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Dia Nacional dos Castelos

Comemora-se hoje, 7 de Outubro, o Dia Nacional dos Castelos, sendo variadas, em todo o país, as iniciativas em que os castelos e fortificações se abrem gratuitamente ao público a fim de divulgar e valorizar esse importante património histórico que testemunha a nossa evolução histórica.

O Dia Nacional dos Castelos foi instituído em 1984. Embora inicialmente estabelecido o primeiro sábado de Outubro como a data de comemoração, em 2003 a data foi fixada no dia 07 de Outubro e assim tem permanecido.
Desde a altura em que foi instituída, a data tem vindo a ser comemorada em vários locais do país, mormente aqueles que possuam castelos e fortalezas. O objectivo é a implementação de uma comemoração a nível nacional, que realize iniciativas em todo o país, visando a uma reflexão sobre o nosso património fortificado.
A primeira comemoração aconteceu em 1984 e centrou-se em Vila Viçosa, Abrantes e Almourol, depois a evocação do Dia do Castelo passou por localidades como Torres Novas, Palmela, Santarém, Óbidos, Montemor-o-Velho, Sintra, Trancoso, Lisboa, Porto, Juromenha, Abrantes, Guimarães, Santa Maria da Feira, Belmonte, Castelo de Vide, Açores, Portel, Bragança, Idanha-a-Nova, Evoramonte, Estremoz.
Este ano a Associação dos Amigos dos Castelos centra as comemorações na cidade de Bragança.

O Sabugal que conta com cinco castelos na sua jurisdição (Alfaiates, Sabugal, Sortelha, Vila do Touro e Vilar Maior), sendo portanto um dos concelhos do país com maior número deste tipo de monumentos, não comemora a efeméride, nem sequer simbolicamente.
plb

Peregrinação pelos lugares sagrados da Raia

Em honra de Teresa Duarte Reis, colaboradora do Capeia Arraiana, poetisa que domina, «em harmónica simbiose as técnicas da versificação», recebemos, em forma de «comentário», este belo texto de Manuel Leal Freire, a que decidimos dar o devido e merecido relevo.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaComo antigo professor da Escola do Magistério Primário de Castelo Branco – possivelmente o único superstite do tempo em que se tratava de um estabelecimento de cariz privado da propriedade e direcção do Doutor João Folgado Frade Correia, insigne pedagogo e inspirado poeta, vibro ab imo corde com os êxitos dos alunos que saídos da famosa NORMAL espalharam e continuam a espalhar claridade e iluminar cérebros por todo esse vasto mundo onde se fixaram comunidades de raiz lusíada.
E pela minha qualidade de reformador dos ensinos da DIDÁCTICA, que abrangia as LÍNGUAS e a HISTORIA, mais e mais fortemente vibro quando vejo uma professora modelada no estabelecimento dominar em harmónica simbiose as técnicas da versificação e a realidade factual, magnificamente cadinhadas por uma sensibilidade verdadeiramente estremecida. Daí a minha homenagem sentidamente vivida…e que testemunho com uma peregrinação pelos lugares sacralizados pelo quotidiano heroísmo dos vergalhudos da Raia

Cinco concelhos inteiros
Cabem no do Sabugal
Cinco castelos roqueiros
Legendas de armorial

As vilas mortas morreram
Mas os torreões resistem
Nunca os heróis se esconderam
Por onde as heras se enristem

Passado com o futuro
Assim se engavinha e enleia
O porvir será venturo
Se o vaticina uma ideia

Além dos cinco concelhos
Ia o concelho plus ultra
Aprende nos livros velhos
Quem livros velhos consulta

O limite natural
Não se queda na barreira
Dava a guarda o Carvalhal
Castelo Mendo a Cerdeira

O Trans, o Riba, o Cis-Coa
Religou-os Alcanizes
Andaram Burgos á toa
Linha em perenes deslises.

Velavam as cinco vilas
Por sobre a velha Castela
Vigias não tranquilas
Acordadas sentinelas

Vilar Maior, Alfaiates,
Sortelha, Vila do Touro
Inspiram hoje outros vates
É outro o tempo vindouro

Não são sedes de concelho
Mas conservam a glória
Que garante o Evangelho
A quem se revê na Historia

Passado rima com luz
Com o futuro se entrosa
É guia que nos conduz
É rima, mote e glosa

Manuel Leal Freire

Ruta de los castillos – Sabugal

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaSabugal. Agora conheço-o melhor mas sempre o admirei pela imponente singeleza do seu castelo que, sendo duro mas simples, altivo mas singelo, continua a ser um forte marco de vidas heróicas, retalhos da história e da lenda, símbolo da emigração e luta das gentes do interior em que a alegria do convívio recorda (mas pretendo que reforce e eternize) as noites frias à lareira ou o cheiro fresco a terra regada, dos fins de tarde Estivais.

Castelo Cinco Quinas Sabugal - Noite

SABUGAL

Do Sabugal, escrevi um dia…

Ali perto, o castelo
Viveram encanto belo
(Já para lá vão os tempos)
D. Dinis ou outros reis
Se não lerdes, não sabereis
Como tudo se passou.

E agora continuo…

Terás começado em castro
Que aí deixou seu lastro
A pré-história recordar
Os Romanos militares
Daí lançavam olhares
Para o Côa vigiar.

És um famoso castelo
Desde imponente e belo
Tudo tens a teu favor
E segundo reza a história
Um nome escrito na memória
D. Dinis foi teu Senhor

Deste nos conta a lenda
Isabel leva merenda
Mata fome a qualquer pobre
Apanhada de surpresa
Mostra a sua realeza
Com rosas, seu gesto nobre.

O foral de (12) 96
A esse rei o deveis
E Castelos a marcar fileiras
Mas para serdes mais felizes
Precisaste de Alcanizes
P´ra marcar tuas fronteiras.

Pois foi então o dito rei
(Como sempre li e sei)
Que fez construção tão altiva
D. Manuel renovou foral
Deixando no Sabugal
Esta marca sempre viva.

É sobre a porta da entrada
A obra de D. Manuel lembrada
Pelo seu digno brasão
Registadas suas proezas
No Livro das Fortalezas
Segundo regista o guião.

Soberano, marcaste o tempo
Que em (18) 11 foi momento
De duras, vivas emoções
Páginas de escrita dourada
Ali, no Gravato, marcada
Dando fim às Invasões.

Em cemitério albergaste
Homens da vila honraste
Até (19) e vinte e sete
Ergues-te com novo vigor
Sempre bem dominador
Como se disse e repete.

Castelo das Cinco Quinas
Nossa caminhada animas
Mas descobrimos ainda mais
Tu com Torre de Menagem
Mereceste digna homenagem
Pela DGM Nacionais.

O meu abraço ao Sabugal.

A minha pena por não ter podido assistir, como desejava, às dignas comemorações dos 200 anos da batalha do Gravato.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Castelo de Alfaiates ameaça derrocada

Por ordem do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), o Castelo de Alfaiates encontra-se encerrado ao público devido ao perigo eminente de derrocada. Porém as obras de restauro do monumento não se perspectivam.

(Clique nas imagens para ampliar.)

O importante castelo de origem leonesa, depois estratégico forte defensivo português, está completamente abandonado e a sua torre de menagem pode ruir a qualquer momento.
O presidente da Junta de Freguesia de Alfaiates, Francisco Baltazar, falou ao Capeia Arraiana sobre o caso e demonstrou uma grande preocupação com a situação. «Há uns meses o director do IPPAR esteve na Câmara do Sabugal e prometeu recuperar o castelo de Alfaiates a curto prazo, mas depois deu o dito por não dito e desmentiu que estejam previstas obras de recuperação deste castelo», disse-nos o autarca visivelmente insatisfeito.
Entretanto, face ao real perigo de derrocada, nomeadamente do lado leste da torre de menagem, o IPPAR ordenou o encerramento do castelo. Os visitantes desta aldeia histórica raiana vêem-se assim privados de entrar neste importante monumento, o que muito desagrada ao autarca local.
Tratando-se de monumento nacional, a intervenção para consolidação do castelo apenas pode acontecer por ordem do IPPAR e com a sua supervisão, mas nada se perspectiva para os tempos mais próximos.
Alfaiates é uma terra cheia de monumentos, como a Igreja da Misericórdia, o pelourinho e o convento da Sacaparte, mas o castelo é sem dúvida o seu ex-libris, daí o anseio por uma urgente intervenção no monumento para se evitar a sua derrocada. «Essa é a maior obra que neste momento pode ser feita em Alfaiates, porque o castelo é o maior símbolo da nossa história», disse-nos Francisco Baltazar, que porém se mostra pessimista quanto a uma intervenção no monumento a breve trecho.
O castelo de Alfaiates foi declarado monumento nacional e foi afecto ao IPPAR em 1 de Junho de 1992.
Trata-se de uma construção muito sólida, feita em granito, com planta quadrada. Tem cubelos cilíndricos nos ângulos, seteiras, contruções adossadas, porta em arco, empena ângular rematada por cruz e pináculos piramidais, armas reais ladeadas por esferas armilares e Cruz de Cristo, e abóbada de berço quebrado.
A última vez em que o castelo foi intervencionado foi no ano de 1986, com a consolidação da torre de menagem e de um cunhal, colocação das Armas de Portugal numa das faces da torre, consolidação dos arcos e execução de remate dos peitoris de duas janelas.
plb