Tag Archives: emigracao

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Casteleiro – Histórias da emigração (4)

Trago-lhe reflexos de mentalidades novas e de novos hábitos: a emigração no seu melhor, quando, parada a faina e a labuta incessante lá para os arredores de Paris, os emigrantes chegavam à terra e o ambiente se modificava a vários títulos… Tal como hoje: só que agora já ninguém estranha.

Renault 4 L - José Carlos Mendes - Capeia Arraiana

Renault 4 L

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Casteleiro – Histórias de emigração (2)

Os nossos conterrâneos que emigraram nos anos 60 e 70 para a França sabem muito bem as razões que os obrigaram a essa aventura. O que muitos ignoram é que 40 anos antes disso, uma pequena vaga de emigração atingiu também as nossas aldeias. Mas sobretudo para a Argentina e menos para o Brasil e a Venezuela. Hoje trago uma história desses tempos de há cem anos…

Sabugalenses emigraram para a Argentina nos anos 40 do século passado - José Carlos Mendes - Capeia Arraiana

Sabugalenses emigraram para a Argentina nos anos 40 do século passado

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

Quem defende os emigrantes

O sabugalense Carlos Luís, conhecedor profundo das comunidades portuguesas que vivem no estrangeiro, tem sido, enquanto tal, injustamente ignorado no seu concelho, que é precisamente uma terra de emigrantes.

Carlos Manuel Luís

Câmara Municipal Sabugal - © Capeia Arraiana

Migrações em debate no Sabugal e Fundão

«Labirintos da memória II – migrações, novas vozes, novas fronteiras», é o tema dos colóquios organizados pelos Municípios do Sabugal e Fundão, que se vão realizar nos dias 28 e 29 de Julho.

Franklim Costa Braga - Capeia Arraiana

Os Passadores

Nos anos sessenta surge nova actividade bem mais lucrativa que o contrabando para as gentes da raia, embora continuasse a ser ilegal – os passadores.

Os Passadores ajudavam a atravessar a fronteira a salto

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

Sabugal e Fundão discutem emigração

Segundo noticiou o Jornal do Fundão, as cidades do Sabugal e do Fundão vão acolher nos dias 28 e 29 de Julho umas jornadas sobre a emigração, com a participação de académicos, jornalistas e responsáveis políticos, para além de pessoas que viveram a emigração na primeira pessoa.

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

Tenreira Martins apresenta livro

O livro «Rostos da Emigração», de Joaquim Tenreira Martins, vai ser apresentado em Lisboa e no Porto, nos dias 11 e 12 de Maio.

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Alcínio Vicente - Aldeia do Bispo - © Capeia Arraiana

Minha Nossa Vossa Terra

Subi ao alto das torres de menagem dos nossos castelos, ao cimo das montanhas – assim começa o texto poético de Alcínio, onde se misturam sentimentos de nostalgia, revolta e inconformismo face ao estado das nossas aldeias e ao futuro que as espera.

Pintura de Alcínio - o castelo do Sabugal

Pintura de Alcínio – o castelo do Sabugal

Efemérides - 2015 - © Capeia Arraiana

Há 70 anos foi proibida a emigração

Em 29 de Março de 1947 o governo de Oliveira Salazar suspendeu a emigração portuguesa, exceptuando quando feita ao abrigo de acordos ou convenções assinados com alguns países de destino.

Emigração portuguesa

Emigração portuguesa

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (23)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Abordamos agora a documentação dos emigrantes, que muitas vezes era falsa.

Passaporte de 1965

Passaporte de 1965

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (21)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Falamos agora dos trilhos usados pelos emigrantes para cruzarem a fronteira a salto.

PASSADORAS MARCO DE FRONTEIRA VILAR FORMOSO

PASSADORAS
MARCO DE FRONTEIRA
VILAR FORMOSO

Brasão Freguesia Vale de Espinho - Sabugal - Capeia Arraiana

Visage de l’Émigration ou o paradigma do cuidar

Entendo que a obra de Joaquim Tenreira Martins – «Visages de l’Émigration Portugaise», das edições L’Harmattan – Paris, é um testemunho qualificado e emotivo da parte de quem, desde muito cedo, centrou a sua vida numa perspectiva daquilo que considero o desejo do cuidar.

Albino Lopes na apresentação do livro de Tenreira Martins no Sabugal

Albino Lopes na apresentação do livro de Tenreira Martins no Sabugal

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (17)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Abordamos agora o modus operandi da Polícia de Segurança Pública e o controlo da emigração no concelho do Sabugal.

A PSP colaborava com as demais autoridades

A PSP colaborava com as demais autoridades

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (16)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Abordamos agora o modus operandi da força policial incumbida de evitar, descobrir e reprimir o contrabando: a Guarda Fiscal.

A Guarda Fiscal estava implantada junto à linha de fronteira

A Guarda Fiscal estava implantada junto à linha de fronteira

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (15)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Abordamos agora o modus operandi de outra força policial encarregue da segurança do país: a Guarda Nacional Republicana.

A GNR estava em todo o território nacional

A GNR estava em todo o território nacional

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (14)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Abordamos agora o modus operandi das forças policiais encarregues da segurança do país, começando pela PIDE, que detinha especiais responsabilidades no controlo das fronteiras.

À PIDE (depois DGS) competia o controlo da emigração

À PIDE (depois DGS) competia o controlo da emigração

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (13)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Abordamos agora, dentro do contexto nacional, a caracterização da política policial seguida pelo regime de Salazar face à emigração.

Militares da GNR

Militares da GNR

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (12)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Abordamos agora o contexto nacional entre os anos de 1960 e 1975.

João Antunes Varela, ministro da Justiça, acreditava que o motivo da emigração eram os baixos salários pagos em Portugal

João Antunes Varela, ministro da Justiça, acreditava que o motivo da emigração eram os baixos salários pagos em Portugal

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (11)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Falemos agora nas potencialidades da chamada «Raia Seca».

Raia seca

Raia seca

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

Apresentação de livro sobre a Emigração

O livro «Visages de l’Émigration Portugaise», da autoria do valdespinhense Joaquim Tenreira Martins, vai ser apresentado no Salão Nobre dos Paços do Concelho do Sabugal, no dia 12 de Agosto, pelas 16h30.

Visages de l'emigration portugaise - Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

Capa do livro «Visages de l’emigration portugaise» de Joaquim Tenreira Martins

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (10)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Falemos agora no concelho do Sabugal, aludindo às fronteiras do concelho e à evolução do número de freguesias.

Castelo de Vilar Maior

Castelo de Vilar Maior

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (9)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Falemos agora no concelho do Sabugal, aludindo à caracterização do território.

Sabugal 1967

Sabugal 1967

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (7)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Continuamos a fazer alusão à «metodologia» que é seguida na investigação e na apresentação deste trabalho.

A fronteira na Serra das Mesas

A fronteira na Serra das Mesas

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (6)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Façamos agora alusão à «metodologia» que é seguida na investigação e na apresentação deste trabalho.

Homens do Soito que foram a salto para França

Homens do Soito que foram a salto para França

Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

Emigração – a pátria do nosso exílio

Da Babilônia até Sião é um êxodo de muitos anos, a galgar montes, desertos e a passar fome e sede. São muitas cicatrizes no rosto, são muitas lágrimas contidas. São muitos Julhos e Agostos a passar a fronteira. Deixámos para trás amigos, família, e interrogamo-nos sobre o valor da grande decisão de um dia ter partido.

Judeu Errante - Joaquim Tenreira Martins - Capeia Arraiana

O Judeu Errante de Marc Chagall

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (5)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Façamos agora o que se chama o «levantamento da problemática».

A Guarda Fiscal vigiava a fronteira - antigo posto de Vale de Espinho

A Guarda Fiscal vigiava a fronteira – antigo posto de Vale de Espinho

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (4)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Continuamos a analisar o «estado da arte» em termos académicos.

Emigrantes em viagem

Emigrantes em viagem

Joaquim Tenreira Martins - Opinião - Capeia Arraiana

O meu livro e a tua pintura

Começarei por prestar homenagem ao meu amigo Alcínio Fernandes Vicente que há alguns meses abordei com uma certa timidez, pedindo-lhe para me ceder a sua bonita pintura que designou Êxodo, e que encontrara nos arquivos do bloque Capeia Arraiana, onde, regularmente escrevemos.

O novo livro de Joaquim Tenreira Martins

O novo livro de Joaquim Tenreira Martins

Emigração clandestina no concelho do Sabugal (3)

Nas décadas de 1960 e 1970 a emigração clandestina para França teve por principal palco a zona raiana do concelho do Sabugal, onde a fronteira se atravessava «a salto», usando os «serviços» de passadores experientes. Continuamos a analisar o «estado da arte» em termos académicos.

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Franklim Costa Braga - Capeia Arraiana

Quadrazais – Antes, Agora e Depois

São tantas e tais as mudanças na vida das gentes do interior, especialmente da raia e mormente em Quadrazais, que vale a pena recordar como era a vida em Quadrazais nos primeiros sessenta anos do século passado e estabelecer uma comparação com os anos que se seguiram, sobretudo os actuais.

A emigração trouxe muitas mudanças a Quadrazais

A emigração trouxe muitas mudanças a Quadrazais

César Cruz - Desassossego - Opinião © Capeia Arraiana

Hoje há festa na aldeia

Hoje há festa na aldeia… As ruas engalanadas preparam-se para acolher os que, de malas feitas, regressam, por uns quantos dias, à terra que os viu nascer… Hoje há festa na aldeia… e é assim todos os anos.

Por uns dias

Por uns dias

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

A emigração dos jovens e a Beira Interior

Por deferência do distinto professor de Economia José R. Pires Manso, natural dos Fóios, publicamos um texto da sua autoria, intitulado: «A emigração dos jovens e a Beira Interior – a amargura da procura do primeiro emprego».

Prof. José R. Pires Manso, o autor do estudo sobre a Emigração na Beira Interior

Prof. José R. Pires Manso, o autor do estudo sobre a Emigração na Beira Interior

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Uma geração de triunfadores

É este o título de um brilhante estudo da Doutora Manuela Aguiar, antiga e preclaríssima Secretária de Estado das Comunidades, publicado na revista As Artes entre as Letras, de que é habitual colaboradora.

Gaiola Dourada, uma vistosa galeria de estereótipos da emigração portuguesa

Gaiola Dourada, uma vistosa galeria de estereótipos da emigração portuguesa

José Fernandes - Do Côa ao Noémi - © Capeia Arraiana

Tordos, rouxinóis, pardais e outros mais

Emigrar é uma opção pessoal, muitas vezes, quase que obrigatória, para quem quer trabalhar no seu país e não encontra emprego. Os milhares que emigraram desde a década de 60 do século passado até hoje, faziam-no quase que de forma incógnita.

Fernando Tordo

Fernando Tordo

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Casteleiro – Uma história argentina na aldeia

Há uns oito anos, contei num «blog» meu uma história deliciosa da nossa aldeia. Na altura, muitos amigos riram a bom rir com esta «performance» de um aldeão que teve de emigrar para a Argentina e que de lá regressou pobre e de mãos a abanar mas com o espírito mais… digamos: arejado! A prenda que trouxe para a mulher, já entradota nessa altura, mostra que não há derrotas do espírito – só para quem as aceite. Leia, que vai gostar de mais uma história bem-disposta de antanho, passada no Casteleiro. Entretanto, para ler algum noticiário regional com interesse, passe pelo «Serra d’ Opa» (veja a última linha da crónica). Uma volta pela «net» leva-o lá. Boa viagem.

Emigração para a América Latina

Emigração para a América Latina

A emigração concelhia vista no seu tempo

O maior movimento populacional da História de Portugal deu-se entre 1961 e 1974, quando um milhão e meio de portugueses partiu para o estrangeiro à procura de um melhor nível de vida. A população do Concelho do Sabugal ficou dramaticamente reduzida. Vejamos o que dois articulistas do jornal Amigo da Verdade diziam da emigração concelhia em 1962.

António Emídio«Continua em grande ritmo a saída de gente para França. Parece que tal êxodo vai tocando as raias do vício. A escassez agrícola destes últimos anos justifica a permanente busca do dinheiro em parte. Todavia o mal não está no legítimo desejo de procurar uma condição económica mais humana, mas sim na finalidade exclusiva que muitos põem ao abandonar a sua terra. Só uma coisa os determina: a miragem do dinheiro francês. Este pensamento desordenado vai, pouco a pouco, na vida de cada dia tomando consequências sérias. Por cá – quem vê o seu povo vê o mundo todo – as famílias começam a perder o conceito de unidade matrimonial, pois é muito fácil passar-se dos factos consumados à ideia. O marido em França, os filhos e a mulher cá pelas terras, parecem formar, embora aparentemente, lares essencialmente diferentes.
Sob o ponto de vista educacional, a família deixou de ser praticamente uma escola de formação, já que a quase totalidade dos chefes de família se encontram ausentes. Cá andam os filhos à mercê da impotência maternal – salvo raras excepções de algumas. Na ordem social, tendo os filhos recebido praticamente uma autonomia prematura em ideias, vida, irresponsabilidade, com os bolsos atulhados de dinheiro, sem ninguém que os vigie e oriente os passos vão-se habituando a uma faceta de viver que não é real nem o mais próprio para a juventude. E isto é o princípio de tudo… que amanhã se verá!…
(…)
»

Como já escrevi, este artigo vem num jornal concelhio de 1962, o Amigo da Verdade, não traz o nome do autor, mas vem na coluna das Quintas de S. Bartolomeu.

«À hora que vos escrevo o dia está maravilhoso, um sol benéfico espalha os seus raios acariciadores através dos encantadores campos desta risonha aldeia. Sentado ao ar livre num recanto sossegado desfruto a beleza e a graça desta tarde e contemplo um rancho numeroso de rapazes e raparigas que no mais vivo entusiasmo se dedicam à faina da colheita da azeitona. Neste momento chegou junto de mim um amigo, mas dos verdadeiros que acaba de regressar do Sabugal e que me diz: então já sabia que desta vez segue mais pessoal para França?
– Sim?!
– É verdade. Encontrei hoje no Sabugal mais de vinte Casteleirenses a tratar dos seus papéis para saírem. Dizem que ganham lá muito dinheiro…
Repliquei:- Se assim continuamos daqui a pouco não há quem cuide das terras (…) lembrei-me que esta gente se ausentaria certamente porque a agricultura não lhes compensava tantos trabalhos, que se sentiriam desiludidos com a terra e os seus produtos. Realmente a situação do trabalhador rural é pouco animadora e por isso começa a sentir desprezo à terra e ao viver da aldeia e procura ausentar-se em demanda de nova vida, de vida que lhe garanta um futuro mais seguro e cómodo.
(…)
»

Este artigo vem também num Amigo da Verdade de 1962, também não traz nome do autor, vem na coluna do Casteleiro.

O fenómeno da emigração foi o causante do grande despovoamento do Concelho, mas não o foi do seu fraco desenvolvimento económico, político, social e cultural. Vejamos: já em 1926 os colaboradores do jornal «Gazeta do Sabugal», jornal do político integralista do Casteleiro, Joaquim Mendes Guerra, se queixavam do abandono do Concelho e davam a sua opinião para o melhorar. No Amigo da Verdade de 1962, estes dois colaboradores queixavam-se da situação do trabalhador da terra ser pouco animadora.
Ano de 2012: colaboradores deste Blog – Capeia Arraiana – queixam-se da situação do Concelho e opinam qual a melhor maneira para pôr um travão a um retrocesso galopante.
Pessoalmente, creio que das três épocas históricas que mencionei, a actual, 2012, é a mais problemática de todas, porquê?
1º O País está intervencionado. Neste momento podemos considerá-lo um «protectorado» de potências estrangeiras. Perdemos a soberania.
2º Vai ser feita uma nova divisão administrativa em Portugal, sendo como é lógico também abrangido o Concelho do Sabugal. A divisão administrativa foi ordenada do exterior por quem não conhece a realidade do País.
3º A profunda crise económica e os tratados europeus não permitem que Portugal crie riqueza e se desenvolva a todos os níveis desde o económico ao social, passando pelo político. O Concelho do Sabugal também sofre com isso, a recessão também afecta a economia local.
4º O desmantelamento dos serviços públicos no Concelho é uma ameaça séria ao seu equilibrado desenvolvimento.

Conseguiremos ultrapassar estes tempos difíceis? Sem dúvida! Já ultrapassamos outros, mas para suplantar o actual momento só temos uma opção: seguir estes três valores: valores éticos, valores sociais e valores ambientais. Sem estes três valores fundamentais em qualquer Democracia, podemos fazer do Sabugal uma Las Vegas, mas os mais jovens continuarão a sair como saíram no tempo do Estado Novo, com a diferença que não seria a nobreza (classe política dirigente) nem a Igreja que mandariam, mas sim o dinheiro, o dinheiro de um qualquer cacique, produzindo-se novamente uma involução social que nos desumanizaria. As sociedades só têm êxito quando lutam pelo bem comum, e o bem comum não é só material, por cima do materialismo está a qualidade da saúde dos habitantes do Concelho, a qualidade da educação dos nossos filhos, a nossa própria cultura e tradições, a defesa do nosso meio ambiente, o bem-estar dos nossos idosos a qualidade dos nossos escritores e a beleza dos poemas dos nossos poetas e, talvez o mais importante, a erradicação da pobreza. Assim vale a pena viver a vida no nosso Concelho.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Casteleiro, terra de emigração

Quando comecei esta peça, cheguei a escrever «terra de migração», porque pensei que, antes da França, já Lisboa (sobretudo Lisboa) atraía muitos dos meus conterrâneos. Desde que me conheço que conheço famílias inteiras que um dia partiram para a capital e ali criaram raízes até hoje, já na quarta geração.
Mas sem dúvida foi a França que mais marcou os anos 60 e 70 do Casteleiro – a par da guerra colonial, claro, guerra que também determinou algumas partidas dramáticas de jovens em fuga da tropa.

Começo por situar o meu raciocínio e o meu entendimento do fenómeno da emigração e suas causas: o baixíssimo nível de vida, a vida impossível de muita gente. Não foi turismo. Não foi divertido. Não foi uma aventura ligeira. Não: foi muito pesado. Foi duro, foi dramático, foi fruto do desespero.
É certo que foi uma janela aberta – mas no alto de uma serra muito difícil de subir… Antes de mais, porque o regime não permitia a saída do País. Era preciso ir «a salto» – uma travessia dramática de serranias através de toda a Espanha e depois até Paris, Lyon, Pau, Dijon, Clermont Ferrand… «quoi que ce soit» (seja o que for, fosse o que fosse).
Vamos primeiro às causas, para evitar as visões românticas e nos atermos ao realismo duro da vida real e bem dura.

Causas e consequências
Naquela altura, poucas eram as famílias que tinham sequer uns escudos de rendimento. Podiam ter batatas, couves e feijões para comer – e algumas famílias nem isso, porque nem sequer tinham um pequeno terreno para isso. Mas os produtos da terra nem bastavam para a alimentação. Havia que comprar os condimentos e as bebidas. Nem todos, mas em geral eram os mesmos que não tinham nem terra nem vinha nem cabras ou ovelhas… se é que me faço entender. São esses, os desprotegidos de toda a «sorte» (chamavam-lhe sorte) que têm de um dia tomar a mais dramática de todas as decisões das suas vidas: partir, arriscar tudo, abandonar os seus. Ir de noite até para lá da fronteira, numa qualquer serra próxima, boa parte do caminho a pé, quilómetros e quilómetros, a ser mal tratados pelos homens de mão dos engajadores, a quem pagavam e por quem eram humilhados. Primeira humilhação. Uma brincadeira comparada com o que lhes vai acontecer quando chegarem aos «bâtiments» (batimãs) de Paris: ver foto, roubada ao «Restos de Colecção».
Atenção. Primeira travagem: nem tudo é negativo.
Da emigração resultaram em contradição duas consequências paralelas principais: por um lado, um grande sacrifício pessoal dos envolvidos (os que iam e os que ficavam); por outro lado, a melhoria da qualidade de vida, gradualmente, paulatinamente, mas melhoria. Indiscutível. Mesmo que à custa de coisas essenciais, como a saúde (muitos «rebentaram» por lá) e a dignidade: os franceses e não só atreviam-se a humilhá-los e a espezinhá-los – fosse discretamente, fosse às escâncaras…

Os primeiros anos
Vários membros da minha família se lançaram na aventura da emigração. Os primeiros anos foram de uma dureza incrível. Não que eles se queixassem. Não. Parece-me hoje e já o descobri tarde, quando eles começaram a contar umas coisas soltas e o meu cérebro ia ligando as coisas, parece-me hoje, dizia, que eles nem se davam conta da dureza e da humilhação.
Aprendi isso com a malta mais nova, fugida da tropa, seja do Casteleiro, seja de outras terras: soube quanto os franceses desprezavam os seus escravos idos da terra pobre de Portugal. Pensavam eles assim, os incultos, totalmente contra a corrente histórica da terra da Revolução Francesa, feita contra a humilhação e pela Igualdade etc..
A vida profissional dos nossos lá foi sempre complicada para quase todos: primeiro era preciso ser muito dócil, muito submisso, a fim de ficar legalizado. Os trabalhos em que estavam eram dos piores: construção civil, caminhos-de-ferro – coisas assim.
Mas há pior: o medo permanente de ser posto na fronteira dava cabo do sistema nervoso de todos eles.
Para quase todos, a França significou também as artroses, as pernas partidas e «soldadas», as costas derreadas, os joelhos duros, os pulmões arruinados, muito álcool, muita complicação. E vários anos sem ver a família.
Mas a maioria sobreviveu a isso, em nome do objectivo: dar vida melhor aos filhos e aos netos.
Praticamente todos o conseguiram. E isso é uma vitória sobre o que tinham passado em Portugal e sobre a má formação de muitos franceses.

Hoje
Por via da emigração, no Casteleiro, criou-se em certa altura um ambiente especial, pelo menos no mês de Agosto.
Falava-se aquele dialecto engraçado que era uma mistura do português, quer dizer, do português falado nos anos 50 numa aldeia beirã, com umas arranhadelas de algo parecido com o francês da rua e da obra em Paris – nos «bidonvilles» / bairros de barracas/ de Champigny ou em Clermont Ferrand…
Hoje, as famílias emigrantes, a maioria da aldeia, ou estão completamente adaptadas na França onde permanecem (pelo menos as terceira e quarta gerações) ou voltaram e vivem uma pacata vida rural, de padrão tradicional.
Encontro de tudo.
Os adaptados à vida francesa têm hoje netos que ou não sabem ou não dizem uma palavra de português.
E, nos poucos dias que passam na terra, têm na aldeia em geral boas casas, boa vida.
Os que voltaram cedo, muitos por razões de saúde, voltaram ao que eram antes, mas agora com dinheiro de bolso: reformas, poupanças etc..
Seja como for, a aldeia depois da emigração nunca mais foi a mesma: ficou mais diversificada, mais completa.
Muito mais e mais se devia dizer. Mas um tal fenómeno não cabe em letras. Nem em espaços razoáveis de um artigo que possa como tal ser lido. Há já imensas teses de mestrado e doutoramento – algumas bem longe do que vi e ouvi, digo com pena. Há já muitos livros, há músicas e há filmes. Mas a mim, do que conheço, parece-me sempre que as coisas passaram longe de quem escreveu ou divulgou.
Provavelmente, erro de análise da minha parte.
Finalmente, um registo da minha parte: as minhas homenagens sinceras aos emigrantes e suas famílias. Sejam os do Casteleiro, sejam os de toda a região.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

O livro de um garoto de Vila do Touro

«Um Garoto de Vila do Touro Imigrante na América Conta sua História» é um livro comovente e perturbador, que não deixa o leitor indiferente. A emoção das descrições da vida antiga, a referência à miséria sentida, a recordação nostálgica do ambiente aldeão e da simplicidade das gentes de Vila do Touro, tudo concorre para a comoção advinda dos textos.

O livro, da autoria de António Maria das Neves, é do mesmo realismo cru que caracteriza outros dois memorialistas: José Manuel Lousa Gomes, do Soito, no livro «Memórias da Minha Terra» e António dos Santos Vicente, de Fajão (Pampilhosa da Serra), na obra «Vida e Tradições nas Aldeias Serranas da Beira». É nestas obras de memória viva e sentida que se encontram descritas, em páginas de sangue, as reminiscências dos povos de outrora das aldeias portuguesas.
A vida de António Maria das Neves foi, desde logo, uma epopeia. Nasceu em Vila do Touro, em 1938, sendo o décimo segundo filho de uma mãe heróica que pariu 17 vezes, vindo a constituir a família mais numerosa da aldeia. Em 1957, com 19 anos feitos, rumou para o Brasil com os pais e os irmãos, à procura de uma vida nova, fugindo à miséria aldeana. Com o dinheiro obtido na venda dos parcos terrenos, da modesta casa, dos animais domésticos e dos singelos móveis e utensílios da lavoura, o pai mandou comprar as passagens para a América. No dia aprazado a família seguiu, em carros de aluguer, para a estação do Barracão, onde apanhou o comboio para Lisboa. Aqui apresentou-se à Junta da Emigração, e ficou a aguardar o veredicto oficial, ocupando a casa de uns primos. Passado um mês toda a família embarcou no navio «Conte Grande», que cruzou o Atlântico durante 12 longos dias. Atingida a terra prometida houve que procurar casa, arranjar emprego e tratar da subsistência. Só com muito trabalho e abundantes privações António Maria conseguiu estabilizar a vida, estudando e trabalhando, constituindo família e tornando-se num português respeitado e prestigiado em S. Paulo.
Falando de Vila do Touro, a obra aborda a dureza da vida de antigamente, onde imperava a rispidez nas atitudes e nos sentimentos. Era necessário sobreviver, que é o mesmo que dizer, arranjar pão para as muitas bocas que habitavam a casa. A mãe, andava sempre numa fona, trabalhando sem parar, sem ter vida própria, vivendo apenas para os outros. Os irmãos mais velhos tratavam dos mais novos, trabalhavam em casa e no campo, executando os trabalhos pesados e sujos do trato dos animais e da terra de cultivo. O pai, severo, e de saúde frágil, tomava conta de uma pobre taberna, anexa à casa de habitação. Tempos difíceis e de enormes provações para um povo que sabia que «todos os recursos eram de extrema importância, úteis e necessários».
A vida era duríssima, logo desde os verdes anos pois, como dizia o adágio, «o trabalho do menino é pouco, mas quem o perde é louco». Mas também havia mimos e momentos inolvidáveis na vida de um «garoto» na aldeia. A sopa de grão-de-bico da tia Cândida, a aprendizagem na escola, a corrida do galo, o tocar da matraca na Quaresma, a festa de Nossa Senhora do Mercado.
Mas o principal era dificuldades. A vida na aldeia era uma luta diária pela sobrevivência. Havia os campos para trabalhar, pois era daí que provinha a alimentação. No Verão a falta de água fazia com que se percorressem grandes distâncias para a transportar para casa. No frio invernal era preciso proteger o corpo com roupa quente, que escasseava. As canseiras nos trabalhos do campo deixavam as suas marcas num tempo em que a higiene e o adorno ainda não tinham o seu lugar. «Rostos cansados, pés descalços, cabelos desalinhados, não há beleza, formosura, nem elegância nas mulheres, nas raparigas e nas adolescentes», escreveu António Maria das Neves falando na condição feminina em Vila do Touro.
Na hora da partida, já no navio e olhando o horizonte, uma frase profunda e comovente face ao trágico destino de um povo que partia: «Adeus Portugal. Ficas sem uma numerosa família pobre a menos, que também pagava impostos».
O livro foi escrito e editado no Brasil, em 2007.
Paulo Leitão Batista

A História é de todos

Invasões Francesas, Liberalismo e República, muito se tem falado este ano sobre estes acontecimentos históricos. Para o ano, aqui no nosso Concelho, iremos comemorar os 200 anos sobre a batalha do Gravato, que se travou aqui bem perto da cidade do Sabugal, na margem direita do Côa em 3 de Abril de 1811.

António EmidioAcredito que a Câmara Municipal do Sabugal e a Junta de Freguesia também do Sabugal, não irão deixar passar esse dia, sem pelo menos, singelamente, homenagear todos aqueles que participaram nesse combate. Aliás, tanto a Câmara como a Junta, já nos habituaram durante o período democrático de trinta e seis anos, a honrar este povo e a sua história.
No nosso Concelho não foi só a batalha do Gravato que marcou a passagem dos exércitos franceses. Aldeia da Ponte, Soito e Quadrazais, ficaram quase em ruínas, as terras agrícolas junto a Malcata foram saqueadas, levando os seus produtos e, queimando as matas.
Este Artigo é para quem o ler, é público, mas vou escrever agora para todas as mulheres e homens do nosso Concelho que estão dedicados à causa pública, aquelas e aqueles que nós eleitores, democraticamente pusemos no poder.
A história do nosso Concelho confunde-se com o Mundo, o há bem pouco tempo falecido Tony Judt, o historiador mais lúcido da Social Democracia, no seu volumoso livro intitulado Pós-Guerra, a história da Europa desde 1945, diz o seguinte numa das suas páginas: «Num município português, Sabugal, no norte rural, a emigração reduziu a população local de 43.513 em 1950 para unicamente 19.174 trinta anos depois». Isto faz parte da história da Europa. As carências de toda a ordem obrigaram a partir, a responder à chamada de De Gaulle, milhares de habitantes do Concelho.
Todas as manhãs bem cedo, antes de ir para o trabalho, vou beber um café, quem se cruza comigo a essa hora também a caminho do trabalho? Búlgaros, ucranianos e sérvios. Quem me serve o café? Uma romena. O Sabugal e o seu Concelho também foram apanhados pela onda de choque causada pela queda do Muro de Berlim, a história está novamente presente.
Falei somente um pouco da história contemporânea, por uma questão de disciplina de espaço.
Presentemente o que poderá acontecer? Há quem por razões comerciais, interesses espúrios e sórdido autocentrismo, poderá querer apoderar-se da história do nosso Concelho, porque nesta sociedade em que infelizmente vivemos, predomina mais o consumo do que a cultura e o consumo traz lucro e prestigio social, a partir daí a história poderá ser deturpada, se com isso alguém tirar dividendos económicos ou políticos. Esta época é cínica, perdeu todo o pudor e guia-se por essa lei do tudo é permitido, para isso lá estão os «mass media» e a publicidade.
Termino com um apelo aos eleitos, não deixem privatizar a história do nosso Concelho.
E nós, cidadãos, não podemos ser uma massa amorfa e manipulável, temos uma história a defender. Eu, já a estou a defender.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Paulo Adão - um Lagarteiro em Paris - © Capeia Arraiana

Sud-Expresso ganha carruagens Talgo

O Sud-Expresso moderniza-se. O mítico comboio da CP, com ligação diária de Lisboa à Hendaia, é o mais antigo da Europa em circulação. Liga, desde 1887, Santa Apolónia a Hendaia e a Paris por TGV. A partir deste primeiro de Março moderniza-se e passa a utilizar material Talgo. Os passageiros passarão a dispor, por exemplo, de quartos com duche privativo, entre outras novidades.

Sud-Express com carruagens Talgo - CP - Capeia Arraiana

Sud-Express com carruagens Talgo (foto: D.R.)