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Raia – o Algarve do Interior

Já em tempos, então diretor de um jornal, me referi à Raia Sabugalense nos termos que o faço neste título. Fi-lo, e faço-o, com a convicção que assim é relativamente ao potencial turístico que esta região pode ter, principalmente no mês de agosto. Pode argumentar-se que a comparação peca por excesso. Talvez, mas também penso que temos aproveitado por defeito as possibilidades que a Raia, as suas tradições seculares e o seu património humano e natural oferecem para uma realidade socioeconómica que poderia apresentar outro cariz.

(Clique nas imagens para ampliar.)

António Pissarra - Raia e Coriscos - Capeia ArraianaHabitualmente me manifesto sobre a injustiça que tem sido feita com o esforço de tantos sabugalenses que tiverem que partir à procura de um futuro melhor, principalmente em terras de França. O seu esforço, os seus sacrifícios, contabilizaram-se em números, nas remessas de dinheiro que enviavam para Portugal. Apesar disso, também por culpa própria, essas verbas serviram principalmente para desenvolver outras regiões. É certo que havia/há muita gente que teve arte para ganhar dinheiro, mas faltou-lhe sabedoria para o investir, nomeadamente no concelho. Investimento que criasse emprego e mais riqueza para todos, impedindo o êxodo que se tem observado nas últimas décadas. Faltou também, talvez, uma estratégia por parte dos responsáveis autárquicos que ajudasse a que as coisas fossem diferentes.
Voltando às comparações com as Terras do Sul, podemos dizer, para os mais pessimistas, que também o Algarve não está cheio o ano inteiro, mas sabemos como um bom verão pode «salvar» o ano inteiro. Salvaguardadas as devidas distâncias, também a Raia pode ter um bom verão que ajude o resto do ano. Quem não gostaria de ver nas diversas aldeias o movimento que se verifica no verão? Também os empresários algarvios desejariam o mesmo. Tal não é possível quando se fala de prestação de serviços e não na produção de produtos transacionáveis.
Apesar de as duas atividades serem distintas, uma e outra podem estar ligadas, nomeadamente, na Raia, no que aos produtos tradicionais se refere, e são estes, aqueles que são diferentes e que constituem uma marca de identidade, que podem ser uma mais-valia para o concelho.
A classificação da Capeia Arraiana como Património Cultural Imaterial, pelo Instituto dos Museus e da Conservação, pode ajudar, mas vale de pouco se não se lhe acrescentar valor. Não se trata de regular, por lhe retirar autenticidade, uma manifestação de cultura popular, que emanou do Povo, é vivida pelo Povo e paga pelo Povo. A Capeia não pode ser vítima da sua notoriedade mais recente e deve ser fiel ao seu passado. No entanto, pode haver algumas iniciativas que potenciem este fenómeno, sem deixar de ser aquilo que sempre foi: uma festa do Povo.
Quando este verão, em Nave de Haver, observei uma banca de uns nossos vizinhos espanhóis a vender miniaturas de forcões a 10 euros, pensei para comigo: «Caramba, generosa é a gente da Raia, todos lá vão buscar e ninguém leva para lá nada!» Será que a culpa é de quem tem iniciativa ou de quem a não tem? Certamente é de quem a não tem. E já é tempo de fazer alguma coisa. Voltaremos ao assunto, apresentando algumas sugestões.
«Raia e Coriscos», opinião de António Pissarra

António Pereira de Andrade Pissarra é natural de Vila Garcia, concelho da Guarda, tem 50 anos, é professor de comunicação social no Instituto Politécnico da Guarda e foi o último director do Jornal Nova Guarda. Casado em Aldeia Velha, concelho do Sabugal, tem dois filhos, e mantém uma forte relação sentimental com as tradições raianas. Estudou na Guarda, leccionou em Évora, onde frequentou o curso de engenharia agrícola (que não concluiu), licenciou-se em Tecnologias da Informação aplicadas à educação, fez o mestrado em comunicação educacional multimédia e frequentou o doutoramento em processos de formação em espaços virtuais na Universidade de Salamanca. Actualmente é presidente e fundador do Guarda Unida Futebol Clube.

O Capeia Arraiana dá as boas-vindas ao jornalista e professor universitário António Pissarra que inicia hoje uma série de crónicas sob a rúbrica «Raia e Coriscos». O nosso bem-haja por ter aceite o convite para integrar e valorizar este painel da opinião raiana.
jcl e plb

A Capeia Arraiana

Capeia Arraiana, tradição única no mundo criada pelos nossos preservada por nós…
A pouco tempo do concelho parar!

Já é habitual nesta altura os rebuliços que se começam a sentir por estas terras da raia, o mês que todos esperam está preste a iniciar e o ponto alto destas «férias» é definitivamente a tradicional Capeia Arraiana que este ano tem um sabor especial pela classificação como património imaterial da humanidade. Como já é hábito tudo começa na Lageosa da raia que tem o principal papel da abertura desta maratona de eventos/capeias em diversas aldeias. Passando durante o restante do mês pela capeia do Soito, Aldeia do Bispo, Nave, Aldeia da Ponte, Ozendo, Alfaiates, Forcalhos, Fóios e por fim Aldeia Velha que encerra este que é o período festivo do conselho.
Contudo importa referir e estabelecer que esta nossa tradição já embutida no nosso sangue raiano partiu á muitos anos pelos «nossos» que como o passar dos tempos se veio a actualizar e apaixonar muitos dos que por esta altura aqui passam e vivem esta adrenalina. São diversos os comentários que se ouvem em cada esquina sobre esta tradição, é já instintivo referenciar qual o touro que bateu melhor, qual a melhor, onde se vê melhor espectáculo, qual o melhor forcão, a garra das pessoas, os sustos que se viveram ali e aqui entre muitos outros dizeres que tornam esta tradição ainda melhor e com o espírito de ser maior e melhor.
Principais razoem para a construção deste wallpaper tipográfico onde podemos encontrar todas as frases, palavras, dizeres, sentimentos, objectos, organizadores, entre muitas outras coisas que estão presentes do mundo da Capeia Arraiana que merece a nossa maior estima. Podemos encontrar nesta pequena imagem uma enchente de tradição, e de passada sendo este o principal propósito que todos a analisem, se identifiquem e partilhem para que esta tradição seja conhecida pelo ser real valor.
E como slogan nada melhor do que Capeia Arraiana, tradição única no mundo criada pelos nossos preservada por nós…
É com agrado que deixo aqui o meu trabalho para que todos o possam apreciar, partilhar e utilizar para comunicar a nossa tradição.
Edgarfernandes|design | facebook.com/EdgarFernandesS | Nave’12

Calendário das Capeias Arraianas – 2012

O mês de Agosto carrega sempre o secreto apelo do regresso às origens para os que estão longe. No concelho do Sabugal faz povoar as aldeias, abrir as persianas, lotar os bancos das igrejas e encher os lugares públicos com um estranho mas familiar linguajar mesclado aqui e ali de expressões e palavras de origem francesa. Mas, para muitos dos sabugalenses é o tempo da mãe de todas as touradas – a capeia arraiana – espectáculo único que andou escondido esotericamente nas praças das nossas aldeias e que, agora, de há uns anos para cá parece ter perdido a vergonha e tudo faz para se dar a conhecer ao mundo. A tradição manda que as touradas com forcão, precedidas de encerro, se iniciem na Lageosa no dia 6 de Agosto e terminem em Aldeia Velha no dia 25. E que se oiça bem alto o grito: «Agarráááio»

DIA FREGUESIA EVENTO
3 e 4 Soito Garraiadas/Largadas
6 Lageosa da Raia Encerro e Capeia Arraiana
6 Ruivós Garraiada Nocturna com forcão
7 Soito Encerro e Capeia Arraiana
8 Rebolosa Encerro e Capeia Arraiana
10 Soito Tourada à portuguesa nocturna
12 Aldeia da Ponte Tourada à portuguesa
13 Aldeia do Bispo Encerro e Capeia Arraiana
13 Seixo do Côa Garraiada
14 Nave Capeia Arraiana
15 Aldeia da Ponte Encerro e Capeia Arraiana
15 Ozendo Encerro e Capeia Arraiana
16 Vale de Espinho Garraiada
16 Vale das Éguas Garraiada nocturna com forcão
17 Alfaiates Encerro e Capeia Arraiana
17 Fóios Capeia Arraiana Nocturna
18 Soito Festival «Ó Forcão Rapazes»
20 Forcalhos Encerro e Capeia Arraiana
21 Fóios Encerro e Capeia Arraiana
25 Aldeia Velha Encerro e Capeia Arraiana
Fonte: Rota das Capeias da Câmara Municipal do Sabugal

«A Capeia Arraiana não é uma tauromaquia qualquer. Como uma espécie de religião em que se acredita, não basta assistir, é preciso participar, ir ao encerro, comer a bucha, beber uns goles da borratcha e voltar com os touros, subir para as calampeiras, ser mordomo, ser crítico tauromáquico, discutir a qualidade dos bitchos da lide ou, simplesmente, ser fotógrafo da corrida que não deixa ninguém indiferente, corre na massa do sangue, provoca um nervoso miudinho, levanta os pêlos do peito, atarracha a garganta e perturba o sono. É um desassossego colectivo que comove.» António Cabanas in «Forcão – Capeia Arraiana».
jcl

Quando a raia sabugalense veio até Lisboa

A primeira Capeia Arraiana no Campo Pequeno realizou-se em 4 de Junho de 1978, dia em que os sabugalenses acorreram a Lisboa, enchendo a catedral da tauromaquia nacional para assistirem a um espectáculo popular desconhecido no país.

A ideia de trazer a Capeia Arraiana até Lisboa foi do Francisco Engrácia, de Vila Boa, que a custo convenceu a direcção da Casa do Concelho da exequibilidade da iniciativa. Uma comissão por si coordenada pôs mãos à obra, assumindo a responsabilidade pela organização e aceitando cobrir os prejuízos, se os houvesse, e assumindo que os lucros, se surgissem, reverteriam a favor dos Bombeiros Voluntários do Sabugal, na altura a única corporação do concelho.
«Capeia Arraiana» foi a designação escolhida pelos organizadores para o espectáculo, expressamente justificado: «O nome CAPEIA que demos à tourada no Campo Pequeno resultou de assim serem chamadas as touradas características das aldeias fronteiriças do nosso concelho. O termo caracteriza uma tourada em praça improvisada. Não foi concretamente o caso, mas o facto de termos trazido o FORCÃO conjuntamente com a realização do chamado PASSEIO DOS RAPAZES foi o bastante para que o termo se afigurasse ajustado. Capeia é também em Espanha a tourada realizada nos mesmos moldes que a CAPEIA ARRAIANA.» (jornal Sabugal, nº3, Julho/Agosto de 1978).
A tourada do forcão acresceu ao convívio anual que juntava os sabugalenses residentes em Lisboa e que se vinha realizando desde 1974: «o piquenique». O convívio aconteceu nesse ano de 1978 em 3 de Junho (dia imediatamente anterior ao da Capeia), no Parque do Seminário dos Olivais. Depois do convívio, os sabugalenses dirigiram-se para a sede da Casa do Concelho, onde assistiram a uma sessão de fados que se prolongou pela noite dentro.
Na manhã seguinte, domingo, realizou-se um jogo de futebol, opondo a equipa da Casa do Sabugal à da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, que os raianos ganharam por um expressivo sete a zero. Seguiu-se um almoço da sede da associação, que juntou os jovens futebolistas de ambas as equipas a uma delegação dos Bombeiros do Sabugal e aos elementos da direcção da Casa, estando também presente o presidente da Câmara Municipal do Sabugal, o Dr Lopes.
Findo o almoço chegou a hora de ir para a Capeia, no Campo Pequeno, e o percurso fez-se a pé, num vistoso e muito participado cortejo, que partiu da Praça do Areeiro e seguiu pela Avenida João XXI até ao Campo Pequeno.
A tourada com forcão aconteceu sem incidentes e encantou os que encheram a praça. A alegria e o convívio foram vencedores e, no final, feitas as contas, verificou-se um saldo positivo, sendo desde logo lançada a ideia de que no ano seguinte se realizaria nova capeia.
plb

Eleição do melhor blogue regional

O blogue Aventar organiza pela primeira vez um concurso de blogues com o objectivo de promover e divulgar o que de mais interessante se faz na blogosfera portuguesa e de língua portuguesa. É um concurso aberto a todos os que queiram participar. Na categoria «Blogues Regionais» a organização incluiu o Capeia Arraiana na primeira volta do concurso que decorre até ao dia 21 de Janeiro. Vamos todos votar no melhor blogue regional!

Aventar

Os administradores do blogue «Aventar» entenderam organizar a eleição dos melhores blogues de 2011. Aqui ficam as explicações e esclarecimentos dos organizadores da eleição:
– Como é que foram nomeados os blogues que estão em concurso?
– Nenhum blogue foi nomeado. Elaborámos uma lista com base no blogometro apenas porque se tinha de começar por algum lado, lista essa um bocado aleatória (nem considerámos alguns géneros inicialmente), e que foi apenas um ponto de partida. Depois, e até 13 de Janeiro, essa lista esteve aberta a qualquer proposta de acrescentar mais blogues. Apenas foram recusadas alguns, muito poucos, sites que de forma alguma são blogues. Isso permitiu igualmente corrigir alguns erros da própria lista. Fomos aceitando sugestões de categorias que nunca nos tinham passado pela cabeça mas que afinal tinham muitos interessados.
– Porque é que esse prazo de inscrição foi tão curto?
– Porque não imaginávamos um sucesso tão grande, e também porque não calculámos bem o tempo que a «notícia» demoraria para se espalhar na rede. Surgiram propostas de categorias em áreas muito diferentes das do Aventar, e no mundo dos blogues há universos paralelos e pouco ligados, o que subestimámos claramente.
– Porque não aceitam mais inscrições?
Por um lado porque não se mudam as regras a meio do jogo. Por outro uma votação que já abrange mais de 500 blogues teria de ser tecnicamente organizada de outra forma, nunca numa única página como nos pareceu no início mais fácil para os concorrentes.
– Pode haver fraudes na votação?
– Sim, mas é complicado porque a votação pela Internet é um problema difícil de resolver devido à própria forma como a Internet está construída. Esta abertura traz-nos inúmeras vantagens, mas também algumas desvantagens. Para garantir que um votante anónimo não faz votações repetidas empregam-se várias técnicas. Podemos limitar a votação por cookies ou por endereço IP, ou então usando ambas as técnicas ao mesmo tempo. Um cookie não é mais do que uma pequena quantidade de informação que é guardada no computador do utilizador e que é lida pelo próprio servidor que a criou. Utilizam-se os cookies para muitos fins. Podem ser usados para identificar um utilizador por forma a que este não tenha de se autenticar de cada vez que acede a um site, servem para recolher informações sobre os hábitos de navegação (que sites visita, em que ordem, etc.), servem também para indicar se o utilizador já votou ou não numa determinada categoria de um concurso sobre os melhores blogues de 2011.
Infelizmente, como o cookie é qualquer coisa que mora no computador do próprio utilizador, pode ser facilmente apagado por este. Assim, se numa dada sondagem apenas marcamos os utilizadores que já votaram usando um cookie, um utilizador malicioso apenas tem de apagar os cookies referentes ao Aventar e pode imediatamente fazer uma nova votação. Se for um utilizador ligeiramente mais sofisticado pode simplesmente usar um modo de navegação incógnito para cada voto que quiser fazer.
É claro que há sempre pessoas que não sabem o que é fair play, não conseguindo ganhar com lisura tentam dar a volta ao sistema. Detectámos votos repetidos logo no inicio da votação, no Domingo de manhã. Para dificultar o trabalho a essas pessoas fazemos também uma verificação por endereço IP, isto é, cada vez que uma pessoa vota tomamos nota do endereço de onde está a fazer o voto. Se nos aparecer outro voto, com o mesmo endereço IP durante as seis horas seguintes, simplesmente ignoramos o voto.
Este comportamento, que à primeira vista parece perfeito para evitar a fraude, coloca um sério problema. Há muitas situações em que podemos ter votos perfeitamente legítimos provenientes do mesmo endereço IP que vão ser rejeitados. Isto acontece porque o número de endereços IP não só é limitado como está quase completamente exaurido. Assim para protelar o fim da disponibilidade de endereços IP utiliza-se uma técnica conhecida por NAT, que permite que vários utilizadores partilhem o mesmo endereço IP para aceder à Internet. Toda a gente que tem um router em casa que permita que dois ou mais computadores acedam à Internet (ou telefones espertos, ou tablets, ou qualquer aparelho que se ligue à rede), usa alguma forma de NAT, a maior parte dos escritórios usam esta técnica, etc.
Assim, se estiver num escritório, por exemplo, apenas a primeira pessoa que votar terá possibilidade de registar o respectivo voto. Infelizmente é absolutamente necessário usar esta medida, caso contrário a votação é completamente subvertida.
Há possibilidade de dar uma chapelada neste tipo de votação? Claro que há, a solução encontrada é um compromisso entre a facilidade de votar e a segurança da votação.
Que ganhe o melhor, sem batota!

Como aparece o Capeia Arraiana nesta eleição?

BlogometroNa categoria «Blogues Regionais» foi incluído o nosso Capeia Arraiana.
Agora só falta o voto de todos os amigos do Capeia Arraiana que acreditam neste projecto que vive há mais de cinco anos sem qualquer subsídio e é o resultado da colaboração e do exercício de cidadania de muitos sabugalenses, de muitos raianos, de muitos beirões, enfim… de muitos cidadãos do mundo.

Para quem não sabe a escolha do Capeia Arraiana para esta eleição resulta de nos mantermos, diariamente, há mais de cinco anos no Top100 dos blogues de língua portuguesa. No dia 17 de Janeiro de 2011 o Capeia Arraiana posicionou-se em 84.º lugar entre os blogues de línguas portuguesa mais visitados nesse dia. O acesso para o Blogometro está disponível para consulta nos nossos links do frame esquerdo. Aqui.

VOTE! VOTE NO MELHOR BLOGUE REGIONAL! AQUI.

jcl

O Capeia Arraiana nas estatísticas do WordPress

O Capeia Arraiana foi analisado ao pormenor pelos duendes de estatísticas do WordPress que aproveitaram para preparar e editar um relatório do ano de 2011 com algumas curiosidades sobre o tráfego do nosso blogue.

Estatísticas do WordPress sobre o Capeia Arraiana em 2011

Capeia Arraiana - WordPress

(clique na imagem para ver o relatório.)

Aqui está um excerto:
«O Estádio Olímpico de Londres tem uma capacidade de 80.000 pessoas. Este blogue foi visitado cerca de 490.000 vezes em 2011. So fosse o Estádio, eram precisos seis eventos esgotados para que toda gente o visitasse.»

O WordPress é uma solução profissional gerenciadora de conteúdos em open source (licença de código aberto) criado por Ryan Boren e Matthew Mullenweg.
O programa é utilizado, também, como plataforma de desenvolvimento de projectos de sites de comércio electrónico, revistas, jornais, portfólio, diretório de eventos e outros conteúdos devido a sua capacidade de extensão através de plugins, temas e programação PHP.

O Capeia Arraiana está alojado desde o seu início, há seis anos, nos servidores da WordPress e é auditado pelo Sitemeter, um sistema de análise e registo de tráfego na Internet reconhecido internacionalmente. Aqui.
jcl

Capeia Arraiana – um novo desafio

A inscrição da nossa Capeia Arraiana no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial foi um dos grandes acontecimentos concelhios de 2011.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Fortemente enraizada na cultura popular, em especial da parte raiana do Concelho, este é um fenómeno cultural que une a esmagadora maioria dos sabugalenses espalhados pelos quatro cantos do mundo.
Estiveram bem todos aqueles que, desde o primeiro momento, defenderam o seu reconhecimento nacional, mais um passo para afirmar a nossa identidade e diferenciação quer a nível sub-regional, quer a nível nacional.
Mas se este é um momento de alegria e de sentimento do dever cumprido, este é também um passo que desafia a nossa capacidade em afirmar este acontecimento único, sabendo responder à previsível maior atenção que todos lhe vão dar.
Quero com isto dizer que, não deturpando a «capeia», temos de encontrar novas formas de conjugar a pureza e a tradição, com formas inovadoras de captação de novos entusiastas.
É um desafio que toca todos, desde as Comissões Organizadoras de cada terra, às Juntas de Freguesia, à Câmara Municipal e à Casa do Concelho do Sabugal.
Não quero, até porque para isso não tenho competência, apontar caminhos, limito-me a alertar para esta nova realidade.
A Capeia Arraiana, não deixando de ser um dos mais importantes símbolos da «identidade sabugalense», passou a ser reconhecida por todos como Património Cultural Imaterial de Portugal.
Estou convencido que saberemos honrar esta distinção!

Ps: Sai esta crónica em vésperas de mais um Natal. Desejo a todos os que regularmente acedem a este Blogue umas ótimas festas na companhia dos seus.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Semana da Associação em Ruivós

Mês de Agosto é sinónimo de Festas no concelho do Sabugal. E logo na primeira semana tiveram lugar em Ruivós noites de intenso convívio organizadas pelos mordomos da Capeia Arraiana e pela Associação dos Amigos de Ruivós.

Festa Associação Amigos Ruivós Agosto 2011

A semana em movimento, organizada pelos Mordomos da Capeia de 2011, revelou-se um importante marco para prender as nossas gentes na aldeia.
Desde o dia 1 até ao 6, a animação não parou e o Salão de Festas foi o local escolhido para os festejos. Em cada dia o tema festivo era diferente, desde os Anos 80, à caipirinha, à noite branca, à noite da mulher e à festa da cerveja e do shot.
O último dia – 6 de Agosto, foi dedicado ao Dia do Sócio da Associação dos Amigos de Ruivós (AAR), em que tiveram lugar: uma missa, um almoço convívio, a assembleia geral da AAR, a anual capeia nocturna e para o encerrar das festividades uma festa temática em que se comemorava o início do verão.
De facto, o principal motivo destas festas – a capeia – foi bem sucedido e, com grande agrado por parte dos mordomos, com grande assistência.
Sem dúvida, Ruivós esteve em movimento durante essa semana, pois todos os dias marcaram grande agitação desde a ginástica ritmica, jogos tradicionais e ainda um passeio de motas velhas pelo concelho do Sabugal que reuniu cerca de 25 motards.
No final, é grande a satisfação dos mordomos que desde o primeiro momento aceitaram o convite, para que a aldeia de Ruivós fosse espaço de festejos e animação neste mês onde o que não falta por aí são festas mas que nesta aldeia não exitem (existiam).
Os Mordomos da Capeia de 2011 agradecem a todos os que participaram e colaboraram nestes belos dias vividos em Ruivós.
Marlene Leitão
(Mordoma da Capeia Arraiana de 2011)

Forcão – Capeia Arraiana – 25 de Agosto

ALDEIA VELHA – CAPEIA E… ENCERRO

«O Forcão, guarnecido de homens, está a postos no meio da praça. Dispensam-se as cerimónias de cortesia, e o pedido da praça, tal como a música, as camisolas e os bonés estampados dos rapazes que pegam ao forcão. Tudo isso se reserva para a tarde. Por ora, trata-se apenas de testar a bravura dos bois, uma espécie de tenta, ou, talvez mais correcto, uma forma de dar expressão à ânsia incontida da festa, à fome dos touros! Na falta do clarim, quatro pancadas fortes na chapa metálica do portão dos curros avisam que o touro vai entrar em cena. Ei-lo, negro, bisco e desenvolto como um relâmpago, a sair de revés, a percorrer todo o perímetro do largo, a limpar, obrigando a recolher aos salva-vidas todos os que ainda permaneciam na arena. Finalmente o bicho apercebe-se do forcão, à sua direita, de onde os rapazes o desafiam insistentemente. Sem se fazer rogado, vai-se à galha, prega-lhe uma valente marrada que obriga a rodar harmonicamente todo o conjunto. Ouvem-se gritos de euforia e receio. A rapaziada aguenta firme e os aplausos irrompem, merecidos.»

Capeia

Negro
Mais negro que os fogueiros ào inferno;
Gordo,
Mais gordo que as mulheres de um rei negróide;
Bufão,
Mais bufão do que Noto, Eolo e Bóreas à compita;

Veloz,
Mais veloz que os golfinhos de Nereu –
Entrou na praça o boi galhardo.
Escarvando,
Olfacteou o argiloso chão,
Com um ar de Satã alucinado.

Depois,
Erguendo a cabeça,
Achou pequenas a pequenez da praça
E a amplidão dos céus.

Depois, ainda,
Mugiu
Em ódio clamoroso e clangoroso.
Então,
A praça entrou nos delírios do pavor.
O forcão
Quedou-se desamparado
No meio do terreiro
E os capinhas galgaram em pamco
O espaço que os separava das trincheiras.
Sozinho,
No meio da praça,
O boi,
Já gigante,
Mais se agigantava.

Empoleirado num carro,
Exalçado a lenha
E enfeitado a colchas,
O tamborileiro rufava,
Querendo rebentar o velho bode.

Então os solteiros ganharam coragem
E, saltando aos magotes para a arena,
Imobilizaram o boi
Entre os aplausos dos homens
E os gritos das mulheres.
Manuel Leal Freire

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
jcl

Forcão – Capeia Arraiana – 24 de Agosto

BRAVURA E ARTE

«Tratando-se de um espectáculo onde a cor e a arte, numa palavra a beleza está sempre presente, achamos que a escrita não seria suficiente para traduzir toda a sua dimensão. Costuma dizer-se que uma boa imagem vale por mil palavras. E para a melhor tradição raiana só o seu melhor fotógrafo. A prova está à vista, não precisamos de elogiar. Mais do que um texto ilustrado com belas fotos, o resultado é um livro de fotos ilustrado com texto.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
jcl

Forcão – Capeia Arraiana – 23 de Agosto

FÓIOS – CAPITAL DA RAIA

«A Capeia dos Foios realiza-se na terceira terça-feira do mês de Agosto integrada nas festas em honra do Santíssimo Sacramento. O encerro inicia-se no planalto do Lameiro, para onde os touros vêm de madrugada, e dirige-se para a aldeia pelo caminho da serra, seguindo depois pela estrada que vem da Aldeia do Bispo em direcção à praça. Como sempre, o professor Zé Manel, presidente da Junta quase uma vida, num breve discurso gritado no megafone, dirige-se à assistência: agradece aos forasteiros a visita, pede aos fojeiros que recebam bem e recomenda valentia e prudência aos que enfrentam os toiros.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
jcl

Forcão – Capeia Arraiana – 22 de Agosto

IDENTIDADE DE UM POVO (2)

«A afición das gentes de Riba Côa não fica atrás da de outras regiões onde ocorrem manifestações tauromáquicas. Pelo contrário, a sua adesão aos touros supera em muito a adesão das regiões onde se fazem touradas à portuguesa, que como se sabe têm sofrido nas últimas décadas um decréscimo de assistência. Qualquer capeia arraiana encherá todos os lugares disponíveis da praça, por maior que seja, a pontos de ser dizer na Raia que onde há cornos há gente.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – 21 de Agosto

IDENTIDADE DE UM POVO (1)

«À hora da capeia todos os lugares estão preenchidos. Cada pessoa posiciona-se onde encontre sítio disponível. A afluência ultrapassa em muito a lotação das bancadas, apinhadas de gente nas posições mais caricatas. Há quem veja o espectáculo debaixo dos reboques, deitado por terra, outros permanecem durante toda a lide encalampeirados em postes de electricidade, telhados e outras estruturas. Janelas e varandas mal podem com tanta gente. Com a tourada prestes a iniciar, há ainda tempo para ajudar senhoras e crianças a subir para os tabuados e beber uns copos com os amigos, correndo-se o risco de não conseguir o melhor sítio para assistir ao primeiro touro, situação que se pode corrigir logo que alguém se levante para ir ao bar. Já que não há lugares marcados, os que vão ao bar deixam os lugares para os que deles precisam.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – 20 de Agosto

Ó FORCÃO RAPAZES

«O festival Ó Forcão Rapazes realiza-se por volta do dia 20 de Agosto, no segundo ou no terceiro sábado, conforme o maior ou menor avanço do calendário. Com a Praça de Touros a regurgitar de gente, completamente esgotada por uma assistência vibrante e colorida, a rapaziada da Raia demonstra a sua raça na espera dos bravos e corpulentos touros. A lide, com duração de 15 minutos para cada equipa, é controlada pela organização. Antes do início da capeia tem lugar o espectacular desfile das equipas, marcado pelo rufar dos tambores e pelos aplausos ruidosos dos apoiantes de cada uma das equipas. No final do desfile, os grupos alinham-se em conjunto no centro da Praça, lado a lado, e escutam as palavras de circunstância e de estímulo proferidas pela entidade oficial convidada, normalmente o presidente da Câmara, representante máximo do concelho. Terminado o discurso, as equipas voltam a desfilar, desta vezpara a trincheira, onde aguardarão a sua vezde medir forças com o touro que lhes calhou em sorteio.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
jcl

Forcão – Capeia Arraiana – 19 de Agosto

FORCÃO (3)

«O forcão é empunhado por uma trintena de jovens, distribuídos pelos mais de 300 quilos de toda a estrutura. O rabiche, leme do artefacto, é operado à altura da cabeça dos rabejadores, enquanto a base se mantém pela cintura ou até mais abaixo, dependendo da forma como investem os touros. Estes, ao marrarem, por vezes levantam a cabeça (derrote), e com ela o próprio forcão, obrigando os rapazes da respectiva galha a dependurarem-se nele, fazendo peso para o baixar. Há, porém, outros que marram de cima para baixo, humilhando, podendo ainda ser bons trepadores, o que causa, por vezes, alguns embaraços aos jovens. Neste caso é preciso usar de toda a força para levantar o forcão.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
jcl

Forcão – Capeia Arraiana – 18 de Agosto

FORCÃO (2)

«Falar da capeia arraiana é falar do artefacto que a torna tão peculiar. Não é difícil, ao analisarem-se outras tauromaquias, encontrar razões para as suas diferentes formas e meios utilizados: o cavalo, os ferros, a corda, os enganos, etc. Explicam-se pela origem da própria tauromaquia, pela caça, pelos treinos de guerra, ou simplesmente pela necessidade de domínio do homem sobre as espécies bravias, com vista ao aproveitamento dos recursos que propiciam. Com o forcão tudo é diferente, não são fáceis as explicações nem descortináveis as origens. Se não oferece dúvidas a ninguém a ancestralidade das garraiadas em Riba Côa, já quanto ao uso do forcão ninguém tem certezas sobre a época do seu aparecimento. Há quem o associe a guerras passadas.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
jcl

Forcão – Capeia Arraiana – 17 de Agosto

FORCÃO (1)

«Diz Adérito Tavares que, etimologicamente, a origem do nome forcão se liga à palavra latina furca, de onde também deriva forquilha, fourchete do francês, que significa garfo. Aliás, o forcão, assemelha-se muito a uma gigantesca forquilha. Adolfo Coelho corrobora que palavras como forcado ou forcada e forquilha derivam de furca, termo latino que se referia a uma rudimentar e tosca ferramenta de madeira, com dois ou mais dentes, usada na recolha de feno e palha, também chamada forca. Joaquim Lino da Silva descreve forcada ou forcado como um grosseiro tridente feito de um ramo de carvalho ou vidoeiro a que se dá a melhor forma em verde.5 Embora este autor a mencionasse no Barroso, a ferramenta sempre existiu noutras regiões, designadamente na Beira.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – 16 de Agosto

A PRAÇA

«Actualmente quase todas as freguesias da margem direita do Rio Côa, incluindo algumas anexas, possuem capeias. Aldeia da Ponte, Aldeia do Bispo, Aldeia Velha, Alfaiates, Fóios, Forcalhos, Lageosa da Raia, Ozendo e Soito participam no festival Ó Forcão, uma espécie de 1.ª divisão da capeia, como já alguém disse. A Rebolosa, que até tem praça, sente-se discriminada por não lhe ser permitido participar, uma vez que tem capeias com regularidade. A Nave, voltou à regularidade que, pelos vistos, tinha no início do século XX. Ruivós, Vale de Espinho, Vale das Éguas, Badamalos, Seixo do Côa (margem esquerda) e até o Sabugal organizam garraiadas, capeias noturnas ou capeias diurnas de forma intermitente.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – 15 de Agosto

ENCERRO

«Entre a poeira ao longe despontam as varas dos cavaleiros e, logo no meio do turbilhão, o sobe e desce dos vultos em corrida encrespada, enquanto um rio de poeira acompanha a turba ao longo do caminho. Depressa a cavalgada se aproxima em crescendo ruidoso e passa em grande velocidade sob a muita algazarra de participantes e assistentes. À frente vão os cavaleiros mais experientes, abrindo caminho como batedores, e logo a seguir os cabrestos com enormes chocalhos servindo de chamariz aos seis lustrosos touros pretos, que, misturados no turbilhão, mal se apercebem do que se passa em redor. Só contei quatro – diz um sujeito atrás de nós. Iam mais dois amarelos junto aos cavalos – contrapõe prontamente outro dos presentes. Atrás, vêem-se agora dezenas de cavaleiros e algumas amazonas e, de seguida, a enorme procissão de peões, carros e motos vai engrossando até desembocar na praça. No meio da confusão, os cães ladram de excitação.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – 14 de Agosto

MORDOMOS

«Sem organizadores não haveria festas ou outros eventos sociais. É às comissões também designadas por mordomias, que competem os preparativos, e as tarefas inerentes aos festejos. A escolha dos futuros mordomos é da responsabilidade dos mordomos cessantes. A nomeação dos seus substitutos é a derradeira acção da comissão. Em princípio, cada elemento escolhe o seu sucessor sem precisar de o consultar; mas o normal é que o consulte previamente para indagar da sua vontade em aceitar. A escolha sigilosa significa quase sempre intenção de castigar alguém que criticou ostensivamente a comissão anterior. A nomeação é, por regra, feita publicamente na igreja ou numa pausa do baile. Normalmente nunca se repetem as pessoas, uma vez que se trata de uma festa que exige muito trabalho, responsabilidade e dinheiro.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – 13 de Agosto

CAVALOS… CAVALOS… CAVALOS

«Onde existem touros há geralmente cavalos, como acontece em Riba-Côa. Frequentemente aponta-se como origem das capeias arraianas a tradicional existência de gado na Genestosa espanhola; mas a verdade é que a presença de gado bovino e equino em Riba-Côa é ancestral, como prova o foral leonês de Alfaiates, que sobre o assunto tem variadíssimos preceitos legais. Aí se diz, por exemplo, que um guardador de gado recebia por cada quatro éguas guardadas um morabitino; os proprietários de mais de 25 vacas teriam de as registar, e para as vistorias do concelho teriam que disponibilizar um cavaleiro.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – 12 de Agosto

O CULTO RAIANO DO CAVALO

«Nos últimos anos tornaram-se habituais os encontros equestres na região, realizados sobre a forma de passeios. Em Aldeia do Bispo, no tradicional passeio que ocorre antes da capeia, vêem-se agora dezenas de cavaleiros, que dão mote ao próprio cartaz. Mas onde os raianos demonstram a sua grande afeição pelos cavalos é no encerro dos touros, onde chegam a juntar-se mais de uma centena. Dá gosto vê-los, bem arreados, pêlo lustroso, crinas e caudas aparadas e penteadas, aqui e ali tranças e laços, alguns efectuando acrobacias e passos artísticos à voz do cavaleiro. Nas aldeias raianas da capeia, os cavalos são às centenas, muito por causa dos encerros. Alguns são apenas montados no dia da capeia.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – 11 de Agosto

A CULTURA DO TOURO

«A força, poder e coragem que emanam do touro valeram-lhe o respeito e admiração do homem, que em alguns casos o considera como representativo de um ser superior. O poder reprodutivo, a virilidade, a luta incessante, investindo até à morte contra o inimigo, originaram mitos sagrados que perpassam em alguns livros da Bíblia: símbolo de fertilidade, invencibilidade, chefia e poder de destruição1. Acreditava-se que era nos chifres que o touro concentrava a força da vida, razão para neles se amarrarem os arados que deviam semear as terras.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Capeia Arraiana na Lageosa da Raia

As capeias arraianas do mês de Agosto começam na Lageosa da Raia no dia 6 e terminam em Aldeia Velha no dia 25. A alma do povo do concelho do Sabugal materializa-se na festa do forcão. «Eternamente raianos» como diz a repórter Helena Leitão (com imagens de Henrique Concha) da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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Forcão – Capeia Arraiana – 10 de Agosto

A CULTURA DO TOURO

«A força, poder e coragem que emanam do touro valeram-lhe o respeito e admiração do homem, que em alguns casos o considera como representativo de um ser superior. O poder reprodutivo, a virilidade, a luta incessante, investindo até à morte contra o inimigo, originaram mitos sagrados que perpassam em alguns livros da Bíblia: símbolo de fertilidade, invencibilidade, chefia e poder de destruição1. Acreditava-se que era nos chifres que o touro concentrava a força da vida, razão para neles se amarrarem os arados que deviam semear as terras.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – 9 de Agosto

A ESCOLHA DOS TOIROS

«Quando está no seu meio natural, rodeado pelos da sua espécie, o touro não demonstra o comportamento agressivo que apresenta na praça. É para recriar o ambiente de manada, em que o touro se sente mais tranquilo, que se usam cabrestos8 para o conduzir nos encerros e para o retirar da arena, depois da lide. Quando está isolado, é estimulado a investir, não só contra pessoas e animais, como contra qualquer objecto, ainda que movido pelo vento.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – 8 de Agosto

ESCOLHER AS GALHAS E FAZER O FORCÃO

«A preparação do forcão é tarefa da máxima responsabilidade, pois da sua robustez depende a segurança de quantos lhe pegam. Em todas as aldeias da capeia há indivíduos especializados na sua execução, e a eles recorrem os mordomos na altura de o fazer. O Zé Penetra da Lageosa e João Fernandes de Aldeia do Bispo já executaram mais de meia centena para as suas terras e terras vizinhas, sem cobrarem pelo trabalho. Por se tratar de lenha de carvalho, pesada por natureza, corta-se no Inverno ou na Primavera, geralmente na Páscoa, para que esteja seca e leve quando for usada. Para a sua construção são necessários um pau principal de pinho, 3 galhas, 20 estadulhos, 4 varas transversais e 4 tornos para o rabicho. Em alguns casos, as galhas são cortadas no rebollar espanhol, com o consentimento do respectivo alcaide.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – 7 de Agosto

UMA ESPÉCIE DE RELIGIÃO

«A Capeia Arraiana não é uma tauromaquia qualquer. Como uma espécie de religião em que se acredita, não basta assistir, é preciso participar, ir ao encerro, comer a bucha, beber uns goles da borratcha e voltar com os touros, subir para as calampeiras, ser mordomo, ser crítico tauromáquico, discutir a qualidade dos bitchos e a lide ou, simplesmente, ser fotógrafo da corrida.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – 6 de Agosto

E TUDO COMEÇA… NA LAGEOSA DA RAIA

«Pouca gente saberá explicar que fenómeno é este que faz com que as pessoas mais idosas, muitas vezes de bengala e com dificuldade de movimentos, consigam sair de casa e encalampeirar-se num palco ou enfiar-se num buraco debaixo de um carro, para não perder nem um carxinho do espectáculo! Por vezes, dá-se a desculpa do filho ou do neto que andam no corro… Outras, foge a boca para a verdade e confessa-se: «Não há nada melhor que a capeia! Não sou capaz de ficar em casa… Para o ano, quem sabe se cá estou!»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Forcão – Capeia Arraiana – o grande livro

No livro «Forcão – Capeia Arraiana» as poderosas imagens de Joaquim Tomé (Tutatux) investem ao longo das páginas nas galhas da escrita magistral de António Cabanas e vão servir para acrescentar história à História das terras de Riba-Côa. António Cabanas, natural de Meimoa, é também um homem da Malcata e da Raia e é agora, definitivamente, um verdadeiro raiano. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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Capeia de São Pedro em Aldeia da Ponte

Há tourada na Aldeia. «A festa seguiu tarde fora. Na arena improvisada a força da besta e a bravura dos homens foram desafiadas numa festa para que a tradição não acabe», relata a repórter acompanhada pelas palmas dos sons ciganos. Reportagem da jornalista Sara Castro com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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Capeia Arraiana na Páscoa em Alfaiates

Em Alfaiates preparou-se a praça para a tradicional capeia arraiana de domingo de Páscoa. Reportagem da jornalista Andreia Marques com imagens de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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Autoria: Capeia Arraiana posted with Galeria de Vídeos Capeia Arraiana

Aldeia do Bispo - Capeia Arraiana

Carnaval e Capeias em Aldeia do Bispo

Aldeia do Bispo manteve a tradição com um extenso programa para a quadra de Carnaval onde faltaram os desfiles de Carnaval e as capeias. Desde domingo até terça-feira houve estoinas, bandoleros, jagunços, largadas «del ganado», buídas e comidas (patatas, chupaméis, lagartas, mílharas, caldo de baginas e buchos com orelhas, rabos, patas e cornos), palhaçadas, judiarias e macadadas e claro… capeias com vois, espertas bacas e respectivos bitelos. Este ano pegou ao forcão um sabugalense muito especial.

Aldeia Velha foi palco da primeira Capeia do ano

A primeira Capeia Arraiana de 2011 teve lugar numa das praças míticas do concelho do Sabugal – Aldeia Velha. Depois da noite de passagem de ano e apesar do frio os aficionados rumaram até à aldeia da Raia no dia 1 de Janeiro para mirarem os primeiros touros deste ano.

GALERIA DE IMAGENS  –   CAPEIA ARRAIANA   –   ALDEIA VELHA   –   1-1-2011
Fotos Capeia Arraiana –  Clique nas imagens para ampliar

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Santinho Pacheco – Personalidade do Ano (1)

O Capeia Arraiana elegeu António José Santinho Pacheco para «Personalidade do Ano 2010». O actual Governador Civil do distrito da Guarda – o território do Côa, da Estrela e do Douro – soube da escolha durante a grande entrevista que nos concedeu na semana que antecedeu o Natal e sucede a António Robalo, eleito no ano passado. «Não tenho tempo para as redes sociais na Internet porque privilegio o contacto pessoal», disse-nos confirmando o que já todos pensam da sua personalidade. Pró-activo, irreverente, dinâmico e opinativo nunca recusa um convite mesmo que isso o faça marcar presença em dois ou três concelhos no mesmo dia, em qualquer dos sete dias da semana. Santinho Pacheco entendeu reescrever a partir da cidade mais alta a definição de Governador Civil nos «books» governamentais.

Santinho Pacheco - Governador Civil da Guarda - Capeia Arraiana

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O Governador Civil da Guarda, Santinho Pacheco, é a «Personalidade do Ano 2010» para o Capeia Arraiana.
António José Santinho Pacheco nasceu em Setembro de 1951 na Vila Franca da Serra, no concelho de Gouveia. Logo a seguir ao 25 de Abril foi eleito deputado municipal e posteriormente presidente da Assembleia Municipal. Em 1979 assumiu a presidência de Junta de Freguesia de Vila Franca da Serra e de vereador da Câmara Municipal de Gouveia após a vitória de Alípio de Melo em 1982. Entre 1985 e 2001 (durante quatro mandatos) exerceu as funções de Presidente da Câmara Municipal de Gouveia. Em 2001 perdeu para Álvaro Amaro e foi vereador até 2005. No currículo regista ainda uma breve passagem pela Assembleia da República durante a VIII Legislatura (1999-2002) como deputado do Partido Socialista pelo Círculo Eleitoral da Guarda na Assembleia da República.
No dia 19 de Novembro de 2009 Santinho Pacheco foi nomeado pelo Conselho de Ministros, por proposta do ministro da Administração Interna, Rui Pereira, para Governador Civil do distrito da Guarda sucedendo no cargo a Maria do Carmo Borges.
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– Quando assumiu o cargo de Governador Civil declarou que a sua principal preocupação seria a batalha do desemprego. Um ano depois mantém essa prioridade?
– Absolutamente. Vivemos um ano extremamente complexo. Os maiores especialistas mundiais em economia ainda não conseguem dizer se a luz que se vê no final do túnel é o fim ou um novo túnel que aí vem. Admito que o Governo se tenha enganado nas previsões até porque na política, muitas vezes, enganamo-nos mas para um homem com a craveira do prof. Cavaco Silva se ter deixado enganar pelo governo já acredito menos. Por isso considero que houve um conjunto de fenómenos novos na economia mundial que levaram a que tudo fosse imprevisível mesmo no curtíssimo prazo. Quando declarei que a batalha do desemprego era fundamental num território como o nosso de baixa densidade populacional não previa que as dificuldades fossem tão grandes. Nós tivemos – eu próprio e muitos autarcas deste distrito – na sequência do clima psicológico que se criou à volta da crise de tentar segurar as empresas que estão abertas. Somos um país muito dependente das exportações e do mercado interno. Apesar do fecho da Delphi ainda vai havendo poder de compra na Guarda mas as pessoas já pensam muito em poupar. Tivemos de lutar pela salvaguarda de postos de trabalho. Os empresários sabem que tiveram aqui uma porta aberta para os ajudar, para ir a Lisboa aos ministérios defender os postos de trabalho. O fecho da Delphi na Guarda não teve nada a ver com a produtividade dos trabalhadores. Foi uma decisão tomada a nível mundial pela administração da empresa nos Estados Unidos. Ouvi o secretário de Estado da Economia perguntar – «Mas o que é que eles querem para não sair?» – e não houve resposta a essa questão. O aumento de produção em Castelo Branco é uma situação meramente transitória. Por outro lado a multinacional Dura Automotive, que esteve para se deslocalizar da Guarda, vai ampliar as instalações da fábrica em Vila Cortez do Mondego. Mas temos de ser claros e não fazer demagogia. Nós não temos um tecido económico dinâmico. Nós não temos um mundo empresarial com vontade de arriscar. O ministro da Economia disse – e o NERGA sabe disso – «Que projectos é que têm na Guarda que nós vamos aprová-los com prioridade?» Na verdade temos algumas dificuldades porque, actualmente, tirando dois casos todas as negociações em curso são com empresários de fora. Se fizermos uma radiografia mental dos nossos concelhos e retirarmos os funcionários públicos e os que trabalham nas IPSS’s a capacidade empresarial é mínima. Assim temos que bater a outras portas e na actual conjuntura sabemos que não somos os únicos. Não podemos desistir e devemos apostar em «coisas novas».
– E que «coisas novas»?
– Dou-lhe os exemplos dos sectores agro-industrial e das carnes que estão mal explorados no nosso distrito. O matadouro da Guarda – que até interessa bastante à gente do Sabugal – está em sub-aproveitamento, com dificuldades de tesouraria. Em vez de só matar e entregar a carne desmanchada devia ser criada uma estrutura que poderia transformar, embalar e comercializar com uma marca nossa. Há produtos agrícolas que podem e devem ser industrializados e certificados criando uma mais-valia com a criação de marcas. Nós não podemos andar distraídos com um sector industrializado forte com projectos feitos não sei por quem e continuamos a ignorar aquilo que é verdadeiramente nosso. Eu não me canso de dizer que o distrito deve ter os pés bem assentes na terra mas para isso temos de convencer os autarcas e fazê-los acreditar que o mundo rural do distrito da Guarda é, sem sombra de dúvida, o nosso petróleo. É uma riqueza que deixou de ser explorada. O repovoamento, ou pelo menos, o combate à desertificação do nosso distrito passa pelo mundo rural. O turismo não pode ser a panaceia de todos os nossos males. O turismo tem de ser algo de complementar a uma boa exploração rural, à gastronomia, ao artesanato…
– A Comissão Executiva criada pelo Governo Civil já elaborou o Plano Estratégico para o Desenvolvimento Rural do distrito da Guarda?
– Por vezes falamos de iniciativas onde nos faltam o capital ou os meios necessários mas quando falamos de desenvolvimento rural temos cá tudo. Até 31 de Dezembro vamos apresentar ao Ministério da Agricultura as primeiras propostas para o uso da terra. Não podemos continuar a permitir que as terras necessárias aos projectos para o mundo rural não estejam disponíveis. A propriedade tem um valor social e não apenas um valor patrimonial para o seu proprietário. As terras de quem não pode, não quer ou nem sequer cá está devem ser disponibilizadas recebendo em troca uma contrapartida. Há valores que estão acima do individualismo. Tal como é crime queimar uma nota de banco também sabemos que a floresta é uma riqueza de todos apesar de ter um dono. No nosso distrito há uma percentagem elevadíssima de propriedades que estão ao abandono e por isso temos de dar passos em frente e rapidamente para que o uso da terra e da criação do banco de terras com arrendamento rural ou outra fórmula que inclua os municípios ou as juntas de freguesia. Quando o Estado Novo criou a Colónia Agrícola Martim-Rei teve como objectivo o repovoamento do território e a criação de riqueza. Estou convencido que há pessoas nas áreas urbanas que aceitariam o desafio de vir para estas terras apostar na agricultura. Hoje uma grande percentagem do consumo faz-se através das grandes superfícies e, por isso, devemos investir numa bolsa de produtos de excelência que possam ser transaccionados por uma central distrital com uma marca certificadora. Precisamos de vender bem! O que é daqui ainda tem qualidade! As pessoas acreditam. As morcelas da Guarda, o bucho do Sabugal, as sardinhas de Trancoso, os queijos, as castanhas, a doçaria… estamos a desperdiçar uma riqueza que era fundamental para a fixação de pessoas e para que vivam mais e melhor. E falta falar da componente ambiental. Sem ocupação do território não há forma de travar os incêndios florestais. O combate aos fogos florestais custa todos os anos uma fortuna ao país. Mas chegamos sempre ao mesmo ponto. Tem de haver vontade política e em Portugal não tem havido vontade política para combater a interioridade.
(continua.)
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Santinho Pacheco – Personalidade do Ano (3)

O Capeia Arraiana elegeu António José Santinho Pacheco para «Personalidade do Ano 2010». O actual Governador Civil do distrito da Guarda soube da escolha durante a entrevista que nos concedeu na semana que antecedeu o Natal e sucede a António Robalo, eleito no ano passado. «Não tenho tempo para as redes sociais porque privilegio o contacto pessoal», disse-nos confirmando o que já todos pensam da sua personalidade. Pró-activo, irreverente, dinâmico e opinativo nunca recusa um convite mesmo que isso o faça marcar presença em dois ou três concelhos no mesmo dia, em qualquer dos sete dias da semana. Santinho Pacheco entendeu reescrever a partir da cidade mais alta a definição de Governador Civil nos «books» governamentais.

Adérito Tavares - Santinho Pacheco - António Robalo

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Todas as declaração nesta grande entrevista são importantes mas não resistimos a destacar parte de uma resposta de Santinho Pacheco: «O Sabugal foi a maior surpresa que eu tive desde que sou governador civil. O Sabugal surpreendeu-me pela capacidade e o querer das pessoas, pelas potencialidades do concelho e pelas perspectivas de futuro. No Sabugal nada é por acaso. O Sabugal surpreende qualquer pessoa que ali vá de espírito aberto. O que se passa no Sabugal durante o mês de Agosto é um fenómeno à escala europeia. O contraste entre o Sabugal do Inverno e o Sabugal do mês de Agosto mostra todas as potencialidades daquelas terras e temos obrigação de as saber aproveitar.»
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– Tem sido alvo de várias homenagens e os cidadãos do distrito da Guarda começam a ver a figura do Governador Civil com outros olhos. Neste caso podemos dizer que é a pessoa que faz o cargo…
– Há uma ideia errada do que é o Governo Civil. O Governador Civil é nomeado pelo Conselho de Ministros e representa globalmente o Governo, ou seja, todos os ministérios. Esta representação obriga a um esforço muito grande do titular do cargo quando o quer exercer bem. Claro que é muito fácil receber um convite e responder que, por questões de agenda, não é possível estar presente ou enviar um representante. Eu gosto de estar presente e quando não vou fico triste. Vivo estas funções com o mesmo entusiasmo como quando fui a primeira vez para a Câmara de Gouveia. Independentemente de ter uma cor política as minhas competências não me permitem entrar em jogos partidária. Quando tomei posse afirmei com convicção que nunca admitirei que façam pouco de um presidente de câmara qualquer que seja o partido que o elegeu apesar de ter sentido na pele ser desautorizado só porque não era do partido que estava no Governo. Eu não acho que isso seja correcto. Quem é eleito tem a confiança das populações e merece respeito de todos os democratas. No distrito da Guarda o Governador Civil é visto como uma personalidade em fim de carreira política…
– … mas não é o seu caso…
– … Não. É o meu caso. Apenas estou preocupado em cumprir bem o meu papel. É o meu maior defeito. Sou incapaz de guardar na cabeça momentos menos bons. Posso ser objecto daquilo a que se costuma chamar uma sacanice mas no dia seguinte já esqueci tudo. Neste momento não quero pensar em mais nada. No protocolo de Estado um deputado ou um general estão acima do Governador Civil mas as populações sempre tiveram, no distrito da Guarda, um grande respeito pelo cargo. Desde 1976 que exerço cargos políticos e já conheci 11 ou 12 governadores civis, começando pelo Alberto Antunes, da Aldeia de Santo António do concelho do Sabugal, Marília Raimundo, Adriano Vasco Rodrigues (um cavalheiro, um senhor), Fernando Lopes, Fernando Cabral ou o dr. Lacerda. Todos tinham uma estilo muito pessoal e aprendi com eles todos. Tenho um grande orgulho no clima de amizade, de proximidade que durante este primeiro ano construí com todos os presidentes de câmara do distrito. Eu sei muito bem as dificuldades por que passam e que se estão a viver neste momento e devemos ajudar-nos uns aos outros. Quando as populações locais estão satisfeitas encaram o futuro com mais optimismo e o governador civil também tira partido desse clima positivo e favorável. A política de terra queimada nunca trouxe lucros a ninguém. A política pró-activa pelo engrandecimento de uma terra beneficia sempre os seus autores. Enganam-se todos aqueles que pensar ser no bota-abaixo que se tiram proveitos políticos.
– O Centenário da República foi bem tratado nos concelhos do distrito da Guarda?
– Em todos os concelhos do distrito houve uma dignidade muito grande nas cerimónias do Centenário da República. No Sabugal, em Gouveia, em Celorico e em todos os concelhos houve excelentes iniciativas. Aqui na Guarda «aconteceram» momentos incríveis. A Guarda foi verdadeiramente republicana.
– No passado mês de Agosto na capeia arraiana de Aldeia do Bispo afirmou com toda a convicção que o «Sabugal era uma nação». Porquê?
– O Sabugal foi a maior surpresa que eu tive desde que sou governador civil. O Sabugal surpreendeu-me pela capacidade e o querer das pessoas, pelas potencialidades do concelho e pelas perspectivas de futuro. No Sabugal nada é por acaso. O Sabugal surpreende qualquer pessoa que vá ali de espírito aberto. O que se passa no Sabugal durante o mês de Agosto é um fenómeno à escala europeia. O contraste entre o Sabugal do Inverno e o Sabugal do mês de Agosto mostra todas as potencialidades daquelas terras e temos obrigação de as saber aproveitar. É extraordinária a lição de amor à terra que nos é dada pelos emigrantes quer estejam em Lisboa, na França, na Suíça ou em qualquer outro lugar que vêm para ser mordomos, para gastar dinheiro naquelas festas que são na verdade únicas. E já disse algumas vezes: «Como é possível um homem andar toda a vida na política distrital, ter sido presidente da Câmara durante 20 anos, ter sido amigo de muitos presidentes de câmara do Sabugal – recordo-me de ter sido testemunha de um presidente que já faleceu e que era de outro partido que não o meu – e como é que nunca olhei com olhos de ver para as potencialidades daquele concelho.» Tenho a certeza que o Sabugal é uma terra com grande futuro na próxima década. Vai ser um concelho surpreendente.
– Tem tempo para a Internet e para as redes sociais?
– Não. Absolutamente. Eu lido directamente com as pessoas. Gosto de falar com todos mas no mundo real.
– O Capeia Arraiana elegeu-o como personalidade do ano 2010. Quer fazer algum comentário?
– É uma honra que me cria uma enorme responsabilidade. Quanto maior é a subida maior é o tombo. Procurarei ser fiel às razões que vos levaram a tomar essa decisão e não vos desiludir. Gosto de dizer que um dos meus objectivos na política é nunca desiludir aqueles que, por uma ou outra razão, e a maior parte das vezes por amizade têm alguma consideração e respeito por mim. Por isso aquilo que eu irei procurar, enquanto estiver no desempenho do cargo de governador civil é tudo fazer para no futuro me possam dizer: «Não nos desiludiu.» E gostaria de dirigir através do Capeia Arraiana uma saudação de Natal e Ano Novo a todos os que partilham este espaço. No distrito da Guarda partilhamos memórias comuns e respeitamos valores que nos unem e isso é que é a nossa força. Terras com história, povo com alma, o futuro é forçosamente o seu destino. A todos Boas Festas e vamos acreditar que 2011 vai ser um ano de mudança efectiva. Nestas terras sempre aprendemos o valor do dinheiro. O dinheiro que vem do suor do rosto das pessoas, daqueles que para terem dignidade tiveram de emigrar um dia. Eu que sou filho de emigrantes não esqueço nunca isso e acredito que tendo um nível de vida de acordo com as nossas possibilidades o país pode caminhar no rumo certo. Para este ciclo se completar é fundamental que a nível nacional tenhamos juízo relativamente a uma questão fulcral para o distrito da Guarda – o apoio à agricultura. O mundo rural precisa de sobreviver a esta crise.
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Jornadas Mundo Rural – Acontecimento do Ano

Acontecimentos importantes para o concelho do Sabugal muitos foram durante o ano que agora finda. A nossa escolha para «Acontecimento do Ano 2010» recai nas «Jornadas do Mundo Rural» que decorreram no dia 26 de Abril no Auditório Municipal do Sabugal presididas por António Serrano, ministro da Agricultura, do desenvolvimento rural e das pescas e com a participação de cerca de três centenas de agricultores de todo o distrito. O Sabugal foi o local escolhido para o maior acontecimento do distrito da Guarda no ano que agora finda e que pretendeu recolocar o mundo rural e a agricultura dos territórios beirões no centro das atenções regionais e nacionais. O Capeia Arraiana está em condições de adiantar que o concelho do Sabugal vai integrar o projecto piloto do Plano Estratégico de Desenvolvimento Agrícola do Ministério da Agricultura.

Local Visão Tv - Guarda
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O maior acontecimento no distrito da Guarda foi, sem sombra de dúvidas, recolocar o mundo rural e a agricultura no centro das atenções regionais e nacionais. O ministro da Agricultura, António Serrano, viajou desde o Terreiro do Paço, em Lisboa, para incentivar os agricultores do distrito da Guarda a valorizar a ruralidade raiana e beirã sem ter vergonha de ser do mundo rural. A imitação das grandes cidades não tem sustentabilidade nem razão de ser nestes territórios que sempre produziram produtos agrícolas de excelência e agora têm as terras ao abandono vítimas de forte desertificação. Não se pede a ninguém que pratique uma agricultura de subsistência, pobre e violenta, que sacrificou as gerações que nos antecederam. A aposta passa por fazer a diferença com investimentos modernos em produtos de qualidade, certificados, produzidos, transformados e colocados directamente no consumidor final. Os objectivos são ambiciosos mas «falta pouca coisa». Apenas «falta» empreendedorismo porque os apoios locais e nacionais parecem estar disponíveis.
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Questionado pelo semanário «Nova Guarda» durante as Jornadas de Reflexão sobre o Mundo Rural o ministro António Serrano justificou a escolha do Sabugal: «Há uma vontade muito forte de reconstruir e desenvolver este território e quisemos fazer aqui estas jornadas de reflexão sobre o futuro deste concelho e do distrito da Guarda no domínio da agricultura e do desenvolvimento rural. Precisamos discutir em conjunto – municípios, governo civil, associações, sociedade civil – uma estratégia comum. Não pode ser cada a fazê-lo por sua iniciativa de forma isolada e descoordenada.» O ministro aproveitou para anunciar a criação de um grupo de trabalho distrital com a missão de ser promovido um plano de desenvolvimento do distrito a médio prazo.
«A agricultura é um sector estratégico para o desenvolvimento sustentado de Portugal. A agricultura tem uma valência fundamental na criação de emprego e é uma oportunidade nacional para combater a crise económica em que mergulhou todo o mundo. Precisamos de uma nova agricultura e de gente nova para implementar novas práticas agrícolas numa lógica de desenvolvimento rural. Muita gente saiu deste concelho (Sabugal) e desta região e necessitamos de redefinir o que podemos fazer, em conjunto, no domínio das novas culturas, da produção animal e florestal. A agricultura não é fonte de problemas, a agricultura é parte da solução e eu acho que esta é a consciência cívica que todos devemos assumir reconhecendo o contributo que os agricultores dão a toda a sociedade. Se os consumidores optassem pela compra de produtos nacionais estavam a ajudar a agricultura portuguesa e a criar condições para que recupere o papel que já teve no passado», afirmou, ainda, o ministro da Agricultura António Serrano.
O concelho do Sabugal é um dos concelhos escolhidos para o projecto piloto do Ministério da Agricultura. Santinho Pacheco em declarações ao Capeia Arraiana adiantou que o Ministro da Agricultura está verdadeiramente interessado em que este plano estratégico de desenvolvimento agrícola dê resultado. «No plano que vamos apresentar até ao final do ano – e se não for possível todos – vamos indicar três ou quatro concelhos com grandes potencialidades agrícolas para que sejam considerados municípios piloto para aplicar um conjunto de princípios que, no nosso entender, vão inverter por completo as ideias sobre o mundo rural e o seu desenvolvimento. A aposta no concelho do Sabugal, com uma grande diversidade muito grande, seria na área da pecuária (pequenos ruminantes e gado vacum); em Figueira de Castelo Rodrigo nas amendoeiras, olival, vinhas e ligação ao Douro; no concelho da Guarda ou eventualmente de Celorico da Beira têm o parque natural da Serra da Estrela, o queijo da Serra e áreas de minifúndio. Levaremos com espírito aberto ao senhor Ministro.» Como nota final defendeu que «a zona da Raia pode ser no presente o que o Alentejo foi no século passado onde todos queriam ter um monte».

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Prémio Capeia Arraiana 2010
CÂMARA MUNICIPAL E ASSEMBLEIA MUNICIPAL DO SABUGAL – O «Prémio Capeia Arraiana 2010» vai para a Câmara Municipal e para a Assembleia Municipal do Sabugal.
Em Maio o presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, informava que «a candidatura da capeia arraiana está em fase de preparação por parte da Câmara, através da empresa municipal Sabugal+ que tem feito recolhas de vídeos, de textos, de testemunhos orais, fotográficos e escritos alusivos à capeia arraiana para apresentar a candidatura ao Instituto dos Museus e da Conservação que, depois de aceite, dará conhecimento à UNESCO».
Reunidos no dia 24 de Setembro de 2010 os membros da Assembleia Municipal deliberaram, por unanimidade, classificar a capeia arraiana, tourada que inclui a lide dos touros com recurso ao forcão, como «património cultural imaterial de interesse municipal».
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Destaque Capeia Arraiana 2010
COMISSÃO DO CENTENÁRIO – O «Destaque Capeia Arraiana 2010» vai para a Comissão do Centenário da República presidida pelo prof. Adérito Tavares.
5 de Outubro de 1910. 5 de Outubro de 2010. Os 100 anos da República foram assinalados com pompa e circunstância no concelho do Sabugal. A Comissão do Centenário, presidida por Adérito Tavares, preparou com muita dignidade – e qualidade – um programa comemorativo que destaca os valores republicanos da educação, liberdade, igualdade e justiça para todos.
A sessão solene das comemorações do Centenário da Implantação da República no concelho do Sabugal, no dia 5 de Outubro de 2010, teve lugar no Auditório Municipal. A mesa foi constituída por António Robalo, presidente da Câmara Municipal do Sabugal, por Santinho Pacheco, governador civil da Guarda, por Ramiro Matos, presidente da Assembleia Municipal do Sabugal, por Adérito Tavares, presidente da Comissão Municipal para as Comemorações e por Jaime Vieira, igualmente da Comissão Municipal.
«Não há democracia sem liberdade. Não há liberdade sem educação.»
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jcl

Especial Festas do Soito 2010

O arraiano Fred do Soito editou mais um DVD intitulado «Especial Festas do Soito 2010».

Os interessados podem adquirir o DVD contactando o Fred do Soito pelo tel. (+33)06-74-90-55-38 ou pelo e-mail: fredosoito@hotmail.fr
jcl

Prémio Literário Capeia Arraiana

No intuito de fomentar hábitos de leitura e de escrita, bem como preservar as tradições do território raiano do Concelho do Sabugal, foi instituído o «Prémio Literário Blogue Capeia Arraiana / Agrupamento de Escolas do Sabugal 2011». Edição de Paula Pinto da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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jcl

Criado Prémio Literário sobre a Capeia Arraiana

No intuito de fomentar hábitos de leitura e de escrita, bem como preservar as tradições do território raiano do Concelho do Sabugal, foi instituído o «Prémio Literário Blogue Capeia Arraiana / Agrupamento de Escolas do Sabugal 2011».

Prémio Literário Blogue Capeia Arraiana / Agrupamento Escolas Sabugal 2011

Ao prémio, que também pretende promover a expressão literária e o desenvolvimento da língua portuguesa, podem concorrer os alunos do Ensino Secundário (10.º, 11.º e 12.º anos) do Agrupamento de Escolas do Sabugal.
Os trabalhos terão por tema a tradição da Capeia Arraiana nas terras do concelho do Sabugal e terão de ser apresentados a concurso em suporte digital multimédia.
Os prémios previstos terão o valor de 500 euros para o 12.º ano, de 250 euros para o 11.º ano e de 250 euros para o 10.º ano, sendo patrocinados por empresas do concelho do Sabugal. A Electrocôa patrocina o prémio de 500 euros e as empresas BigMat (de Ricardo & Ricardos, Lda.) e Talho Minipreço (de Pedro & Gonçalves, Lda.) patrocinam os prémios de 250 euros, os quais serão revertidos em aquisições nessas mesmas empresas.
São unicamente admitidos a concurso trabalhos inéditos, que serão definidos, apresentados e acompanhados pelos respectivos professores da Área de Projecto (12.º ano) e de Português (10.º e 11.º anos), devendo ser entregues até ao primeiro dia do terceiro período lectivo.
O júri do Prémio é composto pelo director do Agrupamento de Escolas do Sabugal, por um administrador do Blogue Capeia Arraiana e pelo responsável pela Educação da Câmara Municipal do Sabugal, mediante propostas dos professores responsáveis. O resultado do concurso será anunciado pela Direcção do Agrupamento até ao dia 31 de Maio.
A instituição do Prémio resultou de um protocolo celebrado entre os responsáveis do Agrupamento de Escolas do Sabugal, do Blogue Capeia Arraiana e as empresas patrocinadoras.
Administração do Capeia Arraiana