Category Archives: Histórias de Almanaque

A fama do vinho português em Inglaterra

No século XVIII, sendo o vinho francês protegido em Inglaterra por um tratado comercial, um bom apreciador de vinhos veio a terreiro denunciar o erro daquele acto, por prejudicar o vinho português, o único que deixava os seus bebedores de excelente e belo humor.

Vinho português

Jonathan Swift e o camponês

Conta-se que Jonathan Swift, o célebre autor do livro As Viagens de Gulliver, indo uma ocasião de jornada, chegou a uma estalagem onde pensou em pernoitar.

Jonathan Swift

O padre e o regedor da freguesia

Há muitos anos, numa aldeia do interior de Portugal, certo eclesiástico pregava no púlpito, quando dirigiu um singular apelo aos paroquianos. Na mesma aldeia, o regedor escreveu um ofício muito curioso ao administrador concelhio.

Episódios passados numa aldeia antiga

Os amigos de Petrarca

O escritor e poeta italiano do século XIV, Francesco Petrarca, considerado o fundador do humanismo e o criador do soneto, dedicava-se por inteiro ao estudo. Não lhe restando tempo para a convivialidade pública, muitos pensavam que ele não tinha um único amigo.

Francesco Petrarca

O mancebo romano

Avisaram um dia o imperador romano César Augusto de que em Roma se achava um mancebo em tudo parecido com ele, o que fez com que o imperador ordenasse que o trouxessem à sua presença.

César Augusto

O calendário muçulmano

Os seguidores de Maomé começaram a contar o primeiro ano da sua era numa sexta-feira, dia 16 de Julho – corria o ano 622 da era cristã. Deram-lhe o nome de Hedsjera, palavra árabe que significa fuga ou perseguição, em evocação da data em que Maomé saiu fugitivo de Meca para se refugiar em Medina.

Calendário Islâmico

O calendário jacobino

Com o objetivo de alterar profundamente a organização social, foi criado o calendário da Revolução Francesa, um símbolo de uma nova era que se iniciava. O novo calendário, baseado no ciclo da natureza, tinha características marcadamente anticlericais, daí ser também designado por calendário jacobino.

O Calendário Revolucionário

A festa do Ó

Antigamente designava-se por Ó o beberete, merenda ou convite, que se dava nas catedrais, colegiadas e mosteiros, em cada um dos sete dias antes do Natal, principiando nas primeiras vésperas da festa da Expectação que também foi chamada festa do Ó. Daqui nasceria a festa da Senhora do Ó.

O «convite» do Ó deu lugar ao culto de Nossa Senhora do Ó

A simbologia da mão

Uma mão branca era, nos tempos antigos, símbolo de inocência; uma mão vermelha simbolizava a força do guerreiro; uma mão calosa indicava vulgaridade.

As mãos podem ter uma forte simbologia

Os pretendentes de Penélope

Quem já leu a Odisseia de Homero sabe que Ulisses deixou a sua mulher Penélope esperando pelo seu regresso da campanha de Tróia. A delonga foi, porém, tão prolongada que muitos deram Ulisses por morto e a bela Penélope por viúva.

Penélope foi fiel a Ulisses

A nefasta varejadura das oliveiras

Desde a antiguidade que tem sido condenado o uso bárbaro de varejar as oliveiras. Propõem os entendidos que a apanha da azeitona se faça à mão, utilizando escadas e tesouras, ou usando canas flexíveis, tudo de modo a poupar os ramos tenros da árvore.

Apanha da azeitona

As histórias do marechal de Villars

O marechal Claude Louis Hector de Villars foi um militar notável, cujo nome ficou na história de França, não apenas pelas glórias nos campos de batalha, mas também pelos muitos episódios rocambolescos que se dizem ter acontecido na sua longa vida.

Marechal de Villars

A sátira de Simónides sobre as mulheres

As mulheres têm tido detratores em todos os tempos, mas há quem atribua a Simónides, poeta lírico nascido na ilha de Ceos, na Antiga Grécia, a rábula de maior mau gosto sobre a condição feminina.

Para Simónides o carácter das mulheres depende dos seus elementos de origem

Beber em convívio

Beber em boa companhia, acompanhando um saboroso petisco ou uma lauta refeição, é coisa muito comum. Mas há quem defenda que a virtude de uma refeição é proporcionar um momento de farta beberagem entre os que se juntam ao redor da mesa.

Os Bêbados – de José Malhoa

A espada do Papa Júlio II

O papa Júlio II (pontífice de 1503 a 1513) incumbiu Miguel Ângelo de lhe fundir a estátua, pretendendo ficar para a posteridade com uma espada segura na mão esquerda.

O Papa Júlio II

As alucinações do general Ramires

Na altura da Segunda Guerra Mundial o governo de Portugal temeu que houvesse uma invasão dos Açores, atendendo à localização estratégica do arquipélago, no Atlântico, a meio caminho entre a Europa e a América do Norte. Face a isso, reforçou o dispositivo militar que estava a cargo do general Ramires, então comandante em chefe das forças que guarneciam as ilhas.

Açores

A mudança do baú

Conta-se num velho almanaque de 1870 que, uma vez, em Lisboa, um inquilino quis mudar de domicílio, passando de Alfama para Santa Isabel. Dentre a pouca mobília que possuía contava-se um velho e carunchoso baú.

Um velho baú

A louca paixão do general Bannier

John Bannier (1601-1641) foi um general sueco, herói da Guerra dos Trinta Anos, que também ficou conhecido pela fogosa paixão que teve pelas suas mulheres. Morreu novo e, conta-se, foi a felicidade que o matou.

O general Bannier combateu na Guerra dos 30 Anos

A lição do jovem tenente

John Jervis, conhecido por Lord Saint-Vincent (1735-1823), almirante inglês, era de uma exigência diabólica em matéria de serviço, sendo temido por todos os oficiais que iam a despacho. Mas um jovem tenente soube ripostar às suas duras imposições.

O Almirante inglês Saint-Vincent

Os bons conselhos de Pitágoras

Pitágoras não foi apenas um filósofo e matemático. Este grego jónico, nascido na ilha de Samos, foi também um moralista, que deixou conselhos práticos, decorrentes do que ele próprio aprendeu com a vida.

Pitágoras (582 – 497 a.C.)

A equação do tempo

Alguns almanaques antigos continham informação sobre a precisão das horas, minutos e segundos em cada dia do ano, estabelecendo as diferenças entre o tempo verdadeiro e o tempo uniforme, a que se chamava Equação do Tempo.

A tábua da equação no ano1871.

O casaco com racha atrás

O mundo está repleto de preconceitos, dentre eles o da roupa que se veste. Na década de 1960, um estilo novo que surgiu entre a juventude – o casaco com racha atrás – causou a ira e a indignação dos que rapidamente conotaram o uso dessa peça de vestuário com um desvio de sexualidade.

Casaco com racha atrás – uma indignidade que gerou manifestações de ódio

O dia 14 de Agosto na vida de El-rei João I

A data 14 de Agosto está associada a três acontecimentos históricos importantes na vida do Rei de Portugal João I. Foi nesse dia que se deram a batalha de Aljubarrota (em 1385), a tomada de Ceuta (em 1415) e a morte do próprio monarca (em 1433).

Batalha de Aljubarrota

O Intruja a Gente

Após a implantação da República apareceu em Portugal, entre outros, o jornal «O Intransigente», que empolgava os valores republicanos. Mas o dito periódico ganhou ferozes adversários que, para o desprestigiarem industriavam os ardinas a apreguá-lo como «O Intruja a Gente».

Machado Santos – herói republicano e fundador do jornal «O Intransigente»

O dia da Circuncisão

A circuncisão é uma cerimónia praticada por diferentes povos, entre os quais se inclui o povo judeu. Jesus Cristo foi também sujeito ao ritual.

Circuncisão – um ritual antigo

Alterações climáticas

Fala-se hoje abundantemente nas alterações do clima como se tal fosse um fenómeno novo, uma originalidade do tempo em que vivemos. A verdade é que a história da Terra está cheia de fenómenos de modificação climática que levaram a grandes transformações na crosta terrestre, na vegetação e na vida animal.

Outono de seca em Portugal - António Emídio - Capeia Arraiana

Alterações do clima – uma realidade há muito sentida

Troca de roupa como sinal de luto

O Almanach Insulano, dedicado aos Açores e à Madeira, apresenta na sua edição de 1874 um texto de Gonçalo Rodrigues da Câmara Lima com a descrição de costumes fúnebres sui generis que aconteciam em pequenas aldeias açorianas da Ilha Terceira.

Havia costumes fúnebres estranhos

Eleições – uma calamidade para a sociedade

No Brasil de 1859, um rico dignatário irrompeu em impropérios contra a nova moda que tomava forma na política nacional: as eleições. Para ele a ida a votos era uma terrível calamidade que se abatia sobre o Brasil, pondo em luta irmão contra irmão.

Grupo de fazendeiros vem à cidade para votar

Introdução do tabaco na Europa

As primeiras plantas de tabaco que chegaram à Europa vieram da ilha de Tabago, nas Antilhas, América Central. O uso de tabaco generalizou-se muito depressa, consumindo-se pela inalação de fumo e de pó, e ainda em tisanas para fins medicinais.

Plantação de tabaco

Um defensor e um opositor do tabaco

Olivier de Serres, célebre agrónomo e escritor francês do final do século XVI, foi um eminente propagador das qualidades do tabaco. Já para o inglês Peter Columbell, que viveu na mesma época, o tabaco era detestável por ser nocivo para o indivíduo e para a sociedade.

Fumando tabaco

O juramento dos mortos no antigo Egipto

O antigo Egipto havia um profundo apego à religião e à crença da vida para além da morte, sendo arreigado uso fazer acompanhar os mortos por um documento que atestava que não cometeram faltas graves durante a vida terrena.

Sarcófago egípcio

As causas do suicídio no Século XIX

Um estudo comparativo dos suicídios ocorridos em Londres e Paris, em meados do século XIX, revelou que um quarto tinha por causa penas amorosas, outro a miséria, outro as doenças precedidas de intemperança e outro as perdas no jogo ou desastres repentinos de fortuna.

Entre os jovens preferia-se a morte por suspensão

O cavalo de Júlio César

No império Romano os cavalos lusitanos gozavam de enorme reputação. Conta-se que o general e imperador Júlio César não queria para si e para a sua guarda de honra outros cavalos que não os da raça lusitana.

Júlio César ao comando das hostes romanas

Os cedros do Líbano

Não é por acaso que o cedro é o símbolo nacional do Líbano, de resto presente na própria bandeira do país – foi com a madeira daquelas árvores majestosas que o rei Salomão mandou edificar o magnífico templo de Jerusalém.

Um formoso cedro do Líbano

A boa e a má sina dos patos

Para além dos patos, poucas aves haverá que tenham experimentado de tão perto os acostumados vaivéns da fortuna, passando de animais míticos e sagrados a bons pitéus na panela e no forno.

Tudo mudou para os antes tão respeitados patos

O mítico Geraldo Sem Pavor

No século XII, em pleno reinado de Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, tomou vulto uma personagem lendária chamada Geraldo Geraldes, que ficaria conhecida para a história como Geraldo Sem Pavor.

Geraldo Geraldes – um sanguinário às ordens de Afonso Henriques

As variedades da pera portuguesa

O velho «Almanach do Lavrador», editado no ano 1866 e organizado pelo lente João Inácio Ferreira Lapa, regista uma lista de nada menos que 46 diferentes variedades de pera, então cultivadas nos campos de Portugal.

A pera portuguesa tem imensas variedades

Magia agrícola

Ainda hoje se crê nos efeitos da magia, achando-se nela explicação para muito do que nos sucede nas nossas vidas. Mas na Roma antiga um lavrador abastado e muito esforçado soube provar que o que tinha era apenas fruto do seu labor e nada devido às famigeradas artes mágicas.

Plínio registou o caso de um romano acusado de artes mágicas

Em defesa do burro

O burro é um animal doméstico que foi muito maltratado e desconsiderado ao longo dos séculos. Na verdade, a sua extrema paciência, o excelente temperamento, a perseverança no trabalho e a resignação nas longas fadigas, deveriam fazer dele um animal heróico e de elevadíssima consideração.

O burro é um animal digno da nossa admiração