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O modelo de gestão das Termas do Cró

No passado dia 29 de Abril, a Câmara Municipal do Sabugal aprovou a transferência da tutela e a exploração do equipamento termal do Cró, da Câmara do Sabugal para a Empresa Sabugal+.

Balneário das Termas do Cró

Considero que as Termas do Cró são um equipamento de excelência e, enquanto balneário público, deve ser potenciado como destino de saúde e bem-estar de referência na Beira Interior e na Península. Aceito que se deve proceder à sua abertura e que, devidamente enquadrado no desenvolvimento de um Plano integrado turístico do Concelho, poderá vir a representar um elemento decisivo na inclusão do Sabugal como destino termal.
O modelo proposto e que viria a ser aprovado, com o meu voto contra, é mais um acto de esvaziamento de competências da Câmara que irá contribuir para o agravamento da situação económica do Município. E este é, nos dias que correm, um factor decisivo a ter conta quando temos que tomar decisões. Mais uma vez, a Câmara não assumiu que a situação económica e financeira em que se encontra está muito perto do abismo, como é notório da análise das Contas de 2010, muito embora o esforço público de iludir tal facto.
A tentativa, correcta, de entregar a concessão das Termas por concurso público falhou. Porque não se está já a trabalhar na promoção de novo concurso? Assumir a gestão e entregá-la à Sabugal+ é um grave erro político e de gestão, com consequências imprevisíveis a nível financeiro. Importa referir que o modelo adoptado implica desde já recrutar um quadro de pessoal de 19 elementos e um previsível custo de funcionamento global de mais de 300 mil euros até final do ano.
Não seria mais correcto abrir as Termas, sob gestão da Câmara, mantendo o modelo até aqui adoptado, de exploração do termalismo clássico com o Centro Social da Rapoula ou outra IPSS, estudando o eventual recurso a concessões, nomeadamente na área da fisioterapia?
Não seria mais correcto elaborar um plano integrado de desenvolvimento centrado no equipamento do Cró, explorando novas valências a ele associadas?
A questão base e transversal entre estes dois modelos é, tão só, a decisão de sustentabilidade económica e financeira, entre vir a ter saldo positivo ou caminhar para um despesismo que pode ser fatal para as Contas da Câmara do Sabugal.
«As Rosas e os Espinhos», opinião de Sandra Fortuna

sandrafortuna1@gmail.com

O meu Jardim

O Concelho do Sabugal, o meu concelho, é um jardim, o mais belo dos jardins. Como todos os jardins, abundante de flores, de elegantes acácias, amores-perfeitos, sinceras gardénias, cravos vermelhos e rosas de todas as cores. Rosas com espinhos e, contudo, belas!

No banco do meu jardim, procuro o horizonte, olho em redor e contemplo as serranias, o escasso casario, as muralhas seculares, e ouço um profundo silêncio. Lembro Pessoa, «grandes são os desertos e tudo é deserto», e recuso-me a virar costas ao sonho de sempre. O meu jardim florescerá, repleto de verde, regenerado, cumprindo uma tradição de antanho.
Aprendi, muito jovem, que a vida faz sentido vivida com todos os sentidos. Que desistir não é modo, nem solução e que, como Saint-Exupéry «A terra ensina-nos mais acerca de nós próprios do que todos os livros. Porque ela nos resiste.»
Mas, afinal, de que é feito o húmus deste jardim que a tudo resiste? Que enfrenta intempéries, loucos, quase sábios e visionários?
O segredo desta resistência, do passado e do presente e que me faz acreditar num jardim com futuro, está na força de todos os sabugalenses, na sua arte e sabedoria em saber colher as rosas, evitando os espinhos!
«As Rosas e os Espinhos», opinião de Sandra Fortuna

Sandra Fortuna, natural do Casteleiro, vereadora do executivo municipal do Sabugal, inicia com este espaço a sua colaboração no Capeia Arraiana.
plb