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José Fernandes - Do Côa ao Noémi - © Capeia Arraiana

Crónicas do Gervásio – a dívida e o rating

Para o Gervásio, que nada entendia de economia, há muito que conhecia a dificuldade em obter dinheiro quando dele precisava e o não tinha. Há muito que conhecia os efeito de estar em boa/má conta perante quem podia emprestar. Afinal já naquela altura havia rating.

A dívida e o rating

José Fernandes - Do Côa ao Noémi - © Capeia Arraiana

A dívida e o ratting

A imagem abaixo, publicada no expresso de 23 de Setembro do ano findo, pretende reproduzir a nova classificação que foi atribuída à dívida portuguesa por uma agência de ratting.

Dívida portuguesa sai do lixo

Orçamento do Estado e dívida pública

A difícil situação financeira que o País atravessa, leva-nos a divagar acerca da desorientação em que se vive, motivada pelo deslumbramento com a modernidade e as novas formas de estar na vida.

Ventura Reis - TornadoiroPortugal tem um orçamento desequilibrado, e isso obriga-nos a certos sacrifícios. Convém porém deixar expresso no que consiste o tão propalado Orçamento do Estado, antigamente também designado por «Lei de Meios». Trata-se de uma proposta de lei que o Governo submete todos os anos à Assembleia da República, para que a discuta e aprove. Dum lado figura o rédito que o Estado espera receber e do outro o gasto que pretende realizar. Quando o rédito é igual ao gasto, temos um orçamento equilibrado, o que raramente acontece. Se o gasto é superior ao rédito, então falamos de um deficit, situação que em Portugal se tornou regra. Quando o rédito é superior ao gasto, temos um orçamento favorável, coisa que há longo tempo não sucede.
Como vivemos em deficit permanente, o Estado tem que se financiar para cobrir as despesas, valendo-se de empréstimos. É esse recurso sucessivo a suprimentos, junto dos cidadãos ou, sobretudo, junto de bancos, nomeadamente estrangeiros, que faz com que a dívida pública cresça a olhos vistos e o Pais se sinta penhorado.
Tal como sucede com as contribuições, também os empréstimos têm de ser autorizados pela lei. E é bem mais fácil a um representante do povo votar pelo empréstimo do que votar pelo agravamento dos impostos, pois estes têm de ser colhidos dos cidadãos e ninguém gosta que lhe metam a mão no bolso. Assim sendo, como é mais cómodo pedir emprestado do que cobrar dinheiro aos concidadãos, e como o Estado é esbanjador, aí temos Portugal em papos de aranha para enfrentar estes problemas financeiros.
Noutro tempo o Salazar, que era perito em Finanças, tinha o dinheirinho bem contado e as contas equilibradas. Isso era bom para as contas, mas muito mau para o país.
Contradigo-me? Nem por isso!
Podemos fazer uma comparação das contas e da vida do Estado com o dia-a-dia das pessoas. Antigamente, a maior parte das famílias vivia na pobreza. Quem, vindo da Província, optou por trabalhar na cidade (como foi o meu caso), começou por viver num quarto alugado e, mais tarde, numa casa arrendada. Só com o correr do tempo conseguiu aforro para comprar uma casinha, mas sem possuir automóvel, raramente indo ao cinema e nunca comendo em pensões. Era uma vida «levada do diabo».
Hoje a mocidade, logo que arranja um emprego, acode ao crédito e adquire casa, mobília, automóvel, e outras coisas mais, pagando tudo em prestações. Ora noutro tempo não existia crédito para as famílias e, consequentemente, as pessoas passavam mal.
O mesmo sucedeu em relação ao Estado, que, graças ao recurso ao crédito construiu estradas, pontes, escolas, recintos desportivos, casas de cultura, esbanjando também muito dinheiro em gastos escusados.
Todavia o Estado, tal como as pessoas, deslumbrou-se com a facilidade em chegar ao dinheiro e não calculou a sua capacidade para pagar o serviço da dívida, que são os juros e as anuidades. Foi o resultado do descuido e da irresponsabilidade, pelo qual todos teremos de pagar.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis