Category Archives: Vale de Espinho
Uma mãe centenária
«Uma mãe centenária» poderia ser o título do meu próximo livro. E haveria muito que dizer e lhe dizer, sobretudo a uma mãe que continua mais lúcida do que os seus filhos, netos e bisnetos. Não foi à escola, não sabe escrever, faz uns rabiscos como assinatura e aprendeu a juntar as letras com uma das suas netas aos 60 anos para ler a Imitação de Cristo.
José Carlos Callixto – um místico da paisagem
Já há muito tempo que tinha em mente escrever um artigo sobre a pessoa da nossa terra que nos merece a maior estima e consideração. Trata-se do nosso amigo José Carlos Callixto. Quando no seu último mail, que enviou aos amigos, nos confiou que ia em romagem a Vale de Espinho para festejar, no dia 19 de abril, os 40 anos de amizade com esta aldeia, não podia adiar mais a minha homenagem ao um homem que modificou completamente a nossa maneira de ver e estar nestas terras.
O concelho do Sabugal em 1942 (18)
Continuando a fazer a caracterização do concelho do Sabugal no ano de 1942, com base na 62ª edição do Anuário Comercial de Portugal, vamos agora expor quem eram os agricultores, os proprietários, negociantes e profissionais de duas freguesias do concelho: VALE DE ESPINHO E VALONGO DO CÔA.
Contratações e ajustes no Município do Sabugal (6)
O Capeia Arraiana está a publicar as contratações da Câmara Municipal do Sabugal e de entidades públicas que, por ajuste directo, envolvam o concelho sabugalense entre Janeiro de 2012 e Dezembro de 2013. As regras da contratação pública previstas no Código dos Contratos Públicos aplicam-se a todo o sector público administrativo tradicional: o Estado, as Autarquias Locais, as Regiões Autónomas, os Institutos Públicos, as Fundações Públicas, as Associações Públicas e as Associações de que façam parte uma ou várias pessoas colectivas referidas anteriormente. JUNHO de 2012.
Calendário das Capeias Arraianas – 2012
O mês de Agosto carrega sempre o secreto apelo do regresso às origens para os que estão longe. No concelho do Sabugal faz povoar as aldeias, abrir as persianas, lotar os bancos das igrejas e encher os lugares públicos com um estranho mas familiar linguajar mesclado aqui e ali de expressões e palavras de origem francesa. Mas, para muitos dos sabugalenses é o tempo da mãe de todas as touradas – a capeia arraiana – espectáculo único que andou escondido esotericamente nas praças das nossas aldeias e que, agora, de há uns anos para cá parece ter perdido a vergonha e tudo faz para se dar a conhecer ao mundo. A tradição manda que as touradas com forcão, precedidas de encerro, se iniciem na Lageosa no dia 6 de Agosto e terminem em Aldeia Velha no dia 25. E que se oiça bem alto o grito: «Agarráááio»
| DIA | FREGUESIA | EVENTO |
| 3 e 4 | Soito | Garraiadas/Largadas |
| 6 | Lageosa da Raia | Encerro e Capeia Arraiana |
| 6 | Ruivós | Garraiada Nocturna com forcão |
| 7 | Soito | Encerro e Capeia Arraiana |
| 8 | Rebolosa | Encerro e Capeia Arraiana |
| 10 | Soito | Tourada à portuguesa nocturna |
| 12 | Aldeia da Ponte | Tourada à portuguesa |
| 13 | Aldeia do Bispo | Encerro e Capeia Arraiana |
| 13 | Seixo do Côa | Garraiada |
| 14 | Nave | Capeia Arraiana |
| 15 | Aldeia da Ponte | Encerro e Capeia Arraiana |
| 15 | Ozendo | Encerro e Capeia Arraiana |
| 16 | Vale de Espinho | Garraiada |
| 16 | Vale das Éguas | Garraiada nocturna com forcão |
| 17 | Alfaiates | Encerro e Capeia Arraiana |
| 17 | Fóios | Capeia Arraiana Nocturna |
| 18 | Soito | Festival «Ó Forcão Rapazes» |
| 20 | Forcalhos | Encerro e Capeia Arraiana |
| 21 | Fóios | Encerro e Capeia Arraiana |
| 25 | Aldeia Velha | Encerro e Capeia Arraiana |
| Fonte: Rota das Capeias da Câmara Municipal do Sabugal |
«A Capeia Arraiana não é uma tauromaquia qualquer. Como uma espécie de religião em que se acredita, não basta assistir, é preciso participar, ir ao encerro, comer a bucha, beber uns goles da borratcha e voltar com os touros, subir para as calampeiras, ser mordomo, ser crítico tauromáquico, discutir a qualidade dos bitchos da lide ou, simplesmente, ser fotógrafo da corrida que não deixa ninguém indiferente, corre na massa do sangue, provoca um nervoso miudinho, levanta os pêlos do peito, atarracha a garganta e perturba o sono. É um desassossego colectivo que comove.» António Cabanas in «Forcão – Capeia Arraiana».
jcl
Encontro de Agentes de Viagem no Sabugal
No primeiro fim-de-semana de Maio, dias 4, 5 e 6, vai realizar-se no concelho do Sabugal um encontro de agentes de viagem com o propósito de efectuar um levantamento das potencialidades turísticas da Região Beirã. (ACTUALIZADO)
O Encontro insere-se num Projecto de Desenvolvimento Turístico que visa promover e dar a conhecer as vertentes em que a região se destaca, sejam gastronómica, hoteleira, taurina, religiosa, histórica, paisagística e lúdica, entre outras.
O Encontro de Agentes de Viagem tem o seguinte Programa:
Sexta-Feira, 4 de Maio
21h00 – Chegada ao Sabugal com dormida no RaiHotel
Sábado, 5 de Maio
10h00– Visita guiada ao Museu Municipal e Castelodo Sabugal
11h30 – Porto de Honra na Casa do Castelo
12h30 – Partida para a aldeia do Casteleiro
13h00 – Almoço no Restaurante Gourmet Casa daEsquila.
15h00 – Visita guiada à Quinta dos Termos.
16h00 – Visita guiada a Sortelha. Actuação do Rancho de Folclórico de Sortelha. Lanche no Salão da Junta de Freguesia.
18h00 – Visita guiada à aldeia de Vila do Touro
20h00 – Jantar no restaurante O Pelicano
22h00 – Prova de vinhos Quinta dos Currais naCasa Villar Mayor. Prova de vinhos Gravato e Adega Cooperativa de CasteloRodrigo com Sessão de Fados de Coimbra.
24h00 – Chegada ao Sabugal com dormida no Hospedaria Robalo
Domingo, 6 de Maio
10h00 – Visita guiada às Termas do Cró.
11h00 – Visita às Casas Carya Tallaya.
12h30 – Visita ao Centro Histórico de Alfaiatescom passagem pelo Santuário de Sacaparte.
13h00 – Chegada Nascente do Côa.
13h30 – Porto de Honra noCentro Cívico de Fóios.
14h00 – Almoço no Restaurante Trutalcôa/Viveirodas Trutas.
A iniciativa está a ser organizada por pessoas interessadas em que o concelho do Sabugal progrida aproveitando o filão turístico.
Estão a prestar apoio a Câmara Municipal do Sabugal, Empresa Municipal Sabugal+, Juntas de Freguesia do Concelho, Casa de Turismo Rural de Villar Maior, Palheiros do Castelo, Casa Carya Tallaya, Casa da Villa-Turismo de Habitação/Sabugal, Vinhos Quinta dos Termos, Vinhos Gravato, Adega Cooperativa de Castelo Rodrigo, Caixa de Crédito Agrícola, Caixa Geral deDepósitos.
plb
Feiras e mercados do concelho do Sabugal
A Câmara Municipal aprovou o plano anual de mercados e feiras a decorrer no concelho do Sabugal durante o presente ano de 2012. Muitas terras de pequena dimensão, em termos de moradores permanentes, conseguem manter o seu mercado mensal e a sua feira de ano, demonstrando por essa via a sua vitalidade.

Feiras (chamadas feiras de ano), por terem data de realização todos os anos e não mensalmente, como sucede com os mercados:
Badamalos: 24 de Agosto.
Casteleiro: 10 de Fevereiro, 10 de Maio e 10 de Novembro.
Quadrazais: segundo domingo de Agosto.
Rebolosa: 25 de Novembro.
Ruivós: segundo fim-de-semana de Março.
Ruvina: segunda-feira de Pascoela.
Sabugal: 29 de Junho.
Santo Estêvão: 15 de Março e 25 de Setembro.
Soito: primeiro domingo de Agosto.
Vilar Maior: 17 de Agosto.
Mercados, de realização mensal:
Aldeia do Bispo: primeira terça-feira.
Aldeia da Ponte: primeira segunda-feira.
Alfaiates: segunda quinta-feira.
Bendada: dia 12 de cada mês e às quartas-feiras entre os dias 22 e 29.
Bismula: último dia do mês.
Casteleiro: dia 10 de cada mês.
Fóios: último sábado.
Pousafoles do Bispo: segundo domingo.
Sabugal: primeira quinta-feira e terceira terça-feira.
Santo Estêvão: última quinta-feira.
Soito: quarta terça-feira.
Vale de Espinho: segundo sábado.
Vila do Touro: terceira quinta-feira
Os mercados e as feiras são sinais de vitalidade para a sede de concelho e para as freguesias que ainda os conseguem manter. Para além disso são geralmente de grande utilidade para as pessoas, que assim têm à porta um conjunto de bens essenciais que doutra forma teriam que ir comprar longe.
plb
Requiem para o Dr. Henrique Varandas
Se houve pessoas que marcaram gerações no distrito da Guarda, uma delas foi sem duvida o Professor Henrique Varandas. Desde muito cedo, mostrou inclinação para as matemáticas, influenciado talvez pelo seu tio José Maria que, em Vale de Espinho, era um sábio conhecedor dos meandros da argúcia que não temia os indecifráveis e áridos problemas ou as sofisticadas adivinhas em que por vezes tropeçavam lentes e doutores que passavam pela sua oficina de sapateiro.
Filho da encruzilhada das famílias com grande história na aldeia, que foram os Varandas, os Tenreiras e os Esteves, os quais se espalharam um pouco por toda a parte e até pela Argentina, Brasil e por outros mundos fora, o Dr. Henrique Varandas não quis enterrar os seus talentos. Foi um dos primeiros a mostrar-nos o caminho dos estudos e da universidade, considerado como uma das quase únicas formas de ascensão social e de luta renhida contra aquelas serranias agrestes que nos rodeavam.
Pelo Liceu da Guarda passaram gerações de alunos e o pelo professor de matemática que era o Dr. Varandas tinham necessariamente de passar todos os alunos que frequentavam aquela lendária escola. Tinha a lógica matemática nas entranhas, mas também a palavra amiga na ponta da língua e com ele todos aprendiam aquilo que era para todos nós um bicho-de-sete-cabeças. Usava o método directo para cativar a atenção
e o interesse dos alunos. Não falava em abstracto, para as paredes. Ao fazer a demonstração de um teorema, de uma equação ou de um outro qualquer bicho-careto da matemática, dirigia-se directamente para um aluno em particular, talvez para aquele que teria mais dificuldade em compreender, e, do principio até ao fim, auscultava, intuitivamente, a compreensão do aluno. Repetia, voltava a explicar por outras palavras até ver na cara do aluno o brilho dos seus olhos e a satisfação de ter apreendido aquilo que de outra maneira teria ficado nos limbos da incompreensão. Quantos valores não teria revelado este grande pedagogo? Não admira por isso que ao seu enterro tenham acorrido tantas testemunhas que, com a sua presença, quiseram prestar uma última homenagem a este homem que dedicou a sua vida ao ensino.
Também na sua terra de adopção – a Guarda – o Dr. Henrique Varandas não passava despercebido. Depois do jantar, deambulava por entre as ruas da cidade para oxigenar o espírito, contactar com os amigos, saborear o ar puro desta Guarda que tanto amava, e fazer a manutenção de um físico que tinha de estar convenientemente preparado para o jogo do ténis ou do golfo, e assim aguentar melhor os torneios que disputava com os seus próprios alunos, necessariamente mais novos que ele.
A alguns quilómetros de Vale de Espinho, onde o Dr. Henriques ia ser enterrado, precisamente no convívio do terceiro Capítulo do Bucho Raiano, e no momento em que decorriam as suas exéquias, vários amigos recordavam-no também com saudade. Todos, professores, alunos e amigos contavam um episódio, uma graça, uma atenção. O Dr. Joaquim Fernandes fazia-nos notar que já havia algum tempo que o não via na missa vespertina da igreja da Misericórdia. O Professor Santos Silva, antigo reitor da UBI, lembrava o seu excelente desempenho no lugar de professor naquela Universidade. Outros trouxeram à memória o tempo em que regeu as disciplinas de matemática no Politécnico da Guarda. Também eu não quis deixar de recordar o que tinha visto com os meus próprios olhos em Moçambique, quando visitei o Pe. Jacob, da Congregação de Cristo Rei, de Gouveia. Ao percorrermos as várias valências do seu apostolado, fez questão de me mostrar o tractor que o Dr. Henrique Varandas tinha oferecido para a sua missão, em Nampula.
Estávamos todos tristes por não ter podido estar presentes no enterro deste matemático, pedagogo, conterrâneo e parente, que nos deixa tantas saudades.
Joaquim Tenreira Martins
Manuel Rito delegado de Associação de Freguesias
Manuel Rito Alves, ex-presidente da Câmara Municipal do Sabugal e actual deputado municipal, aceitou o convite da Associação de Freguesias da Raia Sabugalense para ser o seu delegado executivo. Transcrevemos um comunicado que nos chegou dessa Associação de Freguesias, que reúne Aldeia da Ponte, Aldeia do Bispo, Aldeia Velha, Alfaiates, Foios, Forcalhos, Malcata, Nave, Quadrazais e Vale de Espinho.
«A Direcção de AFRS (Associação de Freguesias da Raia Sabugalense) no uso das suas competências estatutárias convidou Manuel Rito Alves para seu Delegado Executivo.
Após algumas conversas sobre objectivos prioritários a prosseguir e meios mínimos necessários ao exercício do cargo alargadas aos Presidentes de todas as Freguesias envolvidas, houve acordo entre as partes.
Assim, desde o dia 1 de Fevereiro de 2012 o Sr. Manuel Rito Alves é o Delegado Executivo desta Associação, exercendo o cargo sem remuneração, com telemóvel da Associação, sendo ressarcido das despesas com deslocações e eventuais refeições e estadias que efectue no exercício do cargo, ou por causa dele, o que a Associação nesta fase de arranque muito agradece.
A Associação dispõe também, desde essa data, graças à colaboração da Sabugal+ E.M. e com o beneplácito da Câmara Municipal, de um balcão de atendimento no Centro de Negócios Transfronteiriços, no Soito, o que também agradece.»
plb
Um livro sobre a aldeia de Vale de Espinho
As aldeias do interior de Portugal, agora desertas, são objecto de uma intensa actividade literária.
Pessoas que as deixaram a aldeia há trinta ou quarenta anos, no fervilhar de uma intensa actividade, onde todos se debatiam na busca de melhores condições, procurando caminhos que se iam abrindo quer pela deslocação para as cidades do litoral, quer para terras estrangeiras, não as esqueceram. As ruas, as pessoas, os horizontes, até as pedras da calçada continuam presentes na nossa memória e acompanham-nos toda a nossa vida.
Alguns não conseguem calar mais este apelo da aldeia onde nasceram. E com um misto de memória, fantasia, imaginação conseguem recriar-nos um universo que é uma delícia para os mais velhos que também o viveram, mas ainda para os mais novos a quem os pais talvez ainda não tenham conseguido transmitir este ambiente, quer por falta de tempo, talvez de habilidade e, quem sabe, por ausência de memória.
Foi certamente esta a tarefa que se propôs o nosso amigo e conterrâneo Dr. Manuel Martins Fernandes, com o seu livro Memórias de Infância – Raízes do coração.
É um bonito livro. Lê-se com agrado. Percorre as ruas, os caminhos, os fontanários da aldeia. Lembra-nos pessoas, umas reais, outras fictícias. Mostra-nos hábitos, tradições… Uma aldeia assim volta a viver. Uma aldeia assim torna-se célebre porque o que está descrito já não morre. Perdura nos nossos corações. Cria raízes e daí o subtítulo bem apropriado: raízes do coração.
Na capa lá está a fotografia da casa dos pais onde Manuel Fernandes viveu a infância. Embora um pouco esfumada pelo tempo que já se encarregou de a substituir, ela continua sempre na memória do autor e na dos conterrâneos que também a conheceram. Foi lá que nasceu, que deu os primeiros passos, que recebeu todo o carinho da mãe e do pai e que cresceu juntamente com os outros irmãos.
Um escritor meu amigo do Porto disse-me um dia que todos nós temos que escrever as nossas memórias. O Manuel Fernandes já cumpriu o seu dever. Eu diria o seu prazer. Pois é sempre um prazer recordar a infância. Este é um tema universal que une todo o ser humano. Todos nós tivemos uma infância. E a infância é a ternura, a emoção, a pureza, um estado de graça onde todos gostaríamos de permanecer. É por isso que nos enternecemos tanto ao parar diante de uma criança.
Manuel Fernandes viveu a sua vida adulta no Porto onde é psicólogo clínico. Ocupou-se sempre da saúde dos adultos. Agora pretende dar saúde à nossa aldeia. Oxalá que com este livro lhe dê mais saúde, mais vida e, deste modo, a faça reviver.
Joaquim Tenreira Martins
É bom vir ao Sabugal
E quando percebemos que já estamos em terras sabugalenses, parece que uma alma nova se apodera de nós e que o mundo é melhor!…
São três horas da tarde de quarta-feira, dia 22, quando paro o carro no fundo da rua da Tílias (onde, felizmente, ainda mora a minha mãe).
Para além do matar de saudades, esperam-me uns dias cheios e que começam logo às seis da tarde na:
1. Santa Casa da Misericórdia do Sabugal. Respondendo a um amável convite da Mesa da Santa Casa e do seu Provedor António Dionísio, tenho o prazer de assistir à festa de fim de ano desta Instituição que, em 2016, comemorará os 500 anos!
Idosos e crianças e seus familiares juntam-se num convívio intergeracional de grande intensidade emocional, não podendo deixar de salientar a clara cumplicidade existente entre utentes e pessoal que ali trabalha, numa prova viva de como estes trabalhadores se dedicam à Instituição e aos idosos e crianças para quem trabalham.
À Santa Casa, aos seus dirigentes e trabalhadores e às famílias sabugalenses que usufruem dos seus serviços, os meus sinceros parabéns!
Saído da Santa Casa, volto a pé (que é a melhor forma de amar o Sabugal), e passo, embora de forma fugaz, pelo Largo da Fonte onde têm início as
2. Festas de S. João. Sei que já não são as festas do antigamente (quando o meu pai e o Ti Alberto Espanha entusiasmavam os participantes com as suas actuações enquanto leiloeiros na «quermesse»!), e quando havia o baile dos «pobres» (à volta do coreto, em chão de terra) e o «dancing» dos «ricos» (os que pagavam a entrada e podiam dançar em piso de cimento!).
Mas lá estava o nosso «carvalho», vestido a preceito e com a respectiva «boneca» no topo! Que os percalços que a organização destas festas tão populares vem sofrendo, possam ser ultrapassadas e que o S. João volte a ser uma festa de referência no Concelho (sem dancing, claro…), são os meus mais sinceros desejos…
3. «Forcão Capeia Arraiana». 23 de manhã, desloco-me à Casa do Castelo onde a minha amiga Talinha me guarda um exemplar (autografado pelos autores António Cabanas e Joaquim Tomé) do livro «Forcão Capeia Arraiana». Não me tendo sido possível star presente no lançamento, a leitura que já fiz dos textos e a apreciação das fotografias, leva-me a dizer que este é um dos mais belos livros que já foram feitos sobre a nossa Capeia.
Obrigado a António Cabanas que não sendo do Sabugal, nos brinda com textos de rara sensibilidade e qualidade e ao Joaquim Tomé, nosso conterrâneo para quem certos sabugalenses tão madrastos foram.
As suas fotografias são o exemplo da sua competência enquanto fotógrafo, mas, e sobretudo, a prova do grande amor que o Quim tem pelo Sabugal, pela sua cultura e pelas suas tradições.
Um abraço também à Talinha e ao Romeu que continuam na sua saga de divulgar o Concelho, contra tudo e contra todos.
4. Festas de S. João em Vale de Espinho. Convidado pelo Carlos e pelo Ilídio Clemente, dois irmãos que este ano abraçaram a organização desta festa tão tradicional, voltei à que, como todos sabem, considero a minha segunda terra de nascimento, tais os laços familiares que me ligam a Vale de Espinho.
Ali assisti à leitura das «Famas», acompanhando as centenas de pessoas presentes nas risadas que as quadras mordazes iam provocando.
Não posso deixar de salientar os muitos «valedespinhêros» que se deslocaram de Lisboa, Porto, etc., para não deixar esta festa morrer. Grande exemplo de bairrismo e amor à terra!
E que novos Clementes se sintam motivados para organizarem o S. João para os anos que aí vêm!
5. Igreja de Badamalos. O dia seguinte leva-me a Badamalos onde o dinamismo do Padre Hélder bem apoiado pelos habitantes e naturais desta terra está a levar a cabo a recuperação da igreja.
Participo na iniciativa «Estaleiro Aberto», durante a qual nos é feita uma apresentação do decurso da obra. 39 dias de trabalho intenso que levaram à quase completa requalificação do espaço, a que se seguirá agora a requalificação das peças de arte sacra, com destaque especial para uma riquíssima capela-mor.
Badamalos pode e deve orgulhar-se deste trabalho, não podendo deixar de salientar o apoio que a Junta de Freguesia, a Câmara Municipal, o Governo Civil e a CCDR-Centro têm dado para que esta obra se concretize.
Não posso igualmente deixar de realçar o trabalho de restauro de antigas casas em granito que permitem que o centro de Badamalos seja hoje um exemplo a apontar e a seguir.
6. Assembleia Municipal. Mais um momento alto de democracia, pois quando este Órgão Autárquico se reúne, o sistema democrático local atinge a sua expressão máxima.
E saliento, enquanto Presidente da Assembleia, a forma empenhada com que todos os deputados municipais intervêm, votando em consciência os diversos assuntos que ali são levados, mas, e sobretudo, tornando muito rico o período de Antes da Ordem do Dia, momento em que cada membro pode expressar de forma livre a sua opinião.
7. Convívio dos Manéis. Infelizmente a minha estadia no Sabugal está a chegar ao fim. Não sem antes me associar a este convívio de «Manéis sabugalenses». Poucos sabem, mas também tenho Manuel no nome, e o prazer de estar mais um pouco com os meus conterrâneos leva-me a rumar à Sra. da Graça onde reencontro desde o Manel Rasteiro ao Manel Nabais, passando pelo Manel Ramos (e um grande obrigado à Maria pelo seu doce de ginja!…) e muitos outros amigos de infância, permitindo-me uma referência especial ao meu amigo e antigo vizinho Manel «Pidente» ali levado pela sua mãe, a quem tive também a alegria de abraçar depois de passados tantos anos… E para o ano, contem comigo!
Foi uma forma boa de me despedir e de terminar 4 dias de intenso e imenso Sabugal!
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com
Poemas de São João
Alguns poemas populares alusivos às festas de São João, da autoria de Ilídio Gonçalves Clemente, natural da freguesia de Vale de Espinho, Concelho do Sabugal, a residir em Lisboa.
Está chegando a grande festa
A festa de São João
É a maior festa da terra
Ninguém pode dizer que não
Nas vésperas chega o fogo
Toda a noite a rebentar
Chega também a filarmónica
Toda a gente vai dançar
Da capela para a igreja
Vai Santo António a se juntar
Cada um no seu andor
Cada um em seu altar
Essa noite é de alegria
e não vos digo mais nada
Logo ao romper da manhã
a música toca a alvorada
Há baile toda a noite
no nosso Largo das Eiras
Essa noite tudo dança
Tanto casadas como solteiras
Á noite lê-se a fama
Como é nossa tradição
Todos querem ouvir versos
na noite de São João
Esta festa de São João
Estamos todos a esperar
É a melhor festa da Terra
Disso nos podemos orgulhar
Este ano os mordomos não aceitaram
Que a festa fosse para a frente.
Quem aceitou fazer a festa
Foi o Sr. Carlos Clemente.
Ilídio Gonçalves Clemente
Correio dos Leitores – Argentina – Vale de Espinho
Alicia Malladas Luraschi escreveu-nos da Argentina. É neta de Manuel Martins Malhadas, natural de Vale de Espinho, e pretende entrar em contacto com familiares em Portugal.
From: Alicia Malladas Luraschi
To: Capeia Arraiana
Subject: Procuro familiares em Vale de Espinho
Soy Alicia Malladas Luraschi, nieta de MANUEL MARTINS MALHADAS, nacido en Vale de Espinho en 1890, filio de Francisco ANTUNES MALHADAS y de Anna MARTINS LUCAS.
Tengo el proyecto de fazer turismo genealógico: conocer los pueblos de donde salieron mis abuelos y bisabuelos, en Portugal, España e Italia. Y me gustaría conocer Vale do Espinho y saber si quedan descendientes de los hermanos de mi abuelo: José Francisco, Nasaret y Gloria Martins Malhadas (nacidos 1895, 1889, 1892), o de sus medios hermanos: Julio y Simón MARTINS MOREIRA.
De este lado del Atlántico somos muy dados a la genealogía, y nos gustaría que los que se quedaron nos acompañaran en esta búsqueda de orígenes comunes.
Espero encontrar la manera de llegar y pasar unos dos o tres días en el pueblo, dentro de uno o dos años. Obrigada por los datos que me puedas dar. Puedo entender portugués.
Por parte de mi abuela, aparezco en este sitio: Aqui.
Un abrazo desde Buenos Aires
Alicia
Podem entrar em contacto com Alicia para: almalladas@hotmail.com
jcl
Andou um pintor pelas estradas do Sabugal
As nossas aldeias enchem-se no mês de Agosto, o tempo das capeias… Mas os dias outonais são deslumbrantes.
Nos finais de Outubro e começos de Novembro parece que Malhoa e Silva Porto andaram por ali a pincelar a paisagem em tons de amarelo, ocre, laranja, vermelho…
As vinhas, os castanheiros, os choupos, os plátanos, as árvores-do-âmbar, sobretudo em dias de sol, lavam-nos os olhos e limpam-nos a alma. E, quando chegamos a casa, temos ainda outros regalos à nossa espera: o caldo escoado, as castanhas assadas no borralho, a aguardente feita no alambique, uma febra assada nas brasas da lareira, uma generosa talhada de queijo mole pousada numa fatia de pão espanhol…
As fotos foram feitas no Sabugal, Vale de Espinho, Vila Boa e Pêga.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares
ad.tavares@netcabo.pt
Política de boa vizinhança
Já lá vai o tempo em que as populações dos Foios e Vale de Espinho andavam de costas voltadas. Por tudo e por nada se implicava a ponto de algumas vezes se terem verificado agressões físicas.
Com o andar dos tempos tudo mudou para melhor. A emigração os estudos dos mais novos e até mesmo uma melhoria das condições sócio-económicas contribuíram para que os aspectos comportamentais se tivessem alterado profundamente.
Há poucos dias o Presidente da Junta de Freguesia de Vale de Espinho, tal como tem acontecido um pouco por todo o lado, programou um magusto que teve lugar hoje, dia 14, do corrente mês de Novembro.
O Presidente da Junta de Vale de Espinho manifestou interesse em que a Junta de Foios lhe pudesse emprestar o já famoso e gigantesco assador de castanhas. Assim aconteceu. Os elementos da Junta de Foios carregaram o assador, na carrinha da Junta, e lá o conduziram até à vizinha freguesia de Vale de Espinho.
Antes das castanhas as autarcas de Vale de Espinho brindaram todos os convidados, no salão da Junta, com uma carne entremeada e uns focinhos de porco.
Passado algum tempo a maioria das pessoas abandonaram o salão para se deslocarem para junto do assador das castanhas.
Ao Sr. Presidente da Câmara deu-se a honra de pegar num esqueiro e deitar lume às carquejas que previamente haviam sido cortadas e transportadas para o efeito. A Caruma é um bom combustível mas julgo que a carqueja resulta melhor.
Os cerca de quarenta quilos de castanhas foram assadas de uma só vez e em cerca de um quarto de hora.
Como o assador constituía novidade viam-se algumas máquinas fotográficas a disparar com a intenção de algumas pessoas poderem levar o magusto para bem longe.
Logo que as castanhas ficaram assadas deu-se autorização para as pessoas se poderem aproximar do assador e começarem a degustarem este saboroso fruto que bem regado com jeropiga e água pé proporcionou uma tarde bem passada às cinco ou sei de dezenas de pessoas que se dignaram associar ao acto.
Não posso deixar de referir o trabalho e o empenho da Secretária e da Tesoureira da Junta de Freguesia de Vale de Espinho. Não se pouparam a esforços para que tudo tivesse corrido bem.
O Presidente António Robalo, que já havia estado na Freguesia de Sortelha, fez questão de marcar presença e animado que estava com o ambiente sugeria que no próximo ano se possa programar um magusto em cada uma das quarenta freguesias tendo sempre em conta a animação musical que o povo muito aprecia e merece.
Parabéns à Junta de Freguesia e parabéns a Vale de Espinho.
Espantámos a crise, pelo menos por uma tarde!
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com
Criada a Associação de Freguesias da Raia
Foi constituída, no dia 28 de Julho de 2010, a Associação de Freguesias da Raia Sabugalense (AFRS), que inclui Aldeia da Ponte, Aldeia do Bispo, Aldeia Velha, Alfaiates, Foios, Forcalhos, Malcata, Nave, Quadrazais e Vale de Espinho.
Há já algum tempo que os Presidentes de Junta iam promovendo encontros com vista à criação da AFRS. A uma determinada altura os presidentes entenderam por bem contactar com o advogado Victor Coelho para que ele, na qualidade de jurista, pudesse dar os passos necessários e convenientes tendentes à constituição da associação.
o acto aconteceu num ambiente onde se respirava um ar de felicidade visto que, ao fim de bastantes reuniões, com avanços e recuos, se pôde sentir que afinal valeu a pena.
Após conclusão da escritura os presidentes das respectivas Juntas marcaram uma reunião, para as 21 horas do dia seis de Agosto, na freguesia de Alfaiates, onde a AFRS vai ter a sua sede.
Nesse dia serão debatidos todos os aspectos formais e logísticos e no mês de Setembro associação estará em condições de poder fazer a apresentação, às mais diversas entidades, aprovar o regimento e elaborar o plano de actividades.
O ditado diz que uma caminhada começa num simples passo e nós, presidentes de junta das freguesias acima mencionadas, temos plena consciência de que já iniciámos a caminhada. O caminho é longo e sinuoso mas a vontade de podermos inverter a tendência da desertificação é enorme.
Todos temos plena consciência de que nas nossas freguesias todos anos morrem, em média, dezena e meia de pessoas e a maioria dos jovens partem para outras paragens visto que por cá os empregos são muito raros.
Sabemos que também teremos que ser unidos, acutilantes e ambiciosos. Todos temos consciência de que nada cai do céu. Entrámos em campo pelo que é necessário correr, sofrer e lutar até suar a camisola. A tudo isso estamos dispostos. Este é o ânimo do momento e queremos que prevaleça.
Também nos anima o facto de sabermos que temos uma Câmara e um Governo Civil dispostos a colaborar connosco, nos aspectos mais gerais. Não temos qualquer dúvida de que o Município do Sabugal, na pessoa do seu Presidente, Eng.º António Robalo, e o Governo Civil, na pessoa do Sr. Governador, Dr. Santinho Pacheco, são os nossos principais parceiros e aliados. É absolutamente necessário e conveniente que técnicos e políticos estejam dispostos a trabalhar connosco.
Também não nos deveremos esquecer de que as nossas freguesias são membros de pleno direito do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial – AECT Duero / Douro. Apenas Vale de Espinho não havia aderido mas o actual executivo está na disposição de também poder vir a integrar o AECT.
Com determinação e perseverança havemos de fazer um bom trabalho em prol das freguesias que representamos.
Para terminar pretendo reconhecer e agradecer a boa vontade, compreensão e empenho das seguintes pessoas: Dr.ª Paula Lemos, notária, sua ajudante Anabela, Dr. Victor Coelho e Ismael, Presidente de Junta dos Forcalhos.
O lema é: «Alma até Almeida». Todos ao forcão!
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com
Manuel Leal Freire – Poemas
Manuel Leal Freire nasceu na freguesia da Bismula, concelho do Sabugal. Viveu grande parte da adolescência nas Batocas (Raia sabugalense) onde o seu pai era guarda-fiscal. Actualmente reside no Porto, onde tem um escritório de advogados, e em Gouveia, onde tem uma quinta. Aos 82 anos mantém uma memória impressionante e surpreende quem não o conhece por fazer discursos sem papel e em verso. Envolvidos em causas culturais e sociais, Manuel Leal Freire é o grão-mestre da Confraria do Queijo Serra da Estrela e mantém uma permanente actividade literária, publicando livros e colaborando em diversos meios de comunicação social. Um vulto com lugar na história cultural e literária das terras raianas e do concelho do Sabugal.
ROTEIRO
Das terras quentes ás frias
Do Casteleiro ás Batocas
Palmilhei todas as vias
Fui coelho em todas as tocas.
E qual tentilhão alaro
Que em todo o ramo faz ninho
Almocei em Santo Amaro
Fui cear a Vale de Espinho
Depois, já lebre montesa
Que nos restolhos faz cama
Abalei à sobremesa
Pra ir dormir à Espanha.
Corri á guisa do vento
Ao certo nem sei as léguas
Se a rota é mesmo a contento
As pernas não pedem tréguas
Por isso, se o mal me açula
As desgraças em matilha
Corro a correr pra Bismula
Ou para Alamedilha
Ali, cansado e bisonho
Pego sono em sonho brando
E entre os eflúvios do sonho
Eu sonho que estou sonhando
Freguesias são quarenta
Mas os burgos quase cem
Bom povo que se contenta
A dar o melhor que tem
Ninguém servirá alguém
De forma tão desprendida
Constantes no mal e bem
Na morte como na vida.
Os filhos deste concelho
São heróis todos os dias
Quem dera ver-me ao espelho
Nas quarenta freguesias.
Manuel Leal Freire
Capeias Arraiana e Encerros – Calendário 2010
Na Raia Sabugalense o mês de Agosto rima com Encerros e Capeias Arraianas. Já falta pouco!
Noite de fados na Casa do Sabugal em 1978
A sede da Casa do Concelho do Sabugal, na Avenida Almirante Reis em Lisboa, foi pequena para acolher todos os que quiseram estar presentes na sessão de fados ali realizada há 32 anos, na véspera da primeira Capeia Arraiana no Campo Pequeno.
Seguimos editando fotos alusivas ao ano de 1978.
O dia 3 de Junho foi intenso para os sabugalenses que aderiram às iniciativas da então jovem Casa do Concelho do Sabugal. Durante o dia decorreu o habitual convívio anual, iniciado em 1975, com um grandioso piquenique no parque do Seminário dos Olivais, que juntou centenas de pessoas. À noite houve fados e guitarradas na sede da Casa. A sessão foi longa e vivida com abundante alegria. Os fadistas eram amadores e oriundos da nossa região e de Trás-os-Montes.
Nesse fim-de-semana intenso realizou-se ainda, no domingo de manhã, um encontro de futebol entre uma equipa da Casa e outra da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro. Mas a maior iniciativa estava marcada para o domingo à tarde, na praça de touros do Campo Pequeno: a tourada com forcão, a que os organizadores chamaram Capeia Arraiana.
Numa das fotografias acima editadas pode ver-se o então presidente da Câmara do Sabugal, o Dr Lopes, de Vale de Espinho, que, acompanhado pelo vice-presidente da Casa, Adelino Dias, se dirige aos que nessa noite memorável foram assistir à sessão de fados.
plb
O comer da matança de Carlos Alberto Marques
Carlos Alberto Marques, professor nascido em Vale de Espinho, freguesia raiana do concelho do Sabugal, deixou preciosíssimos estudos acerca da vida dos povos de Riba Côa, com abundantes referências aos costumes e tradições populares.
Professor no liceu da Guarda, onde leccionou Geografia, Carlos Alberto Marques, foi um dos mais prestigiados pedagogos do seu tempo, dado o empenho que colocava na docência e a permanente disponibilidade para o estudo.
De cariz científico, enquanto geógrafo, realizou e publicou dois estudos fundamentais: «A Serra da Estrela» e «A Bacia Hidrográfica do Côa». Ambos os livros foram fruto do seu labor, sobretudo visível no trabalho de campo, que realizou em complemento à leitura dos estudos já publicados. De lápis e bloco de notas em punho, o «Geógrafo da Côa», come lhe chamou Pinharanda Gomes, embrenhava-se nos barrocais da serra ou nos desfiladeiros dos rios, anotando a vegetação, a fauna, a composição dos solos e das rochas e demais elementos de interesse para a caracterização dos lugares.
Amante do conhecimento, também estudou os costumes e as tradições do povo raiano, culminando na publicação do livro «Notas Etnográficas de Riba Côa», onde reuniu alguns dos trabalhos saídos da sua pena. Aí descreve as técnicas ancestrais de caça e pesca usadas pelo povo na luta pela sobrevivência. Também anota as impressões de uma montaria aos javalis na serra da Marvana, onde costumava acompanhar o grande monteiro da raia, Francisco Maria Manso. Fala também da inevitável capeia arraiana, nas fogueiras de S. João e S. Pedro, assim como das artimanhas dos contrabandistas de Quadrazais e do cerimonial religioso e profano designado por «Fama dos Santos».
Elucidativo, é o texto intitulado «As Matanças», em que descreve um dia passado em casa de Manuel Coelho, lavrador da Junça, localidade do concelho de Almeida. Nessa manhã o lavrador, família e amigos mataram o marrano, trabalho de cerimonial antigo, pelo qual se garantia a abastança da casa para todo o ano e que nenhum dos habitantes remediados da aldeia dispensava.
Depois do porco morto, chamuscado, lavado, dependurado e aberto, vem o almoço da matança que junta toda a família e os que vieram ajudar no trabalho:
«O tardio almoço está nas mesas (a dos matadores, a dos velhos e mulheres e a das crianças) e toda a gente se lava em duas águas. Muito vinho, substanciosos pratos de carne de porco do ano anterior, arroz, pão e o indispensável e fresquíssimo fígado assado, com azeite e vinagre, ou guisado e com batatas cozidas à parte. Há saúdes e cumprimentos: “que de hoje a um ano o vinho corra pelo mesmo cano e se mate outro marrano, que Deus dê saúde aos de casa para comerem o porco, que a alegria e a paz reinem sempre naquela casa como no presente dia”… Depois a reza, a acção de graças e os Padres-Nossos pelas almas dos mortos da família. As raparigas lavam e arrumam as louças, enchem as morcelas, cosem as tripas enquanto os homens vão à sua vida ou jogam a bisca, entornando copos de vinho.»
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com
A inútil valentia de D. Quixote
Recebemos este texto de Sérgio Paulo Silva, o caçador de Salreu, Estarreja, que gosta de calcorrear os campos da raia sabugalense, onde manifesta o seu desagrado pela poluição visual que agora ali abunda.
Aída Acosta, espanhola de S.Martin de Trevejo, Cáceres, escreve poemas e tem uma paixão indisfarçável pela Raia (de que às vezes nos dá testemunho no seu blog «Lluvia de Libélulas») como seu pai, também poeta, que no conjunto da sua obra escreveu um poema que é um hino à bravura e à sensibilidade dos contrabandistas portugueses da raia. Aída Acosta, espanhola, desde Ciudad Rodrigo ou do seu pueblo, escreve poemas como há muitos séculos escrevia Cervantes ou como agora tantos outros escrevem, e em cada dia trava outra batalha espalhando a sua voz plural pela internet contra a instalação de torres eólicas na Sierra de Gata.
Ao meu computador chegou o seu grito e as imagens do mal que invadiu a sua querida serra, imagens que me doeram na alma porque eu também dividi o meu querer raiano pelos montes de lá, agora escancarados aos ventos, e porque à minha porta conheço o escarro. Nos Fóios e em Vale de Espinho, no Sabugal profundo, foram colocadas torres de produção de energia eólica. Em nome da energia limpa deram a essas pobres aldeias a poluição paisagística e sonora. Os benefícios financeiros são irrisórios e as escolhas foram dirigidas estrategicamente para aldeias de populações envelhecidas e rarefeitas onde a capacidade de protesto e resistência são nulas. À falta de outros investimentos que bem mereciam, os responsáveis locais aceitam as eólicas como as putas da estrada aceitam qualquer cliente por mais nada lhes restar. E a nódoa fica e multiplica-se.
D. Quixote, como o teceu Cervantes, via a besta nos moinhos e ergueu contra eles a sua lança. Aída Acosta, tantos séculos depois, queima todo o seu amor pela raia clamando contra as pás fantasmagóricas que invadem as serras. Sei do que fala e o que sente. Apaixonei-me, eu que sou do mar, pelos horizontes raianos e aprendi de cor os seus trilhos e cheiros, os contornos de cada monte. Agora, quando caminho por essas aldeias, já não quero olhar o longe, abrir desmesuradamente o coração. Quando vem o tempo do calor, sigo pelas veredas olhando para o chão onde alguns chupa-mel me podem emprestar um pouco de ternura e, no tempo frio, posso perceber a presença das perdizes. Não, não quero olhar todos os longes da raia porque já não tenho a força da seiva raiana da Aída e sei como foi inútil a valentia do Quixote.
Sérgio Paulo Silva
Correio dos Leitores – Argentina – Vale de Espinho
María Laura Piris enviou-nos um e-mail das terras do tango à procura das suas referências e de familiares em Vale de Espinho.
From: María Laura Piris
To: Capeia Arraiana
Subject: Procura de parentes na aldeia de Vale de Espinho
Mi nombre es María Laura Piris. Soy argentina, vivo en Zárate, provincia de Buenos Aires.
Mi abuelo paterno era portugués nacido en Vale de Espinho, Sabugal.
Su nombre era Alexandre Pires dos Santos, cuando ingresó a Argentina le cambiaron el apellido (Pires por Piris) Vino a Argentina en el año 1920.
En Sabugal quedaron tres hermanas de él. Me gustaría saber si hay algún descendiente de la familia para contactarme.
Desde ya muchas gracias.
María Laura Piris
Contacto de María Laura Piris: mlaurapiris@hotmail.com
jcl
Associação de Freguesias «Terras do Forcão»
O título será este ou um muito parecido. Ficará decidido na próxima reunião que vai ter lugar em Aldeia da Ponte no dia 27 do corrente mês de Fevereiro. Na verdade a Associação «Terras do Forcão» começa a tomar forma.
No passado dia 13 realizou-se, no Centro Cívico de Foios, a primeira reunião que contou com presença de presidentes e outros elementos das respectivas Juntas.
Visto que todos os presentes sabiam para o que vinham não foi necessário dar grandes explicações. Abriu-se a sessão tendo todos os presentes usado da palavra para exporem os respectivos pontos de vista.
Ficou decidido que todas as Juntas iriam solicitar uma reunião, aos presidentes das assembleias de freguesia, para explicar aos respectivos membros no que consiste e o que se pretende com a criação da associação e ao mesmo tempo, poderem dar o aval.
Para que não se corresse o risco de ferir susceptibilidades foi decidido integrar na futura e hipotética associação as seguintes freguesias. Por ordem alfabética:
1 – Aldeia do Bispo;
2 – Aldeia da Ponte;
3 – Aldeia Velha;
4 – Alfaiates;
5 – Foios;
6 – Forcalhos;
7 – Lageosa;
8 – Malcata;
9 – Quadrazais;
10 – Soito; e,
11 – Vale de Espinho.
As primeiras seis freguesia estiveram representadas na reunião do dia 13 e alguns presidentes, das restantes cinco, telefonaram a justificar a falta.
Naturalmente que na associação apenas entrarão as Juntas que assim o entenderem. Estamos em democracia e é de forma democrática que deveremos trabalhar.
No final da reunião os elementos da Junta anfitriã – Foios – convidaram todos os colegas para um jantar convívio que teve lugar no restaurante «Eldorado». Ou não fosse o primeiro dia dos circuitos gastronómicos.
Depois do jantar o convívio continuou tendo-se visitado as restantes capelinhas da terra.
A associação começou bem. Entrou-se com o pé direito.
Deus permita que tivesse sido em boa hora e que a dita possa contribuir para o progresso e desenvolvimento desta região e do concelho em geral. Bem necessitamos.
Na reunião do dia 27 já serão analisados e discutidos os estatutos bem como o regulamento interno.
Se algum jurista, ou qualquer outra pessoa que esteja preparada, estiver disposto a ajudar-nos agradecemos, muito sinceramente.
José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia dos Fóios)
Junta de Vale de Espinho promoveu convívio
A convite do Sr. Presidente de Junta da Freguesia de Vale de Espinho, Sr. José Manuel Lucas Mendes, participei no almoço convívio que teve lugar no salão do edifício da Junta de Freguesia, no passado sábado, dia 19 de Dezembro.
Confesso que gostei. Gostei do javali e gostei igualmente de ver muita gente, sobretudo da Freguesia, com um ar simpático e feliz. Foi uma verdadeira festa de Natal.
Participaram também neste convívio os Senhores Presidentes da Assembleia e da Câmara Municipal, Ramiro Matos e António Robalo, respectivamente. Tive a oportunidade de os ver e ouvir a analisar e a discutir assuntos relacionados com o Município. É assim mesmo, Senhores novos autarcas. É, de todo, necessário e conveniente, que todos nos saibamos envolver em torno do progresso e do desenvolvimento do Concelho.
Agradeço o convite ao novo Presidente da Junta de Freguesia de Vale de Espinho. Durante a conversa que travámos tive a oportunidade de lhe manifestar a minha total disponibilidade para tudo quanto necessário e possível. É importante saber praticar a política da boa vizinhança.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)
jmncampos@gmail.com
António Morgado juntou-se à campanha do PS
Ao sétimo dia de campanha o ex presidente da Câmara e actual presidente da Assembleia Municipal, António Morgado, juntou-se à comitiva socialista e tomou a palavra para defender o voto em António Dionísio.
António Morgado acompanhou no dia 5 de Outubro, a campanha do Partido Socialista, tomando mesmo a palavra nos comícios realizados nos Fóios, em Vale de Espinho, Quadrazais e na Torre. O actual presidente da Assembleia Municipal, eleito nas listas do PSD, que desta vez não é candidato, explicou as razões porque decidiu apoiar a candidatura de António Dionísio e teceu duras criticas à maioria que governa o Município.
«Nestas eleições não há motivos para votar a pensar nos partidos. Devemos pensar antes nas pessoas, e a pessoa que melhor pode representar o concelho e fazer um mandato válido é o António Dionísio. Por isso lhe dou o meu apoio», justificou o ex-presidente da Câmara, que decidiu envolver-se directamente na campanha autárquica sabugalense.
António Morgado, pediu mesmo desculpa aos sabugalenses por ter apoiado a equipa que constitui o executivo actual, afirmando ter-se enganado redondamente ao acreditar que a mesma estava à altura das exigências: «mostraram-se incapazes, e nada digno de registo fizeram durante estes quatro anos, pelo que não merecem ser eleitos para um novo mandato».
Na Torre, a sua terra natal, António Morgado fez o discurso mais eloquente, pedindo aos seus conterrâneos que votem na mudança.
António Morgado já tinha dado sinais de apoio à candidatura do PS, nomeadamente quando em Agosto apareceu ao lado de António Dionísio no Festival «Ao Forcão Rapazes» e quando marcou presença na apresentação das listas de candidatos do PS no dia 20 de Setembro. Porém esta aparição na campanha socialista ultrapassou as expectativas.
plb
Vandalizados cartazes de António Robalo
Os outdoors, vulgarmente conhecidos por cartazes, da campanha eleitoral do candidato António Robalo foram vandalizados em três freguesias.
(Clique nas imagens para ampliar.)
Os cartazes do candidato social-democrata à Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, foram vandalizados nas freguesias de Vale de Espinho, Aldeia Velha e Soito.
Uma nota emitida pelo director de campanha, Vítor Proença, dá conta que «vai ser feita queixa contra desconhecidos junto da GNR do Soito e da Comissão Nacional de Eleições».
As aldeias do concelho do Sabugal receberam durante o mês de Julho os cartazes de António Dionísio (PS) e de Joaquim Ricardo (MPT) e mais recentemente – há cerca de uma semana – começou a aparecer a propaganda do candidato António Robalo que é agora motivo de queixa às autoridades.
Recorde-se que para 27 de Setembro estão marcadas as eleições legislativas (deputados à Assembleia da República) e para 11 de Outubro as autárquicas desdobradas em três boletins de voto: Assembleia Municipal, Câmara Municipal e Juntas de Freguesia.
1- Não deixa de ser curioso que o legislador tenha dada a mesma importância às três eleições e tenha «obrigado» ao voto em três boletins. Mas… não deixa de ser, igualmente, curioso que nos cartazes já afixados dos três partidos (MPT, PS e PSD – por ordem alfabética) apenas aparecem as caras dos candidatos a Presidente da Câmara quando o número um à Assembleia Municipal e o primeiro da lista à Junta da Freguesia estão colocados democraticamente no mesmo patamar de importância. Considero até que para alguns candidatos seria – ou não – uma mais-valia a presença da imagem do seu número um à Assembleia Municipal. «Coisas» das campanhas da nossa democracia.
2 – Não deixa de ser curioso que num dos outdoors ainda é vísivel uma escada encostada à estrutura.
jcl
Correio dos Leitores – Brasil – Vale de Espinho
José Manuel Mendes Gomes escreveu-nos do Brasil à procura das suas referências e de familiares em Vale de Espinho.
From: José Manuel Mendes Gomes
To: Capeia Arraiana
Subject: Procura de parentes na aldeia de Vale de Espinho
Sou José Manuel Mendes Gomes, nascido em Vale de Espinho, filho de José Gomes e Maria Teresa, moro no Brasil e imigrei para cá no ano de 1949 com 12 anos e gostaria de me comunicar com alguém da minha familia que ainda mora ai. (Familia Gomes e Familia Tereso).
Aguardo qualquer notícia.
Grato desde já.
Um abraço
José Manuel Mendes Gomes
Contacto de José Manuel Gomes: jmgomes2008@ig.com.br
jcl
Trágico acidente com sabugalenses em França
As aldeias de Vale de Espinho e de Alfaiates, no concelho do Sabugal, estão de luto. O mini-bus envolvido num trágico acidente de viação em França onde perderam a vida quatro portugueses e cinco ficaram gravemente feridos era conduzido por Joaquim Vicente, morador em Alfaiates, que faleceu no desastre. Entre as vítimas conta-se ainda um casal de emigrantes natural de Vale de Espinho.
As quatro vítimas mortais e os cinco feridos do acidente ocorrido, no sábado, em França, são emigrantes na região de Paris naturais do Sabugal e de Gonçalo no distrito da Guarda. O motorista Joaquim Vicente, que faleceu no desastre, vivia em Alfaiates e tinha larga experiência de transporte de emigrantes. Entre as vítimas contam-se Manuel José Dias Martins e a esposa Lídia Varandas, naturais de Vale de Espinho.
O mini-bus que transportava os emigrantes portugueses de volta a Portugal para iniciar as férias de Verão despistou-se na auto-estrada A20 pelas 12.45 horas locais numa descida em Bonnac-la-Côte, perto de Limoges.
As circunstâncias do acidente ainda não estão esclarecidas mas sabe-se que o táxi português, que levava um atrelado, terá embatido noutro automóvel, ainda na sua faixa, antes de perder o controlo e atravessar o separado central da auto-estrada e chocar na faixa contrária com um carro holandês ou outro francês. O condutor holandês morreu e os seus dois filhos sofreram ferimentos graves. No total estiveram envolvidas no acidente quatro viaturas e 18 pessoas, cinco das quais escaparam ilesas.
Em declarações à agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Alfaiates, Francisco Baltasar, informou que «Joaquim Vicente, de 63 anos, era um profissional com uma empresa de transporte de passageiros sediada em Landes, França, há cerca de 20 anos e que fazia regularmente este tipo de viagens entre Portugal e França transportando emigrantes da região».
O acidente vitimou ainda o casal Manuel José Dias Martins e a esposa Lídia Varandas que eram naturais da freguesia de Vale de Espinho. O Jornal de Notícias relata a emoção vivida por José Joaquim e Rosa Fernandes, moradores em Vale de Espinho, no Sabugal, que ainda não acreditam no que aconteceu aos vizinhos Manuel e Lídia. «Temos as chaves da casa. Contávamos com eles a qualquer momento. Quando recebemos a notícia do acidente, a meio da tarde de sábado, foi um choque muito grande» confessa Joaquim visivelmente inconformado com a sorte dos vizinhos e amigos. «A Lídia tinha uma paixão pelas suas flores», lembra Rosa Fernandes, apontando as hortenses azuis na moradia onde casal, emigrado perto de Paris, e agora reformado passava muitos meses do ano.
«Ele trabalhou muitos anos nas obras. Era pintor. Ela dedicava-se a trabalhos domésticos. Fizeram vida e criaram dois filhos que por lá continuam. Mas nunca deixaram de vir aqui passar uma temporada», recorda ao JN, Maria dos Anjos Pires, outra vizinha e amiga de infância.
O mês de Agosto simboliza para muitos emigrantes as vacances e o regresso às origens. As terras do Sabugal enchem-se de emigrantes, de festas e alegria. Infelizmente este ano tudo começou de forma trágica.
Às famílias enlutadas o Capeia Arraiana endereça sentidos pêsames.
jcl
Calendário das Capeias Arraianas de 2009
Com o mês de Agosto chega a época grande das Capeias Arraianas nas terras junto à Raia no concelho do Sabugal. Cumprindo a tradição, as touradas com recurso ao forcão, precedidas do também tradicional encerro, trarão alegria e emoção às nossas aldeias.
| DIA | FREGUESIA | EVENTO |
| 19-07 | Aldeia da Ponte | Cartel de Variedades |
| 06-08 | Lageosa da Raia | Capeia Arraiana |
| 07-08 | Soito | Capeia Arraiana (nocturna) |
| 08-08 | Ruivós | Capeia Arraiana (nocturna) |
| 09-08 | Soito | Exibição de recortes |
| 09-08 | Aldeia da Ponte | Tourada à Portuguesa |
| 10-08 | Aldeia do Bispo | Capeia Arraiana |
| 10-08 | Seixo do Côa | Garraiada |
| 11-08 | Soito | Capeia Arraiana |
| 12-08 | Ozendo Rebolosa |
Capeia Arraiana |
| 14-08 | Nave | Capeia Arraiana |
| 15-08 | Aldeia da Ponte | Capeia Arraiana |
| 17-08 | Alfaiates Forcalhos Vale de Espinho |
Capeia Arraiana |
| 18-08 | Fóios | Capeia Arraiana |
| 20-08 | Vale das Éguas | Capeia Arraiana (nocturna) |
| 22-08 | Aldeia da Ponte | Festival «Ó Forcão Rapazes» |
| 25-08 | Aldeia Velha | Capeia Arraiana |
Para os interessados, divulgamos desde já o calendário das Touradas de 2009.
Comecemos pelas Capeias (touradas com forcão) que, como é costume, abrem na Lageosa e encerram em Aldeia Velha:
Lageosa da Raia, dia 6.
Ruivós, dia 8 (nocturna).
Aldeia da Ponte, dia 9.
Aldeia do Bispo, dia 10.
Soito, dia 11.
Ozendo e Rebolosa, dia 12.
Nave, dia 14.
Aldeia da Ponte, dia 15.
Alfaiates, Forcalhos e Vale de Espinho, dia 17.
Fóios, dia 18.
Vale das Éguas, dia 20 (nocturna).
Aldeia Velha, dia 25.
No Seixo do Côa, a 10 de Agosto, realiza-se uma também tradicional garraiada, mais propriamente chamada «tourada à vara larga»:
A Praça de Touros de Aldeia da Ponte recebe também alguns espectáculos tauromáquicos.
Ainda em Julho, no dia 19, haverá Variedades Taurinas com cavaleiros praticantes e amadores, assim como novilheiros e forcados.
A 9 de Agosto a mesma praça de touros recebe a sempre muito aguardada Tourada à Portuguesa, com cavaleiros profissionais, organizada pela Associação «Amigos de Aldeia da Ponte».
Momento muito aguardado todos os anos é o Festival «Ó Forcão Rapazes», que na tarde do dia 22 de Agosto se realiza também na Praça de Aldeia da Ponte, onde 9 equipas representativas das aldeias raianas (Alfaiates, Aldeia do Bispo, Aldeia da Ponte, Aldeia velha, Fóios, Forcalhos, Lageosa da Raia, Ozendo e Soito) exibirão a melhor arte de pegar ao forcão.
plb
A Capeia Arraiana na literatura
Estando a época das capeias arraianas a iniciar-se nas aldeias do concelho do Sabugal, e quando se fala no registo dessa tradição única do mundo, resolvemos compilar algumas citações de livros que falam sobre a tourada com forcão. Não há dúvida que esta é, a par com a do castelo de cinco quinas, a nossa melhor imagem de marca.
A assistência põe-se de pé, grita, chora e atira imprecações ao touro: Ai o meu homem que já o mataram! Acudam ao desinfeliz que já o levou o diabo! Jesus, Jesus, o burro do meu filho morto! Eh vaca excomungada, raios te partam, estupor!… Passado o lance, volta o sossego, a alegria, o burburinho.
Carlos Alberto Marques, in «Algumas Notas Etnográficas de Riba Côa».
Ainda hoje se fala na fatídica tarde em que o touro matou um rapaz, subindo para tal alguns degraus duma escada, puxando-o com os dentes para o curro e estoirando-o depois.
Franklim Costa Braga, in «Quadrazais, Etnografia e Linguagem».
Quando a gente de Forcalhos não for capaz de dominar o touro, os moços das aldeias próximas pedem para que os deixem correr esse touro no dia da sua festa, numa manifestação de emulação sócio cêntrica, habitual entre grupos vizinhos.
Ernesto Veiga de Oliveira, in «Festividades Cíclicas em Portugal».
Em toda a geografia ibérica e mesmo mundial o Forcão apenas existe numa estreita faixa de terreno limitada ao norte pelo rio Côa, ao sul pela serra da Malcata, o Ocidente pela serra da Estrela e a oriente pela fronteira de Espanha.
E quando fixamos o limite ocidental na serra da Estrela, é porque nas aldeias do chamado Vale de Estrela ainda se realizam curiosas corridas à vara larga que se podem talvez considerar como uma variante degenerada da corrida do Forcão.
Fernando Teixeira, in «O Touro e o Destino».
O boi, num momento defensivo, de recuo, encontra o portal velho de uma loja, despede-lhe um tremendo coice, a porta cai em estilhas, e do portal arrancado irrompe… uma porca a grunhir. Hilaridade geral. Uma voz grita, aflitíssima:
- Ai, a minha «marrana», que lá se me vai!…
Abel Botelho, in «Uma Corrida de Toiros no Sabugal», do volume «Mulheres da Beira».
- Senhora das Neves, acudi ao forcão!
- Nossa Senhora das Neves, salvai-os!
Do torvelinho de poeira, que enfarinha os espectadores, saem rapazes ilesos ou feridos que marinham, rápidos, pelas cordas presas aos fueiros.
Nuno de Montemor, in «Maria Mim».
O forcão fica pronto e encostado num dos cantos da praça, a aguardar o dia. A canalha visita-o com uma alegria feita de gozo antecipado. Tenta levantá-lo. Põe-se à galha, grita «eh boi!».
Adérito Tavares, in «A Capeia Arraiana».
Às galhas da frente pegam dois rapazes que se hajam notabilizado pela força física. A frontaria do centro confia-se a gente simultaneamente forte, corajosa e de bom engenho. Os restantes postos distribuem-se um pouco à touxe-mouxe pelos voluntários, em todo o caso rapazes valentes e forçantes. Lugar-chave, todavia, é o de rabejador, autenticamente chefe, comandante e capitão da empresa.
Manuel Leal Freire, in «Ribacôa em Contra Luz»
O rabeador eleva ou abaixa o triângulo, auxiliado pelos outros homens, conforme a direcção que o toiro toma, e tenta assim impedir que o toiro salte para cima do triângulo ou se meta por baixo.
J. Leite de Vasconcelos, in «Etnografia Portuguesa».
A parte mais curiosa do folguedo consiste no forcão, espécie de grade, formada de um grande ramo ou pernada de carvalho, com uma grossa vara onde os galhos se atam e afastam, dando-lhe a forma triangular.
Joaquim Manuel Correia, in «Memórias sobre o Concelho do Sabugal».
E eis que a porta se abre, dando passagem ao famoso touro, que irrompe pela praça dentro como um furacão.
Na praça, só o forcão fortemente guarnecido. Todos os demais se empoleiraram o mais alto que puderam. Até os capinhas.
José Martins, in «Drama sob as Nuvens».
Espectáculo único que bem traduz a audácia e a força das gentes de Riba-Côa».
Virgílio Afonso, in «Sabugal, Terra e Gentes».
A tourada raiana é um espectáculo que as gentes da região apreciam de tal modo que, durante o verão, todas as terras realizam a sua, e, em muitos casos, em jeito de rivalidade, procuram até arranjar mais do que uma.
«À Descoberta de Portugal», edição das Selecções do Reader’s Digest.
São os jovens a descer à arena, manobrando um complicado aparelho feito de toros de madeira (o forcado) para manter o boi à distância. E ai do forasteiro que se atreva a deitar a mão a uma das pegas do forcado sem para tal ter sido convidado…
«Guia de Portugal», edição do jornal Expresso (1995).
Os foliões que vão pegar ao forcão mantêm-se ao largo até que se anuncie a saída do primeiro touro mas, alguns, para garantia de que têm para onde fugir, vão ocupando as escadas do pelourinho e um fanfarrão, para mostrar a sua destreza, conseguiu mesmo subir até ao cimo desse monumento que é o mais alto de Portugal numa só pedra.
Porfírio Ramos, in «Memórias de Alfaiates».
Meu pai, que foi um grande aficionado das capeias, sempre que a elas se referia, não se esquecia nunca de falar em quatro toiros, certamente por muito o terem impressionado devido à sua grande bravura, cujos nomes eram: o Carreto, o Galgo, o Gravato e o Cinzento.
José Manuel Lousa Gomes, in «Memórias da Minha Terra».
plb
Ser criança em Vale de Espinho
«Viagens na minha infância» poderia titular-se ainda «Nostalgia da Pequena Pátria». Assim interpretamos o significado das «lembranças romanescas» ordenadas no recente livro de Joaquim Tenreira Martins, natural da freguesia de Vale de Espinho, no concelho do Sabugal, junto ao ainda criança Rio Côa, mas residente na Bélgica há mais de 30 anos e onde constituiu família.
Tivemos o grato prazer de um primeiro encontro, há pouco tempo atrás, na freguesia de Fóios (Sabugal) onde o Centro Cultural levou a efeito um Encontro de Escritores das Terras do Côa. Na memória ficou-nos então o excelente estudo que ele apresentou acerca dos episódios das invasões francesas nas terras de Riba Côa, episódios esses que não foram menores, uma vez que, do ponto de vista militar, Almeida era o alvo e também Almeida se situa em Riba Côa.
A infância que define a temporalidade deste livro é decerto a que medeia entre 1950/1960, uma vez que o autor, nascido em 1945, desse ano e pouco mais seria difícil possuir uma clara memória, par além da circunstância familiar, em que avulta a personalidade de seu pai, que teve a profissão de alfaiate (mas que também praticava a venda nas feiras e mercados da raia cudana) e em cuja oficina se reuniam várias pessoas da aldeia, que transformavam a alfaiataria em «tertúlia do saber». Para a criança, que então era Joaquim, terão surgido os primeiros clarões acerca de uma realidade maior do que a da sua aldeia, mas não muito para além dela, definindo-se um território minúsculo, em que assumem significação social e geográfica, as aldeias circunvizinhas (Quadrazais, Soito, os «pueblos» para lá da Serra das Mesas, já Castela, a «ancha Castilla». E a Serra da Malcata, o acidente orográfico, mas ainda o espaço de trânsito (das aventuras dos contrabandistas) e de artesanato indústrial, qual a do fabrico de carvão de torga, desde o Alambar até aos redutos da Quinta do Major, ou Quinta dos Pinharandas. Estamos perante uma autobiografia, de modelo memorialístico, em que o escritor não se contempla a si mesmo, nem se torna centro de acção, mas se restringe a espectador convivencial, pois nas pequenas comunidades, todos e cada um acabam por ser comparsa dos acontecimentos, dos gostos e desgostos, e dos tempos e dos sítios.
O autor ordena as lembranças em quatro partes. Na primeira, as memórias da infância de quanto ouvia de seu pai; na segunda, intitulada «Os Mitos e os Medos», espaço para fixar os sítios míticos, por vezes fantasmagóricos, as histórias de bruxas, as aventuras de povos móveis como os ciganos, os invernos e as histórias populares acerca dos lobos que desciam da serra; na terceira parte, uma evocação de árvores e de homens: o álamo, e, como árvores em pé, o mítico dr. Armando do Soito (acerca de quem se narravam as mais inverosíveis aventuras cirúrgicas, sem um mínimo de condições) ou do sr. Valente, que levava o seu circo às distantes terras da Raia.
As Memórias terminam com um registo dos usos e costumes e interesses de uma criança – as festividades, as capeias raianas, o pião de amieiro e, também sinal de crescimento, a descoberta do mundo além, a começar por Castela.
Autobiografia parcial quanto ao tempo, ela constitui um registo saboroso da vida quotidiana numa remota aldeia de Riba Côa, cujos usos e costumes permaneceram inalterados e impermeáveis às novidades de fora, incluindo a tradição linguística, pois, embora no quadro ribacudano existissem uma «fala» comum, esta não impedia as «falas» particulares. E, como o autor regista as memórias em conformidade com a fala, encerra o livro com um glossário. De certeza que, hoje em dia, mesmo em Vale de Espinho, as novas gerações necessitam deste glossário para entendimento do que lêem. Tudo muito belo, notamos, porém, a falta de uma ou duas páginas relativas à memória de Carlos Marques, o geógrafo do Côa, que passava as férias na sua aldeia natal e do Zé Margarido, caçador sem descanso.
Esperamos, agora, por um segundo volume, o das viagens à adolescência.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes
pinharandagomes@gmail.com
Puema dos contrabandistas
Belmiro Rosinha, natural de Vale de Espinho, é o auto destes versos intitulados «Puema dos Contrabandistas».
Puema dos Contrabandistas
Ó lua que vais tão alta
Diz a quem tu alumias
Alumia os contrabandistas
Que não podem andar de dia
A vida de um contrabandista
É uma vida amargurada
Passa os dias a trabalhar
Chega o dia ai sem nada
Ao passar a ribeira
Os guardas saltam ao caminho
Coitado do contrabandista
Fica sem o carreguinho
Corre corre sem parar
Com os sapatos na mão
Os guardas disparam a arma
Atira o carrego ao chão
Os filhos á sua espera
Pela madrugada
Todos lhe pedem pão
Vira os bolsos não tem nada
Belmiro Rosinha
O meu bem-haja a Belmiro Rosinha pelo poema que quis partilhar com todos os raianos e peço desculpa por me intrometer no final mas… Sinto, a cada passo, que temos medo do nosso passado. Os contrabandistas raianos são outra das nossas grandes marcas. O dialecto quadrazenho, o jogo do truco, os atalhos, as estórias, estão a perder-se pouco a pouco. Felizmente vão aparecendo, aqui e ali, documentos escritos, valiosos contributos para resguardar esta memória colectiva do nosso povo. O meu avô foi contrabandista – dos tempos do volfrâmio ao que me disseram – mas pouco mais sei. Falta cumprir-se a memória física do nosso povo e da nossa dura caminhada. A marca do «contrabando» é valiosa. Pouco ou nada temos feito para a divulgar e promover.
jcl
Não passamos da cepa torta
Através do nosso amigo e colaborador José Manuel Campos, chegou-nos um pequeno texto redigido por um sabugalense que viveu momentos de aflição e que não recebeu quaisquer ajudas, situação que quer denunciar.
No dia 12 do corrente mês de Dezembro de 2008 tive uma grande decepção. Tinha uma vaca prestes a parir e como tinha muita dificuldade no parto decidi recorrer a quem de direito e a quem é entendido na matéria. Desesperado liguei para uns, para outros e ainda para outros, numa roda-viva constante.
Uns Senhores não me atenderam, apesar das muitas insistências, outros atenderam mas não se prestaram a vir-me acudir, dizendo que não tinham disponibilidade.
Fiz o que pude pelo animal, mas faltou a assistência de um especialista.
A vaca pariu mas a cria não se salvou. Fiquei mais pobre e com mais vontade de desistir.
Assim não vamos lá, e mais vale fugir da vida do campo, que cada vez é mais ingrata.
Quem nos acode?!
António Gonçalves Afonso (Vale de Espinho)
Joaquim T. Martins lança livro em Bruxelas
«Viagens na minha infância», livro de memórias de Joaquim Tenreira Martins, natural de Vale de espinho, foi também lançado em Bruxelas, na Livraria Orfeu, pelo Vigário Geral da Guarda, Doutor Alberto Pereira de Matos, que ali foi de propósito para este efeito.
As «viagens na minha infância» andam a viajar de terra em terra. O seu editor, Dr. Joaquim Pinto da Silva, foi sempre de opinião que a primeira viagem deste livro deveria começar pela terra que deu origem à inspiração dos enredos, contos e narrações. Foi por isso que o primeiro lugar de apresentação do livro foi a terra natal do autor, Vale de Espinho, na zona raiana, perto da nascente do Côa, no concelho do Sabugal. Em Agosto, os conterrâneos e amigos puderam, assim, participar com ele nas mesmas viagens pelos montes, cantos, recantos, fontes e fontanários, descer a quelhe da Barreira, ir até Valverde del Fresno ou Navas Frias, subir a Serra das Mesas e da Malcata, à procura do lince ibérico escondido detrás de uma urze ou fugindo, à contrabandista, (ó pernas para que te quero!) dos guardas fiscais e carabineiros.
O Dr. Pinto da Silva não pretende que estas viagens terminem e, desta vez, quis apresentá-las, em Bruxelas, segunda terra natal do autor, no dia 29 de Novembro, na sua própria livraria, – a Livraria Orfeu – o centro cultural dos portugueses na capital da Europa.
A memória constitui um elemento importante para actualizar as lembranças e as recordações da infância de cada um. Por isso, apresentar, através do «Viagens na minha infância», um ambiente rural e muito local, a pessoas que quotidianamente vivem num mundo citadino, europeu, longe de Portugal, numa globalização invasiva, é transmitir ao vivo um pouco do Portugal exótico, enternecedor, fascinante, sonhador, que muitos gostariam de ter vivido.
O autor convidou para a apresentação das suas memórias romanescas um colega e amigo de infância e juventude nos seminários do Fundão e da Guarda, o Doutor Alberto Pereira de Matos, actual Vigário Geral da Diocese da Guarda, que muito nos honrou com a sua presença e erudição. Homem da igreja e do saber, falou de pé perante uma assistência interessada, numa tarde cinzenta mas muito calorosa, rodeado de livros e de uma numerosa assistência, na Livraria Orfeu, em Bruxelas, onde esteve também presente o antropólogo João Fatela, autor do prefácio. Pereira de Matos considerou o livro uma bela obra literária, povoada de contos, de tradições e de ambientes que envolveram os primeiros tempos do autor, umas vezes para o ajudarem a crescer e outras para o tolherem de medo, tal como acontecia quando os nossos pais nos contavam os contos antes de adormecer, para continuarmos a sonhar com a imagens e as palavras até ao dia seguinte.
A apresentação do Doutor Pereira de Matos deixou na assistência vontade de iniciar a viagem da leitura até ao país da infância de Joaquim Tenreira Martins. Também ficou no ar a curiosidade de verificar se as infâncias são ou não semelhantes, embora vividas em latitudes diferentes.
No final, o autor apresentou um texto sobre o «elogio da infância e da fragilidade» e a problemática de escrever no estrangeiro, fora do torrão da mãe pátria, em que a escrita é também um acto de salvaguarda da língua da nossa infância para estear o nosso equilíbrio psíquico e resistir num ambiente que não é o nosso. No estrangeiro, onde pouco se fala a língua da infância, falta-nos o terreno da nossa própria língua. Neste frágil contexto, compreende-se melhor a expressão de Fernando Pessoa – «a minha pátria é a língua portuguesa». Já não se tem a pátria da nossa língua. Vive-se no exílio das suas próprias palavras.
J.d V.
Viagem à infância de Joaquim Tenreira Martins
«Viagens na minha infância» é um livro da autoria de Joaquim Tenreira Martins, recentemente editado, o qual conta episódios romanceados da infância do autor em Vale de Espinho, terra raiana pegada a Espanha.
É um livro de afectos, que nos fala de um tempo antigo. O tempo da infância do autor, que nasceu e cresceu numa aldeia da raia sabugalense, onde se vivia com dificuldades, nas no seio de uma família feliz, inserida numa comunidade solidária.
Ler este livro, muito bem escrito e organizado, não leva apenas ao conhecimento de aspectos da meninice do seu autor. Ler e folhear as suas páginas, é sobretudo uma viagem ao ambiente comunitário de uma aldeia serrana nos anos 50 do século XX, vendo tudo na perspectiva de uma criança. Ali está bem patente o amor e a admiração pelo pai alfaiate, mestre empenhado em seu afazer quotidiano, condescendente com os aprendizes, justo nos meandros do negócio, corajoso perante as adversidades, sensível para aqueles que não tinham posses e queriam casar com um fato novo.
O livro também viaja pelos mitos e os medos da meninice da altura, onde campeavam as bruxas, os lobos e os ciganos. Também há a referência aos homens que serviram de exemplo ao jovem valdespinhense no seu trajecto. Homens que lhe ficaram na memória pelo seu saber, pela argúcia na vida, pela honestidade e integridade. Depois, o livro embrenha-se na descrição de algumas tradições aldeãs. Tudo pela observação do menino que foi crescendo entre outras crianças e os adultos, numa vida plena de emoções e de sentimentos.
Os textos sobre as tradições do povo são valiosos quadros etnográficos, com a originalidade de se apresentarem sob a perspectiva de uma criança interessada e observadora. Destaque para a descrição de uma matança, no texto intitulado «O cuchillo de meu avô», em que o jovem se arrepiava ao ver o facalhão enterrar-se na carne do porco, que grunhia desesperado enquanto o jorro de sangue era apulado para uma barranha. A crueldade da matança era porém compensada com as iguarias que nesse dia se comiam á mesa, onde não faltava a passarinha, pedaço de carne que por tradição pertencia aos garotos e que o avô, num repente, atirava ao ar dizendo: «Agarra a passarinha».
Um livro que merece a pena ler, porque verdadeiramente revelador das formas de vida na aldeia raiana, reportando a um tempo passado que deixou marcas que não podemos apagar.
Pode ser adquirido na Casa do Castelo, no Sabugal.
plb
Actividade autárquica em Vale de Espinho
Publicamos, sem mais comentários, a acta da Assembleia de Freguesia de Vale de Espinho, concelho do Sabugal, realizada no dia 1 de Junho de 2008.
«Acta n.º 2/2008
Reunião ordinária de 1 de Junho de 2008
Aos um de Junho do ano de dois mil e oito, reuniu em sessão ordinária, na sede da Junta de Freguesia de Vale de Espinho a Assembleia de Freguesia com a seguinte ordem de trabalhos:
ponto um – período antes da ordem do dia; ponto dois – período da ordem do dia; ponto três – assuntos diversos de interesse à Freguesia; ponto quatro – intervenção do público.
Verificando-se a falta do Presidente da Assembleia de Freguesia, Gersão Pascoal Malhadas; do primeiro secretário, António Manuel Afonso Mendes; do segundo secretário, João José Lourenço Lucas e do vogal, Ricardo Pires Andrade, por se encontrarem em França em trabalhos de contratos.
Assim sendo teve de ser constituída a mesa add-hoc com os três elementos que fazem parte da Assembleia de Freguesia: Palmira Santos Luís, Mário Lourenço Afonso, Serafim Afonso Pires, mais a suplente, Isabel Leal Campinhas, para que a Assembleia tivesse quorum.
De seguida procedeu-se á votação secreta para que a mesa da Assembleia fosse constituída, cabendo á senhora Palmira Santos Luís para presidente, ao senhor Mário Lourenço Afonso para primeiro secretário e ao senhor Serafim Afonso Pires para segundo secretário.
Deu-se assim início á ordem de trabalhos como constava na convocatória feita pelo senhor Presidente da Assembleia Geral, Gersão Pascoal Malhadas, para se debaterem os pontos acima mencionados. Depois de saudar os presentes a Senhora Presidente da Assembleia, começou pelo primeiro ponto para inscrições. Não se tendo inscrito ninguém, transitou-se ao período da ordem do dia que englobou os assuntos de interesse á freguesia.
Seguidamente neste último ponto a senhora Presidente da Assembleia de Freguesia abordou o assunto do espaço onde se encontram as figuras decorativas dos leões, junto do chafariz á beira da estrada. Depois de discutido o assunto foi votado. O voto secreto respondia á pergunta «Na estrada municipal, o espaço onde se encontram as figuras decorativas, os leões, é de domínio público?» Os quatro votantes responderam «Não». Mesmo sendo voto secreto o senhor Mário fez questão de justificar o seu não afirmando que sempre ouvira dizer que o tal espaço era da Berta.
No ponto quatro houve a intervenção do público. Os senhores José Manuel dos Santos Pinheiro e João Fernandes Mendes também afirmaram que sempre ouviram dizer que o espaço era da Berta.
Não havendo mais nada a tratar deu-se por finda esta reunião e encerrada esta acta, a qual vai ser assinada pela senhora Presidente da Assembleia de Freguesia, primeiro e segundo secretário.
A Presidente: Palmira Santos Luís
1.º Secretário: Mário Lourenço Afonso
2.º Secretário: Serafim Afonso Pires»
Nota: As autarquias locais existentes – freguesia e município – estão constitucionalmente previstas e dispõem, para a eficaz prossecução dos seus objectivos, de património, finanças, receitas, poder regulamentar e quadros de pessoal próprios. Os órgãos representativos da freguesia são a assembleia de freguesia e a junta de freguesia. A primeira é um órgão colegial com poderes deliberativos e a segunda, igualmente plural, o órgão executivo. Nas freguesias com 150 eleitores ou menos, a assembleia é substituída pelo plenário dos cidadãos eleitores. Os órgãos representativos do município são a assembleia municipal e a câmara municipal, o primeiro com poderes deliberativos e o segundo, responsável perante aquele, com poderes executivos.
jcl
Vale de Espinho acolhe iniciativas culturais
Duas iniciativas culturais importantes vão ter lugar na próxima quinta-feira, dia 14 de Agosto, na Casa do Povo, em Vale de Espinho, freguesia arraiana do concelho do Sabugal.
Uma é a apresentação do livro «Viagens na Minha Infância – Lembranças Romanescas» do natural desta mesma aldeia arraiana, Joaquim Tenreira Martins.
A outra á a criação da editora luso-espanhola Côa-Águeda, com sede provisória nos Fóios e em Ciudad Rodrigo, na Espanha.
Joaquim Tenreira Martins retomou o painel de azulejos de Sacavém, que se encontra no Fontanário do campanário de Vale de Espinho, com uma cena infantil escolar, datado de 1936, para colocar na capa do seu livro.
O livro consta de 19 capítulos – o autor tem horror aos números redondos! Cada um apresenta-se como uma espécie de conto, que tanto pode ser lido por crianças, como por pessoas de idade.
Há jovens que o estão a ler e o curioso é que se sentem obrigados a esclarecer com os pais as tradições, os costumes, os lugares, os antepassados. Cria-se com o livro um diálogo entre gerações, à volta de uma aldeia raiana dos meados do século passado.
No final da obra insere-se um glossário com cerca de mil vocábulos. A maior parte das palavras nem vêm sequer no dicionário, mas continuam a ser usadas pelos naturais de Vale de Espinho e arredores. É tempo dos investigadores linguistas se debruçarem sobre este linguarejar raiano-beirão e o inserirem nos seus dicionários.
Pela mesma ocasião, será anunciada a criação da editora Côa-Águeda, com a sua plataforma que tem por lema «Da cultura para o desenvolvimento» – já de si um verdadeiro programa! Através da Côa-Águeda, os seus fundadores, espanhóis e portugueses, pretendem fazer um apelo aos seus filhos dispersos um pouco por toda a parte para que as suas ficções artísticas e literárias possam ser publicadas na terra onde nasceram e irradiar a partir daqui. Á semelhança do que aconteceu na pequena aldeia de Fóios, que tem uma plêiade de escritores, qual deles o mais valioso, e que não conseguiu editor para os seus manuscritos, também o mesmo se passará noutras terras do interior. A editora Côa-Águeda abre-lhes agora as suas portas.
O interior é motivo de inspiração para todo o domínio artístico. As artes precisam de sossego, de paz, de espaços livres e de horizontes a perder de vista. A raia beirã e a sua congénere espanhola é um oásis onde a natureza é mãe e rainha. Portugal está virado unicamente para Lisboa. Ela é o centro, o resto é o interior.
A fundação da Côa-Águeda é uma atitude de protesto e de apelo a todos os que pretendem modificar este estado de coisas.
Como dizia Miguel Torga, «pode ser que o exemplo seja seguido, e o êxodo, que empobreceu a nação comece a fazer-se em sentido inverso, e as nossas misérias e tristezas mudem de fisionomia porque Portugal necessita urgentemente de ser repovoado».
A editora Côa-Águeda nasce de mãos dadas com uma outra editora sediada no Porto, O Progresso da Foz, que, paralelamente à sua actividade editorial, tem um interessante passado cultural, literário e jornalístico.
Neste contexto, tivemos a preciosa colaboração do editor, Dr. Joaquim Pinto da Silva, director do Progresso da Foz, que numa atitude cívica fora do vulgar nos abriu as portas para que este sonho se tornasse realidade.
J.V.
«Viagens na minha infância» encantam antropólogo
Joaquim Tenreira Martins espera que o lançamento do seu livro – «Viagens na minha infância – lembranças romanescas» – no próximo dia 14 de Agosto, na sua terra natal – Vale de Espinho – possa ser um revelador das muitas riquezas que durante anos ficaram escondidas no subconsciente de cada um de nós. O que durante a infância se viveu numa aldeia ou em qualquer outro lugar nunca mais se esquece.
Mesmo que a acção narrativa do «Viagens da minha infância» se situe há mais de 50 anos, a maior parte dos temas ligados à infância estão ali. O autor aborda-os de maneira romanesca o que dá todo o encanto aos enredos. Foi por isso que este enfoque do livro apaixonou tanto o Psicólogo e Antropólogo João Fatela, a viver em Paris, e que não hesitou em prefaciá-lo, em termos bastante elogiosos.
O primeiro tema da infância que o autor aborda é o do pai. É um tema universal, mas fundamental. É ele o modelo para toda a nossa vida. É ele que forma a nossa personalidade, o nosso inconsciente como diriam os psicanalistas. O pai – o pai do autor – perpasse também toda a acção narrativa. Ele é o artesão, o alfaiate, o animador de charlas, na sua alfaiataria, onde se forma a juventude através de discussões vivas entre aprendizes e estudantes do liceu ou da universidade que, durante o Verão, nem sabiam onde passar o tempo. Ainda hoje, já homens, e bem colocados na vida, afirmam terem ali passado as férias mais maravilhosas da sua vida.
Era assim mesmo, porque o tema da maravilha e do encanto continua neste livro, através de vários contos onde aparecem os medos que tanto aterrorizam as crianças. Adultos que nós somos, já nem nos lembramos daquilo que padecemos quando éramos pequenos. Histórias de lobos e de lobisomens que vinham até ao povoado ou que andavam à espreita nos campos quando acompanhávamos os nosso pais ou os irmãos mais velhos, não deixavam sossegado o nosso espírito de crianças. Também os anjos maléficos, invisíveis e sempre prontos a fazer patifarias e a deter o poder de vida ou de morte de todas as pessoas da aldeia, eram imagens terrificantes e presentes no nosso espírito.
A descrição dos mitos da castração e da sexualidade não são esquecidos neste livro, através de contos e de episódios que certamente aconteceram com todos nós, no nosso tempo de crianças.
Que outras coisas poderiam ocupar a cabeça de um pequenote? Certamente a saúde, o receio de ficar sozinho no mundo e de perder os entes queridos. Lá aparece então a figura do médico que era fundamental na vida de uma aldeia, e que se deslocava não para as pessoas que estavam doentes, mas para as que estavam a morrer, porque, para as doenças do dia a dia, lá estavam as avós com as sua mezinhas, por vezes mais eficazes que as receitas médicas de qualquer doutor de Coimbra ou de Salamanca.
Para os maus-olhados, o ar da ribeira, a má-hora, o vento da serra ou a má-sorte, existiam as bruxas e as bentas que sabiam, mais que qualquer psiquiatra, falar às pessoas, olhar para elas no mais profundo do seu ser, ouvi-las, invocar o sobrenatural e fazer-lhes todas as rezas e benzeduras do mundo para que o poder divino pudesse passar para o doente, curando-o de todos os males corporais e espirituais.
J.V.
Lançamento de livro e criação de editora
No dia 14 de Agosto, em Vale de Espinho, na Casa do Povo, pelas 17 horas, será feito o lançamento do livro «Viagens na minha infância – Lembranças romanescas», escrito por Joaquim Tenreira Martins, natural desta terra raiana, em presença de familiares, personalidades portuguesas e espanholas e de amigos provenientes de várias regiões do país.
Pela mesma ocasião, será apresentada a criação da editora Côa-Águeda, com sede provisória no Centro Cívico de Fóios, que, em parceria com a editora O Progresso da Foz, do Porto, pretende dar uma achega ao desenvolvimento desta zona raiana portuguesa e espanhola, através da edição de livros escritos pelas gentes de valor dispersas um pouco por toda a parte.
O livro «Viagens na minha infância – Lembranças romanescas» de Joaquim Tenreira Martins, com o prefácio de João Fatela, será o primeiro das edições Côa-Águeda, esperando que outros autores naturais ou adoptivos desta zona raiana portuguesa e espanhola possam publicar nela as suas obras no capítulo da escrita, seja ela de ficção ou ensaística.
A publicação interessará certamente jovens e pessoas de mais idade. Em companhia calorosa de seu pai, o autor descreve-nos o ambiente fascinante de uma aldeia de há 50 anos, através do olhar admirativo e maravilhado de uma criança.
Os mais idosos recordarão tradições horizontes, lugares, pessoas que nos moldaram ao longo da nossa vida e que continuam a viver connosco onde quer que estejamos.
Para os mais novos a história leva-os para uma ambiente digno de Harry Potter. Não faltam histórias de bruxas, de lobisomens, de anjos maléficos, de senhoras da má-hora, de lobos e de outros medos de carácter universal que também perpassavam naquela aldeia.
O autor, juntamente com o editor, Joaquim Pinto da Silva, escolheram esta altura de Verão em que naturais de Vale de Espinho, provenientes dos mais variados cantos de Portugal e do estrangeiro, se encontram na terra. É o momento de lembrar tradições, que, quer queiramos quer não, construíram o nosso imaginário e nos ajudaram a viver.
No final do livro o autor insere um glossário de perto de mil palavras típicas desta aldeia do interior raiana que ou não se encontram ainda no dicionário ou têm aqui um sentido diferente.
Alguns dados sobre o autor
Joaquim José Tenreira Martins nasceu em 1945, em Vale de Espinho, Concelho de Sabugal, zona raiana, perto da nascente do Côa e da Serra da Malcata.
Fixou-se na Bélgica em 1972 onde fez estudos de Assistente Social. Concluiu a Licenciatura em Ciências Políticas (Universidade Católica de Lovaina) e posteriormente a Maîtrise em Direito (Universidades de Lovaina e de Lille). Foi Professor de português, durante dez anos no ISCID (Institut Supérieur de Commerce International de Dunkerke, Universidade do Litoral, França).
Trabalha no Serviço Social e Jurídico da Embaixada de Portugal em Bruxelas, mas o seu ambiente familiar é essencialmente belga.
Casado, pai de 3 filhas, foi a sua mulher, belga, que lhe sugeriu a ideia de transpor em livro o ambiente da sua infância, esperando que a língua paterna possa também ser transmitida e saboreada pelos seus, na falta de serões, como nos seus tempos de menino.
Joaquim Tenreira Martins
Equipamentos sociais nas freguesias do Sabugal (2)
Vale de Espinho – Após Quadrazais a reportagem sobre equipamentos sociais nas freguesias do Sabugal continuou na freguesia de Vale de Espinho. O calendário marcava 25 de Abril, dia da Liberdade. O relógio confirmava que a hora de almoço ainda vinha longe…

Mesmo arriscando a possibilidade de alguma falta de rigor na terminologia técnico-camarária voltamos a focar a nossa reportagem nos equipamentos públicos nas freguesias efectuados pelas Juntas por delegação de competências, transferência de verbas e apoios do executivo camarário.
À chegada a Vale de Espinho o Sol aquecia a manhã hospitaleira e sem vento. No amplo espaço central junto ao Centro Social e Paroquial de São José sente-se, nos olhos dos idosos que estão no passeio, uma curiosidade própria das aldeias raianas. A calma matinal estava irremediavelmente alterada pela presença da máquina fotográfica.
Foram intervencionados pela Junta de Freguesia de Vale de Espinho presidida por Carlos Augusto Lopes Valente (eleito como independente) dois espaços distintos e feito o enquadramento urbanístico e paisagístico do enorme e desafogado largo.
Destaca-se na encosta ajardinada o altar com a imagem granítica de Senhora de Fátima que tem a 13 de Maio honras de festa na aldeia.
Com obras de melhoramentos na sua maior parte datadas de 2005 são visíveis o polidesportivo, os palcos para festas e bailaricos, os balneários, os sanitários públicos, a paragem do autocarro e o espaço polivalente da sede da Junta de freguesia com os seus mastros vigilantes.
Espaços recuperados com preocupação evidente pelo enquadramento paisagístico e com as paredes cor de neve dos edifícios sociais a transmitirem paz e tranquilidade ao visitante.
A Vale de Espinho chega-se pela Estrada Municipal n.º 538 que liga a freguesia a Quadrazais e os Fóios. Em tempos que já lá vão a aldeia contava com mais de três mil habitantes mas o censo de 2001 apenas registou 512 habitantes num limite com 38,15 quilómetros de área.
jcl
Montanhistas da Guarda atravessam a Malcata
O Clube de Montanhismo da Guarda (CMG) realiza, nos dias 17 e 18 de Novembro, a «Travessia da Serra da Malcata», iniciativa que ligará a Meimoa a Vale de Espinho.
O clube guardense considera a caminhada pela Serra da Malcata uma actividade bastante difícil e exigente. A distância a percorrer é muito longa e o desnível é acentuado, pelo que avisou os participantes da necessidade de terem uma boa condição física e alguma experiência neste tipo de travessias. Além do mais os caminheiros devem ser autónomos, avançando por sua conta e risco, sem necessitarem de ajudas de terceiros para se movimentarem.
O primeiro percurso realiza-se no dia 17, sábado, ligando a Meimoa, concelho de Penamacor, à Quinta do Major, passando pelo marco geodésico no alto da serra. No segundo dia, domingo, os caminheiros partem em direcção ao Cabeço do Clérigo, passam pelo Coxino e chegarão a Vale de Espinho, já no concelho do Sabugal.
As inscrições para a caminhada, que terminam dia 14, serão de 5 euros para sócios e 10 para não sócios.
O CMG foi fundado em 1981 com o objectivo de introduzir na região da Guarda uma actividade desportiva completamente nova para os habitantes da região, o montanhismo, aproveitando as extraordinárias condições naturais para a sua prática. Até hoje, o CMG organizou cerca de 300 actividades, ocupou mais de mil e 400 dias a praticar montanhismo, totalizando um número superior a 20 mil pessoas que se inscreveram nas suas actividades.
plb
Correio dos leitores (Vale de Espinho)
A Internet tem destas coisas. Recebemos da Argentina uma mensagem que decidimos partilhar com todos os que nos leêm.
From: joaquin nicolau
To: capeia arraiana
Subject: Hijo de portugeses
Vivo al norte de la patagonia Argentina. Mis padres y dos de mis hermanos nacieron en Vale de Espinho. Mi padre me conto muchas cosas de allí, vino a la Argentina en el año 1954, tengo 46 años, y pienso que algún dia podré ir a visitar la tierra que vio nacer a parte de mi familia. En un rincon de mi corazón tengo el color verde y rojo encarnado, que son los colores de mi
patria madre..
ADEUS.
joaquín alberto nicolau
Aqui ficam os desejos e os sentimentos de um argentino descendente de portugueses naturais da freguesia de Vale de Espinho no concelho do Sabugal.
Quem sabe se na volta do correio não recebe um grande abraço de familiares radicados do lado de cá do Atlântico.
jcl
Confraria de N.ª Sr.ª do Carmo de Alfaiates
A Confraria de Nossa Senhora do Carmo de Alfaiates foi talvez a mais importante das muitas em que as nossas paróquias abundaram.
Nossa Senhora do Carmo, ou do Monte Carmelo, tem festa na Igreja, e solenidade nas Ordens Carmelitas (Calçadas e Descalças) no dia 16 de Julho. Os Frades Carmelitas estabeleceram-se em Portugal no século XIII, mas o seu convento mais importante só foi criado no século XV, em Lisboa, por Nuno Álvares Pereira.
Pouco ou quase nada se expandiram para o Interior, sendo Coimbra uma das comunidades mais importantes a Norte. No entanto, de Espanha recebia-se na Raia considerável influência carmelita, sobretudo das reformas descalças do século XVI, com o prestígio de Teresa de Jesus e de João da Cruz.
Populares se tornaram então as Confrarias do Carmo, mesmo em povoações onde os Frades não tinham residência. Acontece que o hábito carmelita envolve um escapulário (faixa de pano burel de enfiar pelo pescoço, com duas abas) acerca do qual no tempo do Papa João XXIII, se criou a piedosa lenda segundo a qual Nossa Senhora lhe tinha prometido que, quem usasse o escapulário e morresse em graça, ela com o Filho levariam do purgatório para o Céu quem morresse nessas condições, logo no primeiro sábado após a morte. Era o famoso privilégio sabatino, uma espécie de apólice de seguro para ir para o Céu.
A piedade popular aderiu. Em Alfaiates fundou-se, bem cedo, uma Confraria, talvez a mais importante da Raia, com irmãos em quase todas as paróquias, que pagavam quota anual, e usavam o escapulário na vida e na morte.
Ainda existirá essa Confraria?
«Carta Dominical» de Pinharanda Gomes
pinharandagomes@gmail.com

































































