Tag Archives: fernando capelo

Fernando Capelo - Orelha - Capeia Arraiana - 180x135

Sair de mim

A janela avisa-me da manhã, do sol e da cidade. Entreabro-a e confiro o inverno que se me oferece gelado e me arde no rosto. Chegam-me imagens de pessoas em movimentos apressados e de olhares efémeros.

A Serra, vista da janela, impõe-se sem dizer onde começa ou onde acaba

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Liberdade na mais pura essência

Há vivências que, anotadas no nosso íntimo, nos insinuam gente que dá tudo para ser bem sucedida e, também, pessoas que, estritamente, se entregam ao destino.

Errava pelos caminhos do mundo

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Semente de um choro colectivo

– Como se atrevem? – Foi o grito mais alto de Greta Thunberg na Cimeira de Acção Climática, em Nova Iorque.

Greta Thunberg

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Também eu, pá!

Nós, os humanos, temos, obviamente, muitas visões em comum. Concordamos na ideia do bem e do mal. Coincidimos no conceito de guerra e paz. Convergimos sobre o que é justo e o que o não é. Enfim, aceitamos, universalmente, tudo isto e muito mais. Mas, quanto a gostos? Diz o povo que eles não se discutem.

Chapinhar na água da chuva

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Sopro antigo na moderna urbanidade coimbrã

Sempre achei que, em Coimbra, os encantos coexistem com surpresas. A cidade dos estudantes medeia caminhos entre Interior e Litoral não parecendo, às vezes, ser muito zelada por quem manda.

Cidade de Coimbra

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Soltem-se as convicções

Quem comtemple um lugar ou uma paisagem poderá colher perceções capazes despertar e instigar o que tem dentro de si. Será, depois, possível implementar a divulgação.

Porque redijo com base na observação

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Primeira noção de finitude

Havia no quintal dos meus avós paternos uma ameixoeira centenária e insolitamente corpulenta. A sua folhagem verde/espessa coroava um caule grosso, cinzento, torto e meio furado de velhice.

Árvore caída

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Retratos de um Povo

Chegou-me o livro “Retratos de um Povo” pela mão do seu autor, José Grilo dos Santos, meu amigo de sempre. Foi-me entregue sob um olhar embebido de cumplicidade, gerada por vivências comuns e por uma ampla sobreposição de gostos.

José Grilo dos Santos retrata uma época plena de peculiaridades

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Limpar a Praça

As paixões não são más só por si. Bem pelo contrário. O problema é quando elas ficam tão exacerbadas que se pervertem ou se transformam em loucuras.

Bruno Lage no Marquês: ninguém vai para casa sem deixar a Praça limpa

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Maio serenamente afável

Temos, por ora, um maio de verde tingido que o tempo ainda não fez maduro. A janela desafia-me a espreitar a manhã quando já ultrapassa as sete e meia. O sol tanto enche a concavidade do vale quanto beija os píncaros da Serra.

Maio manteve-se quieto e ameno

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Assim se vive e festeja em Castelo Mendo

As Portas da Vila sugerem a entrada num passado medievo. No âmago da Aldeia Histórica, a antiguidade, severa e granítica, grita silêncios durante a maior parte do ano e uma quietude religiosa acaricia as igrejas ainda que despojadas de fiéis.

Festa em Castelo Mendo

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Nostalgia ou um pouco mais?

Com algum amargor se diz que a sucessão de presentes que se vem desenrolando se divorciou da memória deixando para trás experiências de outros tempos.

Será apenas nostalgia?

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Mais da alma que da vontade

Engendrar uma crónica faz-me lembrar uma quase conversa a dois, entre quem escreve e quem lê. Aliás, quando redijo, ideio alguém perante mim, como que um vulto de rosto indefinido, que me escuta e que gosta ou desgosta.

Cada um fluirá a seu jeito

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Março quer-se marçagão

Março é auspicioso e é um mês em que pode acontecer de tudo. Aos vinte dias conclui-se o inverno. Aos vinte e um já a primavera nos abraça. O dia oito homenageia as mulheres e o dia dezanove celebra o dia do pai. Às vezes março festeja a Páscoa. Este ano, só último dos seus trinta e um dias é dilatado pela hora legal.

Março mimoseia-nos com dias cálidos ou ventilados mas, uns e outros, prazenteiros

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Crónica ou desabafo?

Acabei por granjear suficiente arrojo para articular sobre um proeminente meio de comunicação social como a televisão assumindo, desde já, que sustento o presente intento num fastio, profusamente incomodativo, motivado pela estirpe de canais TV a que tenho vindo a ter acesso. Não coloco, evidentemente, tudo no mesmo saco e permito-me salientar, como rara e honrosa exceção, o canal 2 da televisão pública.

A televisão persiste num apelo que desce ao primário das emoções

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Realidades que se vão despindo

No tempo em que, assiduamente, habitava a aldeia que me habita, os aldeões desafiavam o inverno em casas de paredes maciças que hoje pouco mais recolhem que silêncios.

Havia casas de baixos e casas de altos

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Primeira crónica

A minha primeira crónica deste ano não será apenas dedicada a quem se divertiu, a valer, nos réveillons. Decidi dedicá-la, especialmente, aos que entraram no novo ano sem nada terem para além do tempo e aos que continuam a viver de enfraquecidas esperanças. Só depois a dedicarei aos foliões que iniciaram 2019 esforçando-se por deixar no ano velho todas as malquerenças.

Que 2019 consiga ser diferente para melhor

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Privilegiada contemplação

A Estrela já foi Serra de muitas e frondosas árvores. Porém, as suas encostas são, agora, atapetadas de ervas. Nas ladeiras fincam-se gestas que medram espontâneas entre arbustos rasteiros e há colinas onde prosperam jovens árvores, animadas pela justa aspiração de se tornarem adultas. Assim os incêndios ou outras perversidades humanas o consintam.

Serra da Estrela

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Falar de quê?

Talvez referir, hoje, um sítio onde a escassez de gente constrói silêncios ímpares. Porventura revelar uma aldeia, de rua única, onde hortas incultas são o desboque de travessas estreitas. Quiçá falar de um lugar bucólico que se expõe, serenamente, à tarde fria. Eventualmente garantir que, neste pequeno burgo, existem dois pequenos bares aptos a aviar os sedentos de cerveja, os amantes de bom vinho caseiro ou os viciados em café.

Da capela só saem andores de dois em dois anos

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

O café da minha juventude

Todos guardamos, da nossa juventude, recordações de sítios especiais. Há cafés que, por preservarem vivências próprias dessa idade, constituem lugares de referência privilegiada.

O café Madrilena no topo do jardim José de Lemos (foto colhida do blog Sol da Guarda)

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Verdade implacável

A investida do Leslie, à hora da sua furiosa chegada do Atlântico, apaziguou-se num abraço à Serra da Estrela. Do seu ímpeto inicial calaram-se os ventos e sobejaram chuvas ocasionais.

A abjeta imbecilidade de um motorista

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Certificados de beleza e afeto

Há tempos e tempos. Há tempos de memoria, tempos de mudança e sítios que sobrelevam a passagem e a transmutação dos tempos.

Muitas aldeias são santuários dinâmicos ainda que minguados de gente

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Cenários e enlevos

Logo que o verão se transfaz em outono, ainda sob os escombros do calor, abre-se o desponte de prévias imagens inverniças. Os primeiros frios e os anoiteceres outonais hão de sugestionar quenturas e crepitares de lareira.

A beleza e o enlevo de um cenário outonal

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Castelo Mendo – genuíno desfile de emoções

A Aldeia Histórica Castelo Mendo acolheu, no passado fim de semana, dias catorze e quinze de Setembro, várias atividades no âmbito do Ciclo de Eventos «12 em Rede – Aldeias em Festa».

Sete vozes coadjuvadas por sons de instrumentos tradicionais (fotografia de Armando Rui)

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Crónica dos verões repetidos

Iniciam-se, ultimamente, os verões numa intensidade reforçada de rituais de “Sunset”. Grupos mais ou menos estruturados, nos mais diferentes sítios e cenários, sob pretexto de fazer festa e usufruir de animação, aguardam o pôr do sol colocando o olhar no horizonte, assistindo ao sumir da claridade como se não previssem novos amanheceres.

Sunset

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Magnifico espetáculo!

Três mulheres diferentes mas, todas três, com algo em comum. Unia-as uma trilogia de arte. Buscaram um epíteto que as pudesse conectar e identificar. Adoptaram o nome “LunArte”.

Tocaram, cantaram e dançaram com uma entrega perfeita

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Agora é que vossemecê me lixou!

O Zé Catano era o taberneiro mais alto de que tenho memória. Tinha uma estatura de trave. Vivia dentro da mesma camisola cinzenta que sempre lhe conheci. Sob o pescoço e, do decote do pulover espreitavam dois colarinhos azulados, sujos e assimétricos.

Taberna antiga

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Perduram incertezas

Pouco mais de um ano passou após o fatídico dezassete de Junho de dois mil e dezassete, dia em que o Interior de Portugal se tornou numa ilha ardente.

No interior brotou uma angustia duradoura

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Sucesso oco

Nunca, como hoje, o sucesso foi tão intencionado apesar dos caminhos que o sugerem se terem tornado, cada vez mais, faltos de competência. A capacidade e a inteligência têm sido progressivamente desvirtuadas pela “finura” de tramas desleais e gananciosas.

A leitura entrou em absoluto desuso

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Evidente “cocozada”

Começo por referir que não sou um fiel seguidor do Festival da Eurovisão. Em todo o caso, colhi, de forma meramente ocasional, da cruzada festivaleira recentemente finalizada, algumas canções. Elegi duas delas para poder comparar: a vencedora e a que ficou em último lugar.

Um có-có-có-có-có e palavras desgarradas, sem nexo e quase a puxar a gargalhada

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

A «salto»… sem despedida

Havia frio na madrugada da partida. Um vento fresco cavalgava o vale para se abraçar ao Monte. O céu mantinha-se desenevoado deixando adivinhar a limpidez do dia que prometia emergir.

De quando em vez alguém partia “a salto” na longínqua manhã

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Neste estirar de manhã

A cidade exalava beleza exibindo o ar aristocrático com que vestia monumentos e construções arcaicas. Ostentava, sincronicamente, a elegância dos bairros mais modernos. E acordava…

A Guarda tem o encanto da história

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Infalibilidade da recordação

Terminada a Páscoa consumaram-se os parcos dias de descanso e revogaram-se os deleites das doçuras, a felicidade dos folares, a peculiaridade do cabrito.

Um pirilampo na palma da mão

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Vidas únicas

Contemplar a Serra pode ser verificar-lhe a versatilidade já que, supô-la estática, constitui um erro dos sentidos.

A imagem da montanha tempera o corpo e formata a alma

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Crepúsculo do fim da rua

Lembro-me de o ver, fisionomia robusta, andar firme, semblante austero, cara transbordante e rosada, aguilhada em riste, conduzindo um carro que, puxado por duas corpulentas vacas castanhas, produzia chios que trespassavam a aldeia.

Guiando um trator vermelho

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Contos e recantos

O tempo não perdoa, de facto. Não poupa sonhos nem ilusões. A sua impetuosa passagem sugere uma voraz corrente de rio. Apenas algumas lembranças se opõem a tão consternado percurso. Há recordações que, em cada presente, conseguem pairar na tona do tempo.

Lembranças da vida na aldeia

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Espetáculos de autenticidade

O presente inverno separou-se do outono quando este se disfarçava de verão. Depois procurou a Serra cinzenta, quase preta, sobrevivida de incêndios quando ela resistia a um calor fora de tempo e escondia os seus mais recentes martírios. Encontrou-a e foi-a climatizando, paulatinamente, outorgando-lhe curtas mas sucessivas invernias. Não houve, portanto, senão aceitar o curso deste inverno ainda que não cumpridos, a cada momento, os desejos de todos nós.

A Serra amigou-se com o inverno para fazer descer as nuvens

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Diferente para melhor

Redizer ano novo, vida nova é como insistir na mesma senha no início de cada ano. Há, apesar disso, muito de velho que se transfere para o novo ano.

Que o novo ano se revele diferente para melhor

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

À procura de mim

O largo abriu-se-me para uma primeira paragem e o pequeno café da aldeia insinuou-me uma bica quente. Lá dentro o calor do braseiro e a quentura do convívio reuniam à mesa meia dúzia de palradores. Juntei-me a eles e propus-lhes um copo.

A volatilidade das nuvens sugeria-me a brevidade da infância

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Sério desconforto

Era um dia deste mês de novembro adornado de chuva miudinha. O tempo já havia substituído as sombras rendilhadas, desenhadas no chão pelos ramos das árvores.

Pedinte sentada no passeio