Category Archives: Carta Dominical

Jesué Pinharanda Gomes - Carta Dominical - © Capeia Arraiana

O Senhor Abade do Sabugal

Só através do «Amigo da Verdade» de 16 de Julho tivemos notícia escrita e mais circunstanciada do passamento do senhor Padre António Teixeira de Almeida Souta (Belmonte, 1921 – Cerdeira do Côa, 6.7.2017), antigo Abade do Sabugal. Com a dignidade de Abade, havia dois no concelho: Sabugal e Quadrazais. Outras paróquias tinham as dignidades de Vigário, Prior, Reitor e Cura. Também era nomeado por Padre Soita.

Padre António Teixeira Souta

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A Guarda – a montanha mágica de Eduardo Sucena

Escritor de afectos e de selectivos temas, Eduardo Sucena terá dedicado as suas principais obras à cultura de Lisboa.

Eduardo Sucena

Eduardo Sucena

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Pela cultura popular

A imprensa cultural com origem nas regiões para além da capital constitui uma realidade a vários títulos interessante e, todavia, é raro vê-la noticiada ou apenas recensionada nos massivos meios da comunicação social.

O Mensário foi mestre da cultura e da portugalidade

O Mensário foi mestre da cultura e da portugalidade

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Variações sobre a batata

A propósito da cultura da batata no concelho do Sabugal.
Sem que o tivesse procurado, veio ter-me às mãos um opúsculo de 27 páginas, intitulado «Cultivo de la Papa (Patata)», da autoria de um economista chamado Gustavo Echavarria, opúsculo esse publicado pelas Ediciones del Ministeriode la Economia Nacional da Colômbia, através da Imprensa Nacional deste País, sem indicação da data, mas talvez publicado há mais de setenta anos.

O concelho do Sabugal foi importante produtor de batata

O concelho do Sabugal foi importante produtor de batata

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O Centro Católico no concelho do Sabugal em 1918

Há uns bons anos atrás estudámos o movimento social católico entre os anos de 1850-1930, com ênfase na fundação da Associação Católica do Porto (1871), no Centro Católico Português (1917) e na criação ou reorganização de muitas obras dispersas e sem coordenação, na chamada Acção Católica Portuguesa (1933).

D. José Alves Matoso (ao centro) era Bispo da Guarda em 1918

D. José Alves Matoso (ao centro) era Bispo da Guarda em 1918

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Umas notícias atrasadas e avulsas

Oferta a eventuais investigadores de cultura, uma nota sobre a obra deixada na Guarda por Sande e Castro e um pormenor da vida de Nuno de Montemor.

Pinharanda Gomes revela-nos, entre outras coisas, um pormenor da vida de Nuno de Montemor

Pinharanda Gomes revela-nos, entre outras coisas, um pormenor da vida de Nuno de Montemor

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A reforma agrária nas Peladas

As crises reais da renovação populacional e do abandono da vida rural no interior, com todas as sequelas designadas por desertificação e empobrecimento, têm motivado diferentes pensadores (e não apenas políticos isentos de pensar) à análise e reflexão crítica do fenómeno, pouco se tendo adiantado na renovação agrária.

A Colónia Agrícola Martim Rei na altura em que foi implementada

A Colónia Agrícola Martim Rei na altura em que foi implementada

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Dois sabugalenses historiadores das Misericórdias (2)

A primeira Irmandade da Misericórdia, criada em Lisboa por permissão, consentimento e mandado da Rainha Senhora Dona Leonor, esposa de D. João II, em 1498, votada à prática das obras de misericórdia, a breve trecho avassalou o Reino, em que as Irmandades da Misericórdia se tornaram o principal agente de solidariedade social, melhor, de caridade activa. (segundo de dois artigos.)

O livro de Carlos Dinis da Fonseca

O livro de Carlos Dinis da Fonseca

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Dois sabugalenses historiadores das Misericórdias (1)

A primeira Irmandade da Misericórdia, criada em Lisboa por permissão, consentimento e mandado da Rainha Senhora Dona Leonor, esposa de D. João II, em 1498, votada à prática das obras de misericórdia, a breve trecho avassalou o Reino, em que as Irmandades da Misericórdia se tornaram o principal agente de solidariedade social, melhor, de caridade activa. (O primeiro de dois artigos)

Fernando da Silva Correia  nasceu no Sabugal

Fernando da Silva Correia nasceu no Sabugal

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A trilogia religiosa de Nuno de Montemor (3)

O primeiro «romance» (assim Nuno de Montemor o classificou) de tema bíblico, melhor, de tema inscrito no Novo Testamento, foi «Maria, a Pecadora» (Lx.a, União Gráfica, 1930, 220 pp.) mas na edição não consta, salvo erro e omissão, que esse romance, ou biografia, ou hagiografia, fosse o primeiro volume de uma trilogia. Ao tempo, surgiu como obra independente de outras do mesmo autor.
(o terceiro de 3 artigos)

Nuno de Montemor

Nuno de Montemor

Jesué Pinharanda Gomes - Carta Dominical - © Capeia Arraiana

A trilogia religiosa de Nuno de Montemor (2)

O primeiro «romance» (assim Nuno de Montemor o classificou) de tema bíblico, melhor, de tema inscrito no Novo Testamento, foi «Maria, a Pecadora» (Lx.a, União Gráfica, 1930, 220 pp.) mas na edição não consta, salvo erro e omissão, que esse romance, ou biografia, ou hagiografia, fosse o primeiro volume de uma trilogia. Ao tempo, surgiu como obra independente de outras do mesmo autor.
(o segundo de 3 artigos)

Nuno de Montemor

Nuno de Montemor

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A Trilogia Religiosa de Nuno de Montemor (1)

O primeiro «romance» (assim Nuno de Montemor o classificou) de tema bíblico, melhor, de tema inscrito no Novo Testamento, foi «Maria, a Pecadora» (Lx.a, União Gráfica, 1930, 220 pp.) mas na edição não consta, salvo erro e omissão, que esse romance, ou biografia, ou hagiografia, fosse o primeiro volume de uma trilogia. Ao tempo, surgiu como obra independente de outras do mesmo autor.
(o primeiro de 3 artigos)

Nuno de Montemor

Nuno de Montemor

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A obra única de Franklim Costa Braga

O terceiro volume da obra «Para que não se perca a memória de vida em Quadrazais», da autoria de Franklim Costa Braga.

Franklim Costa Braga na apresentação do seu último livro

Franklim Costa Braga na apresentação do seu último livro

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Gente nossa – Rubens Esaguy

Ao contrário do que ocorreu na medievalidade, em Penamacor, Belmonte e Covilhã, o Sabugal nunca teve «judiaria», isto é, comunidade judaica. Não obstante, as cartas régias de D. Dinis referem com nitidez os direitos e os deveres dos mercadores hebreus que, por então, actuavam na área sabugalense, ligados aos da Guarda, e muito operantes no comércio.

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Gente Nossa – Nuno de Montemor

Aproximando-se o dia em que ocorrerá o 50º Aniversário do falecimento (4.1.1964 – 4.1.2014) do padre Joaquim Augusto Álvares de Almeida, celebrado como Nuno de Montemor, glória das nossas Letras e do nosso concelho, transcrevemos, a este propósito, o artigo que o nosso compatrício Pinharanda Gomes escreveu para o 3º volume da Biblos, Enciclopédia Luso-Brasileira de Literatura.

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Gente nossa: Frei Pedro da Cruz Fernandes

O frei Pedro da Cruz Fernandes, natural da Torre (Sabugal) – um concelho que tem dado muitas vocações missionárias – foi eleito o novo Prior Provincial, da Província Portuguesa da Ordem dos Pregadores.

Frei Pedro da Cruz Fernandes

Frei Pedro da Cruz Fernandes

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Gente Nossa: António Amaro Monteiro

Nascido em 1952 em Aldeia da Dona, freguesia da Nave, António Amaro Monteiro tem jus à consideração de expoente no quadro das gerações que se revelaram na segunda metade do presente século. Licenciado em Filosofia, Filosofia e Ciências da Educação, e Mestre de Filosofia Contemporânea, exerce o ensino secundário em Coimbra, e o seu currículo, que apresenta uma vida cheia de trabalho, não deixará de surpreender muitos de nós, pela variedade de participações em iniciativas culturais e pelo rol de publicações de que é autor.

Jesué Pinharanda Gomes - Carta Dominical - © Capeia Arraiana

Gente Nossa – Dr. Manuel Carlos Martins

No feriado de Santo António em Lisboa, que estava deserta, decidi ir até à Avenida da República, só para confirmar o número do prédio, em cujo rés-do-chão se situava uma pastelaria, ou cafetaria, – prédio esse na esquina da Avenida Miguel Bombarda com a Avenida da República, esquina para o estilo oval, com portas em forma de arco. Verifiquei: n.º 37 do lado da Avenida. Já não pude averiguar o nome da Cafetaria, lá instalada há mais de cinquenta anos.

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Gente Nossa – Dr. Manuel Leal Freire

Um dia, tendo sido orador de um Congresso envolvendo temas da vida regional, alguém me disse: «Bastava o Leal Freire para encher todo o Congresso». Era verdade.

Manuel Leal Freire com D. Duarte Pio de Bragança

Manuel Leal Freire com D. Duarte Pio de Bragança

Jesué Pinharanda Gomes - Carta Dominical - © Capeia Arraiana

O desafio de Franklim Costa Braga

Para que não se perca a memória de 400 anos de vida em Quadrazais.

Franklim Costa Braga

Franklim Costa Braga

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António José de Carvalho

António José de Carvalho era o filho mais velho do Dr. Dionísio de Carvalho, clínico municipal do Sabugal, na primeira metade do século XIX. Os outros dois filhos eram: Agostinho José de Carvalho, professor da Escola Normal de Lisboa e director da Escola Rodrigues Sampaio, tendo sido conferencista apreciado; e Luís José de Carvalho, funcionário das Obras Públicas, em Lisboa.

Jesué Pinharanda Gomes - Carta Dominical - © Capeia Arraiana

João Bigotte Chorão

Crítico, epistológrafo e ensaísta, João Bigotte Chorão nasceu na Guarda, em 18 de Outubro de 1933, de uma família oriunda do Sabugal. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, aqui, e como estudante, militou no CADC, tendo sido então o primeiro responsável pela publicação da revista Estudos, editada por aquele organismo, e onde se encontra variada colaboração da sua autoria.

João Bigotte Chorão

João Bigotte Chorão

Jesué Pinharanda Gomes - Carta Dominical - © Capeia Arraiana

Cónego Álvaro Vaz Quintalo da Cunha

O Cónego Álvaro Vaz Quintalo da Cunha nasceu na freguesia de Rendo, concelho do Sabugal, em 26 de Fevereiro de 1908, e faleceu em 28 de Abril de 2003, com 95 anos de idade. Destacou-se enquanto professor e director do Colégio de S. José, na Guarda.

Cónego Quintalo - Imagem do blogue Sol da Guarda

Cónego Quintalo – Imagem do blogue Sol da Guarda

Jesué Pinharanda Gomes - Carta Dominical - © Capeia Arraiana

Padre António Teixeira Souta

O Abade do Sabugal, agora retirado no Colégio da Cerdeira, nasceu em Belmonte em 9 de Março de 1921, pelo que conta agora com 92 anos de idade.

Padre António Souta na Cerdeira

Padre António Souta na Cerdeira

Jesué Pinharanda Gomes - Carta Dominical - © Capeia Arraiana

A Marcha «Quadrazenha» de José Franco

A «Quadrazenha» é uma bonita marcha-hino, em louvor da mulher de Quadrazais, cuja beleza motiva a letra de uma muito bela melodia. O autor da letra e da música foi o etnógrafo e músico José Inácio Franco, que nos ofereceu o original, passado de sua mão.

Cantadeiras de Quadrazais com Pinharanda Gomes no Sabugal

Cantadeiras de Quadrazais com Pinharanda Gomes no Sabugal

As ocultas veredas…

…ou os trilhos dos contrabandistas, se poderia intitular esta Carta Dominical.

Pinharanda Gomes - Carta DominicalOcultas veredas, porque era sinal de sabedoria e de prudência, manter em segredo os caminhos e veredas que os contrabandistas calcurreavam para chegarem a bom porto, quer dizer, ao sítio onde poderiam dar por bem concluído um trabalho que era, em todos os casos, uma séria aventura.
Com a Europa livre, o conceito de contrabando alterou-se.
Hoje em dia, é contrabando o que, comprado e vendido nos países da Comunidade e dela originários, não tenham prova de pagamento do IVA. O contrabando era isso, porque as mercadorias não pagavam as taxas alfandegárias. De modo que, não sabemos se o contrabando, por falta de pagamento do IVA, terá aumentado ou não.
Quanto ao antigo, elogiamos a iniciativa dos Fóios, que vai revelar as ocultas veredas, entre o lado de cá e os pueblos de Valverde del Fresno e de Navasfrias.
Quem tiver pedalada, bem se pode entregar a um desporto de, através de trancos e barrancos, percorrer um mínimo de umas quase três léguas, a pé.
Agora, não a salto, nem temor dos fuscos, mas livres e encantados.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

pinharandagomes@gmail.com

O português a tratos de polé

Os jornais que compramos, pagando, sujeitam a nossa mente a sádicas torturas, pela forma como os jornalistas escrevem o que sabem escrever.

Pinharanda Gomes - Carta DominicalFormas verbais incorrectas, confusão de verbos (raros distinguem entre ter e estar…), incapacidade de utilizar preposições (tão simples: preposições) como na forma «divorciar com» em vez de «divorciar de», ignorância de significados, atrevimentos na forma de tratar assuntos que lhes provocam dores de dentes, enfim, tudo isto se agrava nas televisões.
Locutores que não distinguem palavras homónimas, nem homófonas e legendaristas que dão pontapés fatais na gramática. Decerto porque erraram na vocação e foram para jornalistas, em vez de terem optado pela carreira de futebolistas.
Para melhor clarificação veja-se a revisteca de televisão do «Correio da Manhã», de 18 de Dezembro. O português está a ser assassinado.
Ainda temos um recurso: falar quadrazenho.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

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Roubo do Sagrado no Vale da Senhora da Póvoa

É necessário um acto de desagravo à Senhora da Póvoa.

Pinharanda Gomes - Carta DominicalEstão frescas na nossa memória as notícias de dois graves sacrilégios: com uma serra de serrar rocha, alguém cortou e roubou as cruzes manuelinas (do século XVI) que desde há séculos estavam implantadas no adro da Matriz de Loures e nos Quatro Caminhos de Frielas. Inacreditável! Para que irão e para que servirão essas cruzes, emblemas do património nacional, acerca de cujo destino não vemos as autoridades em acção. É pedra… Se fossem notas!
Somos agora feridos com uma punhada no peito, quando soubemos que a veneranda e antiga imagem de Nossa Senhora da Póvoa de Vale de Lobo tinha sido roubada do seu santuário.
Nossa Senhora da Póvoa é, desde dos fins do século XVIII, o santuário mariano da Beira Baixa e de Ribacoa. Os mais novos não sabem, mas os da minha geração, jovens nos meados do século XX, ainda nos lembramos das filas de carros de tracção animal (bois, burros ou cavalos) enfeitados com festões e colchas de seda, transportando famílias inteiras, para a Senhora da Póvoa, logo na segunda-feira de Pentecostes. Romagem para dois dias, levava-se de comer o bastante e, à ida e à volta, era costume parar no sítio do Castanheiro das Merendas, já muito depois do Sabugal, para alimentar os animais e as pessoas.
Senhora da PóvoaRomaria de piedade, de promessas e também das folias que vinham de Monsanto e de Penamacor, com os seus estandartes, descantes e bombos; e, algumas vezes, toldados pelo vinho, moços que acabavam em lutas de vida e de morte. Leiam o «Maria Mim» de Nuno de Montemor e a «Celestina» de Joaquim Manuel Correia.
O ladrão deve ter-se arrependido, e abandonou a secular e sagrada imagem, debaixo de uma árvore, onde gente do povo a encontrou. Já devolvida à sua santa casa, falta agora que os povos da Beira-Côa e da Beira da Malcata e do Meimão, procedam a uma cerimónia de desagravo, na presença de todas as autoridades civis, militares e políticas da região. Não é possível que nada se faça como se nada tivesse acontecido:

«Nossa Senhora da Póvoa
Tem um galo no andor,
Cada vez que o galo canta
Acorda Nosso Senhor»

«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes
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D. Manuel Clemente recebe Prémio Pessoa

Um Bispo do Futuro. Um rosto da Igreja em Portugal. É motivo de júbilo para o autor desta carta, a notícia de que o Prémio Pessoa, fora este ano atribuído pelo júri do semanário «Expresso» ao bom amigo e antigo Bispo titular de Pinhel, D. Manuel José Macário do Nascimento Clemente, que tive a honra de conhecer há bem uns trinta anos, e com quem mantive, por sua abertura de espírito, frequentes contactos.

Pinharanda Gomes - Carta DominicalAinda não há muito que tivera a gentileza de prefaciar a nossa Antologia Documental sobre a extinta Diocese de Pinhel, a par de outras gentilezas.
Um tanto alheado do mundo dos prémios, dizem-me que este Prémio Pessoa é de alto significado e que se destina a distinguir personalidades / obras de mérito humanístico e universal, sendo esta a primeira vez que cabe a um bispo e notável pensador.
Nascido em Torres Vedras (1948), ordenado prebístero (1979), nomeado bispo titular de Pinhel (1999) e bispo auxiliar de Lisboa (Janeiro 2000), é, desde 25 de Março de 2007, bispo do Porto, sucedendo a D. Armindo Lopes Coelho.
Muitos sentimos vê-lo colocado fora de Lisboa, onde sempre vivera e trabalhara, mas a missão obriga. Doutorado em teologia histórica (1992), tem desempenhado diversas funções no âmbito da Conferência Episcopal Portuguesa, sobretudo como promotor da Comissão de Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais do Episcopado Português.
Foi vice-reitor dos Seminários dos Olivais e professor na Universidade Católica. Para além de tudo – e muito teve de trabalhar como bispo responsável pelo Oeste do Patriarcado, com todas as freguesias, desde Mafra a Alcobaça – ainda dispôs de ânimo para investigar e publicar, quer em publicações científicas (Boletim de Trabalhos Históricos, Laikos e Lusitânia Sacra, etc.) quer em livros.
Desde logo na sua tese intitulada «Nas Origens do Apostulado Contemporâneo em Portugal. A Sociedade Católica» (1843-1853), e, mais recentemente, dois voluminhos de ensaios e reflexões de história sagrada portuguesa (melhor: da religiosidade portuguesa) e do diálogo Igreja / Mundo: «Portugal e os Portugueses» (2008) e «1810-1910-2010» (2009).
Simplicidade peculiar aos sábios, o Prémio Pessoa honra-o e reflecte a luz na Igreja de que é pastor.
Parabéns, e votos de à maior glória de Deus.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

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Ser criança em Vale de Espinho

«Viagens na minha infância» poderia titular-se ainda «Nostalgia da Pequena Pátria». Assim interpretamos o significado das «lembranças romanescas» ordenadas no recente livro de Joaquim Tenreira Martins, natural da freguesia de Vale de Espinho, no concelho do Sabugal, junto ao ainda criança Rio Côa, mas residente na Bélgica há mais de 30 anos e onde constituiu família.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalTivemos o grato prazer de um primeiro encontro, há pouco tempo atrás, na freguesia de Fóios (Sabugal) onde o Centro Cultural levou a efeito um Encontro de Escritores das Terras do Côa. Na memória ficou-nos então o excelente estudo que ele apresentou acerca dos episódios das invasões francesas nas terras de Riba Côa, episódios esses que não foram menores, uma vez que, do ponto de vista militar, Almeida era o alvo e também Almeida se situa em Riba Côa.
A infância que define a temporalidade deste livro é decerto a que medeia entre 1950/1960, uma vez que o autor, nascido em 1945, desse ano e pouco mais seria difícil possuir uma clara memória, par além da circunstância familiar, em que avulta a personalidade de seu pai, que teve a profissão de alfaiate (mas que também praticava a venda nas feiras e mercados da raia cudana) e em cuja oficina se reuniam várias pessoas da aldeia, que transformavam a alfaiataria em «tertúlia do saber». Para a criança, que então era Joaquim, terão surgido os primeiros clarões acerca de uma realidade maior do que a da sua aldeia, mas não muito para além dela, definindo-se um território minúsculo, em que assumem significação social e geográfica, as aldeias circunvizinhas (Quadrazais, Soito, os «pueblos» para lá da Serra das Mesas, já Castela, a «ancha Castilla». E a Serra da Malcata, o acidente orográfico, mas ainda o espaço de trânsito (das aventuras dos contrabandistas) e de artesanato indústrial, qual a do fabrico de carvão de torga, desde o Alambar até aos redutos da Quinta do Major, ou Quinta dos Pinharandas. Estamos perante uma autobiografia, de modelo memorialístico, em que o escritor não se contempla a si mesmo, nem se torna centro de acção, mas se restringe a espectador convivencial, pois nas pequenas comunidades, todos e cada um acabam por ser comparsa dos acontecimentos, dos gostos e desgostos, e dos tempos e dos sítios.
Viagens da minha infânciaO autor ordena as lembranças em quatro partes. Na primeira, as memórias da infância de quanto ouvia de seu pai; na segunda, intitulada «Os Mitos e os Medos», espaço para fixar os sítios míticos, por vezes fantasmagóricos, as histórias de bruxas, as aventuras de povos móveis como os ciganos, os invernos e as histórias populares acerca dos lobos que desciam da serra; na terceira parte, uma evocação de árvores e de homens: o álamo, e, como árvores em pé, o mítico dr. Armando do Soito (acerca de quem se narravam as mais inverosíveis aventuras cirúrgicas, sem um mínimo de condições) ou do sr. Valente, que levava o seu circo às distantes terras da Raia.
As Memórias terminam com um registo dos usos e costumes e interesses de uma criança – as festividades, as capeias raianas, o pião de amieiro e, também sinal de crescimento, a descoberta do mundo além, a começar por Castela.
Autobiografia parcial quanto ao tempo, ela constitui um registo saboroso da vida quotidiana numa remota aldeia de Riba Côa, cujos usos e costumes permaneceram inalterados e impermeáveis às novidades de fora, incluindo a tradição linguística, pois, embora no quadro ribacudano existissem uma «fala» comum, esta não impedia as «falas» particulares. E, como o autor regista as memórias em conformidade com a fala, encerra o livro com um glossário. De certeza que, hoje em dia, mesmo em Vale de Espinho, as novas gerações necessitam deste glossário para entendimento do que lêem. Tudo muito belo, notamos, porém, a falta de uma ou duas páginas relativas à memória de Carlos Marques, o geógrafo do Côa, que passava as férias na sua aldeia natal e do Zé Margarido, caçador sem descanso.
Esperamos, agora, por um segundo volume, o das viagens à adolescência.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

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As três donzelas de Riba Côa

A edição do romance Celestina, do etnógrafo Joaquim Manuel Correia, da Ruvina, entrelaçando a vida raiana da nossa região, sugere-nos uma breve meditação sobre o amor e a morte.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalCoisas do tempo, criando cenários propícios à ficção romanesca. Temos aí três óbvios exemplos das gestas de coragem e de ousadia entrelaçando com as saudades e as frustrações do amor. Por ordem cronológica: A Rosa da Montanha, o Celestina (se bem que longamente inédito) e o Maria Mim.
Em todos os romances as aventuras guerrilheiras (ao fim e ao cabo, a prática do contrabando era uma espécie de guerrilha…) e a procura da donzela, ao gosto romântico. Em A Rosa da Montanha, duas donzelas, Laura (a Rosa), a Florinda, a quadrazenha, que, ferida e mal ferida de amor, vem a ser a verdadeira heroína do romance; no texto de Joaquim Manuel Correia, Celestina e, no Maria Mim, a própria, morrendo de amor, ou sobre o amor frustrado adormecendo, cansada e destruida, num verde tapete de relva do arraial da Senhora da Póvoa.
Joaquim Manuel Correia aproveitou da sua informação etnográfica para construir um texto muito diferente dos de Carvalho e de Montemor. Com efeito, e conforme escreveu Fernando da Silva Coreia, «o romance é recheado de notas etnográficas e costumes já esquecidos, surpreendendo-se nele conversas, linguagem, cenas familiares e rurais, episódios políticos e religiosos… que o autor colheu com a máxima fidelidade». Dir-se-ia que Celestina foi um exercício pelo qual o autor ensaiou a transposição da colheita etnográfica para a obra de arte literária, repleta também, não apenas do pitoresco, mas da análise psico-social e da escultura do perfil das nossas gentes.
CelestinaO capítulo 55, único que ainda pudemos ler em texto impresso, resulta num admirável painel da religiosidade popular e do significado de Nossa Senhora da Póvoa para os povos da Raia, por isso também motivo no Maria Mim de Nuno de Montemor. O pitoresco, o colorido dos cortejos de carros de bois engalanados com colchas, transportando mães e filhas para a romaria, a animação profana e religiosa durante o tríduo festivo (Domingo, segunda e terças-feiras de Pentecostes) prende a nossa imaginação e sensibilidade. A Senhora da Póvoa foi o santuário mariano por excelência da região. O culto terá começado lá por fins do século XVIII, quando dois pastorinhos encontraram, escondida numas silvas, uma imagem de Nossa Senhora que o povo de Vale do Lobo moveu para a igreja onde pouco tempo esteve, pois se deu o fenómeno de a imagem ter voltado para o silvado. Do ponto de vista das «imagens milagrosas» (aparecidas) esta é apenas uma das dezenas com semelhantes histórias já contadas por Frei Agostinho de Santa Maria. Fosse como fosse, logo em 1802 foram erigidos os cruzeiros, assinalando um novo santuário, cuja capela foi construída em 1874. O sítio atraiu os fiéis, mas também os queixosos de doenças do fígado que se sentiam melhores bebendo água da fonte do santuário. Não sabemos se a imagem antiga ainda se conserva, mas o cancioneiro noticia a existência de duas, a velha e a nova, como se cantava no refrão das Loas poveiras: «Nossa Senhora da Póvoa / Viva a velha / Viva a nova!»
E com isto chegamos ao ponto em que seria lógico começar, indagando quem é a Celestina, que dá o nome ao romance de fundamentação histórica e geograficamente bem definida. No contexto dos episódios da última guerrilha carlo-miguelista, Celestina é uma bonita e educada jovem, filha oculta de um padre que, todavia, revelou a sua existência ao seu bispo. Celestina apaixonou-se por Benito, um carlista castelhano, que vivia oculto na região do Sabugal, e que os acidentes da vida não lhe consentiram dar a felicidade a Celestina, que veio a casar com outro, Alfredo chamado, que felicidade lhe não deu. No epílogo, Celestina e o marido têm ocasião de assistir a uma tourada, em Salamanca. Figura principal do cartaz era Benito, famoso toureiro. Foi este colhido, sem que Celestina o reconhecesse, mas o romancista conta que a última palavra pronunciada pelo toureiro, já no hospital, onde morreu, foi o seu nome: Celestina.
De novo as três infelizes donzelas de Riba Côa: Florinda, prometida a Tomás, mas que se apaixonou pelo estudante Eugénio, que amou sem ser amada, conforme ao entrecho de A Rosa da Montanha; Maria Mim, prometida ao Lareia e que deveio doente de paixão pelo alferes Marinho, que de todo a não merecia; e, agora, Celestina, doente de amor por Benito, e alfim casada com outro, e desfeita em lágrimas face à morte do amado intangido. O enquadramento histórico sustém a credibilidade dos factos e a verosimilhança das ficções, sempre úteis à arte do romance. Por saber fica se o retrato que idealizou da menina Celestina e que ilustra a capa da edição, corresponde apenas à imaginação do escritor. Pouco importa, todavia, para o caso.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

pinharandagomes@gmail.com

«Sic transit gloria mundi»

Há pessoas que só acreditam que existem quando lêem o seu nome impresso.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalAcontece, porém, que existir depende de uma relação no mínimo a dois. Registamos um episódio, não por malquerer, mas por uma recta visão do valor de cada um, mesmo quando o nome desse um é badalado até à saturação pública.
Segundo o «Correio da Manhã», de 19 de Junho, na página 28, um jovem estudante, questionado sobre a forma como lhe correra a prova de Língua Portuguesa, e se escolhera o texto de Camões ou de Saramago, respondeu: «Saiu algum texto de Saramago?»
No mesmo jornal, na edição do dia anterior, na página 30, vem como que uma sentença de morte. Outro estudante, questionado sobre se escolhera o texto do «Memorial do Convento», confessou: «Tentei, mas não consegui, aquilo não é português» (sic). Para reflectir.
p.s. Durante algumas semanas suspendemos esta «Carta Dominical». Boas Férias.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

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Cónego Mário de Almeida Gonçalves

Eis o nome de outro ilustre compatrício sabugalense: Mário de Almeida Gonçalves, nascido em Monte Novo de Pousafoles do Bispo, em 1925.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalFeita a escola primária, foi matriculado no Seminário Menor do Fundão, em 1938, tendo recebido ordens sacras em 1950. Celebrou missa nova, neste mesmo ano na sua terra natal.
Começou por paroquiar diversas freguesias (Sé, na Guarda, Guilheiro e Sebadelhe) tendo sido ainda assistente nacional da Obra de Santa Zita.
Em tempo eleito cónego capitular, assumiu por fim o difícil encargo de Vice-Reitor do Seminário do Fundão, e principal responsável pela formação escolar e espiritual de muitas gerações que frequentaram aquele estabelecimento, do qual saíram vocações que se concretizaram e outras que procuraram outro rumo.
Personalidade e interveniente na vida cívica e religiosa do Fundão, logo que terminou o vice-reitorado, recebeu uma solene homenagem, em que se realça a biografia que lhe dedicou o antigo aluno, eng.º José Pereira Folgado, e que veio a público em 2006.
Agora, o eng.º José Pereira Folgado reuniu em volume toda a documentação relativa à sessão solene de apresentação e lançamento do livro «Cónego Mário de Almeida Gonçalves». É como que o segundo volume da biografia que dedicaram ao antigo Vice-Reitor, uma estrela nos céus das terras de Beira Coa e da diocese da Guarda. O produto da venda do livro reverte, na íntegra, para o Seminário do Fundão. Parabéns. Admirar e agradecer é uma virtude cardeal.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

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Desta vez, para sorrir… uma extravagante factura

Para quebrar o enguiço do pessimismo, achei por bem recorrer à inventiva alheia, transcrevendo um documento que, nos jornais do princípio do século passado, apareceu muitas vezes nas páginas de «Curiosidades» dos jornais.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalDocumento esse que, segundo alguns, estaria na Torre do Tombo. De facto foi ele achado no arquivo da Confraria do Senhor Bom Jesus do Monte, em Braga, com data de 1882. É a factura, ou orçamento, de várias reparações feitas por um santeiro local. Trata-se de uma factura muito objectivamente descritiva, e sem lugar a dúvidas, mas o modo de dizer acaba por ter graça:
«– Por corrigir os dez mandamentos, embelezar Pôncio Pilatos e mudar-lhe as fitas… 1$70.
– Um rabo novo para o galo de S. Pedro e pintar-lhe a crista… $80.
– Dourar e pôr penas novas na asa esquerda do anjo da guarda… $23.
– Lavar o criado do Sumo Sacerdote e pintar-lhe as suíças… 1$00.
– Tirar as nódoas ao filho de Tobias… $20.
– Uns brincos novos para a mulher de Abraão… $98.
– Avivar as chamas do inferno, pôr rabo novo ao diabo e fazer vários consertos nos condenados… 2$40.
– Renovar o céu, arranjar as estrelas e pintar a luz… 1$40.
– Retocar o purgatório e pôr-lhe almas novas… 1$78.
– Compôr os fatos e a cabeleira de Herodes… 1$00.
– Meter uma pedra nova, da funda de David, engrossar a cabeça de Golias e alargar as pernas de Saul… 1$20.
– Adornar a arca de Noé, compôr a túnica do filho pródigo e limpar-lhe a orelha esquerda… $80.
– Soma… 14$0.»

Pela cópia.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

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Homenagem a D. Maria Alice Lopes Moreira

A Senhora Dona Maria Alice Lopes Moreira de Almeida tem exercício o ensino básico, desde os começos da sua licenciatura, em Rio Maior.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalAtravés do semanário «Região de Rio Maior» tivemos a grata notícia de aquela cidade ribatejana lhe ter agora prestado merecida homenagem, que decorreu no dia 17 do último mês de Maio. Como deve ser do conhecimento de muitas pessoas, a professora D. Maria Alice é poetisa, pintora, senhora de gosto e, enfim, nossa conterrânea, por ser natural de Vale de Espinho, em Riba Coa e concelho do Sabugal.
Nessa homenagem, para além de diversos testemunhos de circunstância e de pompa, anotámos o proferido por Manuel Vaz, que foi o mais antigo aluno, quando Maria Alice começou a dar aulas, e teria para aí uns vinte anos.
Momento alto da homenagem que se iniciou com a celebração de missa, viria a ser a inauguração da placa toponímica que deu a uma rua de Rio Maior o nome de Maria Alice Moreira Almeida. Justiça e simpatia. Parabéns.
Quase ao mesmo tempo, a poetisa editou a 4.ª série de poemas, que tem publicado sob o título geral de «Desabafo». Simplicidade lírica, ternura humana, comunhão de sentimentos com as pessoas e as coisas.
Muitas felicidades, longa vida e longa arte.

Professora Maria Alice Lopes Moreira

«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes
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História e cultura na Nascente do Côa

Organizado pelo Centro Cívico Nascente do Coa (Fóios) decorreu, no pretérito dia 24 de Maio, o Encontro de Escritores das Terras de Riba Coa, dedicado a dois temas: Da História à Cultura e da Cultura ao Desenvolvimento.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalO Encontro ocupou um dia inteiro, desde a manhã ao fim da tarde, e decorreu com um nível de qualidade e de organização exemplar. Quem estas linhas escreve tem participado em muitos eventos semelhantes e pode, por isso, testemunhar como ficou surpreendido pela qualidade que lhe foi dado viver numa tão remota aldeia ribacudana. Têm, desde já, direito a serem mencionados o Presidente da Junta dos Fóios, o professor J. M. Campos, e a organizadora e moderadora a professora Maria Amélia Rei.
O dia começou com a homenagem ao professor Corceiro Mendes, que acabara de oferecer a sua biblioteca particular ao Centro Cívico dos Fóios, e prosseguiu com o primeiro painel de comunicações: Uma Introdução a Riba Coa (P. Gomes), Escrita e Cultura Popular (Raul Gaião) e As Batalhas de Riba Coa (Joaquim Tenreira Martins).
No segundo painel da manhã apresentaram estudos Bernardino Henriques sobre Miguel Torga Contrabandista e Mário Simões Dias, sobre o Culto do Espírito Santo em Terras de Riba Coa. Um poema (De Espanha com Amor) de Tomás Piris, que não pode estar presente, foi lido por sua filha Dália, enquanto Paulo Sérgio e Baptista Mendes apresentaram um delicioso intermezzo improvisado com uma selecção de leituras. Na parte da tarde, além das palavras de encerramento teve maior relevo o documentário de Economia Política apresentado por Norberto Manso, presidente da empresa municipal Sabugal+.
De registar que o auditório do Centro Cívico esteve sempre muito bem composto em matéria de ouvintes.
Parabéns, e que o ciclo se repita.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

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Novas (in)disposições

A indisposição veio da leitura de um artigo de um professor universitário, creio que antigo ministro sobre a visita que os bispos portugueses fizeram ao Santo Padre.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalDiz o ilustre autor que o Papa convidou os bispos portugueses para uma «visita in limine».
Em primeiro lugar, a designação de tal visita é: «ad sacra limina (Apostolorum)», quer dizer «visita ao limiar (sepulcros) dos Apóstolos». É a designação mais comum, ainda que o cânone n.º 400 do Código de Direito Canónico reze «ad Urbem, Beatorum Apostolorum Petri et Pauli sepulcra».
Quanto ao ser o Papa a convidar, é afirmação em fundamento. O Papa não tem de convidar os bispos a efectuarem tal visita. São os bispos que têm de tomar a iniciativa para obterem a data da audiência e da visita. Assim o manda o mesmo cânone 400: «O Bispo diocesano vá a Roma no ano em que está obrigado a apresentar o relatório (do estado da sua Diocese) ao Sumo Pontífice». O cânone n.º 399 estabelece os prazos: «A visita deve ser efectuada de cinco em cinco anos.»
Em segundo lugar não há ofensa na homília do Papa aos bispos. De facto, na Igreja de Cristo não há secretismos, e bem pode suceder que as exortações pontifícias motivem hierarcas e laicado para a dura realidade que o Cristianismo enfrenta no Mundo. O senhor Professor Medeiros Ferreira decerto não nos levará esta nótula a mal. As cartas fechadas são invioláveis; os bilhetes postais nem tanto.
Por fim, e relativamente às Escolas, parece que, amofinados com os fracos resultados, os Conselhos Directivos pretendem subir de escalão, levando os professores a dar notas mais altas aos alunos. Assim, os alunos podem subsistir na ignorância, mas a escola obterá melhor pontuação no ranking.
Admirável sociedade nova. Porque não se há-de falsificar o vinho e botar água no leite?
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

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Jesué Pinharanda Gomes - Carta Dominical - © Capeia Arraiana

Quinta-feira da Espiga

As Igrejas Cristãs festejam o mistério da Ascensão de Jesus Cristo numa quinta-feira, na semana anterior ao Pentecostes, ou festa do Espírito Santo.

Quinta-feira da Espiga - Capeia Arraiana

Quinta-feira da Espiga – Capeia Arraiana

As pequenas pátrias

A propósito do Encontro dos Escritores que decorre este fim-de-semana nos Fóios, que é o Riba Coa profundo, ocorre sublinhar como, depois da ideia da Europa Unida, ou União Europeia se tem tem verificado um aumento generalizado da defesa das pequenas Pátrias, chamadas regiões.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalA Revolução Francesa trouxe um centrismo que teve como fruto a dominação das pequenas pátrias pelas capitais do Estado.
Em França este fenómeno quase foi um etnocídio, um genocídio, que até quis liquidar os dialectos regionais.
Portugal imitou a França, e procurou matar o minhoto e o mirandês. Até o barraquenho… Mas hoje em dia as pequenas pátrias querem ser reconhecidas.
Conta-se que o Conde de Aurora, notável escritor minhoto da primeira metade do século XX, advogado e diplomata, viajando de avião para Londres, teve de, às tantas, preencher o impresso do Departamento inglês de Emigração, antes de aterrar, e fazer presente na Alfândega. Na pergunta «Nacionalidade?» escreveu «Portugal» e na linha da «Raça» escreveu «Minhota».
Assim possamos dizer-nos da Raça de Riba Coa.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

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A mítica ponte do Sabugal

Segundo a voz popular a quadra (que reproduzimos de seguida) estaria inscrita, ou na abóboda da torre de menagem do Castelo, ou num dos arcos da ponte.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalA tradição popular registou na memória a quadra:
Eu sou el-Rei D. Diniz:
A ponte, a fonte e o castelo fiz.
Quem dinheiro tiver
fará o que quiser.

Realmente, nunca se achou tal inscrição, e faltam certezas quanto à época de construção da ponte, que, de resto, é muito antiga, há séculos desafiando as inverniças torrentes da ribeira.
Todavia, a ponte do Sabugal fez mais pela integração de Ribacôa em Portugal do que os jurídicos documentos foralísticos.
A ribeira continuou a separar Ribacôa de Portugal, excepto no caso da também antiga ponte de Sequeiros.
Em certos troços, correntes em zonas mais planas, havia e há vaus que permitem a travessia da ribeira aos carros de tracção animal, mas, do troço do Sabugal, se bem me lembro, o vale é cavado e dificilmente se acomodaria à passagem dos carros de lavoura, o que dificultava a vida económica e social, acrescendo o facto de a vila se servir de terrenos na margem esquerda, da jurisdição de Sortelha, neles semeando e pastoreando.
Agora há outras pontes, mas esta, do Sabugal, é mítica: abriu as portas de Portugal a Ribacôa e as portas de Ribacôa a Portugal.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

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