Tag Archives: emigrantes

Joaquim Gouveia - Capeia Arraiana (orelha)

O caminho da esperança era longo e penoso

A fome, o frio, o medo e a esperança marcaram aqueles 23 dias e noites, que separaram Vale de Lobo, a terra que um dia viu nascer António e a cidade de Lyon, que numa manhã gélida o recebeu.

Travessia dos Pirenéus

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Epopeia de um Povo

Os emigrantes continuam a escrever a História do Concelho do Sabugal, são personagens vivas de um momento histórico que se eternizará.

Em Agosto vou ver os meus

Em Agosto vou ver os meus

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Regressam para matar saudades

Eles aí estão… São milhares de emigrantes que todos os anos, sobretudo nos finais de Julho e princípios de Agosto, atravessam as nossas fronteiras. A Vilar Formoso diariamente chegam mais de dez mil viaturas. A recebê-los com um cartão de boas-vindas está a GNR, seguramente para lhes dar conselhos de segurança rodoviária.

A Guarda Nacional Republicana aborda os emigrantes na fronteira de Vilar Formoso

A Guarda Nacional Republicana aborda os emigrantes na fronteira de Vilar Formoso

Letícia Neto - Seixo do Côa - Sabugal - Capeia Arraiana - orelha

Agosto ainda com mais gosto

Estamos a poucos dias de ver chegar o grosso da nossa população emigrante. Que, como sabemos, vem maioritariamente de França. Ou DA França como nós dizemos pelas nossas terras do Interior. Em 2004 não foi possível vê-los chegar com ar triunfante, antes com um «foi quase» orgulhoso mas pesaroso. O mesmo que sentimos por cá, mas um pouco mais inflamado pela necessidade de afirmação nos países de acolhimento.

Selecção Nacional Futebol - Euro 2016 - Capeia Arraiana

Portugal Campeão da Europa de Futebol – Euro 2016 em França

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Sexo em casa dos pais

Agosto nas nossas terras, reencontros, conversas e desabafos…

«O meu filho dorme com a namorada lá em nossa casa»

«O meu filho dorme com a namorada lá em nossa casa»

Sabugal - © Capeia Arraiana (orelha)

Lesados do BES manifestaram-se no Sabugal

Dezenas de emigrantes lesados do Banco Espírito Santo protestaram no Sabugal, esta quinta-feira, 6 de Agosto. A GNR impediu de forma pacífica a invasão da dependência do Novo Banco no Largo da Fonte da cidade raiana.

Alcínio Vicente - Aldeia do Bispo - © Capeia Arraiana

Partiram

Alcínio Vicente evoca os emigrantes que partiram de volta aos locais onde trabalham, deixando as nossas terras no estado de torpor que infelizmente as caracteriza: silêncio e abandono.

Marinha - quadro de Alcínio Vicente

Marinha – quadro de Alcínio Vicente

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Casteleiro – Vidas vividas

Hoje sai uma crónica leve e meio brejeira, para aliviar os dias. Mesmo assim, acho que vai gostar de ler. Nem sempre qualidade e quantidade se contradizem. Mas às vezes, sim. Para manter a qualidade, hoje, reduzo a quantidade de caracteres – que é como quem diz: do número de letras e espaços… Entretanto, está já no ar o «Serra d’Opa» número 40, edição semanal – gazeta esta que passou a ter uma a duas edições diárias… Leia sobre a nossa região.

Esta é a minha aldeia de encantos tamanhos

Esta é a minha aldeia de encantos tamanhos

Natal adiado

«Recordando outras emigrações…» foi a epígrafe que a sabugalense Irene Cardona escolheu para o conto «Natal adiado», que escreveu e que nós aqui publicamos por se enquadrar na quadra festiva que se aproxima, deixando claro que nem sempre o Natal é tempo de felicidade.

Ei-los que partem...

Ei-los que partem…

José Fernandes - Do Côa ao Noémi - © Capeia Arraiana

Ei-los que chegam – Velhos e Novos

Sair do local onde se nasceu e cresceu é enfrentar o desafio de quem sai da zona de conforto. Quando se parte por não haver o condições de subsistência não só é desafiante como também é frustrante. Quando se volta, ainda que, para depois de algum tempo, partir de novo é como que entrar na casa quente num dia de nevão. Partir de novo é menos penoso do que partir a primeira vez.

Emigrantes «a salto» na zona dos Pirenéus

Emigrantes «a salto» na zona dos Pirenéus

Balanço do mês de Agosto nos Fóios

O mês de Agosto é, por excelência, o mês das férias e o mês das festas. No concelho do Sabugal, e mais propriamente na zona raiana, assumem diferentes proporções por causa das capeias à moda da raia. As capeias com forcão. Já muitos emigrantes me segredaram que se não fossem as capeias não viriam todos os anos ou que até mesmo se esqueceriam deste terrão.

José Manuel Campos - Fóios - Sabugal
José Manuel Campos - Fóios - Sabugal José Manuel Campos - Fóios - Sabugal José Manuel Campos - Fóios - Sabugal
José Manuel Campos - Fóios - Sabugal José Manuel Campos - Fóios - Sabugal José Manuel Campos - Fóios - Sabugal
José Manuel Campos - Fóios - Sabugal José Manuel Campos - Fóios - Sabugal José Manuel Campos - Fóios - Sabugal

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José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaEste ano notei que havia mais gente nos Foios e na raia em geral. À medida que nós, responsáveis autárquicos, nos vamos preocupando com os mais diversos melhoramentos nas nossas freguesias mais atractivas e mais convidativas se tornam.
Até há uns anos atrás o progresso e o desenvolvimento foi criar as condições básicas para que cá se pudesse viver com dignidade mas, desde há algum tempo a esta parte, e uma vez que o essencial está feito, passámos a dedicar-nos mais à limpeza e a bordar, por assim dizer.
Quase, um pouco por todos os lados, começam a surgir espaços de convívio e de lazer para que, cada vez mais, possamos viver e receber convenientemente quem nos visita.
Começando pela nascente do rio Côa e ao longo do seu leito, e das suas margens, começam a surgir bonitos e encantadores espaços de lazer. Refiro, com muito agrado, as praias fluviais de Foios, Quadrazais, Sabugal, Rapoula do Côa, Badamalos, Valongo, Vale das Éguas – e talvez mais algumas – que já vão sendo as delícias de muitas pessoas. Mas quanto ainda há para fazer por esse rio abaixo?!
Tive o cuidado de observar e estudar o comportamento humano das mais diversas criaturas por estas nossas paragens.
O emigrante, termo que pouco gosto de aplicar, está cada vez mais integrado e é cada vez mais, como todos nós, mais cidadão do mundo. Vivemos na tal aldeia global. E ainda bem.
Os mais novos, já terceira geração, oferecem-se para serem mordomos das capeias e desempenham cabal e orgulhosamente o cargo.
Os pais e os avós sentem-se igualmente vaidosos pelo facto dos filhos e netos continuarem a respeitar e a alimentar as raízes. É um autêntico fenómeno.
E os namoros e os casamentos que se vão arranjando por cá? É outro facto curioso.
Quantos namoros e casamentos já aconteceram através destes contactos e conhecimentos em férias?
Tenho verificado que os emigrantes já não gastam dinheiro como noutros tempos. Também reconheço que são cada vez menos uma vez que a grande maioria já regressaram definitivamente.
Mas, apesar de tudo, quando há gente há movimento que faz mexer toda a economia local e regional.
Os queijos das cerca de quinhentas cabras que há nos Foios esgotam-se e mal chegam para as encomendas. Os cabritos e os borregos ainda não nasceram e já estão destinados. Os padeiros, os proprietários dos minimercados, bares e restaurantes trabalham desalmadamente como acontece nas zonas das praias.
Há que fazer como a formiga. Recolher e guardar no Verão para comer no Inverno.
Tive oportunidade de ver que os bares e os restaurantes dos Foios funcionaram bastante bem. Tanto o restaurante do viveiro das trutas «TrutalCôa» como o «ElDorado» foi quase sempre casa cheia durante o mês de Agosto.
Quanto aos bares e esplanadas, incluindo o bar dos mordomos, também registaram muito boa afluência.
Depois das contas feitas e tornadas públicas verifiquei que sobrou algum dinheiro tanto aos mordomos das festas religiosas como aos mordomos das capeias.
Para eles um reconhecimento público pelo trabalho, esforço e dedicação para que tudo tivesse corrido como correu. Parabéns. Para o ano haverá mais.
Tenho verificado que a maioria dos residentes em França não se aguentam por lá o ano inteiro. São já muitos, sobretudo os que vivem na parte Sul de França, que vêm duas e três vezes à terra natal.
Vinde porque nós estamos sempre de braços abertos para vos receber.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Muito lhes devemos

É verdade querido leitor(a), muito deve o nosso País e principalmente o nosso Concelho aos emigrantes. A emigração está sempre ligada à economia, por isso, o «milagre económico» da Europa pós II Guerra Mundial dependeu muito da contribuição dos emigrantes e das remessas que mandavam para casa. Remessas essas que em Portugal correspondiam a 50 por cento do lucro das exportações do País.

António EmidioEste artigo não irá falar da componente económica da emigração no nosso Concelho, mas sim no começo de uma transformação cultural, social e também, em menor grau, política, que esta mesma emigração nos trouxe, principalmente pós Maio de 68 em França.
Foi tremendo o choque cultural de quem saiu de uma região como a nossa, predominantemente agrícola, onde nada havia e nada se passava, onde a luz eléctrica era uma raridade e outras necessidades básicas do homem eram um luxo ao alcance somente de uma pequena classe social e, mesmo esta não nadava num mar de abundância. A Guerra do Ultramar era muito distante e «silenciosa» as cartas dos soldados para as suas famílias eram lidas na maior parte das vezes por outrem, porque o analfabetismo a isso obrigava. Eramos um País isolado que olhava para o Atlântico, para o Império e para o Brasil. O Brasil tinha sido destino da emigração portuguesa desde o século XIX, a Argentina, outro país atlântico, tinha-o sido em princípios do século XX.
O que era a Europa? Uma desconhecida. Para Leste, o mais longe onde chegava a percepção de país e continente era até ao Pirenéus, era a nossa vizinha Espanha, companheira de ditadura, de emigração e de um nacional-catolicismo. Até que um dia alguém nos ensinou o que era a Europa, foram os emigrantes. O mês das suas férias, Agosto, converteu-se num mês de cor e alegria, de Liberdade, de rebeldia e de rechaço ao poder político que nos dominava. Conheciam já a Democracia e a Liberdade. Confrontavam-se à chegada com o mesmo que tinham deixado à partida, o receio de falar de questões políticas e sociais, a repressão sexual e a intransigência religiosa. Isso já não os amedrontava, as jovens já vestiam as suas calças, as suas mini-saias e os seus bikinis (o primeiro que vi no nosso Concelho, e bem atrevido, foi nas margens do Côa, no Roque Amador) amavam e beijavam os seus namorados em público, eles já vestiam os seus fatos calçando ao mesmo tempo sapatilhas, numa altura em que a maioria de nós só vestia o fato ao Domingo com os sapatos bem engraxados para ir à missa. A juventude europeia, principalmente a francesa, já tinha saído à rua com reivindicações anti-autoritárias, feministas e democráticas. O vestuário era importante, o vestuário específico dos jovens era uma afirmação de independência ou até de revolta.
Outro factor importante foi a música, em Portugal já havia grupos rock, grupos de rock português, mas a rádio ainda não os passava com muita frequência. Os jovens emigrantes e, os que aqui estudavam e iam passar uns dias de férias a casa dos pais que estavam emigrados na frança ou na Alemanha começaram a fazer a diferença. No princípio a música mais em voga era a francesa, Adamo, Silvie Vartan, Johnnny Halliday entre outros. Os emigrantes alemães, como a Alemanha estava mais exposta à música Anglo Saxónica já traziam Beatles e Rolling Stones. Dançou-se muitas vezes ao som de Hey jude e Satisfaction. Há outra razão importante para a mudança de música, no princípio a música francesa e também a italiana (esta romântica) eram as dominantes na Europa, mas depressa foram ultrapassadas pela Anglo Saxónica. Isto, os bailes e a música iam contra a decência e contra a pureza de costumes, ambas as coisas vigiadas pela Igreja e pelo Regime. Um baile particular numa garagem, por mais inocente que fosse, e tinha de o ser, podia transformar-se num escândalo. Recordo um dia em que um baile desses foi apelidado pelos senhores do regime como um «baile de putas». Quem dançou e se divertiu não temeu, indignou-se com essa afirmação. Isto querido leitor(a), eram tensões entre gerações, que também as havia nos países democráticos europeus, mas aqui tinham outro cunho.
Quanto à questão da língua, como é natural há um afrancesamento por parte dos emigrantes, mas que não interferiu com a língua autóctone, embora tenham ficado algumas expressões que são empregues em momentos de brincadeira.
Deixo para o fim a questão política, os emigrantes não vieram fazer revoluções, mas a sua indignação e a sua revolta traduziam-se numa rebeldia perante o poder político instituído e uma Igreja rural. Abordava-se a Guerra Colonial, mas muito «subterraneamente». Ouvia-se, mas muito pouco, a canção de protesto francesa. No nosso concelho, presumo que as autoridades políticas não tivessem mandado vigiar os emigrantes receando a subversão política e social, mas nas regiões industriais, aí sim, eram vigiados pela polícia política, compreende-se que assim fosse, subverter operários era diferente de subverter camponeses conservadores.
Com a emigração, assiste-se também ao início de uma mudança no campo social. Alguma da burguesia rural do concelho começou a perder poder económico. Em Portugal, nos finais dos anos sessenta começa uma ténue industrialização, dá-se então a partida do campo para a cidade, juntando a isto a emigração que tinha levado tanta mão-de-obra, os terrenos agrícolas começaram a ficar sem ninguém para os cultivar. Alguns emigrantes compraram esses terrenos. O poder de compra, o dinheiro, passa a estar nas mãos deles, a burguesia rural, alguma dela, começou a empobrecer e teve que procurar outros meios de subsistência.

O Concelho mudou na sua forma de se expressar e até de funcionar, não num ponto de vista político, a luta política era à partida uma causa perdida, mas ganhou-se socialmente, na relação entre homens e mulheres e entre pais e filhos. Também isto devemos aos emigrantes.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Casteleiro nos anos 60 – o valor das palavras

As linguagens da aldeia são muito diversas, variam de casa para casa, de rua para rua, mas têm substratos comuns. E respondem simplesmente à vida vivida, não a estereótipos científicos. Cada época acarreta para a fala os seus ícones também linguísticos. Hoje trago aqui só meia dúzia de exemplos dos anos 60 para apreciação de quem gostar destas elucubrações.

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Há palavras e expressões que nos anos 60 têm um significado profundo e subliminar que hoje nem se imagina. Na maior parte dos casos, o regime e a Igreja fizeram bem o seu papel: sedimentaram em cima da ignorância do Povo o significado que quiseram para cada palavra.
Um exemplo.
A Maçonaria combatia o regime? Então, tudo o que é mação é mau. Passaram esta ideia de base para as pessoas, repetiram isso até à exaustão e… nem preciso de explicar mais nada. De cada vez que se queria dizer que Fulano ou Sicrano era mau, tinha mau íntimo etc., bastava dizer:
– Aquilo é um maçónico!
Estava tudo dito. Maçónico é mação, é pessoa sem princípios. Pessoa que fosse rotulada de «maçónica» estava marcada. «Voz do Povo, voz de Deus» – a coisa circulava nos bastidores da vida social da aldeia. A partir daí, «mais vale cair em graça do que ser engraçado»: tanto dava a pessoa ter princípios e quais eles fossem como não: era simplesmente «maçónico». E estava frito…

«Até é Doutor»
E agora um exemplo do contrário: palavras que qualificam pela positiva sem mais discussão também…
A palavra «Doutor» corresponde ao máximo na escala social. Se é «Doutor» é boa gente: «Até é Doutor». Alguns, acho que só estiveram em Coimbra de passagem, mas ficaram para sempre «Doutores». Duvido que o «Doutor de Santo Amaro» alguma vez tenha concluído algum curso; e duvido que o «Doutor Guerra», da «Quinta» tenha acabado uma qualquer licenciatura. Mas são «Doutores».
E isso é que conta, nos anos 50 e 60: a reverência manifesta-se por aí também: o respeitinho da população garantido em símbolos de linguagem…
Ser «Doutor» é o máximo. Há poucos. A palavra é um título honorífico, como, sei lá, ser «conde» ou «besconde» (visconde, que também ali havia um numa quinta próxima…).
Se é «doutor» é gente importante, de certeza. Reparem que hoje a coisa mais vulgar é haver vários licenciados na mesma casa. Naquele tempo havia um ou dois em cada aldeia, se tanto. Daí, a «valorização» do termo na época.

Chega o calão emigrante
A propósito de linguagem, vale a pena referir dois ou três vocábulos introduzidos pela mistura emigrante. Os primeiros regressados de férias (meados dos anos 60) falam sem cessar das folhas de «peia», dos batimãs, dos bidonviles, da SNCF, dos papiês… Aos filhos falam uma mistura incrível. Ficou célebre aquela mãe a gritar na rua três ou quatro vezes: «Michel, tu vas tomber» («Miguel, vais cair»). E como o filho não obedecia e caiu mesmo: «Ai, o f.p. do garoto, não é que caiu mesmo? Ah, malandro, eu bem dizia que partias os c****s!».
Explicando os termos trazidos de Paris e arredores (Seine-et-Oise, Champigny – ver a foto pequena à direita) para a aldeia: folha de peia («feuille de paie») é o impresso relativo ao salário; batimãs («bâtiments») são as obras de construção civil onde muitos trabalhavam e davam cabo do cabedal; bidonviles («bidonvilles») são os bairros clandestinos miseráveis dos arredores de Paris, onde a maioria morava; SNCF: era a Société Nationale des Chemins de Fer (Sociedade Nacional dos Caminhos de Ferro) onde alguns trabalharam anos e anos; os «papiês» («papiers») são, naturalmente, os almejados documentos de legalização como emigrantes. Mas há mais: os carros e as matrículas. Os «apartamentos» (departamentos, claro – mas que diferença faz?). Demos connosco a saber de cor que 75 era Paris, 92, 93 ou 94, dos arredores…
Agora uma adivinha para fechar: sabe o que é o «farruge»?
Não, pois não?
Eu ajudo: era o «feu rouge», o semáforo vermelho que a todos eles surpreendeu nas cidades francesas (cá nunca tinham visto – o mais que tinham visto era um sinaleiro na Covilhã e outro na Guarda ou em Castelo Branco…).
Mas devo acrescentar que não é raro um ou outro emigrante na França ser depreciativamente apelidado de «tchampigny».
Enfim: fluxos e refluxos da linguagem popular.
Aliás, acho que toda a vivência emigrante no Casteleiro poderá merecer uma crónica específica. Um dia se verá isso.

…E assim se construiu um linguajar diferente e mais colorido naquela época meio triste e apagada. Foi um linguajar transitório. Hoje já ninguém diz «farruge». Os pais e avós falam português e arranham o francês mas os filhos e netos já só falam francês – e muito correctamente, os que lá fizeram a escola. A emigração levou saúde mas trouxe dinheiro, conforto e novos vocábulos obtidos por uma engraçada corruptela popular e folclórica.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Emigrantes – a despedida de Portugal

«É só para olhar um bocadito para trás e ganhar coragem para chegar ao Luxemburgo», diz um dos emigrantes que parou em Vilar Formoso. «Até para o ano!» é o desejo de histórias de vida que escrevem desde os anos 60 do século passado a história de Portugal. Reportagem, em Vilar Formoso, da jornalista Paula Pinto com imagem de Andrea Marques da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana

LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana
Autoria: LocalVisãoTV posted with Galeria de Vídeos Capeia Arraiana

jcl

Emigrantes entram por Vilar Formoso

Agosto é mês de férias para milhares de emigrantes portugueses. Vilar Formoso é a principal porta de entrada para a saudade. Reportagem da jornalista Andreia Guerra com imagem de Sérgio Caetano da Local Visão Tv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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jcl

A Reforma

A «Reforma» aquilo que todos esperam durante anos e que hoje muitos desconfiam, não virem a receber. Ao longo da vida profissional, todos aspiramos pela merecida reforma, mas não é segredo para ninguém o estado actual das reformas por toda a Europa.

Paulo AdãoEm Portugal ouvia-se sempre falar das reformas dos «emigrantes», das reformas que vinham de França ou de outros países.
Hoje, a França, como toda a Europa, atravessa graves problemas económicos e financeiros, a falta de emprego atinge niveis elevados, a longevidade humana foi aumentando. Com isto, existem cada vez menos pessoas em actividade e mais em fase de usufruir da tão esperada reforma. As estatisticas, são claras, em 1960 existiam 4 pessoas activas para cada reformado, em 2050 haverá apenas 1,2 pessoas em actividade para cada reformado. Em 2020, o número de reformados, ultrapassará o número de activos. Com a crise financeira, a França apresenta desiquilibrios em 2010 que eram esperados apenas para lá de 2030.
Com este panorama há muito que se temiam mudanças. Todos desconfiámos delas, mas niguém quereria que chegassem tão cedo. Este fim de semana, o governo francês, anunciou as primeiras linhas de discussão. Linhas de mudanças que vão antes de mais, fazer correr muita tinta nos jornais e noticiários, alterações que vão provocar manifestações, greves, descontentamento geral.
Este governo já nos tinha habituado ao «trabalhar mais para ganhar mais». Agora sem surpresas, o governo apresentou as linhas «mestras» deste tema: prolongar a idade legal de obtenção da reforma e fiscalizar mais, os altos salários e a riqueza individual. Muitas questões estão em aberto e estas linhas de discussão não se apresentam como a solução ao problema.
Um tema quente que promete muita discussão e que merece sem duvida muita discussão de quem de direito. Pena é, que tudo promete ser resolvido, como diz a oposição socialista, «durante os jogos do mundial, não deixando tempo às pessoas para reagirem».
Estatísticas recentes, mostram mesmo, que a maioria da população francesa (74%) não acredita no debate deste problema, achando que o governo têm já, tudo decidido. Ao mesmo tempo, apenas 35% acham haver uma igualdade de direito de expressão no que diz respeito à este tema.
Um tema que afecta a comunidade portuguesa presente em França, aqueles que próximo da idade de reforma sentem a ameaça de dever trabalhar mais algum tempo do que o previsto; para os mais novos com as dificuldades actuais de encontrar trabalho, um prolongamento dos anos de trabalho ou da idade de reforma, transforma-a numa miragem longínqua.
«Um lagarteiro em Paris», crónica de Paulo Adão

paulo.adao@free.fr

Paulo Adão - um Lagarteiro em Paris - © Capeia Arraiana

Sud-Expresso ganha carruagens Talgo

O Sud-Expresso moderniza-se. O mítico comboio da CP, com ligação diária de Lisboa à Hendaia, é o mais antigo da Europa em circulação. Liga, desde 1887, Santa Apolónia a Hendaia e a Paris por TGV. A partir deste primeiro de Março moderniza-se e passa a utilizar material Talgo. Os passageiros passarão a dispor, por exemplo, de quartos com duche privativo, entre outras novidades.

Sud-Express com carruagens Talgo - CP - Capeia Arraiana

Sud-Express com carruagens Talgo (foto: D.R.)

Convívio raiano em França

Convívio em França com mais de 40 emigrantes da zona do Sabugal no Bar-Restaurante «Le Chalet» em Houilles (78) no domingo, 13 de Julho de 2008. A tarde foi preenchida com um Torneio de Sueca com 19 equipas.

GALERIA DE IMAGENS – 13-7-2008
Fotos Sabrina Natário – Clique nas imagens para ampliar

Chegada da selecção portuguesa à Suíça

Emigrantes portugueses na Suíça receberam em delírio a comitiva da Selecção Nacional que participa no Euro-2008.

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Hélder Moreira (edição e montagem)