Tag Archives: dr. diamantino

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Passam os anos fica a saudade… (19)

A minha entrada no Colégio dá-se em 1963 e ali permaneci até ao Verão de 1969, altura em que parto para a Guarda para fazer o 6.º e o 7.º ano. Comecei na semana passada a falar dos professores que tive no Colégio e dos quais me lembro, deixando para os dois professores que mais importância, por razões diferentes, tiveram no meu crescimento enquanto ser humano.

José Diamantino dos Santos - Capeia Arraiana

José Diamantino dos Santos

Joaquim Gouveia - Capeia Arraiana (orelha)

Murmúrios de um tempo

Por entre a correria do tempo passam memórias que marcaram uma época e que tornaram possível a realização de muitos sonhos. Ao recuarmos à década de sessenta damo-nos conta de um país cinzento em que o sol brilhava apenas para alguns, o acesso à educação era privilégio dos filhos, nascidos em berço de ouro, o trabalho era uma obrigação de todos, mas onde os privilégios não constavam dos códigos vigentes.

Biblioteca Municipal no Colégio Dr. Diamantino - Sabugal - Capeia Arraiana

Biblioteca Municipal no Colégio Dr. Diamantino – Sabugal

Homenagem em Poema

Porque o Dr. Diamantino gostava de poesia e escrevia poemas…

Ano, após ano vencia desafios
E deixava mensagens de entusiasmo
No cruzamento de saberes.

Por entre teorias filosóficas e escolas literárias
Deixava também
Marcas de bom conversador!

Sugerindo e acompanhando percursos
O seu exemplo de força e persistência
Ia moldando o nosso querer…

E depois de tantos anos
Muitos quisemos estar presentes
Num convívio de Encontros,
Num recordar de conjunto.

E porque festa
Ele também nos ensinou
Um obrigada de SEMPRE!

Sabugal, 01/05/2010
Irene Cardona

Desertificação humana no concelho do Sabugal

Em 1950 a população do concelho do Sabugal, chegou perto dos 45000 habitantes. Cerca de 20 povoações tinham mais de 1000 habitantes. Com o surto da emigração, gradualmente a população jovem e meia-idade, começou a abandonar as aldeias e mais tarde a ida de famílias inteiras. Segundo o Censo de 2001 o concelho tinha apenas 14000 residentes.

José MorgadoContrariamente à opinião de que o Sabugal é o concelho com pior qualidade de vida, acredito plenamente nestes elementos porque são objectivos, os dados fornecidos pelo INE, nomeadamente que:
– Perdeu mais de 7000 residentes em seis anos;
– É uma das regiões mais envelhecidas do país;
– Grande índice de Envelhecimento (perto de 500 idosos/100 jovens);
– Terceiro concelho da Guarda, com menor densidade populacional (16hab/Km2);
– Muito fraco número de nascimentos (3 por 1000 hab);
– Taxa de mortalidade (22 por 1000 hab).
A relação entre a redução da população e o número de óbitos dos mais idosos, não é mais drástica, porque a iniciativa privada, aproveitando as estruturas das Misericórdias e comparticipações da Segurança Social, foi criando Lares para a 3.ª Idade, espalhados por todo o concelho melhorando e de que maneira a qualidade de vida dos residentes.
A ideia de que os mais novos, serão o amparo dos mais velhos não colhe na presente sociedade, por razões que todos conhecemos.
O falecido Dr. Diamantino, Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal, além de grande pedagogo, deixou o Lar Senhora da Graça no Sabugal para aqueles que dele precisam.
Com a devida vénia transcrevo este texto anónimo que encontrei num café-tertúlia da zona da Grande Lisboa:

avô e neto«Tu já foste criança um dia, mas os anos dobraram-se e fizeram de ti um jovem, quase adulto… agora olhas-me com certo desprezo só porque muitos anos se dobraram para mim e hoje sou velho.
Observas as minhas mãos trémulas e esqueces que foram as primeiras a acariciar as tuas, inseguras, na infância. Criticas meus passos lentos e vacilantes e esqueces que foram eles que orientaram os teus primeiros passos. Reclamas quando te peço para leres uma palavra que os meus olhos já não conseguem vislumbrar com precisão, esquecido das várias palavras que eu repeti inúmeras vezes para aprenderes a falar.»
Dizes que sou um velho desactualizado, mas, confesso que pensei muito pouco em mim, para fazer de ti um homem de bem.
Reclamas da minha saúde debilitada, mas crê, muito trabalho foi preciso para garantir a tua. Ris quando não pronuncio correctamente uma palavra, mas, eu afirmo que me esqueci de mim para que tu pudesses cursar uma Universidade.
Dizes que não possuo argumentos convincentes em nossos raros diálogos, todavia muitas foram as vezes em que advoguei em teu favor nas situações difíceis em que te envolveste.
Hoje cresceste… és um rapaz robusto e a juventude empolga-te as horas… esqueceste a tua infância, os teus primeiros passos, as primeiras palavras, os primeiros sorrisos, mas, acredita, tudo isso está bem vivo na memoria deste velho cansado. É verdade que o tempo passou, mas eu nem me dei conta… só notei naquele dia…naquele dia que me chamaste velho pela primeira vez e eu me olhei no espelho.
Lá estava um velho de cabelos brancos, rugas profundas e um certo ar de sabedoria que na imagem de ontem não existia. Por isso te digo que o tempo é implacável e um dia também tu te verás ao espelho e perceberás que a imagem nele reflectida, não é mais a que hoje admiras. Sentirás que no teu peito o coração ainda pulsa ao mesmo compasso. Que o afecto que cultivaste não se desvaneceu, que as emoções vividas ainda podem ser sentidas como nos velhos tempos, que as palavras amargas ainda te ferem com a mesma intensidade e apesar dos longos anos suportados, não ficaste frio diante da indiferença dos seres que embalaste na infância. Por isso te aconselho meu filho: não rias nem faças pouco do estado em que estou, eu já fui o que tu és e tu serás o que eu sou.»
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com