Category Archives: Terras do Jarmelo

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Semente de um choro colectivo

– Como se atrevem? – Foi o grito mais alto de Greta Thunberg na Cimeira de Acção Climática, em Nova Iorque.

Greta Thunberg

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Também eu, pá!

Nós, os humanos, temos, obviamente, muitas visões em comum. Concordamos na ideia do bem e do mal. Coincidimos no conceito de guerra e paz. Convergimos sobre o que é justo e o que o não é. Enfim, aceitamos, universalmente, tudo isto e muito mais. Mas, quanto a gostos? Diz o povo que eles não se discutem.

Chapinhar na água da chuva

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Até parece mentira!

Hoje, vou dar à caneta para estampar nesta crónica uma peripécia inusitada.

O parquímetro não deu o talão

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Sopro antigo na moderna urbanidade coimbrã

Sempre achei que, em Coimbra, os encantos coexistem com surpresas. A cidade dos estudantes medeia caminhos entre Interior e Litoral não parecendo, às vezes, ser muito zelada por quem manda.

Cidade de Coimbra

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Soltem-se as convicções

Quem comtemple um lugar ou uma paisagem poderá colher perceções capazes despertar e instigar o que tem dentro de si. Será, depois, possível implementar a divulgação.

Porque redijo com base na observação

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Primeira noção de finitude

Havia no quintal dos meus avós paternos uma ameixoeira centenária e insolitamente corpulenta. A sua folhagem verde/espessa coroava um caule grosso, cinzento, torto e meio furado de velhice.

Árvore caída

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Não há palavras!

Há momentos que não cabem nas palavras e determinam instantes que brotam no fluir do tempo fazendo verter indefiníveis emoções.

Faltam as palavras e só o sentir pode ser lido

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Retratos de um Povo

Chegou-me o livro “Retratos de um Povo” pela mão do seu autor, José Grilo dos Santos, meu amigo de sempre. Foi-me entregue sob um olhar embebido de cumplicidade, gerada por vivências comuns e por uma ampla sobreposição de gostos.

José Grilo dos Santos retrata uma época plena de peculiaridades

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Limpar a Praça

As paixões não são más só por si. Bem pelo contrário. O problema é quando elas ficam tão exacerbadas que se pervertem ou se transformam em loucuras.

Bruno Lage no Marquês: ninguém vai para casa sem deixar a Praça limpa

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Maio serenamente afável

Temos, por ora, um maio de verde tingido que o tempo ainda não fez maduro. A janela desafia-me a espreitar a manhã quando já ultrapassa as sete e meia. O sol tanto enche a concavidade do vale quanto beija os píncaros da Serra.

Maio manteve-se quieto e ameno

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Assim se vive e festeja em Castelo Mendo

As Portas da Vila sugerem a entrada num passado medievo. No âmago da Aldeia Histórica, a antiguidade, severa e granítica, grita silêncios durante a maior parte do ano e uma quietude religiosa acaricia as igrejas ainda que despojadas de fiéis.

Festa em Castelo Mendo

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Nostalgia ou um pouco mais?

Com algum amargor se diz que a sucessão de presentes que se vem desenrolando se divorciou da memória deixando para trás experiências de outros tempos.

Será apenas nostalgia?

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Mais da alma que da vontade

Engendrar uma crónica faz-me lembrar uma quase conversa a dois, entre quem escreve e quem lê. Aliás, quando redijo, ideio alguém perante mim, como que um vulto de rosto indefinido, que me escuta e que gosta ou desgosta.

Cada um fluirá a seu jeito

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Ninguém aguentaria

Sinto-me chamado à crónica, tal como se houvesse apalavrado com alguns leitores do «Capeia» a publicação do meu escrito, para amanhã, às zero horas. E, para mim, que sou da velha guarda, a palavra vale tudo.

Tragédia em Moçambique

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Março quer-se marçagão

Março é auspicioso e é um mês em que pode acontecer de tudo. Aos vinte dias conclui-se o inverno. Aos vinte e um já a primavera nos abraça. O dia oito homenageia as mulheres e o dia dezanove celebra o dia do pai. Às vezes março festeja a Páscoa. Este ano, só último dos seus trinta e um dias é dilatado pela hora legal.

Março mimoseia-nos com dias cálidos ou ventilados mas, uns e outros, prazenteiros

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Crónica ou desabafo?

Acabei por granjear suficiente arrojo para articular sobre um proeminente meio de comunicação social como a televisão assumindo, desde já, que sustento o presente intento num fastio, profusamente incomodativo, motivado pela estirpe de canais TV a que tenho vindo a ter acesso. Não coloco, evidentemente, tudo no mesmo saco e permito-me salientar, como rara e honrosa exceção, o canal 2 da televisão pública.

A televisão persiste num apelo que desce ao primário das emoções

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A cor e a voz do vento

Se a vida for um sopro nós existimos no veemente brotar do vento ante a sucinta fluência do tempo. Partem e volvem os nossos dias nos sussurros da ventosidade. Enegrecem e aclaram as nossas noites na sua flutuação. No seu seio sonhamos os nossos sonhos e advogamos os nossos arbítrios.

As cores e as vozes do vento transmutam no contínuo escoar do tempo

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Realidades que se vão despindo

No tempo em que, assiduamente, habitava a aldeia que me habita, os aldeões desafiavam o inverno em casas de paredes maciças que hoje pouco mais recolhem que silêncios.

Havia casas de baixos e casas de altos

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Crónica à toa

Alguém, um dia, oferecendo-me uma caneta, dizia: «Isto não é uma prenda. É um utensílio para escrever». Era uma caneta encarnada, quase marron. Dois ou três fios de ouro longitudinais estampavam-lhe elegância e finura fazendo dela a minha caneta preferida.

A tinta escorrendo resultava em letras azuis e espessas

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Primeira crónica

A minha primeira crónica deste ano não será apenas dedicada a quem se divertiu, a valer, nos réveillons. Decidi dedicá-la, especialmente, aos que entraram no novo ano sem nada terem para além do tempo e aos que continuam a viver de enfraquecidas esperanças. Só depois a dedicarei aos foliões que iniciaram 2019 esforçando-se por deixar no ano velho todas as malquerenças.

Que 2019 consiga ser diferente para melhor

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Privilegiada contemplação

A Estrela já foi Serra de muitas e frondosas árvores. Porém, as suas encostas são, agora, atapetadas de ervas. Nas ladeiras fincam-se gestas que medram espontâneas entre arbustos rasteiros e há colinas onde prosperam jovens árvores, animadas pela justa aspiração de se tornarem adultas. Assim os incêndios ou outras perversidades humanas o consintam.

Serra da Estrela

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Falar de quê?

Talvez referir, hoje, um sítio onde a escassez de gente constrói silêncios ímpares. Porventura revelar uma aldeia, de rua única, onde hortas incultas são o desboque de travessas estreitas. Quiçá falar de um lugar bucólico que se expõe, serenamente, à tarde fria. Eventualmente garantir que, neste pequeno burgo, existem dois pequenos bares aptos a aviar os sedentos de cerveja, os amantes de bom vinho caseiro ou os viciados em café.

Da capela só saem andores de dois em dois anos

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O café da minha juventude

Todos guardamos, da nossa juventude, recordações de sítios especiais. Há cafés que, por preservarem vivências próprias dessa idade, constituem lugares de referência privilegiada.

O café Madrilena no topo do jardim José de Lemos (foto colhida do blog Sol da Guarda)

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Verdade implacável

A investida do Leslie, à hora da sua furiosa chegada do Atlântico, apaziguou-se num abraço à Serra da Estrela. Do seu ímpeto inicial calaram-se os ventos e sobejaram chuvas ocasionais.

A abjeta imbecilidade de um motorista

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Certificados de beleza e afeto

Há tempos e tempos. Há tempos de memoria, tempos de mudança e sítios que sobrelevam a passagem e a transmutação dos tempos.

Muitas aldeias são santuários dinâmicos ainda que minguados de gente

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Cenários e enlevos

Logo que o verão se transfaz em outono, ainda sob os escombros do calor, abre-se o desponte de prévias imagens inverniças. Os primeiros frios e os anoiteceres outonais hão de sugestionar quenturas e crepitares de lareira.

A beleza e o enlevo de um cenário outonal

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Castelo Mendo – genuíno desfile de emoções

A Aldeia Histórica Castelo Mendo acolheu, no passado fim de semana, dias catorze e quinze de Setembro, várias atividades no âmbito do Ciclo de Eventos «12 em Rede – Aldeias em Festa».

Sete vozes coadjuvadas por sons de instrumentos tradicionais (fotografia de Armando Rui)

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Crónica dos verões repetidos

Iniciam-se, ultimamente, os verões numa intensidade reforçada de rituais de “Sunset”. Grupos mais ou menos estruturados, nos mais diferentes sítios e cenários, sob pretexto de fazer festa e usufruir de animação, aguardam o pôr do sol colocando o olhar no horizonte, assistindo ao sumir da claridade como se não previssem novos amanheceres.

Sunset

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Magnifico espetáculo!

Três mulheres diferentes mas, todas três, com algo em comum. Unia-as uma trilogia de arte. Buscaram um epíteto que as pudesse conectar e identificar. Adoptaram o nome “LunArte”.

Tocaram, cantaram e dançaram com uma entrega perfeita

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Agora é que vossemecê me lixou!

O Zé Catano era o taberneiro mais alto de que tenho memória. Tinha uma estatura de trave. Vivia dentro da mesma camisola cinzenta que sempre lhe conheci. Sob o pescoço e, do decote do pulover espreitavam dois colarinhos azulados, sujos e assimétricos.

Taberna antiga

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Perduram incertezas

Pouco mais de um ano passou após o fatídico dezassete de Junho de dois mil e dezassete, dia em que o Interior de Portugal se tornou numa ilha ardente.

No interior brotou uma angustia duradoura

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Não vale comprimir realidades

No desnovelar da vida há muito mais quem a tome por enigmática do que quem a julgue entendível. Porém, o seu todo é realmente complexo e tenta-nos a ideia de que o problema poderá estar em simplificá-la. Eis, assim, a razão pela qual se abreviam conceitos para facilitar a sua interpretação.

A infância é a etapa mais feliz da vida

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Sucesso oco

Nunca, como hoje, o sucesso foi tão intencionado apesar dos caminhos que o sugerem se terem tornado, cada vez mais, faltos de competência. A capacidade e a inteligência têm sido progressivamente desvirtuadas pela “finura” de tramas desleais e gananciosas.

A leitura entrou em absoluto desuso

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Evidente “cocozada”

Começo por referir que não sou um fiel seguidor do Festival da Eurovisão. Em todo o caso, colhi, de forma meramente ocasional, da cruzada festivaleira recentemente finalizada, algumas canções. Elegi duas delas para poder comparar: a vencedora e a que ficou em último lugar.

Um có-có-có-có-có e palavras desgarradas, sem nexo e quase a puxar a gargalhada

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A «salto»… sem despedida

Havia frio na madrugada da partida. Um vento fresco cavalgava o vale para se abraçar ao Monte. O céu mantinha-se desenevoado deixando adivinhar a limpidez do dia que prometia emergir.

De quando em vez alguém partia “a salto” na longínqua manhã

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Neste estirar de manhã

A cidade exalava beleza exibindo o ar aristocrático com que vestia monumentos e construções arcaicas. Ostentava, sincronicamente, a elegância dos bairros mais modernos. E acordava…

A Guarda tem o encanto da história

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Infalibilidade da recordação

Terminada a Páscoa consumaram-se os parcos dias de descanso e revogaram-se os deleites das doçuras, a felicidade dos folares, a peculiaridade do cabrito.

Um pirilampo na palma da mão

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Vidas únicas

Contemplar a Serra pode ser verificar-lhe a versatilidade já que, supô-la estática, constitui um erro dos sentidos.

A imagem da montanha tempera o corpo e formata a alma

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Crepúsculo do fim da rua

Lembro-me de o ver, fisionomia robusta, andar firme, semblante austero, cara transbordante e rosada, aguilhada em riste, conduzindo um carro que, puxado por duas corpulentas vacas castanhas, produzia chios que trespassavam a aldeia.

Guiando um trator vermelho

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Contos e recantos

O tempo não perdoa, de facto. Não poupa sonhos nem ilusões. A sua impetuosa passagem sugere uma voraz corrente de rio. Apenas algumas lembranças se opõem a tão consternado percurso. Há recordações que, em cada presente, conseguem pairar na tona do tempo.

Lembranças da vida na aldeia