Category Archives: Pousafoles do Bispo

Câmara Municipal Sabugal - © Capeia Arraiana

Contratações e ajustes no Município do Sabugal (56)

O Capeia Arraiana está a publicar as contratações da Câmara Municipal do Sabugal e de entidades públicas que, por ajuste directo, envolvam o concelho sabugalense desde as eleições autárquicas de Setembro de 2013 até Setembro de 2017. As regras da contratação pública previstas no Código dos Contratos Públicos aplicam-se a todo o sector público administrativo tradicional: o Estado, as Autarquias Locais, as Regiões Autónomas, os Institutos Públicos, as Fundações Públicas, as Associações Públicas e as Associações de que façam parte uma ou várias pessoas colectivas referidas anteriormente. :: AGOSTO de 2016 ::

Casa do Castelo - Casa da História Judaica da Raia do Sabugal - Capeia Arraiana

Casa do Castelo – Casa da História Judaica da Raia do Sabugal

Jesué Pinharanda Gomes - Carta Dominical - © Capeia Arraiana

O Centro Católico no concelho do Sabugal em 1918

Há uns bons anos atrás estudámos o movimento social católico entre os anos de 1850-1930, com ênfase na fundação da Associação Católica do Porto (1871), no Centro Católico Português (1917) e na criação ou reorganização de muitas obras dispersas e sem coordenação, na chamada Acção Católica Portuguesa (1933).

D. José Alves Matoso (ao centro) era Bispo da Guarda em 1918

D. José Alves Matoso (ao centro) era Bispo da Guarda em 1918

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Recordar uma vida consagrada

No Ano da Vida Consagrada é bom recordar aqueles que se destacaram na sua ação-missão de servir os outros, principalmente aqueles que já partiram. Em 18 de Maio faria noventa anos o Cónego Mário de Almeida Gonçalves, natural de Pousafoles do Bispo (Sabugal), alguém que da sua vida vocacional fez caminho ao lado dos outros.

Cónego Mário de Almeida Gonçalves

Cónego Mário de Almeida Gonçalves

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

Megalomanias

A Câmara do Sabugal já sabe o que defende para o futuro do concelho: caminhadas e BTT. O resto são megalomanias que não nos levam a lado nenhum.

«Não podemos estar com megalomanias e pensar que vamos conseguir muito mais»

«Não podemos estar com megalomanias e pensar que vamos conseguir muito mais»

Local Visão Tv - © Capeia Arraiana (orelha)

BTT Canonndale por terras do Sabugal

O sexto fórum BTT Canonndale escolheu as terras do Sabugal e contou com a participação de mais de 80 participantes. A prova andou pelos trilhos das terras de Pousafoles do Bispo, Penalobo e Lomba. «A grande aposta do município é nas caminhadas e no BTT, o chamado turismo natureza e deixar-nos de megalomanias como chamar indústrias e essas coisas todas», esclareceu o vereador da Câmara do Sabugal, Amadeu Neves. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagem de Diogo Reis da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana

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Autoria: LocalVisãoTv posted with Galeria de Vídeos Capeia Arraiana

Memórias sobre o Concelho do Sabugal (66)

:: :: A QUARESMA E A PÁSCOA NA ALDEIA :: :: O livro «Terras de Riba-Côa – Memórias sobre o Concelho do Sabugal», escrito há mais de um século por Joaquim Manuel Correia, é a grande monografia do concelho. A obra fala-nos da história, do património, dos usos e dos costumes das nossas terras, pelo que decidimos reproduzir nesta Quadra Pascal a caracterização de como se vivia a Quaresma, com os Passos, a Semana Santa, as Endoenças e a festa da Páscoa das aldeias sabugalenses nos finais do século XIX, altura em que o autor escreveu as «Memórias».

Encenação da paixão e morte de Cristo na aldeia de Ruivós em 2012

Memórias sobre o Concelho do Sabugal (36)

:: :: POUSAFOLES DO BISPO :: :: O livro «Terras de Riba-Côa – Memórias sobre o Concelho do Sabugal», escrito há mais se um século por Joaquim Manuel Correia, é a grande monografia do concelho. A obra fala-nos da história, do património, dos usos e dos costumes das nossas terras, pelo que decidimos reproduzir a caracterização de cada uma das aldeias nos finais do século XIX, altura em que o autor escreveu as «Memórias».

Igreja Matria de Pousafoles do Bispo - Sabugal - Capeia Arraiana

Igreja Matriz de Pousafoles do Bispo – Sabugal

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Os mercados das quintas-feiras

No tempo da Monarquia, as semanas de trabalho eram cortadas pelo meio com a concessão de um dia votado a uma semiparalização das actividades agrícolas. Era à quinta-feira.

O antigo mercado das quintas-feiras na Vila do Touro

O antigo mercado das quintas-feiras na Vila do Touro

Câmara Municipal Sabugal - © Capeia Arraiana

Contratações e ajustes no Município do Sabugal (17)

O Capeia Arraiana está a publicar as contratações da Câmara Municipal do Sabugal e de entidades públicas que, por ajuste directo, envolvam o concelho sabugalense entre Janeiro de 2012 e Dezembro de 2013. As regras da contratação pública previstas no Código dos Contratos Públicos aplicam-se a todo o sector público administrativo tradicional: o Estado, as Autarquias Locais, as Regiões Autónomas, os Institutos Públicos, as Fundações Públicas, as Associações Públicas e as Associações de que façam parte uma ou várias pessoas colectivas referidas anteriormente. :: MAIO de 2013 ::

Censos 1758 - © Capeia Arraiana

Freguesias do concelho do Sabugal em 1758 (22)

:: :: POUSAFOLES DO BISPO :: :: Os manuscritos depositados na Torre do Tombo, em Lisboa, são a resposta a um inquérito censório a todo o reino assinado pelo Marquês de Pombal três anos após o terramoto de 1755. O Capeia Arraiana está a publicar as respostas dos párocos das paróquias das 40 freguesias do concelho do Sabugal agora que, pelo menos 10 das retratadas, vão desaparecer para sempre por obra e graça dos senhores mandantes da troika europeia.

Igreja Matria de Pousafoles do Bispo - Sabugal - Capeia Arraiana

Igreja Matriz de Pousafoles do Bispo – Sabugal

Jesué Pinharanda Gomes - Carta Dominical - © Capeia Arraiana

Gente Nossa – Dr. Manuel Carlos Martins

No feriado de Santo António em Lisboa, que estava deserta, decidi ir até à Avenida da República, só para confirmar o número do prédio, em cujo rés-do-chão se situava uma pastelaria, ou cafetaria, – prédio esse na esquina da Avenida Miguel Bombarda com a Avenida da República, esquina para o estilo oval, com portas em forma de arco. Verifiquei: n.º 37 do lado da Avenida. Já não pude averiguar o nome da Cafetaria, lá instalada há mais de cinquenta anos.

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Poetando – Vale de São Nicolau

«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta dedica um soneto a Vale de São Nicolau, freguesia de Pousafoles do Bispo.

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Poetando – Sobreira

«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta dedica um soneto à Sobreira, freguesia de Pousafoles do Bispo.

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Poetando – Semideiro

«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta dedica um soneto A Semideiro, freguesia de Pousafoles do Bispo.

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Poetando – Quinta de São Domingos

«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta dedica um soneto à Quinta de São Domingos, freguesia de Pousafoles do Bispo.

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Poetando – Lameira de Cima

«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta dedica um soneto à aldeia do Lameira de Cima, freguesia de Pousafoles do Bispo.

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Poetando – Lameira de Baixo

«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta dedica um soneto à aldeia do Lameira de Baixo, freguesia de Pousafoles do Bispo.

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Poetando – Monte Novo

«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta dedica um soneto à aldeia do Monte Novo, freguesia de Pousafoles do Bispo.

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Poetando – Pousafoles do Bispo

«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta dedica um soneto à freguesia de Pousafoles do Bispo. Seguir-se-ão nas próximas semanas sonetos sobre as anexas desta freguesia.

Anuáriio Comercial Portugal - 1942 © Capeia Arraiana

O concelho do Sabugal em 1942 (12)

Continuando a fazer a caracterização do concelho do Sabugal no ano de 1942, com base na 62ª edição do Anuário Comercial de Portugal, vamos agora expor quem eram os agricultores, os proprietários, negociantes e profissionais de duas freguesias do concelho: NAVE, PENALOBO e POUSAFOLES.

PSD e CDS avançam com agregação de freguesias

Os grupos parlamentares do PSD e do CDS apresentaram um projecto de lei com a reorganização administrativa do território cuja discussão em plenário está agendada para a próxima quinta-feira, dia 6 de Dezembro. A iniciativa reproduz a proposta da Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa Territorial.

Concelho do Sabugal - Reforma das Freguesias - 2012 - Mapa Blogue Capeia Arraiana

(clique na imagem para ampliar.)

A proposta dos partidos que suportam o governo aponta para que as freguesias a agregar mantenham a sua existência até às eleições gerais para os órgãos das autarquias locais de 2013, momento em que será eficaz a sua cessação jurídica.
A aprovação do projecto de lei e a sua entrada em vigor implicará que a preparação das listas às eleições autárquicas tenha já em conta as agregações decididas.
Segundo a proposta conjunta PSD/CDS, o concelho do Sabugal ficará com 30 freguesias, menos 10 do que aquelas que actualmente possui, o que resultará da criação de sete novas freguesias por agregação:
– União das Freguesias de Sabugal e Aldeia de Santo António;
– União das freguesias de Santo Estêvão e Moita;
– União das Freguesias de Pousafoles do Bispo, Penalobo e Lomba;
– União das Freguesias de Ruvina, Ruivós e Vale das Éguas.
– União das Freguesias de Seixo de Côa e Valongo;
– União das Freguesias de Aldeia da Ribeira, Vilar Maior e Badamalos;
– União das Freguesias de Lageosa e Forcalhos.
No prazo de 90 dias após a instalação dos órgãos que resultem das eleições, a assembleia de freguesia delibera a localização da sede. Porém, na ausência de deliberação, a localização das sedes das freguesias a agregar no concelho do Sabugal será: Aldeia de Santo António, Santo Estêvão, Pousafoles, Ruvina, Seixo do Côa, Vilar Maior e Lageosa.
Os dois partidos que suportam o governo afirmam que a reforma é um antigo e histórico anseio e que no concreto resulta do memorando de entendimento assinado com a Troika, que determina a redução significativa das autarquias locais. Aumentar a eficiência e reduzir custos são outro dos motivos avançados pelos dois partidos para a reforma.
plb

Sabugal pode ficar com apenas 30 freguesias

A proposta formulada pela Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT) aponta para várias agregações de freguesias no concelho do Sabugal, passando o mesmo das actuais 40 para apenas 30 freguesias.

Concelho do Sabugal - Reforma das Freguesias - 2012 - Mapa Blogue Capeia Arraiana

(clique na imagem para ampliar.)

O Sabugal junta-se a Aldeia de Santo António, passando a constituir uma única freguesia.
O mesmo acontece-se com Santo Estêvão e Moita.
Outra união é entre as freguesias de Pousafoles, Penalobo e Lomba, que se reúnem numa só.
Também Ruvina, Ruivós e Vale das Éguas passam a uma só freguesia.
Seixo de Côa e Valongo juntam-se igualmente, agregando neste caso as duas margens do rio Côa.
Na raia, Aldeia da Ribeira, Vilar Maior e Badamalos também se juntam numa só freguesia.
Lageosa e Forcalhos são as outras duas freguesias da raia que se agregam.
A proposta mexe em todas as 11 freguesias com mesmos de 150 habitantes e ainda na do Sabugal e de Aldeia de Santo António, cuja junção a UTRAT justifica com o facto de serem contíguas, partilharem a albufeira do Sabugal e passarem a, juntas, perfazerem 2741 habitantes, reforçando assim demograficamente a sede do concelho.
Nas restantes agregações a UTRAT justifica-se com a homogeneidade do território, com a existência de legações rodoviárias directas, a pouca distância entre os agregados populacionais e a criação de um maior equilíbrio demográfico.
Recorda-se que a Assembleia Municipal do Sabugal se pronunciou contra a reorganização administrativa do território do concelho.
plb

CDS pode candidatar Victor Cavaleiro no Sabugal

O vice-reitor da Universidade da Beira Interior, Victor Cavaleiro, pode vir a ser o candidato do CDS ao Município do Sabugal.

Victor Cavaleiro parece estar disponível para liderar uma candidatura do CDS à Câmara Municipal do Sabugal nas eleições autárquicas de Outubro de 2013.
Capeia Arraiana apurou que o professor universitário, já terá conversado com o presidente da Câmara, António Robalo, sondando-o acerca de uma eventual coligação PSD/CDS. Não há ainda resposta para essa eventualidade, mas se não houver acordo Victor Cavaleiro parece estar disposto a avançar pelo CDS.
Doutor em Engenharia Civil e mestre em Geologia Aplicada, Victor Manuel Pissarra Cavaleiro, de 58 anos, é natural de Pousafoles do Bispo, concelho do Sabugal. É o actual Vice-Reitor da UBI e director do Centro de Formação e Interacção daquela Universidade, sendo ainda docente do Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura.
Nas eleições de 2009 o CDS apresentou a sufrágio Ana Isabel Charters, de Sortelha, obtendo apenas 212 votos, que corresponderam a 2,18% do total.
plb

Feiras e mercados do concelho do Sabugal

A Câmara Municipal aprovou o plano anual de mercados e feiras a decorrer no concelho do Sabugal durante o presente ano de 2012. Muitas terras de pequena dimensão, em termos de moradores permanentes, conseguem manter o seu mercado mensal e a sua feira de ano, demonstrando por essa via a sua vitalidade.

Feiras (chamadas feiras de ano), por terem data de realização todos os anos e não mensalmente, como sucede com os mercados:
Badamalos: 24 de Agosto.
Casteleiro: 10 de Fevereiro, 10 de Maio e 10 de Novembro.
Quadrazais: segundo domingo de Agosto.
Rebolosa: 25 de Novembro.
Ruivós: segundo fim-de-semana de Março.
Ruvina: segunda-feira de Pascoela.
Sabugal: 29 de Junho.
Santo Estêvão: 15 de Março e 25 de Setembro.
Soito: primeiro domingo de Agosto.
Vilar Maior: 17 de Agosto.

Mercados, de realização mensal:
Aldeia do Bispo: primeira terça-feira.
Aldeia da Ponte: primeira segunda-feira.
Alfaiates: segunda quinta-feira.
Bendada: dia 12 de cada mês e às quartas-feiras entre os dias 22 e 29.
Bismula: último dia do mês.
Casteleiro: dia 10 de cada mês.
Fóios: último sábado.
Pousafoles do Bispo: segundo domingo.
Sabugal: primeira quinta-feira e terceira terça-feira.
Santo Estêvão: última quinta-feira.
Soito: quarta terça-feira.
Vale de Espinho: segundo sábado.
Vila do Touro: terceira quinta-feira

Os mercados e as feiras são sinais de vitalidade para a sede de concelho e para as freguesias que ainda os conseguem manter. Para além disso são geralmente de grande utilidade para as pessoas, que assim têm à porta um conjunto de bens essenciais que doutra forma teriam que ir comprar longe.
plb

Ecos do funeral do Cónego Mário A. Gonçalves

Há momentos na vida que esta devia fazer uma paragem, por diversos circunstancialismos. Assistir ao funeral do Padre Mário, no Fundão devia ser um desses momentos, mas é assim este ciclo. Senti-me comovido, emocionado e no final das cerimónias fúnebres um grande vazio.

Cedo entrei na Igreja Matiz do Fundão, depois de apresentar condolências, foi sentar-me no último banco daquele templo. Iniciou-se a recitação do terço, tendo como dinamizador o Bispo Emérito da Guarda – D. António dos Santos, que acompanhei, todos os presentes acompanharam, enchendo-me a alma ao ver esta atitude de um ex-representante da Diocese. Respirava-se um grande silêncio. Entretanto um grupo de Irmãos da Santa Casa da Misericórdia, faz uma vigilância junto dos restos mortais do Padre Mário. A hora da Eucaristia rapidamente chegou. Pela coxia central da Igreja avançava o cortejo de mais de cinquenta sacerdotes, dois diáconos sendo encerrado pelos Bispos D. Manuel Felício e D. António dos Santos. Observei no rosto do Bispo da Guarda dor e tristeza. Enquanto se deslocavam para o altar, o Grupo Coral, sob a batuta do Maestro Geada entoava o cântico da aleluia, seguida do salmo: «os que temem o Senhor é grande a sua misericórdia e vinde benditos do meu Pai, receber a herança do meu Pai».
Os Bombeiros Voluntários do Fundão faziam a guarda de honra a um dos seus homens que há vinte e cinco anos os acompanhou como capelão, como assistente religioso.
A primeira leitura é feita pelo Presidente da Câmara Municipal do Fundão, aliás todo o executivo ali estava presente. O Diácono Francisco Lambelho fez a leitura do Evangelho de S. João.
D. Manuel Felício tomou a palavra e dirigiu-se aos inúmeros assistentes. A sua intervenção sintetiza-se numa frase: «O Cónego Mário foi um grande modelo de virtudes humanas e sacerdotais». Realçou as diversas instituições em que o Cónego Mário se dedicou de alma e coração. Deixou-nos um testamento espiritual e humano. Contando com Jesus Cristo Ressuscitado, viveu dando-se ao serviço dos outros. Viveu com paixão a sua vocação sacerdotal. Viveu sessenta e um anos de sacerdócio em diversos serviços. A maior parte do tempo passou-o no Fundão, a sua terra adoptiva e que pediu para aqui ser sepultado. Viveu com grande amor ao Seminário onde desempenhou diversas actividades. Louvemos o Senhor por este sacerdote que teve a capacidade de dar, de ajudar, da sua prudência, do bom conselheiro, com ajuda preciosa para a Diocese da Guarda.
Todos precisamos da misericórdia de Deus e vamos pedi-la. Na fé ganha-se não se perde. Esta é a verdade de que o Cónego Mário vai continuar no meio de nós.
A Oração dos Fiéis foi concretizada pelo Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Fundão, de quem o Padre Mário era o Presidente da Assembleia Geral.
A oração dos Fiéis Defuntos foi feita pelo actual Reitor do Seminário do Fundão, que pronunciou o nome completo do Padre Mário de Almeida Gonçalves, pedindo a misericórdia divina à sua alma.
No final das Cerimónias Religiosas, o Presidente da Associação dos Antigos Alunos dos Seminários do Fundão e Guarda, que traçou o percurso do Padre Mário, que também pronunciou o seu nome completo, principalmente na Associação e na missão dos Bombeiros, salientando algumas frases chaves que durante alguns anos lhes dirigiu. Terminou recitando um poema recolhido do seu bloco de notas: «Tenho uma viagem marcada / Quando a faço, não sei / Do que tenho, não levo nada / Só levo o que dei».
Transcrevo as palavras que meu irmão me mandou como comentário ao artigo que lhe enviei sobre o Padre Mário: «Há mortos que vivem todos os dias vivos e há vivos que estão mortos todos os dias». O Padre Mário de Almeida Gonçalves está sempre vivo.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

Cónego Mário Almeida Gonçalves – in memorian

Há mais de uma década, cruzei-me acidentalmente no Fundão com o Padre Mário, desconhecendo a razão porque estabelecemos diálogo durante alguns minutos. Logo ali, talvez por termos sangue beirão, entrámos em empatia. Além da agradabilidade da nossa conversação, de um certo sentido de humor, da sua humildade, dois factores pesaram para durante estes anos mantermos uma amizade profícua, o Padre Mário era quase meu conterrâneo e tinha o nome do meu filho mais novo.

Pertencemos ao mesmo Concelho do Sabugal. O Padre Mário natural de Monte Novo – Pousafoles do Bispo, e eu da Bismula, situada no Planalto das Terras do Ribacôa, que o Tratado de Alcanizes, no reinado D. Dinis, agregou à Coroa Portuguesa.
A partir daquele dia muitas outras vezes nos cruzámos pelas ruas do Fundão, trocámos impressões sobre diversos temas, das nossas origens, das nossas gentes, das vivências e pastoral da Igreja. Ele com muitas responsabilidades em diversas acções, principalmente de dirigir a vida de um Seminário Menor.
Quis o destino que a seguir ao nosso conhecimento pessoal, em regime de substituição do Pároco de Aldeia de Joanes, conjuntamente com outros sacerdotes amigos, participasse às exéquias de um meu filho, o acto mais doloroso vivido. Nunca mais esqueci as palavras de solidariedade, de conforto, de esperança, de fé, de amizade, que me transmitiu no final da cerimónia fúnebre.
Nas diversas visitas ao Seminário por inúmeras actividades, sempre me recebeu com os braços e coração abertos, sem cerimónias, com simplicidade, com muita fraternidade e proximidade. Notei que fazia parte da sua família, do grupo dos seus amigos.
Numa das últimas visitas à Instituição, já há muito que não era Reitor, mas ali tinha os seus aposentos, com marcação prévia do dia e hora, disse-lhe que era a minha intenção, ofertar-lhe um livro sobre o meu Pai e ver um pequeno filme sobre a sua apresentação. Acedeu e disse-me que viesse preparado para jantar. Cheguei mais cedo que o combinado e recebeu-me no seu quarto, dei-lhe uma explicação dos fundamentos do «Pater Famílias», título do livro, que dava uma panorâmica religiosa, política, social e cultural das nossas origens, com uma personagem principal, o meu Pai – sua vida e obra.
Convidou-me para a Eucaristia com os alunos numa pequena capela e, qual é o meu espanto, que nem metade participava. Estranhei tanta ausência, perguntei-lhe os motivos e o Padre Mário encolheu-me os ombros… e disse-me que estavam a estudar.
Seguimos para o refeitório comunitário e fiquei ao seu lado, conversando sob os olhares estranhos de outras personagens, com a ideia de que estava ali um intruso, um estranho…que era eu. De seguida partilhámos as imagens que o computador nos ia apresentando numa sessão que demorou uns vinte minutos.
Muitas vezes se deslocou à minha Paroquia de Aldeia de Joanes, principalmente na Celebração da Eucaristia e no acompanhamento dos Funerais. As suas homílias eram curtas mas de grande riqueza evangélica.
Nas cerimónias fúnebres admirava a sua tenacidade e a sua religiosidade. Não ia no carro, mas sim a pé, e com a sua voz forte e firme rezava o terço por alma do defunto, seguido por todos os acompanhantes naquela oração.
Há dias no Hospital da Covilhã dei-lhe o último abraço. Tive essa convicção dada a gravidade da sua doença.
Este é um pequeno testemunho de quem acompanhou esporadicamente um Padre que desempenhou diversas missões, um homem de acção e de trabalho, sem esquecer as suas facetas humanas, sociais e de proximidade com o povo.
Com a sua morte, ficamos mais pobres, partiu mais um obreiro da seara do Senhor, perdeu-se um HOMEM E CIDADÃO do Fundão. Perdi um amigo e um conterrâneo.
António Alves FernandesAldeia de Joanes
(Veja aqui um artigo de Pinharanda Gomes sobre o Cónego Mário)

Concelho do Sabugal tem gravuras rupestres

O terceiro número da revista Sabucale, editada pelo Museu do Sabugal, revela que nos últimos anos foram encontradas gravuras rupestres de carácter geométrico e esquemático no concelho do Sabugal, na bacia superior do rio Côa, portanto muito a montante do Parque Arqueológico do Vale do Côa.

O arqueólogo da Câmara Municipal do Sabugal, Marcos Osório, disse à Lusa que entre 2004 e 2010, foram localizados quatro painéis de gravuras em três locais distintos do concelho onde nasce o Côa, que são agora divulgados na revista «Sabucale», editada pelo Museu do Sabugal.
«As gravuras do Côa vão desde o período do Paleolítico até a épocas históricas mais recentes, e estas estão apenas circunscritas a uma cronologia restrita, em torno da Idade do Bronze Médio ou do Bronze Final, no II milénio antes de Cristo», revelou o arqueólogo à Lusa.
«As representações não são figurativas, com animais, como as mais famosas e antigas do Parque Arqueológico do Vale do Côa, mas são de carácter geométrico e esquemático: espirais, meandros, círculos, reticulados», explicou ainda.
O responsável considera que os achados são importantes para o concelho e para a região, pois não se conheciam representações de arte rupestre dentro dos limites do município, que fica a 65 quilómetros do sítio da Faia (Cidadelhe, Pinhel), «onde se encontra o núcleo meridional das gravuras do Vale do Côa».
Dois dos achados foram localizados em Vilar Maior, um na Bendada e outro em Pousafoles do Bispo.
O novo número (o terceiro) da revista Sabucale, é em grande parte dedicada à arte rupestre descoberta no concelho, contendo ainda artigos referentes ao bicentenário da Batalha do Sabugal, e o centenário da implantação da República. Na vertente etnográfica é publicado o texto da «oração de sapiência» proferida no II Capítulo da Confraria do Bucho Raiano, da autoria de João Luís Inês Vaz, além de um outro artigo acerca das alminhas.
plb

Parabéns Senhor Padre Morgado

Foi com imenso prazer e gosto que participei, no passado domingo, dia 31 de Julho, nas cerimónias dos cinquenta anos de sacerdote do Sr. Padre António Filipe Morgado.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaTornei-me amigo e admirador do Sr. Padre Morgado na escola do segundo ciclo do Sabugal onde trabalhámos como professores.
Todos os dias, um grupo de amigos, tomávamos café, pela manhã. De seguida jogávamos as moedinhas e pagava os cafés aquele que perdesse. Ia tocando a todos.
Também algumas vezes participámos em almoços convívios o que também recordo com saudade.
À medida que íamos convivendo alicerçávamos uma séria e sã amizade que pretendo se prolongue pela vida fora.
Hoje escrevo este simples artigo porque, tal como já referi, participei na festa dos Cinquenta anos de Sacerdote do Sr. Padre Morgado e verifiquei, com muito agrado, como ele é querido e estimado nas muitas paróquias onde presta serviço. E são muitas: Vila do Toiro, Baraçal, Penalobo, Pousafoles do Bispo, Quintas de S. Bartolomeu, Pega e Lomba.
É de louvar o esforço, a vontade e o querer do Sr. Padre Morgado para poder atender tantas paróquias e tantas pessoas.
Foi de inteira justiça que se tivessem unido para, em conjunto, terem celebrado o Jubileu Sacerdotal do seu Pároco.
Às 17 horas a procissão saiu da capela de Nª Srª de Fátima, para a Igreja Matriz, onde foi celebrada a Eucaristia que foi muito participada e vivida por todos.
Depois da eucaristia houve um jantar convívio no salão da A.C.D de Vila do Touro que esteve completamente cheio.
Foi também com muito agrado que registei a presença de alguns senhores ligados à política e de vários quadrantes. Presidente António Robalo, Vice-Presidente Delfina Leal, Vereador Ernesto Cunha, Dr. Carlos Manuel Luis, Dr. Victor Gonçalves e vários Presidentes de Junta.
Parabéns ao Senhor Padre Morgado e também parabéns a todas as pessoas que estiveram envolvidas para que tudo tivesse corrido como correu – na perfeição.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

PSD alcança três deputados no distrito da Guarda

O PSD alcançou um resultado histórico no distrito da Guarda elegendo três dos quatro deputados e alterando o tradição equilíbrio (2 e 2) entre os PSD e o PS. O PSD venceu em todos os concelhos do distrito da Guarda tendo alcançado no concelho do Sabugal 3472 votos (48,20%) contra 2004 (27,82%) do PS.

No círculo eleitoral da Guarda o Partido Social Democrata elegeu três deputados – Manuel Meirinho, Carlos Peixoto e Ângela Guerra – e o Partido Socialista apenas um deputado – Paulo Campos – ficando de fora, como grande derrotado da noite, José Albano que se posicionava em segundo lugar. O distrito da Guarda elege quatro deputados e tradicionalmente têm sido divididos entre os sociais-democratas e os socialistas.
Manuel Meirinho em declarações à agência Lusa considerou que a candidatura do PSD alcançou «um resultado histórico». O Partido Social Democrata, liderado pelo politólogo independente, alcançou 46,32 por cento dos votos, elegendo três deputados. Já o PS conseguiu 28,31 por cento dos votos e elegeu apenas um deputado, o que já não ocorria desde 1995, altura em que os dois partidos passaram a eleger dois deputados cada.
«É um resultado histórico para o distrito, que expressa o esforço feito numa campanha de proximidade junto das pessoas, séria e serena, muito transparente e muito sóbria», afirmou à Lusa Manuel Meirinho, eleito deputado pelo distrito da Guarda, tal como Carlos Peixoto e Ângela Guerra. Segundo Manuel Meirinho, os eleitores do distrito «preferiram a seriedade a uma campanha feita de forma agressiva e com algum vazio do ponto de vista das ideias» e garantiu que o partido trabalhou para obter «uma grande vitória».
Quanto ao facto de a lista distrital ter sido liderada por um independente, disse que a «mistura» de militantes e de independentes «mostra aos eleitores que os partidos são estruturas abertas».

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS  –  5-6-2011
DISTRITO DA GUARDA

CONCELHO DO SABUGAL  –  FREGUESIA A FREGUESIA
Águas Belas Aldeia da Ponte Aldeia da Ribeira Aldeia S.António Aldeia do Bispo
Aldeia Velha Alfaiates Badamalos Baraçal Bendada
Bismula Casteleiro Cerdeira Fóios Forcalhos
Lageosa da Raia Lomba Malcata Moita Nave
Penalobo Pousafoles Quadrazais Quintas S. B. Rapoula do Côa
Rebolosa Rendo Ruivós Ruvina Sabugal
Santo Estêvão Seixo do Côa Sortelha Soito Vale das Éguas
Vale de Espinho Valongo do Côa Vila Boa Vila do Touro Vilar Maior

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jcl

Procissão dos Passos em Pousafoles do Bispo

A Procissão dos Passos é uma tradição antiquíssima e riquíssima que querem preservar a todo o custo na freguesia de Pousafoles do Bispo no concelho do Sabugal. Reportagem da jornalista Sara Castro com imagens de Paula Pinto da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana

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Novembro – tradição e sabores no Sabugal

O concelho do Sabugal é um território orgulhoso das suas raízes, dos seus saberes e dos seus sabores. «Novembro – Mês da Tradição e dos Sabores» é uma iniciativa descentralizada que pretende promover o que de melhor se produz no Sabugal rural.

Novembro - Mês Tradição Sabores Sabugal

«Novembro – Mês da Tradição e dos Sabores» é uma iniciativa descentralizada pelo concelho do Sabugal, organizada pela Empresa Municipal Sabugal+ em colaboração com a Câmara Municipal, que pretende promover o que de melhor se produz, nomeadamente nas freguesias de Aldeia do Bispo, Alfaiates, Bendada, Casteleiro, Cerdeira, Fóios, Malcata, Pousafoles do Bispo, Quintas de S. Bartolomeu, Rebolosa, Sabugal e Sortelha.
Esta acção enquadra o espírito, a promoção e autenticidade do mundo rural, das suas gentes, do seu património e da riqueza da cultura popular do Concelho.
A castanha, o cogumelo, o azeite, o mel e o queijo são alguns dos produtos endógenos presentes das actividades propostas, que se estendem de 30 de Outubro a 11 de Dezembro de 2010.
Paralelamente à Feira dos Produtos Locais – Tempo da Castanha – a realizar junto ao Mercado Municipal do Sabugal –, realiza-se o V Grande Prémio de Atletismo do Alto Côa (12.000 metros), com início e fim na Cidade do Sabugal.
jcl (com C.M. Sabugal)

Prevenção de incêndio no concelho do Sabugal

Durante o mês de Julho o Comando Territorial da Guarda da GNR levou a o concelho do Sabugal diversas acções de sensibilização sobre o tema «Prevenção de riscos de incêndio».

GNR - Prevenção Incêndios - SabugalAs acções ministradas pelos militares da GNR aconteceram nas freguesias de Rendo (dia 5), Malcata ( dia 7), Aldeia Velha (dia 10), Forcalhos (dia 12) e Pousafoles do Bispo (dia 14). Todas as acções aconteceram pelas 21 horas.
A Câmara Municipal de Sabugal e as Associações Humanitárias dos Bombeiros de Sabugal e Soito colaboraram com o Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (SEPNA) da Guarda Nacional Republicana, na execução das acções.
Nas várias iniciativas estiveram presentes cerca de 80 pessoas, que o SEPNA procurou alertar sobre os condicionalismos presentes no Decreto-Lei 124/2006, republicado pelo Decreto-Lei 17/2009, nomeadamente no imperativo de não usar qualquer tipo de fogo no período crítico (1 de Julho a 15 de Outubro), obrigatoriedade de efectuar limpeza de uma faixa de terreno com 50 metros à volta de edificações fora dos aglomerados populacionais e, caso esteja previsto no Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios, efectuar limpeza de uma faixa de terreno com 100 metros à volta dos aglomerados populacionais.
Nos espaços rurais (terrenos agrícolas e florestais) há ainda a obrigatoriedade de dotar os tubos de escape ou chaminés de dispositivos tapa-chamas e de dispositivos de retenção de faíscas ou faúlhas, devendo ainda os veículos ou máquinas estar equipados com um ou dois extintores de seis quilos, de acordo com a sua massa máxima, consoante esta seja inferior ou superior a 10 toneladas.
A GNR procurou reforçar junto desta população o seu papel informativo e pró-activo para além do papel sancionador, de modo a que os comportamentos incorrectos, nesta matéria, não ocorram por desconhecimento.
plb

GNR sensibiliza para risco de incêndios

Neste mês de Julho, em que, face ao calor verificado, aumentou o risco da ocorrência de fogos florestais, o Comando Territorial da GNR da Guarda programou para o concelho do Sabugal algumas acções de sensibilização dirigidas às populações, no sentido de evitarem procedimentos que possam potenciar o risco de fogos na floresta.

Escola Segura da GNRAtravés das Equipas de Protecção da Natureza e Ambiente e das Equipas de Protecção Florestal, o Comando Territorial da Guarda da GNR vem realizando um ciclo de acções de sensibilização e esclarecimento sobre a preservação da floresta e prevenção de fogos florestais, de modo próprio ou em parceria com Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia e outros organismos.
Segundo um comunicado agora divulgado, a GNR chama a atenção de que, entrados num período crítico de incêndios, pretende continuar tal actividade de carácter pedagógico e de divulgação, assim se contribuindo para uma eficaz prevenção dos fogos florestais, que nos últimos anos têm destruído uma parte importante do património natural do País. Alerta-se também para comportamentos de risco que podem originar incêndios, sendo necessária uma maior consciência do problema.
Em parceria com a Câmara Municipal do Sabugal, foram planeadas para o corrente mês de Julho cinco acções de sensibilização. As duas últimas estão previstas para os dias 12 (Forcalhos) e 14 (Pousafoles do Bispo), ambas pelas 21 horas.
plb

Rotary Club homenageou David Pina

O advogado sabugalense David Pina, falecido em Dezembro, foi esta terça-feira, 6 de Julho, homenageado pelo Rotary Club de Lisboa, do qual foi membro, através de um jantar em que a prelecção evocativa foi proferida pelo professor Marcelo Rebelo de Sousa.

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A iniciativa aconteceu no Hotel Tivoli, em Lisboa, onde se juntaram dezenas de companheiros «rotarios», colegas advogados, magistrados, familiares e amigos de David Pina.
A sessão evocativa iniciou-se com o ritual próprio do clube, com a saudação às bandeiras. Depois actuou o coro do Tribunal da Relação de Lisboa (CORELIS), que interpretou um conjunto de canções que eram do gosto especial do advogado de Pousafoles do Bispo.
Após o jantar falou o professor Marcelo Rebelo de Sousa, que fez uma muito apreciada prelecção dedicada às muitas paixões de David Pina. E o professor de Direito, amigo e colega «rotario» do homenageado, evocou algumas dessas grandes paixões.
Desde logo a paixão pela família, pela mulher e pelos dois filhos. Também a paixão por aprender e por ensinar, o que o levou a percorrer muitas terras e muitas escolas, sempre em busca do saber. Foi um distinto pedagogo, que ensinou em Lisboa, Paris, Bruxelas, Toulouse, Grenoble, Lille, Bordéus, Genéve.
Viveu também a paixão pela sua profissão, a advocacia, e as muitas actividades a que se dedicou. Viveu como cidadão português e europeu, dedicado a inúmeras causas e inserido em diversos movimentos.
Teve um papel determinante em múltiplas associações nacionais e internacionais, em áreas como as da integração europeia, do Direito Europeu, do Direito Comparado, do Direito da Concorrência ou do Direito da Propriedade Industrial.
Convicto europeísta, foi autor de obras individuais e colectivas sobre o Acto Único, o Tratado de Roma ou a política regional como instrumento da integração europeia.
Marcelo Rebelo de Sousa, deixou sobretudo bem vincada a «paixão de viver» de David Pina:
«A paixão com que colocou o seu vasto saber e a sua capacidade de ensinar, de comunicar e educar ao serviço das causas sociais mais nobres, mais exigentes e mais dignas, como as da luta pelos direitos das pessoas, do combate à fome, à miséria, à pobreza, às injustiças sociais. Na resistência às ditaduras, às intolerâncias, às xenofobias, aos racismos. A paixão com que conduziu essas lutas, em todos os movimentos a que pertencia, sem desfalecimentos ou condescendências. A paixão com que fez da sua vida muitas vidas: marido, pai, amigo, companheiro, estudioso, professor, advogado, dirigente associativo, comunicador, autor, militante português e europeu, defensor de valores e batalhador pelos injustiçados e espezinhados.
Muitas vidas sabia tocar, com aquelas qualidades que distinguem as novas fileiras, qualidades que pude testemunhar, já lá vão quase 40 anos quando nos conhecemos na mesma escola de Direito e em mim nasceu uma irreprimível admiração pelo David Pina.
Era, como seria sempre, forte no carácter e vincado na postura. Era, como seria sempre, visceralmente bom no coração e visionário no temperamento. Era, como seria sempre, esclarecidamente líder na formação, mas extraordinariamente generoso.
Excessivo na dedicação aos outros – dava sempre mais do que recebia –, não conhecia limites de disponibilidade, de esforço, de entrega, sempre com a palavra amiga, com o humor rápido, com o humor bem português.»
Depois das efusivamente aplaudidas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, seguiram-se algumas intervenções de colegas e amigos de David Pina, dentre elas a de Joaquim Esteves Saloio, natural da Torre, concelho do Sabugal, amigo de sempre do homenageado, que o conheceu quando estudaram no Seminário do Fundão, onde primeiramente se prepararam para a vida. «Tenho a certeza que muito do que foi David Pina e que aqui nos foi magistralmente transmitido pelo professor Marcelo Rebelo de Sousa, também se deveu ao que aprendeu no seminário», disse Esteves Saloio.
David Pina nasceu em 1943 em Pousafoles do Bispo. Licenciado em Direito, dedicou-se à docência e à advocacia, empenhando-se também em inúmeras causas sociais. O seu escritório de advogados, na Avenida 5 de Outubro, em Lisboa, recebeu em estágio inúmeros jovens sabugalenses, que ali tiraram o seu estágio de advocacia. Foi fundador e dirigente da Casa do Concelho do Sabugal e era um homem que amava muito a sua terra e os seus conterrâneos.
plb

Festa do Solestício em Pousafoles do Bispo

Festa do Solestício de Verão no Cabeça das Fráguas e em Pousafoles do Bispo no concelho do Sabugal. Reportagem da jornalista Sara Castro e imagem de Miguel Almeida da LocalVisãoTv (Guarda).

LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana

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José Saramago 1922 – 2010

Em homenagem ao grande escritor José Saramago, cujo corpo é hoje cremado em Lisboa, publicamos um enxerto do seu livro «Viagem a Portugal», onde fala de Sortelha e do Sabugal, terras por onde passou enquanto viajante, e também Pousafoles do Bispo, que por falta de tempo não pode visitar. São impressões de viagem de um homem sem papas na língua, e muito menos na caneta, que diz sem rodeios o que pensa das coisas.

«De Belmonte vai o viajante a Sortelha por estradas que não são boas e paisagens que são de admirar. Entrar em Sortelha é entrar na Idade Média, e quando isso o viajante declara não é naquele sentido que o faria dizer o mesmo entrando, por exemplo, na Igreja de Belmonte, donde vem. O que dá carácter medieval a este aglomerado é a enormidade das muralhas que o rodeiam, a espessura delas, e também a dureza da calçada, as ruas íngremes, e, empoleirada sobre pedras gigantescas, a cidadela, último refúgio de sitiados, derradeira e talvez inútil esperança. Se alguém venceu as ciclópicas muralhas de fora, não há-de ter sido rendido por este castelinho que parece de brincar.
O que não é brincadeira nenhuma é a acusação, em boa letra e ortografia, pintada na entrada duma fonte: ATENÇÃO! ÁGUA IMPRÓPRIA PARA BEBER POR DESLEIXO DAS AUTORIDADES MUNICIPAIS E DELEGAÇÃO DE SAÚDE. O viajante ficou satisfeito, não, claro está, por ver a população de Sortelha assim reduzida em águas, mas porque alguém se dispôs a pegar numa lata de tinta e num pincel para escrever, e para o saber quem passe, que as autoridades não fazem o que devem, quando devem e onde devem. Em Sortelha não fizeram, como testemunha o viajante, que daquela fonte quis beber e não pôde.
A Sabugal ia o viajante na mira dos ex-votos populares do século XVIII, mas não deu sequer com um. Onde os meteram não o soube dizer o ancião que veio com a chave da Ermida de Nossa Senhora da Graça, onde era suposto estarem. A igreja, agora, é nova e de espectacular mau gosto. Salva-se o Pentecostes de madeira talhada que está na sacristia. As figuras da Virgem e dos apóstolos, pintadas com vivacidade, são de admirável expressão. Leva o viajante, em todo o caso uma dúvida: se isto é um Pentecostes, por que são os apóstolos doze?, estará Judas aqui representado apenas por razões de equilíbrio de volumes?, ou o entalhador popular decidiu, por sua conta e risco, exercer o direito de perdão que só aos artistas compete?
O viajante tem um compromisso para esta tarde. Irá a Cidadelhe. Para ganhar tempo almoça em Sabugal, e, para o não perder, nada mais viu que o geral aspecto duma vila ruidosa que ou vai para a feira ou vem de feirar. Segue depois a direito para a Guarda, deixa no caminho Pousafoles do Bispo onde tencionara ir para saber o que poderá restar de uma terra de ferreiros e ver a janela manuelina que ainda dizem lá existir. Enfim, não se pode ver tudo, era o que faltava, ter este viajante mais privilégios que outros que nunca tão longe puderam ir. Fique Pousafoles do Bispo como símbolo do inalcançável que a todos escapa.»
plb

Câmara Municipal Sabugal - © Capeia Arraiana

Ernesto Cunha já é vereador a tempo inteiro

O vereador Ernesto Cunha passou a regime de permanência a tempo inteiro na Câmara Municipal do Sabugal na terça-feira, 1 de Junho, por despacho assinado pelo Presidente António Robalo.

Sabugalenses no IAEM em Caxias – 1948

A foto que hoje é apresentada nesta crónica refere-se a um grupo de soldados a cumprir o serviço militar obrigatório no Instituto de Altos Estudos Militares (I. A. E. M.), em Caxias, no ano de 1948. A curiosidade desta foto é que todos os militares são originários do concelho do Sabugal, excepto o corneteiro (o do meio, na fila mais atrás).

Sabugalenses no Instituto de Altos Estudos Militares - 1948
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João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»Todos estes militares, oriundos do nosso concelho, foram para o Instituto de Altos Estudos Militares (IAEM) após terem concluído a recruta no Regimento de Caçadores 2, na Covilhã.
O Instituto, onde os oficiais tiravam cursos de Estado-Maior e outros cursos superiores militares, estava, nesta época, sedeado no antigo Palácio Real de Caxias.
O meu pai (Eugénio dos Santos Duarte, o terceiro a contar da direita, na segunda fila), hoje com 83 anos, era um dos militares do concelho que prestou serviço nesse Instituto. Como era carpinteiro na vida civil, foi essa actividade que exerceu na tropa, nessa unidade militar. Por isso aparece com uma garlopa e uma serra.
Um dos militares portugueses, à época com o posto de major, que frequentou cursos nesta unidade militar quando estes soldados lá estavam foi o (futuro) general Kaúlza de Arriaga. O meu pai lembra-se dele, deste tempo.
Já há muitos que lhe escapam, mas ainda conseguiu identificar as localidades de onde alguns eram naturais.
O primeiro a contar da esquerda, na primeira fila, era natural da Abitureira.
O segundo a contar da direita, na primeira fila, era o Vilas, natural de Santo Estêvão.
O primeiro a contar da direita, na segunda fila, era de Vila do Touro.
O quarto a contar da esquerda, na primeira fila, era o rancheiro, natural de Pousafoles.
O quarto a contar da esquerda, na segunda fila, era o barbeiro, natural de Penalobo.
O terceiro a contar da esquerda, na segunda fila era da Lomba.
O segundo a contar da esquerda, na primeira fila era de Aldeia da Ponte.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

Procissão de endoenças

Desde longa data, a festa esteve presente no quotidiano popular, e a festa religiosa integrava-se também neste quotidiano. Destas faziam parte as procissões, manifestações colectivas que realizadas em espaços públicos, eram de natureza comemorativa, festiva, penitencial ou expiatória, quaresmais, de desagravo, propiciatórias, de acção de graças, etc.

João ValentePara isso contribuiu, como escreveu Katia Mattoso, a respeito dos povos ibéricos, «a religião do povo ser mais religião da paixão que de ressurreição. Ela se manifestar melhor numa procissão do Senhor Morto, que no Triunfo Eucarístico».
As disposições da Mesa de Consciência, as Ordenações Filipinas, a Inquisição, também ajudaram, impondo os dogmas e práticas cristãs às populações, sem discussões.
Os compromissos de algumas Irmandades das Misericórdias, puniam também quem não aparecesse aos actos públicos, oferecendo em contrapartida indulgências para a participação nas procissões «Corpus Christi», no seguimento da doutrina do Concílio Tridentino que desenhou duas faces para o Deus Cristão: A de um «Deus remunerador», para os submissos; A de outro «Deus vingador», para os relapsos.
Por último, o culto pela Paixão e pela Virgem Dolorosa era geral no Ocidente antes da reforma e foi recuperado na Contra-Reforma, expandindo-se por toda a diáspora portuguesa no mundo e reflectindo-se na arte religiosa com cenas do calvário ou da paixão de Cristo, os chamados Passos ou Mistérios.
«Ensinem os bispos com cuidado, que com as histórias dos Mistérios da nossa redempção com as pinturas, e outras semelhantes, se instrue, e confirma o povo, para se lembrar, e venerar com frequência os Artigos da fé.» (sessão XXV do Concílio de Trento in Reycent, 1786, p.352-353.)
Assim, a liturgia dos Mistérios da Paixão, a composição artística do calvário e a representação das mesmas por autos bíblicos, foi uma consequência do sentimento religioso popular e desta evolução histórica, cujas reminiscências na cultura popular ainda subsistem nos autos da paixão, no andar dos passos e nas procissões das Endoenças ou Fogaréus.
Com o crescimento de popularidade, a natureza do ritual que exibia o sofrimento de Cristo, foi realçando o dramatismo e teatralidade de algumas personagens, como o desfile nocturno de flagelantes encapuçados, descalços, oferecendo um espectáculo expiatório e penitencial por excelência.
«Quando eles saíam com uma imagem, para fazer o povo chorar a vestiam de luto e decoravam com toda a forma de adornos para provocar dor» (S. João de Ávila, a propósito dos Passos da Paixão e dos irmãos das confrarias).
«Se aí existe algum amor, a alma está recompensada, o coração está suavizado, e as lágrimas vêm.» (Santa Tereza de Ávila, também a propósito dos Passos da Paixão.)
As lágrimas não eram só de sentimento, mas serviam também para purificar a alma, através da expiação pública, que a procissão da Semana Santa proporcionava.
Algumas faziam-se fora do período Quaresmal, mas estavam intimamente ligadas ao ciclo Pascal, revestindo o mesmo cariz penitencial. Era o caso das Endoenças que em Trás-Os-Montes se realizavam em Setembro e entre nós a célebre romaria dos encruados ou descamisados, em Setembro, a Sacaparte (onde só participavam homens) e que foi extinta já no século XIX, pelo último Bispo de Pinhel.
Estas manifestações religiosas eram promovidas sobretudo, após o aparecimento das Misericórdias, pelas respectivas Irmandades, cujos compromissos previam a sua forma de realização, bem como a participação dos irmãos nos diversos actos públicos de expiação.
Por exemplo o cap. XXXIV do compromisso da Misericórdia de Lisboa (copiado pela maioria das Misericórdias portuguesas) a procissão de Endoenças tinha por fim visitar todas as igrejas onde estava o Santíssimo Sacramento, despertando no povo o sentimento de religião pela paixão de Cristo.
Possivelmente é deste compromisso que no Sardoal e noutras terras se foi buscar a tradição (cuja origem hoje ninguém sabe) de enfeitar com pétalas todas as capelas do lugar, por onde passa a procissão da Paixão.
Normalmente na frente ia a bandeira da Misericórdia levada por um irmão, acompanhado de dois irmãos, com tocheiros. Adiante da bandeira iam dois irmãos com varas. Seguiam os clérigos, muitos irmãos e os penitentes.
Paixão de CristoOs actuais compromissos de algumas Misericórdias ainda mantêm estas e outras obrigações relacionadas com a Paixão de Cristo. Outras estão a retomá-lo em nome da tradição e também pelo sabor pitoresco da religiosidade popular que manifestam estes rituais, como é o caso de Penafiel.
Era assim descrita no século XVIII uma destas procissões de Endoenças:
«Os irmãos serão sempre duzentos e cincoenta até trezentos, e todos vão vestidos com ricas vestimentas pretas, e postos em ordem de procissão com velas nas mãos. Diante d’elles vão oitocentos, novecentos, até mil homens e mulheres disciplinando-se, os quaes vão todos vestidos de vestimentas pretas, e assim homens como mulheres se ferem com disciplinas, que tiram muito sangue; e esta procissão vae repartida em três ou quatro estancias, e entre uma e outra um retábulo ou Christo posto na cuz, e no meio vão dez ou doze irmãos com suas varas, regendo-os e mettendo-os em ordem.
Entre estes disciplinantes vão muitos homens com barras de ferro, e cruzes de pau grandes e pedras às costas: e para claridade da gente levam cincoenta pharoes de fogo, em que se gastam dois mil novellos de fiado de tomentos engraxados em borras de azeite e sebo para darem bom lume, os quaes pharoes vãos postos em hasteas muito compridas e altas; e levam trinta lanternas grandes metidas também em hasteas com velas dentro acesas; e os irmãos que regem, trazem nas mãos quantidades de velas para tanto que faltar proverem de outras: levam mais trinta homens com bacias nas mãos cheias de vinho cozido, e os disciplinantes molham e lavam n’elle as disciplinas, porque lhes apertam as carnes. Da mesma maneira vão dez ou doze homens com caixas de marmelada feita em fatias, as quaes mandam muitas pessoas fidalgas devotas, que dão aos penitentes; e levam outras de confeitados e de cidrão para os que enfraquecerem acorrerem-lhes com um bocado; e vão outros tantos homens com quartas de água e púcaros nas mãos, dando agua aos que d’ella têem necessidade. E tanto que chegam à casa da Mesiricórdia estão physicos que espremem as chagas dos penitentes e lhes lavam com vinho para isso confeccionado, e os apertam e veste, e se vão curados para suas casas.» (Costa Goodolphim, in As Mesiricórdias, Lisboa, Imprensa Nacional, 1897, pág. 50).
Nas nossas aldeias também havia estas tradições ligadas à Quaresma, especialmente nas terras que tinham Santas Casas da Misericórdia, como Vilar Maior, Sortelha, Sabugal, Alfaiates e ainda em Pousafoles e no Soito.
«Na vila do Sabugal ainda subsiste o velho costume de nos domingos da Quaresma, ao anoitecer, toda a gente visitar as igrejas e capelas, cantando o terço no trajecto, até voltarem à igreja paroquial, onde entram somente os homens, ficando as mulheres à porta, entoando todas a Salvé Rainha. O mais curioso é que visitam também o local onde houve outras capelas, como a de S. Pedro e S. Tiago, e as ruínas da ermida de S. Domingos. Quando o povo, com o pároco e alguns homens vestidos de opas, com insígnias e cruz alçada, chegam junto das capelas ou do local em que elas existiram, todos ajoelham e rezam, terminando tudo na igreja paroquial com o canto da Salvé Rainha. Em todos os dias da Quaresma há o costume de encomendar as almas, que consiste num canto triste e sentimental, altas horas da noite, geralmente executado por homens e mulheres que tenham fama de cantar bem. Os rapazes costumam também entoar o terço, em dois grupos, percorrendo todas as ruas, bem distanciados um do outro, rezando alternadamente.» (Joaquim Correia in Terras de Ribacôa.)
Célebre também pela sua espectacularidade, era, segundo o mesmo autor, a procissão dos passos em Ruivós. «Lá apareciam em carne e osso soldados armados de lanças, levando à frente o centurião, com fardas, imitando as dos soldados romanos, a Madalena, de compridas tranças, S. Longuinhos, Simão Cireneu e a Verónica. Não faltava o Calhorra, empunhando e tocando uma grande trombeta, de som grave, rouco, que no dizer do povo, significava: Morra Jesus. O pobre trombeteiro, que era sempre um mendigo, a quem davam um quartinho, isto é, 1200 reis, ia defendido pelos mordomos e pela escolta, metido na sua túnica amarelada, semelhante à pele do lagarto, de chita pintalgada, e nem assim se livrava de pedradas dos rapazes, que consideravam uma boa acção apedrejar o desgraçado, ainda que fosse perto do andor de S. João ou da Virgem, que seguiam na procissão, ou perto do Senhor dos Passos, toscas imagens cujas feições faziam calafrios, devidas ao santeiro Cardépe, do Souto, um curioso inculto, mas habilidoso.. Quando o Senhor dos Passos serviu pela primeira vez nesta procissão, uma mulher do Souto gritou: – Ah! Pai divino, pai divino, feito do castanheiro do ti Corrécha! Desse castanheiro já eu comi castanhas!… Aquela imagem gigantesca causava terror, impressionava a multidão que reunia no largo de S. Paulo, onde era o calvário, junto da velha igreja. Era ali que a substituíam por outra imagem pregada na cruz. Uns soldados jogavam os dados, outros simulavam cravar as lanças no corpo de Jesus, outros levavam-lhe uma esponja à boca, na ponta duma lança. .. Havia três sermões, em que quase sempre era orador o falecido Padre João de Matos (O celebre Padre Matos das Guerrilhas Carlistas e da «Pavorosa», pároco de Aldeia da Ribeira), que arrancava à multidão muitos soluços e lágrimas, sendo ele o primeiro a chorar.» (ibiden.)
Contudo, como todas as outras tradições, estas também se vão perdendo e daqui a uns anos são apenas uma memória do passado, apenas registadas em livros.
A desertificação com a emigração e o decurso do tempo são uma esponja que vai apagando a nossa história colectiva.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

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