Tag Archives: aldeias históricas

Turismo Centro Portugal - Capeia Arraiana

António Robalo eleito para a Turismo Centro

António Robalo, presidente da Câmara Municipal do Sabugal, foi eleito para os órgãos sociais da Turismo Centro, ao integrar o Conselho de Marketing desta entidade regional. As eleições aconteceram na sexta-feira, dia 6 de Julho.

António Robalo

Aldeias Históricas de Portugal - Capeia Arraiana

Belmonte recebe Fórum das Aldeias Históricas

O Museu Judaico, em Belmonte, vai receber no dia 21 de Fevereiro o Fórum de Sustentabilidade do Território das Aldeias Históricas de Portugal. A iniciativa é da Associação das Aldeias Históricas de Portugal, em parceria com a Biosphere Portugal.

Museu Judaico de Belmonte

Castelo Mendo – toda a antiguidade da terra

Um destes dias (de uma Primavera tardia que parece querer disfarça-se de Verão) fui chamado, pela festa, a Castelo Mendo e tive oportunidade de me sentar em sítio propício à observação. Surgiu-me, assim, pretexto para contar e, o que a vista me ofereceu, levou–me a começar por «era uma vez».

Castelo Mendo - Ruta de los Castillos

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Era, então, uma vez uma aldeia de pedra, muito antiga e muralhada. As ruas eram estreitas e curvosas. O chão era de granito irregular. As casas eram pequenas e sóbrias e com telhas de barro castanho/avermelhado. As portas das casas eram baixas e as janelas desenhavam pequenos quadrados enfeitados com vasos de flores. Entrava-se, na aldeia, por uma porta rasgada na muralha.
À entrada o largo com tílias grandes e sombrosas ajudava a construir um cenário que me trouxe à memória os contos de fadas e os livros de leituras infantis.
Num olhar mais largo, confirmavam-se, no horizonte, as escarpas da margem esquerdina do Rio Coa que ali se abria, abruptamente, num vale (qual clareira entre montes) às portas do concelho de Almeida. No centro do vale empolava-se uma colina, que tentava, sem conseguir, equivaler-se às alturas circundantes. A orlar o cimo da colina surgia, sobranceira, a antiquíssima Vila de Castelo Mendo, qual página histórica, escrita de lutas e defesas antigas. Há, de facto, supremacia das alturas sobre o chão do vale e a durabilidade granítica das muralhas ainda decora e preserva o ambiente medievo provando resistências de outros tempos.
Da aldeia, olhando em redor, observam-se encostas e cumes pontuados de rochas cujos intervalos se enchem de ervas, giestas, carrascos e carvalhos, estes com folhas achatadas, elevando-se a cima da restante vegetação e crescendo para além de si mesmos. Agora, em época de Primavera, as giestas baixas e coloridas pelas maias pintam os campos lembrando extensos jardins amarelos a perfumar ambientes primaveris. Havia, claro, algumas (poucas) terras cultivadas, bastante próximas do rio verde que descansa na passividade calada do vértice fundeiro do vale.
A aldeia apresenta-se, assim, ao visitante, como uma proposta agradável, impressa numa extensa página de natureza e oferecendo, primeiro, a muralha, depois as três igrejas, o pelourinho, as casas, as ruas e os pequenos largos, tudo enraizado na época medieval. A modernidade acrescentou-lhe, já, um pequeno museu de arte sacra, um café, um bar de uma associação e algumas casas de turismo rural.
Da Igreja de Santa Maria, a mais alta, em ruinas, surgem espetaculares vistas sobre o Côa e os olhares podem, então, perder-se seguindo a estreiteza e a austeridade das margens, lá por onde se distendem as águas do rio, mansas este ano, numa direta relação com a fraca intensidade das chuvas.
Castelo Mendo é uma aldeia histórica, no verdadeiro sentido da palavra, que não disfarça profundas antiguidades. É sitio onde a história lançou raízes e, agora grita memórias guardadas em cada monumento, em cada recanto ou, até, entre as sombras.
Permito-me comparar esta a outras aldeias deste interior profundo, encostadas à raia, que me fazem lembrar pérolas dispersas a exalar perfumes históricos.
O prazer que obtenho ao percorrer estas aldeias e ao perder-me de sítio em sítio como se procurasse histórias ou lendas do meu próprio imaginário é, de facto, difícil de descrever.
Durante o ano Castelo Mendo veste-se de festa várias vezes e regressa a vários passados, uns mais profundos que outros. Na festa de treze de maio vai, apenas, até meados de século passado mas, com a Feira Medieval, regressa ao século XII. Neste evento anual recriam-se culturas, usos e costumes antigos, ceias e torneios medievais e a aldeia enche-se, de personagens vestidos a preceito num imperativo retorno a toda a antiguidade da terra.
É, então, daqui, desta observação, de hoje, que me atrevo a propor uma visita a esta raia de castelos e muralhas, de cor verde/amarelada e, sempre, prenhe de história.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

Aldeias históricas valorizam património judaico

A associação que reúne as aldeias históricas de Portugal quer valorizar o património judaico que essas aldeias possuem, como estratégia de promoção e afirmação.

A «Aldeias Históricas de Portugal – Associação de Desenvolvimento Turístico» afirma querer dar uma maior atractividade à Marca «Aldeias Históricas», razão pela qual decidiu apresentar uma candidatura aos programas Mais Centro e PROVERE (Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos). Trata-se de afirmar uma Estratégia de Valorização Económica de Base Territorial, aproveitando o potencial contido no importante Património Judaico que possuem as aldeias históricas.
A liderança da chamada «Estratégia de Eficiência Colectiva» pertencerá ao Município de Belmonte, tendo em conta a importância que ali assume o património judaico. A implementação do programa caberá aos Municípios que contêm na sua jurisdição aldeias históricas, a saber: Almeida, Arganil, Belmonte, Celorico da Beira, Fundão, Figueira de Castelo Rodrigo, Idanha-a-Nova, Manteigas, Mêda, Penamacor, Sabugal e Trancoso.
No caso do Sabugal trata-se de valorizar a aldeia histórica de Sortelha tendo em conta o eventual patrónimo judaico que a mesma possua.
Será implementado um Programa Acção que integra um conjunto de projectos voltados para a valorização do turismo, património, cultura e produtos tradicionais.
A Associação vai desenvolver três projectos fundamentais: «Estrutura de Gestão e Coordenação», «Animação Turística» e «Marketing e Comunicação».
A implementação dos três projectos representa um investimento superior a seis milhões de euros, que poderá ser comparticipado em 70% pelo FEDER, sendo os restantes 30% assumidos pelos Municípios envolvidos.
plb

Apresentação do Guia das Aldeias Históricas (3)

Após passagem pelas Livrarias FNAC chegou a vez da Casa do Castelo, no Sabugal, apresentar o livro Guia Turístico das Aldeias Históricas de Portugal.

GALERIA DE IMAGENS  – ALDEIAS HISTÓRICAS DE PORTUGAL  –  1-8-2010
Clique nas imagens para ampliar

jcl

Apresentação do Guia das Aldeias Históricas (2)

Após passagem pelas Livrarias FNAC chegou a vez da Casa do Castelo, no Sabugal, apresentar o livro Guia Turístico das Aldeias Históricas de Portugal.

GALERIA DE IMAGENS  –  ALDEIAS HISTÓRICAS DE PORTUGAL  –  1-8-2010
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jcl

Espreite as Aldeias Históricas de Portugal

Vídeo promocional do «Guia Turístico das Aldeias Históricas de Portugal» da autoria da «Olho de Turista» e da «Aldeia da Minha Vida» dos dinâmicos empreendedores Susana Falhas e Serafim Faro.

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jcl

Encontro de Bloggers em Trancoso (2)

CONVENTO DOS FRADES FRANCISCANOS E OS MISTÉRIOS DE TRANCOSO – Esta semana, como não podia deixar de ser, apresentamos-lhe o espaço do duplo evento de 10 de Junho: O Convento dos Frades Franciscanos. Todavia, a cidade de Trancoso é um local repleto de curiosidades e enigmas. Achamos que seria engraçado revelarmos alguns aqui. Acompanhe-nos nesta descoberta dos mistérios trancosenses…

Convento dos Frades - Trancoso - Foto Olho de Turista - Direitos ReservadosIgreja – Convento dos Frades Franciscanos (séc. XVI, Av. Campo da Feira): Fundado em 1569, era um pequeno convento de seis celas, onde os frades le­vavam uma vida simples, mas com normas rigorosas, difíceis de compreender aos olhos da co­munidade civil e do clero secular. Tal chegou a ser motivo de desentendimentos, levando os freis a abandonarem em definitivo o local. Da sua arquitectura, destaca-se o portal de entrada, de influência renascentista, com colunas toscanas apoiadas por bases de um só toro. Ao lado, observa-se um calvário com três das 14 Cruzes distribuídas pela cidade (Via Sacra). Do convento, ainda resta a torre original e um anexo do séc. XVIII. Foi recentemente requalificado como Auditório Municipal, onde se efectuam as sessões da Assembleia Municipal, entre outras actividades culturais (como o evento Encontro de Bloggers/Lançamento do livro «Aldeias Históricas de Portugal – Guia Turístico»).

Sabia que…
… se pesquisar, existem à volta de 15 lo­calidades com o nome de Trancoso, espalhadas pelo Mundo: Galiza, Bra­sil e até no México;
… no Canto VI d´Os Lusí­adas, Luís Vaz de Camões narrou o episódio dos 12 de Inglaterra. É uma história verídica sobre honra e cava­lheirismo, protagonizada por Álvaro Vasques Coutinho, alcunhado «O Ma­griço» e filho do alcaide de Trancoso;
… depois da grande Batalha de Trancoso (Batalha de S. Marcos), os prisioneiros de guerra fo­ram alimentados a «pão e laranjas». Para reviver este momento histórico, a 29 de Maio é tradição distribuir esses alimentos às crianças, no próprio pla­nalto onde tudo aconteceu;
… Trancoso possui uma feira que anualmente atrai multidões? É a Feira Franca de São Bartolomeu, uma das primeiras do País, cuja carta de feira serviu para instituir outros certames como os de Coimbra, Porto ou Viseu. Na Igreja de São Bartolomeu (hoje capela) decorreram as cerimónias das bodas reais entre D. Dinis e D. Isabel de Aragão;
… nesta cidade, nasceu Gonçalo Anes Bandarra (1500-56): Sapateiro de pro­fissão, era sobretudo conhecido pelas suas profecias. Condenado em vida pela Santa Sé, a concretização das suas profecias, tais como o Sebastianismo e a Restaura­ção da Independência, valeu-lhe o reconhecimento da Casa Real, após a sua morte. Naturais de Trancoso, são também: Gonçalo Fernandes Trancoso (?-1596), o primeiro grande contis­ta português e Fernando Isaac Cardoso (1615-1683), famoso médico judeu-converso, filósofo, cientista e escritor.

Por último, a curiosidade mais engraçada: o Padre Costa de Trancoso teve 299 filhos de 53 mulheres. D. João II perdoou a pesada pena a qual tinha sido condenado.
Helena Teixeira

Encontro de Bloggers em Trancoso (1)

O blogue «Aldeia da Minha Vida» festeja o primeiro aniversário de blogagem colectiva e organiza no dia 10 de Junho, dia de Portugal, em Trancoso o «1.º Encontro (Beirão) de Bloggers» e o lançamento do livro «Aldeias Históricas de Portugal – Guia Turístico». O Capeia Arraiana associa-se, apoia e participa na iniciativa que vai decorrer no Convento dos Frades na «Aldeia Histórica de Trancoso».

Igreja de Nossa Senhora da Fresta - Trancoso - Foto de Dias dos ReisCaros amigos bloguistas, este mês a Aldeia decidiu juntar-se à Blogagem de Maio com um texto sobre um local de culto, situado numa das 12 famosas aldeias históricas de Portugal. Dessa forma, pretende homenagear não só o dia de Nossa Senhora de Fátima, como também dar-vos um cheirinho do que poderão descobrir no evento do dia 10 de Junho, intitulado «Encontro de Bloggers – Lançamento do livro Aldeias Históricas de Portugal – Guia Turístico». O local de culto trata-se da Igreja de Nossa Senhora da Fresta, em Trancoso.
Perto do Castelo de Trancoso, mais propriamente da Porta do «Olhinho do Sol», entrevê-se uma paisagem lindíssima. A cerca de 800 metros, vislumbra o cemitério da cidade e ao seu lado a bela Igreja de Nossa Senhora da Fresta. Reconstruída em 1953, podemos apreciar a sua arquitec­tura (séc. XII) de estilo românico ogival/gótico, patente nas portas laterais, no arco do transepto e nas frestas. Na porta norte, uma cruz patriarcal (generalizada no séc. XII pelos Cavaleiros do Santo Sepulcro) chama a atenção. A frontaria, a torre sineira e o coro são outras três componentes de relevo (acrescentados a quando da reconstrução no séc. XVIII). As cachorradas também são originais, sem falar da impressionante capela-mor com o seu sublime altar. Esta ermida possui uma bonita história…

A Lenda da Ermitoa Iberusa Leoa
Decorria o ano de 711, os árabes conquistavam a Península pela primeira vez. Em Trancoso, a vida seguia o seu rumo… Os habitantes eram há alguns anos devotos da Senhora do Sepulcro. Entretanto, em 985, os mouros invadem esta bela aldeia histórica. Assustado, o povo esconde a imagem da santa numa fresta da sua igreja, camuflando-a bem com tijolo. Ao entrar no templo, os invasores não desconfiam de nada.
Em 1033, sob o domínio de Fernando Magno, os trancosenses respiram de alívio e libertam Nossa Senhora do seu esconderijo. A partir daquele instante, apelidaram-na de Nossa Senhora da Fresta e o culto aumentou. Naquela altura, uma donzela chamada Iberusa Leoa venerava fervorosamente a padroeira, dedicando-lhe todo o seu tempo. Mas o emir de Badajoz estava à espreita. Após conquistar Leiria, captura a bela moça. A jovem reza, prometeu total devoção à Santa para proteger a sua virgindade e honra.
Em 1131, D. Afonso Henriques retoma Trancoso. Ao assistir a uma missa na Igreja da Senhora da Fresta, fica boquiaberta ao ver à sua frente: Iberusa Leoa, sã e salva pela Virgem. Junto dela, estavam os soldados do soberano árabe, amarrados e atónitos com o sucedido.

O Capeia Arraiana associa-se, apoia e participa com uma intervenção no Convento dos Frades, em Trancoso, na iniciativa de Susana Falhas (e C.ª), autora do livro e administradora do blogue «Aldeia da Minha Vida».
jcl (com Susana Falhas)

Aldeia Histórica de Sortelha - © Capeia Arraiana (orelha)

Sortelha foi a segunda aldeia mais visitada em 2009

Sortelha, no concelho do Sabugal, foi a segunda Aldeia Histórica mais visitada durante o ano de 2009. O número de turistas nas 12 aldeias históricas de Portugal aumentou durante o ano de 2009, registando cerca de 376 mil visitantes, revelou esta segunda-feira a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.

Torres eólicas em Sortelha geram petição popular

A construção de um parque eólico junto à aldeia histórica de Sortelha, concelho do Sabugal, está a gerar polémica entre os moradores, motivando uma petição on-line para tentar impedir a obra.

As eólicas povoam o horizonteSegundo uma nota divulgada pela agência Lusa, que falou com Joaquim Tomé, habitante de Sortelha e um dos mentores da petição intitulada «Vamos salvar Sortelha», lançada no último domingo, a iniciativa avançou após alguns residentes terem conhecimento que o parque de torres eólicas que está projectado para a freguesia irá «destruir de forma irreversível a envolvente desta aldeia».
«Todos temos o dever de preservar o legado patrimonial e histórico que a todos pertence. Temos também a obrigação de o proteger e valorizar para que as gerações futuras possam aprender a vida dos seus antepassados», referiu Joaquim Tomé.
As torres eólicas serão instaladas naquela zona, «a um quilómetro de distância» de Sortelha, danificando «a nossa lança em termos de turismo na Beira Interior», alertou ainda Joaquim Tomé.
O presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, confrontado com a questão disse à Lusa que tem conhecimento da petição e reconheceu que a autarquia aprovou o projecto, que contempla a instalação de 50 torres eólicas na região, mas prometeu analisar novamente o assunto. Contudo recorda que «as entidades oficiais que licenciam os parques eólicos» o fazem «no devido cumprimento da legislação em vigor».
«Qualquer situação de alerta que chegue ao conhecimento da Câmara Municipal terá uma análise cuidada tendo em conta todos os pressupostos que ela referir», assegurou António Robalo.
Já o ex-presidente da Junta de Sortelha, Luís Paulo, que aprovou a instalação do parque eólico, adiantou à Lusa que está prevista a colocação de «17 ou 18 torres na área da Freguesia mas muitas delas não se vêem de Sortelha».
Apontou que aquelas que serão visíveis da aldeia histórica ficarão «a uma grande distância» e recordou que já existem equipamentos idênticos nas imediações da localidade: «Estamos cercados delas e vêm-se todas de Sortelha», garantiu Luís Paulo, que desvalorizou a polémica em torno do assunto por considerar que a instalação do parque eólico «não irá mexer no património».
plb

Marialva

Nos anos 50 e 60 do século XX, Portugal viu escaparem-se-lhe quase 2 milhões dos seus filhos e o Interior foi-se despovoando. Uns vieram para as grandes cidades do Litoral, outros partiram para Franças e Araganças. O concelho do Sabugal, por exemplo, perdeu, entre 1950 e 1970, 56 por cento dos seus habitantes. Aldeias houve, como por exemplo Quadrazais, que ficaram sem dois terços da população.

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaUns voltaram, outros não. Mas o Portugal que deixaram, quando passaram a raia a salto, desapareceu. As aldeias do Centro e do Interior norte são hoje sombras do que eram há quarenta ou cinquenta anos atrás. Perderam gente, perderam tradições, perderam cultura, perderam alma. Visitamos terras lindíssimas, como Monsanto, Sortelha, Linhares, Piódão, Castelo Mendo, Marialva e que vemos? Pedras, sobretudo pedras. As gentes, que é quem dá vida às pedras, estão em vias de extinção. As poucas que ficaram estão velhas e vivem das magras pensões ou de um escasso e esporádico turismo. Abrem-se lares da terceira idade e fecham-se escolas. O mato cresce por todo o lado, a agricultura morre, o País tradicional agoniza.
Marialva é a imagem mais viva deste fenómeno de desertificação do Interior. Em poucos lugares do País podemos sentir a mesma emoção que em Marialva. Dentro das suas muralhas encontramos o castelo, a igreja, o cemitério, a Domus Municipalis, o tribunal, a cadeia, o pelourinho, casas sem tecto. Mas não encontramos ninguém, porque Marialva é uma vila fantasma. Dizem as lendas que sofreu a maldição da moura Maria Alva! Foi completamente abandonada pela sua população, que acabou por fundar uma nova Marialva cá em baixo, no vale. Caminhamos melancolicamente naquela ruína silenciosa, nobre no seu abandono, coberta de musgo, hera e silvas e, involuntariamente, visualizamos um país quase inteiro.

«Georges! anda ver meu país de Marinheiros,/ O meu país das Naus, de esquadras e de frotas!/ Oh as lanchas dos poveiros/ A saírem a barra, entre ondas e gaivotas!/ […] Senhora Nagonia!/ Olha acolá/ Que linda vai com seu erro de ortografia… […] Senhora Daguarda! […] Maim de Jesus! […] Senhor dos Navegantes!/ Senhor de Matusinhos!/ Os mestres ainda são os mesmos dantes:/ Lá vai o Bernardo da Silva do Mar,/ Mailos quatro filhinhos,/ Vascos da Gama, que andam a ensaiar… […] Georges! anda ver meu país de romarias/ E procissões!/ Olha essas moças, olha estas Marias!/ Caramba! dá-lhes beliscões!/ Os corpos delas, vê! são ourivesarias!/ […] Tira o chapéu, silêncio!/ Passa a procissão/ Estralejam foguetes e morteiros./ Lá vem o Pálio e pegam ao cordão/ Honestos e morenos cavalheiros./ […] Que linda e asseada vem a Senhora das Dores!»

Este Portugal, o país de António Nobre, está prestes a desaparecer. É preciso correr, e olhá-lo demoradamente, para o gravar na memória antes que se transforme numa enorme, desolada e melancólica Marialva.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

Aldeias Históricas – Sortelha

Sortelha é uma das aldeias medievais mais antigas de Portugal, que chegou a ficar despovoada durante as lutas da Reconquista Cristã. Hoje, é um destino turístico de eleição para quem procura as mais belas e históricas aldeias do País.

José MorgadoSORTELHA – Como cartão de visita, podemos observar as muralhas da aldeia. Mandadas edificar por D. Sancho I, em 1187, erguem-se com enormes penedos dispostos em forma circular, ganhando a forma de um anel. Disposição que em muito contribuiu para o seu nome. «Sortija», «Sortilia» ou «Sortela» são alguns nomes castelhanos que designam um jogo antigo de cavaleiros, que consistia em enfiar a ponta de uma lança num anel de pedrarias.
Mas a história de Sortelha remete-nos igualmente para a história do seu castelo, erguido numa escarpa vertical, a 760 m de altitude. Terá sido D. Sancho II a mandar fazer a reedificação do castelo, bem como a conceder o foral mais antigo a Sortelha em 1228. No entanto, foi apenas no reinado de D. Dinis que a defesa final da linha das fronteiras ficou definida nesta região de Portugal, com a assinatura, em 1297, do Tratado de Alcañizes. Não obstante as obras de restauro de que foi alvo, o castelo de Sortelha perdeu naturalmente a sua importância militar. No reinado de D. Manuel I, em 1510, nova carta de foro foi concedida à aldeia.
Nesta aldeia da Beira Alta, a pedra granítica é nota dominante. Apenas os verdes do vale lhe conferem cor. A entrada em Sortelha faz-se através de uma porta gótica do século XIV, sobre a qual se vê a «Varanda de Pilatos», balcão do reinado de D. Dinis, com mata-cães por onde, do alto, se atacava os agressores. Na ombreira de uma outra porta da muralha, situada no lado Oeste, duas ranhuras de pedra, representam duas medidas da época – a “«ara» e o «Côvado».
SortelhaChegando ao pelourinho, reparamos no sino que se ergue sobre o beirado do solar dos viscondes de São Sebastião. A visitar é também a Igreja Matriz, templo do século XIV, onde se destaca a talha dourada do altar-mor e o tecto mudéjar.
Numa aldeia de encantos mil, cuja arte do paleolítico lhe valeu a classificação de Património da Humanidade pela UNESCO, as casas de granito fundem-se com o pavimento tosco e encantam os curiosos turistas que deambulam pelas suas ruas. As gentes da terra vivem do turismo, por isso, apostam no artesanato, especialmente no trabalho de tapeçaria, bordados e elaboração de cestos.
José Saramago em «Viagem a Portugal», ao visitar Sortelha, ficou com a seguinte impressão: Entrar em Sortelha, é entrar na Idade Média (…). O que dá o carácter medieval a este aglomerado é a enormidade das muralhas que o rodeiam, a espessura delas e também a dureza da calçada, as ruas íngremes e empoleirada sobre pedras gigantescas, última cidadela, ultimo de sitiados, derradeira e talvez inútil esperança.
Se alguém venceu as ciclópicas muralhas, de fora, não há-de ter sido rendido por este castelinho de brincar.
Com esta última resenha histórica da nossa jóia, termino aquilo a que me propus em Junho, divulgar as aldeias consideradas históricas, vizinhas de Sortelha
Além destas nove, não referi, Castelo Novo (Fundão) Belmonte e Piódão (Arganil).
Outras povoações deveriam também fazer parte das Aldeias históricas e dos seus programas de recuperação e valorização, nomeadamente a aldeia de Algodres, Avô (Oliveira do Hospital), Cidadelhe (Pinhel) e Vilar Maior e Alfaiates (Sabugal) que se não são consideradas históricas, têm, contudo, muita história por contar.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Aldeias Históricas – Linhares da Beira

Situada na face Noroeste da Serra da Estrela, Linhares da Beira foi colonizada pelos romanos que aqui deixaram alguns vestígios, sendo exemplo disso a estrada romana – ainda visível na calçada – que ligava Emerita Augusta (actual Mérida, Espanha) a Braccara Augusta (Braga), assim como os marcos milionários existentes na margem direita do rio Mondego.

José MorgadoLINHARES DA BEIRA – Não existem registos históricos que indiquem quando e quem fundou esta vila, cujo nome primitivo terá sido Lenio ou Leniobriga. Invadida por visigodos e muçulmanos, Linhares passou a ser definitivamente portuguesa com a conquista de D. Afonso Henriques. O primeiro rei de Portugal concedeu-lhe foral em 1169, o qual foi renovado por D. Manuel em 1510.
No entanto, a paz não durou muito tempo e o período de instabilidade prosseguiu no reinado de D. Sancho II. As tropas de Leão e Castela cercaram a região para se apoderarem do Castelo de Celourico da Beira. Linhares «correu» em auxílio de Celourico e, juntas, derrubaram o inimigo. Conta a tradição que este combate terá sido travado ainda de noite e ter-se-á comportado a lua como o mais poderoso aliado dos defensores da praça. Por esta razão, a bandeira de Linhares exibe uma crescente e cinco estrelas.
Linhares da BeiraAo vaguear pela povoação, irá deparar-se com uma aldeia em que impera uma nobreza de raro encanto. As habitações possuem características que rapidamente nos chamam a atenção: fachadas de granito, lápides com as datas referentes à sua construção, brasões e janelas do século XVI em estilo manuelino. O conjunto da aldeia é «coroado» pelo castelo, que se situa a 800m de altitude, reconstruído no século XIII por D. Dinis. Baluarte de defesa na época da reconquista e das guerras com Castela, o castelo ostenta uma forte torre de menagem com balcões abertos no último piso. Da torre partem duas muralhas formando um rectângulo, onde se supõe ter funcionado a primeira povoação.
A Igreja Matriz, reconstruída no século XVII, guarda no seu interior três valiosas tábuas atribuídas ao mestre Grão Vasco. Numa praça de Linhares ergue-se outra preciosidade histórica, falamos de um rústica tribuna – ruína de um fórum medieval – elevada sobre um banco em redor de uma mesa, onde eram tomadas decisões comunitárias e se realizavam os julgamentos.
No séculos XVIII e XIX, o aparecimento de diversos solares atesta a prosperidade económica que nesta época desenvolveu Linhares da Beira, referência para a casa Corte Real e a casa dos Pinas.
Por fim, para rechear de sabor a sua visita, nada como deixar-se levar pelas especialidades gastronómicas da região. Aqui, o destaque vai para a sopa de grão, o cabrito assado, bucho recheado, enchidos, arroz doce com queijo de ovelha e cavacas.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Aldeias Históricas – Trancoso

Trancoso é um dos sete concelhos do distrito da Guarda que se incluem na denominada sub-região da Raia, fronteiriça com Espanha. A Norte da capital do distrito, as terras de Trancoso estendem-se por uma paisagem planáltica de granito, cortada pelo rio Távora, conhecida por Riba-Côa ou Terra Fria Beirã.

José MorgadoTRANCOSO – Espectadora excepcional de importantes passagens da história de Portugal, Trancoso mantém-se como uma fonte de dinamização na Beira Interior, uma área desde há muito em luta com a falta de recursos e a desertificação dos seus campos e aldeias.
Os primeiros vestígios humanos no concelho têm cerca de 4000 anos. Um primitivo castro pastoril deu lugar a um posto defensivo, que, com a chegada dos romanos, foi aumentado e reforçado. Já no século X, o castro tinha-se convertido em castelo e estas terras eram disputadas por mouros e cristãos. Muitas foram as arremetidas de uns e outros. Frentes às muralhas de Trancoso bateram-se homens como Almançor, Fernando Magno, Martim Moniz e D. Afonso Henriques, que resgatou Trancoso após ter sido arrasada pelos muçulmanos em 1139. Depois da batalha, D. Afonso Henriques terá tomado duas determinações: construir o convento de Tarouca e usar o título de Rei de Portugal.
O Castelo de Trancoso ficou definitivamente ligado à cristandade em 1160, pelas armas, uma vez mais, de D. Afonso Henriques. Mas as disputas com Castela continuaram, e a cercania com a fronteira (70 km até Vilar Formoso) reservaria um papel relevante aos habitantes de Trancoso nas guerras com o país vizinho. Durante resistência às tropas de Napoleão, o desafortunado general Beresford estabeleceu quartel no casario de Trancoso.
BandarraNão obstante, não só combates viu esta povoação. A vila beirã assistiu também ao casamento de D. Dinis com Isabel de Aragão, em 1282, e ao nascimento da fama de Gonçalo Annes, por alcunha o Bandarra. Sendo Trancoso terra rica em personagens lendárias, é que este sapateiro da primeira metade do século XVI, poeta e profeta, o que mais alargou através dos séculos a sua fama. Em palavras de Pessoa «(…) este cujo coração foi não português mas Portugal».
O Bandarra, assim como muitos membros da vasta e influente comunidade judia, chegou a ser julgado pela Santa Inquisição. A vila histórica de Trancoso, abraçada pelas muralhas guarda marcas da importância dos judeus na vila e do seu forte desenvolvimento comercial. As casas da velha judiaria ainda exibem as duas portas características, algumas com símbolos hebraicos sobre os marcos: a mais larga para fins comerciais e a estreita para uso doméstico.
A melhor ocasião para visitar Trancoso é em Agosto, aquando da famosa Feira de S. Bartolomeu. Os ares de Medievo que emanam das singelas ruas da vila, com o seu castelo e muralhas e o pelourinho manuelino, junto à Igreja de S. Pedro, classificados Monumento Nacional, parecem reviver quando atravessamos o arco das Portas de El-Rei e caminhamos pela rua conhecida por Corredoura, que nos leva até ao Largo Francisco Ferreira, o centro da via. Lojas e cafés acompanham os numerosos transeuntes que fazem fervilhar os velhos arruamentos. Magnifica ocasião para saborear as especialidades da gastronomia local: o cabrito assado, o bacalhau à S. Marcos, o ensopado de míscaros ou as enguias à S. Bartolomeu. Nos doces são célebres, as «sardinhas doces de Trancoso».
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Aldeias Históricas – Marialva

Marialva ergue-se num monte rodeado de outeiros e penhascos, de difícil acesso, situado na margem esquerda do rio Alva. Localização essa que transformou Marialva numa importante praça militar durante a Idade Média.

José MorgadoMARIALVA – Povoação de raízes antigas, admite-se que a sua origem esteja ligada à cidade de Aravor (fundada pelos Túrdulos), sendo destruída por sucessivas invasões até ao século XI. Marialva terá sido definitivamente reconquistada por Fernando Magno, em 1063, que a baptizou de Malva, antes de ser chamada Marialva. Mas esta não é a única suposição em torno do nome. Há quem defenda que Marialva deriva do nome próprio de uma apaixonada de Afonso II – a quem, em 1217, o Rei doou a aldeia. O nome da dama era D. Maria Alva. Em 1179, D. Afonso Henriques tinha já concedido a primeira Carta de foral à vila.
Ao entrar em Marialva, irá depara-se com um cenário medieval do qual fazem parte três agrupamentos: a devesa – que se prolonga pela ribeira e planície; a vila, com características quinhentistas; e a cidadela, onde o silencio chega a ser desconcertante e apenas cortado pelo barulho das águias que batem as asas por cima dos telhados da aldeia.
Aldeia Histórica MarialvaNa rua, os edifícios resistem ao tempo com as suas paredes de pedra e portas góticas. Mais para o interior, percorrendo as calçadas medievais, será conduzido até ao largo onde se ergue o pelourinho granítico do século XV, o edifício da antiga Câmara e o Tribunal. Alguns metros à frente, encontrará a Igreja Matriz, do século XVI, detentora de um portal manuelino, a quem deram o nome de Santiago, por aqui passar a antiga rota dos peregrinos de Santiago de Compostela. Ainda hoje se celebra em Marialva, a 25 de Julho, a feira de Santiago a propósito do dia do Apóstolo.
Numa zona mais elevada da povoação, encontra-se o castelo. Edificado por D. Sancho I em 1200 e, posteriormente, ampliado por D. Dinis. O castelo foi perdendo, com o passar do tempo, grande parte das suas pedras e do seu valor; mas merece a pena subir às suas muralhas e apreciar a vista sobre a serra da Marofa. Aqui o tempo parece parar.
Nesta região do Norte de Portugal, podem-se desfrutar de alguns prazeres gastronómicos, como as papas de sarrabulho, diversas receitas elaboradas com peças de caça, as filhós, as raivas e os vinho de mesa que se produzem nesta zona fronteiriça entre o Dão e o Douro.
Nos últimos tempos, Marialva tem sido alvo de varias intervenções para a recuperação do seu património.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Aldeias Históricas – Castelo Rodrigo

Os vestígios arqueológicos na zona fronteiriça de Castelo Rodrigo remontam ao Paleolítico. Situada a 10 kms do rio Côa a povoação de Castelo Rodrigo alberga igualmente notáveis sinais da presença dos romanos e no domínio mouro.

José MorgadoCASTELO RODRIGO – No entanto, a importância estratégica de Castelo Rodrigo começa a ser mais significativa durante a reconquista cristã, particularmente, para os reis de Leão a quem pertencia o território. À povoação foi entregue o título de vila e elevada a concelho pela mão do monarca Afonso XI de Leão e o seu objectivo era claro: atrair pessoas para aquela zona.
Castelo Rodrigo esteve sempre presente nos contenciosos entre Portugal e Castela ao longo da história. Entretanto perdida para os muçulmanos D. Afonso Henriques reconquistou-a em 1170. Os mouros insistiram e D. Sancho I teve de a trazer novamente para o lado cristão em 1209 e nesse mesmo ano, Castelo Rodrigo recebe a sua primeira Carta de Foral. Mas foi preciso esperar quase noventa anos mais para que fosse integrada definitivamente no território nacional, o que deixou definido no Tratado de Alcanizes assinado por D. Dinis em 12 de Setembro de 1297. O Rei poeta mandou então reconstruir o castelo e povoar novamente Castelo Rodrigo.
D. Fernando viria a conceder a Carta de Feira à vila em 23 de Maio de 1373, o que significava que Castelo Rodrigo podia abrir as portas das muralhas aos comerciantes e desenvolver a sua actividade mercantil.
Figueira Castelo RodrigoCom a morte de D. Fernando, a independência nacional ficou colocada em causa. Tinha uma única filha, D. Beatriz, que era casada com D. João de Castela. Contudo, D. João, Mestre de Aviz, derrotaria os castelhanos na batalha de Aljubarrota e fora coroado rei de Portugal. Castelo Rodrigo tinha tomado partido de D. Beatriz e, como castigo, D. João I determinou que o seu brasão ficasse com o escudo das armas reais invertidas, além de passar para o domínio administrativo de Pinhel.
Com isto, a vila entrou em decadência e despovoou-se. Só em 1508 é que a vila recebeu um Foral Novo, concedido por D. Manuel, que mandou igualmente restaurar o castelo.
De seguida, veio o controlo de Portugal por parte dos Filipes de Castela. A vila passou a ser dirigida por Cristóvão de Moura, defensor da causa filipina, que ergueu um palácio residência que viria a ser queimado pela população revoltada contra o traidor, a 10 de Dezembro de 1640, logo após a restauração da independência.
Castelo Rodrigo, devido à sua posição estratégica, jogou um papel protagonista nas disputas contra Espanha. Em 1664, foi cercada pelo duque de Osuna e reza a história que 150 homens contra mais de quatro mil aguentaram a guarnição até à chegada de reforços, obrigando de seguida ao tal Duque de Osuna a fugir mascarado de frade.
Com o fim das guerras da restauração, Castelo Rodrigo começou a perder importância. Em 1836, a rainha D. Maria II passaria a sede de concelho para Figueira de Castelo Rodrigo.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Aldeias Históricas – Castelo de Mendo

É por uma estrada sinuosa, por entre montes e vales, que se chega às portas da aldeia-fortaleza medieval de nome Castelo Mendo. Estamos no distrito da Guarda e mais concretamente, no concelho de Almeida.

José MorgadoCASTELO MENDO – Chegando ao portal da muralha, somos recebidos por dois berrões que ladeiam a entrada, figuras monolíticas originárias da cultura celta. E há séculos que ali repousam, testemunhando o lento passo do tempo, numa terra, hoje, quase abandonada. Realmente, pouco mais de uma centena de pessoas ainda vive em Castelo de Mendo. Por triste que isso pareça, talvez o seu isolamento e desertificação tenham mantido este lugar igual a si próprio. Uma jóia perdida na montanha. As ruas desertas e as casas abandonadas dão-nos uma estranha sensação de intemporalidade.
A freguesia de Castelo de Mendo situa-se na margem esquerda do rio Côa, a cerca de 20 quilómetros da sede do concelho e é constituída pelas povoações de Castelo de Mendo e Paraizal, onde existe um velho e antigo relógio de sol.
A sua história é riquíssima, tendo sido cabeça de um concelho de grande importância, que dominava uma vasta área. O poder de outrora é ainda visível na actual povoação. É hoje uma fortaleza-museu. Vestígios de antigas estradas, cerâmicas e moedas provam a antiga importância da região, mesmo antes da chegada dos romanos, que encontraram aqui um antigo castro bem fortificado.
Castelo MendoNa Reconquista Cristã, Castelo de Mendo foi de crucial importância para a defesa das terras da margem esquerda do Côa. Daí à reconstrução do castelo foi um pequeno passo. D. Sancho II daria carta de foral a Castelo de Mendo em 15 de Março de 1229. Na mesma altura é criada uma feira franca, a realizar três vezes por ano. Foi a primeira feira medieval documentada do país.
Ponto de interesse nesta visita cultural é, o pelourinho manuelino de gaiola e colunelos e a mutilada Igreja Matriz.
A descrição feita por José Saramago em «Viagem a Portugal» não poderia ser mais fiel: «A primeira paragem do dia é em Castelo Mendo. Vista de lado é uma fortaleza, vila toda rodeada de muralhas, com dois torreões na entrada principal. Vista de perto é tudo isto ainda, mais um grande abandono, uma melancolia de cidade morta.
Vila, cidade, aldeia. Não se sabe bem como classificar uma povoação que tudo isto tem e conserva.
O viajante deu uma rápida volta, foi ao antigo tribunal, que na altura estava em restauro e só para mostrar as barrigudas colunas do alpendre, entrou na igreja e saiu, viu o alto pelourinho, e desta vez não foi capaz de dirigir palavra a alguém. Havia velhas sentadas às portas, mas em tão grande tristeza que o viajante deu em sentir embaraços de consciência. Retirou-se, olhou os arruinados berrões que guardam a entrada grande da muralha, e seguiu caminho.»
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Aldeias Históricas de Portugal – Almeida

Estamos em Junho e o Verão que se aproxima, transporta com ele aqueles emigrantes que não esquecem as raízes e dão, por uns meses, vida às povoações que já a não têm.

José MorgadoA eles se juntam outros migrantes internos que residem e fazem vida, principalmente nas zonas metropolitanas de Lisboa e Porto, na mira de lá gozar férias e «carregar baterias», num mar de gente conhecida cheia de afectividades e lembranças, tão diferente do buliço das grandes cidades, onde ninguém se conhece verdadeiramente.
A última crónica de Romeu Bispo, actual provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal cujo titulo sugestivo é «Vistas Largas», leva-me a fazer as seguintes considerações:
1) Em sentido lato, poderemos dizer que o convívio com outros países e culturas, deu aos nossos emigrantes uma visão mais abrangente que àqueles que nunca da terra saíram, mas que mesmo estes sofreram uma forte influência dos mesmos;
2) Já, outros, em termos políticos o seguidismo e fanatismo por ideologias retrógradas, levam-nos a «vistas curtas» ou direccionadas ou, como diz o Kim Tomé, usam palas ou cassetes, nos olhos ou ouvidos, voluntariamente.
3) Em sentido restrito, na minha opinião, tem vistas largas, quem, em termos regionais, não olha só para o seu umbigo, bairro, freguesia ou mesmo concelho;
4) A verdadeira globalização deve começar com parcerias com os nossos vizinhos, criar sinergias e agregar o que nos une e não procurar divisionismos sem sentido.

«Quem visita o vizinho também me pode visitar a mim»
Com o slogan de que «Quem visita o vizinho também me pode visitar a mim», vou iniciar neste espaço um conjunto de informações que julgo úteis para quem quiser espraiar a vista para além da nossa Aldeia Histórica de Sortelha, nomeadamente: Almeida, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto e Trancoso.
Almeida – Considerada Vila Monumental Nacional, foi conquistada por D. Sancho I, que ampliou as suas muralhas. Alvo de constantes ataques por parte dos muçulmanos, voltou a ser destruída, até que em 1190 D. Paio Guterres a tomou definitivamente. Corria o ano de 1926, quando D. Dinis deu a carta de foral aos habitantes e reconstruiu o castelo. No entanto, só um ano mais tarde, com a assinatura do Tratado de Alçañizes entre Portugal e Castela é reconhecida como terra portuguesa. O seu nome vem do árabe e várias teorias tentam explicá-lo. A mais provável é mesmo a tradução de almeida, que significa «mesa» por a povoação se encontrar num planalto. Já segundo a lenda local, o seu nome nasce no facto de na antiga povoação existir uma extraordinária mesa ornamentada com pedras preciosas.
Vila fronteiriça, Almeida é um dos raros exemplares de arquitectura abaluartada do nosso país. Fortificada em forma de estrela de 12 pontas, com muralhas em cantaria, revelins (os baluartes que permitiam a observação do território circundante) portas e casamatas que percorrem os seus 2.500m de perímetro, esta praça-forte foi edificada nos séculos XVII e XVIII, em redor de um castelo medieval – situado num planalto entre o rio Côa e a ribeira dos Tourões –, depois dos espanhóis terem destruído as defesas que protegiam a vila. Palco de várias lutas ao longo dos séculos, Almeida desempenhou um papel relevante na Guerra dos Sete Anos e na 3.ª Invasão Francesa, em 1810, período em que esteve cercada pelas tropas napoleónicas.
No interior da fortificação, vale a pena visitar o conjunto harmonioso do casario e os diversos edifícios religiosos espalhados pelas ruas estreitas. A comunhão da arquitectura militar envolvente com a simplicidade do modo de vida rural é algo que nos seduz. E o seu passado guerreiro é ainda manifesto, não só na fortificação, mas em numerosos edifícios com uma arquitectura simples e robusta.
No interior da fortaleza, é possível pernoitar numa das Pousadas de Portugal – que se encontra num dos extremos da vila, junto à Praça Alta.
Aproveite também a estadia para provar os pratos típicos da região, dos quais se destacam o bacalhau e o cabrito.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Aldeias Históricas apresentam portal na Internet

O portal das Aldeias Históricas de Portugal é inaugurado na terça-feira, 24 de Março, às 16 horas, na cidade da Guarda. As 12 aldeias históricas que incluem Sortelha, no concelho do Sabugal, ganham nova visibilidade na rede da aldeia global.

Aldeia Histórica de SortelhaAs 12 Aldeias Históricas de Portugal vão passar a ter mais um poderoso veiculo de divulgação e promoção. A apresentação do portal das Aldeias Históricas está marcada para o dia 24 de Março, às 16 horas, na Capela do Solar dos Póvoas, na cidade da Guarda.
O Programa das Aldeias Históricas de Portugal é um projecto que aposta na visualização e na «venda das 12 marcas» e é constituído por Sortelha, Almeida, Belmonte, Castelo Novo, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Piódão e Trancoso.
A coordenadora da AIBT-Acções Inovadoras de Dinamização das Aldeias, Maria Isabel Boura, considera que «a valorização de recursos culturais tão diversificados como a paisagem, os lugares, o património construído e o referencial das culturas, tradições e actividades, bem como o envolvimento de múltiplos protagonistas, numa dinâmica local de promoção e desenvolvimento, constituíram o pano de fundo para o lançamento e a consolidação do Programa das Aldeias Históricas».
A cerimónia de lançamento do portal vai contar com a presença de representantes da Comissão da Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), presidentes das Câmaras que integram as Aldeias Históricas (AH), representantes da Guarda Digital e da Ydreams, empresa que criou a página para a Internet.

O presidente da Junta de Freguesia de Sortelha, Luís Paulo, passa a dispor de mais um montra para enviar convites turísticos, até onde a Internet chegue, a potenciais visitantes. Até porque Sortelha não é só a melhor sopa do Mundo…
jcl

PROVERE aprova cinco candidaturas da Guarda

O Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos (PROVERE) que privilegia as potencialidades naturais, património histórico e sabores tradicionais aprovou oito candidaturas da Região Centro. Para o distrito da Guarda foram seleccionadas cinco propostas que passam a ter condições privilegiadas de acesso a fundos comunitários.

Mais CentroO PROVERE seleccionou oito candidaturas da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) ao abrigo do Mais Centro-Programa Operacional Regional do Centro 2007-2013.
O programa comunitário tem como objectivo facilitar o acesso aos fundos comunitários em regiões de baixa densidade populacional através do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) e dos programas de Desenvolvimento Rural e das Pescas com o objectivo de criar emprego e promover projectos de desenvolvimento regional.
As candidaturas da Região Centro apostaram no património natural e cultural, nos recursos termais, nas áreas protegidas e classificadas, nas rotas do judaísmo, nas aldeias históricas, nas aldeias de xisto, na romanização e no Vale do Côa.
Os municípios do distrito da Guarda e da Cova da Beira viram aprovadas cinco candidaturas que permitirão promover actividades de turismo histórico e da natureza.
«Turismo e Património no Vale do Côa» – A Associação de Municípios do Vale do Côa com sede em Vila Nova de Foz Côa e de que fazem parte os municípios do Sabugal, Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, Freixo de Espada a Cinta, Meda, Pinhel, Torres de Moncorvo e Trancoso, candidatou-se com um projecto específico tendo em conta uma estratégia concreta de desenvolvimento. O projecto âncora deste plano é a dinamização do Museu do Côa (Vila Nova de Foz Côa) e redefinição do modelo de negócio do Parque Arqueológico do Vale do Côa igualmente localizado no concelho de Vila Nova de Foz Côa.
«Rede das Aldeias Históricas de Portugal» – A Associação de Desenvolvimento Turístico das Aldeias Históricas (que inclui Sortelha), presidida pelo município de Arganil e com sede em Figueira de Castelo Rodrigo, candidatou-se a um fundo para consolidação da Rede das Aldeias Históricas como produto com potencial relevante ao nível do turismo cultural, turismo de natureza e em espaço rural.
«BuY NATURE – Turismo Sustentável em Áreas Classificadas» – O programa «BuY Nature» da Agência de Desenvolvimento Gardunha 21 vai apostar no património natural das áreas classificadas de montanha da Região Centro mais concretamente a Serra da Malcata, a Serra da Estrela, a Serra da Gardunha e os parques do Douro Internacional e do Tejo Internacional.
«Valorização da Rede Património Judaico» – O projecto de valorização e promoção do vasto património judaico na Beira Interior potenciando o turismo religioso foi apresentado pela Câmara Municipal de Belmonte em parceria com entidades públicas e privadas dos concelhos de Manteigas, Penamacor, Trancoso, Covilhã e Guarda.
«Provere Serra da Estrela» – A candidatura das autarquias de Celorico da Beira, Covilhã, Gouveia, Guarda, Manteigas e Seia destina-se a reter e captar população através do investimento na valorização humana e nas actividades agrícolas e de turismo de natureza.
«Rede das Aldeias de Xisto» – Outro dos projectos que envolve 13 municípios (Góis, Lousã, Arganil, Miranda do Corvo, Pampilhosa da Serra, Penela, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei, Oleiros, Castelo Branco, Vila Velha de Rodão e Fundão), pretende promover a internacionalização turística da Rede das Aldeias de Xisto através de criação de uma agência de viagens e a recuperação das artes e ofícios regionais.
«Caminhos da Água» – A candidatura aposta no termalismo e identifica os recursos hídricos do Baixo Mondego para uma estratégia sustentada de desenvolvimento de toda a região de Dão-Lafões. O objectivo é posicionar a região em segmentos de mercado de elevado valor acrescentado e com procuras internacionais dinâmicas, como o turismo termal, de saúde e bem-estar respeitando os valores ambientais e promovendo a fixação da população e criação de emprego e riqueza.
«Romanização de Sicó» – Este programa tem como área de intervenção o território de Sicó (Alvaiázere, Ansião, Condeixa-a-Nova, Penela, Pombal e Soure) e o foco temático é a Romanização orientado para actividades geradoras de empregos e atractivas do ponto de vista residencial e turístico.

Página da CCDRC – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro actualizada no dia 13 de Agosto de 2008 com as candidaturas oficiais e identificando as Câmaras Municipais participantes: consulte aqui.

O concelho do Sabugal fica, estranhamente, à margem das candidaturas aprovadas para acesso a fundos comunitários de regiões de baixa densidade populacional sem nenhum projecto concreto e directo para a região raiana.
jcl