Category Archives: Terras do Jarmelo

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Não vale comprimir realidades

No desnovelar da vida há muito mais quem a tome por enigmática do que quem a julgue entendível. Porém, o seu todo é realmente complexo e tenta-nos a ideia de que o problema poderá estar em simplificá-la. Eis, assim, a razão pela qual se abreviam conceitos para facilitar a sua interpretação.

A infância é a etapa mais feliz da vida

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Sucesso oco

Nunca, como hoje, o sucesso foi tão intencionado apesar dos caminhos que o sugerem se terem tornado, cada vez mais, faltos de competência. A capacidade e a inteligência têm sido progressivamente desvirtuadas pela “finura” de tramas desleais e gananciosas.

A leitura entrou em absoluto desuso

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Evidente “cocozada”

Começo por referir que não sou um fiel seguidor do Festival da Eurovisão. Em todo o caso, colhi, de forma meramente ocasional, da cruzada festivaleira recentemente finalizada, algumas canções. Elegi duas delas para poder comparar: a vencedora e a que ficou em último lugar.

Um có-có-có-có-có e palavras desgarradas, sem nexo e quase a puxar a gargalhada

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

A «salto»… sem despedida

Havia frio na madrugada da partida. Um vento fresco cavalgava o vale para se abraçar ao Monte. O céu mantinha-se desenevoado deixando adivinhar a limpidez do dia que prometia emergir.

De quando em vez alguém partia “a salto” na longínqua manhã

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Neste estirar de manhã

A cidade exalava beleza exibindo o ar aristocrático com que vestia monumentos e construções arcaicas. Ostentava, sincronicamente, a elegância dos bairros mais modernos. E acordava…

A Guarda tem o encanto da história

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Infalibilidade da recordação

Terminada a Páscoa consumaram-se os parcos dias de descanso e revogaram-se os deleites das doçuras, a felicidade dos folares, a peculiaridade do cabrito.

Um pirilampo na palma da mão

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Vidas únicas

Contemplar a Serra pode ser verificar-lhe a versatilidade já que, supô-la estática, constitui um erro dos sentidos.

A imagem da montanha tempera o corpo e formata a alma

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Crepúsculo do fim da rua

Lembro-me de o ver, fisionomia robusta, andar firme, semblante austero, cara transbordante e rosada, aguilhada em riste, conduzindo um carro que, puxado por duas corpulentas vacas castanhas, produzia chios que trespassavam a aldeia.

Guiando um trator vermelho

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Contos e recantos

O tempo não perdoa, de facto. Não poupa sonhos nem ilusões. A sua impetuosa passagem sugere uma voraz corrente de rio. Apenas algumas lembranças se opõem a tão consternado percurso. Há recordações que, em cada presente, conseguem pairar na tona do tempo.

Lembranças da vida na aldeia

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Espetáculos de autenticidade

O presente inverno separou-se do outono quando este se disfarçava de verão. Depois procurou a Serra cinzenta, quase preta, sobrevivida de incêndios quando ela resistia a um calor fora de tempo e escondia os seus mais recentes martírios. Encontrou-a e foi-a climatizando, paulatinamente, outorgando-lhe curtas mas sucessivas invernias. Não houve, portanto, senão aceitar o curso deste inverno ainda que não cumpridos, a cada momento, os desejos de todos nós.

A Serra amigou-se com o inverno para fazer descer as nuvens

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Diferente para melhor

Redizer ano novo, vida nova é como insistir na mesma senha no início de cada ano. Há, apesar disso, muito de velho que se transfere para o novo ano.

Que o novo ano se revele diferente para melhor

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À procura de mim

O largo abriu-se-me para uma primeira paragem e o pequeno café da aldeia insinuou-me uma bica quente. Lá dentro o calor do braseiro e a quentura do convívio reuniam à mesa meia dúzia de palradores. Juntei-me a eles e propus-lhes um copo.

A volatilidade das nuvens sugeria-me a brevidade da infância

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Sério desconforto

Era um dia deste mês de novembro adornado de chuva miudinha. O tempo já havia substituído as sombras rendilhadas, desenhadas no chão pelos ramos das árvores.

Pedinte sentada no passeio

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Que Deus a mande…

Adensava-se a escuridão e o Francisco fazia papel de estátua à porta de sua casa. O seu olhar de pássaro assustado fiscalizava a passagem das chamas.

Está mesmo a chover?

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Outono – nem perda nem declínio

Seguia o final da tarde sob um sol pouco comum em outubro. As sombras cresciam propiciando conforto a quem povoava a urbanidade da esplanada. À mesa, alguns amigos, bebericávamos enquanto degustávamos atualidades.

O outono estava ali

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Já rareiam as vindimas

É inevitável a mudança dos tempos. Na minha aldeia, há escassas décadas, a vindima era uma festa que transbordava de gente. Foram passando os anos, foram minguando as pessoas e até as vinhas já são menos.

Hoje em dia já rareiam vindimadores e vindimas

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Surrealismo na CP

Andei uns dias a pensar se queria ou não escrever isto. Hoje, passado algum tempo e, moderado o ímpeto inicial de protesto, julguei obtida serenidade bastante para falar sobre a inconcebível ocorrência. O caso não foi diretamente comigo mas implicou-me de certa forma.

Atrasos nos comboios

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Lazeres

Vou já em vários dias de férias. Tenho, sobretudo, descansado o olhar num oceano rumoroso que me vem segredando ao ouvido e me tem assoberbado a alma. Um mar que, ao longe, beija o céu num tocar cintilante e movediço.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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Mido – Festa de S. Roque

Alteia-se-me, perante o olhar, a encosta que, do lado direito, margeia o Côa. Estamos em meados de agosto. A semana já vai a meio e a romaria espalha-se na elevação.

Festa de São Roque – procissão

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Apreensivos!

Foram excessivas as desditas deste findo mês de julho. Após o inferno de chamas que o consumiu, exuberou a tristeza cálida das cinzas.

O chão semiapagado ainda gera polémica

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Ciclo do tempo

Existiu, sim, o meu reino encantado. E não se tratou, apenas, de um qualquer conto de fadas porque o meu reino foi muito mais que isso. Chega-me, agora, sob forma de lembrança fazendo-me recordar a infância, avivando-me saudades. Guardo esse memorial como se de um pequeno tesouro se tratasse.

Jogos do meu tempo cairam em desuso - Fernando Capelo - Capeia Arraiana

Caíram em desuso os jogos do meu tempo

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Tarde demais

Têm sido de fulgurante escaldo os dias de junho que ora finda. O mês tem ardido numa escalada enegrecida como se fosse do inferno o fogo que o tem queimado. O incêndio ceifou dezenas de vidas em Pedrogão Grande e escureceu o país inteiro. Portugal foi varrido por um enorme sentimento de perda. O desespero, a aflição e a agonia tomaram conta de nós. Será, pois, difícil esquecer a catástrofe assim como não vai ser fácil apagar o tom negro das almas e das paisagens. Assumo, portanto, o desconsolo que me assiste no momento em que aqui venho cumprir esta crónica.

Nem tudo é reversível e há males impossíveis de remediar

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Sentir o tempo

Chegam-nos quotidianos de uma primavera envergonhada que se estampa em dias cheios. Tem surgido ténue um sol desejado, morno e matinal que não estanca o transbordar das tarefas.

Marco geodésico do Jarmelo

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Fazia-nos falta

Não sou, ou melhor, não tenho sido muito de festivais. Longe vai o tempo em que me reunia com jovens da minha idade para, frente ao ecrã, assistir ao Festival da Canção. Nessa altura o festival constituía, para nós, um verdadeiro acontecimento.

Salvador fez voltar a música ao sentimento

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O mesmo mundo visto de outro lado

É de sempre este meu hábito de encarar a paisagem subjetivando-a e adaptando-a ao meu olhar. Ainda catraio, corria para subir aos cômaros e, de lá, confirmava a aldeia que se expunha, solarenga, medrando encosta abaixo. De garoto, escalava a colina até à capelinha de Santa Bárbara e, de lá, observava delimitando o meu pequeno mundo.

Cidade de Pinhel

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Um Demo algo mitigado

O sol ainda cheirava a Páscoa oferecendo-se festivo. A saída deu-se quando a manhã ultrapassava as nove horas. A convite de uns amigos tínhamos decidido revisitar as Terras do Demo.

Carregal - casa onde nasceu Aquilino Ribeiro

Carregal – casa onde nasceu Aquilino Ribeiro

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Quando a gratidão caprichava

A manhã nascia mimoseada por um arzinho fresco e extemporâneo. O nevoeiro sobrava da madrugada e prometia humedecer o início do dia, em princípios de primavera.

Na urbanidade do café ainda escasseavam clientes

Na urbanidade do café ainda escasseavam clientes

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O homem merecia!

O Zé integrava a petizada fervilhante da escola primária da minha aldeia há mais de quatro décadas. Oriundo de família numerosa e abastada, cedo sobressaiu tanto pela traquinice como pela sapiência curricular.

Estórias contadas no regresso à aldeia

Estórias contadas no regresso à aldeia

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Sabor das palavras que contam

Neste interior encostado à Estrela a primavera tem-se feito anunciar em períodos revezados de três dias. Nos três dias de carnaval a chuva entremeou-se com sol. Seguiram-se mais três dias de neve que precederam outros tantos de sol que alternaram com mais três de chuva até chegar ao dia de hoje em que um sol que foi de quase verão ameaça ser substituído pela inoportunidade da chuva tardia ou, quiçá, pela extemporaneidade da neve às portas da primavera.

O chão contiguo da Serra, onde a natureza se renova

O chão contiguo da Serra, onde a natureza se renova

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Singularidades das lojas tradicionais

Rareiam, já, as lojas antigas cujo negócio pertenceu à mesma família em sucessivas gerações. Dir-se-ia que eram supermercados d’outrora onde se podia comprar tudo, desde utensílios a roupas, flores, café ou rebuçados. Ao lado de fechaduras, parafusos, mantas ou casacos, pululavam produtos da mais genuína agricultura biológica que, hoje, a pressa do lucro, vai ofuscando.

Loja tradicional

Loja tradicional

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Arrogância «trumpesiana»

Longe de análises perfeitas vou observando, escrevendo, emitindo opiniões. Ter convicções é quase existir.

A atitude de alguém perante o poder define o seu carácter

A atitude de alguém perante o poder define o seu carácter

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Enorme desilusão!

A utopia é como a ficção. É a procura do que não existe. Mas, se houver sonho já há alguma coisa.

Refugiados na Hungria

Refugiados na Hungria

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Pouco mais que nada

Não prescindo de alguns momentos diários no início de cada tarde, sentado entre amigos à mesa do café, acicatando com o sabor quente de uma bica, o prazer de pequenas tertúlias.

À volta da mesa partilhamos conversas por entre amizades autenticas

À volta da mesa partilhamos conversas por entre amizades autenticas

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Falo só por mim!

Passado o Natal, com a aproximação da Passagem do Ano, ressurgem balanços e liberam-se vontades de expurgar o que de menos bom ocorreu no ano que finda.

Terras do Jarmelo

Terras do Jarmelo

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Já me enfastiam!

Há, por aí, de tudo. Há bons, maus, vulgares e também há os “irritantes” que são de uma guisa distinta. Ostentam pose pouco discreta. Surgem exuberantes, bem trajados, palradores, vazando sonoridades, quase poluidores.

São mal intencionados e convencidos

São mal intencionados e convencidos

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Lê-se-lhes a Serra nos olhos

Sou de sonhos e vivo rodeado deles. Nem sempre os desejos me cabem no tempo.

A montanha que aflora do horizonte

A montanha que aflora do horizonte

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Imagine-se!

Cada estação do ano tem os seus encantos mas eu gosto especialmente do frio. Ainda que se me gelem as mãos, embora me arrefeçam os pés, mesmo que o nariz me doa ou o rosto me arda nunca trocarei o frio pelo desconforto da transpiração.

A neve e a geada branqueiam e imaculam

A neve e a geada branqueiam e imaculam

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Muito para mudar

Olhando em redor, vejo o sol sumir-se e tudo o resto a mergulhar no inverno. O frio abeira-se e promete chegar choroso e triste como se regressasse castigado.

Os montes são eternos e os vales são perpétuos

Os montes são eternos e os vales são perpétuos

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Carisma do Monte Jarmelista

A tarde já envolvia o Monte e o sol ensaiava uma retirada ágil, leve e pálida. Nas encostas, expunham-se ervas altas e murchas, suplantadas por moitas desordenadas, arborizando as margens das regueiras secas que, fendendo o chão, resultavam impotentes e inofensivas.

Sobejam casas desfeitas, inundadas de silêncios rudes e de cruéis esquecimentos

Sobejam casas desfeitas, inundadas de silêncios rudes e de cruéis esquecimentos

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

As cosias são como são

Seguindo ao encontro da natureza dou com o vento que me concede sinais. A brisa fresca traz-me a cor do outono e envolve-me em nostalgia. A aragem já me avisa. Estão aí as mudanças. Acabaram-se os dias tórridos. Sente-se, no ar, o frescor.

As árvores apresentam-se pintadas de marron claro

As árvores apresentam-se pintadas de marron claro