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Capeia Arraiana na Lageosa da Raia

As capeias arraianas do mês de Agosto começam na Lageosa da Raia no dia 6 e terminam em Aldeia Velha no dia 25. A alma do povo do concelho do Sabugal materializa-se na festa do forcão. «Eternamente raianos» como diz a repórter Helena Leitão (com imagens de Henrique Concha) da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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Forcão – Capeia Arraiana – 10 de Agosto

A CULTURA DO TOURO

«A força, poder e coragem que emanam do touro valeram-lhe o respeito e admiração do homem, que em alguns casos o considera como representativo de um ser superior. O poder reprodutivo, a virilidade, a luta incessante, investindo até à morte contra o inimigo, originaram mitos sagrados que perpassam em alguns livros da Bíblia: símbolo de fertilidade, invencibilidade, chefia e poder de destruição1. Acreditava-se que era nos chifres que o touro concentrava a força da vida, razão para neles se amarrarem os arados que deviam semear as terras.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – 9 de Agosto

A ESCOLHA DOS TOIROS

«Quando está no seu meio natural, rodeado pelos da sua espécie, o touro não demonstra o comportamento agressivo que apresenta na praça. É para recriar o ambiente de manada, em que o touro se sente mais tranquilo, que se usam cabrestos8 para o conduzir nos encerros e para o retirar da arena, depois da lide. Quando está isolado, é estimulado a investir, não só contra pessoas e animais, como contra qualquer objecto, ainda que movido pelo vento.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – 8 de Agosto

ESCOLHER AS GALHAS E FAZER O FORCÃO

«A preparação do forcão é tarefa da máxima responsabilidade, pois da sua robustez depende a segurança de quantos lhe pegam. Em todas as aldeias da capeia há indivíduos especializados na sua execução, e a eles recorrem os mordomos na altura de o fazer. O Zé Penetra da Lageosa e João Fernandes de Aldeia do Bispo já executaram mais de meia centena para as suas terras e terras vizinhas, sem cobrarem pelo trabalho. Por se tratar de lenha de carvalho, pesada por natureza, corta-se no Inverno ou na Primavera, geralmente na Páscoa, para que esteja seca e leve quando for usada. Para a sua construção são necessários um pau principal de pinho, 3 galhas, 20 estadulhos, 4 varas transversais e 4 tornos para o rabicho. Em alguns casos, as galhas são cortadas no rebollar espanhol, com o consentimento do respectivo alcaide.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – 7 de Agosto

UMA ESPÉCIE DE RELIGIÃO

«A Capeia Arraiana não é uma tauromaquia qualquer. Como uma espécie de religião em que se acredita, não basta assistir, é preciso participar, ir ao encerro, comer a bucha, beber uns goles da borratcha e voltar com os touros, subir para as calampeiras, ser mordomo, ser crítico tauromáquico, discutir a qualidade dos bitchos e a lide ou, simplesmente, ser fotógrafo da corrida.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – 6 de Agosto

E TUDO COMEÇA… NA LAGEOSA DA RAIA

«Pouca gente saberá explicar que fenómeno é este que faz com que as pessoas mais idosas, muitas vezes de bengala e com dificuldade de movimentos, consigam sair de casa e encalampeirar-se num palco ou enfiar-se num buraco debaixo de um carro, para não perder nem um carxinho do espectáculo! Por vezes, dá-se a desculpa do filho ou do neto que andam no corro… Outras, foge a boca para a verdade e confessa-se: «Não há nada melhor que a capeia! Não sou capaz de ficar em casa… Para o ano, quem sabe se cá estou!»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – o grande livro

No livro «Forcão – Capeia Arraiana» as poderosas imagens de Joaquim Tomé (Tutatux) investem ao longo das páginas nas galhas da escrita magistral de António Cabanas e vão servir para acrescentar história à História das terras de Riba-Côa. António Cabanas, natural de Meimoa, é também um homem da Malcata e da Raia e é agora, definitivamente, um verdadeiro raiano. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana

LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana
Autoria: LocalVisãoTV posted with Galeria de Vídeos Capeia Arraiana

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O livro «Forcão – Capeia Arraiana»

A profusão de belíssimas fotografias, de excelente visibilidade e óptimo enquadramento, puxando à evidência os mais ínfimos pormenores de pessoas, cavalos e touros, quase ofuscam o também magistral texto do livro recentemente editado e lançado no Sabugal, intitulado «Forcão – Capeia Arraiana», da autoria de António Cabanas (texto) e Joaquim Tomé (fotografia).

António Cabanas é um apaixonado pelas terras da raia sabugalense, o que está bem patente no livro agora editado, que para este autor é uma revisitação às tradições raianas. A primeira incursão traduzida em livro foi em «Carregos, Contrabando da Raia Central» (2006), em que recolhe inúmeros testemunhos acerca da vida dos antigos contrabandistas, traçando o seu perfil e a sua vida de constante desafio ao perigo.
Mas se o contrabando era a exposição ao risco das balas dos fiscais da fronteira para garantia de sustento, a capeia do forcão é também uma forma de desafiar o perigo, mas desta feita para pura diversão nos dias de festejo.
Cabanas vai ao fundo da questão, procurando os mais longínquos vestígios que provam a ancestralidade das touradas na raia sabugalense, enquanto valor cultural e etnográfico que interessa preservar, apesar das polémicas à volta do sofrimento dos animais. E o autor, natural da Meimoa, e autarca empenhado no concelho vizinho de Penamacor, toca no âmago da questão ao pressentir o verdadeiro valor da alma raiana: «não basta assistir é preciso participar, ir ao encerro, comer a bucha, beber uns goles da borratcha e voltar com os touros, subir para as calampeiras, ser mordomo…».
Fazendo uma síntese do muito que já se falou e escreveu sobre a capeia arraiana, enquanto tradição popular única e mobilizadora de toda uma população, António Cabanas consegue traduzir aos leitores a emoção e o fascínio vivido pelos que se embrenham na festa dos touros. E, neste particular, foi necessário recorrer também ao talento do grande fotógrafo Joaquim Tomé, o Tutatux, que captou imagens que conferem magnanimidade à tradição. As imensas fotografias, ajudam quem lê os cuidados textos, a perceber que a capeia é algo único do mundo, apercebendo-se do valor supremo deste povo raiano, que nada teme e tudo desafia em nome de uma tradição que teima em manter viva.
Cabanas fala da origem imemorial do culto do touro, dos costumes taurinos na Península Ibérica testemunhados por Estrabão e das festividades tauromáquicas existentes em Portugal desde os alvores da nacionalidade, para assinalar que as touradas são algo de muito profundo na tradição popular.
Traça a diferença, de resto muito vincada, entre a corrida portuguesa e a espanhola, e embrenha-se a fundo na escalpelização do argumentário dos que defendem as touradas com unhas e dentes e daqueles que as criticam severamente. E, neste ponto, no que em particular se refere à capeia arraiana, descreve a forma como o espectáculo se humanizou: «já lá vai o tempo em que os touros eram lidados com garrocha e garrochão». A capeia deixou de ser selvajaria e tornou-se espectáculo com beleza, valentia e arte, onde o touro é tratado com dignidade, o que o leva a ser apreciado mesmo por muitos daqueles que não gostam de outro tipo de touradas.
Sobre as origens da «capeia», «folguedo» ou «corrida do boi», o autor rende-se à conclusão de que tal é de difícil constatação, enumerando porém as principais teorias conhecidas. A mesma dificuldade se constata na revelação da génese do uso do forcão, da realização do encerro, do passeio dos moços, do pedido da praça e demais rituais que estão associados à tradição taurina raiana. Referência ainda para o papel imprescindível de figuras típicas como o «tamborleiro» e o «capinha» espanhol, indispensáveis nas capeias de sabor mais original.
Um livro que é também um álbum fotográfico, que documenta melhor do que nunca a tradição raiana da capeia e que faz a síntese do que se disse e escreveu acerca de uma manifestação popular que constitui uma potencialidade que importa aproveitar.
Um livro que é essencial adquirir:
António Cabanas: kabanasa@sapo.pt; 968 492 522.
Joaquim Tomé: tutatux@gmail.com; 927 550 656.
Paulo Leitão Batista

Ruivós em festa no dia da construção do forcão

O forcão para a Capeia Arraiana nocturna de 6 de Agosto é novinho em folha. A sua construção serviu de «desculpa» para mais uma jornada de convívio da malta de Ruivós.

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No passado dia 9 de Julho em Ruivós construiu-se um novo forcão para a Capeia Arraiana nocturna, que se realizará no próximo dia 6 de Agosto a partir das 21 horas.
O dia começou bem cedo, os artistas reuniram-se junto da amoreira secular da Freguesia, para aí pegar os paus que iriam fazer parte do novo Forcão.
Foi junto ao Salão de Festas e da Sede da Associação dos Amigos de Ruivós que todo o processo se desenvolveu. O dia foi longo, o calor apertou, mas foi com grande alegria, entusiasmo e diversão que no final, todos os participantes festejaram e deram por concluída a sua missão.
A Associação doa Amigos de Ruivós e os mordomos da Capeia 2011, não quizeram deixar este dia em branco e organizaram o almoço e o jantar convidaram toda a população a participar e a conviver.
De facto, foi um dia desgastante mas também muito participativo por parte de todos os presentes, demonstrando mais uma vez a união do povo de Ruivós.
Gonçalo Pires

Inventariação da Capeia Arraiana está on-line

No dia 1 de Junho a Capeia Arraiana, enquanto tradição cultural imaterial, serviu de exemplo para a apresentação do Portal Web «MatrizPCI» criado pelo Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) para a difusão de boas práticas e valorização do Património Cultural Imaterial, que teve lugar em Lisboa, no Museu Nacional de Arte Antiga.

O pedido de inventariação da Capeia Arraiana no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial deu formalmente entrada no dia 27 de Maio de 2011, no Instituto dos Museus e da Conservação (IMC). É o primeiro processo de inventariação de cultura imaterial a nível nacional, entregue em suporte digital, e elaborado nos termos do Decreto-Lei N.º 139/2009, de 15 de Junho e da portaria N.º 196/2010 de 9 de Abril.
Segundo uma nota à imprensa da Câmara Municipal do Sabugal, o ICM foi oficiado em Abril de 2009, no sentido de proceder à inventariação da Capeia Arraiana como Património Cultural Imaterial. Foram posteriormente desenvolvidas várias diligências, no sentido de estudar, preservar, valorizar e divulgar esta manifestação cultural do concelho do Sabugal, que é única no mundo.
Em 31 de Janeiro de 2011, o Processo de Inventário da Capeia Arraiana foi apresentado no Colóquio «Património Imaterial em Portugal, dos enquadramentos globais às actuações no terreno», realizado no Museu Nacional de Etnologia. A par do pastel de Tentúgal (defendido pela respectiva Confraria Gastronómica), a Câmara Municipal do Sabugal apresentou um filme sobre a capeia, contando ainda com as intervenções de Adérito Tavares (autor do livro «Capeia Arraiana») e Norberto Manso (responsável da Câmara pelo processo).
Em 6 de Abril de 2011, o mesmo Processo de Inventário foi apresentado em Coimbra, no Auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, no âmbito do Fórum «Olhares sobre o Imaterial».
O processo de inventariação (a parte que é disponibilizada on-line, no portal MatrizPCI) pode ser consultado Aqui.
No dia 12 de Junho vai ser apresentado no Auditório Municipal do Sabugal o livro «Forcão», de António Cabanas e Joaquim Tomé, que constitui mais um importante contributo para a obtenção da cassificação da Capeia Arraiana como património imaterial da humanidade.
plb

Literatura - Capeia Arraiana (orelha)

António Cabanas escreve livro sobre a Capeia

O escritor António Cabanas, vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor, apresenta no dia 12 de Junho, às 16 horas, no Auditório Municipal do Sabugal a sua mais recente obra sobre a mais forte tradição raiana – a tourada com forcão – a que todos aprendemos a chamar Capeia Arraiana. A obra surpreende pela investigação e qualidade da escrita de António Cabanas e pelas fortíssimas fotografias do sabugalense Kim Tomé.

Forcão - Capeia Arraiana - António Cabanas

Primeira Capeia Arraiana em Lisboa foi há 33 anos

A primeira Capeia Arraiana realizada em Lisboa aconteceu na Praça de Touros do Campo Pequeno no dia 4 de Junho de 1978. A Capeia agendada para este ano de 2011, acontecerá precisamente no dia em que, há 33 anos aconteceu essa iniciativa primordial, pela qual se deu a conhecer ao país a mais genuína tradição da raia sabugalense.

No sábado, dia 3 de Junho daquele ano de 1978, realizara-se no parque do Seminário dos Olivais o habitual convívio de sabugalenses, organizado pela Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa, ao qual acorreram centenas de pessoas. Porém esse ano, o convívio teria continuidade, pois programara-se para o dia seguinte uma Capeia Arraiana. Tratava-se de trazer à Capital do País uma tourada original e exclusiva das terras raianas do concelho do Sabugal, na qual se usava um instrumento de madeira a que o povo chamava forcão, ao qual se agarravam mais de 20 jovens, que assim desafiavam o touro.
O nome do espectáculo, «Capeia Arraiana», foi ideia dos organizadores do evento. «Capeia», por chamarem assim às touradas em praça improvisada nas zonas fronteiriças de Portugal e de Espanha. «Arraiana», por se tratar de uma tradição da Raia. A designação ficou registada no subconsciente das pessoas e em breve assim passou a ser genericamente designada a tourada com forcão.
Esse memorável domingo de há 33 anos, iniciou-se com uma partida de futebol entre uma equipa da Casa do Concelho do Sabugal e outra da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, que os raianos venceram por 7-0. De seguida houve almoço de convívio na sede da Casa do Concelho, juntando os jogadores aos dirigentes da associação e a alguns elementos do corpo activo dos Bombeiros do Sabugal, contando com a participação do Dr Lopes, presidente da Câmara Municipal do Sabugal.
Findo o almoço realizou-se um cortejo até ao Campo Pequeno, onde a tourada teve lugar. As bancadas encheram-se de sabugalenses e de amigos do Sabugal, para assistirem a algo nunca antes acontecido e para alguns decerto inimaginável: o forcão iria lidar os touros na catedral da tauromaquia portuguesa. Seria até sacrilégio, mas o certo é que o espectáculo teve lugar, envolvido em imensa alegria e emoção.
A Capeia realizou-se na sequência de uma ideia apresentada por Francisco Engrácia (o saudoso Chico), de Vila Boa, à direcção da Casa do Concelho do Sabugal, que esta aceitou com muita relutância e apenas após uma comissão de associados ter garantido que, havendo prejuízos, eles seriam cobertos.
O objectivo, para além da divulgação da tradição raiana, era ajudar os Bombeiros Voluntários do Sabugal (na altura a única corporação do concelho). Ultrapassados os primeiros receios a organização avançou e a Capeia constituiu um enorme êxito.
Dos 224 contos de «lucro» alcançado, 67 contos (30%) foram para os Bombeiros do Sabugal, que desde essa primeira experiência ficaram para sempre ligados à reedição sucessiva da Capeia em Lisboa.
Paulo Leitão Batista

33.ª Capeia Arraiana no Campo Pequeno

Na tarde do dia 4 de Junho, sábado, pelas 16,30 horas, a Praça de Touros do Campo Pequeno, em Lisboa, recebe a 33.ª Capeia Arraiana, organizada pela Casa do Concelho de Sabugal.

O forcão vai rodopiar de novo na arena mais prestigiada de Portugal e os rapazes raianos vão demonstrar a sua força e valentia. O espectáculo tauromáquico popular, original das terras raianas do concelho do Sabugal, proporcionará ainda momentos de convívio e de amizade entre os sabugalense e os seus amigos.
Espera-se que largas centenas, ou milhares, de pessoas, muitas vindas de propósito das terras do concelho, se juntem nesta grande manifestação de alegria que todos os anos acontece em Lisboa.
Os touros são do ganadeiro José Dias, de Benavente. A Banda da Bendada animará a festa e marcará o ritmo.
Depois da tourada haverá os habituais petiscos, no ringue junto à Praça de Touros, onde se degustarão os nossos enchidos grelhados e outras iguarias que os convivas trarão.
A capeia de Lisboa marca o arranque para as touradas do forcão nas terras raianas. Depois de Lisboa, quem quiser sentir a verdadeira alma raiana, vai às aldeias fronteiriças do concelho do Sabugal em Agosto, onde poderá apreciar a verdadeira tourada popular, à moda raiana.
plb

Fazedor de forcões

É costume dizer-se que o vagar faz colheres mas, no caso do Abel Esteves Duarte, o vagar não faz colheres mas sim forcões, de diversos tamanhos.

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José Manuel Campos - Nascente do CôaEste senhor prestou serviço como agente da GNR em Vila Nova de Tazém e após a aposentação veio, com a esposa, viver para os Foios, de onde são naturais.
É um casal simpático e muito metidos na sua vidinha. Aos domingos vão à Missa e, por volta do meio-dia, lá vão eles, como dois namorados, almoçar ao restaurante.
No dia-a-dia a Didoraz vai-se entretendo com as lides da casa e o Abel, muito madrugador, lá vai dando os seus passeios sempre com os olhos postos no arvoredo com a intenção de poder ir encontrando uns pauzinhos jeitosos para a feitura dos forcões.
É no verão que o Abel Duarte vende mais forcões pelo que tem que os ir construindo ao longo do ano.
Há poucos dias um senhor adquiriu-lhe 60 exemplares e encomendou-lhe outros tantos para a época natalícia.
Também a Junta de Freguesia lhe vai fazendo algumas encomendas para ir oferecendo, um exemplar, a algumas personalidades que, em Foios, participam em determinados eventos.
Aconteceu por altura do encontro promovido pelo Sr. Governador Civil, designado por «Raia de Oportunidades», bem como na vinda da Banda da Força Aérea no dia 25 do passado mês de Setembro.
Quando os forcões são procurados e o Abel não os tem feitos, toma nota da encomenda e mãos à obra.
Também tenho verificado que o Abel não tem como finalidade fazer muito dinheiro visto que oferece bastantes exemplares.
Muito embora o seu forte resida precisamente nos forcões não deixa de fazer outras peças curiosas nomeadamente ligadas à vida agrícola como sejam manguais, arados e carros de bois.
Mas como vivemos numa zona onde o forcão é rei é precisamente neste artesanato que o Abel Duarte deverá apostar e despender mais tempo.
Ao Abel e à esposa desejo as maiores felicidades e que continue a fazer forcões por muitos e longos anos.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Capeia Arraiana é património cultural municipal

A Assembleia Municipal do Sabugal reunida no dia 24 de Setembro de 2010 deliberou, por unanimidade, classificar a capeia arraiana, tourada que inclui a lide dos touros com recurso ao forcão, como «património cultural imaterial de interesse municipal».

Capeia Arraiana - Forcão

As touradas tradicionais dos territórios raianos do concelho do Sabugal, conhecidas por capeias arraianas, têm a particularidade de incluir a lide dos touros com recurso ao forcão – uma estrutura de madeira feita à base de carvalho, em forma de triângulo, no interior da qual se colocam cerca de trinta homens que enfrentam o touro em praças improvisadas nos largos das localidades – e atraem milhares de pessoas até à região fronteiriça.
O forcão tem por objectivo «cansar» o touro para que, posteriormente, os homens mais corajosos o possam agarrar.
O presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, reconheceu que com a decisão tomada por unanimidade na última Assembleia Municipal «ganha maior legitimidade o pedido de inventariação da capeia arraiana como património cultural imaterial, que está a ser elaborado para ser apresentado ao Instituto dos Museus e da Conservação».
O autarca referiu que com a candidatura, que a partir de agora vai ser preparada, a autarquia pretende «assegurar a preservação e promoção desta manifestação de cultura tradicional» de um concelho do distrito da Guarda que faz fronteira com Espanha.
Para o presidente da autarquia raiana a decisão «é mais um passo na metodologia a seguir com o objectivo de classificar a capeia arraiana como Património da Humanidade» junto da UNESCO.
No âmbito da preparação da candidatura, a autarquia irá promover, em 2011, umas jornadas sobre a capeia arraiana, altura em que também apresentará o trabalho vencedor do «Prémio Municipal de Trabalhos de Investigação sobre a Capeia Arraiana», no valor de mil euros.
jcl (com jornal «Público»)

Festival «Ó Forcão Rapazes» 2010 (1)

SABUGAL – CAPITAL MUNDIAL DO FORCÃO E DA CAPEIA ARRAIANA – O XXV Festival «Ó Forcão Rapazes», edição 2010, decorreu na Praça Municipal no Soito. As bancadas repletas de aficionados deram brilho às actuações das nove aldeias participantes. A organização do festival pertenceu às Juntas de Freguesia de Aldeia da Ponte e de Alfaiates. Os poderosos toiros tinham o ferro da Ganadaria Zé Nói. Viva o Forcão! Viva a Capeia Arraiana! Viva a Raia! Viva o Concelho do Sabugal! Reportagem da jornalista Andreia Marques com imagem de Sérgio Caetano da redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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jcl

Imagem da Semana – Toiro salta para trincheira

«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com


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Data: 21 de Agosto de 2010.
Local: Praça Municipal no Soito.
Autoria: Capeia Arraiana.
Legenda: Na Capeia de todas as Capeias – o Festival «Ó Forcão Rapazes» – a Ganadaria Zé Nói apresentou poderosos toiros para delírio de uma assistência que encheu por completo as bancadas da Praça Municipal no Soito. Após finalizar a lide da equipa do Ozendo e já com os cabrestos em praça para que o toiro recolhesse aos curros aconteceu um intenso momento de adrenalina e frisson. O toiro (com mais de 500 quilos) entendeu saltar para dentro da trincheira e «passear» à volta da praça.
Sabugal – Capital Mundial da Capeia Arraiana e do Forcão.
jcl

Encerro e Capeia Arraiana em Aldeia da Ponte

Encerro e Capeia Arraiana em Aldeia da Ponte no concelho do Sabugal. Uma festa com cavalos e toiros. Uma festa com forcão. Uma festa raiana. Uma festa única. Uma festa eterna. A identidade de um povo e de uma região. Reportagem da jornalista Paula Pinto e imagem de Sérgio Caetano da LocalVisãoTv (Guarda).

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jcl

Turismo

No Grande Dicionário de Língua Portuguesa encontramos a seguinte definição para a palavra Turismo: «Tendência de quase todos os países civilizados e de economia algo abastada para viajarem através de países naturalmente pitorescos ou que tiveram longa e brilhante história…».

Romeu BispoPodemos encontrar outras definições mas a definição moderna de turista é «um visitante que se desloca voluntariamente para fora da área da sua residência e do seu trabalho por múltiplos interesses, mas sem ter como motivação o lucro».
O turismo encontra-se presente na actividade humana desde a Idade Antiga, na civilização Grega e chegando até à década de 1950 como actividade residual. Após essa data surgiu o boom turístico que se estendeu até 1973; daí para cá o crescimento tem sido contínuo, embora mais lento. Devido ao seu crescimento, actualmente, assume posição relevante na economia global e de alguns países em particular. O primeiro país em número de turistas é a França, mas a nossa vizinha Espanha em 2008 registou 57,3 milhões de visitantes.
Há diversos tipos de turismo que se vêm afirmando pela sua especificidade: Turismo de descanso de praia, neve ou montanha, Turismo cultural, religioso, desportivo, ambiental, rural, cinegético, gastronómico… Podemos concluir que há imensas nomenclaturas para os diversos tipos de turismo.
Embora tomando a classificação do aspecto dominante, este não é estanque e tem sempre interligações com outros tipos de Turismo. Quem se desloca por um determinado motivo tem de se alimentar, hospedar e distrair.
Será que o Concelho de Sabugal tem afirmação possível no Turismo?
Há sempre espaço de afirmação desde que no Concelho apareçam centros de interesse para os diversos tipos de turismo. Numa primeira análise podemos identificar como possíveis o Histórico-Monumental, o Ambiental, o Termal e o Gastronómico.
Temos vindo a assistir, há muitos anos, à defesa do Turismo como indústria possível de ser implementada no Concelho. Os resultados desta visão estratégica é que são diminutos e nem o facto de sermos vizinhos de Espanha nos traz alguma mais-valia.
Pensamos que é possível fazer algo diferente, e exemplos de melhores práticas não faltam: Belmonte vem há alguns anos a afirmar-se na nossa região. É um nome, uma marca que vai ganhando dimensão e expressão a nível nacional e internacional. Belmonte afirma-se pelo Turismo histórico, religioso e cultural; os resultados já são visíveis nos 80.000 visitantes da sua meia dúzia de museus. São muitos os brasileiros que se deslocam a Belmonte para ver o Museu dos Descobrimentos porque está na terra de Pedro Alvares Cabral, o descobridor. O fenómeno judaico tem vindo a ser aproveitado como motivo para o Turismo religioso.
Sabemos que estão atentos a possíveis atracções e por isso não se coíbem de apontar Sortelha como um ponto de interesse para quem visita Belmonte. O Sabugal, por si, não tem feito a ligação de Sortelha ao resto do Concelho, deixa que sejam outros a explorar o motivo e é, possivelmente, esta a razão porque o turista visita Sortelha e volta pelo mesmo caminho, não chegando ao Sabugal.
O nome «Sabugal» ainda não vende, não há nome ou imagem que se afirme. Ainda não se descobriu ou não se quer descobrir a importância dos Castelos de Sabugal, de Alfaiates, de Vilar Maior ou de Vila do Touro. Por vezes até transparece das palavras e da actuação dos responsáveis como que alguma vergonha daquilo que temos e somos. Os turistas ou simples visitantes valorizam demasiado o Castelo de Sabugal, como construção militar ou monumento medieval. Tem um valor simbólico enorme que vai além do que as pessoas que sempre passaram à sua beira imaginam. Porque não qualificá-lo ou qualificá-los de interesse concelhio? – Possivelmente não têm interesse…
Quando afirmo que não sabemos vender o que temos e somos, basta pensar no desencanto com que alguns visitantes recebem aqueles paus em forma de triângulo (forcão) que acabam por ir parar à garagem porque passado algum tempo já nem sabem o que é, quanto mais o que significam. Quando se oferece um forcão a um forasteiro, este tem de levar uma legenda que faça a explicação do fenómeno e do seu significado, sob pena da perda do valor imaterial do objecto.
Um circuito turístico, uma marca, um conceito, necessita de muitos recursos e alguns anos para se afirmar. É tempo de começar a trabalhar na estratégia que leve aos fins pretendidos.
«Memórias do Castelo», opinião de Romeu Bispo

Capeia no Soito em 1974

A imagem de hoje refere-se a uma tourada com forcão realizada no Soito, em 1974. Foi a primeira vez que se realizou no redondel construído em cimento que foi erguido no Lameiro do Soito.

Capeia Arraiana no Soito

João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»Efectivamente, até esse ano as touradas com forcão, no Soito, realizaram-se em muitos locais, incluindo este no Lameiro do Soito (onde hoje se localiza o Jardim), mas sempre com o perímetro da «Praça» feito por carros de vacas.
O redondel, que esteve neste local até 2005, foi construído em 1974 e estreado em Agosto desse ano, com esta tourada. Note-se que não me lembro de, no Soito, estas touradas serem conhecidas como capeias, nesta época, mas sim como touradas. Era a época em que havia os mordomos das Festas de S. Cristóvão e os mordomos da tourada. Só alguns anos mais tarde, no Soito, os mordomos das Festas de S. Cristóvão e da tourada seriam os mesmos e organizariam as duas actividades em conjunto. Antes disso acontecer, os mordomos da tourada eram sempre rapazes solteiros, como acontecia em muitas outras terras da raia sabugalense.
Repare-se, ainda, nos carros de vacas que serviam de escapatória para os mais afoitos. Hoje são substituídos por reboques de tractores.
Outra curiosidade das touradas desta época é que os que pegavam no forcão, faziam-no apenas dos lados, não havendo ninguém no seu interior (nesta fotografia aparece, no entanto, um rapaz no meio do forcão, o que era raríssimo, neste tempos), como hoje acontece em todas as capeias.
O colorido das roupas usadas nesta época (calças amarelas ou vermelhas, quase todas à boca-de-sino, bem como camisas de cores bastante garridas eram frequentes), não pode deixar de ser salientado.
Lembro-me que, nestes anos, os touros vinham a pé, acompanhados por cavalos (não se usavam automóveis, tractores nem motos-quatro) e, junto ao local onde se realizava a tourada as ruas eram tapadas com automóveis, colocados uns a seguir aos outros. Parecia que ninguém tinha medo que o touro estragasse a pintura dos automóveis (o que nunca vi acontecer). Outros tempos…
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

José Carlos Lages - Capeia Arraiana - Orelha

À fala com… Adérito Tavares (2)

Esta segunda parte da nossa conversa continuou a caminhar pela vida de Adérito Tavares. Recomeçamos na Baixa da Banheira, nos tempos quentes da revolução de Abril e vamos até ao presente, até 2009.

Adérito Tavares com pintura de Alcínio

Origens iniciáticas da Capeia e do Forcão

Neste pequeno artigo, gostaria de versar muito superficialmente, porque a característica de um post não dá para mais, a simbologia da capeia e do forcão, deixando algumas pistas para decifrar o seu sentido mais profundo, que, na minha opinião, é religioso e ligado à gnose iniciática.

João ValenteEsta tradição, que nos nossos dias está já bastante simplificada, consiste na selecção de uma árvore da floresta, seu abate, descasque e secagem. Nesta tarefa os jovens solteiros embrenham-se na mata acompanhados de uma pessoa mais experiente que os orienta na escolha. Posteriormente constrói-se uma estrutura em madeira de forma de triângulo regular (forcão) em que o eixo é formado pelo tronco da referida árvore. A estrutura é posteriormente manuseada numa prova de destreza colectiva.
«Este ritual é em tudo idêntico aos rituais da puberdade destinados a fazer a passagem de uma classe de idade para outra com a iniciação dos neófitos na cosmogonia dos Tempos Primordiais. Há vários estudiosos deste assunto, entre os quais Heinrich Schurtz in Altersklassem Männerbünde e Hutton Webester in Primitive Secret Societies»?
Estes rituais consistiam basicamente no isolamento do grupo na floresta ou no interior de uma cabana e na morte simbólica através do silêncio, abstinência alimentar, exercícios físicos ou tortura, provas de destreza e a ressurreição e regeneração espiritual como homem gnóstico, que faziam parte dos Männerbünde pré-cristãos e se prolongaram nas organizações mais ou menos militares da juventude, com os seus símbolos, tradições secretas, ritos de entrada e danças.
Muitos ritos de iniciação xamânica, desenvolviam-se também em torno do mito da árvore cósmica. A árvore era o centro do mundo (imago mundi), ligando como um eixo as três zonas cósmicas – a terra o ar e o mundo subterrâneo – e contendo por tal motivo, simbolicamente o universo inteiro. A árvore cósmica era nos ritos de iniciação um meio de acesso ao centro do mundo, ou seja, ao coração da realidade, da vida e da sacralidade.
Um exemplo (Citado por Mircea Elíade in Ritos de Iniciação e sociedades secreta) destes rituais iniciáticos em que encontramos aqueles dois aspectos, só para o leitor fazer uma ideia do que falamos, encontramo-lo ainda entre os Bâd, uma tribo Australiana, em que os velhos preparam a iniciação dos jovens retirando para a floresta e procuram uma árvore ganbor «sob a qual Djamar» – o Ser supremo – «descansou nos tempos antigos». Um mágico caminha à frente, com a missão de descobrir a árvore. Assim que a encontram, os homens rodeiam-na a cantar e cortam-na com as suas facas de sílex. Por este ritual, a árvore mítica do Tempo original, aquando da criação do mundo, é tornada presente e através dela os homens participam na plenitude desse tempo sagrado, primordial, regenerando toda a vida religiosa da comunidade.
Capeia Arraiana - Foto TutatuxÉ curioso como o ritual das capeias começa com este costume de afastamento para a floresta e da escolha de uma árvore, e uma prova de destreza que mantém toda a estrutura de um rito iniciático. Interessante é ver como essa árvore serve de eixo a uma armação triangular, com tantos lados quantos os elementos do universo cósmico.
O Triunfo do cristianismo pôs fim a estes mistérios e às gnoses iniciáticas, mas adaptando-os bem como à filosofia grega à explicação dos novos sacramentos e atribuindo-lhe novos significados cristológicos. Foi esta adaptação da linguagem universalmente inteligível dos símbolos e da filosofia platónica, que permitiu que o cristianismo primitivo, interdependente de uma história local (a salvação do povo de Israel), se tornasse uma história santa e universal (de salvação de toda a humanidade). Damos só três exemplos desta linguagem adaptada: A liturgia síria explica o rito do baptismo recorrendo àquela concepção pré-cristã do universo: «Assim, oh Pai, Jesus viveu ainda pela Tua vontade e a vontade do Espírito Santo nas três moradas terrestres: na matriz da carne, na matriz da água baptismal e nas cavernas sombrias do mundo subterrâneo» (citando Jacób da Sarug in Consécration de l’eau baptismale); O símbolo da Árvore Cósmica e do centro do mundo são , por sua vez, integrados pelos pais da Igreja no símbolo da Cruz, que é descrita como «árvore que sobe da terra aos céus» ou a árvore que «saindo das profundezas da Terra, se ergueu para o Céu santificada, até aos confins do universo» (Mircea Elíade in images et symbole). Por último, Clemente de Alexandria, padre da Igreja, dirigindo-se aos pagãos, adoptando os motivos iniciáticos do neoplatonismo, dizia: «Oh mistérios verdadeiramente santos! Oh luz sem mistura! As tochas iluminam-me para contemplar o céu de Deus, torno-me santo pela iniciação.» (in Protrepticus, XII, 119, 3; 120 1)
Mas alguns motivos iniciáticos, os mais conhecidos dos quais são cerimónias da puberdade, sobreviveram até à idade moderna, conservando razoavelmente a sua estrutura iniciática, apesar da forte pressão eclesiástica em ordem à sua cristianização.
Este exemplo da capeia e do seu forcão ilustra, na minha opinião, uma das modalidades de sobrevivência destes ritos iniciáticos no Portugal cristão. Pela sua dessacralização e simplificação já não pode ser considerado como um rito, porque embora implicando provas e uma instrução especial (escolha da arvore, abate, construção do forcão e manuseamento numa prova de destreza) já não contempla o segredo.
É contudo, seguramente um costume popular de aspecto misterioso que deriva de cenários iniciáticos pré-cristãos, cuja significação original se perdeu no tempo, tal como as mascaradas e as dramáticas que acompanham as festas cristãs de Inverno e que decorrem entre o Natal e o Carnaval.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Capeia Arraiana nos Açores?

A anunciada utilização do forcão nos Açores tem provocado um conjunto de reacções emotivas que me parece não nos tem permitido assumir uma atitude mais racional.

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

O incontornável forcão da Capeia Arraiana

O Capeia Arraiana é Opinião Pública provocada pela edição informativa dos pensamentos de quem escolhe este espaço para dar espaço ao seu pensamento. O tema do momento anda à volta da realização de uma Capeia Arraiana nos Açores por ocasião das festas Sanjoaninas onde o religioso anda de mãos dadas, perdão, de cordas dadas com as célebres largadas das vacas. E só há duas hipóteses: os que estão a favor e os que estão contra. Os indecisos não contam para esta discussão. Após a discussão importa ficarmos todos do mesmo lado, ou seja, a agarrar ao forcão.

Paulo Adão - um Lagarteiro em Paris - © Capeia Arraiana

Os Raianos contra o forcão nos Açores…

Há várias semanas foi publicada aqui, a notícia de uma capeia com forcão na Ilha Terceira, em ocasião das festas Sanjoaninas.

Festas Taurinas SaoJoaninas - Ilha Terceira - Açores - Capeia Arraiana

Festas Taurinas SaoJoaninas – Ilha Terceira – Açores

Festival do Forcão – Soito 2008

Decorreu no dia 16 de Agosto de 2008, o XXIII Festival do Forcão, realizado na Praça Municipal, localizada na Vila do Soito.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaComo é habitual acontecer, todas as equipas participantes das Freguesias compareceram ao desfile inicial na arena, antes das palavras da praxe do Vice-Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Sr. Dr. Manuel Corte, que deu as boas vindas, saudando as equipas, bem como todos os arraianos presentes.
A Organização esteve a cargo de Aldeia do Bispo e Foios, com as formações a desfilar pela ordem do sorteio, como sempre, debaixo dos aplausos da assistência, principalmente das suas claques, incentivando os seus representantes na espera do touro ao Forcão.
Também aqui, tal como referi no artigo sobre as Capeias de 2008, é subjectivo designar algum vencedor, embora seja de somenos importância este aspecto, há muitos anos a esta parte, pois o que se pretende com este espectáculo é uma jornada de propaganda, acrescido de um convívio alargado entre as Aldeias, reforçando o Festival com esta tradição bem característica da região arraiana do Concelho de Sabugal.
Calhou em sorte à equipa dos Forcalhos abrir a faena, seguindo-se Alfaiates, Lageosa, Aldeia Velha, Soito, Ozendo, Aldeia do Bispo, Foios, cabendo no final, à equipa de Aldeia da Ponte o encerramento deste Festival.
Festival «Ó Forcão Rapazes-2008De um modo geral, todas as equipas estiveram à altura do acontecimento, esperando bem os touros, que foram marrando ao Forcão, cumprindo a sua parte no Festival, fornecidos para esta Capeia pelo amigo Romeu de Aldeia Velha, destacando-se nas restantes lides, as equipas do Soito e Aldeia da Ponte, culminando ambas, com o agarrar do seu touro em plena arena, debaixo dos fartos aplausos da assistência.
Outras habilidades nas lides aconteceram, com os habituais especialistas destes momentos, a darem nas vistas, recortando bem os touros, arrancando, também eles, algum merecido aplauso das bancadas.
Para o ano, mais outro Festival estará na calha, como vem sendo hábito, ao longo destes últimos 23 anos, colorindo a raia, com mais esta manifestação genuína da «espera» dos touros ao Forcão.
Terminado o Festival, foi a hora do convívio continuar nas imediações da Praça, seguindo-se o merecido jantar das diferentes equipas participantes, comentando-se, como não podia deixar de ser, as incidências do Forcão e das lides, cientes do dever cumprido em mais uma jornada de boa disposição, que todos os momentos das Capeias sempre proporcionaram, ao longo dos tempos.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

«Terras do Forcão» de A. Pissarra e Angel Gómez

Dois amigos, António Pissara e Angel Hernández Gómez, um português e outro espanhol, escreveram e editaram um livro que retrata a realidade das terras do concelho do Sabugal, tendo por quadro de fundo a tourada com forcão ou capeia arraiana. Neste tempo em que o ciclo das capeias se aproxima do fim aconselha-se a sua leitura para melhor conhecimento desta tradição taurina.

«Terras do Forcão» é um livro escrito em quatro línguas (português, castelhano, francês e inglês), com uma imensa profusão de fotografias, de óptima qualidade gráfica, que pretende ser um meio de promoção e divulgação do concelho do Sabugal, em especial das suas terras da orla raiana. O livro evolui ao redor do imaginário da capeia arraiana, que «começa na infância com as brincadeiras na escola e nos tempos livres, nas expressões utilizadas, onde o grito “Eh, Boiii!!!” é referência».
Os autores são amigos de longa data. Angel Hernández Gómez é professor e é natural de Gata, aldeia espanhola da linha raiana. É um apaixonado pela fotografia e gosta especialmente das terras do concelho do Sabugal, que percorre abundantemente, sempre com a câmara fotográfica ao lado. António Pissara também é professor e é ainda director do semanário Nova Guarda, estando ligado a Aldeia Velha pelo casamento.
O livro foi editado em 2003 e assume-se sobretudo como uma obra de divulgação. Fala com abundância do concelho do Sabugal, muito para além das terras onde tradicionalmente se faz a capeia, mas centrando-se sobretudo nestas: Aldeia da Ponte, Aldeia do Bispo, Aldeia Velha, Alfaiates, Fóios, Forcalhos, Lageosa da Raia e Soito. Também descreve a raia espanhola, onde os touros pastam na devesa, guardados por exímios cavaleiros, que mantém uma ligação permanente com as terras portuguesas. Explica-se no que consiste o forcão, enquanto instrumento de desafio dos touros, cuja origem histórica se perde na noite dos tempos. Também se explicam os rituais ligados às touradas, como o pedido da praça e o passeio dos rapazes, abordando-se ainda o encerro. A páginas tantas aborda-se a tragédia que muitas vezes acontece nas capeias. O arrojo desmedido ou a simples distracção têm ocasionado dramas, que o povo sente com intensidade.
O livro vive sobretudo da imagem. Há muitas fotografias antigas, testemunhando as touradas e os encerros de outrora, quando a praça ainda era vedada apenas com carros de bois carregados de lenha. Há imagens do rio Côa, das nossas paisagens naturais, dos monumentos, do povo assistindo às touradas com expressões de alegria e de apreensão. Também se reproduzem colecções de cartazes de várias épocas, através dos quais se divulgam as capeias, aí pontuando as que se realizaram no Campo Pequeno em Lisboa, pela mão da Casa do Concelho do Sabugal.
O precioso livro pode adquirir-se na Câmara Municipal do Sabugal, que patrocinou a edição.
plb

Forcão Raiano na Feira de São João nos Açores

O jornal «A União» de Angra do Heroísmo na Ilha Terceira, nos Açores, publicou esta semana uma notícia com «pormaiores interessantes» sobre os preparativos para a Feira de São João do próximo ano. O organizador pretende introduzir o forcão raiano no programa taurino das festas.

Tourada com cordaA Terceira é a única ilha do arquipélago açoriano onde existem criações de gado bravo o que facilita a realização de dois tipos de touradas: as típicas à portuguesa numa praça ou redondel e as de cordas. Nas touradas de cordas o touro é lançado a correr pelas ruas preso a uma corda de 80 metros de comprimento que é segura na outra extremidade por seis homens que usam normalmente camisolas de linho e correm descalços ou de sapatilhas.
Mas parece que a tradição já não é o que era. O jornal angrense «A União» antecipa na edição desta semana os preparativos e o programa das Festas de São João em 2009 que estão a ser orientadas pelo açoriano José Couto.
Com a devia vénia transcrevemos algumas passagens do artigo que confirma José Couto no comando da Feira de São João 2009:
«O reconhecimento do mérito do trabalho desenvolvido pela equipa de José Couto foi fundamental para a escolha do timoneiro da Feira de São João de 2009. Pela sexta vez, José Couto vai estar encarregue de definir a filosofia, o figurino e os moldes da Festa dos Toiros nas Sanjoaninas do ano que vem. Como em equipa que ganha não se mexe, José Couto mantém unido o grupo responsável pela Feira de São João 2008, uma feira fantástica, sobretudo pela grandeza dos carteis, pela qualidade dos toureiros contratados, pelo nível de apresentação, bravura e nobreza da maioria dos exemplares dos curros saídos à arena da Praça de Toiros Ilha Terceira.
Com José Couto na liderança dos destinos da Feira de São João 2009, podem os aficionados e amantes da Festa ter a certeza de que a tauromaquia será valorizada, até na sequência do balanço feito nas páginas de A União, uma semana após o fecho das festividades. Por outro lado, nessa entrevista, José Couto propõe mudanças e alternativas para a Feira e para toda a outra vertente taurina das Sanjoaninas.
Nada está sequer esboçado, nem convém que esteja, mas um pormenor que pode vir a fazer a diferença no espectáculo da gloriosa e tradicional Espera de Gado do dia de São João, 24 de Junho, será a hipotética introdução do Forcão, engenho de raízes culturais utilizado na lide dos toiros na capeia raiana. O Forcão, de madeira, é manobrado por cerca de 30 homens. Proporciona momentos de autêntico deleite a quem vê a exibição da força e destreza dos executantes, significando para quem o manobra verdadeira prova de aficcion aos toiros.»

Sabugal e Angra do Heroismo – Tão longe e tão perto!
jcl

Capeia Arraiana no Campo Pequeno (4)

GALERIA DE IMAGENS – 31 DE MAIO DE 2008
Fotos de ANTÓNIO VALE – Clique nas imagens para ampliar

Associação de Ruivós constrói o primeiro forcão

A recém-criada Associação dos Amigos de Ruivós deitou mãos à obra e construiu, pela primeira vez na história da aldeia, um forcão para a capeia de Agosto. Entretanto estão abertas as inscrições da excursão para assistir à Capeia Arraiana no Campo Pequeno.

Primeiro forcão construido pela Associação dos Amigos de RuivósA freguesia de Ruivós é uma das mais desertificadas do concelho. Envelhecida durante grande parte do ano cresce e rejuvenesce, como todas as aldeias do concelho, durante o mês de Agosto.
Em Ruivós há muitos apaixonados pela Capeia Arraiana que não perdem uma oportunidade para assistir aos encerros e touradas nas vizinhas freguesias raianas.
Sem grandes tradições nas capeias as primeiras tentativas com mordomias espontâneas começaram há meia dúzia de anos com garraiadas na Praça da Fonte. Mais recentemente foi vedado, com carácter de permanente, um espaço encostado ao salão de festas e rematado pelo muro do campo da bola para que ali fossem lidados os touros em Agosto.
Este ano a Associação dos Amigos de Ruivós, constituída em Agosto de 2007, resolveu chamar a si a organização da capeia de Agosto. Os irmãos Bruno (director da associação) e Marco (associado) assumiram a responsabilidade da mordomia e vão garantir a organização da capeia que em Ruivós tem a particularidade de ser nocturna.
Aproveitando a reunião da Direcção no dia 26 de Abril, os directores presentes orientados pelo empreiteiro de construção civil e presidente da Mesa da Assembleia Geral, Manuel Leitão, deitaram mãos à obra e construíram o primeiro forcão «a sério» da história da freguesia de Ruivós.
Assistiram à reunião os presidentes das associações de Vale das Éguas e de Aldeia da Dona (o da Ruvina estava igualmente convidado) aos quais foi dada a conhecer a composição dos órgãos sociais da associação e foi proposta uma parceria para a organização de uma excursão a Lisboa para assistir à 30.ª Capeia Arraiana da Casa do Concelho do Sabugal no Campo Pequeno.
Para os interessados informamos que estão abertas as inscrições (limitadas a 51 lugares) para a viagem em autocarro da Viúva Monteiro e com bilhete incluído para entrar no Campo Pequeno. A partida está marcada para as 8 horas da manhã com chegada prevista por volta da hora do almoço ao espaço reservado pela Casa do Concelho junto ao Campo Pequeno. O regresso deverá ocorrer por volta das 21 horas.
A directora responsável pelas inscrições é a Marlene Leitão e pode ser contactada pelo telemóvel: 965 701 146.
jcl

José Carlos Lages - Capeia Arraiana - Orelha

À fala com… Fernando Pinto Monteiro

O Capeia Arraiana esteve à fala com o Procurador-Geral da República, Fernando Pinto Monteiro, uma das importantes personalidades do Estado português. A conversa decorreu na Casa do Concelho do Sabugal, em Lisboa, durante um jantar de homenagem dos seus antigos alunos da UAL. A sua afirmação «Ainda hoje me lembro dos ninhos de pássaros nas árvores da escola do Sabugal» é inolvidável e merece o nosso destaque.

À fala com… Fernando Pinto MonteiroFernando Pinto Monteiro, é natural da freguesia de Porto de Ovelha, no concelho de Almeida. Dividiu a sua infância e juventude entre a terra natal e o Sabugal onde os pais se instalaram quanto tinha quatro anos de idade. Recuperou e mantém a casa que os tios lhe deixaram na aldeia de Badamalos e onde vai sempre que pode para tratar do jardim.
Acedeu a ter connosco uma conversa descontraída numa noite de sábado na Casa do Concelho do Sabugal onde foi o convidado de honra no jantar dos finalistas do curso de Direito da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) a quem deu aulas até aceitar o convite para Procurador.
«O bucho é uma especialidade da Beira que eu muito aprecio. Não há enchidos como os do Sabugal ou, então, é o gosto da infância. Traz-me recordações da adolescência quando, com os meus irmãos, comíamos bucho em casa dos avós de Porto de Ovelha. São sabores únicos. É um petisco que já não saboreava há muito tempo», começou por nos dizer a propósito de ter sido surpreendido com um aperitivo de bucho arraiano no início do jantar.

– Já conhecia a Casa do Concelho do Sabugal?
– Convidaram-me por diversas ocasiões mas foi hoje a primeira vez que visitei a Casa. Vou levar comigo a inscrição de sócio que José Lucas, meu amigo de há muitos anos, me entregou. Se a vou preencher? É com muito gosto que serei sócio da Casa do Concelho do Sabugal.
Para Pinto Monteiro a noite foi de recordações, de relembrar amigos e conhecidos do Sabugal. «Tive a alegria de encontrar amigos da adolescência e de rever os meus alunos da UAL. É um conjunto de sensações que se completam. É raríssimo aceitar convites. Entro na Procuradoria às nove e meia da manhã e nunca saio antes das nove, nove e meia da noite de segunda a sábado. É uma função muito absorvente.»

– O cargo é muito diferente daquilo que imaginava?
– O Presidente Jorge Sampaio disse-me que sabia que o cargo era muito difícil e exigente. Estamos a atravessar uma fase atribulada porque a aplicação da legislação no nosso País sofreu grandes alterações e há muitas leis novas ou que foram revistas. O Procurador tem que se pronunciar com decisões correctas.

– Que recordações tem do Sabugal?
– A infância e a adolescência andam sempre comigo. Ainda hoje me lembro dos ninhos de pássaros que havia nas árvores na escola do Sabugal. O professor Cavaleiro era um homem extraordinário. Tinha uma alegria de vida contagiante. Adorava a vida. E a propósito de professores vou contar-lhe um episódio curioso. Estava na Procuradoria e a minha assistente veio dizer-me – «Está a falar na rádio a sua professora do Sabugal» – Mas eu nunca tive uma professora! Percebi que alguém resolveu passar-se por minha professora.
O seu pensamento continua a recordar a sua juventude à beira do rio Côa e do castelo das cinco quinas.

– Somos quatro irmãos, mas só o mais novo nasceu no Sabugal. O António (Pinto Monteiro) é professor catedrático em Coimbra. É solicitado para dar muitos pareceres. Deve estar a chegar da China. O ano passado esteve em quatro continentes. Ainda hoje mantenho contacto com os meus amigos desse tempo. Fui, também, muito amigo do Fitz Quintela, irmão da pintora Helena Liz. Andámos no Liceu da Guarda e formou-se comigo em Lisboa.
[O jovem jurista do Sabugal, Fitz Quintela, foi o pai dos estatutos da Casa do Concelho do Sabugal em 1974 e faleceu tragicamente meses após a assinatura da escritura, baleado por um agente policial por alegadamente não ter parado numa operação de stop. n.d.r.].

No final do jantar enquanto discursava, o presidente da Casa, José Lucas, cometeu uma inconfidência que fez rir Pinto Monteiro: «Conheço o senhor Procurador desde a juventude, passámos férias juntos em Aldeia do Bispo e agarrámos os dois ao forcão, não porque fossemos muito corajosos, mas para agradar às chicas espanholas.»
Aproveitámos para lhe perguntar se ainda recordava esse feito. «É verdade. Agarrei ao forcão em Aldeia do Bispo quando tinha 15 ou 16 anos. Costumava passar oito dias em casa da família Mansos e, claro, acompanhava com os da minha idade. Já depois de formado, devia ter 22 ou 23 anos, passei férias em casa dos pais do Lucas e lembro-me que nesse ano fomos para as touradas de Fuenteguinaldo.»

– Na entrevista ao «Expresso» disse que não usava o cartão de crédito da Procuradoria e tentaram investigar a sua vida…
– Nunca me habituei a ser rico nem a ser pobre. Não tenho hábitos de rico. Gosto de pagar em dinheiro. Não uso cartões. O da Procuradoria está lá fechado num cofre. Dei aulas sem receber um tostão. Podem investigar-me à vontade. Ofereceram dinheiro a uma jornalista para tentar descobrir algum ilícito na minha vida. Se está a contar com esse dinheiro para comer vai morrer à fome.

A agradável conversa teve de terminar. O professor Pinto Monteiro começou a ser solicitado pelos seus alunos para dedicar e assinar as fitas de finalistas do curso de Direito da UAL.
O nosso agradecimento pela disponibilidade e simpatia do Procurador-Geral da República, Fernando Pinto Monteiro para com o Capeia Arraiana. Um beirão genuíno e um sabugalense que nos enche de orgulho.

jcl

Literatura - Capeia Arraiana (orelha)

«A Capeia Arraiana» de Adérito Tavares

Editado em 1985, o livro de Adérito Tavares continua a ser a maior referência bibliográfica acerca da tourada com forcão, cuja realização cabe por exclusivo ao povo das terras raianas do concelho do Sabugal.

O livro de Adérito TavaresNatural de Aldeia do Bispo, terra de fortes tradições taurinas, Adérito Tavares dedicou uma parte do seu tempo à investigação acerca das origens da capeia arraiana e à forma como a mesma se organizou ao longo dos tempos. O resultado foi um livrinho prático, profusamente ilustrado, que nos dá a conhecer a mais genuína tradição raiana de Portugal.
O autor, professor universitário em Lisboa, com forte gosto pelas análises históricas e pelo bom enquadramento dos estudos, começa por nos apresentar uma imagem do concelho do Sabugal, abordando o seu passado e o presente, falando dos costumes populares e caracterizando a economia local. Só depois se embrenha na história da tourada com forcão. A sua origem, enquanto manifestação festiva, esteve ligada às formas de vida de antigamente, com fortes ligações a Espanha, bem vivas no contrabando que se fazia pela calada, à margem do olhar das autoridades. Foi assim que os jovens contrabandistas aprenderam a gostar das touradas que se realizavam nas aldeias espanholas do lado de lá da raia e trouxeram para as nossas terras essa tradição, recorrendo ao gado espanhol que era criado nas extensas ganadarias que confluíam com as nossas propriedades.
À conta dos prejuízos que os bois espanhóis davam nas nossas terras de cultivo, o povo das aldeias portuguesas passou a exigir a cedência de uns touros para serem toureados num dia de festa. Foi com as idas a Espanha em busca do gado e com a sua condução às aldeias raianas, com a ajuda dos ganadeiros, que nasceu o encerro, onde os cavaleiros, logo pela manhã, conduzem os touros do campo até ao curro.
Pela tarde, na praça principal da aldeia, fechada por carros de vacas carregados de lenha, lidam-se então os bois, com recurso ao um grande corpo triangular de madeira de carvalho, a que pegam mais de vinte rapazes, assim desafiando o toiro. Tratasse do forcão, contra cujas galhas o toiro investe impiedosamente.
Adérito Tavares explica em pormenor como se constrói o forcão, como se organiza o espectáculo e qual a arte de bem pegar ao forcão. Dá conta das diferenças entre as capeias de antigamente e as de hoje, calendariza as diferentes touradas, tendo em conta a tradição e transcreve diferentes testemunhos escritos por outros autores que também se debruçaram sobre a capeia.
No prefácio afirma que um dos objectivos da edição é produzir um livro que os emigrantes «pudessem guardar e mostrar lá longe, quando querem explicar aos outros este divertimento que tanto os entusiasma». Bem podemos afirmar que o livro atingiu esse objectivo, sendo muito apreciado e abundantemente lido e analisado.
plb

Esteves Carreirinha - Ecos da Aldeia - © Capeia Arraiana (orelha)

O forcão da Raia

O Forcão é um instrumento típico da região fronteiriça do concelho de Sabugal, que é utilizado nas Capeias, realizadas nas povoações das terras de Ribacôa.

Forcão - Capeia Arraiana

Forcão para a Capeia Arraiana