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António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

A Imoralidade da moderna economia

Bruxelas aplicou uma multa de 1.000 milhões de euros a cinco bancos por uma série de vigarices que punham em causa a economia e os consumidores europeus, noticia vinda na comunicação social.

The Godfather (O Padrinho). Filme mítico realizado por Francis Ford Coppola - Capeia Arraiana

The Godfather (O Padrinho). Filme mítico realizado por Francis Ford Coppola

Retorno económico de políticas arriscadas

A economia mundial bateu no fundo e necessita renascer das cinzas com novos conceitos e novos protagonistas. A especulação e a incompetência financeira privada deram lugar a balões de oxigénio dos governos. Por outro lado o concelho do Sabugal não pode ser deixado à deriva com ideias avulsas de promoção turística. Todas as iniciativas que tragam visitantes ao concelho devem ser acarinhadas e aplaudidas. Falta saber e perceber se o retorno é apenas a utilização das casas de banho e o lixo depositado nos caixotes.

Roulote no Largo do Castelo do SabugalA economia está na ordem do dia. A minha vida académica obrigou-me a «encaixotar» (leia-se «ler do princípio ao fim de forma enviesada») o livro de referência «Economia» de Paul Samuelson proposto para a cadeira de economia política. Curiosamente a mais recente edição (já vai na 17.ª) abre no capítulo 1 com os fundamentos da economia e com uma introdução intitulada «Por quem os sinos tocam».
Sem me querer alongar nestas áreas da economia mais ao jeito do meu amigo Paulo Leitão não posso deixar de ser solidário com as preocupações dos nossos dias. Considero que um dos grandes responsáveis a que isto chegou dá pelo nome de Alan Grenspan, judeu de origens húngaras nascido em Nova Iorque e durante quase duas décadas presidente da Reserva Federal Americana. A personalidade veio agora dizer que talvez tenha agido e analisado mal os mercados livres mas… «a sua culpa vai resumir-se a pouco mais do que isso».
Preocupante e inquietante é que os mesmos especialistas (?) económicos pagos a peso de ouro que levaram a especulações monstruosas e ao descalabro são os mesmos que agora nos querem apresentar soluções.
Preocupante e inquietante é o Presidente da República, Cavaco Silva, ter demorado apenas meia-hora a aprovar um monstruoso balão de oxigénio aos principais bancos privados. Nos Estados Unidos e na Inglaterra o Estado nacionalizou e responsabilizou os anteriores administradores pelos danos causados. Em Portugal os bancos privatizam o Estado português e recebem garantias para continuar… no bom caminho (?!?) quando nos diziam que não havia dinheiro para investimentos públicos que relançassem a economia nacional (aconselho a leitura da crónica de José Robalo sobre o assunto).
Mas na economia há muitos monstros sagrados. Vou referir Adam Smith, considerado por muitos o pai da economia moderna e o mais conhecido teórico do liberalismo económico que defendeu que a riqueza das nações resultava da iniciativa privada. A aposta em projectos comerciais que movidos pelo seu próprio interesse promoviam o crescimento económico e a inovação contribuindo para a promoção local, regional e nacional. A economia é uma distribuição com virtude. A virtude não está em poupar mas em escolher os investimentos certos contrariando os defensores do aforrismo e a relação de poupança com o dinheiro. A sabedoria empregue ao gastá-lo é mais importante do que o dinheiro gasto.
Fica contudo, para mim que não sou economista nem investidor na bolsa, uma dúvida de leigo. Para que servem as Bolsas. Se fechassem todas as Bolsas do Mundo o que perdiamos? O que perdiam os cidadãos deste planeta chamado Terra que sobrevivem com um euro por dia? Responda quem souber porque, eu cá, fechava-as a todas. Ponto final parágrafo.

Economia é investimento com sabedoria
Passou este fim-de-semana pelo concelho do Sabugal o BMW X Experience com o patrocinio da marca e os apoios do Governo Civil da Guarda e das Câmaras Municipais do Sabugal, Guarda, Penamacor e do Ayuntamiento de Ciudad Rodrigo. Estamos todos de acordo que as iniciativas privadas podem e devem definir a logística do seu evento. Ninguém tem nada com isso. E todas as iniciativas que passam pelo concelho do Sabugal são bem-vindas. Mas…
A caravana da concentração visitou o Castelo do Sabugal com entrada gratuita, utilizou energia eléctrica das instalações do município e… trouxe uma carinha (tipo roulote das bifanas das feiras) que estacionou junto ao monumento para servir os participantes.
Acredito que a dita carrinha funcionou num espaço público, com seguro, com licença paga ao município e com as devidas autorizações superiores dos serviços camarários.
Mas não posso deixar de me questionar sobre aspectos fundamentais. Uma concentração que utiliza equipamentos sociais e turísticos à borla, que não pernoita, que traz consigo catering (a pagar?) com comida, bebidas e café aproveita a quem? E o respeito que merecem os investimentos privados locais que pagam impostos, licenças e defendem durante todo o ano a imagem do sabugal e do seu património? Impõem-se justificações e esclarecimentos porque este modo de actuação colide frontalmente com as conclusões e objectivos do recente colóquio «Jornadas Raianas sobre o Turismo» que decorreu no Auditório Municipal. Ou tudo não passou de uma encenação arquivada quando terminaram as jornadas.
Que raio de promoção é esta do Sabugal e do seu potencial turístico que não parece passar de acontecimentos avulsos e sem nenhum enquadramento estratégico. Também a nível local a economia resulta de investimentos com sabedoria e retorno.
As respostas e justificações por mais bem elaboradas que sejam não podem nunca deixar de explicar qual o retorno que os responsáveis camarários entendem ter recebido deste evento onde os participantes se limitaram a usar as casas-de-banho e a deixar o lixo no Sabugal.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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