Category Archives: A Cidade e as Terras

José Carlos Lages - Capeia Arraiana - Orelha

Na Quarta-feira os Dias criam tesouros gastronómicos

Os celtas chamaram-lhe Ebora. Júlio César homenageou a cidade elevando-a à categoria de município com o título honorífico de Ebora Liberalitas Julia, por lhe ter sido fiel durante a Guerra Civil em que andou envolvido com Pompeu. Em 1986 a UNESCO classificou-a como Património Comum da Humanidade. A cidade de Évora é a rainha do Alentejo, terra de planícies a perder de vista pintadas de dourado com o horizonte recortado por sobreiros e oliveiras. No perímetro urbano delimitado pelas muralhas quinhentistas o centro histórico de Évora não deixa ninguém indiferente. A Sé Catedral de Évora e o Templo Romano dedicado a Diana, deusa da caça, são ponto de partida para demorados passeios pelas estreitas ruas medievais decoradas com rasteiras casas caiadas de branco e rodapé amarelo torrado. E é precisamente na Rua do Inverno, escondida no labirinto das ruelas empedradas que está guardado o mais fascinante e precioso tesouro gastronómico de Évora… a Taberna Típica da Quarta-feira.

Taberna Típica Quarta-Feira - Évora - José Dias - Capeia Arraiana

Na Taberna Típica Quarta-Feira, em Évora

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

Alemanha está a mais na União Europeia

Há muito tempo (atrevo-me a dizer anos) que defendo esta ideia. Quem está a mais na União Europeia é a Alemanha. Como podemos competir com um país que tem a melhor indústria farmacêutica, automóvel e tecnológica do mundo, com marcas de grande tradição como a Bayer, a Volkswagem ou a Bosch. De que serve ir no comboio se apenas podemos espreitar pela janela e lobrigar a potência da locomotiva Siemens. E, já agora, nos territórios das unificadas Alemanha Federal (RFA) e República Democrática da Almanha (RDA) estão sedeados os mais poderosos bancos e banqueiros europeus e mundiais. Agora apareceu um alemão, o empresário Roland Berger, a pensar como eu.

União Europeia - José Carlos Lages - Capeia Arraiana

Alemanha está a mais na União Europeia

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

Ironias do Rodrigo

O blogue «31 da Armada» onde opinam vários autores é uma das publicações online que lemos regularmente. O Rodrigo Moita de Deus destaca-se pelos seus irónicos pensamentos «ao momento» ou como ele gosta de dizer «graçolas de oportunidade». Não resistimos a partilhar com os leitores do Capeia Arraiana algumas delas.

PhotoDestaque - João Carlos Robalo e o ministro Poiares Maduro junto à grelha do Restaurante Robalo - Capeia Arraiana

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

Convívio de sabugalenses na Base Aérea do Montijo

À ordem de reunir do «Chefe» Paulo Saraiva cerca de quarenta sabugalenses disseram «Presente!» para um dia de convívio e de amizade num cantinho à beira-Tejo que já serviu de abrigo a reis e rainhas na Base Aérea do Montijo (BA6). O carvão resistiu aos pingos de chuva que teimavam em cair em dia de Santo António e os petiscos lá ficaram a contento de todos. Para a parte da tarde uma privilegiada e restrita visita guiada à esquadra 751 (busca e salvamento) que já foi dos Pumas e desde 2005 passou a contar com os modernos helicópteros Merlin EH-101. Segunda edição de um dia bem passado entre amigos. Gracias Paulo!

Convívio de Sabugalenses na Base Aérea do Montijo - 2015 - Capeia Arraiana

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(As galerias de imagens podem ser vistas no artigo completo.)
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José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

Álvaro Amaro «mete água» na Guarda

O social-democrata Álvaro Amaro eleito presidente da Câmara Municipal da Guarda após quase 40 anos de domínio socialista não pára de surpreender pelo dinamismo político e pela capacidade de influenciar o presente e o futuro. A história da cidade mais alta e dos territórios raianos da Beira Alta fica marcada neste primeiro mandato pela escolha da Guarda para as comemorações do Dia de Portugal (10 de Junho de 2014), pela paternidade da FIT (Feira Ibérica de Turismo) e porque, agora, «meteu água» na escolha pelo Governo da cidade da Guarda para a localização da sede social da nova empresa Águas de Lisboa e Vale do Tejo. A marcha da composição Beira Alta 2013-2017 tem como maquinista da locomotiva Álvaro Amaro, o guardense de Gouveia. Nas carruagens a ver a paisagem vão muitos autarcas ilustres.

Álvaro Amaro assumiu a condução da locomotiva da Beira Alta - Capeia Arraiana

Álvaro Amaro assumiu a condução da locomotiva da Beira Alta

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

Tesouro escondido na Laje da Lancha

Era dia de festa em Aldeia do Bispo. De manhã o encerro e touro da prova e às cinco horas da tarde a capeia arraiana. O almoço foi na velha cabana do pastor, agora recuperada, na Laje da Lancha da família Vicente. Há, de facto, um tesouro escondido no final do caminho de terra batida que empoeirou os muitos carros estacionados entre os carvalhos que lá iam dando a sombra possível. Não, não é um tesouro material mas sim o tesouro metafísico da verdadeira amizade raiana que a família Vicente vai reunindo à volta da imensa mesa de granito.

Laje da Lancha - José Luís Vicente - Aldeia do Bispo - 11 Agosto 2014 - Foto: José Carlos Lages - Capeia Arraiana

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

A alma do vale dos motards

Nos dias que antecedem o terceiro fim-de-semana de Julho todas as curvas vão dar ao Algarve transformando Faro na capital europeia das duas rodas. Na estrada entre o aeroporto e a ilha de Faro as dunas do verde pinhal do Vale das Almas ficam pintadas com o colorido das tendas e das motos. No ar o roncar dos escapes sobrepõe-se aos aviões que ali bem perto levantam e aterram. Este ano as t-shirts negras da 33.ª concentração do Moto Clube de Faro ostentavam três «xis» suportados por três colunas. Irreverência provocatória e desalinhada que agrega num só espírito milhares de capacetes e casacos de cabedal de todas as idades.

33.ª Concentração de Motard Faro - 2014 - Foto: jcl - Capeia Arraiana

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

Falta alegria a jogar com a camisola de Portugal

Não há atitude, não há garra, não há alegria para jogar com a camisola da selecção de Portugal neste Mundial disputado no Brasil. O segundo jogo no Arena Amazónia, em Manaus, contra a selecção norte-americana era decisivo. Começou e acabou da melhor maneira com golos de Nani e Varela. O pior foi o resto…

Cristiano Ronaldo - Mundial 2014 - Portugal-USA - Capeia Arraiana

Cristiano Ronaldo – Mundial 2014 – Portugal-USA – (Foto: D.R.)

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

Star FM Sabugal chegou ao fim

A Star FM Sabugal (96.8 FM para a região raiana) chegou ao fim. A frequência (que já teve diferentes nomes) passou por vários processos «evolutivos». Nesta fase terminal os noticiários obrigatórios por Lei para uma rádio local eram «feitos» a partir de Lisboa pelo telefone numa clara tentativa de optimização de recursos. Longe vão os tempos das peças com rigor jornalístico assinadas por Joaquim Martins que se deslocava da Guarda ao Sabugal para «descobrir» temas de reportagem. Para o futuro os sabugalenses vão contentar-se com uma rádio (M80) que transmite música dos saudosos tempos de há 20 e 30 anos atrás. Definitivamente o Sabugal caminha em direcção ao século XX.

Star FM Sabugal - Capeia Arraiana

Star FM Sabugal – 96.8 FM – The End

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra

A Biblioteca Joanina foi mandada edificar por D. João V, o Rei Magnânimo, no século XVIII. Está situada no Palácio das Escolas no pátio da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e é reconhecida pela UNESCO como Património Mundial. Reconhecida como uma das mais originais e espectaculares bibliotecas barrocas europeias é visitada anualmente por milhares de pessoas e alberga valiosas colecções de livros que vão do século XVI até ao início do século XIX.

Biblioteca Joanina - Universidade Coimbra - Capeia Arraiana

Biblioteca Joanina – Pátio da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

Nim’s, grilos e afins

Existem cenários especiais. O mês de Agosto no Sabugal é o palco perfeito para encontros e desencontros. Cenas fascinantes tatuadas de episódios que nos fazem recordar momentos que, apesar de longínquos no tempo, se eternizam numa apaixonante viagem ao nosso íntimo. A campanha autárquica para as eleições de Setembro trouxe para a ribalta os Nim’s, os grilos e afins.

Electricidade chega em Setembro a casa de família de cinco pessoas na Ruvina - Capeia Arraiana

Electricidade chega em Setembro a casa de família de cinco pessoas na Ruvina

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

Movimento cívico baralha eleições no Sabugal

As eleições autárquicas 2013 estão previstas para Outubro mas a campanha eleitoral já mexe no concelho do Sabugal. A juntar ao candidato natural do PSD, António Robalo, foi apresentada a escolha socialista, António José Vaz, e começa a tomar forma uma terceira via denominada movimento cívico independente que poderá ser encabeçado por nomes como António Dionísio e Joaquim Ricardo e baralhar as contas partidárias.

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

Quando ilusionista não rima com estadista

Passou um ano desde que voltei a Lisboa. Entre Setembro de 2010 e Abril de 2011 colaborei na Câmara Municipal do Sabugal após insistentes e reiterados pedidos e convites do senhor engenheiro presidente António Robalo. Entendi escrever esta crónica após um estranho desabafo facebokiano provocador, desonesto, mentiroso e próprio de alguém que vive de truques para agradar à assistência. Nunca pensei ter de tornar públicos alguns episódios mas, de facto, no imaginário da conspiração qual labirinto subterrâneo que nos distrai do que acontece à superfície nem sempre ilusionista rima com estadista.

Termas do Cró - Sabugal

Festa de São Paulo em Ruivós

A festa de São Paulo comemora-se, todos os anos, no dia 25 de Janeiro. A freguesia de Ruivós teima em manter a tradição da sua veneração em data certa no gelado e frio mês de Janeiro. Chegados de Lisboa, de França ou da Suíça todos se juntam para contar os minutos efémeros da alvorada que repete todos os anos os foguetes de estoiro, resposta ou repetição e tenta manter o ribombar de outros tempos. Mas… até as canas deram lugar a finas ripas de madeira.

Cartaz Festa São Paulo - Ruivós - Sabugal
(clique nas imagem para ampliar)

José Carlos LagesDizem os nossos pais que os antigos já tentaram mudar a data da festa de São Paulo e que nesse ano os marranos da aldeia foram todos vítimas de misteriosa peste que a todos «vindimou». É uma lenda e vale o que vale. Mas por isso, ou também por isso, todos os anos os mordomos recomendam aos que vêm a seguir que melhor seria mudar a data para o Verão, ou pelo menos, para o fim-de-semana a seguir ao dia 25 de Janeiro. E todos dizem que sim, todos dizem «que seria muito melhor». E a proposta vai passando religiosamente de ano para ano. Sem efeitos práticos já se percebeu. Até porque enquanto houver ruivosenses residentes ou na migração deverá haver festividade da conversão de Saulo na Estrada de Damasco. Assim seja!
A festa de São Paulo tem sempre três mordomos. Os deste ano (2012) são o Paulo Rebelo (por Ruivós), o Paulo Lages (por Lisboa) e o Filipe Esteves (pela França e Suíça). A sua função é organizar e contratar a banda, os foguetes, os artistas, etc. e pedir a esmola aos ruivosenses do seu «círculo eleitoral». O mordomo francês «dá a volta» pelos seus conterrâneos no princípio de Novembro e o de Lisboa nos feriados de Dezembro enquanto o de Ruivós é quando lhe der mais jeito. Resta dizer que é com muita satisfação que são recebidos em todas as casas onde levam uma lembrança e aproveitam para fazer o convite para que todos estejam presentes nos dias da festa. Em troca receberem a «esmola» que todos dão com devoção para ajudar à festa. «É pouco mas é de boa vontade», dizem uns. «Que São Paulo vos receba esta esmola com as suas bençãos», respondem os mordomos para ouvirem de seguida «e que São Paulo vos ajude nos vossos passos». Não é um ritual de uma sociedade secreta (como está agora na moda) mas simboliza o orgulho de um povo que está na emigração mas que tudo faz para não esquecer as suas origens. Assim mereçam os que ficaram na aldeia este orgulho e esta contribuição descomprometida dos que, por vezes, nem à festa podem ir.
Nos meus tempos de meninice a emoção fazia com que «saltássemos» da cama antes das oito horas da manhã. Isto dito assim não tem nada de especial. Mas se acrescentarmos que os aquecimentos e os recuperadores são relativamente recentes e que estamos no dia 25 de Janeiro numa terra que, no Inverno, acorda quase todos os dias em tons de «branco geada» esta emoção de «saltar da cama muito cedo» passa a ter mais valor. – E porquê antes das oito horas da manhã? – Porque era por volta dessa hora que chegava a carreira com a banda da música e começava a alvorada. O fazer subir e estoirar foguetes é (era) um dos maiores orgulhos da festa de São Paulo em Ruivós. Era reconhecidamente uma das festas do concelho do Sabugal onde a alvorada durava mais tempo e transformou-se numa das imagens de marca de Ruivós. Chegou a prolongar-se por mais de uma hora sem interrupção.
A inconsciência da juventude leváva-nos a percorrer as tapadas em redor à procura das «bombas» que não tinham rebentado para as recolher e guardar num local secreto. Nas férias grandes do Verão quando íamos guardar as vacas ou as cabras levávamos nos bolsos as pequenas bombas com pólvora para despejar aos poucos numa pedra lisa. O pó cinzento era depois coberto com um pequeno seixo de forma a que nos permitisse fazê-lo rebentar com uma pedra maior arremessada do cimo da parede por um de nós. Brincadeiras muito perigosas de crianças inocentes. Mas vamos voltar ao presente…
Um dos momentos maiores da festa está programado para a noite de 24 de Janeiro com uma procissão de velas que percorre o caminho até à capela do cemitério que dista cerca de um quilómetro da aldeia para «ir buscar a imagem do santo para a igreja matriz».
No dia 25 a festa mete música (de banda) e claro a procissão que leva de volta à sua capela a imagem de São Paulo. Antes é fundamental recuperar forças num prolongado almoço onde as famílias convivem e recordam os presentes e os ausentes. Uma curiosa particularidade da festa de Ruivós consiste em dividir os músicos da banda pelas casas com chaminé fumegante, ou seja, os homens esperam no final da missa e levam com eles um, dois ou mais músicos para partilharem o almoço festivo.
O programa da festa de São Paulo em Ruivós é o seguinte:
Dia 24: 19:00, procissão das velas; 20:00, fogo de Artifício.
25 de Janeiro: 8:00, chegada da Banda Filarmónica de Silvares e Alvorada; 11:30, missa em Honra de São Paulo na Igreja Matriz seguida da procissão; 17:00, ressalva, despedida dos mordomos velhos e recepção dos novos; 21:30, baile no salão de festas abrilhantado pelo tocador Rui Alves.
Dia 26: 12:00, missa do Emigrante na capela de São Paulo; 14:00, volta das Adegas e degustação do Borrego; 21:30, baile no salão de festas abrilhantado pelo tocador Filipe Nunes.
Dia 27: 11:00, actuação dos «Bombos de Badamalos»; 16:00, convívio (Jogos); 21:30, baile no salão de festas abrilhantado pelo tocador Miguel Agostinho.
Dia 28 (sábado): 10:00, animação de Rua com a «Xaranga da Rebolosa»; 12:00, convívio com porco no espeto; 15:00, actuação do acordeonista Micael; 16:00, actuação do Rancho Folclórico da Enxabarda; e continuação do convívio com o acompanhamento do tocador Filipe Nunes; 21:30, baile no salão de festas abrilhantado pelo tocador Filipe Nunes.
É obra! Cinco dias de festa em Janeiro! Vivam os Mordomos! Viva Ruivós! Viva São Paulo!

As insígnias, os andores dos santos e do Senhor dos Passos e os guiões da procissão são os mesmos da nossa juventude. Os rostos são todos familiares. Mas, como sempre, dou comigo a desenhar as imagens daqueles que já partiram. Um beijo Pai.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

Os «protagonistas» do poder autarca

As autarquias locais são, nos termos da Constituição, «pessoas colectivas territoriais dotadas de órgãos representativos que visam a prossecução de interesses próprios das populações respectivas». E será que todos os eleitos sabem isto?

José Carlos Lages - Capeia Arraiana - Orelha

O meu primo Rogério

Os mordomos da Capeia Arraiana 2011 de Ruivós entenderam, e bem, homenagear o Rogério um dos filhos da terra que mais recordações e saudades continua a fazer sentir em todos nós.

Rogério Caramelo Madeira (foto tirada na montanha de Davos) - autoria: José Carlos Lages

Perdoem-me os mais académicos destas coisas da comunicação mas hoje vou escrever com a emoção na ponta dos cliques sobre uma personalidade que apenas precisou de 22 anos para se afirmar como uma referência para todos os que o conheceram e que tiveram o privilégio de com ele conviver. Vou recordar o meu primo Rogério.

Há pessoas assim. Nascem. Crescem. E em poucos anos vivem uma vida eterna. A Igreja diz que para se ser santo é preciso fazer milagres. E se isso fosse suficiente o Rogério já me fez um milagre. Conheci em vida o Rogério.
Deixou-nos cedo, demasiado cedo, com 22 anos, em 2001, num trágico acidente de viação na Suíça na carrinha da empresa. A notícia chegou ao final do dia feriado, 1 de Novembro, dia de todos os santos. Fui jantar a casa dos meus pais e, quando abriram a porta, percebi logo que alguma coisa não estava a correr bem. O meu irmão Paulo lá arranjou coragem para me dizer – «Morreu o Rogério» – Sentei-me, peguei em «A Bola» que trazia comigo e comecei a folhear as páginas como alibi para conseguir ficar em silêncio e desenhar os frames de um filme onde recordei os momentos que com ele partilhei.
As imagens tinham sempre um denominador comum. O seu eterno sorriso.
Recordo o seu sorriso, envergonhado, que desenhava um suave agradecimento a quem o recebia.
Recordo as visitas que lhe fazia, de passagem, nos Seminários do Fundão e da Guarda naquele eterno vaivém que mantenho há muitos anos entre Lisboa e o Sabugal.
Recordo o tempo que passou em minha casa quando esteve, cerca de oito meses, na tropa na Academia Militar na Amadora. Para ele tudo estava bem. As estórias que contava da sua «guerra» eram sempre sobre animadas aventuras que vivia durante a semana. Mas poucos fins-de-semana o consegui segurar em Lisboa. «Fugia» sempre que podia para Ruivós, para junto da Tia Ilda e da Maria Cerdeira. Muitas das vezes nem precisava de entrar na casa de família, há muito vazia.
Recordo a alegria com que me disse no dia em que terminou a tropa que, finalmente, ia juntar-se à sua família na Suíça (pai, mãe e irmão) de quem sempre tinha vivido separado.
Primeiro o pai, empreiteiro, que deixou o concelho do Sabugal e procurou melhor qualidade de vida nas terras helvéticas. Depois a mãe e o Miguel (o irmão mais novo) foram de abalada para Zurique e o Rogério de abalada para o Seminário do Fundão na companhia do Geraldo de Vale das Éguas.
Sportinguista «doente» viveu comigo uma eterna picardia. Se as coisas não corriam bem lá para os lados da Luz já sabia o que me esperava. O telefone tocava e o leão gozava com a águia. Sempre que possível claro que me desforrava.
Um dia, por alturas da festa de São Paulo, telefonou-me por um motivo diferente. Já não sei se me pediu ou apenas me deu conhecimento. Em Junho precisava de mim em Zurique. Sem mais apenas lhe disse que sim. Na Portela encontrei-me com José Fernando, o padre motard, seu grande amigo desde os tempos do Seminário do Fundão. Também ele ia a Zurique participar na cerimónia do crisma do Rogério. Eu, com ar importante estampado no rosto, aproveitei para lhe dar a notícia que ia ser o seu padrinho. Orgulhosamente.
Foi uma semana bem passada. O Rogério estava de férias e fizemos grandes viagens no seu orgulho – o Seat Cupra2 – que terminavam, inevitavelmente, à noite, numa passagem pelas Casas do Sporting e do Benfica em Zurique. E como ele ficou contente por lhe ter levado uma camisola do Sporting assinada por todos os jogadores do plantel.
Depois veio o mês de Agosto. Depois veio o primeiro dia de Novembro. E depois veio aquela viagem solitária que fiz até ao Porto para receber o seu corpo no aeroporto de Pedras Rubras e para o acompanhar em conjunto com os pais e o irmão até Ruivós. E depois vieram os gritos lancinantes que a carreta ouviu quando entrou no largo da fonte. E… E… E muito fica por contar.
No ano passado a tragédia abateu-se de novo sobre esta família. A Mariana, mãe do Rogério e do Miguel, e mulher do Fernando faleceu com cerca de 50 anos vitimada por um cancro.
Este ano, os mordomos da Capeia Arraiana de Ruivós, entenderem homenagear os dez anos do desaparecimento do Rogério. Justa e merecida homenagem. O meu bem-haja pela iniciativa destes mordomos.
Aproveito para acrescentar a este memorial a mãe Mariana, o pai Fernando e o irmão Miguel.
O Rogério (e a Mariana) estarão para sempre na memória daqueles que os conheceram.

Aqui deixo publicamente o desafio para a atribuição de o nome de uma das ruas de Ruivós ao Rogério Caramelo Madeira. Não será difícil substituir uma «rua do saco», «rua do meio», «rua de cima», «rua de baixo», «rua do chafariz», «rua da fonte» ou «rua sem nome» por um sentimento com valor.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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O pecado do vereador Joaquim Ricardo

A última sessão ordinária de 2010 da Assembleia Municipal teve lugar no Auditório do Sabugal na noite de 28 de Dezembro. Os trabalhos (e as intervenções) foram dominados pela ligação à A23, as votações das Grandes Opções do Plano e do Orçamento para 2011 e os ataques ao vereador Joaquim Ricardo pelo pecado de ter chegado a um acordo com a presidência social-democrata permitindo uma maioria e a governação estável e empreendedora do executivo sabugalense.

Câmara Municipal Sabugal

A Assembleia Municipal do Sabugal é constituída, de acordo com a lei, pelos presidentes das 40 Juntas de Freguesia do concelho do Sabugal e pelos 41 deputados eleitos por sufrágio universal nas autárquicas.
Durante o ano de 2010 foram realizadas cinco assembleias municipais ordinárias e foi marcada uma extraordinária (29 de Outubro) que não chegou a efectivar-se por falta de quórum. A última reunião, marcada para 28 de Dezembro era aguardada com bastante interesse até porque a ordem de trabalhos registava assuntos relevantes como, por exemplo, a votação do Orçamento para 2011 e as Grandes Opções do Plano.
A sessão com início às 20.15 horas ocupou praticamente todo o período «antes da ordem do dia» com a suspensão das obras de ligação à A23. O assunto sintetiza-se em poucas palavras. O executivo defende, estrategicamente, que a ligação é fundamental para o desenvolvimento do concelho mas deve ser suportada financeiramente com os dinheiros do Ministério das Obras Públicas. A decisão é correcta e só peca por tardia porque a fórmula imaginada pelo anterior presidente, Manuel Rito, com recurso aos militares do Regimento de Engenharia e com a execução de pequenos troços que no final ficavam ligados entre si apenas era compreendida pelo seu autor. Tal como escrevi no Capeia Arraiana no dia 27 de Junho de 2010 (Aqui.) era tempo de parar com um processo que apenas serviu para delapidar a tesouraria do município sabugalense. Na memória dos presentes ficam as defesas de honra de quem se sentia ultrajado sem ninguém o ter atacado na sua dignidade mas apenas e tão somente nas suas decisões políticas.
A Ordem do Dia «obrigou» a votações importantíssimas. O «Orçamento para 2011» foi aprovado por maioria com 17 votos contra e seis abstenções. As «Grandes Opções do Plano» foram aprovadas por maioria com 18 votos contra e cinco abstenções. O «Regulamento para Cargos de Direcção Intermédia de 3.º e 4.º grau» foi aprovado por maioria com a abstenção de Ramiro Matos (presidente da Assembleia Municipal), Manuel Rito (ex-presidente da Câmara) e António Moreno (presidente da Junta de Freguesia da Moita).

Das duas, uma, ou das duas, três
A actividade na «sessão ordinária» ficou marcada pelos constantes ataques de alguns deputados ao vereador Joaquim Ricardo considerando-o como «o grande responsável pela estabilidade governativa do actual executivo camarário».
Das duas, uma, ou das duas, três. Um: em democracia governa quem ganha e apenas o povo está mandatado para fazer «o ajuste de contas» nas eleições seguintes. Dois: em democracia a legitimidade política não se esgota nos dois principais partidos, PSD e PS. Três: em democracia as maiorias absolutas são, na minha opinião, o seu maior defeito. Porquê? Porque, por vezes, criam autoritarismos e despotismos prejudiciais à causa comum. Há países na Europa como, por exemplo, a Alemanha ou a Itália, governados, quase sempre, por governos de coligação.
Há, contudo, importantes reflexões que se impõem a todos os sabugalenses. A quem beneficia ter no Sabugal um executivo minoritário (três vereadores contra quatro) com evidentes dificuldades de governação? A quem beneficia ter no Sabugal um partido com a força nacional do PSD incapaz de colocar em prática o programa eleitoral com que se apresentou nas autárquicas e que mereceu os votos favoráveis dos cidadãos? A quem beneficia no Sabugal colocar em causa o acordo democrático entre o presidente eleito e o vereador eleito pelo MPT? O pecado do vereador Joaquim Ricardo foi ter chegado a acordo com o presidente António Robalo e ter permitido uma governação estável do município. Algo vai mal na democracia do meu Sabugal. Algo vai mal nos conceitos de democracia de alguns sabugalenses que confundem o combate político com interesses pessoais. É feio e fica mal.
Subscrevo as palavras do presidente António Robalo em plena Assembleia Municipal que fez a defesa, aqui sim, da honra de Joaquim Ricardo em resposta aos constantes ataques de que foi alvo o vereador que assumiu entre Julho e o início de Dezembro a presidência da empresa municipal Sabugal+. Os factos dizem (e contra factos não há argumentos) que desde o dia da votação e nomeação para o cargo na Sabugal+, Joaquim Ricardo, deixou a sua manutenção no cargo dependente dos pareceres que foram na altura solicitados às entidades competentes. No dia em que estes foram conhecidos e apontavam para uma ilegalidade processual por dúvidas na votação em causa própria Joaquim Ricardo demitiu-se imediatamente do cargo. Percebe-se que para a oposição, ou melhor, para os seus opositores seria sempre um caso de «preso por ter cão e preso por não ter». Infelizmente para casos idênticos virtudes diferentes.
Os deputados (ou membros) eleitos nas listas do MPT, António Gata e Francisco Bárrios, decidiram constituir um grupo independente demarcando-se dos restantes eleitos pelo Partido da Terra. Em bom rigor todos os candidatos nas listas do MPT eram independentes porque suponho que nenhum era filiado no partido. O MPT serviu, no concelho do Sabugal, para agilizar um processo democrático que privilegia os partidos constituídos que se apresentem a eleições mas sempre vi este movimento encabeçado por Joaquim Ricardo como um grupo de cidadãos que, por diversos motivos (insatisfação com as principais forças políticas, insatisfação com os políticos locais ou reconhecimento das capacidades do candidato) se juntaram para concorrerem às eleições autárquicas. Considero, contudo, que a lei eleitoral tem pormenores «perigosos». Se em todos os grupos políticos das assembleias municipais mais de metade dos seus eleitos entendessem passar a independentes estes passariam a «governar» a assembleia municipal e as grandes decisões do executivo camarário. Interessante mas perverso.
Aqui chegados gostaria de dissecar aquilo que considero uma «ilegalidade» democrática. Vamos por exemplos concretos. Nos sufrágios universais (com voto secreto) os candidatos podem votar em si mesmos seja para presidente da República seja para qualquer outro cargo. Numa autarquia onde as forças partidárias no executivo se dividam em quatro contra três (num total de sete eleitos) mesmo que a força partidária vencedora entenda colocar o presidente, vice-presidente, e um dos vereadores no conselho de administração de uma empresa municipal esse acto poderá ser, sempre, inviabilizado pela oposição minoritária porque os três elementos indicados não podem votar. E para concluir podemos sempre acrescentar que a votação e respectiva eleição para a Sabugal+, com ausência do voto do vereador Joaquim Ricardo já seria possível num cenário de três contra três e voto de qualidade do presidente. Pormaiores que reduzem a nada quem clama pormenores esquecendo que o papel dos políticos é apresentar caminhos e soluções deixando os enredos guionistas para os produtores de ficção.
Pessoalmente assumo e defendo que as empresas municipais são fundamentais nos serviços sociais que prestam e agilizam muitos dos processos que são burocratizáveis nas Câmaras Municipais. As administrações das empresas municipais devem ser constituídas por gestores especializados e pragmáticos que estejam sempre disponíveis para dar o seu melhor inovando em cada época, em cada temporada, em cada mês, em cada dia, trabalhando com muita cumplicidade com todos os funcionários. Mas, acima de tudo, uma empresa municipal tem de ser vista como mais uma divisão da estrutura da própria Câmara Municipal liderada pelo presidente do partido mais votado nas eleições.

Memórias que marcam a História
A cada momento da História está tudo por fazer. Alguns – os aprendizes e os saudosistas – perdem-se nos ataques personalizados e nas lamentações caliméricas pelo regresso de outros tempos sem apresentarem soluções práticas. Outros – pragmáticos e empreendedores – arregaçam as mangas e empenham-se com competência profissional na gratificante tarefa de realizar obras que transformem realmente o futuro do concelho. É destes que fica a memória. É destes que fica a marca.
Adaptando Almada Negreiros não resisto a afirmar que o Sabugal é um concelho que reúne alguns defeitos e muitas qualidades.
Todos temos direito à nossa cidadania. Sempre entendi dar ao meu concelho, dos meus pais e dos meus antepassados, o meu melhor pela sua promoção e valorização. E o meu melhor sempre se apoiou nas minhas competências profissionais. E o meu melhor sempre se apoiou nas minhas convicções pessoais e políticas. Assim continuarei!
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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Casamento raiano no mês de Agosto

A região raiana é tradicionalmente original. A tradição raiana é originalmente intangível. Com marcas únicas a precisar de reforçar atitudes sem hábitos e onde o design tradicional é um factor diferenciador. Na estratégia da mensagem as características físicas do produto e respectivos atributos são argumentos que devem «agarrar» do princípio ao fim os participantes. Em resumo a tradição é o lado intangível das características físicas dos produtos. Os casamentos e as despedidas de solteiro… também.

(Clique nas imagens para ampliar.)

Um estudo recente – onde foram comparados os territórios que sofrem com a desertificação e o envelhecimento das populações – chegou a uma conclusão interessante. O concelho do Sabugal é aquele que consegue cativar mais «segundas» e «terceiras» gerações a voltar em tempo de férias. Ou seja, os descendentes de emigrantes sabugalenses (filhos, netos e bisnetos) continuam a voltar todos os anos às suas origens.
No nosso vocabulário raiano há pormaiores deliciosos. Janeiro é Janeiro, Fevereiro é Fevereiro mas Agosto é «o mês de Agosto». Agosto sempre teve um estatuto especial nos sabugalenses. O imenso mês de Agosto foi, é, uma marca raiana que reúne experiências de valor vividas pelos seus protagonistas, ou seja, por todos nós. Tal como na pirâmide das marcas do conceito de branding o mês de Agosto no Sabugal é uma imagem sinalizadora, identificadora, catalisadora e personificadora da personalidade raiana.
Manda a tradição que as Capeias Arraianas, as festas religiosas, os convívios familiares e… os casamentos na Raia sejam, sempre que possível, no mês de Agosto.
Apenas tinham decorrido quatro dias do mês de Agosto quando um amigo (que por sinal é meu quinto) me pediu para o acompanhar a uma despedida de solteiro na Nave. No lameiro das borgas, junto aos assadores, lá estava o Sérgio Tomé (candidato a noivo) em animada cavaqueira com os seus familiares e amigos. Já perto da meia-noite o Sérgio foi surpreendido por uma surpresa preparada pelos primos. Uma imensa limusine branca de 11 metros conduzida por um motorista fardado a rigor estacionou à vista de todos. Depois de uma difícil manobra para voltar à estrada nacional a limusine arrancou com a lotação esgotada. No seu interior acomodaram-se 12 viajantes num longo sofá de cabedal preto que preenchia um dos lados da viatura. O outro lado estava equipado com um imenso bar iluminado onde não faltavam garrafas e copos. A primeira paragem foi em Alfaiates. A noite foi – ao que me contarem depois – longa. As despedidas de solteiro já não são o que eram mas mantém o lado intangível das características físicas dos produtos.
No sábado seguinte (quatro dias depois) foi tempo de casório. E mais uma vez os noivos inovaram mantendo um design tradicional «movido a gasolina». O transporte, entre a igreja e o copo-de-água, foi feito numa carrinha de caixa aberta decorada pelo Manuel Leitão com elementos da tradição raiana como o cântaro de barro, cabaças, alfaias agrícolas, chocalhos, garrafões e o cadeirão com uma manta de linho onde se sentavam os noivos. E que bonita ia a noiva…
Votos de felicidades para a Paula Madeira e para o Sérgio Tomé.
«A Cidade e as Terras», crónica de José Carlos Lages

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A nova maioria

A «fácil governação» da maioria absoluta do PSD na Câmara Municipal do Sabugal, nos últimos 12 anos, ficou comprometida após as eleições autárquicas de Outubro de 2009 quando António Robalo venceu em número de votos mas apenas alcançou três vereadores tantos como o Partido Socialista de António Dionísio. O MPT elegeu um vereador, Joaquim Ricardo, alterou as regras do jogo e assumiu-se, desde logo, como fiel da balança deixando perceber aos mais atentos que, afinal, um vereador podia valer tanto como três.

António Robalo - Presidente - Câmara Municipal SabugalComeço por deixar claro duas certezas pessoais: sou democrata e gosto de viver em democracia mas considero que o pior da democracia são as maiorias ditas absolutas. Como já escrevi uma vez só em Portugal é que há maiorias relativas (uma definição inventada por Salgado Zenha) porque nos países democráticos de incidência parlamentar o normal é governar (ou tentar governar) em coligação. As maiorias absolutas são perniciosas. Criam nos dirigentes um sorriso cínico do género – diz o que te apetecer porque no fim a minha decisão é que vale – e alimentam personalidades arrogantes e totalitárias como a protagonizada por José Sócrates na anterior legislatura. Claro que a quem governa dá imenso jeito ter uma maioria absoluta. Nem é preciso explicar porquê…
No Sabugal foram tomadas muitas decisões políticas legitimadas pelas chamadas maiorias absolutas. Especialmente no último mandato encabeçado pelo Presidente Manuel Rito Alves foram lançadas (ou aprovadas em projecto) grandes obras cuja factura será paga nos próximos cinco, dez ou mais anos. Estou a falar do Centro de Negócios Transfronteiriço, do Parque de Campismo, das Termas do Cró e da famigerada ligação à A23. Mesmo em «maioria absoluta» estas decisões políticas são uma pesada herança para o actual Presidente António Robalo. Era voz corrente ouvir dizer-se que «quem quer que ganhasse as eleições estaria limitado a pagar e concluir os projectos aprovados no mandato de Manuel Rito». Mas vamos analisar os quatro grandes projectos…
Centro de Negócios Transfronteiriços do Soito – Estamos no final de Junho de 2010 e seria interessante saber quantas empresas já estão a funcionar no espaço que foi bandeira de uma solução para um problema de saúde pública. O contrato de aquisição assinado com o anterior proprietário (de acordo com as actas públicas da Câmara Municipal do Sabugal) teve incorporados trabalhos de remodelação previstos num projecto arquitectónico aprovado pela autarquia sabugalense. O preço de aquisição rondou os 2 milhões de euros, com uma parte (cerca de 25 mil euros) entregues na data da assinatura do contrato, outra tranche (de cerca de 350 mil euros) a pagar após conclusão dos «toscos e cobertura», uma terceira prestação (igual à segunda) a pagar na data de entrega da obra e o montante restante (perto de um milhão e 250 mil euros) a entregar em 10 prestações anuais. E porque é um assunto que de todo não me agrada vou deixar por aqui a minha análise à antiga fábrica da Cristalina com mais ou menos trapalhadas de cortes de contadores pela Direcção-Geral de Energia e de contadores de obra que ainda estão a alimentar empresas.
Conclusão: cerca de 1 milhão e 250 mil euros a pagar nos próximos 10 anos.
Parque de Campismo do Sabugal – É um processo de aprovação absoluta, com terreno incluído – aliás o Sabugal tem sido sinónimo nos últimos anos de grandes certezas absolutas – envolto em grandes decisões e que tivemos a oportunidade de visitar com o então presidente Manuel Rito há cerca de um ano. Está situado na estrada da Senhora da Graça a meio-caminho entre a loja dos móveis Robinil e a barragem do Sabugal. O terreno que vai da estrada até ao rio Côa quase integralmente à sombra de árvores foi adquirido no ano 2001 pelo executivo liderado pelo então presidente António Morgado. A Comissão de Análise da Sabugal+ (presidida por Norberto Manso) escolheu o consórcio constituído pelas empresas Imoestrela-Sociedade de Investimentos da Serra da Estrela, Arser-Areias da Serra da Estrela, Equipav-Gestão de Equipamentos e Manuel Rodrigues Gouveia, SA. Na sequência da aprovação ficou decidido que seria constituída uma empresa para gerir a construção e a exploração ficando a Sabugal+ com 49 por cento e o consórcio com os restantes 51 por cento do capital. O investimento de 9 milhões e cem mil euros – um parque de campismo que já tem árvores e terreno adquirido vai custar ainda mais 9 milhões de euros – será pago ao consórcio pela autarquia sabugalense, durante um período de 25 anos e, depois, passará a pertencer na totalidade ao Município. O projecto está num impasse porque o actual executivo entendeu candidatar-se a um financiamento da Turismo Serra da Estrela que, a concretizar-se, irá permitir classificar o Parque em classe superior e integrá-lo na rede da Região da Serra da Estrela.
Conclusão: 9 milhões de euros a pagar durante os próximos 25 anos.
Termas do Cró – O complexo termal é conhecido pelas suas propriedades únicas para o tratamento de doenças reumáticas músculo-esqueléticas e respiratórias. Falta muita informação sobre as propostas e o rumo para este grande investimento que se pode tornar na alavanca e na bandeira do concelho do Sabugal e de toda uma região. Assim haja capacidade para tanto. As recentes discordâncias na Assembleia Municipal de 25 de Junho sobre o futuro do projecto ficam mal a quem já não tem responsabilidades executivas sobre o mesmo e a quem nunca foi, sequer, militante do PSD. Estas picardias fazem lembrar tristes cenas dejá vu nas anteriores Assembleias Municipais entre Presidente e anterior Presidente.
Conclusão: Infelizmente, no Sabugal, andamos sempre a olhar para o passado com certezas absolutas.
Ligação à A23 – Numa recente viagem a Trancoso por ocasião do «Encontro de Blogues na Beira» tivemos oportunidade de ver as grandes obras de ligação entre a A25 e o município presidido pelo social-democrata Júlio Sarmento que, recentemente e curiosamente, condecorou o primeiro-ministro José Sócrates por essa decisão. Na volta passei por algumas das Aldeias Histórias de Portugal (paisagens belíssimas do Douro vinhateiro onde não se avistam eólicas), por Vila Nova de Foz Côa que vai receber igualmente uma ligação à A25 por auto-estrada, pelo Museu do Côa em fase de conclusão, por Almendra (de que falaremos em futura crónica) e Almeida. Mas vamos ao que interessa. A ligação à A23 é mais um projecto pessoal e intransmíssivel concebido por Manuel Rito. O não cumprimento das promessas ao longo de anos de ministros (PSD e PS) de diferentes Governos levaram à alteração de estratégias. A solução foi lançar pequenos troços que evitavam pareceres do Tribunal de Contas e de Impacto Ambiental. No final os troços ficam todos unidos e a estrada de ligação à A23 – obrigação do Governo da República Portuguesa – está concluída à custa do orçamento da Câmara Municipal do Sabugal. As vozes mais críticas dizem que ainda falta negociar cerca de três quilómetros de ligação à A23 em território da Câmara de Belmonte e que os militares não reparam peças nas máquinas limitando-se a substituí-las por outras novinhas em folha. Falta saber qual o custo actual do quilómetro de estrada terraplanada já concluído, quanto falta concluir, qual o prazo de conclusão (sem guerras do Líbano no meio) e qual o custo das ligações que se vão percebendo entre o Sabugal e o Soito.
Conclusão: talvez seja tempo de alguém assumir que este projecto que leva o Sabugal à terra de ninguém foi (é) um erro.
A análise desta pesada herança do Presidente António Robalo levou-o a tentar gerir durante sete meses uma minoria que obrigava a difíceis consensos numa estratégia política que merece, agora, o reconhecimento de surpresa e admiração de apoiantes e opositores. As análises convergem. A gestão do «governo de minoria» transformada em «maioria negocial prática» foi concretizada com timings pensados por António Robalo num verdadeiro estudo de caso da ciência política. Transformou a minoria saída das urnas numa quase impossível maioria no executivo e permitiu ao vereador do MPT, Joaquim Ricardo, um espaço de actuação na Sabugal+ para provar as suas capacidades. Com esta «negociação» anulou o Partido Socialista e apressou a saída definitiva da cena política de António Dionísio, homem que gera grande simpatia pessoal mas que mostrou inabilidade política como líder da oposição e cabeça-de-lista socialista.
Para alguns seria impensável chegar a este consenso político entre PSD e MPT, ou seja, entre António Robalo e Joaquim Ricardo, menorizando dramaticamente a importância dos três vereadores socialistas. É interessante que as vozes mais críticas a este acordo soam de dentro do PSD e de alguns apoiantes do movimento sabugalense do Partido da Terra. Possivelmente se algumas destas vozes críticas fossem protagonistas com responsabilidades executivas há muito teriam deitado a toalha ao chão argumentando que assim era impossível governar e melhor seria novas eleições.
Mas… porque estamos em tempo de Mundial de Futebol no comentário depois do jogo fica a certeza de uma grande capacidade de análise e estratégia política de António Robalo que transformou um 3-4 num, desculpem-me o exagero, 7-0.
O Sabugal tem direito ao futuro. Haja capacidade e coragem para negociar estratégias e conceber objectivos colectivos.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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Miguel Relvas espalha-se na Guarda

O secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, esteve na cidade da Guarda para inaugurar a nova sede concelhia dos sociais-democratas. Para a história ficou uma «certeza» surpreendente do dirigente nacional sobre o concelho: «houve más escolhas locais». A visita ocorreu apenas uma semana depois das eleições onde Manuel Rodrigues venceu e sucedeu a João Prata na liderança dos sociais-democratas guardenses. As concelhias do PS na Guarda e no Sabugal foram, também, a votos recentemente continuando em banho-maria o PSD sabugalense presidido por Manuel Corte.

Miguel Relvas - PSDO secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, deslocou-se à cidade mais alta para inaugurar a sede concelhia laranja na Guarda.
O dirigente nacional decidiu não poupar nas críticas e disparou em direcção à actual governação de José Sócrates afirmando que Portugal precisa «de um primeiro-ministro que seja menos líder do PS e mais primeiro-ministro de Portugal». Por outro lado considerou que «todo o investimento público tem que ser reavaliado e só se justificar se gerar valor acrescentado».
A surpresa-mor estava reservada para os reparos públicos que fez para dentro do seu partido em declarações aos jornalistas no final da cerimónia.
No seu exame político Miguel Relvas considerou que «o partido nunca conquistou a presidência da Câmara Municipal da Guarda por culpa própria» e que «se o PSD até hoje não conseguiu eleger um presidente do município a culpa não é da população» (nem do Partido Socialista acrescentamos nós) mas do PSD «porque ainda não apresentámos um autarca suficientemente arrebatador e com um projecto suficientemente forte para convencer aqueles que aqui vivem».
Podemos, assim, interpretar que o esforço das últimas décadas de simpatizantes e militantes anónimos e as escolhas dos dirigentes laranjas na Guarda recaíram em candidatos fracos. Estas palavras trazem-nos à memória os processos eleitorais em Santarém que não têm sido propriamente um viveiro de bons exemplos para os sociais-democratas. Espalhanço histórico de Miguel Relvas na Guarda que demonstrou não estar habituado ou preparado para este tipo de intervenções. Lapidar.
Sempre que me é possível sou um ouvinte atento do programa «Meias palavras», da «Altitude On-line», transmitido nas manhãs de sexta-feira e onde marcam presença duas personalidades marcantes da vida política da Guarda: Ana Manso e Fernando Cabral. Num registo que faz lembrar a «Quadratura do Círculo» os dois adversários políticos analisam a semana política local, regional e nacional com educação e postura. «Quando já não estamos na vida política activa perdemos no radicalismo e ganhamos na moderação mantendo, contudo, as nossas convicções», dizia-nos, recentemente, o socialista Fernando Cabral.
A social-democrata Ana Manso, na antena da rádio, questionada e bem por Rui Isidro sobre a «gaffe» de Miguel Relvas «que culpa o PSD por escolher candidatos fracos» respondeu com muita educação e elevação: «Estive presente na inauguração da sede do meu partido. Não recebi nenhum convite mas entendi estar presente e ouvi atentamente todas as intervenções.» Manteve o sangue-frio e acrescentou com ironia: «Mas, ó Rui, para ouvir essa pergunta mais valia ter ido a Fátima ver o Papa.»
Espicaçada por Fernando Cabral que diz ter visionado as fotografias dos jornais regionais e não se ter apercebido da presença do recém-eleito Manuel Rodrigues lá foi dizendo que viu o novo presidente da concelhia – muito discreto – na cerimónia que, curiosamente, decorreu uma semana depois das eleições e que «parecia talhada para outro vencedor», acrescentou Ana Manso.
Recorde-se que Manuel Rodrigues, antigo líder da bancada social-democrata na Assembleia Municipal, contabilizou 160 votos contra 152 do actual deputado João Prata que há dois anos liderava a concelhia.
Os socialistas da Guarda foram, também, a votos no dia 30 de Abril e Nuno Almeida é o novo presidente da Comissão Política Concelhia do PS da Guarda durante os próximos dois anos. Sucede a Virgílio Bento, actual vice-presidente da Câmara Municipal que não se recandidatou para um terceiro mandato. A lista única de Nuno Almeida integra, entre outros, nomes como Joaquim Valente, Esmeraldo Carvalhinho, Virgílio Bento, António Saraiva, Armando Reis, Gonçalo Amaral, Vítor Santos e José Martins Igreja. Nuno Almeida defendeu que Joaquim Valente «é o candidato natural do PS nas próximas eleições autárquicas».
Também no dia 30 de Abril houve eleições na concelhia socialista do Sabugal com uma lista única encabeçada por Nuno Teixeira e que incluía Sandra Fortuna, Jorge Figueiredo, Manuel Nabais, Cecília Barros e Eduardo Coelho. Manuel Barros, anterior presidente da concelhia sabugalense, entendeu não se recandidatar. O presidente eleito para os próximos dois anos declarou que «vai apostar no chamamento de mais pessoal jovem para a política» e «na construção da sede rosa cujo projecto está em fase de aprovação na Câmara Municipal».
O PSD do Sabugal continua num impasse mantendo na liderança o anterior vice-presidente do município Manuel Corte. Fonte fidedigna esclareceu-nos que a concelhia já não reúne desde o tempo em que foram apresentados os candidatos autárquicos e que ainda não está definida nenhuma data para eleições no Sabugal.
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Sinal MaisPrograma «Meias Palavras» da Rádio Altitude.

 

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Sinal MenosMiguel Relvas, secretário-geral do PSD.

 

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«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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Personalidade e Acontecimento do Ano no Sabugal

O ano de 2009 – que agora termina – foi vivido intensamente no concelho do Sabugal… durante dez meses, ou seja, até Outubro, até ao mês das eleições autárquicas. Depois foi tempo de «arrumar a casa» e consolidar as posições conquistadas. Em semana do tradicional balanço anual escolhemos como «Personalidade do Ano» – «engenheiro António Robalo» – pela conquista da cadeira de Presidente da Câmara Municipal do Sabugal e como «Acontecimento do Ano» – «Sabugal em Cinzas» – os incêndios que devastaram o território sabugalense entre 30 de Agosto e 2 de Setembro de 2009.

António Robalo - Personalidade do AnoCorrem rápidos os últimos dias de 2009 entre a azáfama familiar (e comercial) do Natal e a preparação da passagem de ano.
É tempo de os media seleccionarem os acontecimentos e personalidades nacionais e internacionais num ano que fecha a década. São escolhas importantes mas entendemos que devemos destacar o que mais se salientou no concelho do Sabugal no balanço ao ano de 2009.
Afinal o conformismo mudou. Afinal o Sabugal tem vida. Afinal o Sabugal é vivido pelos que ali trabalham e vivem todos os dias do ano – ou mesmo de segunda a sexta-feira – e pelos outros que coleccionam milhas na A23 quase todos os fins-de-semana. O ano foi pródigo em acontecimentos. Aliás o Sabugal consegue ser notícia todos os dias. E quase sempre pelas melhores razões. E ainda bem.
Ao longo dos 12 meses de 2009 muitos acontecimentos mereceram destaque como relata, e bem, o Paulo Leitão na sua análise. Mas seria incorrecto e mesmo injusto não escolher António Robalo para «Personalidade do Ano». Em entrevista à Rádio Altitude o então candidato do PSD fez questão de recordar que se candidatava na sequência do trabalho camarário desenvolvido há doze anos e durante três mandatos. Há ainda a juntar mais oito anos e dois mandatos como presidente da Junta de Freguesia da Ruvina.
António Robalo é eleito pelo Capeia Arraiana como «Personalidade do Ano» pela vitória alcançada contra dois adversários de respeito e pela capacidade que vai ter de demonstrar para governar o município sem maioria absoluta.
António Robalo é um político com uma personalidade metódica, paciente e discreta em tudo oposta ao seu antecessor e amigo que lhe deixou a enorme herança de utilizar a maior fatia do orçamento anual no pagamento de obras ou compromissos já assumidos.
Incêndios no SabugalInfelizmente pelos piores motivos o «Acontecimento do Ano» é indiscutivelmente «Sabugal em Cinzas», uma tragédia que reduziu a preto e cinzento grande parte do limite florestal e agrícola do concelho do Sabugal.
Entre os dias 30 de Agosto e 2 de Setembro um incêndio de que não há memória devorou tudo à sua passagem. A primeira avaliação (não sabemos se já há alguma definitiva) da Câmara Municipal do Sabugal aos danos registados apontou para uma área ardida superior a 10 mil hectares e prejuízos estimados entre sete a dez milhões de euros. O relatório registava danos nas freguesias da Bendada, Casteleiro, Moita, Sortelha, Santo Estêvão, Aldeia de Santo António, Águas Belas, Quintas de São Bartolomeu, Rapoula do Côa, Vila do Touro, Vale de Espinho, Quadrazais, Fóios e Soito.
«Quero que as gentes do Sabugal sintam que não estão esquecidas, que não estão abandonadas, que podem ser apoiadas, que podem olhar para o futuro, que têm que arregaçar as mangas e terão apoios para continuar aqui na sua terra», afirmou o presidente Cavaco Silva na visita-relâmpago ao Sabugal onde ouviu os relatos dos agricultores e dos criadores de gado que viram as suas explorações reduzidas a cinzas.
«Não abandonem o Sabugal. Não podem deixar o mundo rural», pediu Cavaco Silva na Aldeia Histórica de Sortelha. Mas, por vezes, a solidariedade necessita de ir um pouco além das palavras.
As análises críticas sucederam-se após os trágicos acontecimentos. A resposta tardia e desorganizada do Município, o Plano Municipal de Emergência e o Serviço Municipal de Protecção Civil com existência teórico-protocolar, a actuação dos bombeiros e a actuação da autoridade de coordenação no terreno foram temas de conversa e discussão durante semanas. Um destes dias – lá mais para Abril/Maio – seria interessante ouvir os sete vereadores do executivo camarário explicarem a uma só voz as conclusões sobre o que correu mal, o que foi, entretanto, feito para ajudar os agricultores e criadores de gado e qual o investimento na prevenção futura.

O «Prémio Capeia Arraiana 2009» vai para todos os nossos amigos que visitam e participam neste espaço de livre opinião e nos «obrigam», todos os dias, a olhar só para a frente e a ser cada vez melhores.

O «Destaque Capeia Arraiana 2009» vai para a opinião do jornalista Joaquim Vieira, provedor dos leitores do Público, que assina uma das mais brilhantes análises ao jornalismo que me foi dado ler. Merecia ser caso de estudo nos cursos de jornalismo. Pode (e deve) ser lida. Aqui.

Aproveito para desejar a todos um excelente ano de 2010.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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Mais vale tarde do que nunca

271 751 045. A Câmara Municipal do Sabugal disponibilizou esta quarta-feira, 2 de Setembro, no portal oficial na Internet uma linha telefónica de apoio para emergências relacionadas com os incêndios.

Concelho do SabugalMais vale tarde do que nunca. A linha telefónica de apoio para emergências de incêndios agora disponibilizada pela Câmara Municipal do Sabugal no portal oficial na web tem o número 271 751 045.
Um comentário editado no Capeia Arraiana na terça-feira, 1 de Setembro, às 13:30 horas e assinado por Elvira Rebelo dizia o seguinte:

«Até agora os responsáveis pela Câmara ainda não tiveram uma palavra de aconselhamento às populações. Porquê?
Até agora ainda não foi disponibilizada nenhuma linha telefónica de emergência para as populações. Porquê?
Será que já ouviram falar em Gabinete de Crise?
O site da Câmara continua alegremente a falar da festa da europa e das capeias arraianas. Porquê?
No entanto ouvi dizer que vai ser pedida uma indemnização ao Governo.
Definitivamente estes responsáveis não estavam preparados e não sabem lidar com uma crise desta grandeza.
Elvira Rebelo»

Os responsáveis acordaram (foram empurrados) para a realidade e disponibilizaram, agora, uma linha telefónica depois do rescaldo do incêndio. «Depois de casa roubada, trancas na porta» diz um velho ditado português. Não queremos (não quer concerteza a nossa leitora Elvira Rebelo) os louros em momento tão trágico mas também não aceitamos que alguns (os do costume) se preparem para os habituais comentários de que nada se pode dizer para não ser carimbado com um cunho político em tempo de eleições.
Estas linhas estão a ser escritas no dia 3 de Setembro de 2009 mas podiam, igualmente, ser escritas no dia 3 de Setembro de 2008 ou, se Deus quiser, no dia 3 de Setembro de 2010.
Muita coisa correu mal na derrocada que vitimou, recentemente, alguns cidadãos na praia no Algarve. Com ou sem responsabilidade o Governo vai ser chamado para dar explicações e defender-se no Parlamento.
E muito ainda falta explicar sobre o Plano Municipal de Emergência do Sabugal. Tranquilamente e sem pressões eleitorais até porque não há vítimas humanas a lamentar.
E já agora transmitam ao senhor Presidente da Câmara Municipal do Sabugal (que não lê o Blogue Capeia Arraiana e só governou para os que vivem no Sabugal 365 dias por ano) que diga aos sabugalenses o que pensa sobre esta imensa desgraça. Aqui ficam algumas perguntas públicas:
– Qual foi a área ardida no concelho do Sabugal desde as duas horas da manhã de domingo, 30 de Agosto?
– Quem é o responsável pelos serviços municipais de protecção civil no Sabugal?
– Porque é que o Plano Municipal de Emergência só foi activado na madrugada (1:43 horas) de terça-feira, 1 de Setembro de 2009?
– Em que consiste o Plano Municipal de Emergência? Quando foi aprovado?
– Quantas reuniões comuns já tiveram os elementos responsáveis pelas diferentes áreas?
e…
– Porque não foi divulgada (comunicada, «emeilada», berrada) de modo visível e publicamente uma linha telefónica de emergência para as populações desde as primeiras horas do trágico incêndio?

Aos cinco candidatos à presidência à Câmara Municipal do Sabugal apenas deixo duas questão que gostaria de ver respondidas publicamente:
– Se estivessem no poder como actuariam para colmatar no imediato as dificuldades dos agricultores em arranjar alimentos para os seus animais?
– Como pensam investir na reflorestação de videiras, oliveiras, carvalhos e outras árvores no concelho?

1 – A desculpa de que devemos ficar calados porque estamos em tempo de eleições só pode ser utilizada por acomodados ou comprometidos. Mesmo em tempo de eleições os cargos públicos continuam a ser remunerados ou será que foram todos de licença sem vencimento?
2 – Os que pagam a contribuição autárquica sobre casas e terrenos, o contador da água e a taxa do «lixo» 12 meses por ano apesar de não viverem no concelho os tais 365 dias também podem ser considerados sabugalenses? Ou não?
3 – Sobre projectos, projectos e projectos que já são uma realidade antes de o serem nós aqui no Capeia Arraiana tentamos, sempre que possível, dar apenas… notícias verdadeiras.
4 – A declaração do senhor Presidente da Câmara Municipal do Sabugal de que, e passamos a citar, «só governei para os que vivem 365 dias por ano no Sabugal» foi proferida no RaiaHotel durante a apresentação dos elementos da lista do candidato António Robalo à Câmara Municipal do Sabugal. É um declaração politicamente incorrecta que não se deve pensar e muito menos se deve dizer em público. Estive presente na sala e uma declaração desta gravidade causou-me um enorme desconforto pessoal. No melhor pano cai a nódoa e fui obrigado a rever o que pensava do político e governante Manuel Rito. O meu pai ensinou-me que «na vida não vale tudo».

«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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Falar verdade é diferente de falar positivo

Esta quarta-feira o Capeia Arraiana vai dar o pontapé de saída na campanha autárquica no concelho do Sabugal com grandes entrevistas a dois candidatos. Falar positivo, falar bonito, subir não sei quantos lugares num ranking que ninguém reconhece, não falar… Não! O Capeia Arraiana apenas pode prometer… falar verdade. Vamos a isso quando faltam cerca de 80 dias para o domingo de 11 de Outubro.

Eleições Autárquicas Sabugal - Sedes CampanhaEste é um artigo de opinião assinado por um dos administradores do Capeia Arraiana. Assinado e assumido. Há cerca de um ano assumi a minha admiração por Manuel Rito Alves, actual presidente da Câmara Municipal do Sabugal. Assumi e mantenho. É provavelmente (como dizem na ciência política) o grande animal político do concelho.
Aos anteriores presidentes reconheço jogo político a António Morgado e capacidade de resistência a José Freire que, qual fénix, tudo indica será o quinto elemento na lista de deputados da Guarda do Partido Socialista à Assembleia da República. Aqui fica o meu reconhecimento aos três, José Freire, António Morgado e Manuel Rito, por aquilo… por aquilo não… por tudo aquilo que fizeram pelos sabugalenses. Já sei que tudo fizeram na vossa actividade autárquica em benefício de todos os sabugalenses. O tempo e a história farão (ou não) a sua justiça.
Em Março deste ano convidámos os três candidatos (e iremos falar sempre por ordem alfabética) para uma grande entrevista na Rádio Caria no programa «Hora Informativa» da responsabilidade do jornalista Sérgio Paulo Gomes. Aceitaram estar presentes António Dionísio e Joaquim Ricardo. O candidato António Robalo considerou, na resposta ao meu convite pessoal, que ainda não estava em campanha eleitoral. Iniciou-se no concelho do Sabugal o surdo som de que apenas privilegiávamos «alguns candidatos»… Ou seria (será) apenas o pesado som do silêncio de quem por estratégia não quer falar?
Esta semana vamos publicar duas grandes entrevistas assinados pelos administradores do blogue Capeia Arraiana a António Dionísio e Joaquim Ricardo. Mais uma vez o mais que assumido candidato social-democrata, António Robalo, entendeu não ser ainda a altura para falar. Compreendemos até porque ainda faltam cerca de 80 dias para as eleições de 11 de Outubro.
Esta quarta-feira publicamos a entrevista com António Dionísio e amanhã, quinta-feira, a entrevista com Joaquim Ricardo. Os candidatos deram a entrevista no seu terreno: a sua cadeira na sua sede de campanha. António Dionísio antecipou o momento com uma descontraída conversa à hora do almoço com a promessa de nova reunião ao final do dia e Joaquim Ricardo recebeu-nos na menina dos seus olhos, a Liga dos Amigos de Aldeia de Santo António, com uma visita guiada. A conversa gravada decorreu na sua sede de campanha com vista para o rio Côa.
Destacamos momentos fortes nas duas entrevistas. António Dionísio confirmou-nos que, antes de aceitar o convite perguntou a Manuel Rito se era candidato e Joaquim Ricardo afirma na entrevista que publicamos amanhã, quinta-feira, que nunca seria candidato contra o actual presidente da Câmara.
Os dois candidatos mostraram durante as entrevistas ter fortes ideias e convicções para resolver os problemas do concelho do Sabugal. Têm fé nas suas equipas e acreditam ter as soluções para os grandes problemas do concelho. «Sabugal Concelho com Futuro» de António Dionísio e «Um presidente a sério e igual para todos» de Joaquim Ricardo são duas ideias-força sempre presentes ao longo das entrevistas.
Durante as conversas houve uma entoação mais forte para a falta de ética política na constituição das listas de freguesia e para o clima de silencioso terror que se vive nos protagonistas autárquicos.
Nas eleições europeias no concelho do Sabugal estavam recenseados 16.763 eleitores e votaram 4.923 cidadãos. O PSD obteve 2965 votos (41,95%), o PS alcançou 1248 (25,35%), o CDS teve 387 (7,86%) e o MPT ficou-se pelos 102 (2,07%). Os restantes votos foram distribuídos pelos outros partidos.
Apesar de serem eleições europeias a verdade é que os abstencionistas – emigrantes ou idosos em lares distantes do seu recenseamento – deverão ser muito idênticos nas autárquicas. Mas tudo isto – um total de cerca de cinco mil eleitores – corresponde segundo a Acta n.º 8 da Câmara Municipal do Sabugal a um orçamento relativo ao ano de 2008 com uma receita global de cerca de 21 milhões e meio de euros. A receita orçamental foi de cerca de 18 milhões de euros e a de operações de tesouraria de 1.744.232,46 euros. A despesa totalizou 21.489.933,68 euros e o saldo do exercício que transitou para o ano seguinte foi de 2.311.282,60 euros. Mas chega de números. Os interessados podem consultar a acta no link indicado no final deste artigo.
Por curiosidade posso adiantar que o concelho de Odivelas tem 117.635 eleitores distribuídos por oito freguesias. A freguesia da Póvoa de Santo Adrião, onde residem muitos sabugalenses, têm recenseados cerca de 13 mil eleitores. Sinto necessidade de sublinhar que uma das oito freguesias do concelho de Odivelas tem, mais ou menos, os mesmos recenseados que todo o concelho do Sabugal. Os senhores autarcas sabugalenses deviam, de vez em quando, recordar que há freguesias urbanas com mais eleitores que todas as 40 freguesias do concelho sabugalense.
Mas… estão errados os que pensam que só devem governar para quem lhes dá os votos. Os senhores candidatos têm uma grande obrigação. Cativar os descendentes dos sabugalenses para que voltem (sempre) às suas origens. Mostrem que são capazes!

1 – O meu pai ensinou-me que, quando os homens usavam chapéu, a palavra de honra era selada com um aperto de mão. Agora parece que mesmo depois da assinatura e de ofertas em numerário para as campanhas ainda há quem mude de convicções como quem muda de camisa. Pois… Vale o que vale.
2 – Esta semana o destaque do Capeia Arraiana foi retirado da página principal do portal da Câmara Municipal do Sabugal. Agradecemos a gentileza de nos terem privilegiado durante mais de dois anos em lugar de destaque. Retribuímos, dentro das nossas capacidades não comerciais e não subsidiadas sem páginas mensais de publicidade pagas pela autarquia, com a divulgação das actividades autárquicas em forma de notícia ou de cartaz. No nosso critério editorial nada se alterou. Privilegiamos a notícias verdadeiras em lugar das notícias positivas. Privilegiamos a promoção das gentes e das terras raianas. Privilegiamos a opinião da diáspora que tem (e terá sempre) uma palavra a dizer sobre o desenvolvimento do Sabugal. Bem-haja presidente Manuel Rito porque, apesar de não nos ler, privilegiou-nos durante estes mais de dois anos com um link destacado no portal oficial do executivo camarário sabugalense.
3 – Esta marcada para esta quinta-feira, 23 de Julho, uma conferência de imprensa para a apresentação dos nomes da concelhia do PSD do Sabugal que acompanham António Robalo na corrida à presidência da Câmara Municipal do Sabugal. Será uma excelente oportunidade para ouvir falar Manuel Corte, presidente da concelhia do Sabugal do Partido Social Democrata.
4 – O Blogue Capeia Arraiana é publicado diariamente na Internet desde o dia 6 de Dezembro de 2006. São 959 dias até 22 de Julho de 2009. As datas valem o que valem.

Acta n.º 8 da Câmara Municipal do Sabugal. Aqui.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages (jcl)

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Competências e valores

O território do Sabugal tem valores únicos a nível nacional, europeu e mundial que obrigam a um trabalho competente e profissional na sua defesa e promoção e nos quais a Câmara e as Associações do concelho têm obrigação de se envolver de forma pró-activa dando disso conhecimento público aos cidadãos e aos seus sócios até porque estão em causa dinheiros públicos. Aproveito para falar das concentrações hípicas e da Festa do Mundo Rural, dois temas que devem merecer a nossa reflexão.

Passeio concentração da Associação Hípica Amigos do Cavalo (Foto de Kim Tutatux)Decorreu no último fim-de-semana de Março, entre a Praça de Touros do Soito e o Complexo Turístico da Quinta das Sereias, uma concentração organizada pela Associação Hípica Amigos do Cavalo que reuniu mais de 100 cavaleiros. A direcção, recentemente eleita, delegou nos irmãos André e Miguel Nabais (dois juniores orientados pelo pai João) e no sénior João Carvalho a organização do evento que correu a contento e com grande participação. Mereceu destaque no Capeia Arraiana, na LocalVisãoTv e em outros órgãos da região e serviu para um grande trabalho do repórter fotográfico Kim Tutatux que pode ser visto Aqui.
No dia anterior tinha tido oportunidade de falar com um casal holandês, radicado no Algarve, que estava hospedado em Sortelha, na quinta do Mesquita, e que se mostravam surpreendidos com a beleza natural das terras raianas. São proprietários de vários cavalos e colocavam a hipótese de se mudarem para a nossa região.
Os Fóios são ponto de passagem, e de paragem obrigatória para refeição, de muitas concentrações de cavaleiros portugueses e espanhóis que transformam o ambiente e a paisagem acrescentando-lhe ainda mais beleza (acrescentei o «ainda mais» para que o presidente José Manuel não se zangue comigo) e salero. É bonito de ver e ouvir a empatia entre cavalo e cavaleiro, o «ar vaidoso» dos cavaleiros e a música do trote das montadas.
«Concentrações de cavalos existem em muitos lados» é a resposta fácil. Sim! Mas… é um valor que pode ser transformado com competência em oportunidade. A interioridade das terras do Sabugal é uma oportunidade. A Raia é uma oportunidade. Desafio a Associação Hípica Amigos do Cavalo a preparar aquilo a que se poderá chamar «I Concentração Hípica Ibérica» e que poderia transformar-se num acontecimento ibérico ou mesmo europeu. Foi assim que começou a Concentração Motard de Faro e se transformou num evento grandioso onde já tivemos (eu, a Ana e a Transalp) a felicidade de participar vários anos. A data certa? A Festa do Mundo Rural seria um momento perfeito para uma concentração hípica. O número? 1000 participantes seria um número mágico para a primeira edição.
Em declarações recente da presidente da Pró-Raia, Lurdes Saavedra, ficámos a saber que está previsto para o Soito a quinta edição da Festa do Mundo Rural, um evento organizado em conjunto com a Câmara Municipal do Sabugal. A associação pretende, igualmente, levar a efeito, lá mais para o Verão, a Mostra da Juventude. As iniciativas resultam do PACA – Plano de Aquisição de Competências e Animação que dinamiza e agrega todas as acções de desenvolvimento da economia rural e está integrado no PRODER e de que a Pró-Raia é um parceiro privilegiado.
E por falar em festas, recordo outro acontecimento concelhio, a Festa da Europa, com um programa recheado em 2008 que incluiu o Grande Prémio de Atletismo do Baraçal, onde a ADES sorteou um automóvel entre os atletas participantes. E por falar em ADES recordo as duas (?!) actividades culturais e de promoção do concelho disponíveis na página da Associação e previstas para 2008: «Pintar Sabugal 2008» e «Colóquio sobre cozinhas tradicionais» (ver Aqui.) faltando ainda divulgar publicamente as propostas para o presente ano.
A ADES é, e deve ser, um veículo de desenvolvimento do concelho que tem uma área de intervenção bem definida e que pode ser consultada Aqui.
Esteve, aliás (e muito bem) na primeira linha da luta contra o fecho das urgências no Sabugal mas não esteve (e devia estar) solidariamente com os pais e alunos que, emotivamente, pediam no início do ano lectivo que não lhes fechassem as escolas primárias. Uma escola primária fechada é um enorme passo atrás no desenvolvimento do nosso concelho e promove o afastamento das crianças das suas referências.
Todos somos poucos para defender o concelho do Sabugal. Mas… entre aqueles que perguntam «O que posso fazer pelo Sabugal?» e «O que pode o Sabugal fazer por mim?» estou, convictamente e de consciência tranquila, entre os primeiros.

Adoro notas de rodapé. Aqui ficam mais três:
1 – O futebol já foi, para mim, uma paixão. Durante mais de 12 anos vivi, dia-a-dia, no jornal «A Bola» os aspectos positivos e negativos do desporto-rei em Portugal. Recentemente um árbitro e um dirigente desportivo foram a tribunal acusados de corrupção. Não se provou a corrupção mas provou-se que o dito árbitro tinha estado em casa do presidente de um dos clubes envolvidos no jogo do fim-de-semana seguinte que este iria dirigir. Deixando de lado as coisas da justiça é curioso como alguns anónimos aspirantes a árbitros professam… (perdão) proferem decisões sobre jogos a que não gostam de assistir. As ofensas pessoais anónimas têm sempre a «assinatura» de dois tipos de pessoas: aqueles que ladram à voz do dono ou aqueles que, como gostava de dizer o meu saudoso pai, se alimentam da palavra com que o grande poeta Luís de Camões terminou o último verso dos Lusíadas. De qualquer forma, e em relação ao aspirante a árbitro, até da bancada foi visível que não está em forma, mostrou cartões a faltas inexistentes, marcou penalties que só ele viu e validou uma jogada em que golo foi marcado com a mão e em nítida posição de fora de jogo.
2 – Por falar de competências e valores de aspirantes a categorias profissionais que exigem muita leitura, muito estudo, muito trabalho e… muita vocação aconselho a leitura da Lei de Imprensa (em especial o artigo 3.º que define os limites e o direito ao bom nome) e do Código Deontológico dos Jornalistas.
3 – O Blogue Capeia Arraiana é publicado diariamente na Internet desde o dia 6 de Dezembro de 2006. A data vale o que vale.

«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages (jcl)

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José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

SIC e TVI fazem reportagem em Ruivós

As equipas de reportagem das estações televisivas SIC e TVI andaram na tarde desta segunda-feira, 30 de Março, pela aldeia de Ruivós. Os jornalistas quiseram ver e ouvir de viva voz como estava a reagir a população da aldeia dos irredutíveis raianos ao tema das crónicas no «Capeia Arraiana» e nos semanários «O Interior» e «Sol»…

Internet por Wireless chegou a Ruivós

A freguesia de Ruivós ainda não tem esgotos ligados à rede camarária… os telemóveis ainda não tocam, mas… já está ligada à rede da aldeia global. A partir de agora os de Ruivós já podem aceder gratuitamente à Internet, via wireless oferecida pela Junta de Freguesia, em qualquer ponto da aldeia. O projecto NetFreguesias desenvolvido pela Pixus tem vindo a acrescentar aldeias raianas à aldeia global da Internet.

RuivósRuivós já está ligada à rede www. A instalação do sistema wireless que vai permitir aos de Ruivós ter acesso gratuito à rede Internet em qualquer ponto da aldeia está praticamente concluído. O servidor ficou instalado na sede da Junta de Freguesia de Ruivós – que assume e oferece os custos do serviço – e a antena de reforço e propagação do sinal foi colocada no Salão de Festas e sede da Associação dos Amigos de Ruivós. Agora já não há desculpas para acompanhar os pais ou os avós até Ruivós. Venham de Lisboa, de Coimbra, da Guarda, de França, da Suíça ou da Austrália (para onde envio um grande abraço para o meu amigo Germano) os putos já têm acesso gratuito à Internet e «aos messenger e facebooks» nas velhinhas casas dos avós.
Na última Assembleia Geral da Associação dos Amigos de Ruivós o Manuel Vinhó, natural de Ruivós, casado na Ruvina e emigrante na bonita vila de Châtel Saint-Denis, na Suíça, onde já passei momentos inesquecíveis, dizia-me que os filhos já não queriam vir a Portugal. «Mas porquê Manel? Tu és de Ruivós, a tua mulher é da Ruvina e apesar das distâncias vens mais do que uma vez por ano a Portugal. Os teus dois filhos têm menos de 20 anos e nunca perderam as referências. Eles não querem vir porquê?», questionava eu, incrédulo, o Manuel que cresceu comigo nas brincadeiras e nas viagens de motorizada sem capacete até às discotecas Teclado, Poço ou Upita. «Porque quando chegam cá já não conseguem falar com os amigos que têm na Suíça», explicava-me ele de forma crua e dura. Por tudo isso, estas linhas são escritas a pensar em ti, Manuel. Nos teus e em todos os miúdos, filhos da nossa geração e das que virão, se Deus quiser, que vão ter menos uma forte razão para se recusarem a voltar à terra dos seus pais e dos seus avós. Agora Ruivós já tem Internet dentro de todas as casas. Agora Ruivós já tem Internet na Junta de Freguesia. Agora Ruivós já tem Internet na sede da Associação dos Amigos de Ruivós. Agora Ruivós já está no mapa da world wide web na semana em que se comemoram os 20 anos do nascimento da www.
A empresa informática Pixus, sedeada no Sabugal e gerida pelo empresário Carlos Nabais, tem vindo a desenvolver um valoroso trabalho na área da informática e das novas tecnologias. O projecto NetFreguesias desenvolvido pela Pixus, desde Agosto de 2008, já levou a Internet, em formato wireless, a muitas freguesias do concelho do Sabugal.
Por iniciativa das Juntas de Freguesia já está instalada e a funcionar o acesso à Internet, por via wireless, nas freguesias do Baraçal, Cerdeira, Forcalhos, Lageosa da Raia, Malcata, Penalobo, Quintas de São Bartolomeu, Quadrazais, Ozendo, Seixo do Côa, Perofícós, Martim Pega, Sortelha, Santo Estêvão, Vila do Touro e Vilar Maior. No concelho de Almeida na freguesia da Parada e no concelho de Pinhel nas Lameiras. Durante os meses de Março e Abril estão programadas instalações de wireless nas freguesias de Aldeia do Bispo, Águas Belas, Vale Mourisco, Espinhal e Quinta do Clérigo no concelho do Sabugal e Benquerença no concelho de Penamacor.
A Pixus é uma competente e profissional empresa das tecnologias da informação e da comunicação (TIC) que tem contribuído para o desenvolvimento e evolução das terras sabugalenses. Alargando os horizontes e as áreas de intervenção concretizaram, recentemente, uma parceria de representação das tecnologias Inosat, líder mundial em sistemas de localização de veículos e gestão de frotas, baseado em tecnologia GPS e GSM.

Antigamente, nas nossas terras de emigrantes, a comunicação com os familiares fazia-se por carta e, para casos mais urgentes e graves, por telefone. Agora, já podemos estar ligados em permanência e em tempo real à nossa lista de contactos virtual. Agora, o Campanário, a Fonte, os Carvalhos, a Amoreira e os balcões da Ti Clotilde e da Ti Ilda já estão online. Modernices…
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

O incontornável forcão da Capeia Arraiana

O Capeia Arraiana é Opinião Pública provocada pela edição informativa dos pensamentos de quem escolhe este espaço para dar espaço ao seu pensamento. O tema do momento anda à volta da realização de uma Capeia Arraiana nos Açores por ocasião das festas Sanjoaninas onde o religioso anda de mãos dadas, perdão, de cordas dadas com as célebres largadas das vacas. E só há duas hipóteses: os que estão a favor e os que estão contra. Os indecisos não contam para esta discussão. Após a discussão importa ficarmos todos do mesmo lado, ou seja, a agarrar ao forcão.

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

Engenharia e Alta Finança

No início de 2009, o ano de todas as eleições, o Capeia Arraiana entendeu convidar os três candidatos a ocuparem um espaço comunicacional de esclarecimento (livre e gratuito) para discussão pública dos seus pontos de vista. O chefe de finanças António Dionísio (Sabugal), o engenheiro António Robalo (Ruvina) e o chefe de divisão de finanças Joaquim Ricardo (Aldeia de Santo António) têm diversos prós e contras no momento actual das suas candidaturas.

Retorno económico de políticas arriscadas

A economia mundial bateu no fundo e necessita renascer das cinzas com novos conceitos e novos protagonistas. A especulação e a incompetência financeira privada deram lugar a balões de oxigénio dos governos. Por outro lado o concelho do Sabugal não pode ser deixado à deriva com ideias avulsas de promoção turística. Todas as iniciativas que tragam visitantes ao concelho devem ser acarinhadas e aplaudidas. Falta saber e perceber se o retorno é apenas a utilização das casas de banho e o lixo depositado nos caixotes.

Roulote no Largo do Castelo do SabugalA economia está na ordem do dia. A minha vida académica obrigou-me a «encaixotar» (leia-se «ler do princípio ao fim de forma enviesada») o livro de referência «Economia» de Paul Samuelson proposto para a cadeira de economia política. Curiosamente a mais recente edição (já vai na 17.ª) abre no capítulo 1 com os fundamentos da economia e com uma introdução intitulada «Por quem os sinos tocam».
Sem me querer alongar nestas áreas da economia mais ao jeito do meu amigo Paulo Leitão não posso deixar de ser solidário com as preocupações dos nossos dias. Considero que um dos grandes responsáveis a que isto chegou dá pelo nome de Alan Grenspan, judeu de origens húngaras nascido em Nova Iorque e durante quase duas décadas presidente da Reserva Federal Americana. A personalidade veio agora dizer que talvez tenha agido e analisado mal os mercados livres mas… «a sua culpa vai resumir-se a pouco mais do que isso».
Preocupante e inquietante é que os mesmos especialistas (?) económicos pagos a peso de ouro que levaram a especulações monstruosas e ao descalabro são os mesmos que agora nos querem apresentar soluções.
Preocupante e inquietante é o Presidente da República, Cavaco Silva, ter demorado apenas meia-hora a aprovar um monstruoso balão de oxigénio aos principais bancos privados. Nos Estados Unidos e na Inglaterra o Estado nacionalizou e responsabilizou os anteriores administradores pelos danos causados. Em Portugal os bancos privatizam o Estado português e recebem garantias para continuar… no bom caminho (?!?) quando nos diziam que não havia dinheiro para investimentos públicos que relançassem a economia nacional (aconselho a leitura da crónica de José Robalo sobre o assunto).
Mas na economia há muitos monstros sagrados. Vou referir Adam Smith, considerado por muitos o pai da economia moderna e o mais conhecido teórico do liberalismo económico que defendeu que a riqueza das nações resultava da iniciativa privada. A aposta em projectos comerciais que movidos pelo seu próprio interesse promoviam o crescimento económico e a inovação contribuindo para a promoção local, regional e nacional. A economia é uma distribuição com virtude. A virtude não está em poupar mas em escolher os investimentos certos contrariando os defensores do aforrismo e a relação de poupança com o dinheiro. A sabedoria empregue ao gastá-lo é mais importante do que o dinheiro gasto.
Fica contudo, para mim que não sou economista nem investidor na bolsa, uma dúvida de leigo. Para que servem as Bolsas. Se fechassem todas as Bolsas do Mundo o que perdiamos? O que perdiam os cidadãos deste planeta chamado Terra que sobrevivem com um euro por dia? Responda quem souber porque, eu cá, fechava-as a todas. Ponto final parágrafo.

Economia é investimento com sabedoria
Passou este fim-de-semana pelo concelho do Sabugal o BMW X Experience com o patrocinio da marca e os apoios do Governo Civil da Guarda e das Câmaras Municipais do Sabugal, Guarda, Penamacor e do Ayuntamiento de Ciudad Rodrigo. Estamos todos de acordo que as iniciativas privadas podem e devem definir a logística do seu evento. Ninguém tem nada com isso. E todas as iniciativas que passam pelo concelho do Sabugal são bem-vindas. Mas…
A caravana da concentração visitou o Castelo do Sabugal com entrada gratuita, utilizou energia eléctrica das instalações do município e… trouxe uma carinha (tipo roulote das bifanas das feiras) que estacionou junto ao monumento para servir os participantes.
Acredito que a dita carrinha funcionou num espaço público, com seguro, com licença paga ao município e com as devidas autorizações superiores dos serviços camarários.
Mas não posso deixar de me questionar sobre aspectos fundamentais. Uma concentração que utiliza equipamentos sociais e turísticos à borla, que não pernoita, que traz consigo catering (a pagar?) com comida, bebidas e café aproveita a quem? E o respeito que merecem os investimentos privados locais que pagam impostos, licenças e defendem durante todo o ano a imagem do sabugal e do seu património? Impõem-se justificações e esclarecimentos porque este modo de actuação colide frontalmente com as conclusões e objectivos do recente colóquio «Jornadas Raianas sobre o Turismo» que decorreu no Auditório Municipal. Ou tudo não passou de uma encenação arquivada quando terminaram as jornadas.
Que raio de promoção é esta do Sabugal e do seu potencial turístico que não parece passar de acontecimentos avulsos e sem nenhum enquadramento estratégico. Também a nível local a economia resulta de investimentos com sabedoria e retorno.
As respostas e justificações por mais bem elaboradas que sejam não podem nunca deixar de explicar qual o retorno que os responsáveis camarários entendem ter recebido deste evento onde os participantes se limitaram a usar as casas-de-banho e a deixar o lixo no Sabugal.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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Peroficós em festa dez anos depois

A música voltou a ouvir-se no Peroficós. Dez anos depois das últimas comemorações as ruas da aldeia foram percorridas pela procissão do Santíssimo Sacramento. E como recordar é viver, recordamos alguns episódios associados ao Peroficós.

Festa no PeroficosO Peroficós é terra de passagem. Terra de passagem? – Valerá menos que as outras? – perguntará o leitor? Não. Claro que não. Mas fica a caminho da estação da CP da Cerdeira e isso diz quase tudo para quem conhece o concelho do Sabugal. No tempo em que o caminho-de-ferro tinha a sua importância (o petróleo era barata mas os carros eram poucos) o Peroficós era local de passagem obrigatório.
Recordo com emoção os tantos e tantos domingos à noite que por lá deixei a velhinha «Famel Zundapp» a caminho da estação da Cerdeira e do «Beira Alta» que me levaria até à Base da Ota e tantas e tantas sextas-feiras à tarde em que a minha fiel amiga me esperava para me trazer de volta a casa.
A Cerdeira e, em especial, o Peroficós ficam como marca de um tempo que já não volta mas que temos obrigação de não deixar morrer. Esse «Beira Alta» de domingo à noite que parava em todas as estações e apeadeiros até Lisboa era o comboio dos militares. Tinha uma locomotiva diesel que era mudada na Pampilhosa e dois tipos de carruagens: salão e compartimentos. E como não podia deixar de ser para a malta da Raia havia uma carruagem de compartimentos que ficava com os lugares marcados logo a partir da Cerdeira. Era a carruagem que levava no primeiro compartimento um serviço improvisado de bar. E a longa viagem de cerca de oito horas através da madrugada demorava menos a passar. Um dia o meu amigo Paulo Saraiva adormeceu. Passámos Santarém e acordei-o dizendo que era na próxima. Mas a próxima, nesse dia, foi o Setil (terra de ninguém) e o Paulo, meio estremunhado, sentindo o comboio a afrouxar, pegou na mochila, abriu a porta e saltou para a plataforma. Passados poucos segundos o sinal ficou verde e o maquinista arrancou. E ficámos todos a ver pelas janelas aquela farda azul-escuro que, parada no meio do cais, não percebia porque não tinha ninguém à volta. Chegou um pouco atrasado à base mas ainda hoje em conversas de amigos recordamos e gozamos com o episódio.

Anexa do Seixo do Côa e convivendo paredes-meias com outra anexa, a Redondida (da Cerdeira do Côa), o Peroficós voltou a celebrar a festa do Santíssimo Sacramento abrilhantada pela música da Banda de Pinhel.
E foi desculpados com o pretexto da santa festa que nos reunimos em casa de Joaquim dos Santos, homem bom que conhecemos desde sempre e que nos deixava guardar a motorizada no seu cabanal.
De hoje em um ano!
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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Ana Manso é a madrinha do «Dia dos Avós»

Por proposta da deputada Ana Manso (PSD), eleita pelo distrito da Guarda, o dia 26 de Julho foi instituído como Dia Nacional dos Avós. Foi registada sob a forma de Lei na Assembleia da República pela Resolução n.º 50 de 2003. A data escolhida celebra no calendário litúrgico católico o dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo.

Ana Manso na Casa do Concelho do SabugalDecorreram em muitos pontos do País, incluíndo no Sabugal, as comemorações do «Dia dos Avós» destacando e lembrando o papel decisivo que eles têm e tiveram na construção da nossa sociedade civil e, acima de tudo, na nossa formação e dos nossos pais.
O Novo Sistema de Regulação das Relações Laborais, publicado em Junho de 2008, valoriza o papel dos avós e autoriza aqueles que ainda estão no activo o direito de faltar ao trabalho para justificada assistência aos netos menores em substituição do pai ou da mãe trabalhadores.
Os avós representam no seio da família uma das mais importantes referências. Criaram os filhos que agora já são também pais e acumularam conhecimentos e saberes que desejam passar aos netos.
Nas grandes metrópoles os avós substituem os pais levando e trazendo os netos das escolas. São eles que ficam um pouco mais nos jardins enquanto esperam que os pais saiam dos seus trabalhos. São eles que, por vezes, ficam com os netos quando há um compromisso pós-jantar ou ao fim-de-semana.
Quando os avós ficaram na sua aldeia natal e os filhos emigraram tudo fazem para bem receber os netos quando eles regressam nas férias. Quantos de nós que tivemos o privilégio de conhecer e conviver com os nossos avós recordamos a sua voz suave, a sua mão carinhosa, o enlevo com que nos mostravam os animais no campo e o amor com que nos traziam uma fruta ou nos desculpavam uma travessura.
Somos uma região envelhecida com bastantes lares de idosos que os técnicos consideram de muita qualidade. A Lei ainda não prevê nem reconhece regalias ou direitos aos netos que cuidam dos avós mas devia estar previsto e devia ser incentivado com o aumento da longevidade e da esperança de vida (74 anos para os homens e 81 para as mulheres) em Portugal.
Aproveitamos para destacar o papel decisivo da deputada Ana Manso, eleita pelo círculo eleitoral da Guarda, na concretização deste projecto na Assembleia da República. Excelente iniciativa que deve ser destacada e vivida por todos nós que, ao longo da vida, somos sucessivamente netos e filhos, pais e avós.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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O Presidente Manuel Rito Alves

«A memória do povo é curta», diz o ditado… se «a História for incorrectamente escrita» acrescentamos nós. O que está em causa a uma distância de cerca de 480 dias (!?) não são, não podem ser, os candidatos a candidatos mas julgar e ajuizar o que foi e vai ser feito durante este mandato autárquico. E, claro, dar voz aos vereadores da Oposição para perceber aquilo que não foi ou foi mal feito. Mas… há uma personalidade incontornável quando tivermos que escrever a história da primeira década do século XXI do nosso concelho: Manuel Rito Alves, presidente da Câmara Municipal do Sabugal.

Manuel Rito AlvesO concelho do Sabugal entrou numa espiral de faz-de-conta. Num território com uma área (826 km2) maior que a ilha da Madeira (740 km2), com 40 freguesias e cerca de 100 aglomerados populacionais, contabilizando quintas e anexas, já tudo deixou de fazer sentido.
Deixaram de ser importante as obras da Câmara Municipal, deixaram de ser importantes as obras das Juntas de Freguesia, deixou de ser importante o mais importante. Ainda falta cerca de um ano e quatro meses – será que disse bem? – sim, mais coisa menos coisa faltam cerca de 16 meses ou se preferir 480 dias com muita água a correr por debaixo das pontes da Côa.
E qual é a preocupação dos sabugalenses? De todos? De alguns? A resposta que é em si mesma uma questão é evidente. Quem vão ser os candidatos à Câmara Municipal do Sabugal?
E já agora, pergunto eu porque é igualmente importante. Quem vão ser os candidatos às Juntas de Freguesia? Aqueles que, pela sua proximidade, defendem mais de perto os verdadeiros interesses das envelhecidas populações do nosso concelho? E por falar de população envelhecida. Seria muito interessante saber quem se quer candidatar à Direcção das IPSS (lares de idosos) do nosso concelho. Ou se calhar não…
Quem é o candidato à Câmara Municipal de Lisboa? Não sabemos. E do Porto? Ainda não está assumido. E das outras grandes metrópoles? «O corno do homem? Logo se bê!» como gostava de dizer o Manuel Falcão quando na minha meninice – nos anos 80 do século passado –, me dava boleia até ao Sabugal na sua velha camioneta depois de carregarmos cimento e ferro em Alverca. Aproveito para destacar com muita amizade a Dona Isabel Cerdeira e o carismático sabugalense Manuel Falcão que muito têm contribuído para o desenvolvimento do nosso concelho.
Falta fazer obra no concelho. Falta acabar obra. As eleições «julgam» o que se fez e o que ficou por fazer. A seu tempo teremos que avaliar grandes obras deste mandato. A recuperação das Termas do Cró, a ligação à A23 e… o arriscado desafio do Centro Transfronteiriço de Negócios do Soito que vai ficar concluído durante o presente mês de Junho, cerca de três meses antes da data prevista graças ao grande profissionalismo e competência da equipa de construção civil liderada pelo empresário Manuel Augusto.
Mas será importante dar voz aos vereadores da Oposição para todos percebermos aquilo que não foi ou foi mal feito.
Assumo hoje publicamente, pela primeira vez, a minha admiração pela personalidade e carácter de Manuel Rito Alves, presidente da Câmara Municipal do Sabugal.
O homem de quem, alguns, já não querem falar. A memória dos homens é curta, todos o sabemos, mas a História do concelho do Sabugal vai passar a incluir obrigatoriamente mais um nome: Manuel Rito Alves. Pelo muito que tem feito pelo concelho e pela sua capacidade aglutinadora de consensos.
Constatei, ao vivo, o à-vontade com que lida com as populações. É reconhecido em todo o lado («nada de especial» dirão alguns) e reconhece pelo nome a grande parte daqueles que se lhe dirigem («nada de especial» dirão outros).
Surpreende quem o acompanha porque sabe e reconhece (sem papéis) em cada freguesia os investimentos da «sua» Câmara, os valores, os objectivos e as obrigações a que se comprometeram os que tomaram posse das obras. Aqui deixo uma «pergunta difícil»: Quantos habitantes tem a Retorta? A resposta foi-me dada, recentemente, por Manuel Rito à vista desse pequeno presépio encrustado na encosta do vale entre Penalobo e Quarta-Feira.
Vive um mandato com dificuldades pessoais mas quando questionado na ruas das nossas aldeias respondeu, invariavelmente, com um sorriso no rosto: «Nem vale a pena falar disso!»
Não me cabe a mim neste momento, enquanto jornalista e em respeito pela minhas fontes, dizer se ele é novamente candidato. Mas cabe-me a mim enquanto repórter e opinador assumir publicamente o imenso carisma desta personalidade sabugalense.
Muito fica por dizer. Talvez numa próxima oportunidade. Mas aqui fica, PUBLICAMENTE, a minha grande admiração pelo sabugalense, pelo político e pelo empreendedor Manuel Rito Alves.
Se a minha independência fica beliscada? Só na boca daqueles que nunca souberam assumir frontalmente o que pensam. Estou e ficarei de consciência tranquila.
Termino com uma frase do presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Manuel Rito Alves, na cerimónia de apresentação do livro «Celestina»:
«Só somos dignos do nosso futuro se soubermos respeitar o nosso passado!».
Obrigado Senhor Presidente.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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Loja de produtos raianos sabugalenses em Lisboa

Foi recentemente assinado no Sabugal o protocolo entre a Câmara Municipal, a Casa do Concelho e a Cooperativa Agrícola que irá permitir concretizar a abertura de uma loja de produtos raianos sabugalenses em Lisboa.

Loja de Produtos Regionais Raianos do SabugalOs produtores agrícolas do Sabugal há muito que vêem repetindo o mesmo lamento. A falta de escoamento dos seus produtos que depois de muitos trabalhos e canseiras apenas servem para alimentar os animais. A vontade de desistir está, quase sempre, presente nas suas conversas e desabafos. A qualidade dos seus produtos é inquestionável e utilizando um termo que é moda nas cidades podemos falar em verdadeira agricultura biológica.
Surge, agora, uma tentativa de inverter a situação. Vai, finalmente, avançar a loja de venda de produtos raianos do concelho do Sabugal em Lisboa.
Após várias reuniões preparatórias foi aprovado por unanimidade em reunião ordinária do executivo camarário o protocolo de parceria entre três entidades do Sabugal: a Câmara Municipal, a Casa do Concelho e a Cooperativa Agrícola. Estavam presentes pelo município o presidente Manuel Rito Alves, o vice-presidente Manuel Fonseca Corte, e os vereadores António dos Santos Robalo, Ernesto Cunha, José Santos Freire, Luís Manuel Nunes Sanches e Rui Manuel Monteiro Nunes, o presidente da Casa do Concelho do Sabugal, José Eduardo Lucas e o presidente da Direcção da Cooperativa Agrícola do Sabugal (acumulando como presidente da Junta de Freguesia do Sabugal) João Luís Batista.
O presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Manuel Rito Alves, aproveitou para dizer que «tinha solicitado aos representantes da Casa do Concelho do Sabugal, da Cooperativa Agrícola do Sabugal e da Junta de Freguesia do Sabugal para estarem presentes na reunião afim de discutirem as cláusulas do protocolo a celebrar entre a Câmara e as entidades por eles representadas com o objectivo de concretizarem o projecto de promoção da produção agrícola e pecuária do concelho arranjando formas alternativas de escoamento, em parceria com outras instituições».
Manuel Rito aproveitou ainda para lembrar que o protocolo pretende «preservar e valorizar o património natural e cultural, promovendo e dinamizando actividades turístico-culturais capazes de criar emprego e gerar riqueza».
O projecto prevê a inscrição, legalização e licenciamento dos produtores do concelho do Sabugal que farão chegar batatas, castanhas, queijos, mel, fruta, hortaliça, buchos, enchidos, etc., a um armazenamento inicial no Sabugal para posterior transporte até Lisboa.
Na Casa do Concelho do Sabugal, em Lisboa, irá funcionar uma loja de encomenda e venda aberta a todos os interessados dos produtos raianos sabugalenses.
O sucesso do projecto que envolve um investimento de 100 mil euros suportado pela Câmara Municipal do Sabugal irá depender do querer e boa-vontade de todos. Produtores, entidades envolvidas e especialmente dos sabugalenses que vivem na grande Lisboa. Vamos acreditar na iniciativa porque por um lado escoamos os produtos do concelho e por outro consumimos na «grande cidade» qualidade comprovada.
Parabéns às três entidades por terem passado o projecto da teoria à prática.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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Aldeias alentejanas aderem à Genuineland

A rede Europeia de Turismo de Aldeia Rural é uma solução emergente no Alentejo onde aderiram 14 aldeias e há mais 36 interessadas. Aldeias-hotel, circuitos caminheiros e marcas com identidade regional estão na moda.

GenuinelandNasceu no Alentejo, integrado na Rede Europeia de Turismo de Aldeia, um projecto financiado pelo programa comunitário Interreg III C sob a forma de associação sem fins lucrativos gerida por privados.
A associação integra 41 empresas e sete organismos públicos e pretende evitar a desertificação promovendo turísticamente espaços rurais com fortes tradições culturais, históricas, etnográficas e patrimoniais.
O estudo elaborado pela Universidade de Aveiro privilegiou o desenvolvimento sustentável, a biodiversidade e a qualidade natural das regiões rurais.
Em declarações ao semanário Expresso a responsável pela associação, Apolónia Rodrigues, salientou a evolução do projecto quando este adoptou a gestão privada nas 14 aldeias alentejanas. A aldeia de São Gregório funciona como hotel e o aumento da taxa de ocupação tem sido significativo.
No Alentejo foram criados percursos pedestres aproveitando temas concretos das aldeias.
A marca Genuineland – rede europeia de aldeias turísticas – conta já com 50 povoações em sítios tão distantes como a Lapónia, a Toscânia ou o Alentejo. Denominador comum: uma forte identidade cultural.
Esta aposta tem trazido investimento à região até porque há a intenção de adesão à rede de mais 36 aldeias alentejanas.
As regiões transfronteiriças portuguesas e espanholas onde se inclui o Sabugal têm vindo a queixar-se da desertificação e da interioridade. Com razão. As tentativas para encontrar soluções vão-se multiplicando. Desistir não faz parte do nosso estado de alma e este exemplo da rede europeia de aldeias para promoção do intercâmbio turístico é um assunto que deve merecer mais atenção. Alguns pormenores. Os circuitos caminheiros são marcando para serem utilizados posteriormente em grupo ou individualmente. Aqui fica a sugestão para que a iniciativa das caminhadas mensais promovidas pela autarquia sabugalense passe a incluir a colocação de marcos e a criação do mapa turísticos dos trilhos concelhios tipo «dos contrabandistas, das fontes, etc.»
Aldeias-hotel com casas rurais recuperadas estão na moda!
E tal como já referiu o nosso opinador Ramiro Matos há aldeias raianas como Vale das Éguas, Ruivós, um Cró «adaptado» ou mesmo a Redondinha que se enquadram perfeitamente nestes perfis.
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Veja a página oficial da Genuineland aqui.
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«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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Direito à indignação dos sabugalenses

Após um tempo de reflexão e análise aos dados disponíveis sinto que, enquanto sabugalense, não posso calar a minha indignação carregada de dúvidas em relação ao tratamento subjectivo dos valores do estudo sobre a qualidade de vida nos municípios portugueses que coloca o Sabugal na posição 278.

Outdoors do SabugalUm espantoso estudo sobre «Qualidade de Viva» assinado por um professor e um técnico do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social da Universidade da Beira Interior, difundido pela Comunicação Social, coloca o concelho do Sabugal na posição 278 (e última) da tabela dos municípios portugueses.
Como o Sabugal aparece em último lugar uma primeira dúvida me assaltou de imediato. 278? Mas são 308 os concelhos portugueses. O que é feito dos outros? Os insulares não são portugueses? Bom, mas continuemos… O estudo baseou-se, segundo os autores, num anuário estatístico publicado em 2004 pelo Instituto Nacional de Estatística. Em 2004? E foi apresentado em 2008? Chamem a ASAE. Com quatro anos de atraso já deve estar fora de prazo… (mas o assunto é sério e vou tratá-lo com seriedade).
De acordo com os autores de tão arrojado estudo as palavras-chave são qualidade de vida, bem-estar e desenvolvimento regional. Tudo factores interpretativos e subjectivos que variam de pessoa para pessoa. No entanto a ficha técnica faz referência à medição do bem-estar com recurso à utilização de sofisticados programas, como por exemplo, o teste Kaiser-Meyer-Olkin, o teste de esfericidade de Bartlett ou o método Varimax. Elucidativo!
Em Direito da Comunicação aprendi que em publicidade é proibido falar em sabor porque o sabor não é comparável de pessoa para pessoa. Outros tempos!
Nas conclusões do estudo o ilustre professor afirma que «de uma maneira geral, os resultados obtidos não apresentam surpresas relevantes em relação aos resultados esperados tanto no que diz respeito aos primeiros lugares como aos últimos mas convém salientar que estes resultados dependem da selecção dos indicadores previamente realizada pelo que este ranking pode ser facilmente alterado mediante a alteração de um indicador». Importa-se de repetir?
Fundamental, credível e reconhecido unanimemente por todas os executivos camarários é o Indicador de Desenvolvimento Municipal (IDM) elaborado pela Municípia, S.A. que permite hierarquizar os 308 municípios portugueses em termos de desenvolvimento tendo em conta sete indicadores sectoriais especifícos devidamente descriminados e justificados. Aqui vos deixo as posições nacionais do concelho do Sabugal em três deles: Ambiente e Qualidade de Vida, 54.º; Índice de Investimento Municipal, 36.º; e Cidadania, 34.º
Apesar de revoltado não resisto a transcrever uma passagem de um artigo publicado em «www.jornalregional.com»: «Os cartazes a anunciar actividades populares nos Fóios pendurados nas paredes do gabinete na Universidade da Beira Interior (UBI) revelam a forte ligação que o professor mantém à terra natal. Na pequena aldeia do concelho do Sabugal, preserva a casa que herdou dos pais e sempre que pode é para lá que vai, para recuperar forças: ‘É o meu refúgio. A minha mulher até costuma dizer que sempre que estou doente e vou para a aldeia venho de lá melhor’, conta a sorrir. O professor confessa que gostaria de ver noutra posição o concelho onde nasceu, mas salienta que nesse trabalho ‘não foram contabilizadas variáveis que seriam mais penalizantes para os grandes centros, como sejam o tráfego e os vários tipos de poluição. Estes dados não estão disponíveis nem são facilmente, quantificáveis, por isso, não fizeram parte do estudo. Mas se fizessem, os municípios do interior estariam numa posição bem melhor”, conclui.» Elementar meu caro…
Afirmações lapidares e surpreendentes e que, se não fosse caso sério, podiam ser intituladas de «Portugal no seu melhor». Não acredito que seja um estudo encomendado mas é difícil fazer pior pelo concelho do Sabugal.
Umas palavras finais para todos os sabugalenses e em especial os que têm responsabilidades no nosso concelho:
– A Câmara Municipal do Sabugal deve aproveitar esta tentativa de negativizar o nosso concelho e potenciar as nossas (muitas) qualidades de vida.
– A Assembleia Municipal tem a dever de votar o «assunto».
– A Mesa das Juntas de Freguesia deve reunir e tomar uma posição de repúdio a tal «estudo».
– As associações do concelho encabeçadas pela ADES têm a obrigação de publicitar a sua indignação com a mesma convicção com que pedem apoios e subsídios.
Enquanto sabugalense atento registarei com muito interesse quem resolver assobiar para o ar ou enterrar a cabeça na areia.
Viva o ar puro do Sabugal! Viva a qualidade de vida do Sabugal! Vivam os verdadeiros sabugalenses!
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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Quem de cinco tira dois…

O País ficou a saber ontem, terça-feira, 29 de Janeiro, da remodelação dos ministros da Saúde e da Cultura. Considero que a decisão peca por tardia e por manter ainda, mais três ministros que sempre considerei um prejuízo para Portugal: Obras Públicas, Ambiente e Agricultura.

O ministro da Saúde foi substituído por Ana Jorge (directora do serviço de pediatria do Hospital Garcia de Orta em Almada) e a ministra da Cultura por António Pinto Ribeiro (advogado, por exemplo, dos Gato Fedorento).
Após a tomada de posse no Palácio de Belém dos novos ministros, José Sócrates, afirmou que «compreendeu as preocupações das pessoas, especialmente na área da Saúde mas ninguém vai voltar atrás em nada» referindo-se à continuação das actuais políticas de Saúde. Em politiquês isto soa-me a «NIM», ou seja, nem sim nem não.
«As polémicas em torno da saúde com a demagogia da contestação e do encerramento de serviços e urgências, estavam a afectar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a imagem dos médicos», esclareceu ainda o primeiro-ministro. E dos bombeiros, acrescentamos nós!
Mas tenho vindo a defender o prejuízo para Portugal pelas actuações de cinco ministros: Saúde, Cultura, Obras Pública, Ambiente e Agricultura. E quem de cinco tira dois…
Considero que os restantes três não têm, também, condições, para se manter no cargo. Por incapacidade, por falta de rigor, por decisões e declarações que ficam para a história do absurdo. Senão vejamos:
O ministro da Saúde quase conseguiu destruir o SNS deixando sem assistência os idosos da Beira Interior. Declaração lapidar: «Os doentes foram atendidos na ambulância à porta das urgências porque esta estava melhor equipada.» Então só era preciso equipar melhor as urgências do Hospital, diria eu.
A ministra da Cultura, aquando do lançamento do Museu do Côa, soube onde ficava Vila Nova de Foz Côa mas não soube nem quer saber onde ficam os Fóios.
O ministro das Obras Públicas afirma, agora, com a mesma cara e sem se deixar rir, das vantagens do aeroporto no deserto de Alcochete.
O ministro do Ambiente tudo faz para ensinar o lince ibérico da Malcata a falar com sotaque algarvio.
E por fim o ministro da Agricultura que cada vez que volta de Bruxelas traz na manga mais uma medida para destruir o que resta da agricultura portuguesa.
Aqui vos deixo uma boa rábula dos Gato Fedorento. Ressalvo, contudo, a minha grande admiração e estima por todos os bombeiros voluntários do nosso País que de um momento para outro foram lançados às feras para tapar os buracos dos fechos das urgências.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

São Paulo festeja-se a 25 de Janeiro em Ruivós

Os filhos de Ruivós festejam o seu santo padroeiro a 25 de Janeiro. Quando a vida não permite ouvir os foguetes da alvorada o dia fica cinzento, triste e nostálgico. Estejam onde estiverem os ruivosenses sentem na alma o esvoaçar dos guiões ao longo do caminho que leva à capela de São Paulo e no coração o compasso da banda que vai marcando os minutos do dia.

Festa de São Paulo em Ruivós (Sabugal)

O dia 25 de Janeiro é um dia especial para todos os que são de Ruivós.
Apesar de o dia da festa calhar durante a semana, apesar de ser em Janeiro, apesar de…, apesar de…, todos fazem por estar presentes, venham de Lisboa, da França ou da Suíça.
Nos tempos da minha meninice acordava cedo, sem ser preciso chamarem-me, e lá ia eu a correr até ao alto da estrada assistir à alvorada. E que alvorada! Nunca menos de uma hora! Os de Ruivós sempre fizeram da sua alvorada um desafio aos das outras terras. E as primeiras conversas do dia andavam, invariavelmente, à volta «das dúzias». «O mordomo disse-me que este ano tinham mais dúzias» esclarecia um. «Mas estes falham mais», assegurava outro. Dúzias? Sim! O orgulho dos mordomos da Festa de São Paulo esteve durante muitas décadas nas centenas de dúzias de foguetes que encomendavam. E porquê? Porque o brilho da sua mordomia e das celebrações «media-se» pelo desenho das canas que subiam direitas ao céu e pelo ribombar dos «cartuchos».
E os mordomos? Quem são? Os mordomos da festa de Ruivós são três casais. Um por Ruivós, um por Lisboa e um pela França. Recolhem as esmolas, normalmente em Dezembro, visitando os ruivosenses nos seus «círculos eleitorais» e lançam a jogada para convidar o mordomo do ano seguinte.
Tenho muitas recordações das festas de São Paulo onde os meus pais, ano após ano, nunca faltaram. Por vezes os meus professores do Liceu Gil Vicente faziam pontaria ao dia 25 de Janeiro para marcar um teste mas… os meus argumentos eram quase sempre mais fortes.
As procissões fazem-se sempre. Por vezes à chuva e sempre com muito, muito frio. Antigamente (parece que agora também é proibido) haviam, à saída e entrada das capelas, as arrematações dos andores com as imagens dos santos. Sempre me emocionou aquela cantilena da «perna direita da frente, uma… perna direita da frente, duas… perna direita da frente… três!» ou da «perna esquerda da rectaguarda». Fazia parte da festa. Era a festa. Mas o bailarico à noite também é a festa. No bar as minis não precisam de frigorífico. Era (é) só deixar o bidon do lado de fora do salão… E durante toda a noite é preciso bailar para aquecer que a geada cedo faz a sua aparição. Apenas os foguetes de lágrimas, por volta da meia-noite, conseguem parar as modas e os dançarinos.
E o frio? E o gelo? E o antigo caminho cheio de lama que levava ao cemitério e à capela do orago São Paulo que «tem interesse histórico e artístico com um edifício do estilo românico, com traços de mesquita, com diversos modilhões ou cachorradas, tipicamente românicos, ponto de passagem nos tempos remotos de um corredor de sentido norte/sul, com passagem pelo vale de Ruivós e com alinhamento viário em direcção à ponte de Sequeiros, um dos pontos mais importantes de passagem do Côa» como refere o arqueólogo Marcos Osório no seu livro «Ruivós, a antiguidade de uma freguesia».
Viva São Paulo! Viva Ruivós! Viva o Sabugal!

Apenas um lamento. Uma consulta rápida à página oficial da Câmara Municipal do Sabugal na Internet, ao dia 25 de Janeiro, diz: «Não há eventos neste dia!» A Festa de São Paulo em Ruivós «uma das mais antigas povoações do concelho do Sabugal» (Joaquim Manuel Correia, in Memórias sobre o concelho do Sabugal) merece estar presente.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

Reconhecimento para a Casa do Castelo

A cerimónia de entrega dos galardões atribuídos no âmbito da 4.ª edição dos Prémios Turismo de Portugal terá lugar no dia 21 de Janeiro, pelas 13 horas, no Centro de Reuniões da FIL, no Parque das Nações. A Casa do Castelo, do Sabugal, vai subir ao palco para receber o diploma de participação.

Casa do Castelo - Prémios Turismo de Portugal - Capeia Arraiana

Casa do Castelo – Prémios Turismo de Portugal

Balanço do ano que agora finda

Chegou ao fim o ano de 2007. Longos dias percorridos pelo relógio do tempo que divide de forma desigual a vida de cada um. Dias felizes e dias trágicos, dias de glória e dias de terror. Aqui fica um selecção de figuras e acontecimentos que marcaram o pulsar das rotações da Terra em redor de si mesma. Nos destaques dos destaques destacamos o «nosso» Procurador-Geral da República: Fernando Pinto Monteiro.

Pinto Monteiro, Procurador-geral da RepúblicaPersonalidade Nacional do Ano
Fernando Pinto Monteiro
(Procurador-Geral da República)

Nasceu em Porto de Ovelha mas foi viver ainda criança para o Sabugal. Que nos perdoe a ousadia mas é com orgulho que o consideramos um dos nossos, um verdadeiro raiano com sotaque, amigos e referências à sua juventude à sombra das cinco quinas do nosso castelo. E é, sem cunhas, subornos ou influências políticas, que elegemos com toda a justiça o beirão sabugalense Fernando Pinto Monteiro a Figura Nacional do Ano. «Vou dar prioridade à violência nos hospitais, vou pedir às juntas de freguesia que denunciem crimes contra idosos e na violência escolar vou ter tolerância zero», «Nem eu sei se estou a ser escutado porque por vezes o meu telemóvel faz barulhinhos esquisitos», «Houve três ou quatro comentadores que não gostaram das minhas afirmações porque queriam que o procurador falasse em latim e eu também sei falar em latim, mas como defendo uma justiça que o cidadão comum entenda, resolvi falar em português» e «Não aceitarei ser um procurador-geral dependente do poder político» são algumas das suas afirmações lapidares.

Personalidade Internacional do Ano
Al Gore (ex-vice-presidente dos Estados Unidos da América)
O prémio Nobel da Paz 2007, Al Gore, perdeu as eleições presidenciais dos Estados Unidos para George W. Bush mas o seu resultados tivesse sido outro o Mundo seria também outro agora. O mensageiro de uma verdade inconveniente organiza caminhadas pelo Ambiente que merecem todo o nosso apoio e reconhecimento.

Acontecimento Nacional do Ano
Presidência Portuguesa da União Europeia
O Tratado de Lisboa nasceu às 12 horas e 50 minutos do dia 13 de Dezembro. Após intensas negociações os 27 estados-membros assinaram com pompa e circunstância no claustro do Mosteiro dos Jerónimos o futuro da nova Europa. Era o culminar de uma bem sucedida presidência portuguesa da União Europeia no segundo semestre de 2007. José Sócrates era, com justiça, um homem feliz.

Acontecimento Internacional do Ano
O desaparecimento de Maddie McCann
É verdade que todos os dias desaparecem crianças em todo o Mundo. Houve, contudo, uma que se transformou num caso mediático nunca visto à escala planetária: Madeleine McCann, uma menina de quatro anos que passava férias com os pais e dois irmãos no aldeamento de luxo OceanClub na Praia da Luz, perto de Lagos, no Algarve desapareceu sem deixar rasto. Já tive oportunidade de escrever que estamos perante um caso trágico, qualquer que seja a sua conclusão. Há duas hipóteses: os pais ou são culpados ou são inocentes. Se um dia se concluir pela sua culpa estamos perante a maior encenação e embuste de todos os tempos que até o Papa enganou. Se são inocentes estão a ser vítimas de uma das mais odiosas acusações que se podem fazer a quem acaba de perder um filho. Duplamente trágico e terrível qualquer que seja a conclusâo.

Frases Lapidares do Ano
– «Não sou profeta mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha» – Opinião do prémio Nobel da Literatura, José Saramago, ao defender que Portugal e a Espanha deviam dar lugar a um país a que chamou Ibéria.
– «Não é num deserto como a margem sul que se vai construir um aeroporto» – Fica para a História como uma das mais espantosas afirmações de um governante português. O ministro Mário Lino referia-se à hipótese Alcochete para a construção do novo aeroporto de Lisboa. Eu já escolhi e defendo Alcochete. O meu prognóstico é que o ministro está na calha numa próxima remodelação governativa.
– «Por qué no te callas?» – Durante a cimeira ibero-americana o polémico presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chamou fascista ao antigo primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar. O rei de Espanha, Juan Carlos, sentado a seu lado e numa atitude inédita, interveio e mandou calar Chávez proferindo uma frase que se tornou mundialmente célebre.

Momentos Marcantes do Ano
Há casos que preencheram o ano que agora finda e vão transitar por resolver para 2008. Complexos e morosos são vítimas e reflexo das incapacidades, defeitos e misérias dos diferentes sistemas portugueses.
– «Caso Esmeralda» – A criança anda perdida entre alíneas e artigos dos códigos e das leis que irão decidir entre pais adoptivos e pais biológicos.
– «Partos em ambulâncias e em Espanha» – Os bebés portugueses tem agora mais opções para nascer: a bordo de uma ambulância ou do lado de lá da fronteira. «Central. Estamos parados ao quilómetro 13. Acabámos de ajudar a um parto!» ou «Mira! Es um chico!» são as primeiras palavras que agora ouvem quando nascem. Na sequência da cooperação transfronteiriça continuamos a aguardar que Espanha nos peça para que os seus bebés nasçam por cá. O ministro da saúde, Correia de Campos, é uma das minhas três escolhas para a próxima remodelação ministerial.
– «Crise no Millennium-BCP» – A procissão ainda agora vai no aidro mas a situação é muito preocupante para a economia nacional. Os administradores do maior banco privado português está indiciados de ilegalidades graves. Estão também em causa o prestígio e o rigor de supervisão do Banco de Portugal.
– «Portugal the west coast of Europe» – A campanha promocional do Estado português pretende dar uma nova imagem de Portugal. Como já tive oportunidade de referir o regime de antigamente promovia os três éfes: Fado (Amália), Futebol (Eusébio) e Fátima (o milagre do Sol). Em tons de azul-clarinho e renegando o verde-vermelho o novo posicionamento de Portugal na costa Oeste da Europa (não sabemos se há costa Leste) tem a Mariza (fado), o Cristiano Ronaldo (futebol) e a maior central fotovoltaíca do Mundo (o milagre do Sol)… Quanto a ser a costa Oeste poderá em breve ser adaptada para Faroeste em homenagem aos gangs da cidade do Porto.
– «Lince ibérico vai procriar em cativeiro no Algarve» – Falar de ministro do Ambiente, Nunes Correia, é lembrar o seu discurso na visita às obras da barragem de Odelouca no Algarve: «Aqui, numa área de 150 hectares, vai nascer o primeiro centro português de reprodução do lince ibérico em cativeiro com animais vindos de Espanha. Vamos investir 10 milhões de euros» esclareceu Nunes Correia. A reserva da Malcata foi, pura e simplemente, esquecida. Imperdoável. É o terceiro dos meus ministros remodeláveis.
Bom ano 2008!
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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Gouveia protestou e o ministro da Saúde acordou

«Quem? O povo de Gouveia.» «O quê? Novo Centro de Saúde.»
«Onde? Em Gouveia.» «Quando? No sábado, 1 de Dezembro»,
«Como? Manifestação de protesto junto ao novo Centro de Saúde». «Porquê? Apesar de concluído espera há mais de um ano para ser inaugurado.»

Álvaro Amaro, presidente da Câmara Municipal de GouveiaO título alerta e a estrutura da abertura de uma notícia deve contemplar uma visão resumida do acontecimento que pretende desenvolver. Regras jornalísticas que devem ser respeitadas para facilitar a leitura e a interpretação dos factos relatados. Mas vamos ao que interessa…
Antes de mais é importante esclarecer que não é uma questão política. É, apenas, uma questão pessoal. Não gosto do governante, não gosto da sua política e tenho a certeza que o tempo e o julgamento da História concluirão que o ministro da Saúde, Correia de Campos, estava mal aconselhado e enganado… redondamente enganado. De facto ninguém acredita que é chique nascer em Espanha ou a bordo de uma ambulância. De facto ninguém acredita que fechar os centros de saúde do Interior e tratar os beirões como cidadãos de segunda é a melhor política para Portugal. De facto ninguém acredita que os excessos de despesismo na Saúde se combatem com o fecho de maternidades ou hospitais.
Gouveia tem um centro de saúde degradado e sem condições que funciona em dois edifícios e um Serviço de Atendimento Permanente (SAP) que já foi «julgado e condenado ao encerramento» pelo ministro da Saúde. Mas…
O povo de Gouveia não compreende e protestou no sábado, 1 de Dezembro, em frente às instalações do Centro de Saúde novinho em folha e que espera há mais de um ano a sua abertura. «É um escândalo!», denuncia o presidente da Câmara Municipal de Gouveia, Álvaro Amaro, aos microfones da TSF.
Afinal, depois do protesto da população e da indignação do autarca o ministro da Saúde acordou e apressou-se a dizer hoje, 11 de Dezembro, em Lisboa, à margem da cerimónia de apresentação da Plataforma da Obesidade (dos gordos) que afinal o Centro de Saúde vai abrir ainda este ano. «O problema foi da construção defeituosa que permite infiltrações», esclareceu. «Sim! Este Inverno tem sido muito chuvoso», acrescentamos nós.
Álvaro Amaro não aceita que «o Estado tenha gasto três milhões de euros e o município 500 mil euros num edifício que se está a degradar, numa total e absoluta falta de respeito para com os cidadãos, à luz de uma reforma da saúde que ora avança ora recua, e quer fechar o serviço de internamento».
Porque um mal nunca vem só está também previsto a partir de 20 de Dezembro o fecho do internamento nas actuais instalações. Em conversa com a coordenadora da sub-região de Saúde esta referiu a Álvaro Amaro que o novo Centro de Saúde de Gouveia terá 10 camas para internamento mas que apenas poderão ser utilizadas durante seis horas. «E se as pessoas precisarem mais de seis horas, pedem autorização ou metem um requerimento ao ministro?» questiona o autarca.
Depois dos protestos e da indignação parece que o Centro de Saúde de Gouveia vai, finalmente, entrar em funcionamento antes do final do ano.
Definitivamente alguém anda a dar cabo da saúde e da paciência dos beirões.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

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