãos à obra na renovação da Igreja cuja crise se arrasta durante tantos anos, sobretudo nos países do mundo ocidental. A Igreja atual já não diz quase nada aos jovens. O desinteresse é crescente e nas assembleias de domingo constatam-se quase apenas pessoas de cabelos grisalhos.

Joaquim Martins Tenreira © Capeia Arraiana

A toga e o bucho raiano

Há verdadeiros valores oriundos das nossas terras que parecem diluir-se nas brumas das grandes cidades como Lisboa e Porto. Por isso, eu prefiro contactá-los nas nossas terras da beira raia. Assim, sinto-os mais próximos, mais humanos, mais amigos. E, observando melhor, até se parecem connosco. Riem-se, contam anedotas, espirram, tossem e comem como nós.

Prof. Albino Lopes - Oração Sapiência - IV Capítulo Confraria Bucho Raiano - Capeia Arraiana

Joaquim Martins Tenreira © Capeia Arraiana

Obrigado, Marcelo Caetano!

«Obrigado, Marcelo Caetano», foi uma das frases que o presidente da Associação Parcours pronunciou no discurso de despedida e de homenagem a João Fatela, em meados de dezembro, nos locais da associação que dirigiu durante um quarto de século, no centro de Paris. É que João Fatela não suportou o clima ditatorial que continuou reinante mesmo após a primavera marcelista e, em junho de 1971, exilou-se em Paris, onde teve de recomeçar uma nova vida.

Diário de uma médica em Moçambique

Dizia-me um amigo meu que as melhores histórias são as histórias de vida, as histórias contadas na primeira pessoa.

O livro que acaba de publicar a editora Verso da Kapa, de Patricia Lopes, tem por título Missão – diário de uma médica em Moçambique. É um livro enternecedor e apaixonante. Lê-se de um fôlego. Quando se começa, dificilmente se larga. Está salpicado de histórias comoventes e coloridas, eivadas de um verdadeiro ambiente africano, e estou convencido que cada um dos leitores não se importaria de ter acompanhado a Dra. Patrícia Lopes nas suas viagens de voluntariado ao norte de Moçambique, para partilhar o entusiasmo desta jovem pediatra que se empenhava de tal modo no tratamento das crianças e jovens doentes, a ponto de ter feito uma transfusão de sangue de si próprio para salvar a vida de um menino que estava condenado a morrer. Nota-se uma grande paixão pelo povo macua, tão cheio de tradições ancestrais que o protegem, mas que também o subjugam.
Na sua redoma lisboeta, sentia-se sufocada pelo ram-ram de um curso de medicina demasiado distante das pessoas doentes. Jovem e intuitiva, pressentia ser a África o melhor terreno para pôr em prática o saber acumulado dos estudos de pediatria. A medicina tropical iria estudá-la no terreno, com o seu olhar clínico sempre atento, corroborado com o saber acumulado das irmãs da congregação religiosa de S. João de Deus, em cujo convento a Dra. Patrícia se alojou durante o seu trabalho de voluntária num hospital pediátrico em Iapala.
Entre ir para a prestigiada universidade de Harvard, onde tinha sido selecionada e anuir a um apelo humanitário em África, que a atraía num desejo de servir e de curar crianças necessitadas e, ao mesmo tempo a repelia pelo seu imaginário de florestas atravancadas de animais selvagens, de insetos repelentes, de cobras venenosas, em cima dos cajueiros, e de perigos em todos os cantos, preferiu lançar-se generosa e abertamente à escuta de uma outra cultura, dar do seu melhor a um país que quase a enfeitiçou, aprendendo mais nas suas estadas de voluntariado do que em qualquer curso da melhor universidade americana.
É que o diagnóstico médico na África, e mais concretamente na civilização macua, não é apenas ciência médica, é também antropologia, semântica, sociologia, psicologia, uma autêntica abordagem multidisciplinar. E a Dra. Patrícia não iria aprender isso em Harvard. Inteligente como é, depressa percebeu que o diagnóstico não é só olho clínico, baseado no saber da medicina. É também antropologia, conhecimento das tradições. E nesta civilização têm um peso tremendo. Felizmente que lá estava a irmã Lurdes, com a experiência de largos anos em África – um autêntico livro aberto junto de quem a Dra. Patrícia tentava obter as explicações para compreender os comportamentos menos inteligíveis das pessoas que a vinham consultar. Claude Levi Strauss não saberia mais que aquela competente e boa irmã.
Com este livro, Patrícia Lopes recria um estilo literário muito intimista – o do Diário, que nos atrai e nos empolga, sem conseguirmos retirar os olhos de uma leitura apressada e viva, a fervilhar de imagens. Estamos ao lado da Patrícia, no hospital de Iapala, no norte de Moçambique, em plena savana, a muitas horas de viagem de Nampula, e não queremos sair de lá. Terminando o tratamento de um doente, temos logo vontade de acompanhá-la para partilhamos os sentimentos, as angústias em frente de outros doentes que só vêm ao hospital em último recurso.
São textos saborosos onde se ri ás gargalhadas, como aquele sobre uma jovem mamã que foi a Nampula fazer o registo de um filho recém-nascido e que não lhe aceitaram o nome. Disseram-lhe que não era um nome normal. Veio lamuriar-se às irmãs que a ouviam um pouco distraidamente. Curiosa, a Patrícia perguntou-lhe.
– Mas, afinal, qual era o nome que lhe queria dar?
– Padre Arlindo

Com esta, também nós nos escancarámos às gargalhadas com a Patrícia que, morta de riso, para não chocar a jovem mamã, deixou cair um brinco no chão para esconder a cara debaixo da mesa. Depois compreendera que o padre Arlindo tinha sido um missionário – categoria de pessoas muito importantes – que tinha ficado amigo do papá do bebé, quando trabalhava em Nampula.
Ou aquele em que descreve o calvário para reparar a prótese dentária que uma irmã tinha partido. Habituada ao desenrasque africano, a irmã acreditou que alguém lhe poderia valer, mesmo se o velho estomatologista indiano, a viver em Nampula há trinta anos, não dispunha do equipamento adequado. Por conselhos de uns e de outros, as irmãs e a Patrícia dirigiram-se em vão à garagem em frente do mercado, que dispunha de material para soldar e ao latoeiro que executava trabalhos minuciosos. Por fim, e em desespero de causa, aceitaram ir ao reparador de bicicletas e das câmaras-de-ar, ao senhor Castelo Branco, que a consertou com uma cola milagreira e a poliu de seguida com um pano de flanela mais negro que um tição ardido.
– Já está. Experimentar, irmã.
Gostava mesmo de lá estar para ver a cara da irmã que, depois de a ter limpo com a ponta dos dedos, sujeitou-se a metê-la na boca, mesmo em frente do senhor Castelo Branco. Trabalho perfeito pelas mãos de artista moçambicano que Deus dotou com tanto engenho, aprovado e elogiado pelo velho estomatologista indiano.
Neste livro, ri-se às gargalhadas, mas também se chora ao lado das mães desconsoladas que fazem quilómetros a pé com os filhos doentes embrulhados nas capulanas sobre as costas, depositando toda a esperança nesta jovem voluntária e dedicada que de vez em quando decidia interromper os estudos de pediatria, em Lisboa, para acudir à miséria infantil moçambicana.
Está de parabéns a Dra. Patrícia Lopes por este lindo livro onde se espelha a sua inteligência e dedicação pelos outros e a sua generosidade, a tal ponto de ter decidido entregar todo o produto dos direitos de autor à APARF – Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau, que tem lutado contra a erradicação da lepra – flagelo de mutilação física e sobretudo moral, pois as pessoas afetadas por esta doença são degradadas da família e da comunidade em que vivem, consideradas como autênticas párias da sociedade.
Por isso e por tudo o mais, vale a pena ler e comprar o livro da Patrícia Lopes: Missão – diário de uma médica em Moçambique.
Joaquim Tenreira Martins

Joaquim Tenreira Martins - Opinião - Capeia Arraiana

Requiem para o Dr. Henrique Varandas

Se houve pessoas que marcaram gerações no distrito da Guarda, uma delas foi sem duvida o Professor Henrique Varandas. Desde muito cedo, mostrou inclinação para as matemáticas, influenciado talvez pelo seu tio José Maria que, em Vale de Espinho, era um sábio conhecedor dos meandros da argúcia que não temia os indecifráveis e áridos problemas ou as sofisticadas adivinhas em que por vezes tropeçavam lentes e doutores que passavam pela sua oficina de sapateiro.

O «Cancioneiro da Raia Morena», de João Valente

João Valente vai prendar-nos com um excelente livro de poesias intitulado Cancioneiro da Raia Morena, a ser apresentado no próximo dia 17 de Fevereiro, pelas 18 horas, no Restaurante O Robalo, Sabugal.

A águia da bonita foto da capa do livro, da autoria do Kim Tomé, com a diáfana luminosidade das seis horas da manhã, num dia de primavera, nas alturas da Serra da Malcata, vagueia ao sabor da suave brisa, tal como o João Valente deambula de terra em terra, na sua escrita e imaginação, à cata da sua raia morena.
Apesar de exercer há alguns anos a adovacia em Leiria, o autor tem as suas raízes na raia, em terras de Riba Côa, concelho de Sabugal .
João Valente, ao longo deste livro, não se cansa de as percorrer e recordar, a ponto de eu desejar ter como cicerone não qualquer outro guia turístico para as visitar, mas o João Valente em pessoa. Porém, na falta deste jovem poeta, vou levar comigo o Cancioneiro da Raia Morena do nosso amigo João Valente, quando pretender deambular também pelas sendas da raia beirã. E digo nosso porque os poetas fazem parte de nós próprios. São como os entes queridos que vivem em nossa casa. Diria que são os nossos netos, a ternura, o olhar virgem e puro de uma criança. Manifestam os nossos sentimentos, reavivam-nos a memória, sacodem-nos para novos desafios. Os poetas não nos deixam tranquilos.
A emoção que já sentia ao ver os horizontes coloridos, cheios de matizes nas tardes de verão, é agora reforçada com a leitura do Cancioneiro da Raia Morena que farei antes de adormecer. Será um bálsamo tranquilo que me apaziguará, qual santo remédio para as minhas insónias de velho caminheiro nas terras beirãs. As suas poesias emprestam-me um olhar novo para quebrar a rotina que já não me deixa ver as pedras, os carvalhos, os castanheiros, os álamos, as montanhas, os rios e riachos, porque a paisagem que os meus olhos vêm está coberta por camadas de poeira acumulada ao longo dos anos, a observar sempre as mesmas coisas.
A incursão em terras de Riba-Côa do Cancioneiro da Raia Morena de João Valente não é uma conquista guerreira de um El-Rei de há 800 anos. É um rosário de lembranças e de apelos, de afectos e de emoções, de maravilhas e deslumbramentos, de alertas e desesperos, de diversões e avisos, de saudades e canções.
Com o João Valente também me sinto campestre e bucólico, a vaguear por Badamalos, Ruvina, Cerdeira ou Vilar Maior, a perguntar pelo Zé Romão, a Maria Monteiro e o Alexandra Badana. É com ele que quero ir para ver se ainda vejo os namoricos na fonte, ou o desabrochar dos primeiros amores, sob o sol ardente, debaixo dos salgueiros que bordam o rio Côa, com os juncos a servirem de cama, ou o sentir do sangue a fervilhar por uma alma gémia.
Já me disseste que não podias esticar o tempo entre os tribunais e o imperativo da inspiração poética. Deixa-te de ilusões! Visitar a raia beirã é em si mesmo uma autêntica poesia, um verdadeiro cancioneiro. Com o teu livro deste um tom mais colorido a esta raia que parecia ficar um pouco esbatida pelo gasto dos anos e o abandono das gentes. Reavivaste os ânimos com esta linda obra poética. Sendo assim, não me admira que com a tua nobre e cadenciada poesia deste cancioneiro, a raia tivesse ficado ainda mais bela e, evidentemente, morena.
Joaquim Tenreira Martins

Os Náufragos de Auckland

Pessoa amiga colocou-me entre as mãos um excelente livro de aventuras de meados do século dezanove e que eu não descobriria certamente por mim próprio – «Les Naufragés de Auckland», de François Edouard Raynal*.

A leitura deste livro reportou-me aos meus bons tempos de jovem escuteiro, irmanado num ambiente de constante contacto com a natureza, onde tinha que se fazer apelo ao manancial de astúcias para viver um ideal fora da civilização e resistir ao conforto material envolvente.
Sem querer denegrir a imaginação inesgotável de Jules Verne, consta-se que este mesmo autor se teria inspirado neste livro para escrever a Ilha Misteriosa que data de 1875, isto é cinco anos depois.
O autor conta-nos uma robinsanada que durou vinte meses nas inóspitas ilhas de Auckland, ao sul da Nova Zelândia, no seguimento do naufrágio do navio Grafton, na noite de dia 3 de Janeiro de 1864. Cinco homens, todos de nacionalidades diferentes, e entre os quais se encontrava um português, originário dos Açores, tinham partido na Austrália (Sidney) à procura de minas de ouro na ilha de Campbell. De regresso, após missão infrutuosa, o navio encalhou e ficou destruído num fiorde das ilhas de Auckland, fustigado pelos ventos ciclópicos e pelo rigor do tempo austral.
Nestas pequenas ilhas, perto da Antártida, longe da estrada marítima que liga a Austrália à Europa através do Cabo Horn, a primeira questão, brutalmente elementar, que se coloca a estes homens, quase todos com menos de trinta anos, é como sobreviver? Se através da caça de focas e lobos marinhos poderiam assegurar razoavelmente o sustento quotidiano, outra questão se colocaria dentro em breve: como escapar a esta horrível prisão natural?
Num estado de completa miséria, será a confiança e o aproveitamento das qualidades de uns e dos outros que os irão salvar, ao formarem entre si uma pequena mas verdadeira comunidade.
O autor do livro, François Reynal, impõe-se pouco a pouco como o líder do grupo, não só pelas suas qualidades humanas, mas também pelos seus conhecimentos que adquiriu ao longo da vida.
Sem fósforos nem isqueiros, tiveram de proceder como os primitivos à difícil criação do lume e, quais vestais da antiga Roma, tinham de vigiar de dia e de noite para o não deixarem apagar.
A sua primeira realização foi ter conseguido convencer o grupo a construir uma ampla cabana de madeira de pinhos austrais, todos encarquilhados, mas solidamente amarrada ao chão para afrontar as horrendas tempestades que sopravam frequentemente da Antártida. A construção de uma sólida chaminé no interior da cabana só foi possível devido aos conhecimentos de química do autor do livro, François Reynal, que conseguiu fazer cimento, misturando a cal, obtida através da queima de conchas com areia fina que encontrava à beira do mar. A necessidade e a engenhosidade também o levaram a fabricar sabão para não perderem a auto-estima e respeito pelas suas próprias imagens. A água obtida da filtragem das cinzas de ervas marinhas e conchas era uma mistura de soda, potássio e cal, que misturada com a gordura de foca obtinha um razoável sabão bem apreciado pelos prisioneiros da ilhas de Auckland. As peles de lobos e de focas tiveram de substituir as roupas apodrecidas que lhes caiam aos bocados. Também aqui François Reynal foi inventivo ao testar o tanino de certas árvores que lhe serviu para fabricar roupas, cobertores e até sapatos com pele de focas. Um exemplar de sapatos encontra-se na Biblioteca do Estado de Vitória, em Melburno. Até cerveja com uma elevada taxa de álcool conseguiu fazer, mas cedo percebeu que não era esta a bebida indicada para pessoas desesperadas e angustiadas ao extremo. O álcool era mau companheiro e vinha perturbar o ambiente de chumbo em que pareciam estar condenados. Decidiram também queimar um baralho de cartas porque em vez de se distraírem com o jogo, perder ou ganhar era levado muito a sério, o que provocava constantes rixas entre eles.
A este grupo de homens não lhe restava outra esperança senão colocarem-se nas mãos de Deus que imploravam todas as noites, através da leitura da Bíblia que conseguiram salvar do navio Grafton.
Depois de tantas noites de desespero, o habilidoso Reynal propôs uma solução de salvação aos seus colegas: ampliar o pequeno bote de salvação recuperado aquando do naufrágio. Foi um trabalho de vários meses. Aqui a imaginação foi rainha. Reynal concebeu uma forja com um fole de peles de focas, fabricou uma bigorna para poder bater o ferro com o metal que recuperaram do Grafton, e os companheiros faziam carvão de noite e de dia. Foi necessário fazer centenas de pregos, barras de metal, machados, serras e um sem número de instrumentos para colocar a parte nova ao bote existente.
Depois do barco construído, só havia lotação para três. Os outros dois ficariam à espera de serem socorridos. Movidos a velas e a remos, a muito custo conseguiram chegar ao sul da Nova Zelândia onde foram acolhidos quase como heróis. Trataram logo de resgatar os dois companheiros que tinham ficado na ilha.
O português, que o autor designa como sendo Henry Forgès, (certamente que o seu nome teria sido adaptado) desempenhou um papel muito importante para levantar o moral deste grupo. Embarcou como cozinheiro e nesta ilha de homens desesperados assumiu a sua profissão até ao fim. Enquanto os outros iam à procura de lenha, de ervas, de crustáceos ou até de navios que poderiam avistar, o português ficava sempre à volta do lume, tentando variar a ementa de foca com carne e de carne com foca. Foi um elemento essencial no sustento quotidiano destes homens. Conseguiu fazer maravilhas na cozinha não consentindo que este grupo morresse de fome.
Henry Forgès saiu dos Açores aos 13 anos de idade, tendo trabalhado como grumete num baleeiro americano durante vários anos. Mas quando caiu doente, uma doença que lhe deformava o corpo, talvez uma espécie de lepra, os companheiros de trabalho maltrataram-no e repudiaram-no, horrorizados com o seu aspecto. Pediu então ao capitão do navio para deixá-lo numa das ilhas da Polinésia onde viveu com os nativos que praticavam ainda a antropofagia. Cansado desta vida, conseguiu embarcar num navio que por ali atracou e no qual serviu como ajudante de cozinha. Algum tempo depois, fixou-se em Sidney onde foi contratado para esta malograda expedição.

* Éditions de la Table Ronde, Paris, 2011. Este livro foi publicado pela primeira vez em 1870.
«Leituras», crónica literária de Joaquim Tenreira Martins

Um livro sobre a aldeia de Vale de Espinho

As aldeias do interior de Portugal, agora desertas, são objecto de uma intensa actividade literária.

Pessoas que as deixaram a aldeia há trinta ou quarenta anos, no fervilhar de uma intensa actividade, onde todos se debatiam na busca de melhores condições, procurando caminhos que se iam abrindo quer pela deslocação para as cidades do litoral, quer para terras estrangeiras, não as esqueceram. As ruas, as pessoas, os horizontes, até as pedras da calçada continuam presentes na nossa memória e acompanham-nos toda a nossa vida.
Alguns não conseguem calar mais este apelo da aldeia onde nasceram. E com um misto de memória, fantasia, imaginação conseguem recriar-nos um universo que é uma delícia para os mais velhos que também o viveram, mas ainda para os mais novos a quem os pais talvez ainda não tenham conseguido transmitir este ambiente, quer por falta de tempo, talvez de habilidade e, quem sabe, por ausência de memória.
Foi certamente esta a tarefa que se propôs o nosso amigo e conterrâneo Dr. Manuel Martins Fernandes, com o seu livro Memórias de Infância – Raízes do coração.
É um bonito livro. Lê-se com agrado. Percorre as ruas, os caminhos, os fontanários da aldeia. Lembra-nos pessoas, umas reais, outras fictícias. Mostra-nos hábitos, tradições… Uma aldeia assim volta a viver. Uma aldeia assim torna-se célebre porque o que está descrito já não morre. Perdura nos nossos corações. Cria raízes e daí o subtítulo bem apropriado: raízes do coração.
Na capa lá está a fotografia da casa dos pais onde Manuel Fernandes viveu a infância. Embora um pouco esfumada pelo tempo que já se encarregou de a substituir, ela continua sempre na memória do autor e na dos conterrâneos que também a conheceram. Foi lá que nasceu, que deu os primeiros passos, que recebeu todo o carinho da mãe e do pai e que cresceu juntamente com os outros irmãos.
Um escritor meu amigo do Porto disse-me um dia que todos nós temos que escrever as nossas memórias. O Manuel Fernandes já cumpriu o seu dever. Eu diria o seu prazer. Pois é sempre um prazer recordar a infância. Este é um tema universal que une todo o ser humano. Todos nós tivemos uma infância. E a infância é a ternura, a emoção, a pureza, um estado de graça onde todos gostaríamos de permanecer. É por isso que nos enternecemos tanto ao parar diante de uma criança.
Manuel Fernandes viveu a sua vida adulta no Porto onde é psicólogo clínico. Ocupou-se sempre da saúde dos adultos. Agora pretende dar saúde à nossa aldeia. Oxalá que com este livro lhe dê mais saúde, mais vida e, deste modo, a faça reviver.
Joaquim Tenreira Martins

Invasões Francesas - Paulo Leitão Batista - © Capeia Arraiana

«O Sabugal e as Invasões Francesas» em Bruxelas

O Sabugal e as Invasões Francesas anda agora de terra em terra. Depois de ter estado no Auditório Municipal do Sabugal, a quando das comemorações da Batalha do Sabugal, no dia 2 de Abril, passou pela Casa do Concelho do Sabugal, em Lisboa, no dia 19 Maio, onde estiveram os três autores e, no dia 31 de Maio, foi apresentado na Livraria Orfeu, em Bruxelas.