Category Archives: O concelho

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Metamorfose das palavras

Os sons articulados consubstanciam-se em palavras que depois de se fixarem dão origem a outras, suas derivadas ou compostas, segundo a terminologia gramatical.

Rio Coa, antes chamado Rio Cuda

Rio Coa, antes chamado Rio Cuda

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Os Santos – Calendário

Afonso Costa, o energúmeno propagandista republicano, numa exaltação que se diria cómica, se não semeasse a tragédia, afirmou que todos os vestígios do Catolicismo desapareceriam de Portugal no período de duas gerações.

São Tiago

São Tiago

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

As malhas

Eu tenho, com as malhas, à antiga, à força de mangual e traça de espalhadeira, uma relação umbilical, no sentido mais amplexo do adjectivo. Nasci no dia que meu avô, um seareiro a roçar o mediano, numa aldeia de perfeito minifúndio, malhava a sua pequena meda.

Uma malha à antiga

Uma malha à antiga

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Aldeia da Dona – mistérios da toponímia

Dois ilustres sabugalenses… o professor doutor Amaro Monteiro e o doutor Francisco Manso – andam a dissertar nos media concelhios sobre a exacta denominação da única anexa da freguesia da Nave – a pequena e hoje quase desabitada, mas rica, pitoresca e histórica povoação, que o povo conhece por Aldeia da Dona, nome que o primeiro reconhece como o próprio, mas a que o segundo, baseado em cartas de antigos párocos contrapõe o de Aldeia das Donas.

Aldeia da Dona

Aldeia da Dona

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

O azeite e as ambições

Inspiramos este nosso artiguelho numa página da revista «As Artes entre as Letras», onde a crítica teatral e directora artística do Maizum, Silvina Pereira evoca duas obras – uma portuguesa – «O Auto de Mofina Mendes», de Gil Vicente – e outra castelhana – «Las Aceitunas», de Lope de Rueda.

O azeite - elemento essencial da dieta mediterrânica

O azeite – elemento essencial da dieta mediterrânica

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

O linho e os linhares no Sabugal de há cem anos

Nas matrizes velhas, os terrenos mais humosos apareciam registados como linhares. E nos assentos de batismo e casamento eram muitas as mães, avós e nubentes com a profissão de tecedeiras ou fiandeiras.

Espadelar o linho

Espadelar o linho

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Uma geração de triunfadores

É este o título de um brilhante estudo da Doutora Manuela Aguiar, antiga e preclaríssima Secretária de Estado das Comunidades, publicado na revista As Artes entre as Letras, de que é habitual colaboradora.

Gaiola Dourada, uma vistosa galeria de estereótipos da emigração portuguesa

Gaiola Dourada, uma vistosa galeria de estereótipos da emigração portuguesa

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Lendas e crendices – os pássaros

Ainda do tratado «Estudos Etnográficos, Filológicos e Históricos», de Augusto César Pires de Lima, extraímos alguns procedimentos, por vezes um pouco bizarros.

Gaio comum

Gaio comum

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Lendas e superstições em torno da gravidez

Continuamos debruçados sobre o livro «Estudos Etnográficos, Filológicos e Históricos» de Augusto César Pires de Lima.

As mulheres grávidas não devem cheirar flores

As mulheres grávidas não devem cheirar flores

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

A lua e as crendices

Quando se olha para a lua nova, deve bater-se no bolso. Não pode fazer-se a vindima de modo a que o vinho venha a ferver em duas luas, pois, de contrário, o vinho voltará a ferver nas pipas, e turvará pela volta da primeira lua.

Noite de lua cheia

Noite de lua cheia

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Superstições para o casamento

Transcrevemos de «Estudos Etnográficos, Filológicos e Históricos», de Augusto César Pires de Lima.

os casamentos não se devem celebrar nem às terças nem às sextas-feiras

os casamentos não se devem celebrar nem às terças nem às sextas-feiras

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

O enigma das casas enfeitiçadas

O enigma das casas enfeitiçadas ou a estratégia falhada dum herdeiro espertalhão.

Uma casa com fantasmas vendia-se ao preço da uva mijona

Uma casa com fantasmas vendia-se ao preço da uva mijona

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

A repartição florestal

Em comentário anterior, chamámos a atenção para as dificuldades que opõe a uma exploração adequada, rentável e menos exposta aos riscos de incêndios e outras depredações, a excessiva fragmentação da nossa floresta.

Árvores nas margens do rio Côa

Árvores nas margens do rio Côa

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

O Mito do Sebastianismo

Todos nós, portugueses, mesmo os que não leram as trovas de Bandarra e nunca sequer ouviram o nome do famoso bate-solas de Trancoso, somos sebastianistas.

O rei D. Sebastião desapareceu na batalha de Alcácer Quibir

O rei D. Sebastião desapareceu na batalha de Alcácer Quibir

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Um bandarrista na raia sabugalense

Como é lugar comum, o nome de Bandarra anda indissoluvelmente religado ao de Dom Sebastião. Não por terem sido mais ou menos coevos, mas, por os patriotas de mil e seiscentos, nomeadamente os frades de Alcobaça, empenhados na restauração da independência de Portugal, terem difundido o mito de que o Desejado, que já o fora para ocupar o trono, se preparava para o reocupar, pois não teria sido morto em Alcácer-Quibir, mas aguardaria numa ilha selvagem o momento de regressar à Pátria-Mãe.

Estátua de Bandarra em Trancoso

Estátua de Bandarra em Trancoso

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Um valor comercial que se perdeu

Até à década cinquenta do século passado, uma das maiores, se não mesmo a maior fonte de rendimentos dos lavradores meões do planalto ribacudense, ou dos vários planaltos da Região, era a lã.

O pastor com a sua peara

O pastor com a sua peara

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Milharadas – prato de substância ou de sobremesa

Por terras de Sabugal, o pão de milho é praticamente desconhecido, mas com o grão de milho confeccionam-se dois pratos típicos: as milharadas gordas e as milharadas doces.

As milharadas - feitas com farinha de milho

As milharadas – feitas com farinha de milho

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Cenas familiares – o tempo das leguminosas

O raiano tem uma alimentação ordinariamente pobre em carnes. Fartura delas só no tempo das matanças, nos três dias do Entrudo – domingo, segunda e terça-feira gordos – na festa do orago, por ocasião de algum casamento, ou em malina de ovelhas ou sinistro de vacas, tudo a dar empansadela.

Saca de Feijão

Saca de Feijão

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Cenas familiares – o derreter das banhas

Dia assinalado no calendário familiar era este, que ocorria cerca de um mês após a matança, tempo necessário para as banhas enrijecerem e se tomarem suficientemente de sal.

As banhas eram derretidas em panela de ferro

As banhas eram derretidas em panela de ferro

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Cenas familiares – enchimento das farinheiras

Na Raia da minha meninice, desconhecia-se a alheira, não por ser, se é verdadeira a lenda, uma criação dos judeus conversos, mas pela penúria de carnes esfoladias e a escassez de azeites, que só se colhiam para além de Santo Estevão, ou mais especificamente nas terras que integraram o histórico e desaparecido Município de
Sortelha.

As farinheiras nos varais

As farinheiras nos varais

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Antes Terras do Demo do que Terras do Nemo

Para mim, seu leitor compulsivo e devotado admirador, na vastíssima panóplia de Mestre Aquilino Ribeiro, há dois títulos que me fascinam, li e reli a pontos de os recitar de memória e me tem muitas vezes servido de objecto de meditação.

Sabugal antigo

Sabugal antigo

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Dia festivo, de grande comesaina e promissor

Quadro bárbaro, a matança do porco, é, no quadro familiar, um significativo acontecimento. É que o porco, chegado ao chambaril, garante tempero anual para o caldo, peguilho para almoços, jantares e merenda e ainda meia dúzia de refeições de arromba.

A carne da matança

A carne da matança

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A matança do porco

A matança do porco num trecho de Forjaz de Sampaio.

Matança do porco

Matança do porco

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O achoquio ou axoxio

O «achoquio» ou «axoxio» era o grito gutural de presença na confraria dos solteiros.

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Os actos de culto e a vida dos sabugalenses

Falemos na influência dos actos de culto e da folhinha dos Santos – a Flos Sanctorum – na vida dos sabugalenses.

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Os mercados das quintas-feiras

No tempo da Monarquia, as semanas de trabalho eram cortadas pelo meio com a concessão de um dia votado a uma semiparalização das actividades agrícolas. Era à quinta-feira.

O antigo mercado das quintas-feiras na Vila do Touro

O antigo mercado das quintas-feiras na Vila do Touro

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A Nau Catrineta ou Catarineta

Resquícios no concelho da história trágico-marítima

A Nau Catrineta

A Nau Catrineta

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O rexione ou o de rexionis

O latim era a língua oficial da Igreja Católica, Apostólica e Romana. Falava-se nos concílios e redigiam-se nele bulas, pastorais e encíclicas. Mais, dominava todos os actos de culto.

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

A festa do último molho

O dia da malha, nos já distantes dias do pírtigo e da mangueira – «mangueira» com trema, sinal abolido por uma das últimas reformas ortográficas, mas que tão útil se revelava para distinguir aquele artefacto do tubo por onde se estrafega o vinho ou corre a água – era de festa rija em casa de lavrador abastado ou mesmo médio.

Malha na eira da Nave (foto D.R.)

Malha na eira da Nave (foto D.R.)

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

A dieta do gadanheiro

Rigorosamente, dieta é a adequação de cada um às suas necessidades de nutrição.
Por ela, fornece-se ao indivíduo não só as quantidades de energia que a sua actividade reclama, mas também a qualidade requerida pelo perfeito equilíbrio dos seus órgãos essenciais.

O ganhadeiro - de Júlio Pomar

O ganhadeiro – de Júlio Pomar

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Ainda o banho dos símbolos e imagens

Uma imersão purificativa, punitiva e rogativa ou impetrativa.

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

O rito da imersão

Não se limitam os povos da Raia trans e ciscudana a impetrar por meio de orações e preces mais ou menos longas e solenes em actos públicos de culto tais como procissões e rogativas, ofertórios e penitências, mas tem igualmente por costume, em muitos casos, banhar as imagens dos santos em água.

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O sangue da terra e os santos hidrófobos

Que a água é o sangue da terra é uma afirmação presente na generalidade das línguas dos povos cultos e incultos, bem como na fraseologia, quer actual, quer histórica dos vários idiomas.

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Magia para a chuva

Práticas mágicas para provocar a chuva e orações «ad petendum pluviam».

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Propina paga à Confraria dos Solteiros

Um forasteiro endinheirado paga um bode que, vivo, diverte e, depois de abatido, dá uma grande comezaina – ainda «La Fiesta de los Aguinaldos de Santa Agueda», de onde transcrevemos algumas notas.

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Hierarquia ou gerarquia

Ainda falamos de «La Fiesta de los Aguinaldos de Santa Agueda», de onde transcrevemos algumas notas a fim de a comparar com os rituais da nossa antiga Confraria dos Solteiros que existia nas terras raianas do Riba-Coa.

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Direitos e obrigações dos confrades

Continuamos a falar de «La Fiesta de los Aguinaldos de Santa Agueda», de onde transcrevemos algumas notas a fim de a comparar com os rituais da Confraria dos Solteiros que existia no Riba-Coa.

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Los aguinaldos de Santa Agueda

De há muito que tínhamos a intuição de que a Confraria dos Solteiros tão solidamente incrustada na orla raiana do Riba-Coa é uma instituição de carácter universal, existindo onde haja moços.

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Ainda as restrições alimentares

Deus Nosso Senhor incarnou, não empeixou. E, quanto à parva, parvos são os que a comem. É assim que nós cristãos, homens de pouca fé e de menor propensão ainda para quaisquer sacrifícios reagimos ante as leis da Santa Madre que nos impõem abstinência e jejum.

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Restrições alimentares

É do conhecimento generalizado que a Religião Católico-Romana impõe aos seus fiéis regras de conduta que abrangem praticamente todos os actos humanos. E que, de um modo genérico, tem uma razão de ser que vai para além da prática de virtudes.