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Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Certificados de beleza e afeto

Há tempos e tempos. Há tempos de memoria, tempos de mudança e sítios que sobrelevam a passagem e a transmutação dos tempos.

Muitas aldeias são santuários dinâmicos ainda que minguados de gente

Rapoula do Côa vence Inter-Freguesias Futsal (2)

A equipa da Rapoula do Côa sagrou-se campeã do VIII Torneio de Futsal Inter-Freguesias do Concelho do Sabugal, edição 2010.

GALERIA DE IMAGENS  –  11-7-2010
Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar

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Aldeias Históricas de Portugal – Monsanto

Em 1938 a aldeia de Monsanto arrecadou o título da «aldeia portuguesa mais característica», num concurso promovido pelo Secretariado de Propaganda Nacional do Estado Novo.

José MorgadoMONSANTO – Edificada no cimo de um penedo a 758 metros de altura, Monsanto destaca-se na planura da paisagem envolvente – daí ter sido um dia chamada de Mons Sanctus (Monte Santo). Em 1938, arrecadou o título da «aldeia portuguesa mais característica», num concurso promovido pelo Secretariado de Propaganda Nacional do Estado Novo. Desde aí, a povoação quase esculpida na rocha granítica, que serve de tecto e chão às suas habitações, abandonou por completo o anonimato.
Na povoação – onde cerca de 170 habitantes teimam habitar, apesar do rigor dos Invernos e Verões – restam vestígios arqueológicos de um castro lusitano e da ocupação romana do Campo de São Lourenço, além de alguns sinais de permanência visigoda e muçulmana.
Sabe-se que o burgo foi conquistado aos mouros em 1165, por D. Afonso Henriques, e doado aos Templários, que aí edificaram o castelo. Em 1174 obteve Floral e, em 1510, foi elevada à categoria de vila, que sofreu investidas mouras, de Filipe IV de Espanha e, em 1758, do Duque de Berwick, todas fracassadas.
MonsantoActualmente, o aroma da história funde-se com o da lenha no Inverno e da vegetação sob o calor do Verão, numa aldeia onde é obrigatório deixar o carro para passear e visitar os marcos de tão longo passado.
Destacam-se o castelo medieval em pedra granítica, as ruínas da Capela de São Miguel (séc. XII) e a Igreja de Santa Maria do Castelo. Se resistir a tão íngreme caminhada deve prosseguir ate à Igreja Matriz ou de S. Salvador (séc. XV), que conserva alguns elementos românticos, passar pela Torre de Lucano, pelo Pelourinho (séc. XVI) e pela Igreja da Misericórdia.
Algo impressionante é a maneira em que os habitantes aproveitam a paisagem que lhes rodeia. Exemplos disto são «a casa de uma telha só» (um gigantesco pedregulho cobre a habitação), e a «gruta», visitável, que não passa de um intervalo entre rochedos, dotado de porta e iluminação eléctrica.
Em 2002, a «aldeia mais portuguesa» converteu-se também na Capital das Percussões, na estreia do I festival de Percussões de Monsanto.
Actualmente, metade das casas está a cair e cerca de três quartos à venda e muitas das que existem, substituem o xisto pelo cimento.
Também aqui se nota a desertificação do interior beirão.
José Saramago, lançou ontem o desafio de unir o conjunto de aldeias históricas da Beira Interior, num itinerário cultural. A proposta.foi feita em Figueira de Castelo Rodrigo.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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