Tag Archives: emigracao

Joaquim Gouveia - Capeia Arraiana (orelha)

A face oculta da emigração

Sentindo-se como que encurralados entre o isolamento e a miséria, apesar de muito trabalho, raramente conseguiam angariar o seu sustento e da família. Para vencer esta verdadeira luta pela sobrevivência, de norte a sul, o país assistiu a grande debandada de portugueses procurando na emigração a resposta às muitas privações do dia a dia e poder sonhar por uma vida melhor.

Caixas de correio dos emigrantes portugueses num bairro de lata de Paris, nos anos 60. (Foto: Gérald Bloncour)

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Emigrantes

Em Outubro de 1958 fui frequentar a Escola Apostólica de Cristo Rei em Gouveia, uma casa dirigida por Padres Alemães. Quando nas férias do Natal regressei à minha Aldeia – Bismula (Sabugal), dei conta que já não estavam algumas pessoas. Naqueles tempos, sabia-se que a dor ou alegria do vizinho era também nossa.

Entrada em Espanha nas Batocas

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

A «salto»… sem despedida

Havia frio na madrugada da partida. Um vento fresco cavalgava o vale para se abraçar ao Monte. O céu mantinha-se desenevoado deixando adivinhar a limpidez do dia que prometia emergir.

De quando em vez alguém partia “a salto” na longínqua manhã

Joaquim Tenreira Martins - Orelha - Pedaços de Fronteira - Capeia Arraiana

Conto de Natal – A epopeia da emigração portuguesa

Um verdadeiro Conto de Natal – A epopeia da emigração portuguesa. Era uma vez um país à beira do mar plantado onde vivia um povo trabalhador, bondoso e inteligente. Havia uns que eram detentores de uma grande riqueza, mas a maioria das pessoas eram pobres e com famílias numerosas.

Natividade de Georges La Tour - Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

Natividade de Georges La Tour

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Casteleiro – Histórias da emigração (4)

Trago-lhe reflexos de mentalidades novas e de novos hábitos: a emigração no seu melhor, quando, parada a faina e a labuta incessante lá para os arredores de Paris, os emigrantes chegavam à terra e o ambiente se modificava a vários títulos… Tal como hoje: só que agora já ninguém estranha.

Renault 4 L - José Carlos Mendes - Capeia Arraiana

Renault 4 L

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Casteleiro – Histórias de emigração (2)

Os nossos conterrâneos que emigraram nos anos 60 e 70 para a França sabem muito bem as razões que os obrigaram a essa aventura. O que muitos ignoram é que 40 anos antes disso, uma pequena vaga de emigração atingiu também as nossas aldeias. Mas sobretudo para a Argentina e menos para o Brasil e a Venezuela. Hoje trago uma história desses tempos de há cem anos…

Sabugalenses emigraram para a Argentina nos anos 40 do século passado - José Carlos Mendes - Capeia Arraiana

Sabugalenses emigraram para a Argentina nos anos 40 do século passado

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

Quem defende os emigrantes

O sabugalense Carlos Luís, conhecedor profundo das comunidades portuguesas que vivem no estrangeiro, tem sido, enquanto tal, injustamente ignorado no seu concelho, que é precisamente uma terra de emigrantes.

Carlos Manuel Luís

Câmara Municipal Sabugal - © Capeia Arraiana

Migrações em debate no Sabugal e Fundão

«Labirintos da memória II – migrações, novas vozes, novas fronteiras», é o tema dos colóquios organizados pelos Municípios do Sabugal e Fundão, que se vão realizar nos dias 28 e 29 de Julho.

Franklim Costa Braga - Capeia Arraiana

Os Passadores

Nos anos sessenta surge nova actividade bem mais lucrativa que o contrabando para as gentes da raia, embora continuasse a ser ilegal – os passadores.

Os Passadores ajudavam a atravessar a fronteira a salto

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

Sabugal e Fundão discutem emigração

Segundo noticiou o Jornal do Fundão, as cidades do Sabugal e do Fundão vão acolher nos dias 28 e 29 de Julho umas jornadas sobre a emigração, com a participação de académicos, jornalistas e responsáveis políticos, para além de pessoas que viveram a emigração na primeira pessoa.

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

Tenreira Martins apresenta livro

O livro «Rostos da Emigração», de Joaquim Tenreira Martins, vai ser apresentado em Lisboa e no Porto, nos dias 11 e 12 de Maio.

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Alcínio Vicente - Aldeia do Bispo - © Capeia Arraiana

Minha Nossa Vossa Terra

Subi ao alto das torres de menagem dos nossos castelos, ao cimo das montanhas – assim começa o texto poético de Alcínio, onde se misturam sentimentos de nostalgia, revolta e inconformismo face ao estado das nossas aldeias e ao futuro que as espera.

Pintura de Alcínio - o castelo do Sabugal

Pintura de Alcínio – o castelo do Sabugal

Efemérides - 2015 - © Capeia Arraiana

Há 70 anos foi proibida a emigração

Em 29 de Março de 1947 o governo de Oliveira Salazar suspendeu a emigração portuguesa, exceptuando quando feita ao abrigo de acordos ou convenções assinados com alguns países de destino.

Emigração portuguesa

Emigração portuguesa

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (23)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Abordamos agora a documentação dos emigrantes, que muitas vezes era falsa.

Passaporte de 1965

Passaporte de 1965

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (21)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Falamos agora dos trilhos usados pelos emigrantes para cruzarem a fronteira a salto.

PASSADORAS MARCO DE FRONTEIRA VILAR FORMOSO

PASSADORAS
MARCO DE FRONTEIRA
VILAR FORMOSO

Brasão Freguesia Vale de Espinho - Sabugal - Capeia Arraiana

Visage de l’Émigration ou o paradigma do cuidar

Entendo que a obra de Joaquim Tenreira Martins – «Visages de l’Émigration Portugaise», das edições L’Harmattan – Paris, é um testemunho qualificado e emotivo da parte de quem, desde muito cedo, centrou a sua vida numa perspectiva daquilo que considero o desejo do cuidar.

Albino Lopes na apresentação do livro de Tenreira Martins no Sabugal

Albino Lopes na apresentação do livro de Tenreira Martins no Sabugal

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (17)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Abordamos agora o modus operandi da Polícia de Segurança Pública e o controlo da emigração no concelho do Sabugal.

A PSP colaborava com as demais autoridades

A PSP colaborava com as demais autoridades

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (16)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Abordamos agora o modus operandi da força policial incumbida de evitar, descobrir e reprimir o contrabando: a Guarda Fiscal.

A Guarda Fiscal estava implantada junto à linha de fronteira

A Guarda Fiscal estava implantada junto à linha de fronteira

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (15)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Abordamos agora o modus operandi de outra força policial encarregue da segurança do país: a Guarda Nacional Republicana.

A GNR estava em todo o território nacional

A GNR estava em todo o território nacional

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (14)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Abordamos agora o modus operandi das forças policiais encarregues da segurança do país, começando pela PIDE, que detinha especiais responsabilidades no controlo das fronteiras.

À PIDE (depois DGS) competia o controlo da emigração

À PIDE (depois DGS) competia o controlo da emigração

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (13)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Abordamos agora, dentro do contexto nacional, a caracterização da política policial seguida pelo regime de Salazar face à emigração.

Militares da GNR

Militares da GNR

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (12)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Abordamos agora o contexto nacional entre os anos de 1960 e 1975.

João Antunes Varela, ministro da Justiça, acreditava que o motivo da emigração eram os baixos salários pagos em Portugal

João Antunes Varela, ministro da Justiça, acreditava que o motivo da emigração eram os baixos salários pagos em Portugal

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (11)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Falemos agora nas potencialidades da chamada «Raia Seca».

Raia seca

Raia seca

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

Apresentação de livro sobre a Emigração

O livro «Visages de l’Émigration Portugaise», da autoria do valdespinhense Joaquim Tenreira Martins, vai ser apresentado no Salão Nobre dos Paços do Concelho do Sabugal, no dia 12 de Agosto, pelas 16h30.

Visages de l'emigration portugaise - Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

Capa do livro «Visages de l’emigration portugaise» de Joaquim Tenreira Martins

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (10)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Falemos agora no concelho do Sabugal, aludindo às fronteiras do concelho e à evolução do número de freguesias.

Castelo de Vilar Maior

Castelo de Vilar Maior

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (9)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Falemos agora no concelho do Sabugal, aludindo à caracterização do território.

Sabugal 1967

Sabugal 1967

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (7)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Continuamos a fazer alusão à «metodologia» que é seguida na investigação e na apresentação deste trabalho.

A fronteira na Serra das Mesas

A fronteira na Serra das Mesas

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (6)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Façamos agora alusão à «metodologia» que é seguida na investigação e na apresentação deste trabalho.

Homens do Soito que foram a salto para França

Homens do Soito que foram a salto para França

Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

Emigração – a pátria do nosso exílio

Da Babilônia até Sião é um êxodo de muitos anos, a galgar montes, desertos e a passar fome e sede. São muitas cicatrizes no rosto, são muitas lágrimas contidas. São muitos Julhos e Agostos a passar a fronteira. Deixámos para trás amigos, família, e interrogamo-nos sobre o valor da grande decisão de um dia ter partido.

Judeu Errante - Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

O Judeu Errante de Marc Chagall

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (5)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Façamos agora o que se chama o «levantamento da problemática».

A Guarda Fiscal vigiava a fronteira - antigo posto de Vale de Espinho

A Guarda Fiscal vigiava a fronteira – antigo posto de Vale de Espinho

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (4)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Continuamos a analisar o «estado da arte» em termos académicos.

Emigrantes em viagem

Emigrantes em viagem

Joaquim Tenreira Martins - Opinião - Capeia Arraiana

O meu livro e a tua pintura

Começarei por prestar homenagem ao meu amigo Alcínio Fernandes Vicente que há alguns meses abordei com uma certa timidez, pedindo-lhe para me ceder a sua bonita pintura que designou Êxodo, e que encontrara nos arquivos do bloque Capeia Arraiana, onde, regularmente escrevemos.

O novo livro de Joaquim Tenreira Martins

O novo livro de Joaquim Tenreira Martins

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (3)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Continuamos a analisar o «estado da arte» em termos académicos.

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Franklim Costa Braga - Capeia Arraiana

Quadrazais – Antes, Agora e Depois

São tantas e tais as mudanças na vida das gentes do interior, especialmente da raia e mormente em Quadrazais, que vale a pena recordar como era a vida em Quadrazais nos primeiros sessenta anos do século passado e estabelecer uma comparação com os anos que se seguiram, sobretudo os actuais.

A emigração trouxe muitas mudanças a Quadrazais

A emigração trouxe muitas mudanças a Quadrazais

César Cruz - Desassossego - Opinião © Capeia Arraiana

Hoje há festa na aldeia

Hoje há festa na aldeia… As ruas engalanadas preparam-se para acolher os que, de malas feitas, regressam, por uns quantos dias, à terra que os viu nascer… Hoje há festa na aldeia… e é assim todos os anos.

Por uns dias

Por uns dias

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

A emigração dos jovens e a Beira Interior

Por deferência do distinto professor de Economia José R. Pires Manso, natural dos Fóios, publicamos um texto da sua autoria, intitulado: «A emigração dos jovens e a Beira Interior – a amargura da procura do primeiro emprego».

Prof. José R. Pires Manso, o autor do estudo sobre a Emigração na Beira Interior

Prof. José R. Pires Manso, o autor do estudo sobre a Emigração na Beira Interior

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Uma geração de triunfadores

É este o título de um brilhante estudo da Doutora Manuela Aguiar, antiga e preclaríssima Secretária de Estado das Comunidades, publicado na revista As Artes entre as Letras, de que é habitual colaboradora.

Gaiola Dourada, uma vistosa galeria de estereótipos da emigração portuguesa

Gaiola Dourada, uma vistosa galeria de estereótipos da emigração portuguesa

José Fernandes - Do Côa ao Noémi - © Capeia Arraiana

Tordos, rouxinóis, pardais e outros mais

Emigrar é uma opção pessoal, muitas vezes, quase que obrigatória, para quem quer trabalhar no seu país e não encontra emprego. Os milhares que emigraram desde a década de 60 do século passado até hoje, faziam-no quase que de forma incógnita.

Fernando Tordo

Fernando Tordo

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Casteleiro – Uma história argentina na aldeia

Há uns oito anos, contei num «blog» meu uma história deliciosa da nossa aldeia. Na altura, muitos amigos riram a bom rir com esta «performance» de um aldeão que teve de emigrar para a Argentina e que de lá regressou pobre e de mãos a abanar mas com o espírito mais… digamos: arejado! A prenda que trouxe para a mulher, já entradota nessa altura, mostra que não há derrotas do espírito – só para quem as aceite. Leia, que vai gostar de mais uma história bem-disposta de antanho, passada no Casteleiro. Entretanto, para ler algum noticiário regional com interesse, passe pelo «Serra d’ Opa» (veja a última linha da crónica). Uma volta pela «net» leva-o lá. Boa viagem.

Emigração para a América Latina

Emigração para a América Latina

A emigração concelhia vista no seu tempo

O maior movimento populacional da História de Portugal deu-se entre 1961 e 1974, quando um milhão e meio de portugueses partiu para o estrangeiro à procura de um melhor nível de vida. A população do Concelho do Sabugal ficou dramaticamente reduzida. Vejamos o que dois articulistas do jornal Amigo da Verdade diziam da emigração concelhia em 1962.

António Emídio«Continua em grande ritmo a saída de gente para França. Parece que tal êxodo vai tocando as raias do vício. A escassez agrícola destes últimos anos justifica a permanente busca do dinheiro em parte. Todavia o mal não está no legítimo desejo de procurar uma condição económica mais humana, mas sim na finalidade exclusiva que muitos põem ao abandonar a sua terra. Só uma coisa os determina: a miragem do dinheiro francês. Este pensamento desordenado vai, pouco a pouco, na vida de cada dia tomando consequências sérias. Por cá – quem vê o seu povo vê o mundo todo – as famílias começam a perder o conceito de unidade matrimonial, pois é muito fácil passar-se dos factos consumados à ideia. O marido em França, os filhos e a mulher cá pelas terras, parecem formar, embora aparentemente, lares essencialmente diferentes.
Sob o ponto de vista educacional, a família deixou de ser praticamente uma escola de formação, já que a quase totalidade dos chefes de família se encontram ausentes. Cá andam os filhos à mercê da impotência maternal – salvo raras excepções de algumas. Na ordem social, tendo os filhos recebido praticamente uma autonomia prematura em ideias, vida, irresponsabilidade, com os bolsos atulhados de dinheiro, sem ninguém que os vigie e oriente os passos vão-se habituando a uma faceta de viver que não é real nem o mais próprio para a juventude. E isto é o princípio de tudo… que amanhã se verá!…
(…)
»

Como já escrevi, este artigo vem num jornal concelhio de 1962, o Amigo da Verdade, não traz o nome do autor, mas vem na coluna das Quintas de S. Bartolomeu.

«À hora que vos escrevo o dia está maravilhoso, um sol benéfico espalha os seus raios acariciadores através dos encantadores campos desta risonha aldeia. Sentado ao ar livre num recanto sossegado desfruto a beleza e a graça desta tarde e contemplo um rancho numeroso de rapazes e raparigas que no mais vivo entusiasmo se dedicam à faina da colheita da azeitona. Neste momento chegou junto de mim um amigo, mas dos verdadeiros que acaba de regressar do Sabugal e que me diz: então já sabia que desta vez segue mais pessoal para França?
– Sim?!
– É verdade. Encontrei hoje no Sabugal mais de vinte Casteleirenses a tratar dos seus papéis para saírem. Dizem que ganham lá muito dinheiro…
Repliquei:- Se assim continuamos daqui a pouco não há quem cuide das terras (…) lembrei-me que esta gente se ausentaria certamente porque a agricultura não lhes compensava tantos trabalhos, que se sentiriam desiludidos com a terra e os seus produtos. Realmente a situação do trabalhador rural é pouco animadora e por isso começa a sentir desprezo à terra e ao viver da aldeia e procura ausentar-se em demanda de nova vida, de vida que lhe garanta um futuro mais seguro e cómodo.
(…)
»

Este artigo vem também num Amigo da Verdade de 1962, também não traz nome do autor, vem na coluna do Casteleiro.

O fenómeno da emigração foi o causante do grande despovoamento do Concelho, mas não o foi do seu fraco desenvolvimento económico, político, social e cultural. Vejamos: já em 1926 os colaboradores do jornal «Gazeta do Sabugal», jornal do político integralista do Casteleiro, Joaquim Mendes Guerra, se queixavam do abandono do Concelho e davam a sua opinião para o melhorar. No Amigo da Verdade de 1962, estes dois colaboradores queixavam-se da situação do trabalhador da terra ser pouco animadora.
Ano de 2012: colaboradores deste Blog – Capeia Arraiana – queixam-se da situação do Concelho e opinam qual a melhor maneira para pôr um travão a um retrocesso galopante.
Pessoalmente, creio que das três épocas históricas que mencionei, a actual, 2012, é a mais problemática de todas, porquê?
1º O País está intervencionado. Neste momento podemos considerá-lo um «protectorado» de potências estrangeiras. Perdemos a soberania.
2º Vai ser feita uma nova divisão administrativa em Portugal, sendo como é lógico também abrangido o Concelho do Sabugal. A divisão administrativa foi ordenada do exterior por quem não conhece a realidade do País.
3º A profunda crise económica e os tratados europeus não permitem que Portugal crie riqueza e se desenvolva a todos os níveis desde o económico ao social, passando pelo político. O Concelho do Sabugal também sofre com isso, a recessão também afecta a economia local.
4º O desmantelamento dos serviços públicos no Concelho é uma ameaça séria ao seu equilibrado desenvolvimento.

Conseguiremos ultrapassar estes tempos difíceis? Sem dúvida! Já ultrapassamos outros, mas para suplantar o actual momento só temos uma opção: seguir estes três valores: valores éticos, valores sociais e valores ambientais. Sem estes três valores fundamentais em qualquer Democracia, podemos fazer do Sabugal uma Las Vegas, mas os mais jovens continuarão a sair como saíram no tempo do Estado Novo, com a diferença que não seria a nobreza (classe política dirigente) nem a Igreja que mandariam, mas sim o dinheiro, o dinheiro de um qualquer cacique, produzindo-se novamente uma involução social que nos desumanizaria. As sociedades só têm êxito quando lutam pelo bem comum, e o bem comum não é só material, por cima do materialismo está a qualidade da saúde dos habitantes do Concelho, a qualidade da educação dos nossos filhos, a nossa própria cultura e tradições, a defesa do nosso meio ambiente, o bem-estar dos nossos idosos a qualidade dos nossos escritores e a beleza dos poemas dos nossos poetas e, talvez o mais importante, a erradicação da pobreza. Assim vale a pena viver a vida no nosso Concelho.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com