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António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

E o óscar vai para….

A crónica de hoje passa-se em pleno século XVII ainda antes da assinatura do tratado de Lisboa, em 13 de fevereiro de 1668, onde finalmente Portugal formalmente almeja a sua plena independência. Em semana de óscares, e ainda em recuperação de uma maleita, achei que este meu argumento merecia, no mínimo, a estatueta de melhor argumento original. Pelo menos os meus amigos leitores poderão livremente opinar, e quem sabe, dar-me força para enviar esta estória para Hollywood.

A nau conseguiu entrar no estuário da Figueira, vencendo a corrente do Rio Mondego que nasce na Serra da Estrela, atracando horas depois no cais da Portagem, em plena cidade Coimbra. Avistei a torre da Universidade que como um farol para a navegação enobrece a paisagem desta cidade. Ainda consegui ouvir os carrilhões a bater a retirada para os estudantes irem para as aulas.

No cais da Portagem estão imensos navios e barcaças atracadas. Muitas vêm das Beiras carregadas de madeira, vinho e azeite, através da navegabilidade do Mondego. Sem dúvida que para mim foi uma surpresa. Nunca imaginei tanta embarcação atracada.

A Praça da Portagem era um corrupio de gente de todas as profissões, arcas, baús, mulheres com cestos na cabeça, mendigos, prostitutas, enfim até os guardas do Santo Ofício não faltavam. Já tinha ouvido falar do movimento desta cidade, mas nunca imaginei esta riqueza de imagem, de som e de vida.

A minha vinda a Coimbra é ao serviço de El Rey. Decorria o ano de 1657, e trago uma carta assinada por Sua Majestade, para entregar ao Alcaide-mor. Aquele selo lacrado escondia uma verdade desconhecida. Pelo que entendi nos corredores do palácio de Vila Viçosa, um perigoso subversivo terá vindo de Espanha e chegado a Coimbra através de uma destas embarcações.

A situação estava tensa com a Holanda, onde os Comissários Holandeses que vieram a Lisboa felicitar o novo Rei de Portugal, D. Afonso VI, apresentam uma declaração formal de guerra ao Secretario de Estado português. Um risco de aliança entre a Espanha e a Holanda era patente, tornando vulnerável novamente a nossa independência. As principais causas prendiam-se com os territórios ultramarinos que na sua maioria foram quase todos ocupados por holandeses.

Ainda antes da subida pela encosta do quebra costas resolvi ir a uma tasca comer qualquer coisa: broa e um copo de vinho, numa confusão nunca vista. As gargalhadas das prostitutas e contendas entre os artesãos eram ensurdecedoras. Quando paguei, e deixei a propina, a moça sorriu-me agradecendo com um «querido». O choque de idades trouxe-me alguma azia do vinho que bebi. Tinha idade para ser minha neta!

Começo então o calvário da subida até ao Palácio do Alcaide-mor. Trepo pela encosta com o peso dos botins e da espada, transpirando como um mouro no deserto. Mesmo a brisa que se faz sentir pouco ou nada me refresca. O suor escorre como lágrimas de uma viúva inconsolável.

Foto 2- coimbra

A guarda de honra esbarra-me a entrada no palácio. Mostrei-lhes o envelope selado por El-Rey D. Afonso VI, tendo sido escoltado até ao Escudeiro-mor, chefe da guarda.

O olhar cortante deste oficial não me agradou. Exigiu-me que lhe entregasse o documento que o faria chegar a Sua Exa. o Alcaide-mor.

O instinto levou-me a agarrar o punho da espada firmando-lhe que a entrega teria de ser pessoal. Os guardas desembainham as espadas e encostam-me ao pescoço.

Sozinho sem possibilidade de defesa deixo cair o envelope no chão obrigando a um alívio da «tensão» e desatenção dos guardas, que com um pontapé no documento os fez virar as caras e deixou-me uma escapadela para fugir.

Corri o mais que pude agarrando o chapéu de aba larga, tendo conseguido despistar o perseguidor. O palácio era enorme e consegui esconder-me na capela. Escura como breu, tinha imensos cortinados que abrigavam portas em madeira. Ali fiquei à espera. Espera de nada sem saber o que fazer!

Entretanto entra alguém tendo conseguido espreitar identificando um sacerdote que se ajoelha no altar. O silencio permanecia naquela imensidão o que me obrigava a permanecer estático. Qualquer mexida provocaria um som metálico do cinto, ou da espada, ecoando na nave da capela.

Vou observando o sacerdote até que sinto algo familiar. Parecia muito com um tio, de nome Francisco, que era sacerdote e lente de Teologia na Universidade. Não tinha a certeza, mas as parecenças eram patentes. Já não o via faz seis ou sete anos.

Não havendo outra alternativa resolvo sair do esconderijo muito pausadamente e dirigir-me ao altar. O sacerdote continuava a rezar concentradamente nem se apercebendo da minha chegada. Ajoelho-me ao seu lado fazendo o sinal da cruz e baixando a cabeça.

«Tu aqui? Homem de Deus que vieste cá fazer?»

As palavras mesmo em surdina mantiveram-me cauteloso. Fiz o sinal de silencio e indiquei a direção do confessionário deslocando-me para lá, mostrando a concordância do Tio Francisco.

Em confissão contei-lhe o que se tinha passado. Estava escondido e sentia perigo. A carta estava perdida e a missão fracassada. O sacerdote nada dizia até que se fez o silencio de espectativa se poderia contar com a sua proteção, ou não. O Tio Francisco aconselha-me a esconder no confessionário enquanto se ausenta.

Fiquei alguns instantes em silencio até que ouvi passos na capela. Pelo som e o ecoar parecia de uma mulher. Sinto que ao seu ritmo se vem aproximando de mim. Ajoelha-se e pede a confissão. Era a esposa do Alcaide-mor, e informou-me do perigo que estava a correr. Foi amante deste homem que viria buscar e estaria preso nos calabouços do Tribunal do Santo Ofício. Era um perigoso agente ao serviço de Espanha, que se infiltrou na sociedade Conimbricense como lente de Filosofia, na universidade. Conheceu-o por volta de 1645, logo após o fracassado cerco de Elvas, e com o tempo foi descobrindo que mantinha muitos contactos com mercadores holandeses. Um dia, enquanto dormia, descobriu correspondência com o selo do Rei Filipe IV. Assustada confessa ao marido que a castiga e a manda enclausurar no Convento de Santa Clara, «até que a alma fique purificada».

A perspicácia do espanhol pressentiu que foi descoberto tendo fugido para a Serra da Estrela.

A vergonha da perda da honra do Alcaide-mor, tornou este caso num problema passional, querendo vingar a infâmia com a morte na fogueira deste mensageiro de satanás. A perseguição ao dito espião começa por todo o Mondego até que finalmente o apanham escondido na casa dos Pina Aragão e Costa, em Linhares da Beira. Esta família sempre esteve conotada com os monarcas espanhóis tendo, no entanto, prestado fidelidade a D. João IV.

A determinação do Alcaide-mor em mandá-lo queimar ultrapassou o poder do próprio Arcebispo de Coimbra, tendo a sua guarda o entregue no Tribunal do Santo Ofício com uma carta ao Juiz de Instrução que não hesitou no designado Auto de Fé a pena capital por heresia e estar possuído pelo demónio: queimado na praça pública!

A pobre mulher nada mais diz, contendo um choro de sofrimento e terminando que graças à influência do Arcebispo e do meu Tio, junto do Alcaide-mor, conseguiu ser libertada da clausura. Levanta-se e sai.

Sem dúvida que nada convinha ao Reino este homem ser morto. Era conveniente falar com ele e tentar sacar informações que podem salvaguardar a segurança do Reino e evitar uma nova guerra.
Espero mais um pouco até que chega o Tio Francisco com uns paramentos de frade. «Tens de te encobrir com isto. Esconde a espada, as botas e o chapéu. Este é o meu confessionário e os teus pertences aqui estão seguros.»

Colocando o capuz e acompanho o meu tio até ao coche, este ordena o cocheiro: «Para o Paço Episcopal!» Durante o trajeto o Tio Francisco explica-me que a minha vinda já era do conhecimento do Alcaide-mor. Não estava em segurança porque não havia intenção de me entregar o criminoso. O próprio Alcaide quer a todo o custo que esse homem fosse para a fogueira. Mas era importante salva-lo. Deve ter informações importantes sobre a movimentação da espionagem holandesa e espanhola.

Não demorou muito a chegada até Sua Eminência. Agradeceu muito a minha presença. A missão de o levar para Lisboa era do interesse da Igreja e do Reino. A coroação da Nossa Senhora da Conceição pela Rainha D. Luísa, foi marcante na aproximação da Igreja Portuguesa à dinastia de Bragança.

Fiquei, no entanto, impressionado com o que ouvia. Este espanhol acabou por ser convencido pela família Pina Aragão e Costa a entregar-se e a colaborar com Portugal. Não interessava a Espanha e a Portugal uma nova guerra. E os holandeses apenas pretendiam expandir-se para o oriente beneficiando do Porto de Lisboa, por ser bem mais perto.

O Episcopado não tinha influência no Santo Ofício. E esta instituição tinha fortes laços com Espanha. A solução seria convencer o Juiz a absolver o criminoso. Mas como?

O Arcebispo de Coimbra sempre foi um critico à soberania de Castela e aos abusos da Inquisição Espanhola. Tendo uma guarda, ordenou que durante a noite se ateasse um fogo nas traseiras do tribunal e no meio da confusão se libertassem todos os presos. Eu ficaria com a missão de apanhar o espião e levá-lo para Santa Clara onde um coche do episcopado nos levaria para Lisboa. A nau que me transportou servia para passar o rio para a outra margem e seguiria apenas com a tripulação para Lisboa. Assim, mesmo que a guarda na barra Figueira da Foz intercetasse a embarcação, de nada servia.

Tudo correu como previsto, trazendo o dito para Lisboa por terra e recebendo a bênção do Patriarca.

Soube com revolta da traição do embaixador português em Haia, tendo desertado para Madrid e levado todo o espolio da representação diplomática. Foi então nomeado, pelo Secretário de Estado do Reino, o seu substituto. Apenas pedi que este espião me acompanhasse e lhe fosse atribuída uma credencial diplomática.

E assim graças a este homem, que tinha o propósito de prejudicar Portugal, acabou por me ajudar por conhecer as fragilidades nos Estados Gerais (o poder executivo dos holandeses), e conseguir a paz reavendo Portugal os territórios na América e África, sem se ter disparado um tiro, tendo perdido, no entanto, as do Oriente.

Foto 3 -Haia

Este tratado, datado de 6 de agosto de 1661, feito neste contexto histórico, foi uma vitória tendo em conta o momento difícil para tentar conservar no máximo a hegemonia territorial, sem agravar mais ainda a nossa posição de vulnerabilidade na Europa. E nem teria sido possível se após a reconciliação entre a Espanha e a França, dois anos antes, o regresso dos Stuarts em Inglaterra não tivesse aberto perspetivas a uma nova aproximação entre Portugal e a Inglaterra.

Resta só o sal de Setúbal, que naquele tempo valia tanto como o ouro! Neste tratado os holandeses ficaram com a concessão de o explorar!

Não haveremos de ainda ser pobres…

Haia, 6 de agosto de 1661 (ao serviço do Reino de Portugal)

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«No trilho das minhas memórias», crónica de António José Alçada

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O porquê de ser diferente!

Quando sofremos um esgotamento ou cansaço cerebral, normalmente a nossa recuperação leva-nos a refletir um pouco sobre nós mesmos. Julgamos que as doenças psiquiátricas apenas acontecem aos outros, mas o facto é que vivendo em sociedade o próprio ser humano impõe a si próprio regras e contrariedades que com a idade vão-nos «consumindo» acabando um dia por nos deitar abaixo. Numa das reflexões que fiz veio na sequência de uma atividade de escuteiros que me fez recordar os meus tempos de juventude e que, por incrível que pareça, tem me ajudado imenso nesta difícil recuperação.

O porquê de ser diferente - Capeia Arraiana

O porquê de ser diferente

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O Filho do Alfaiate

Em garoto nem imaginava vir anos mais tarde conhecer o protagonista desta estória. Manuel da Silva Ramos, um beirão que ama a sua cultura e me ajudou como aspirante a escritor, tendo recentemente celebrado 50 anos do lançamento do seu primeiro livro: «Os três seios de Novélia». Mas o facto é que a vida dá muitas voltas e nos longínquos anos 60 ou setenta, ainda no período do Estado Novo, era «obrigado» a usar fato e um dia memorizei este episódio que hoje vos tenho o prazer de relatar. Seguramente com tantos anos passados até seja possível que alguma ficção se sobreponha à realidade, mas o facto é que a verdadeira essência permanece.

Manuel da Silva Ramos - Capeia Arraiana

Manuel da Silva Ramos

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Um Primeiro de Maio inesquecível

Decorria o ano de 1975, concretamente o dia primeiro de maio, e eu, juntamente com um colega escuteiro, decidimos fazer uma caminhada para obtermos a especialidade de «andarilho». O objetivo era no mínimo fazer vinte quilómetros de marcha. A aldeia de Águas de Moura dista 10 quilómetros de Setúbal, sendo por isso o destino ideal para a conquista de mais esta proeza. Mas digo-vos com sinceridade: ter feito esta atividade neste primeiro de maio foi bem mais difícil do que imaginámos!

Um Primeiro de Maio inesquecível - Capeia Arraiana

Um Primeiro de Maio inesquecível

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Uma «Boca» cheia de «Cena»

Nesta fase em que recupero de um problema de saúde, lembrei-me de um almoço de convívio que tive em tempos, e fiquei a saber que não sou o único que aproveita os tempos livres para a cultura. Um velho amigo descobriu tardiamente o seu gosto para o Teatro. E nem demos pelo tempo passar. A cultura foi o tempero deste repasto, tendo descoberto que neste país ainda existe muita coletividade anónima que convive com as populações, num ambiente impensável nos nossos dias, como é o caso do «Grupo de Teatro Boca de Cena», da Casa do Povo de Minde, uma companhia com cerca de 50 elementos, incluindo encenador, cenógrafo, luminoteca, sonoplasta, aderecista, contra-regra, ponto, caracterizador, ajudante de cena, entre outros.

Grupo de Teatro «Boca de Cena» - Capeia Arraiana

Grupo de Teatro «Boca de Cena»

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Hoje senti-me o General Custer

Em criança tive oportunidade de ver o filme do realizador Robert Siodmak, de 1967, com tradução em português «Os bravos não se rendem». Esta obra marcou-me bastante, porque na época «os bons» acabavam sempre em heróis. Só que neste caso o «herói» ficou imortalizado na História dos Estados Unidos, mas morto pelo inimigo como o único sobrevivente de uma batalha sangrenta, segurando a bandeira do seu país na mão.

General George Custer - Capeia Arraiana

General George Custer

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O inquilino

Não é um inquilino qualquer. E até recebe renda em vez de a pagar. Mas não deixa de ser um inquilino, porque no máximo o contrato só dura oito anos. E a titularidade do prédio pertence ao Governo Federal dos Estados Unidos. O facto é que um belo dia de janeiro este inquilino é surpreendido com um calor tórrido de quase 40 graus.

O inquilino - Capeia Arraiana

O inquilino

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

To be or not to be?

Hoje dedico a minha cronica a terras de Sua Majestade. Neste dia em que a escrevo ainda não sei se o «Britannia» rumou a Sul para aportar em terras da Europa. Mas sinceramente não acredito. Uma das músicas mais patrióticas, «Rule Britannia» onde elogia que os Britânicos nunca serão escravizados, pode tornar-se num «motim» dentro do navio devido aos problemas de equilíbrio interno que, por incrível que pareça, a União Europeia acabou por «ajudar» a atenuar. Mas a Inglaterra, país dominante do Reino Unido, é uma das democracias mais antigas da Europa, e respeita a decisão popular, mesmo que muitos achem um perfeito disparate.

Brexit - To be or not to be? - Capeia Arraiana

Brexit – To be or not to be?

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Eu pecador me confesso!

Tive muita sorte. Mesmo muita sorte de os meus pais nunca me obrigarem a ter uma opção religiosa, deixando-me em adolescente decidir pela minha consciência. Mais tarde tive a oportunidade de conhecer Manuel, Primeiro Bispo de Setúbal, que entendeu rapidamente a importância do escutismo na formação dos jovens, acabando por ser um privilegiado por ter convivido com ele muito próximo. E a sua palavra acabou por ser a luz que precisava para me orientar nos caminhos da vida, sendo tolerante, ecuménico e estar sempre alerta para servir independentemente da cor, do credo, do pensamento, da justiça. Separar o trigo do joio, o material do espiritual é o segredo!

A importância da família nos sacramentos da Igreja - Capeia Arraiana

A importância da família nos sacramentos da Igreja

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

A terra do meu sacristão

A vida tem acontecimentos que não sabemos explicar. Os crentes dizem que tem graça divina. Os não crentes fundamentam no mero acaso. Mas o facto é que o meu Sacristão, de menino, tem-me acompanhado ao longo da vida, apesar de já ter falecido há duas décadas. E o meu olhar inocente nunca me faria acreditar que um dia, décadas mais tarde, iria à sua Aldeia Natal – Bismula – no concelho do Sabugal.

José Maria Fernandes, sacristão da Igreja de Santa Maria da Graça, a atual Sé da Diocese de Setúbal - Capeia Arraiana

José Maria Fernandes, sacristão da Igreja de Santa Maria da Graça, actual Sé da Diocese de Setúbal

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O Adeus Português!

Muitos de nós já se esqueceram do flagelo dos compatriotas que apressadamente regressaram de Angola, Moçambique e Guiné, mas também de Timor, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde. Hoje sinceramente ainda não entendi esta retirada de grande parte dos portugueses, uma vez que estes novos países precisavam de quadros e, como se constatou, a saída de uns abriu as portas à entrada de outros, pese embora as províncias almejassem a tão desejada independência. Embora cada situação seja um caso particular, porque o próprio país não conseguiu igualmente exercer a sua influência política e cultural nestes territórios, o facto é que nunca se entendeu a «pressa» desta retirada deixando muitas famílias numa situação complicada do ponto de vista financeiro. Mesmo o Estado tendo conseguido «montar» uma verdadeira operação de resgate e de apoio aos designados «retornados», minimizando os «estragos», o facto é que a sensação que ficou foi de um abandono total destes territórios, fazendo lembrar a expressão popular: «Tudo ou nada!»

Caixotes dos Retornados junto ao Padrão dos Descobrimentos - Capeia Arraiana

Caixotes dos «Retornados» junto ao Padrão dos Descobrimentos em Lisboa (Foto: D.R.)

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

A personalidade do ano!

Normalmente a comunicação social, as adversas associações culturais apreciam nomear as personalidades do ano. Eu entendi nomear, à semelhança, destes organismos políticos, culturais ou associativos, a minha personalidade do ano. Obviamente que alguns irão questionar o porquê, que obviamente será justificado, mas nestas escolhas é normal e aceitável que alguma injustiça possa, e deva, ser reclamada tendo em conta que ainda vivemos num estado de direito. Mas que me perdoem os ofendidos porque na realidade muita, mas muita gente, devo hoje a atenção de ser escritor porque apreciam as minhas palavras. Mas acreditem que esses nunca serão esquecidos!

Personalidade do Ano - Capeia Arraiana

Personalidade do Ano – João Cabeçadas

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Sado, Triste Sado!

No passado dia 8 de dezembro publiquei este artigo no Facebook. Não posso ficar indiferente nesta passagem de ano sem denunciar esta atrocidade. O meu Rio Azul, que caminha de sul para norte, como contrariando a natureza, como uma contracorrente de oposição, de inconformismo, está outra vez nas «mãos» dos interesses económicos e, provavelmente com uma morte anunciada. Quem não se lembra das ostras que a central térmica «convidou-as» a mudar para o Algarve, do tratamento de esgotos que tardou, e, do mais importante, do controlo do estuário, zona fundamental do equilíbrio natural pela alteração do pH da agua, em face da proximidade do mar, onde o sal ajuda à precipitação dos sedimentos e de outros nutrientes essenciais à vida de espécies que escolheram este habitat para sobreviver.

O Estuário do Sado - Capeia Arraiana

Estuário do Sado (Foto: D.R.)

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Quando comprávamos as prendas na loja do Ti Manel!

O tempo vai caminhando com o chamado progresso. Coisas melhores, vida diferente, mas também há um sabor de saudade de hábitos que tendem a desaparecer definitivamente. Já não são só as livrarias, todo o comércio de rua, ou tradicional, caminha para um calvário que, nos dias de hoje, nem o Natal lhes salva!

Comércio Tradicional em tempo natalício - Capeia Arraiana

Comércio Tradicional em tempo natalício

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Fui ver a Banda passar!

Música mítica de Chico Buarque nada destoa com a qualidade do concerto dos 148 anos da Banda da Covilhã. Um espaço com uma acústica fantástica, a Igreja da Santíssima Trindade, só confirmou a qualidade dos músicos e maestros que, nos ouvidos mais apurados, não sentiram qualquer desafinação. Acredito mesmo que von Karajan se estivesse vivo mas ouvisse o concerto nos rádios de transistores, daria os parabéns por telegrama à Banda da Covilhã, por mais este sucesso.

Concerto dos 148 anos da Banda da Covilhã - Capeia Arraiana

Concerto dos 148 anos da Banda da Covilhã

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

A cegueira do Saramago

Este ano, fez vinte anos que José Saramago venceu o Prémio Nobel da Literatura, pela publicação da obra «Ensaio sobre a Cegueira». Como pessoa sem dúvida que Saramago não deixou saudades a muita gente, mas o facto é que ficou na história da literatura mundial. Obviamente que teve ajudas, como por exemplo Mozart, em que a sua viúva foi fundamental para que a sua obra ultrapassasse a barreira da fronteira portuguesa, e entrasse num mercado de 600 milhões de pessoas, onde ainda muita gente felizmente lê. Embora não tivesse lido a obra, vi o filme, e, mesmo sendo uma produção de Hollywood, deixa-nos a pensar.

José Saramago - Prémio Nobel da Literatura (Foto: D.R.) - Capeia Arraiana

José Saramago – Prémio Nobel da Literatura (Foto: D.R.)

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O meu amigo Padre Carlos Jacob

O Jacob não é judeu. É um padre missionário que presentemente desempenha funções na Escola Apostólica de Cristo Rei, em Gouveia, instituição cinquentenária que muito tem contribuído para a formação de jovens desde 1956. Mas esta congregação, Missionários de São João Baptista, também está presente noutros países, como é o caso de Moçambique, de onde o meu amigo Jacob, me enviou uma carta, ainda escrita pela sua mão, dentro de um envelope com selo.

Escola Apostólica de Cristo-Rei - Capeia Arraiana

Escola Apostólica de Cristo-Rei

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

No dia em que quis ser mãe!

Nos dia de hoje as mulheres sentem cada vez mais esta dificuldade. O tempo e a organização social, levam as famílias a sentirem mais dificuldades em poderem ter filhos, mas acima de tudo, ter tempo para os educar. Hoje vou-lhes falar de uma mulher que tomou essa opção. E contra-ventos e marés, conseguiu educar cinco crianças, hoje já adultos!

Rita - Uma Mulher que quis ser Mãe - Capeia Arraiana

Rita – Uma Mulher que quis ser Mãe

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

No dia em que fizer 72 anos!

Efetivamente um dos mistérios de viver é precisamente o morrer. Mas acredito que possa viver o dia de aniversário dos meus futuros 72 anos. E porquê este ano assim tão marcante? Porque no passado dia 9 de novembro, o meu amigo e irmão escuteiro, celebrou essa efeméride, renascido das cinzas e, esperemos, pronto para mais uma longa caminhada nesta vida. Que Deus te conserve irmão António!

António Alves Fernandes - Capeia Arraiana

António Alves Fernandes

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Mas afinal há ou não alterações climáticas?

Já em tempos tinha escrito uma crónica no Capeia Arraiana sobre o Acordo de Paris porque, julgo, ser um documento muito importante para o futuro da nossa qualidade de vida. No entanto tenho ouvido, e lido, algumas opiniões que me deixam preocupado, nomeadamente que «as alterações climáticas não existem sendo um negocio», ou até, com algum fundamento, que o planeta já passou por diversas fases climáticas e que, portanto, esta será mais uma. Resolvi então ler um livro de Ecotoxicologia, e fiquei apreensivo, pelos motivos que irei escrever.

Urso Polar - Capeia Arraiana

Urso Polar sofre com as alterações climáticas

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Moura! Uma viagem ao passado

Alguns de vós sabem que passei uma parte da minha vida em Moura, Baixo Alentejo. Normalmente era o Natal e o Carnaval e, nas férias grandes, a minha família alentejana acorria para Setúbal. No início o hábito não era a praia mas sim o campo. Iam para o Casal da Ajuda, mesmo junto à Quintada Comenda. Tudo girava na amizade extraordinária da minha Avó Esperança com a sua Irmã Maria da Luz. Uma ligação mais unida que gémeas. Não podiam passar uma sem a outra. Durante gerações e gerações este laço ficou… até um dia. Mesmo assim, depois do sucesso de 2011 em que se juntou a família, a Ana Vidal da Gama, uma das descendentes da minha Tia-avó Maria da Luz, organizou um mega-almoço com mais de 100 primos. Revi pessoas que não via dos tempos da ditadura. Afinal sempre valeu a pena tanta amizade. Invulgar por sinal, mas que ainda continua a dar os seus frutos.

A infância em Moura - António José Alçada - Capeia Arraiana

A infância em Moura

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O meu irmão Antonio José

Não deixa de ser estranho termos um irmão com o mesmo nome. E o mesmo apelido. Mas o facto é que o António José foi sempre o irmão mais velho que muita falta me fez. Faria 80 anos no dia 24 de outubro, data que também celebro 35 anos de namoro com a minha mulher Carla. Por ser um ilustre desconhecido, tal como tantos «Antónios» ou «Josés», entendo celebrar convosco estes 80 anos deste meu primo que infelizmente nos deixou.

O meu irmão António - Capeia Arraiana

O meu irmão António

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O amigo Joaquim

Não é fácil ter amigos no trabalho. Num mundo cheio de conflitos de «interesses» que fazem parte da natureza humana, as relações profissionais são muito mais ralações e problemas. No entanto, mesmo quando nos confrontamos, e nos debatemos, a educação ensinou-nos que nos momentos difíceis os colegas têm o dever de respeitar a fragilidade e as dificuldades que afetam e abalam quem não se pode defender. Mesmo nem sempre estando de acordo, hoje presto a minha homenagem ao meu colega Joaquim, vítima de uma doença grave e inesperada, mas que sempre soube nos momentos chave mostrar que teve uma educação, infelizmente, em decadência.

O que me liga ao meu amigo Joaquim - Capeia Arraiana

O que me liga ao meu amigo Joaquim

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

D. Manuel II – O Rei Emigrante

No dia em que escrevo esta cronica evoca-se, em feriado, a Implantação da República. No meio da azáfama familiar em que se aproveita para arrumar a casa, ir ao supermercado (onde ninguém goza o feriado), estudar ou até passear um pouco, acabámo-nos por esquecer da efeméride, mas acima de tudo do último Rei que tivemos. Curiosamente na História de Portugal há poucos «vilões» e «maus da fita» e achei interessante que D. Manuel II não tivesse ficado na galeria dos indesejáveis da nação, pese embora tivesse de fugir para o exilio.

SM El-Rei Dom Manuel II no Exílio em Fulwell Park, Inglaterra - Capeia Arraiana

Sua Majestade El-Rei Dom Manuel II no Exílio em Fulwell Park, Inglaterra

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

A importância dos investigadores

Não se trata de mais uma crónica ou notícia policial. Estes investigadores são profissionais que se dedicam à ciência e procuram, entre outras coisas, a melhoria da nossa qualidade de vida. Pelo segundo ano consecutivo participei na Noite Europeia dos Investigadores na última sexta-feira de setembro. Trata-se de uma iniciativa europeia que tem por objetivo celebrar a ciência e aproximar investigadores e cidadãos, quebrando-se barreiras que supostamente separam a ciência dos cidadãos, e procurando-se divulgar o trabalho que as diferentes equipas de investigadores desenvolveram no ano transato.

Noite Europeia dos Investigadores - Capeia Arraiana

Noite Europeia dos Investigadores

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Augusto Pólvora – O rapaz do Leste

Fez no passado dia 2 de julho um ano que o meu amigo Augusto Pólvora partiu. O Augusto não era uma pessoa qualquer. Foi Presidente da Câmara Municipal de Sesimbra durante quase três mandatos, vereador, e um ativista comunista desde que o conheci, em 1975. Mas acima de tudo o Augusto sempre foi um homem de convicções, quer concordássemos, ou não. Pela sua verticalidade e determinação, evoco este primeiro aniversário do seu falecimento, com um texto que publiquei num dos meus livros e que, felizmente, ainda teve oportunidade de o ler antes de falecer.

Augusto Pólvora - António José Alçada - Capeia Arraiana

Augusto Pólvora

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Fazer as pazes

Com as mensagens de apoio que tive na minha ultima crónica, pelo humor e boa disposição que tanto faz falta nos nossos dias, apresento hoje uma nova estória cujo protagonista é o atual Presidente Americano. Afinal, como todos nós, tem defeitos mas também qualidades. Imaginei então esta cena passada em Washington DC. Numa tarde de domingo.

Casa Branca em Washington - Capeia Arraiana

Casa Branca em Washington

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

A chegada dos Refugiados… à minha aldeia?

A cronica de hoje não é mais do que uma estória de ficção, de uma hipotética chegada de um grupo de refugiados a uma das nossas aldeias, perdidas por detrás destas montanhas. Curiosamente, ou não, com tanta generosidade europeia, ninguém se lembrou que até por estas bandas a tónica da hospitalidade é uma das sãs características do povo Beirão. Como se costuma escrever nestas «coisas» qualquer semelhança com a realidade é pura ficção!

A minha aldeia aceitou receber refugiados - Capeia Arraiana

A minha aldeia aceitou receber refugiados (Foto: D.R.)

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

A última noite dos «Proms»

Para quem aprecia música amanhã, dia 8, tem oportunidade de assistir na BBC-2 (primeira parte) e na BBC-1 (segunda parte) ao último concerto dos «Proms» da presente época. É uma verdadeira festa britânica que, nos dias de hoje já ultrapassou fronteiras. O barítono convidado para este ano é o canadiano Gerald Finley, uma das referências mundiais da opera, que irá cantar o «Rule, Britannia!» levando ao rubro, certamente, o Royal Albert Hall, o Hyde Park e ainda os parques de Glasgow Green, na Escócia, Colwyn Bay, no País de Gales, e no Titanic Slipways, na Irlanda do Norte, que graças à tecnologia assistem ao espetáculo em simultâneo cantando e dançando ao som da Orquestra Sinfónica da BBC, dirigida pelo maestro Sir Andrew Davis.

Momentos mágicos que se vivem durante o Concerto dos Proms - Capeia Arraiana

Momentos mágicos que se vivem durante o Concerto dos Proms

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Pesadelo em Praga

No passado dia 21 de agosto fez 50 anos que os tanques do Pacto de Varsóvia entraram em Praga, terminando o sonho da Primavera dos checoslovacos, liderados pelo reformista Alexander Dubcek. Morreram mais de 100 civis, centenas de feridos e milhares fugiram para o ocidente. As tropas invasoras pertenciam à URSS, Republica Democrática Alemã, Hungria, Polonia e Bulgária. Curiosamente, ou não, a Roménia recusou em participar nesta ação. Em tempos incertos gosto de relembrar estas efemérides. É importante analisar o passado para refletir o futuro.

A União Soviética e os membros do Pacto de Varsóvia invadiram Praga para interromper as reformas de Dubcek - Capeia Arraiana

A União Soviética e os membros do Pacto de Varsóvia invadiram Praga para interromper as reformas de Dubcek

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Quem foi «Coco» Chanel?

É impossível ficar indiferente ao saber a história de uma estilista que marcou a moda, numa época em que os homens dominavam todos os setores económicos e socais. Sem eu saber porquê, a minha filha mais nova não para de falar na Chanel e de como gostaria de ter uma das suas milionárias peças. Tanto tem falado nesta marca de alta-costura, que me senti obrigado a fazer uma pequena investigação, e acreditem, fiquei agradavelmente surpreendido.

Gabrielle Bonheur Chanel (Saumur, 19-08-1883 - Paris, 10-01-1971) foi uma estilista francesa e fundadora da marca Chanel S.A.. É a única estilista presente na lista das cem pessoas mais importantes da história do século XX da revista Time - Capeia Arraiana

Gabrielle Bonheur Chanel (19-08-1883 – 10-01-1971) foi uma estilista francesa e fundadora da marca Chanel S.A.
É a única estilista presente na lista das cem pessoas mais importantes da história do século XX da revista Time

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

A «Quadrilha» da minha juventude

Muitos de nós tiveram amigos na juventude que nos marcaram para o futuro. Felizmente fui um afortunado e hoje ainda mantenho uma relação de amizade com os meus amigos do tempo de liceu. Ao sermos convidados a sair de uma festa da «Socielite» da época, fomos batizados de «Quadrilha» e assim, este grupo, usa, e abusa, esta denominação até hoje. A «Quadrilha» deixou apenas de ser um «bando» irreverente. Acabou mesmo por ser uma forma de estar muito própria, mantendo ainda hoje um elo comum: a amizade!

«A Quadrilha» da minha juventude - Capeia Arraiana

«A Quadrilha» da minha juventude

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

A importância de «fugir da rotina»

No ano passado, na cidade da Guarda, realizou-se uma conferência sobre empreendedorismo tendo sido convidado para falar sobre a importância da inovação nas empresas. Entendi que a melhor forma de abordar o tema seria, na realidade, sair da zona de conforto procurando novos desafios.

A importância de fugir da rotina - António José Alçada - Capeia Arraiana

A importância de fugir da rotina

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Verões escaldantes

Muitos deverão achar estranho o tempo em Portugal estar mais ameno que no ano passado, enquanto prolifera calores tórridos no Norte da Europa. Mesmo que alguns continuem a achar um perfeito disparate, estes fenómenos estão relacionados com as alterações climáticas. O problema é que não há uma consciencialização para este problema e as politicas dos governos, principalmente europeus, mesmo que se esforcem, lutam com a sustentabilidade das suas economias.

Verões escaldantes - António José Alçada - Capeia Arraiana

Verões escaldantes

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Concordata ou Discordata?

O termo de «Concordata» corresponde na gíria diplomática a um acordo celebrado entre a Santa Sé e um Estado soberano. No caso português, houve uma Concordata assinada em 7 de maio de 1940, que vigorou até 2004, onde foi substancialmente revista atendendo a que o Estado Português passou a ser laico e a salvaguardar a igualdade de direitos entre todas as confissões religiosas. A crónica de hoje aborda o contexto geopolítico da assinatura da primeira Concordata, em 1940.

Assinatura da Concordata no Vaticano a 7 de Maio de 1940. À direita o Cardeal Luigi Maglione, representante da Santa Sé e à esquerda o General Eduardo Marques, antigo Ministro das Colónias portuguesas - Capeia Arraiana

Assinatura da Concordata no Vaticano a 7 de Maio de 1940. À direita o Cardeal Luigi Maglione, representante da Santa Sé e à esquerda o General Eduardo Marques, antigo Ministro das Colónias portuguesas

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

O ataque a Wiriyamu (Moçambique)

O ataque a Wiriyamu, uma localidade da Província de Tete, em Moçambique, foi uma ação militar das forças portuguesas, perpetrada no dia 16 de dezembro de 1972, com o nome de código Operação Marosca, tendo morrido um número significativo de civis. Este episódio marcou a política externa da época, com a publicação da notícia no Jornal Britânico «The Times», na edição de 10 de julho de 1973, tendo, provocado alguma tensão no exterior mas também no interior do país. Para alguns, foi considerado o ato mais violento que tropas portuguesas terão efetuado no período da guerra de libertação das antigas províncias ultramarinas, designada em Portugal por «Guerra Colonial».

Placa evocativa do ataque a Wiriamu - António José Alçada - Capeia Arraiana

Autoridades moçambicanas colocaram no local uma placa evocativa do ataque a Wiriyamu

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O desastre de Kandy

Existe uma ideia generalizada na nossa sociedade de que os nossos antepassados não eram assim tão guerreiros como outras potências coloniais. Efetivamente, como já escrevi numa crónica, os portugueses não se afoitavam muito para além das zonas costeiras, tendo baseado a sua influência na propagação da Fé Cristã e na atividade comercial. Porém, houve exceções, como foi o Desastre de Kandy, que hoje pretendo contar-lhes resumidamente. Os factos históricos que baseiam esta crónica foram recentemente relatados na Antena 2, no programa «Os Dias da História», de Paulo Sousa Pinto.

A ocupação militar no Ceilão - Capeia Arraiana

A ocupação militar portuguesa no Ceilão

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Heroínas desconhecidas

Normalmente o estilo de crónica que hoje vou apresentar baseia-se no meu irmão escuteiro António Alves Fernandes, que lhes posso dizer, contínua numa recuperação espantosa, muito, em parte, graças a uma heroína desconhecida, concretamente a sua esposa. É precisamente neste contexto, de tanta mulher que sofre o quotidiano da vida, nunca procurando a recompensa, que dedico a crónica de hoje, reconhecendo o mérito e a excelência da minha Prima Bárbara Alçada Ribeiro, pessoa muito querida por grande parte das gentes da Covilhã.

Heroínas desconhecidas... - António José Alçada - Capeia Arraiana

Heroínas desconhecidas…

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Um café de «sonho» ou um «sonho de café»?

Talvez seja um privilegiado. Não o nego. Mas tive a oportunidade de visitar uma torrefação de café, a funcionar desde os anos 50, na cidade do Uíge, em Angola. Para um apreciador de bom café foi mais um momento marcante da minha vida. E tive a felicidade de tirar algumas fotos, mais um beneficio que poucos terão conseguido. Mas este sorriso lusitano ainda consegue alguns milagres. Dedico esta crónica a estes nobres operários que mantêm viva esta tradição e que recentemente, uma delegação da Empresa Provincial de Águas e Saneamento do Uíge, que me visitou na cidade da Guarda, me entregou em mão mais um pacote deste lote do verdadeiro ouro negro, produzido com a sabedoria ancestral dos seus avós.

Um café de sonho no Uíge - António José Alçada - Capeia Arraiana

Um café de sonho no Uíge em Angola

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Afinal o que se passou em Zamora?

Desta vez não vos apresento nenhuma tese, mas sim uma análise ao texto do Prof. Pedro Soares Martinez sobre o nascimento do nosso país, inserido na História Diplomática de Portugal. Sem dúvida que as «aventuras de Afonso Henriques» contadas nas aulas dos nossos liceus foram muito mais que a estória de um filho que se terá zangado com a mãe.

Primeira bandeira de Portugal - António José Alçada - Capeia Arraiana

Primeira bandeira de Portugal