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António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Um olhar diferente de Moscovo

Estando a Rússia na ordem do dia, neste Trilho de Viagens, venho-lhes contar alguns aspetos interessantes de Moscovo. Embora tenha efetuado a visita em 2009, seguramente que os episódios relatados nesta crónica, ainda estarão muito atuais.

Um olhar diferente de Moscovo - António José Alçada - Capeia Arraiana

Um olhar diferente de Moscovo

Habent sua fata verba

Como as pessoas também as palavras têm o seu destino, engrandecendo-se umas, vilipendiando-se outras, mantendo a pureza e simplicidade iniciais a maioria.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaDe entre as caídas no turbilhão do descrédito, nenhuma terá sofrido mais tratos de polé que o lateronem, o grande escriba que assessorava os monarcas e deu o étimo para ladrão.
Inverso foi o caminho de minister, que à nascença referenciado a moço de recados, serviu de basse à alta dignidade que hoje são os ministros.
Hoje pretendemos ocupar-nos de terminologia política.
Quando o exseminarista georgiano, de nome DJOUGLAVITCH, ao tempo simples filiado num insipiente partido de base operária, onde era conhecido por camarada cartucheiro, alcunha devida à sua função de controlador de ficha, resolveu adoptar o epíteto de ESTALINE, ninguém imaginaria a enorme difusão do termo em todas as línguas do mundo, civilizado, incivil ou em vias de acesso à civilização.
Embora sua mãe, quando confrontada com o assombroso poder que ele detinha repetisse que seria bem melhor que ele tivesse sido padre, a verdade é que nenhum homem até agora dominou tão larga parte do Planeta Terra e teve tanta influência nos países fora da Cortina com que fechara a sua satrapia.
A palavra bolchevique teve, por igual, um nascimento discreto e até nunciador de pequenez, de grupo minoritário.
Tratava-se de uma discussão entre aparachiques, com duas propostas de cuja votação sairam vencedores, porque maioritários os mencheviques, e vencidos, porque minoritários, os bolcheviques.
Mas os vencedores foram varridos da Historia e os seus chefes imolados nas sucessivas purgas do Cartucheiro, e a palavra BOLCHEVISMO passou a designar o comunismo oficial.
Aliás a revolução russa e as suas sequelas levaram à introdução no vocabulário comum de um elevado número de termos, inicialmente de muito reduzido significado.
De KERENSKI, governante moscovita que tomou o poder logo na sequência da queda dos czares, adveio o querenquismo, designativo de sistemas políticos de transição e transigência, que podem abrir — e muitas vezes abrem — a porta para inenarráveis tragédias.
E, já que falámos de czares, aproveitamos o ensejo para realçar a extraordinária difusão do terceiro nome de CAIO JÚLIO CÉSAR, que foi imperador de Roma, depois de uma extraordinária carreira militar e literária. O nome, que até teve reflexos nos partos de barriga aberta, tecnicamente chamados CESARIANAS, por César ter nascido assim, passou a designar, adaptado às diversas prosódias, os diversos titulos imperiais — o já referido czar ou ntzar para as Russias, Kaiser para as Alemanhas, cesário para as línguas latinas.
Ou cesarismo para o poder político em oposição ao religioso, ou fundindo-se com ele — cesarismo ou cesaro-papismo.
Voltando à Revoluçao Russa, diremos que raros acontecimentos, por si e as suas sequelas, terão tido tão grande impacto no léxico político.
A Revolução Francesa teve muito menor impacto. E a sua maior influência, nos domínios da linguística, foi certamente o significado atribuído aos termos esquerda e direita, que resultou do facto de, em Julho de 1789, os membros da Contituinte, defensores da autoridade real tomarem assento no lado direito da Assembleia, para o outro lado os seus adversários.
Mais tarde um outro termo nasce e se impõe, o BONAPARTISMO, radicado na autoridade de Napoleão, que tendo partido da revolução de botas e capacetes veio a significar autoridade baseada no poder militar.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

O poder corrompe e vicia

Existe um vício terrível do qual enfermam todos os partidos políticos, que é este: afirmar que as suas medidas, ordens e leis, não servem para outra coisa nem têm outro fim, que o de promover o bem comum. Se os homens da política tivessem cumprido só uma pequena parte das promessas que há longos anos fazem aos eleitores, a vida da humanidade seria paradisíaca.

Angela Merkel

António EmidioUsar a política como meio de vida é um fenómeno relativamente novo. Noutros tempos, ainda não tão distantes quanto isso, os políticos viviam do dinheiro da sua profissão. O seu tempo e as suas energias eram entregues à governação, faziam política por vocação. O que seria hoje, se por acaso fosse proibido receber dinheiro da governação a qualquer político, vivendo somente do dinheiro da sua profissão? Presumo que iriam simplesmente para a governação os homens e mulheres que tivessem uma verdadeira vocação para isso.
Quantas ditaduras e tiranias não tiveram, e têm origem na obsessão do mando? E quem sofre deste vício faz tudo para se manter no poder, se algum dia sai é porque o puseram a mexer, com eleições numa Democracia, ou a tiro numa ditadura. E a feroz concorrência entre eles para se manterem no poder!
E a nós querido leitor(a), o que nos resta? O que lhes sobra, que é insuficiente para podermos viver. Há aqui um pequeno grande pormenor, e o diabo esconde-se atrás dos pormenores, eles sabem muito bem que um político pobre é um pobre político, e isso fá-los atingir os seus objectivos… Mubarak como ditador, conseguiu uma fortuna pessoal de 50 mil milhões de euros, Tony Blair, numa Democracia, ainda conseguiu amealhar 25 milhões de euros.
Estou a escrever este artigo debaixo de uma raiva imensa, como é possível que a alemã Merkel tenha mais poder que todos os Parlamentos e Povos do resto dos países pertencentes à União Europeia? Porque é que a Alemanha, passados 72 anos, volta a esmagar a Europa, mas desta vez economicamente?
A economia! Só a economia! Sabe querido leitor(a), quem pensava assim? Estaline. Este homem matou e prendeu milhares de homens e mulheres que supostamente aos olhos da sua polícia política e informadores, se opunham à grandiosidade económica da União Soviética. Esta mulher não vai matar nem prender, penso eu!!! Mas vai enviar para o desemprego, pobreza e desespero, milhões de europeus, principalmente jovens. Eu, pessoalmente considero esta mulher, um Estaline de saias. Vai transformar esta Europa num imenso campo de concentração.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com