Category Archives: Na Raia da Memória

Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

Infernos

A palavra inferno deriva do latim infernum e, para os Romanos, relacionava-se com «o mundo inferior», isto é, «um local subterrâneo onde habitavam os mortos». Como sabemos, a civilização romana recebeu muitas influências da cultura grega, incluindo boa parte dos mitos e lendas da Grécia Antiga…

Inferno. Livro de Horas do Duque de Berry (cerca de 1415)

Inferno no Livro de Horas do Duque de Berry (cerca de 1415)

Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

Pobres de Pedir

Muitos dos leitores mais velhos do Capeia Arraiana lembram-se certamente da leitura do «Livro da Primeira Classe» usado em todas as escolas primárias de Portugal nos anos 50 e 60 do século passado. Intitulava-se «Os pobrezinhos»…

Sem-abrigo numa das galerias da Praça do Comércio, em Lisboa

Sem-abrigo numa das galerias da Praça do Comércio, em Lisboa

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Faleceu o dr. João Bigotte Chorão

João Bigotte Chorão nasceu na cidade da Guarda, em 1933, e faleceu no passado sábado, dia 23 de Fevereiro de 2019. Pertencia a uma distinta família com ligações ao Sabugal, sendo irmão do Dr. Mário Bigotte Chorão, professor de Direito na Universidade Católica. Era casado com a Dra. Maria José Mexia, antiga conservadora do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, e pai do poeta e ensaísta Pedro Mexia.

João Bigotte Chorão - Capeia Arraiana

João Bigotte Chorão (Foto: D.R.)

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Memórias Gastronómicas (1)

A propósito do oportuno texto de Paulo Leitão Batista «O património culinário raiano», faço minhas as palavras de José Carlos Mendes no seu comentário. A memória da nossa infância beirã guarda todos esses sabores, e também a do caldo escoado, da sopa de baiges e do caldudo; a da chafraina, do coelho bravo com míscaros, das trutas do Côa e da salada de meruge; do arroz doce cremoso, das espumas ou nuvens, das mílharas e do calabaçote; das filhoses, das floretas, das bicas doces e das parronilhas.

Cabrito - Gastronomia tradicional versus Gastronomia Gourmet - Capeia Arraiana

Cabrito – Gastronomia tradicional versus Gastronomia Gourmet

Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

Palavras com História (II)

Há alguns anos escrevi uma crónica para o Capeia Arraiana com este título. Regressemos hoje ao mesmo tema, agora com outras palavras e outras expressões «com história». Usamos frequentemente essas palavras sem nos apercebermos muito bem da sua origem ou da sua evolução semântica, ou seja, das alterações de significado que sofreram ao longo dos anos.

Cambistas-banqueiros a trabalhar na sua banca. Pormenor de uma pintura a fresco italiana do séc. XIV - Adérito Tavares - Capeia Arraiana

Cambistas-banqueiros a trabalhar na sua banca. Pormenor de uma pintura a fresco italiana do séc. XIV

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Da bulla romana aos três vinténs

Caros leitores destas despretensiosas crónicas: vamos hoje retomar o caminho da «pequena história», abordando algumas curiosidades que nos ajudam a compreender melhor o nosso quotidiano actual. E aproveite para descobrir a origem da expressão: «Já lhe tiraram os três!»

Pormenor do Altar da Paz (Ara Pacis), mandado erguer pelo imperador César Augusto em Roma e inaugurado no ano de 9 a.C. - Adérito Tavares - Capeia Arraiana

Pormenor do Altar da Paz (Ara Pacis), mandado erguer pelo imperador César Augusto em Roma
e inaugurado no ano de 9 a.C.

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Um «país de pé-descalço»

Em 1958, Aquilino Ribeiro publicou o romance «Quando os Lobos Uivam». Considerado pelo regime salazarista ofensivo e injurioso relativamente às instituições e ao poder, levou à apreensão da edição pela PIDE e à instauração de um processo-crime ao ilustre escritor. Entre as várias acusações que lhe eram feitas salientava-se aquela em que Aquilino afirmava que Portugal era um «país de pé-descalço», o que, na opinião dos acusadores, «denegria o prestígio internacional do país». Trezentos intelectuais portugueses e estrangeiros subscreveram um manifesto de apoio ao escritor e, no Brasil, onde se encontrava exilado, Adolfo Casais-Monteiro escreveu um notável prefácio num pequeno livro de defesa de Aquilino intitulado «Quando os Lobos Julgam, a Justiça Uiva».

Fotografia de cerca de 1925, feita no Alentejo pelo arqueólogo Vergílio Correia - Adérito Tavares - Capeia Arraiana

Fotografia de cerca de 1925 feita no Alentejo pelo arqueólogo Vergílio Correia

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A vaca e a vacina

A vaca foi um dos animais predominantes da agropecuária beirã, quer como produtora de leite e respectivos derivados, quer como animal de tracção. Há, no entanto, algo que lhe devemos, na Beira e em todo o mundo, e nem toda a gente conhece.

Gravura do início do séc. XIX que representa Jenner a vacinar o seu próprio filho contra a varíola (ao colo da sua esposa). O autor da gravura, ao deixar entrever uma vaca através da janela, faz uma referência explícita à origem do método profiláctico descoberto por Edward Jenner - Adérito Tavares - Capeia Arraiana

Gravura do início do séc. XIX que representa Jenner a vacinar o seu próprio filho contra a varíola (ao colo da sua esposa).
O autor da gravura, ao deixar entrever uma vaca através da janela,
faz uma referência explícita à origem do método profiláctico descoberto por Edward Jenner

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Colóquio de Homenagem a Pinharanda Gomes

Na sequência da atribuição do Doutoramento Honoris Causa a Pinharanda Gomes pela UBI (Universidade da Beira Interior) realizou-se, nos dias 8 e 9 de Junho, um Colóquio de Homenagem a este nosso prezado e ilustre sabugalense, promovido pela UBI e pela Câmara Municipal do Sabugal. Participaram várias e notáveis personalidades conforme podemos verificar no flyer aqui reproduzido.

Uma das sessões, no dia 8, na Covilhã, num dos anfiteatros da Faculdade de Letras da UBI - Adérito Tavares - Capeia Arraiana

Uma das sessões, no dia 8, na Covilhã, num dos anfiteatros da Faculdade de Letras da UBI

Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

Histórias lisboetas (II)

Lisboa é uma das cidades mais belas do mundo. Todos o sabemos, todos o dizemos. Existe a Lisboa turística, da Baixa, do Chiado, do castelo de São Jorge, de Belém e dos seus monumentos. E a Lisboa castiça, de Alfama, da Mouraria, da Madragoa, das casas de fado e dos botequins. E a Lisboa do Tejo, o rio sempre presente, que avistamos de todo o lado e dá à cidade uma luz rara. E existe ainda uma outra Lisboa, feita de pormenores em que poucos reparam, que inspirou pintores e poetas, músicos e romancistas: os miradouros, as escadinhas, a calçada portuguesa, os azulejos antigos e modernos… Foi esta a cidade que José Cardoso Pires descreveu num livro lindíssimo: «Lisboa – Livro de Bordo» (1998).

Miradouro da Senhora do Monte na Graça em Lisboa - Capeia Arraiana

Miradouro da Senhora do Monte na Graça em Lisboa

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Doutoramento Honoris Causa de Pinharanda Gomes

A Universidade da Beira Interior (UBI) atribuiu esta terça-feira, dia 20 de Março, o grau de Doutor Honoris Causa a Jesué Pinharanda Gomes, ensaísta, pensador, escritor, filósofo e historiador. O mais alto responsável pela Igreja Católica em Portugal, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, foi o padrinho do homenageado, que é natural da freguesia de Quadrazais, no concelho do Sabugal. Jesué Pinharanda Gomes é o 19.º Doutor Honoris Causa pela UBI.

Intervenção de D. Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca de Lisboa, que apadrinhou o Doutoramento - Capeia Arraiana

Intervenção de D. Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca de Lisboa, que apadrinhou o Doutoramento

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Sofonisba Anguissola – Pintora na Europa do Renascimento

Até ao século XIX eram muito raras as mulheres pintoras. Ou as mulheres poetas, compositoras, filósofas, cientistas… E era mais raro ainda a História registar a sua existência e as suas obras… Em Portugal, Josefa de Óbidos é uma dessas raras excepções. Também Sofonisba Anguissola foi uma das poucas mulheres pintoras, cuja obra brilhou na Europa do Renascimento. Ainda no âmbito do Dia Internacional da Mulher, celebrado no passado dia 8, vou hoje apresentar esta pintora fascinante e de estranho nome aos leitores do Capeia Arraiana que não a conhecem.

Autorretrato de Sofonisba Anguissola feito em 1556, aos 21 anos - Capeia Arraiana

Autorretrato de Sofonisba Anguissola feito em 1556, aos 21 anos

Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

Histórias lisboetas (I)

Hoje proponho aos leitores do «Capeia Arraiana» um percurso por Lisboa com o objectivo de descobrir pormenores menos conhecidos e contar aquilo a que os franceses chamam a «petite histoire», isto é, pequenas histórias da História.

Parte superior do Arco da Rua Augusta, em Lisboa - Capeia Arraiana

Parte superior do Arco da Rua Augusta, em Lisboa

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A outra América

Depois de alguns meses de ausência, regresso hoje ao convívio dos leitores do «Capeia Arraiana» para reflectirmos sobre o passado e o presente desse extraordinário e paradoxal país que são os Estados Unidos da América.

Le Petit Journal - Capeia Arraiana

Capa do suplemento dominical do magazine francês «Le Petit Jounal» de 7 de Maio de 1911

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A menina dos cinco olhos

Acabo de ler o texto do meu prezado amigo Paulo Leitão Batista intitulado «Os castigos corporais aplicados na escola». Claro que não posso deixar de concordar genericamente com ele e com o autor que cita (o Dr. Cruz Neves que, curiosamente, foi meu professor na Escola do Magistério Primário de Lisboa). Mas irei mais longe, ao recusar terminantemente toda a «pedagogia do tabefe». Peço licença a Paulo Leitão Batista para retomar provisoriamente um espaço do Capeia Arraiana que já ocupei com alguma regularidade – Na Raia da Memória, – para trazer mais algumas achegas a uma temática que tanto marcou (negativamente) a minha infância e a de muitos dos leitores mais velhos.

Escola Medieval - Adérito Tavares - Capeia Arraiana

Escola Medieval

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No centenário do nascimento de João António Nabais

Entre os meus conterrâneos, o Dr. João António Nabais foi um dos mais notáveis. Os mais velhos lembram-se bem dele, da sua personalidade enérgica e empreendedora, do seu amor por Aldeia do Bispo e pelas suas gentes. As palavras que se seguem destinam-se, principalmente, aos mais novos, para que saibam um pouco mais acerca do «senhor que tem um busto de bronze no jardim do Lar de Santo Antão*».

Busto de bronze do Dr. Nabais existente no jardim do Lar de Santo Antão, em Aldeia do Bispo. Ao fundo, as instalações do Lar. No Colégio Vasco da Gama existe outro busto igual. Foram ambos obra do escultor João Barata Feyo.

Busto de bronze do Dr. Nabais existente no jardim do Lar de Santo Antão, em Aldeia do Bispo. Ao fundo, as instalações do Lar. No Colégio Vasco da Gama existe outro busto igual. Foram ambos obra do escultor João Barata Feyo.

Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

500 anos do Foral Manuelino do Sabugal

No território em que hoje se situa o concelho do Sabugal existiram, até à Reforma Administrativa do século XIX, cinco concelhos: Alfaiates, Sortelha, Vila do Touro, Vilar Maior e Sabugal. Não era caso único. Quando hoje se proclamam palavrosas intenções de fusão de freguesias e de concelhos, esquecem-se tempos em que isso já foi feito. As centenas de concelhos que foram germinando pelo País à medida que a Reconquista foi avançando eram necessárias porque as terras precisavam de povoadores e cultivadores. Boa parte dessas terras eram doadas pelos monarcas a nobres ou a instituições eclesiásticas (eram as honras e os coutos); outras permaneciam propriedade régia (os reguengos); outras, finalmente, eram transformadas em concelhos.

A vila do Sabugal no século XVI, segundo um desenho aguarelado de Brás Pereira, feito em 1642 com base no “Livro das Fortalezas” (de c. 1509), de Duarte d’Armas - Adérito Tavares - Capeia Arraiana

A vila do Sabugal no século XVI, segundo um desenho aguarelado de Brás Pereira,
feito em 1642 com base no «Livro das Fortalezas» (de c. 1509), de Duarte d’Armas

Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

Maria C. Ventura – uma pintora por terras do Sabugal

A actual Direcção da Casa do Concelho do Sabugal incluiu no seu plano de actividades algumas iniciativas de carácter cultural, como por exemplo o lançamento de livros e a apresentação de exposições. Em tempos demasiado materialistas, nunca é de mais realçar a importância da cultura humanística, de que as artes plásticas são parte substancial.

Ponte de Sequeiros - Pintura de Maria C. Ventura
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D. Manuel Vieira de Matos – Bispo da Guarda

D. Manuel Vieira de Matos foi bispo da Guarda entre 1903 e 1914 e arcebispo primaz de Braga entre 1914 e 1932, num dos períodos mais conturbados das relações Estado-Igreja em Portugal. Pinharanda Gomes, cuja fecunda pena tratou brilhante e exaustivamente a História da Diocese da Guarda, escreveu sobre D. Manuel Vieira de Matos: «…contribuiu decisivamente para o renascimento católico do país antes de 1920, apesar dos vexames e exílios de que foi vítima, por parte do Governo da República.»

D. Manuel Vieira de Matos, Bispo da Guarda - Adérito Tavares - Capeia Arraiana

D. Manuel Vieira de Matos, Bispo da Guarda

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Um aristocrata republicano

No Sabugal, as notícias da proclamação da República chegaram depressa. Uma semana depois do 5 de Outubro, um grupo de respeitados cidadãos republicanos formou um executivo camarário provisório, presidido pelo Doutor Aurélio de Almeida Santos e Vasconcelos da Silveira, Morgado de Sortelha.

Brasão dos Condes de Sortelha (1527-1617) - Adérito Tavares - Capeia Arraiana
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O Colégio de Aldeia da Ponte

Em Outubro de 2010, no âmbito das comemorações do Centenário da República no Sabugal, tive oportunidade de estudar um pouco melhor a questão do encerramento do Colégio de Aldeia da Ponte. A revista «Ilustração Portuguesa», n.º 242, de 10 de Outubro de 1910, publica uma interessante reportagem sobre estes factos, com excelentes imagens do fotógrafo Ayres, da Guarda. Pelo seu ineditismo e relevância achei que poderia interessar aos leitores do «Capeia Arraiana».

1 - Reportagem da revista «Ilustração Portuguesa» de 10 de Outubro de 1910 sobre o encerramento do Colégio de Aldeia da Ponte - Adérito Tavares - Capeia Arraiana 2 - Reportagem da revista «Ilustração Portuguesa» de 10 de Outubro de 1910 sobre o encerramento do Colégio de Aldeia da Ponte - Adérito Tavares - Capeia Arraiana 3 - Reportagem da revista «Ilustração Portuguesa» de 10 de Outubro de 1910 sobre o encerramento do Colégio de Aldeia da Ponte - Adérito Tavares - Capeia Arraiana
4 - Reportagem da revista «Ilustração Portuguesa» de 10 de Outubro de 1910 sobre o encerramento do Colégio de Aldeia da Ponte - Adérito Tavares - Capeia Arraiana 5 - Reportagem da revista «Ilustração Portuguesa» de 10 de Outubro de 1910 sobre o encerramento do Colégio de Aldeia da Ponte - Adérito Tavares - Capeia Arraiana 6 - Reportagem da revista «Ilustração Portuguesa» de 10 de Outubro de 1910 sobre o encerramento do Colégio de Aldeia da Ponte - Adérito Tavares - Capeia Arraiana

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Confraria Bucho Raiano - Capeia Arraiana (orelha)

Sapiência no V Capítulo da Confraria do Bucho

«Irmandades e Confrarias» foi o tema proposto pela Chancelaria da Confraria do Bucho Raiano para a Oração de Sapiência do V Capítulo e que foi, desde logo, aceite pelo professor Adérito Tavares, natural de Aldeia do Bispo, no concelho do Sabugal, onde teve lugar a cerimónia. A apresentação foi acompanhada por imagens projectadas que complementaram as palavras (brilhantes) com que o ilustre raiano brindou os participantes em mais um momento histórico da Confraria do Bucho Raiano.

Oração de Sapiência - Prof. Adérito Tavares - Aldeia do Bispo - V Capítulo - Confraria Bucho Raiano - Capeia Arraiana

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O amigo ribacudense de Rembrandt

Em 5 de Dezembro de 1496 o rei D. Manuel I assinou o decreto que forçava os judeus a converter-se ao cristianismo ou, caso recusassem, a serem expulsos de Portugal. Muitos dos que se viram obrigados a sair da terra onde nasceram foram estabelecer-se em países mais tolerantes, como a Holanda. Alguns deles eram cultos e dinâmicos, gente que viria a fazer muita falta em Portugal e que, em contrapartida, contribuiria para o progresso cultural e económico do Norte da Europa. Foi o caso de Martim Álvares (que depois adoptaria o nome hebraico de Ephraim Ezekiah Bueno), médico e amigo do pintor Rembrandt, que a Inquisição tinha forçado a sair de Castelo Rodrigo ainda criança.

Rembrandt: A Lição de Anatomia do Dr. Tulp (1632)

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Vitória de Pirro

Mais uma vez escrevo uma crónica para o «Capeia Arraiana» motivado por escritos alheios. Neste caso pela recente utilização, pela comunicação social, da expressão «vitória de Pirro» a propósito do magro sucesso do PS nas recentes eleições para o Parlamento Europeu. Quem foi Pirro e que vitória foi a sua? E, já agora, podemos completar este texto comentando mais algumas «estórias da história», umas com sentido metafórico e outras apenas curiosas.

O rei Pirro. Mármore romano do séc. I d.C.

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Maio, maduro Maio

Sem menosprezo por todos os outros colegas de blogue», aprecio particularmente os «posts» do nosso prezado conterrâneo Fernando Lopes. A sua recente crónica «Maio», motivou-me a escrever sobre o mesmo tema. Com a devida vénia, aqui vai.

Capa do disco de José Afonso «Maio, maduro Maio» (1971) - Capeia Arraiana Desfile de tropas no 28 de Maio de 1926; em primeiro plano, o general Gomes da Costa que, a partir de Braga, desencadeou o golpe militar que daria início a uma Ditadura de quase meio século Imagem icónica do Maio de 68 em Paris com Daniel Cohen-Bendit, um dos líderes do movimento estudantil, a enfrentar a Polícia com um sorriso desafiador - Capeia Arraiana

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Panteões

Quando, no século V a.C., na Grécia Antiga, os atenienses já tinham construído o Pártenon, ainda os Germanos, antepassados dos actuais Alemães, viviam em cabanas de colmo e os índios da América faziam a dança da chuva à volta de um tótem. Entretanto, durante esse século prodigioso, Sócrates ensinava filosofia, Sófocles escrevia as suas tragédias, Fídias esculpia obras-primas de mármore, os atletas disputavam o pentatlo em Olímpia e, em 490 a.C. Atenas vencia os Persas na batalha de Maratona. Entre 700 e 300 a.C., os Gregos geraram a matriz cultural que o Ocidente herdaria e de que ainda hoje se orgulha. E que faz agora o Ocidente? Humilha e desrespeita o berço de uma civilização inigualável.

Panteão Nacional de Santa Engrácia em Lisboa - Capeia Arraiana

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Navasfrías e Museu Casa Lis de Salamanca

Nos anos quarenta e cinquenta do século passado, a minha terra, Aldeia do Bispo, dependia mais das povoações vizinhas do lado de lá da Raia do que das do lado de cá. O fraco rendimento agrícola era complementado com as pesetas ganhas com o contrabando que se levava até Valverde, El Payo, Robleda, Eljas, San Martín e, mais para o interior, Coria e Plasencia. Ia-se a Navasfrías (por ali dizia-se Nasfrias) comprar pão e azeite, alpergatas e pana (bombazina) e até remédios.

Museu de Arte Nova e Art Déco Casa Lis, em Salamanca - Capeia Arraiana

Vista nocturna da fachada em vidro «arte nova» do Museu Casa Lis, Salamanca

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Sobre as origens do Forcão

Nas Jornadas sobre Tauromaquias Populares a que fiz referência na minha crónica anterior, realizadas no Sabugal em Novembro de 2012, intitulei a minha comunicação «O forcão como elemento identitário da capeia arraiana». De facto, é o forcão que dá verdadeira originalidade às capeias da Raia sabugalense.

Origens do Forcão - Adérito Tavares - Capeia Arraiana Origens do Forcão - Adérito Tavares - Capeia Arraiana Origens do Forcão - Adérito Tavares - Capeia Arraiana
Origens do Forcão - Adérito Tavares - Capeia Arraiana Origens do Forcão - Adérito Tavares - Capeia Arraiana Origens do Forcão - Adérito Tavares - Capeia Arraiana

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Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

Sobre as origens da Capeia Arraiana

Em Novembro de 2012 participei nas Jornadas sobre Tauromaquias Populares, no Sabugal. Foram apresentadas muitas e variadas comunicações que aguardam a publicação das respectivas actas para chegarem às mãos do público. Entretanto, acho que um blogue que se chama «Capeia Arraiana» é um bom espaço para retomar duas questões que então abordei e que ainda continuam em aberto: «As origens da capeia» e «As origens do forcão». Em duas crónicas sucessivas, tentarei trazer mais algumas achegas a estes dois apaixonantes e discutidos temas da antropologia cultural raiana.

Iluminura da cantiga 144 das «Cantigas de Santa Maria», de Afonso X, o Sábio, sobre o «Touro nupcial de Plasencia» - Capeia Arraiana

Iluminura da cantiga 144 das «Cantigas de Santa Maria», de Afonso X, o Sábio,
sobre o «Touro nupcial de Plasencia»

Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

«Correr» os bois…

Todos os que conhecemos bem os rituais da capeia arraiana sabemos que o momento fulcral é a «espera« dos touros ao forcão. No entanto, a fase seguinte («correr» os bois), fez sempre parte da capeia tradicional, a ponto de Joaquim Manuel Correia, no final do século XIX, chamar à própria capeia «folguedo».

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Cinquentenário da «Pacem in Terris» de João XXIII

Sou colaborador esporádico da revista «Família Cristã». Há uns meses, a respectiva coordenadora editorial, a minha prezada amiga Dra. Sílvia Júlio, solicitou-me um artigo sobre a Encíclica «Pacem in Terris», do Papa João XXIII, cujo cinquentenário passa agora. Achei que, devidamente revisto e redimensionado, esse artigo poderia interessar aos leitores do «Capeia Arraiana».

Papa João XXIII
 As crianças são as mais inocentes vítimas da guerra Míssil intercontinental russo SS20, com três ogivas nucleares Explosão termonuclear

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Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

Congresso luso-espanhol sobre Alcanices

O «Capeia Arraiana» ganhou recentemente uma nova colaboradora de excelência. Refiro-me à Doutora Maria Máxima Vaz, uma assumida sabugalense, professora distinta e investigadora de reconhecidos méritos. Os seus textos aqui publicados, sobre D. Dinis e Riba Côa, comprovam-no.

Congresso luso-espanhol sobre o Tratado de Alcanices - Adérito Tavares

Tratado de Alcanices – Comemorações do VII Centenário

José Carlos Lages - Capeia Arraiana - Orelha

D. Dinis – Entre Odivelas e o Sabugal (1)

O Capeia Arraiana juntou, em Odivelas, junto ao túmulo de El Rei D. Dinis dois dos mais ilustres historiadores do concelho do Sabugal: Maria Máxima Vaz e Adérito Tavares. O resultado dessa histórica conversa – «Por terras de D. Dinis… Na Raia da Memória» – é um documentário dividido em dois episódios que nos orgulhamos de publicar e partilhar com todos. Os documentários podem ser vistos na LocalVisãoTV na Zon (posições 14 e 199), Meo (198 e 199), Cabovisão (16), Vodafone TV (198 e 199) e Optimus Clix (19).

LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana

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Autoria: Capeia Arraiana posted with Galeria de Vídeos Capeia Arraiana

À Fala Com... - © Capeia Arraiana

D. Dinis – Entre Odivelas e o Sabugal (2)

O Capeia Arraiana juntou, em Odivelas, junto ao túmulo de El Rei D. Dinis dois dos mais ilustres historiadores do concelho do Sabugal: Maria Máxima Vaz e Adérito Tavares. O resultado dessa histórica conversa – «Por terras de D. Dinis… Na Raia da Memória» – é um documentário dividido em dois episódios que nos orgulhamos de publicar e partilhar com todos. Os documentários podem ser vistos na LocalVisãoTV na Zon (posições 14 e 199), Meo (198 e 199), Cabovisão (16), Vodafone TV (198 e 199) e Optimus Clix (19).

LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana

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Autoria: Capeia Arraiana posted with Galeria de Vídeos Capeia Arraiana

À Fala Com... - © Capeia Arraiana

Documentário sobre El Rei D. Dinis

O Capeia Arraiana juntou, em Odivelas, junto ao túmulo de El Rei D. Dinis dois dos mais ilustres historiadores do concelho do Sabugal: Maria Máxima Vaz e Adérito Tavares. O resultado dessa histórica conversa é um documentário dividido em dois episódios que vão ser transmitidos pela LocalVisãoTv na Internet e nos canais por cabo Meo, Zon, CaboVisão, Optimus e Vodafone e pelo Capeia Arraiana na Internet.

Documentário sobre D. Dinis - Maria Máxima Vaz e Adérito Tavares - Capeia Arraiana

Documentário sobre D. Dinis no Mosteiro de Odivelas com os historiadores Maria Máxima Vaz e Adérito Tavares

Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

A Confraria do Bucho Raiano na Casa Pia (4)

Concluímos hoje a publicação de um conjunto de crónicas sobre a Casa Pia de Lisboa. Esta quarta crónica, que não estava inicialmente pensada, resulta de um oportuno comentário ao meu segundo texto feito pelo José Carlos Lages sobre os dois casapianos que fundaram o jornal «A Bola» – Cândido de Oliveira e Ribeiro dos Reis. Na sequência desse comentário foi-me feita a sugestão que eu escrevesse uma nova crónica sobre os casapianos e o desporto. Aceitei o repto e o texto aqui está.

Uma das primeiras equipas de futebol do nosso país: o Grupo de Foot-Ball da Casa Pia de Lisboa que, em 1897, bateu os ingleses do Carcavellos, os verdadeiros introdutores deste desporto entre nós. Reconhecemos Januário Barreto, na fila do meio, sentado, à direita. O capitão, com a bola, é Pedro Guedes, futuro pintor e professor de Desenho e Pintura na Casa Pia

Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

A Confraria do Bucho Raiano na Casa Pia (3)

A Casa Pia no Portugal Democrático (1974-2013). Continuamos, este domingo, a publicação de uma síntese sobre o passado e o presente da Casa Pia de Lisboa.

Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

A Confraria do Bucho Raiano na Casa Pia (2)

A Casa Pia na I República e no Estado Novo (1910-1974) – Prosseguimos hoje a publicação de uma síntese sobre o passado e o presente de uma das instituições de ensino mais antigas e prestigiadas do nosso País, com o objectivo de levar ao conhecimento dos leitores deste blogue a história da Casa Pia. A verdade histórica (na sua relatividade) e não os sensacionalistas «fait-divers» jornalísticos. Simultaneamente, como os leitores se aperceberão, vamos fazendo o enquadramento na evolução histórica do País.

Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

A Confraria do Bucho Raiano na Casa Pia (1)

Os leitores do «Capeia Arraiana» já tiveram conhecimento da magnífica jornada de intercâmbio gastronómico levada a cabo pela Confraria do Bucho Raiano em colaboração com um dos colégios da Casa Pia de Lisboa, o Centro de Educação e Desenvolvimento D. Maria Pia, onde funciona um Curso de Restauração. Em boa hora isso aconteceu: promoveu-se a região sabugalense, a sua cultura e a sua gastronomia. A presença da Presidente do Conselho Directivo da Casa Pia, Dra. Cristina Fangueiro, da Vice-Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Dra. Delfina Leal, dos dirigentes máximos da Confraria, bem como de outros confrades e conterrâneos sabugalenses contribuiu para dar solenidade e dignidade à sessão. Eu próprio tive oportunidade de conduzir os participantes, através de algumas imagens, «por terras de Riba Côa» e pelos principais pratos da gastronomia tradicional ribacudense.

Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

Remar contra a maré

Uns falam, outros fazem. Uns lamentam-se, outros ousam. Uns acautelam o que têm no colchão ou nas offshores, outros investem e valorizam a sua terra.