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António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O meu amigo «Sr. Dála»

Partida comovida, na Tasca da Eduarda, com massinha de peixe oferecida pelos nossos compadres, e um voo longo mas agradável. Por ser noturno, permitiu uma dormida e um relax para a viagem seguinte. Ao contrário do passado, hoje, felizmente os procedimentos alfandegários são rápidos e, estas missões, já têm uma logística que também melhorou significativamente com a experiência.

Senhor Dála

Senhor Dála

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Bartolomeu Dias, o navegador que nos trouxe a «Esperança»

A crónica de hoje pretende mostrar que um povo humilde e pequeno soube almejar a sua autonomia sem grandes alaridos, usando uma estratégia de alto risco: partir para o desconhecido e afastar-se do conflito. Não posso deixar de agradecer à Junta Regional da Guarda do CNE, que aceitou este «velhote» para um curso de dirigente, tendo tido a oportunidade de fazer um trabalho sobre Bartolomeu Dias que aproveito para a crónica desta semana. Não se admirem que no local, que ponho sempre no final das crónicas, esteja no Cabo das Tormentas, porque sem dúvida foi o que passei com a crónica da passada semana.

Navegador português Bartolomeu Dias

Navegador português Bartolomeu Dias

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Catalonia es nuestra!

Quem diria que o anseio de libertação continua num território aparentemente consolidado. E à semelhança de Salazar toca de não reconhecer a vontade de um povo que estava dividido e agora cada vez mais unido. Provavelmente até os portugueses residentes na Catalunha já estejam mais para lá do que para cá. A violência só gera violência como diz a sábia vontade popular e o engraçado da história, sem graça nenhuma, é que o terrorismo basco foi muito menos eficaz do que esta estratégia política que abana toda a Europa.

Catalães não desistem

Catalães não desistem

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

A angústia de uma partida

Tenho esse direito, pelo menos assim o entendo, manifestar a angústia de partir. Mas de facto a vida resume-se um pouco à contagem do tempo e não somos insubstituíveis. Todos gostam de receber um abraço, um cumprimento, tal como no desporto, mas de facto na vida profissional não é assim. De facto, não nos podemos esquecer que também somos pagos, e umas vezes melhor, outras pior, vamos cumprindo com as nossas tarefas. Para quem nunca saiu do seu espaço julga que onde está é o pior dos piores. Mas enganem-se. A vida profissional, levada a sério, é bem dura seja onde for. Até nas Caraíbas!

Cá vou eu mas desta vez por alguns anos

Cá vou eu mas desta vez por alguns anos

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

À terceira é de vez!

Hoje vou falar sobre o próximo Fórum de Empreendorismo e Inovação da Guarda, a realizar no próximo dia 26 de outubro de 2019, no café do TMG, sobre a questão da sustentabilidade. Tem sido um tema muito abordado nas minhas crónicas e não faria sentido de não publicitar este evento na nossa região, agora que um novo ciclo político vai começar. Estes temas são transversais e, felizmente, passou a estar na agenda do dia a dia de empresas, autoridades, escolas, e muitos setores da sociedade. O painel de oradores é variado e de vertentes distintas, do ponto de vista profissional, o que seguramente abrirá portas a debates interessantes e ajudarão o auditório a ficar com uma opinião própria, mas fundamentada. Por esse motivo convido os leitores e leitoras a procurarem passar um dia diferente, apresentando na crónica de hoje um resumo dos temas que serão abordados.

Fórum de Empreendorismo e Inovação da Guarda

Fórum de Empreendorismo e Inovação da Guarda

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Mulheres que nos marcam

Mesmo havendo um esforço para se estabelecer na sociedade a igualdade de género, sendo um dos objetivos das Nações Unidas para Agenda 2030, o facto é que ainda hoje uma mulher que «vença» a vida luta muito mais que um homem. E se recuarmos no tempo, as dificuldades eram bem mais marcantes. Por isso, tenho um profundo orgulho quando constato que uma mulher consegue ser mãe, esposa e uma distinta profissional, com responsabilidades atribuídas, que em tempos, só homens as obtinham. A Manuela Bernardo, é uma mulher que me tem marcado, não só pela sua amizade, mas pela resiliência contra a contrariedade, nunca abandonando o posto de mãe e esposa. Mas o espantoso é que para amigos e familiares, a Manuela, só não faz, na realidade, o impossível. Tive a sorte de a conhecer e de conversar horas a fio, sobre todos os aspetos da vida, onde ainda damos Graças a Deus, por nos manter no caminho de ajudar quem mais precisa. O texto desta semana é um tributo a quem chegou às setenta primaveras, ao longo de uma vida onde teve de carregar muita responsabilidade e amarguras.

A minha amiga Manuela Bernardo

A minha amiga Manuela Bernarda

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

A minha troca de «prisioneiros»

Decorria meados de 1969. As relações entre os meus pais estavam a bater no fundo. O meu saudoso Tio Olívio tentava mediar um conflito que não tinha fim. Um dia consegue-se um acordo para ir conhecer a minha avó paterna, que já tinha 90 anos. E lá vou eu, de malote, calções e casaco, acompanhado pelo Tio António Esteves e a Tia Ernestina, sogros do Tio Olívio.

A minha troca de passageiros

A minha troca de passageiros

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O casamento n.º 142

Estava de serviço quando recebo uma chamada do chefe. Tinha de o ir representar ao casamento n.º 142. Aqui, nos serviços, os casamentos e batizados, são registados por causa das despesas. Sinceramente não me apetecia nada. Para além de querer ir ver o meu Vitória de Setúbal, tinha de cumprir o protocolo de Estado. Deveria de ir com uma fatiota de cor cinzenta, gravata discreta e devidamente barbeado, penteado e com perfume. Sim perfume dos caros, porque o aroma tem de se manter. Nem sei bem quem seriam os noivos. O código era «j+m».

Casamentos... e casamentos

Casamentos… e casamentos

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Colaço… um Senhor Padre

Tive a sorte de o conhecer num contexto fora do comum. Não era seu paroquiano e, para além disso, um perfeito desconhecido. Um dia fui-lhe bater à porta. A reunião foi difícil de marcar, mas depois de alguma insistência da minha parte, acabou por acontecer. Estava a nascer a Fraternidade Nuno Álvares no Fundão, e para além da grande ajuda do Chefe Regional José Sebastião, era necessário a «bênção» da Igreja. Coube-me a mim a tarefa de reunir com ele: Jorge Colaço, Arcipreste do Fundão.

A despedida do Padre Jorge Colaço

A despedida do Padre Jorge Colaço

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O meu amigo Miguel

Conhecemo-nos desde 1981, e praticamente desde o início da década de 90 que não o vejo. No entanto mesmo sem a presença física hoje ainda mantemos uma relação de amizade. Ainda me recordo, por volta de 1995, chegar a casa e ter uma carta de correio. O Miguel estava em Inglaterra a doutorar-se e nunca se esqueceu do tempo que privámos em comum. E eu, na altura a trabalhar na Brisa, com um trabalho «non-stop», nem tive tempo de lhe responder. A crónica de hoje pretende mostrar que os amigos, não se esquecem, e normalmente não são usados para pedir favores ou fazer negócios, palavras sábias do meu saudoso avô materno.

O meu amigo Miguel Monjardino

O meu amigo Miguel Monjardino

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Os hábitos de Marcelo

Hoje vou imaginar uma estória passada em Belém. Com este Presidente, acredito que até arranja tempo para ler estas minhas crónicas. Acredito que o mês de Agosto para ele deve ser horrível. Nada se passa e tudo está fechado. Neste dia, chegado ao palácio presidencial, pede logo ao chefe de gabinete o despacho. Mas pouco havia. Com a crise dos combustíveis os ministros andam todos num corrupio a controlar os postos de combustível para que a tão preciosa gasolina não falte e com o parlamento de férias, o despacho são cinco minutos.

Os hábitos de Marcelo

Os hábitos de Marcelo

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A ironia do destino

Por motivos profissionais voltei a Lisboa, e fiquei num apartamento mesmo em frente ao IPO (Instituto Português de Oncologia). Apenas a rua nos separa, mas às vezes quando me sinto irritado ou angustiado esqueço-me quem sofre do lado de lá. Neste domingo, ao fim do dia, comecei a olhar atentamente para o edifício, as luzes e veio-me logo ao pensamento pessoas amigas que andam a sofrer este flagelo. É uma luta em que tudo deixa de fazer sentido, até aqueles, grandes e pequenos, que tanto mal na vida nos fizeram, e que num quadro de sobrevivência até lhes perdoamos venha a saúde que tanto queremos.

A janela do sofrimento

A janela do sofrimento

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Tradição e política

Tal como a tourada espanhola, onde nem sempre morre o touro, temo que em Portugal a tourada venha a ser um dos motes políticos da próxima campanha eleitoral. E, mais uma vez, coincidência ou não, uma luta entre a tradição de muitas localidades do interior contra o pensamento do litoral. Mesmo terras como Setúbal, Moita, Alcochete ou Montijo, poderão não ser suficientes para equilibrar este «jogo» que até pode ter o «cunho» de Bruxelas.

Touro de granito na Praça do Soito

Touro de granito

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Afilhados procuram-se…

Não é o que podem estar a pensar! Neste caso tratam-se mesmo de padrinhos ou madrinhas, no contexto da Santa Madre Igreja. No meu caso pessoal, para além de não ter irmãos, também nunca fui Padrinho, salvo uma vez, com nove anos, em face da empregada lá de casa ter milagrosamente engravidado (ainda se pôs a hipótese da cegonha) e a minha mãe ter obrigado a criança a ser batizada à pressa. Para além da fatiota que levava, só me lembro da despedida à porta da Igreja de São Julião de algo que para mim não fazia sentido. O meu Avô materno jamais aceitou esta situação e a pobre da mulher teve de ir arranjar trabalho para outro lado. Convém salientar que decorria o ano de 1969.

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O futuro dos nossos filhos

Em tempos um amigo explicou-me que a evolução do mercado de trabalho começou em casa, a seguir na rua. As ruas inclusivamente tinham o nome dos artesãos, ourives, correeiros, ferradores, sapateiros, etc., depois na cidade, mais recentemente no país e agora o mercado é global.

Benção 2019 na UBI-Universidade da Beira Interior

Benção 2019 na UBI-Universidade da Beira Interior

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

A devoção a Nossa Senhora do Carmo

No passado fim de semana voltei a Moura, viver e vibrar, com as Festas em honra de Nossa Senhora do Carmo. A maioria vai a Fátima, mas eu prefiro e sinto mais devoção a esta Virgem, talvez por motivos familiares. Cumpri a tradição e inclusivamente fui ver a corrida de touros. Não sou um aficionado, mas respeito muito a festa brava, marco importante da nossa cultura, onde a nobreza e o povo convivem e vibram, à volta do touro de lide, no mesmo espaço. Acreditem que igualmente senti a alegria daquela gente, como se fosse um mourense de gema e até bati palmas de pé. Milagre? Quem sabe…

Procissão de Nossa Senhora do Carmo em Moura

Procissão de Nossa Senhora do Carmo em Moura

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Quem tece a ideia de privatizar os Correios?

Nem imaginam as aventuras que tenho tido em querer enviar correspondência em zonas perdidas do nosso Portugal. Felizmente há autarquias que ainda usam a imaginação, mas não conseguem resolver tudo. O facto é que o serviço postal está em vias de extinção. Compreende-se que o correio digital ajuda, mas nem tudo pode ser enviado por correio digital, a começar, por exemplo, por documentos confidenciais. A crónica desta semana anda como os correios. Atrasou-se! Só que não está para acabar. Antes pelo contrário!

Marco do Correio de Portugal

Marco dos CTT-Correios de Portugal

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Agora «deste» em verde?

Sem dúvida que nem sempre a vida nos corre a feição. E desta vez até dou razão aos amigos que me ligaram após ter escrito o artigo da passada semana na Capeia Arraiana. Houve um deles que me fez lembrar um anúncio da Yorn, passe a publicidade, que até deitava fumo da cabeça de tanta conversa ao telefone. Mesmo havendo motivos acho que devo explicar sem, no entanto, pedir desculpas aos leitores, uma vez que até o texto em si, não era percetível.

Agora deste em verde? - capeia arraiana

Agora deste em verde?

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Provável força do «Bloco Verde» no Parlamento Europeu

A última eleição europeia, em 26 de maio, para o futuro parlamento em Estrasburgo, deu esperança de mudar a política ambiental com a ascensão do bloco Verde e uma redução significativa dos dois blocos tradicionais, perdendo, nesta eleição, a maioria da câmara, o Parlamento Europeu. Um dos objetivos dos «Verdes» é justamente as Mudanças Climáticas e a redução dos gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, para concentrações estabelecidas no acordo de Paris, em 2015. Isso significa que em 2030 a temperatura média deve ficar em 2º Celsius acima dos valores médios antes da era industrial, por volta do ano de 1750.

O Bloco Verde no Parlamento Europeu

O Bloco Verde no Parlamento Europeu

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Uma passagem por Lisboa

Outro dia, mais concretamente 6 de junho, tive a oportunidade de ir à Associação José Afonso, em Lisboa, ouvir o concerto «À Mesa com a Cultura» cantado pela Marta Ramos e tocado a viola por João Rodrigues. Para além da presença ilustre de alguns militares de abril, estava eu com a tertúlia do meu amigo Mário Fernandes que tem um gosto pela cultura como poucos têm. Para além da arte de Zeca, a Marta cantou outos temas destacando-se a «La llorona», a chorona em português, dedicada à memória da sua avó raiana. Pena é que não se concretizem mais espetáculos assim. Pelo menos, neste caso, fica o registo.

Duo «O Acaso». Marta Ramos acompanhada por João Rodrigues

Marta Ramos acompanhada por João Rodrigues na AJA Lisboa

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

A encruzilhada do Senhor Reitor

Com a idade, muitos dos nossos amigos e conhecidos conseguem atingir os topos das carreiras. Porém em garotos um respeitado médico, ou engenheiro ou até presidente parecia-nos inatingíveis. O facto é que tenho professores amigos e um deles, vejam só, até é reitor. Numa bela tarde desta primavera prematura perguntou-me o que achava de mandar colocar uma cruz num edifício outrora religioso, mas que com o tempo terá desaparecido. Olhando para a cobertura, mesmo sendo um edifício de serviços, sem dúvida que a falta da cruz é notória e, de facto, considerando tratar-se de património histórico até nem me pareceu descabido colocar uma cruz que compunha e valoriza o edifício em causa. Porem a polémica estalou e o pobre do reitor de uma cruz meteu-se numa encruzilhada.

Encruzilhada - Capeia Arraiana

Encruzilhada

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Este ano vamos todos à Capeia Arraiana!

Em garoto tinha de assistir às touradas portugueses, não sendo o que mais apreciava, fascinando-me, no entanto, as cerimónias de abertura das «corridas à antiga portuguesa». Passados tantos anos reconheço, mesmo não sendo um aficionado, que a tourada portuguesa é um marco da cultura de alguns locais, devendo por isso, na minha opinião, ser respeitado. Tive a felicidade de no ano de 2014 ir assistir a uma Capeia Arraiana, numa das aldeias da Raia, onde fiquei agradavelmente surpreendido como mais uma região de Portugal, apreciava e vive a festa popular com estes animais, não tendo notado o entanto a lide com as bandarilhas e parecendo-me que a bravura se traduz num jogo entre a força de um touro e os jovens casamenteiros que empurram o forcão. A razão desta minha crónica é mais uma vez que esta festa popular e ancestral, não seja «enrolada» nas políticas de Lisboa, e de outras grandes cidades europeias, que infelizmente, julgam que a festa popular são as sardinhas do Santo António e os manjericos.

Capeia Arraiana nas Terras da Raia Sabugalense - Capeia Arraiana

Capeia Arraiana nas Terras da Raia Sabugalense

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Importância dos recursos hídricos do Sabugal

A Barragem do Sabugal é o «pulmão» da Beira Interior sendo indiscutivelmente um empreendimento que permitiu resiliência para as alterações climáticas. Se não existisse acreditem que a situação dos recursos hídricos na nossa região seria bem pior. Podemos dizer que não será suficiente, mas o facto é que quando foi projetada, no início da década de 90, nada se previa que o clima iria mudar desta forma. Não abordando regularmente nas minhas crónicas aspetos da zona Raiana, pedindo desculpa aos leitores por esse lapso, esta semana vou abordar a experiência que tive nestes últimos 14 anos numa região que sempre me encantou.

Canais de regadio da Cova da Beira com água do Rio Còa - Capeia Arraiana

Canais de regadio da Cova da Beira com água do Rio Côa

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Hoje falamos do futuro

Aproveitando as vésperas das Eleições Europeias, entendi falar um pouco do futuro. Não vou reiterar as visitas às feiras, os beijinhos às senhoras ou as inaugurações das fábricas de enchidos. Embora seja importante esta súbita aproximação dos políticos à população, vou, no entanto, falar um pouco sobre o futuro do planeta, onde obviamente, a Europa ainda tem um importante papel. Assisti faz umas semanas uma interessante conversa com um antigo ministro dos negócios estrangeiros dinamarquês, Mogens Lykketoft, que sempre foi uma pessoa preocupada com a sustentabilidade. Não pensem que tenho o seu telemóvel. A conversa foi pública e através de uma «webinar», ou seja, uma reunião através da internet.

Metas globais para o desenvolvimento sustentado - Capeia Arraiana

Metas globais para o desenvolvimento sustentado

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O Homem que sabia demais!

Hoje voltamos a entrar num misto de realidade e ficção. Quando sabemos demais sobre um assunto o que fazemos? Guardamos o segredo ou partilhamos? Sem dúvida que mais uma vez o bom senso impera. Há sempre matérias sensíveis que não devemos divulgar. Sei que para um honesto lhe custa, mas por vezes há que pensar num mundo mais global e «engolir o sapo» porque, na realidade, não nos leva a lado nenhum. A não ser dormimos descansados, obviamente!

O Homem que sabia demais, filme de Alfred Hitchcock com James Stewart e Doris Day - Capeia Arraiana

«O homem que sabia demais», filme de Alfred Hitchcock com James Stewart e Doris Day

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Desencontros de Cinema

Lá ia eu na carroça puxada pela minha mula, Ambrósia, a caminho do Fundão buscar farinha para fazer o pão. Porém, quando chego à Moagem, sou surpreendido por algo que não imaginava. Ao entrar no escritório uma linda senhora pega na minha mão e transporta-me para uma sala repleta de gente. Disse-me baixinho para ficar quieto e calado, acabando por me esquecer da pobre da mula e do motivo de tão nobre viagem. Começo a observar com algum receio quem seria aquela gente. E para meu espanto vejo netos de amigos meus já crescidos, e alguns anafados, com cabelos brancos ou compridos, falando para multidões sobre algo impensável. Aqueles livros estavam escondidos na biblioteca lá de casa ao pé das Poesias Eróticas e Burlescas do Bocage, ou dos livros com as famosas mulheres de Balzac.

Desencontros de Cinema no Fundão - Capeia Arraiana

Desencontros de Cinema no Fundão

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

A seca escondida

Talvez muitos não saibam, mas a quantidade de água no planeta é a mesma. Mas, tal como a riqueza, está mal distribuída. A grande maioria está no mar e, para ser potável, tem de ser dessalinizada. Em Portugal a ilha de Porto Santo usa esta metodologia para resolver as suas necessidades de água, salientando-se que ainda é uma tecnologia muito cara. Não querendo ser um «profeta da desgraça» temo que neste ano, ou talvez no próximo, a água para o regadio, que normalmente temos nas nossas courelas ou quintas, pode não ser suficiente. Aliás quem anda nestas vidas de agricultor bem tem notado que progressivamente as nossas fontes vão secando mais rapidamente. Mesmo tendo escrito este artigo em Fevereiro, achei que ainda era oportuno. A chuva felizmente tem aparecido mas também a temperatura anda a galopar, tendo-me levado a escrever esta cronica para nos ajudar a talvez nos leve a refletir.

A seca escondida - Capeia Arraiana

A seca escondida

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O Professor Poeta

Miguel Sousa Santos, professor do ensino secundário e autor de diversos poemas destacando-se o livro «Azenha Derrubada». Conheci-o na Casa de Repouso das Irmãs Hospitaleiras em Condeixa, pela mão do António Alves Fernandes. Longe imaginava que iria padecer da mesma maleita, meses mais tarde. O que nos unia era a cultura fazendo-me lembrar um álbum dos anos 70 do grupo britânico Gentle Giant denominado «Three Friends». Depois de uma longa travessia que cada um destes «Three Friends» fizeram, conseguindo a merecida recuperação, o Miguel acaba por desistir, tendo-nos deixado, sem mágoa, mas com uma grande dor, tornando-nos mais pobres e perplexos, porque a sua palavra escrita era um hino à esperança e à Fé dos humanos.

Azenha Derrubada de Miguel Sousa Santos - Capeia Arraiana

Azenha Derrubada de Miguel Sousa Santos

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Porquê o tempo de Quaresma?

Neste tempo de reflexão, cada vez mais esquecido por todos, vivi uma travessia no deserto, tal como Jesus Cristo, só que nos tempos atuais. E as dificuldades que passei tornou-me mais crente e tolerante. E também vou entrar num ciclo novo da minha vida, onde cada segundo vale ouro. Acima de tudo saber perdoar, com responsabilidade, e dar o máximo que puder para ajudar quem mais precisa. Mas podem ficar descansados. O texto é uma mera reflexão onde acredito que, todos e todas, têm o seu lugar.

Igualdade e Fraternidade - Capeia Arraiana

Igualdade e Fraternidade

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

«Manifestus Probatum»

O nome talvez nada diga sobre a crónica desta semana. Mas a minha independência, como homem, começou com a «mão» de um familiar que ainda hoje me deixa saudades. «Manifestus Probatum» foi a bula papal que declarou que o Condado Portucalense fica independente do Reino de Leão. E mesmo sendo um ateu convicto, este meu familiar acabou por fazer-me o que o Papa Alexandre III fez com os portucalenses. Esta crónica é uma homenagem a um homem – Olívio Sousa Bento – que sempre acreditou nas suas convicções até ao fim, doa a quem doesse e fosse quem fosse!.

O tio Olívio - Capeia Arraiana

O tio Olívio

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Hoje foi a minha vez!

Quem me conhece sabe o frenesim da minha vida. Na verdade, já fiz muita coisa, e nestes últimos anos sem dúvida que exagerei. O nosso metabolismo, o nosso sistema imunitário não são como as máquinas e os motores que conhecemos, e mesmo assim, quando excedemos os seus limites, acabam por avariar. No meu caso concreto sempre imaginei que me sentia ótimo, que aguentava a pressão e com um pequeno descanso estava pronto para o desafio. A realidade não é assim. E curiosamente mesmo que as análises estejam ótimas, com mais uns passeios no campo, o facto é que a nossa cabeça começa a fraquejar. Silenciosamente e sem darmos por isso! No final de uma fase que não desejo a ninguém queria expressar mais uma vez profundos agradecimentos aos amigos que tive, no trabalho e fora dele, mas acima de tudo à minha família, nuclear e não só, e ao médico que me acompanhou conseguindo mudar-me como ser humano, que praticamente já não era. O texto foi escrito em plena crise e alguns já o conhecem. No entanto não ficaria bem com a minha consciência se não o pulicasse no Capeia Arraiana.

Hoje foi a minha vez - Capeia Arraiana

Hoje foi a minha vez

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

É verdade! Também fiz Tropa!

Ainda sou do tempo do Serviço Militar Obrigatório (SMO). E ao contrário da maioria dos rapazes da época fiz questão de o cumprir. Como tudo na vida tem bom, e mau, mas para mim acabou por ser um pesadelo. Mas mesmo assim achei que valeu a pena!

Afinal também fiz tropa - Capeia Arraiana

Afinal também fiz tropa

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

E o óscar vai para….

A crónica de hoje passa-se em pleno século XVII ainda antes da assinatura do tratado de Lisboa, em 13 de fevereiro de 1668, onde finalmente Portugal formalmente almeja a sua plena independência. Em semana de óscares, e ainda em recuperação de uma maleita, achei que este meu argumento merecia, no mínimo, a estatueta de melhor argumento original. Pelo menos os meus amigos leitores poderão livremente opinar, e quem sabe, dar-me força para enviar esta estória para Hollywood.

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Nobres do século XVII

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O porquê de ser diferente!

Quando sofremos um esgotamento ou cansaço cerebral, normalmente a nossa recuperação leva-nos a refletir um pouco sobre nós mesmos. Julgamos que as doenças psiquiátricas apenas acontecem aos outros, mas o facto é que vivendo em sociedade o próprio ser humano impõe a si próprio regras e contrariedades que com a idade vão-nos «consumindo» acabando um dia por nos deitar abaixo. Numa das reflexões que fiz veio na sequência de uma atividade de escuteiros que me fez recordar os meus tempos de juventude e que, por incrível que pareça, tem me ajudado imenso nesta difícil recuperação.

O porquê de ser diferente - Capeia Arraiana

O porquê de ser diferente

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O Filho do Alfaiate

Em garoto nem imaginava vir anos mais tarde conhecer o protagonista desta estória. Manuel da Silva Ramos, um beirão que ama a sua cultura e me ajudou como aspirante a escritor, tendo recentemente celebrado 50 anos do lançamento do seu primeiro livro: «Os três seios de Novélia». Mas o facto é que a vida dá muitas voltas e nos longínquos anos 60 ou setenta, ainda no período do Estado Novo, era «obrigado» a usar fato e um dia memorizei este episódio que hoje vos tenho o prazer de relatar. Seguramente com tantos anos passados até seja possível que alguma ficção se sobreponha à realidade, mas o facto é que a verdadeira essência permanece.

Manuel da Silva Ramos - Capeia Arraiana

Manuel da Silva Ramos

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Um Primeiro de Maio inesquecível

Decorria o ano de 1975, concretamente o dia primeiro de maio, e eu, juntamente com um colega escuteiro, decidimos fazer uma caminhada para obtermos a especialidade de «andarilho». O objetivo era no mínimo fazer vinte quilómetros de marcha. A aldeia de Águas de Moura dista 10 quilómetros de Setúbal, sendo por isso o destino ideal para a conquista de mais esta proeza. Mas digo-vos com sinceridade: ter feito esta atividade neste primeiro de maio foi bem mais difícil do que imaginámos!

Um Primeiro de Maio inesquecível - Capeia Arraiana

Um Primeiro de Maio inesquecível

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Uma «Boca» cheia de «Cena»

Nesta fase em que recupero de um problema de saúde, lembrei-me de um almoço de convívio que tive em tempos, e fiquei a saber que não sou o único que aproveita os tempos livres para a cultura. Um velho amigo descobriu tardiamente o seu gosto para o Teatro. E nem demos pelo tempo passar. A cultura foi o tempero deste repasto, tendo descoberto que neste país ainda existe muita coletividade anónima que convive com as populações, num ambiente impensável nos nossos dias, como é o caso do «Grupo de Teatro Boca de Cena», da Casa do Povo de Minde, uma companhia com cerca de 50 elementos, incluindo encenador, cenógrafo, luminoteca, sonoplasta, aderecista, contra-regra, ponto, caracterizador, ajudante de cena, entre outros.

Grupo de Teatro «Boca de Cena» - Capeia Arraiana

Grupo de Teatro «Boca de Cena»

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Hoje senti-me o General Custer

Em criança tive oportunidade de ver o filme do realizador Robert Siodmak, de 1967, com tradução em português «Os bravos não se rendem». Esta obra marcou-me bastante, porque na época «os bons» acabavam sempre em heróis. Só que neste caso o «herói» ficou imortalizado na História dos Estados Unidos, mas morto pelo inimigo como o único sobrevivente de uma batalha sangrenta, segurando a bandeira do seu país na mão.

General George Custer - Capeia Arraiana

General George Custer

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O inquilino

Não é um inquilino qualquer. E até recebe renda em vez de a pagar. Mas não deixa de ser um inquilino, porque no máximo o contrato só dura oito anos. E a titularidade do prédio pertence ao Governo Federal dos Estados Unidos. O facto é que um belo dia de janeiro este inquilino é surpreendido com um calor tórrido de quase 40 graus.

O inquilino - Capeia Arraiana

O inquilino

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

To be or not to be?

Hoje dedico a minha cronica a terras de Sua Majestade. Neste dia em que a escrevo ainda não sei se o «Britannia» rumou a Sul para aportar em terras da Europa. Mas sinceramente não acredito. Uma das músicas mais patrióticas, «Rule Britannia» onde elogia que os Britânicos nunca serão escravizados, pode tornar-se num «motim» dentro do navio devido aos problemas de equilíbrio interno que, por incrível que pareça, a União Europeia acabou por «ajudar» a atenuar. Mas a Inglaterra, país dominante do Reino Unido, é uma das democracias mais antigas da Europa, e respeita a decisão popular, mesmo que muitos achem um perfeito disparate.

Brexit - To be or not to be? - Capeia Arraiana

Brexit – To be or not to be?