Category Archives: Tesouros Gastronómicos Beiras

José Carlos Lages - Capeia Arraiana - Orelha

Na Quarta-feira os Dias criam tesouros gastronómicos

Os celtas chamaram-lhe Ebora. Júlio César homenageou a cidade elevando-a à categoria de município com o título honorífico de Ebora Liberalitas Julia, por lhe ter sido fiel durante a Guerra Civil em que andou envolvido com Pompeu. Em 1986 a UNESCO classificou-a como Património Comum da Humanidade. A cidade de Évora é a rainha do Alentejo, terra de planícies a perder de vista pintadas de dourado com o horizonte recortado por sobreiros e oliveiras. No perímetro urbano delimitado pelas muralhas quinhentistas o centro histórico de Évora não deixa ninguém indiferente. A Sé Catedral de Évora e o Templo Romano dedicado a Diana, deusa da caça, são ponto de partida para demorados passeios pelas estreitas ruas medievais decoradas com rasteiras casas caiadas de branco e rodapé amarelo torrado. E é precisamente na Rua do Inverno, escondida no labirinto das ruelas empedradas que está guardado o mais fascinante e precioso tesouro gastronómico de Évora… a Taberna Típica da Quarta-feira.

Taberna Típica Quarta-Feira - Évora - José Dias - Capeia Arraiana

Na Taberna Típica Quarta-Feira, em Évora

PhotoDestaque - © Capeia Arraiana

Poiares Maduro no Restaurante Robalo

:: PHOTODESTAQUE :: MINISTRO POIARES MADURO NO RESTAURANTE ROBALO DO SABUGAL :: Há imagens históricas e há momentos que valem por mil palavras. Contudo todas as imagens merecem uma legenda. Envie-nos as suas fotografias que seleccionar para possível publicação para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com

PhotoDestaque - João Carlos Robalo e o ministro Poiares Maduro junto à grelha do Restaurante Robalo - Capeia Arraiana
Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

O bucho triunfou no Sabugal

Cinco anos após a criação da Confraria do Bucho Raiano, o bucho venceu em toda a linha, tornando-se a imagem de marca da gastronomia sabugalense.

A marca «bucho raiano» é um sinal que identifica a essência de um território gastronómico

A marca «bucho raiano» é um sinal que identifica a essência de um território gastronómico

Casa d`Irene – Malpartida – Almeida (1)

Tesouros Gastronómicos das Beiras - Capeia Arraiana

«Casa d`Irene» é o primeiro fascículo de um nova categoria do Capeia Arraiana denominada «Tesouros Gastronómicos das Beiras». Estes fascículos vão destacar espaços gastronómicos de eleição privilegiando as regiões raianas das Beiras. A «Casa d`Irene» está situada no Largo do Almo, na aldeia de Malpartida, no concelho de Almeida. É um acolhedor espaço familiar de comida tradicional gerido pela simpática Dona Irene onde o polvo e o bacalhau no forno reinam, bem longe dos mares, nas terras raianas de Almeida.

Casa Irene - Malpartida - Almeida

Almeida é uma das Aldeias Históricas de Portugal e sede de um concelho subdivido em 29 freguesias que tem como vizinhos Figueira de Castelo Rodrigo, Guarda, Pinhel, Sabugal e Espanha. Avistada do ar apresenta o aspecto único de uma estrela mágica de 12 pontas que parece ter sido desenhada por seres extra-terrestres. Antes de passar pela porta de São Francisco o fosso que rodeia as muralhas surpreende os visitantes pela largura e pelo estado de conservação e limpeza extensível, aliás, a todo o centro histórico. O esmero e cuidado colocados pela autarquia na requalificação e manutenção das praças, ruas e ruelas permite fotografias para bilhetes postais mas… sem pessoas. Almeida é uma fortaleza que faz lembrar o cenário de um filme sobre as invasões francesas onde todos os figurantes saíram para ir almoçar…

…E para almoçar a escolha recai sobre a «Casa d`Irene», que fica ali bem perto no largo principal de Malpartida, terra com cerca de 100 eleitores. A proprietária e cozinheira, Irene Frias, nasceu na aldeia. Andou 10 anos por terras de França até decidir regressar para que a sua filha frequentasse a escola em Portugal.
Voltou nos anos 80, investiu na sua terra, adaptando uma casa de lavoura a minimercado e café e posteriormente «acrescentou» o restaurante quando abriram umas pedreiras na zona e os trabalhadores não tinham nada por perto para tomar as refeições.
«Alguns anos depois quando as pedreiras fecharam passei momentos difíceis», recorda Irene Frias reconhecendo que o alcatroamento da estrada – há cerca de seis anos – entre Almeida e Malpartida lhe deu um novo ânimo porque «com água vive-se no deserto». «A Câmara de Almeida e o presidente Baptista têm sido impecáveis no apoio ao meu restaurante», faz questão de afirmar.
«Nesse tempo não passava praticamente ninguém mas – nunca me esquecerei – um dia, uma quarta-feira, entrou pela porta o dono da empresa que andava a arranjar a estrada e perguntou-me o que havia para almoçar. Cozido à portuguesa, respondi-lhe. – Então somos quatro! – No dia seguinte vieram cerca de 20 e a partir desse dia nunca mais parou. Foram dizendo uns aos outros», recorda.
Irene Frias não tinha experiência profissional de cozinha mas confessa que aproveitou muito do que aprendeu com a mãe. «Costumo dizer que devemos dar valor ao que temos. Faço umas batatas à pobre com nabos refogados e carnes grelhadas iguais às que comia em casa quando era criança que ficam uma delícia. Claro que os tempos são outros e a fartura é outra. Mas o sabor das minhas origens está lá».
– O polvo e o bacalhau são reis na ementa da sua casa…
– Temos entradas de fumeiro, chouriças e buchos cortados aos bocadinhos, morcela doce com marmelo ou maça reineta, batatas compostas na frigideira e migas com bacalhau cozido e desfiado. O polvo e o bacalhau são tradições natalícias em toda a região da Guarda mesmo nas casas mais humildes. Adaptei os pratos porque, como não havia electricidade, mesmo o polvo chegava salgado. O polvo e o bacalhau no forno são as duas especialidades que temos por marcação. Também trabalhamos muito com o cabrito na brasa para quem chega e tem pouco tempo para comer. E aconselhamos o cozido à portuguesa e os peixinhos de escabeche, muito típicos da nossa região. Os pratos vão acompanhando a época do ano, como por exemplo, favas com presunto, bacalhau frito com arroz malandrinho… Estamos sempre a variar. Recebemos peixe fresco de Aveiro e as carnes são de produtores da região.
– Falta falar das sobremesas…
– Temos arroz doce e leite creme, porque não gosto muito de trabalhar com natas. Para aproveitar as claras faço as farófias e o doce de maça ou de marmelo quando é o tempo dele.
– Estão abertos ao domingo…
– Sim. Aliás abrimos todos os dias. Como é que faço isso? É uma questão de mentalidade. Abrimos todos os dias do ano. Quando foi no princípio custou-me muito adaptar-me a não ter férias nem fins-de-semana. Tenho três empregadas jovens e como já não sei fazer outra coisa a não ser trabalhar…
– Como define a Casa d`Irene?
– É uma casinha. No minimercado aqui ao lado – a que gosto de chamar a minha despensa organizada – podia fazer mais uma sala mas prefiro manter o espaço como está. Uma casinha. Um grupo que veio cá comer um dia entendeu voltar e oferecer-me uma moldura com uma declaração de qualidade assinada por todos. A minha melhor promoção são os meus clientes.
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Casa d`Irene – Largo de Almo – Malpartida – Almeida
Horário: Aberto todos os dias do ano
Tel.: 271 574 254
GPS: Latitude, 40°45’34.27″N – Longitude, 6°52’7.60″W
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Casa d`Irene, em Malpartida, uma agradável e saborosa surpresa. Um dos tesouros gastronómicos das Beiras.
jcl

Casa d`Irene – Malpartida – Almeida (2)

A «Casa d`Irene» está situada no Largo do Almo, na aldeia de Malpartida, no concelho de Almeida e é um acolhedor espaço familiar de comida tradicional gerido pela simpática Dona Irene. O polvo e o bacalhau no forno reinam, bem longe dos mares, nas terras raianas de Almeida.

GALERIA DE IMAGENS – CASA D`IRENE
Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar

jcl