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António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Um saudoso amigo: Joaquim Silva Nogueira

Já passou um ano, mas ainda estás presente no nosso quotidiano. Recordo a tua serenidade que até me fazia esquecer a doença que te atormentava. Aliás, nem tu próprio a ela te referias ou te lamentavas.

A saudade quando é vivida torna-nos presentes

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Catequese

A catequese é um tema que sempre me preocupou como simples cidadão, independentemente das convicções religiosas que cada um tem. Em todas as religiões há catequese, ensinamento da fé, evitando a ignorância e o analfabetismo. Há pessoas que se dizem muito cultas em matérias profanas, de grandes currículos escolares, mas em termos religiosos são de uma pobreza extrema.

Catequese

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

As crianças

Conheci há tempos a Matilde, poderia chamar-lhe fada, tal é o condão mágico desta criança que nasceu no seio de uma Família de solidariedades, de fraternidades, de hospitalidades, de valores cristãos, sociais e humanos. Uma Família ligada ao Escutismo: pais, tios, filhos, primos e até os avós. Uma Família culta.

As nossas crianças são um tesouro sagrado

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Um encontro «imaginário» no Fundão

No passado fim-de-semana, entre 27 e 30 de abril, realizaram-se no Fundão os Encontros Cinematográficos, na sua Edição n.º 8. «Um remar contra a maré», como disse ao meu amigo António Alves Fernandes, mas que enriquece a nossa Beira. A estória que lhes conto foi o encontro imaginário que tive com Michel Giacometti, um dos homenageados deste ano, tendo a organização apresentado um filme documental deste homem da nossa cultura, «Povo que Canta», na Igreja Matriz de Aldeia de Joanes, onde muitos e muitas protagonistas puderam reviver um passado que, graças a estes registos, não teima em desaparecer.

Encontros Imaginários no Fundão - António José Alçada - Capeia Arraiana

Encontros Imaginários no Fundão

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Aldeia de Joanes – Joaquim José da Silva Nogueira

«O coração do Quim parou de bater» – é a notícia que recebo, ampliada pelas lágrimas de um coração que agora bate por ti.

Eras parente, amigo e companheiro

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

Hoje sou eu o cronista

A propósito da apresentação do livro de António Alves Fernandes, intitulado «O Nosso Homem», em 19 de Março, em Aldeia de Joanes (Fundão), publicamos um texto de António José Alçada.

A mesa na apresentação do livro de António Alves Fernandes

A mesa na apresentação do livro de António Alves Fernandes

Fundão - Capeia Arraiana

O livro de António Alves Fernandes

Casa cheia na Associação Recreativa de Aldeia de Joanes, ontem, dia 19 de Março, dia do pai, para o lançamento do livro «O Nosso Homem», do bismulense radicado na Beira Baixa, António Alves Fernandes. A obra está recheada de histórias e testemunhos de um homem de vida cheia, que também é colaborador assíduo do Capeia Arraiana. Veja uma galeria de imagens (colhidas da página do Facebook das Edições A23) da apresentação da obra literária.

O autor autografando um dos exemplares do livro

O autor autografando um dos exemplares do livro

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

Crónicas de António Alves Fernandes em livro

«O Nosso Homem» é o título do livro que reúne os escritos do bismulense António Alves Fernandes, muitos deles publicados aqui no Capeia Arraiana. A sessão de lançamento decorrerá no dia 19 de Março na Sede da ADCRAJ – Associação Desportiva Cultural e recreativa de Aldeia de Joanes (Fundão).

convite - Livro - O NOSSO HOMEM -

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Aldeia de Joanes – lembranças poéticas

A nossa poetisa nasceu em Aldeia de Joanes, no seio de uma família muito ligada à agricultura. O seu progenitor, Joaquim Francisco Xavier, era conhecido pelo nome de guerra “o Cardona”, grande negociante de bacelos, árvores de fruto e eucaliptos. Tinha para o efeito um grande viveiro.

O «Tó Miau» sapateiro de profissão

O «Tó Miau» sapateiro de profissão

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Um soldado samaritano

Nasceu em Aldeia Nova do Cabo (Fundão), apesar de alguns irmãos terem nascido em Aldeia de Joanes (Quinta da Nave de Baixo) por circunstâncias ligadas às atividades agrícolas dos seus progenitores.

Igreja matriz de Aldeia Nova do Cabo

Igreja matriz de Aldeia Nova do Cabo

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

D. Manuel Felício – onze anos na Diocese

Veio há onze anos do Patriarcado de Lisboa, onde era Bispo-Auxiliar, este jovem Bispo com raízes beirãs, para a Diocese da Guarda. Chegou num dia frio, mas com sol, felizmente não havia nevoeiro. Apesar da baixa temperatura, depressa recebeu o calor humano, o acolhimento da maioria do seu presbitério, dos cristãos das comunidades paroquiais, das gentes da sua Diocese.

D. Manuel Felício

D. Manuel Felício

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

O Núcleo da Cáritas está mais pobre

Vivia-se a faina da vindima, uma manhã ventosa mas quente, nos caminhos da transumância, em que o Sol madrugador surgia das terras castelhanas, iluminando timidamente os cumes a Sul da Gardunha, quando veio a notícia do falecimento do Senhor João Pereira. Já se tinha comentado o seu grave estado de saúde.

João Pereira integrava o Núcleo da Cáritas de Aldeia Nova do Cabo e Aldeia de Joanes

João Pereira integrava o Núcleo da Cáritas de Aldeia Nova do Cabo e Aldeia de Joanes

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Aldeia de Joanes – os caminhos do pão

Aldeia de Joanes, durante o século passado, vivia quase exclusivamente da agricultura, com muita gente assalariada, pequenos e médios agricultores. No entanto, existia meia dúzia de grandes proprietários, situados a norte. A sul sempre esteve a encantadora Serra da Gardunha, com as suas pequenas colinas, mais vocacionadas para a plantação de pomares, principalmente de cerejeiras.

Recriação da ceifa do pão em Aldeia de Joanes (Fundão)

Recriação da ceifa do pão em Aldeia de Joanes (Fundão)

O Escutismo em Aldeia de Joanes

Tudo na vida tem estórias, tem princípio e princípios e qualquer obra necessita de alicerces e projetos.

O Escutismo em Aldeia de Joanes nasceu de uma pequena semente, lançada por dois irmãos, Chefes de Escuteiros da Região de Setúbal, Francisco Alves Monteiro, autor do livro «História do Escutismo em Setúbal e na sua Região» e agraciado com o Colar Nuno Álvares e Joaquim Alves Fernandes soldador voluntário do Monumento do Centenário do Escutismo, em inox refratário, projetado pelo Arquiteto Amaral, Escuteiro do Agrupamento 484 da Anunciada, inaugurado no Parque do Bonfim, na Cidade do Sado. Estes Chefes já tinham realizado muitos acampamentos na Região do Fundão e em Aldeia de Joanes e verificado o grande número de crianças e jovens nesta Freguesia de Aldeia de Joanes, que necessitam de um projeto escutista.
Residia aqui um seu familiar, que também tinha sido Escuteiro em Setúbal, desempenhando inclusive as funções de Tesoureiro no Clã Nº1, do Agrupamento nº 62 da Ordem Terceira.
Em Castelo Branco teve dois filhos Escuteiros no Agrupamento 160, onde fizeram as Promessas de Lobitos. Por divergências causadas por dirigentes e assistentes, esse agrupamento foi suspenso, tendo os Pais, onde se incluía, criado o Grupo 67 da AEP. Por decisão da Assembleia Geral de 21/3/1986, foi-lhe atribuído o título de Sócio Honorário pelos relevantes serviços prestados.
Por decisão do Chefe Nacional Victor Faria em 14/6/1993, é-lhe concedido o Diploma de Mérito pelos serviços prestados ao CNE, particularmente aos Agrupamentos da Região de Setúbal do CNE.
Muitos outros Agrupamentos da Região de Setúbal lhe manifestaram a gratidão pelo apoio que sempre lhes dispensou.
Por aqui se percebe que este seu irmão escuteiro, com tantos incentivos e com tanta matéria-prima, pouco ou nada aproveitada, decidiu conversar com o Pároco para a possibilidade da fundação de um Agrupamento de Escuteiros em Aldeia de Joanes. Verifiquei desde a primeira hora uma apatia e censura à ideia. Com um beco sem saída, em Setembro de 2005, aconselhado por um Dirigente Nacional do CNE., escrevi uma carta ao Chefe Regional da Região da Guarda, sediada na Covilhã. Nessa missiva, pedia uma análise e uma apreciação, para a fundação de um agrupamento do CNE, na Paróquia de Aldeia de Joanes, motivada pela situação geográfica desta Freguesia, aumento da população, com muitas crianças e jovens ali residentes. Solicitava uma reunião que apontava diversos locais, inclusive a sua casa, com a presença do Pároco, do Chefe Regional, do Dirigente Luís Fernando Pereira.
A Chefia Regional, pelo ofício nº 177/05 de 10 de Outubro de 2005, chega a resposta, com oportunas condições, sobre a formação de um agrupamento do CNE, «sendo a principal a aceitação do Pároco», para o qual remeteram expediente.
Terminavam a carta informando-o que «a sua proposta tinha merecido muita estima, alegria e apoio», pedindo uma reunião com o Pároco para aquele fim, que nunca se concretizou, e das cartas não lhes conheço qualquer resposta.
Passam-se dois anos sem o processo avançar e alguém com vontade de este assunto entrar no rol de total esquecimento.
Perante este impasse, algumas vezes foi abordado para se criar um grupo da AEP em Aldeia de Joanes, mas não manifestei disponibilidades, apesar de receber apoio em todos os aspetos.
Com a chegada à Diocese da Guarda de D. Manuel Felício, e já com mais apoios administrativos e técnicos, foi lançada a ideia a este Bispo, e com a sua dinâmica e esforços, a obra começou a ser desenhada.
Assim, dá os primeiros passos, esta grande escola da formação da juventude em Aldeia de Joanes. Decorre um processo de inscrição de dirigentes e elementos. Na ordem de serviço nº 566 de 31 de Outubro de 2008, está oficializado o Agrupamento em Formação de Aldeia de Joanes, que depois de formado recebe o número oficial de 1335. O sonho era uma realidade, para a felicidade de muitos jovens escuteiros, dirigentes e pais.
Em 4 de Outubro de 2008, tomou posse o Dirigente Luís Fernando Santos Pereira – 8409000607004-, o Chefe Adjunto Nuno Paulo Duarte Rocha – 7709000120001-, e foi nomeado pela competente entidade eclesiástica um Assistente do Agrupamento, o Diácono Francisco da Cruz Lambelho – 0809001335002.
No dia 30 de Maio de 2009, há três anos, com a presença do Assistente Padre José Manuel Dias Figueiredo, Chefe Regional António Bento Duarte, do Presidente da Junta de Freguesia António Albino Sousa Carvalho e do Vice-Presidente da Câmara Municipal do Fundão, Dr. Paulo Fernandes, também Escuteiro, realizou-se O Dia das Promessas, onde quem é investido nunca mais o esquece.
Começou a Cerimónia com a Investidura do Dirigente Francisco Lambelho.

Da Alcateia nº 42 do Agrupamento 1335 de Aldeia de Joanes, fizeram a sua Promessa:
Adriana Ramos Pereira, Ana Carolina Martins Carvalho, André Santos Gomes, Beatriz Barata Pereira, Beatriz Marcelo Ramos, Bruno Gonçalves Marques, Diogo Alexandre Cardona, Duarte Dias Encarnação, Duarte Gonçalves Antunes, Eduardo Miguel Trindade Saraiva, Elodie Campos Mesquita, Fernando José Mateus Marcelo, Filipe José Dinis Domingues, Gonçalo Costa Duarte, Gonçalo Nogueira Costa, Guilherme Martins Lourenço, Henrique José Morgado Duarte da Silva, Inês Maria Mota Bonifácio, Joana Gonçalves Pires, Joana Raquel Batista Veríssimo, João Miguel Patrocínio Bastos, Leonor Dinis Domingos, Margarida Freire Rodrigues, Mariana Rodrigues Lambelho, Pedro Miguel Almeida Penetra, Pedro Miguel Santos Rocha,

Investidura e promessas do Grupo Explorador nº 43:
Alexandra Nunes Roxo, Ana Carolina Morgado Duarte da Silva, André Gonçalo Batista Veríssimo, André Manuel Patrocínio Bastos, Beatriz Maria Dias Encarnação, Bruna Filipa Brito Neves, Cyril Soares Campos, Diogo Marques Pires, Eugénia Morgadinho Martins, João Diogo Cruz Ponciano, João Pedro Marques Esteves , Jorge Miguel Marques Esteves, Rodrigo Monteiro Lambelho, Manuel João Monteiro Barbosa, Marta Isabel Pinheiro Lambelho, Nuno Miguel Freire Rodrigues, Patrícia Isabel de Brito, Rodrigo Monteiro Lambelho Proença, Tiago Gonçalves Marques

Investidura e promessa de caminheiras:
Mariana Gomes da Costa

Foram todos estes heróis os primeiros obreiros, que reconheceram em Aldeia de Joanes, numa festa de partilha e amizade, que o Movimento Mundial Escutista é uma Fraternidade sem fronteiras e que ao dar os primeiros passos para essa Fraternidade, são irmãos e amigos de todos os Escuteiros do Mundo. São os servidores de Deus, da Igreja, da Pátria, do amor à Natureza.
Não ficais esquecidos, vós que tendes aqui o vosso nome gravado, ficais na História do Escutismo em Aldeia de Joanes, esperando que os mais velhos, os mais responsáveis, agarrem neste bebé de três anos a merecer todos os cuidados e atenções. Se esta pequenina criança for abandonada, ninguém tem perdão…Está ali um bom viveiro. Que todos os responsáveis alimentem a CHAMA VIVA… desta Juventude Escutista.
Parabéns a todos os Escuteiros de Agrupamento 1335 de Aldeia de Joanes. Longa e feliz vida, que os presentes e vindouros escrevem a HISTÓRIA.
António Alves Fernandes, Aldeia de Joanes

Encontro da Escola Apostólica de Cristo Rei

Como está agendado há muitos anos, no último sábado do mês de Junho decorre em Gouveia o Encontro dos Antigos Alunos. Assim aconteceu nesta data o vigésimo sétimo evento, com a particularidade de se verificar a presença de muitos alunos das últimas décadas do século passado. Alguns participaram com algum sacrifício, por se encontrarem desempregados, enquanto a velha guarda já se encontra aposentada. Espera-se que este facto seja uma alavanca para nos próximos encontros surgirem os mais novos.

Também é significativo a Assembleia Geral ter eleito para os corpos sociais um elenco diretivo jovem, que vai contar com o apoio incondicional das anteriores direções.
Na Eucaristia, o Padre José Cristino, coadjuvado pelo Padre Carlos Jacob, falou da sua experiência como assistente hospitalar, em que os valores humanos e espirituais de muitos doentes se vêm nos momentos mais críticos e se necessita tanto da Fé como suporte para vencer as dificuldades. Nesta Casa também se ensinaram esses valores a mais de mil alunos que passaram pelos bancos das salas de aulas e por esta capela.
O almoço, servido no refeitório que nos é tão familiar, foi um importante momento para trocarmos conhecimentos e alicerçar amizades. Foi oportunidade para ouvir alguns alunos sobre as motivações que os conduziram a este convívio.
Assim, António Jacinto Fonseca de Freches (Trancoso, 1966-1969) afirmou que «o fundo deste encontro é a amizade e a formação para a vida. Aqui, passámos um dos melhores períodos da nossa juventude. Aqui, aprendemos vivências. Temos de ser solidários para esta Obra, principalmente neste período complicado».
José Lazaro de Fiães (Trancoso, 1972-1974) escreveu, embora tenha passado por esta Casa pouco tempo, que este «foi um local onde encontrei um abrigo, graças ao Padre Cristino. Soube de Encontro através do Facebook. Não podia faltar, não só para agradecer, mas também para conviver. A esta Casa devo muito como pessoa e cidadão. Obrigado.»
Manuel Cabral, de Cubos (Mangualde, 1990-1994), diz que vem «para encontrar velhos amigos e principalmente conhecer os alunos que nos antecederam».
José Barros Figueiredo de Cabanas de Viriato (1960-1966), afirma que vem «para reencontrar amigos. Também não esqueço que foi aqui o princípio da formação como homem».
Ricardo Lacerda, de Torre de Moncorvo, 1996, diz que está aqui «para reviver e confraternizar com os amigos».
António José Dias dos Santos de Aldeia de S. Sebastião (Almeida,1966-1974), afirma que «este encontro é algo que nos liga, que nos une muito a esta Casa, que é um pouco de nós. Proporciona-nos ver antigos companheiros de estudo e devemos manifestar a nossa gratidão».
Pedro Costa, de Seia (1995-2000), diz que «este encontro é um reencontro».
José Fonseca de Fornotelheiro (Celorico da Beira, 1966-1971) veio para «ver a malta e conviver».
A tarde foi ocupada num jogo de futebol entre as Velhas Glórias da Escola Apostólica de Cristo Rei, arbitrado por um juiz estrangeiro.
A tarde aproximava-se do fim. Tivemos mais uma jornada de convivência, de saudade e de recordações. Numa troca de abraços fraternos íamos partindo enquanto decorria o lanche-convívio. Lançávamos os últimos olhares para a exposição e álbuns fotográficos, onde cada um de nós tinha ali a sua história, uma história coletiva.
António Alves Fernandes, Aldeia de Joanes

Vivências e olhares albicastrenses

Vivi e trabalhei mais de um quarto de século na harmoniosa, acolhedora e plana cidade fundada pelos Templários. Assim, criaram-se e cimentaram-se amizades, por cada esquina ou rua encontram-se amigos e conhecidos.

Com o cordão umbilical ligado a esses factos e às ex-actividades profissionais, que foram também de missão, quase todas as semanas me desloco de Aldeia de Joanes (Fundão) até Castelo Branco. É uma visita de efemérides, de recordações, uma romagem de saudade.
Não é possível esquecer a cidade onde nascem os nossos filhos e crescem com todas as valências sociais, religiosas, culturais, educativas e de tempos livres, num crescimento total.
Na última semana de Março, num dia de calor fora do normal para a época, com a pluviosidade ausente há muitos meses, e com preces para que chegue mais depressa à nossa moribunda agricultura, desloco-me à capital do distrito.
Logo que chego vou à Padaria para os lados dos Três Globos, que fabrica um pão de água gostoso e guloso e muita doçaria.
No caminho para o Oculista, a fim de resolver um aperto dos óculos, vejo em várias montras do comércio local um logotipo interessante, comemorativo do centésimo aniversário da Associação Industrial e Comercial de Castelo Branco, e concordo plenamente com o letreiro: «se não quer que o seu dinheiro vá para o Estrangeiro, faça as compras no comércio de proximidade».
Encontro no seu posto de trabalho uma Mulher, amiga, esposa e mãe. Está bonita! Com o pensamento nestes tempos quaresmais fez a sua Via Dolorosa. Há tempos, de um dia para o outro, foi-lhe diagnosticado um cancro. Começou a sua Via Cruxis. Diz-me: «naquele momento, estremeci, fiquei baralhada, revoltada. Passei por todos os tratamentos, foram meses infindáveis de sofrimento, de dor a vários níveis. Posso dizer que tive duas vidas: uma antes do cancro e outra depois. Agora abro a janela a cada manhã, com um profundo sentimento de gratidão, por mais um dia! Regressei definitivamente ao meu trabalho, rejuvenesci, cresceu-me o cabelo, estou elegante». E continua com as suas palavras de fé e esperança: «parece um absurdo, mas hoje posso dizer que o cancro fez com que a minha vida ganhasse um sentido completamente novo. Aprendi a dar mais sentido à vida e principalmente a Deus». Abençoada conversa com esta mulher, que ultrapassou as fronteiras do sofrimento, da dor, do desespero e da revolta. Hoje é uma MULHER NOVA, numa Páscoa que liturgicamente está a chegar.
Propus-lhe que falasse com uma familiar, também a sofrer destes problemas, para lhe transmitir palavras de esperança e de futuro, mas não estava do outro lado da linha telefónica.
Cruzo-me com um dos mais engenhosos serralheiros mecânicos do mundo, que a descolonização «exemplar», eu direi vergonhosa, forçou a sair de Angola e a regressar às suas origens – Castelo Branco. Está revoltado por tudo o que se passa na área política e sente-se injustiçado por todos os motivos. Recordei-lhe a arte de tocar harmónio com o nariz, esclarecendo-me que foi vocalista com a irmã Laurinda Silva e com Marco Teixeira na Orquestra Típica Albicastrense, fundada em 1957 pela Acordeonista Eugénia Lima em colaboração com um grupo de Albicastrenses.
Dirijo-me à Moderna Biblioteca, sita no antigo Quartel de Cavalaria, onde o meu conterrâneo Padre Carlos Moita Leal foi Capelão Militar. Antes piso as lajes graníticas gastas na porta de armas. Ali, bem preservada, lá se encontra uma colecção valiosa de painéis da azulejaria portuguesa, que aconselho uma visita, com temática militar: a marcha de guerra, o volteiro, posto à cossaca, teoria, limpeza dos solípedes, juramento de bandeira e licenciamento.
Na Biblioteca Municipal encontro os leitores assíduos. É o lugar por excelência onde todos tomamos conhecimento das últimas notícias e colocamos a leitura em dia.
Regresso ao Fundão com saudades de voltar sempre à Cidade dos Monges ou Guerreiros Templários, que nas ameias do Castelo andavam vestidos de branco.
António Alves FernandesAldeia de Joanes

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Conversas e encontros no mercado do Fundão

Ir ao mercado foi um acontecimento que me fascinou desde criança. Na minha terra natal, Bismula, concelho do Sabugal, no fim de cada mês realizava-se este evento comercial, onde o meu irmão Manuel José Fernandes vendia todos os melões do meloal, propriedade do meu pai, enquanto o meu irmão Francisco Alves Monteiro vendia pão espanhol, que era muito apreciado naquela zona raiana.