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Por Terras de D. Dinis - Maria Máxima Vaz - © Capeia Arraiana

D. Dinis assina acordo na Guarda em 1295

Todo o processo que diz respeito à posse das terras de Ribacoa está relacionado com a conjuntura política no reino de Castela, que já englobava o reino de Leão no tempo de Afonso X o Sábio. O acordo entre D. Dinis, o infante D. João e os representantes da rainha Maria de Molina que resultaria no Tratado de Alcanises foi assinado na cidade da Guarda a 6 de Setembro de 1295.

Monumento Tratado Alcanices - Capeia Arraiana

Monumento comemorativo do Tratado de Alcanices

O Rio Côa e a sua nascente

O rio Côa nasce na Serra das Mesas, no limite dos Fóios (Sabugal-Guarda), percorre 130 quilómetros até desaguar, na margem esquerda do rio Douro em Vila Nova de Foz Côa (Guarda), correndo de Sul para Norte. Não confundir o seu nome com outro rio português, o Alcôa, que nasce em Chiqueda (Alcobaça), e a sete quilómetros em Alcobaça, junta-se ao rio Baça, desaguando no mar, perto da Nazaré.

José MorgadoMas ao longo dos tempos, nem sempre o seu nome e localização exacta da sua nascente eram correctamente referidos, havendo várias versões.
Quando D. Dinis, confirmou o Foral do Sabugal, como consequência do Tratado de Alcanizes, esse actos registrais, não se tornaram de um momento para o outro do domínio público, pois o povo nas suas igrejas matrizes continuavam a ouvir párocos que dependiam do bispo de Ciudad Rodrigo a cuja jurisdição continuavam a pertencer, até aos princípios do Século XV.
As populações locais por onde o Côa passa só sabiam que a «rebera», como era conhecido o Côa, vem dali e corre para acolá e não um curso de água com principio, meio e fim. «Reberas», muitas, cada aldeia tinha a sua.Só os letrados, eventualmente, conheciam o percurso na generalidade. Para a cultura popular era a «rebera» de Vale de Espinho, «rebera» de Quadrazais, a «rebera» do Sabugal e por aí em diante até á foz, conhecendo assim só fragmentos do rio que correspondiam ao leito do rio, que passava no seu limite.
Os nomes relativos aos cursos de água eram do género feminino e ainda hoje na língua francesa esse arcaísmo persiste, pois o rio Sena, para eles ainda é a Sena.
Por outro lado, dizer «rio Côa ou ribeira Côa» é uma redundância, porque é o mesmo que dizer «ribeira-ribeira», pois «coda» ou Côa, já significa ribeira, caudal e os romanos chamavam-lhe «cuda».
Actualmente é inquestionável dizer rio Côa, mas é repetitivo, pois Côa continua a significar ribeira ou caudal.
O rio Côa, no decurso dos tempos, serviu de «fosso» entre ribacudanos (os da margem direita) e os transcudanos (os da margem esquerda), nos períodos tribais e através da Reconquista, serviu de Raia, entre o Reino Leonês e o Reino de Portugal e finalmente de «fosso» também ao Castelo de Sabugal.
Relativamente á nascente do Côa, alguns geógrafos civis e militares, como Duarte Nunes de Leão e Bernardo de Brito, colocam a sua nascente, junto de Alfaiates e António Brandão e outros eruditos, ao definirem o território de Riba-Cõa, escrevem: «Uma língua de terra de quinze léguas de comprido e de largo quatro, aonde tem mais largura.Está lançada de norte a sul, e cingida da parte de Portugal com o rio Côa, que tendo um nascimento na serra da Xalma, que é uma parte da serra da Gata, faz uma entrada em Portugal, pelos lugares de Fologozinho (erro:quereria dizer, talvez Fojinho), Vale de Espinho e Quadrazais, donde se avizinha de Sabugal, primeira vila acastelada desta comarca».
Num manuscrito de Brás Garcia de Mascarenhas, ilustre escritor e militar: «O Côa desce pelos lugares de Foginho, Vale de Espinho, Quadrazais e Sabugal, que lhe fica a leste» No Século XVII, Fóios era vulgarmente conhecido por Fojinhos e situa-se com rigor a nascente do Côa na Nave Molhada (no Lameiro dos Lourenços ou Curral das Moreiras) e na sua vertente portuguesa. (Continua.)
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Avivar memórias adormecidas

Respondendo a um desafio feito pelo José Carlos Lages e pelo Paulo Leitão inicio hoje a minha colaboração no blogue «Capeia Arraiana» assinando o «Largo de Alcanizes».

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Devo começar por referir desconhecer a existência deste blogue, até há relativamente pouco tempo. A minha participação nas últimas eleições autárquicas, para além de liderar um projecto político com o qual me identifico e acredito, foi do ponto de vista pessoal importante. Importante pela descoberta de algumas coisas (este blogue por exemplo) e pela redescoberta do sentir e da vivência sabugalense ou simplesmente pelo avivar de memórias adormecidas.
E por considerar a existência deste espaço, como espaço livre de partilha seja de memórias ou opiniões e ser catalisador do encontro de sabugalenses independentemente de viverem no Sabugal, aceitei colaborar nele.
Agora que aceitei em frente do computador tento escrever. Não sendo guarda-rede, nem estando sem emprego só me lembra do título do livro «angústia do guarda-rede antes do penalty», de Peter Handek, depois adaptado ao cinema por Wim Wenders.
Angústia por não saber sobre que escrever, angústia pelo medo de não saber dar coerência e continuidade às crónicas a enviar. Contudo, porque a dureza do granito me faz lembrar que os medos só são ultrapassados com coragem e determinação, procurei um nome – sim porque tudo tem um nome – e encontrei. As crónicas passarão a chamar-se «Largo de Alcanizes» e nelas escreverei memórias (quando do colectivo se tratarem), opiniões, críticas. Escreverei sobre o Sabugal – suas gentes, suas terras, suas riquezas e pobrezas. Escreverei sobre o mundo, sobre a política sobre leituras e cinema, sobre a vida e a morte. Sobre a terra e os céus, deuses e demónios, porque afinal escrever não tem que ser um acto de coerência temática.
«Largo de Alcanizes» – largo onde nasci e me transporta a uma infância e adolescência com cheiros e sabores tão próprios do Sabugal.
«Largo de Alcanizes» – largo onde o adulto regressa e onde nas férias, nas noites quentes de verão tenta, com os filhos, reproduzir jogos e brincadeiras do seu tempo de criança e adolescente, tentando esquecer por minutos, que as playstations e os computadores existem e que as motivações e interesses das crianças e adolescentes de hoje, podem não ser os interesses de outros tempos.
«Largo de Alcanizes» – largo, cuja toponímia nos faz recordar que já pertencemos a Castela e nos tempos globais que hoje vivemos, nos faz reflectir sobre os nacionalismos, os povos e as nações.
Tantos assuntos, afinal, para explorar.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Para o José Manuel Monteiro, candidato da CDU à presidência da Câmara Municipal do Sabugal nas últimas eleições autárquicas, as nossas boas-vindas ao espaço de opinião do Capeia Arraiana. É mais um sabugalense que, embora não vivendo todos os dias no concelho, se disponibiliza para contribuir com as suas ideias para um futuro melhor das nossas terras.
jcl e plb

Análise de documento de Santa Maria de Aguiar

A margem direita do Côa só foi «de jure» encorporada em Portugal após o tratado de Alcanizes.