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Romeu Bispo - Colaborador - 180x125 - Capeia Arraiana

Um artigo do médico Francisco Maria Manso

Damos a conhecer um artigo que o médico de Aldeia do Bispo, Francisco Maria Manso, publicou no jornal «Noticias Médicas», edição de Dezembro de 1974, Ano 11— n° 236, sobre o combate aos carbúnculos.

Francisco Maria Manso (1892 - 1982)

Francisco Maria Manso (1892 – 1982)

Romeu Bispo - Colaborador - 180x125 - Capeia Arraiana

O espólio do Dr. Manso

Para quem visite a exposição «Uma obra com misericórdia», patente ao público no Museu Municipal do Sabugal, é digna de uma observação atenta o espólio do Dr. Francisco Maria Manso, médico ligado à história da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal.

Objectos em exposição

Objectos em exposição

Novembro - 2015 - Efemérides - Capeia Arraiana

Efemérides 2015 – 28 de Novembro

:: :: EFEMÉRIDES 2015 :: 28 DE NOVEMBRO :: :: O Capeia Arraiana publica diariamente as efemérides mais relevantes de cada data… Hoje destacamos o nascimento do médico sabugalense Francisco Maria Manso, em 1892.

Francisco Maria Manso nasceu há 123 anos - foto de grupo de uma montaria ao javali

Francisco Maria Manso nasceu há 123 anos – foto de grupo de uma montaria ao javali

Outubro - 2015 - Efemérides - Capeia Arraiana

Efemérides 2015 – 24 de Outubro

:: :: EFEMÉRIDES 2015 :: 24 DE OUTUBRO :: :: O Capeia Arraiana publica diariamente as efemérides mais relevantes de cada data… Hoje destacamos o alargamento dos limites do concelho do Sabugal, em 1885, e a homenagem da Casa do Concelho do Sabugal a figuras ímpares, em 1992.

Há 23 anos, a Casa do Concelho do Sabugal descerrou uma lápide na casa onde nasceu Nuno de Montemor

Há 23 anos, a Casa do Concelho do Sabugal descerrou uma lápide na casa onde nasceu Nuno de Montemor

Casa de Joaquim Manuel Correia recuperada

A família de Joaquim Manuel Correia, advogado e escritor da Ruvina, concelho do Sabugal, está a realizar obras de recuperação na casa onde nasceu o ilustre sabugalense.

O neto de Joaquim Manuel Correia junto à casa onde nasceu o escritor (foto de Natália Bispo)

O neto de Joaquim Manuel Correia junto à casa onde nasceu o escritor (foto de Natália Bispo)

Documento histórico sobre Quadrazais

Transporto um momento histórico de Quadrazais, à data de 20 de Setembro de 1946, carta dirigida ao Sr Ministro do Interior e assinado pelo então presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Dr. Francisco Maria Manso.

Quadrazenhos em dia de romaria

Quadrazenhos em dia de romaria

Palavras actuais

Porque não poderia deixar de estar de acordo aqui dou conta destas palavras sábias…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»«Quero lembrar que a Administração interna desta casa é problema que pode ser discutido por todos e porque interessa a todos, desejamos receber, antes da crítica, a sugestão, de quem quer que seja, que venha a evitar o erro, ou indicar a melhor realização.»
«Quando começar a crítica à nossa obra, à frente de todos os descontentes estarei eu, por não poder realizar o que quero.»
«As contas com facilidade se acertam desde que presida o cuidado de as manter dentro das normas da contabilidade municipal. A dificuldade começa na forma de aplicar as verbas dispensáveis. Todo o valor de uma Câmara está na visão clara da escolha da realização. Uma verba de cem contos, disponível, serve para comprar uma camionete, para construir uma escola, para pavimentar uma rua, para reparar uma estrada. Na escolha do destino a dar a essa verba, está a virtude de uma Câmara.»
Mão amiga, a quem penhorado agradeço, deu-me a conhecer um pequeno opúsculo datado de Fevereiro de 1947, de onde retirei aquelas breves mas tão actuais palavras.
Trata-se dos «Relatórios da gerência da Câmara Municipal do Concelho do Sabugal» referentes aos anos de 1946 e 1947, sendo Presidente o Dr. Francisco Maria Manso, que havia tomado posse em Maio de 1946, substituindo o Dr. Carlos Alberto Frazão.
São palavras sábias que penso terem hoje toda a actualidade.
Ensinam-nos, a todos aqueles que ocupam lugares públicos, duas ou três lições que saliento:
(i) a capacidade e a disponibilidade para ouvir todos, independentemente da sua cor partidária, ou de estarem ou não de acordo com as nossas ideias;
(ii) a permanente insatisfação com a obra realizada e a vontade de fazer mais;
(iii) a percepção de que, como dizia um general com quem trabalhei na Força Aérea, o problema não é o dinheiro ou a falta dele, o problema são as prioridades que se estabelecem.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com

Memórias sobre o Hospital do Sabugal (8)

Dentro dos contributos para a história do Hospital do Sabugal, apresenta-se a derradeira transcrição do Bloco de Recordações do Sr. Dr. Francisco Maria Manso, onde fala da actividade do Hospital logo após a sua inauguração e descreve a sua acção enquanto médico.

Romeu Bispo«01.03.1940
Chegaram em meados de Fevereiro as Irmãs e abriu o Hospital com carácter definitivo. Nada de reclamo, nada de exibicionismo. Provisoriamente parece ter-se resolvido dentro da Comissão da Misericórdia que fizessem serviço os dois médicos do Hospital. Se houvesse concursos, com as respectivas condições, no Diário do Governo, ter-me-ia, talvez, resolvido a não concorrer, mas desta forma, sem saber se remunerado, se gratuito, não me pareceu razoável tomar deliberação contrária à opinião da Comissão da Misericórdia e assim entendeu também o Sr. Dr. José Batista Monteiro, que ficou fazendo serviço na enfermaria dos “homens”.
Quando os lugares sejam postos a concurso, a Comissão resolverá a escolha entre os concorrentes e até lá não se devem criar dificuldades a tão simpática e humanitária Instituição.

14.02.1945
Quasi cinco anos são passado sem escrever neste livro qualquer facto importante da história do Hospital da Misericórdia.
Manuscrito de Francisco Maria MansoDepois da nomeação provisória, minha e do Dr. José Batista Monteiro, entrou em acção a correspondência trocada entre a Misericórdia (Dr. Carlos Frazão) e a Direcção de Assistência de Lisboa
Para encurtar razões e discussões, a Direcção da Assistência informou que não podiam os médicos municipais serem nomeados para o Hospital, porque eram preferidos os médicos desempregados, isto é, sem lugar oficial. Não querendo de forma alguma ir de encontro a ideias tão “sociais” o Dr. José Batista e eu, resolvemos abster-nos de enviar os nossos documentos ao concurso e assim nos puseram termo a tantos trabalhos e canseiras. Da minha parte não sei se lucrei, se perdi. Amava o Hospital, que foi a dama dos meus pensamentos durante alguns anos. Ali, pensava executar operações cirúrgicas urgentes para as quais me considerava habilitado e nas quais me exercitei na técnica cirúrgica com o mestre Bissaia Barreto e donde saímos habilitados por cursarmos aquele, apenas 8 ou 10 estudantes e termos como programa toda a alta cirurgia. Pensei mesmo em voltar a cursar a cirurgia durante alguns meses para assim poder operar os doentes pobres, porque dos ricos não esperava ser cirurgião porque demais sabia que “Santos da porta não fazem milagres”.
Seja como for, a verdade é que muitos trabalhos me poupou a Direcção da Assistência recusando a nomeação.
Um dos primeiros doentes que foi morrer ao Hospital, foi o benemérito do mesmo Hospital, Sr. Pe. Joaquim Nabais Caldeira. Ali terminou os dias, não o podendo acompanhar na doença em virtude da minha exclusão, de médico, daquela casa.
O Concelho de Sabugal com 800 Kilómetros quadrados de superfície tem ainda poucos médicos e assim todos nos vemos assoberbados com trabalho, sendo o hospital uma forma de tratar doentes em conjunto que aumentariam ainda o nosso trabalho, para tratá-los cada um por sua vez, nos seus domicílios.
Actualmente e desde o início, por 1940, fazem serviço no Hospital os senhores Doutores Adalberto Pereira e José Gonçalves Pina
Os povos felizes não têm história e parece que sucede o mesmo ao Hospital.»
Romeu Bispo
(Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal)

Memórias sobre o Hospital do Sabugal (7)

Dentro dos contributos para a história do Hospital do Sabugal, apresenta-se mais uma transcrição do Bloco de Recordações do Sr. Dr. Francisco Maria Manso, onde fala da actividade do Hospital logo após a sua inauguração e descreve a sua acção enquanto médico.

Romeu Bispo«Hospital – 20-11-1938
Poucos dias depois de inaugurado o Hospital, foi internado o menor Francisco Monteiro Ferreira, com febre tifóide. O doente deu entrada no hospital depois de tratado duas semanas em sua casa. O estado do doente inspirava sérios cuidados e colhi o sangue para confirmação do diagnóstico de Widal. O diagnóstico foi confirmado e principiou-se com abalneoterapia fria. Deram-se dois banhos por dia. As temperaturas ao fim de uma semana fizeram uma descida em lisis e actualmente podemos considerar o doente livre de perigo. A temperatura de manhã está normal e à tarde tem um acréscimo para 37 º. Parece pois que o Hospital se iniciou bem, se atendermos a que o doente foi internado por temor de morte próxima.
Manuscrito de Francisco Maria MansoUm facto que desejo exarar é o do primeiro doente morto no hospital. Sucedeu ontem, dia 19 de Novembro de 1938. Pelas 7 horas da noite fui procurado em minha casa para ir ao hospital ver um homem que ficou debaixo de uma camioneta e estava em perigo de vida. Fui imediatamente e encontrei sobre a mesa de observações do consultório um homem de 28 anos, robusto, com o fácies cadavérico, as extremidades frias, sem pulso e proferindo com frequência que estava morto. Dei uma injecção de cafeína. Mandei dar outra de óleo canforado, passados instantes e verifiquei a realidade terapêutica. Pela palpação notei a fractura da 4º costela direita, dando crepitação óssea quando o doente mudava de posição. Mandei que se despisse o doente e ao voltá-lo sobre o lado esquerdo notei uma deformidade do osso “sacrum” que estava fracturado com uns oito centímetros de saliência da região direita para a esquerda. A perna direita encontrava-se assim sem movimentos e a fractura da bacia trouxe ao doente um estado de dor muito acentuado. Deviam existir grandes lesões dos órgãos abdominais. O doente sucumbia uns 30 minutos depois da sua entrada no hospital, depois de o ter mandado deitar sobre a primeira cama do lado esquerdo da enfermaria à direita (quando se entra para o corredor). Este pobre homem era do Meimão e deixou três filhitos. Era extremamente pobre. Mandei que fosse levado para a capela do cemitério e ali esperasse pela vinda da família.
Foi este o primeiro óbito havido no Hospital de Sabugal. O pobre homem vinha numa camioneta e pretendeu descer sem avisar o chaufeur, descendo em movimento. Perdeu o equilíbrio e a roda de traz passou resvalando pelo tórax, abdómen, para passar por cima dos ossos da bacia que fracturou internamente».
Romeu Bispo
(Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal)

O comer nas montarias de Francisco Manso

Todas as primaveras, pela semana santa, no quarto crescente, Francisco Maria Manso, médico de Aldeia do Bispo, com consultório no Sabugal, levava uma centena de homens a caminho da serra das Mesas para as famosas caçadas aos javalis. As campanhas, realizadas nos anos 30 e 40 do século transacto, reuniam gente ilustre e pessoas do povo, numa irmandade de circunstância.

«Caçadas aos Javalis» do Dr. FramarUns iam de espingarda aperrada, prontos a dar fogo sobre os porcos monteses, outros seguiam de pau armado, servindo de batedores, e meia dúzia de populares trabalhavam na logística. A comitiva partia cedo para a serra e juntamente com os homens seguiam dezenas de cães e alguns cavalos e burros carregados de mercadorias.
As caçadas eram autênticas campanhas militares, sujeitas a duras regras, impostas pelo comandante e organizador do evento. Mas também forneciam momentos de folguedo, com reuniões à volta da fogueira, degustando suculentas refeições, bebendo cabonde e contando anedotas e façanhas.
Mas para o comandante Francisco Maria Manso, as caçadas eram sobretudo uma jornada de puro prazer e de exercitação, como se de um treino para uma guerra se tratasse. No seu livro «Caçadas aos Javalis», que escreveu sob o pseudónimo Dr Framar, deixa apontamentos de grande valia para a história das montarias em Portugal. Neles fica claro que as caçadas se não resumiam ao gosto de andar em busca de javalis, linces e lobos. Também havia movimentos auxiliares, com as deslocações da caravana, as refeições e as dormidas no cabanal anexo ao lagar da Quinta do Major, no coração da floresta da Marvana.
Do livro retiramos um trecho que explicita o rigor com que se avançava nas campanhas, com os fornecimentos devidamente planeados:
«Os preliminares do costume. Carta ao compadre Tenente Lopes, para Vale de Espinho, ordenando a ementa: pão, batatas, azeite, vitela, vinho etc. Reunião no Barroco Branco, dia 9 de Abril e merenda nos Carvalhos Basteiros. Arraial! Ordem para apear os cavalos. Dos alforges saem borrachas de vinho, suculentos ranchos de campanha.
Merendas no relvado da Valsa, posição à mesa: sentado no chão… ou deitado. Camaradagem leal. As merendas sobejam e as borrachas passam para os batedores. Marcha geral (a caminho do lagar de azeite, que serve de base à batida).»
Ainda do livro tiram-se referências esparsas aos manjares das campanhas. No primeiro dia cozia-se no panelão bacalhau com batatas e gravanços. No segundo matava-se a vitela que acompanhara a caravana, que depois era assada no espeto. Para o terceiro e último dia guardava-se parte do resultado da montaria. Se houvesse javardo morto, eram-lhe retirados e guisados os fígados e os rins. Igualmente se cozinhava a caça miúda que se houvera interposto defronte do cano das espingardas.
Na campanha não havia mimos. Cada homem, segundo o artigo 6º do Regulamento, tinha de levar dois pratos de alumínio, guardanapo (se não achasse supérfluo, que no mato limpa-se a beiça à manga do casaco) e um copo. A organização apenas garantia comida e um espaço debaixo de telha onde cada um se poderia espojar e enrolar no cobertor que haveria de ter trazido de casa. O almoço e a ceia eram regados com vinho, que abundantemente jorrava dos odres, havendo sempre para o final da refeição um copo de café e umas gotas de aguardente ou de licor.
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com