Tag Archives: infância

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Ciclo do tempo

Existiu, sim, o meu reino encantado. E não se tratou, apenas, de um qualquer conto de fadas porque o meu reino foi muito mais que isso. Chega-me, agora, sob forma de lembrança fazendo-me recordar a infância, avivando-me saudades. Guardo esse memorial como se de um pequeno tesouro se tratasse.

Jogos do meu tempo cairam em desuso - Fernando Capelo - Capeia Arraiana

Caíram em desuso os jogos do meu tempo

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Casteleiro – Reviver a minha infância: coisa bonita

Esta semana reli e gostei de recordar algo que escrevi há cinco anos. Estas notas recordatórias referem-se a tempos passados que me parecem ser ontem, tal a vivacidade com que eles estão cravados na minha memória…

A geração anterior à minha está toda no Lar de São Salvador…

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Casteleiro – Histórias da minha infância II

Meus caros, não sei se nas vossas aldeias as histórias se repetiam também e dominavam a vida dos miúdos. Para mim, era assim. Ainda hoje esse universo de histórias me domina. Naqueles dias dos anos 50, essas histórias eram o meu mundo para lá do mundo real. E gosto muito de as recordar…

Aldeia aconchegada pela Serra d'Opa

Aldeia aconchegada pela Serra d’Opa

Guarda debate maus tratos na infância

No dia 19 de Abril (quinta-feira), a partir das 9 horas, realiza-se na cidade da Guarda o seminário «Prevenção dos Maus Tratos na Infância», organizado pelo Núcleo Desportivo e Social (NDS).

O seminário acontecerá na sala da Assembleia Municipal, e surge no âmbito da campanha do Mês da Prevenção dos Maus Tratos (Abril 2012).
O Projecto Tu Decides+… do NDS, que está inserido no Programa Escolhas 4.ª Geração, em associação com a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens da Guarda, prevê a dinamização de um conjunto de acções em prol da prevenção dos maus tratos na infância, onde se destaca a realização do seminário «Prevenção dos Maus Tratos na Infância».
O evento realiza-se com os apoios do Município da Guarda, Ministério Público, Instituto Politécnico da Guarda e do Núcleo de Atendimento de Apoio à Vítima de Violência Doméstica do CFAD.
O Projecto Tu Decides+… espera a participação no seminário de todas as instituições, entidades e técnicos que diariamente trabalham no âmbito do apoio à família, infância e juventude e que directa ou indirectamente se envolvem na causa da Prevenção dos Maus Tratos.
Da realização do seminário resultará a assinatura de uma Declaração de Compromisso em prol da Prevenção dos Maus Tratos na Infância.
plb

Árvore da minha infância

Tenho a ideia de que, nós, continuamos a viver nos sítios onde fomos felizes e eu, tive uma infância feliz e rural.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Gozei, claro, ambientes calmos, pacíficos e pueris apesar do irrequietismo inerente á condição de criança.
As mulheres e os homens desses tempos, os velhos de hoje, transportavam e transportam, ainda, nos olhos a presença de uma acalmia total, reflectida em olhares maduros e recheada de sabedorias antigas e profundas.
Faço, então, questão de voltar para habitar as minhas memórias. Por aí amenizo as horas mais ásperas do tempo presente. Relembro histórias e recordo gente amiga e antiga, ferida pelo frio da existência e queimada pelo fogo das vivências mais austeras. Gente que me parece, agora, em despedida.
Preciso, portanto (e só) de fechar as pálpebras para habitar memórias, para relembrar episódios, para efabular façanhas ou parar ligar destinos que nem sempre foram cumpridos.
Há quem me diga «lá estás tu a sonhar». É certo que o tom nem sempre é recriminatório. No entanto, alguns me julgarão repetitivo. Porventura outros me acompanharão em lembranças. Encolho, simplesmente, os ombros porque sei que não vale a pena suspirar de enfado. Sonhos são sonhos e não se discutem e quando se sonha o real desce sempre a um plano secundário.
Assim me dispus, hoje, a passear, uma outra vez, pelas ruas da minha memória, reencontrando lugares e recordando proezas de outros tempos.
Sempre gostei de deambular sem predefinir o sentido. Apraz-me fazer incursões pelo âmago da minha aldeia sentindo-lhe os odores, as cores, os sons e os silêncios. Dá-me prazer apreciá-la, por dentro, revisitar-lhe a intimidade, confirmando, presencialmente, o que de mais belo ela pode oferecer, quer seja a estreiteza das ruas, o velho traço do campanário, o cantar do velho fontanário ou a antiguidade das edificações.
Foi neste passeio de hoje que revi, uma árvore, lá ao fundo de algumas décadas, incluída numa fileira de imagens onde um dia, um denso e irrequieto grupo de garotos, fugidos da atenção da professora a treparam, a despojaram de muitas folhas e a mutilaram de alguns ramos numa agressividade infantil pouco compreensível aos adultos daquele e deste tempo. Ficou quase moribunda sem que, hoje, por mais que me esforce, eu consiga perceber a barbaridade de tais atitudes. Resistiu, apesar de tudo. Agora é uma árvore forte, alta e adulta, dona de um quintal onde se inicia uma ruela, sítio com lugar cativo na minha recordação.
Tive, então, que pedir perdão a essa árvore. Apeteceu-me abraçá-la e beijá-la com meiguice como se, por muito tempo, me houvesse ausentado dela e a ela voltasse, agora, prodigamente. Senti, depois um cómodo conforto quando me apaziguei com ela, num apaziguamento deveras sentimental.
Enquanto isto, dei comigo em cumprimentos a algumas pessoas (duas ou três) que, ocasionalmente, passaram por ali e que já não conseguem corrigir a velhice.
Terminei reconhecendo, uma vez mais, que continuo a sentir-me bem quando desfio memórias, histórias arbitrarias (entre muitas) quiçá um pouco tontas, eventualmente rotineiras mas, ao mesmo tempo, tão simples e naturais como a desta árvore extremamente marcante da minha infância.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo