Category Archives: Terras do Jarmelo

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Sério desconforto

Era um dia deste mês de novembro adornado de chuva miudinha. O tempo já havia substituído as sombras rendilhadas, desenhadas no chão pelos ramos das árvores.

Pedinte sentada no passeio

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Que Deus a mande…

Adensava-se a escuridão e o Francisco fazia papel de estátua à porta de sua casa. O seu olhar de pássaro assustado fiscalizava a passagem das chamas.

Está mesmo a chover?

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Outono – nem perda nem declínio

Seguia o final da tarde sob um sol pouco comum em outubro. As sombras cresciam propiciando conforto a quem povoava a urbanidade da esplanada. À mesa, alguns amigos, bebericávamos enquanto degustávamos atualidades.

O outono estava ali

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Já rareiam as vindimas

É inevitável a mudança dos tempos. Na minha aldeia, há escassas décadas, a vindima era uma festa que transbordava de gente. Foram passando os anos, foram minguando as pessoas e até as vinhas já são menos.

Hoje em dia já rareiam vindimadores e vindimas

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Surrealismo na CP

Andei uns dias a pensar se queria ou não escrever isto. Hoje, passado algum tempo e, moderado o ímpeto inicial de protesto, julguei obtida serenidade bastante para falar sobre a inconcebível ocorrência. O caso não foi diretamente comigo mas implicou-me de certa forma.

Atrasos nos comboios

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Lazeres

Vou já em vários dias de férias. Tenho, sobretudo, descansado o olhar num oceano rumoroso que me vem segredando ao ouvido e me tem assoberbado a alma. Um mar que, ao longe, beija o céu num tocar cintilante e movediço.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Mido – Festa de S. Roque

Alteia-se-me, perante o olhar, a encosta que, do lado direito, margeia o Côa. Estamos em meados de agosto. A semana já vai a meio e a romaria espalha-se na elevação.

Festa de São Roque – procissão

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Apreensivos!

Foram excessivas as desditas deste findo mês de julho. Após o inferno de chamas que o consumiu, exuberou a tristeza cálida das cinzas.

O chão semiapagado ainda gera polémica

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Ciclo do tempo

Existiu, sim, o meu reino encantado. E não se tratou, apenas, de um qualquer conto de fadas porque o meu reino foi muito mais que isso. Chega-me, agora, sob forma de lembrança fazendo-me recordar a infância, avivando-me saudades. Guardo esse memorial como se de um pequeno tesouro se tratasse.

Jogos do meu tempo cairam em desuso - Fernando Capelo - Capeia Arraiana

Caíram em desuso os jogos do meu tempo

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Tarde demais

Têm sido de fulgurante escaldo os dias de junho que ora finda. O mês tem ardido numa escalada enegrecida como se fosse do inferno o fogo que o tem queimado. O incêndio ceifou dezenas de vidas em Pedrogão Grande e escureceu o país inteiro. Portugal foi varrido por um enorme sentimento de perda. O desespero, a aflição e a agonia tomaram conta de nós. Será, pois, difícil esquecer a catástrofe assim como não vai ser fácil apagar o tom negro das almas e das paisagens. Assumo, portanto, o desconsolo que me assiste no momento em que aqui venho cumprir esta crónica.

Nem tudo é reversível e há males impossíveis de remediar

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Sentir o tempo

Chegam-nos quotidianos de uma primavera envergonhada que se estampa em dias cheios. Tem surgido ténue um sol desejado, morno e matinal que não estanca o transbordar das tarefas.

Marco geodésico do Jarmelo

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Fazia-nos falta

Não sou, ou melhor, não tenho sido muito de festivais. Longe vai o tempo em que me reunia com jovens da minha idade para, frente ao ecrã, assistir ao Festival da Canção. Nessa altura o festival constituía, para nós, um verdadeiro acontecimento.

Salvador fez voltar a música ao sentimento

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O mesmo mundo visto de outro lado

É de sempre este meu hábito de encarar a paisagem subjetivando-a e adaptando-a ao meu olhar. Ainda catraio, corria para subir aos cômaros e, de lá, confirmava a aldeia que se expunha, solarenga, medrando encosta abaixo. De garoto, escalava a colina até à capelinha de Santa Bárbara e, de lá, observava delimitando o meu pequeno mundo.

Cidade de Pinhel

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Um Demo algo mitigado

O sol ainda cheirava a Páscoa oferecendo-se festivo. A saída deu-se quando a manhã ultrapassava as nove horas. A convite de uns amigos tínhamos decidido revisitar as Terras do Demo.

Carregal - casa onde nasceu Aquilino Ribeiro

Carregal – casa onde nasceu Aquilino Ribeiro

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Quando a gratidão caprichava

A manhã nascia mimoseada por um arzinho fresco e extemporâneo. O nevoeiro sobrava da madrugada e prometia humedecer o início do dia, em princípios de primavera.

Na urbanidade do café ainda escasseavam clientes

Na urbanidade do café ainda escasseavam clientes

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O homem merecia!

O Zé integrava a petizada fervilhante da escola primária da minha aldeia há mais de quatro décadas. Oriundo de família numerosa e abastada, cedo sobressaiu tanto pela traquinice como pela sapiência curricular.

Estórias contadas no regresso à aldeia

Estórias contadas no regresso à aldeia

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Sabor das palavras que contam

Neste interior encostado à Estrela a primavera tem-se feito anunciar em períodos revezados de três dias. Nos três dias de carnaval a chuva entremeou-se com sol. Seguiram-se mais três dias de neve que precederam outros tantos de sol que alternaram com mais três de chuva até chegar ao dia de hoje em que um sol que foi de quase verão ameaça ser substituído pela inoportunidade da chuva tardia ou, quiçá, pela extemporaneidade da neve às portas da primavera.

O chão contiguo da Serra, onde a natureza se renova

O chão contiguo da Serra, onde a natureza se renova

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Singularidades das lojas tradicionais

Rareiam, já, as lojas antigas cujo negócio pertenceu à mesma família em sucessivas gerações. Dir-se-ia que eram supermercados d’outrora onde se podia comprar tudo, desde utensílios a roupas, flores, café ou rebuçados. Ao lado de fechaduras, parafusos, mantas ou casacos, pululavam produtos da mais genuína agricultura biológica que, hoje, a pressa do lucro, vai ofuscando.

Loja tradicional

Loja tradicional

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Arrogância «trumpesiana»

Longe de análises perfeitas vou observando, escrevendo, emitindo opiniões. Ter convicções é quase existir.

A atitude de alguém perante o poder define o seu carácter

A atitude de alguém perante o poder define o seu carácter

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Enorme desilusão!

A utopia é como a ficção. É a procura do que não existe. Mas, se houver sonho já há alguma coisa.

Refugiados na Hungria

Refugiados na Hungria

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Pouco mais que nada

Não prescindo de alguns momentos diários no início de cada tarde, sentado entre amigos à mesa do café, acicatando com o sabor quente de uma bica, o prazer de pequenas tertúlias.

À volta da mesa partilhamos conversas por entre amizades autenticas

À volta da mesa partilhamos conversas por entre amizades autenticas

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Falo só por mim!

Passado o Natal, com a aproximação da Passagem do Ano, ressurgem balanços e liberam-se vontades de expurgar o que de menos bom ocorreu no ano que finda.

Terras do Jarmelo

Terras do Jarmelo

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Já me enfastiam!

Há, por aí, de tudo. Há bons, maus, vulgares e também há os “irritantes” que são de uma guisa distinta. Ostentam pose pouco discreta. Surgem exuberantes, bem trajados, palradores, vazando sonoridades, quase poluidores.

São mal intencionados e convencidos

São mal intencionados e convencidos

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Lê-se-lhes a Serra nos olhos

Sou de sonhos e vivo rodeado deles. Nem sempre os desejos me cabem no tempo.

A montanha que aflora do horizonte

A montanha que aflora do horizonte

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Imagine-se!

Cada estação do ano tem os seus encantos mas eu gosto especialmente do frio. Ainda que se me gelem as mãos, embora me arrefeçam os pés, mesmo que o nariz me doa ou o rosto me arda nunca trocarei o frio pelo desconforto da transpiração.

A neve e a geada branqueiam e imaculam

A neve e a geada branqueiam e imaculam

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Muito para mudar

Olhando em redor, vejo o sol sumir-se e tudo o resto a mergulhar no inverno. O frio abeira-se e promete chegar choroso e triste como se regressasse castigado.

Os montes são eternos e os vales são perpétuos

Os montes são eternos e os vales são perpétuos

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Carisma do Monte Jarmelista

A tarde já envolvia o Monte e o sol ensaiava uma retirada ágil, leve e pálida. Nas encostas, expunham-se ervas altas e murchas, suplantadas por moitas desordenadas, arborizando as margens das regueiras secas que, fendendo o chão, resultavam impotentes e inofensivas.

Sobejam casas desfeitas, inundadas de silêncios rudes e de cruéis esquecimentos

Sobejam casas desfeitas, inundadas de silêncios rudes e de cruéis esquecimentos

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As cosias são como são

Seguindo ao encontro da natureza dou com o vento que me concede sinais. A brisa fresca traz-me a cor do outono e envolve-me em nostalgia. A aragem já me avisa. Estão aí as mudanças. Acabaram-se os dias tórridos. Sente-se, no ar, o frescor.

As árvores apresentam-se pintadas de marron claro

As árvores apresentam-se pintadas de marron claro

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O exorbitante calor deste verão

Falar de verão quente é recordar o verão de 75, quando, ainda muito jovem, pude assistir a um gigantesco fervilho de ideias pró e contra revolucionárias. A paixão das ideologias aqueceu tanto as tensões que algumas delas explodiram em violência. Mas o sopro do 25 de novembro veio apagar os fogos mais intensos.

Inflamou-se a ilha da Madeira

Inflamou-se a ilha da Madeira

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Fiz, nada!

As férias deveriam ser mais descanso que movimento. Todavia, fazer nesta altura de repouso o que não se conseguiu fazer no resto do ano, impede uma verdadeira suspensão de atividades.

Estive de férias!

Estive de férias!

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Decalques de um tempo diferente

É domingo e a manhã avança para as onze. Subo a rua, única e inclinada. O granito envelhecido resiste, desde o tempo em que foi maioritário. Ainda hoje amura e aperta espaços. Mas há, também, cimento pintado de cores estrangeiras e alguma cal, cal alvíssima.

No topo da rua reencontro a igreja

No topo da rua reencontro a igreja

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Proliferação de feiras medievais

As recriações (fiáveis) das feiras medievais constituem perfeitas viagens no tempo. Se seguirmos as verdadeiras raízes desses arcaicos acontecimentos encontraremos vivências deliciosas que nos permitirão experimentar o melhor dessas épocas recuadas.

As feiras medievais repetem-se como estacas em leiras de feijões

As feiras medievais repetem-se como estacas em leiras de feijões

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Estamos bem entregues!

Numa Europa de fissuras à mostra, fervilham e propagam-se ideias neoliberais. Os discursos de algumas das mais relevantes figuras europeias patenteiam desprezo pelas mais vulneráveis franjas da população, nomeadamente pelos idosos.

Christine Lagarde disse o indizível

Christine Lagarde disse o indizível

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Escrevendo

Escrevendo, entregam-se pensamentos e emoções esperando que a receção suceda percebível e de boa fé. Assim se espargem ideias confiando-as como quem fala, em voz baixa, ao ouvido de quem lê.

A beleza e a genuinidade emotiva dos sítios

A beleza e a genuinidade emotiva dos sítios

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Mulheres em vantagem

Regresso às minhas origens sempre que posso. Considero vital esse retorno.

A serena vida da aldeia

A serena vida da aldeia

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

O que não sei dizer

Por esta altura já a primavera deveria procurar o verão. No entanto os dias têm ousado contrariar o calendário negando-se a calores, sucedendo-se chorosos de chuva, repetindo cinzentos de inverno. Dos céus, ainda pesados de escuro, mal aponta o sol. A luminosidade quando chega, vem ainda com ares de timidez.

Nesta tranquilidade chegam-me mágoas sombrias

Nesta tranquilidade chegam-me mágoas sombrias

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Crónica do despiste

É bem capaz de não ser da idade mas o meu “despiste” embaraça-me. Lembro-me das caras, sim, mas muito menos dos nomes. Acontece-me desde o meu verdor juvenil. Constato, desde essa altura, alguma dificuldade em iluminar tanto a minha memória quanto ela me permita fazer equivaler alguns nomes a certas caras. No que respeita aos lugares, já é diferente. Sítio que me apraze não mais o desaprendo.

Nem sempre nos ocorrem os nomes das pessoas que reencontramos

Nem sempre nos ocorrem os nomes das pessoas que reencontramos

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Nada é definitivo

As terras chãs do sopé do Jarmelo já fervilharam de gente. Hoje há quem as veja irremediavelmente enfraquecidas.

Criar roteiros com interesse ambiental, histórico e cultural

Criar roteiros com interesse ambiental, histórico e cultural

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Feira de Castelo Mendo – O recuo dos tempos

A antiga Vila de Castelo Mendo envolve-se numa misticidade permanente de sabor medieval. Coroando o Monte que a sustém, vira-se para o vale, onde deixou abrir a porta principal. Parece esperar, incessantemente, os antigos invasores. Mas, quem hoje chega amiúde, não são, de todo, conquistadores mas sim visitantes atraídos pelos pormenores da sua história.

Os bailes levavam bailarinos à exaustão

Os bailes levavam bailarinos à exaustão

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

O Sardinheiro da Perna de Pau

Um som metálico libertava-se da corneta amarela, descia o outeiro, sobrevoava o ribeiro e ia ao encontro da aldeia que se acomodava ao dia na encosta nascente do Monte de Santa Bárbara.

A capela que encima o Monte de Santa Bárbara

A capela que encima o Monte de Santa Bárbara