Category Archives: Serra da Malcata

Freguesia dos Fóios - Sabugal - Capeia Arraiana (orelha)

Fóios – Capital da Raia sabugalense

«O interior do Interior tem por cá muito boa gente e também somos portugueses!» Assim escrevia em 14 de Julho de 2007 na sua primeira crónica no Capeia Arraiana o prof. José Manuel Campos. O dinossauro dos autarcas raianas defende como ninguém as suas terras e as suas gentes revigorado pela cristalina água da nascente do Côa. Reportagem e edição da jornalista Paula Pinto com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana
LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana
Autoria: LocalVisãoTV posted with Galeria de Vídeos Capeia Arraiana

Às vezes até parece que no concelho do Sabugal são 1+39. O nosso reconhecimento e apreço pelo presidente da capital da Raia sabugalense. Parabéns Prof. José Manuel Campos.
jcl

«Pintar Sabugal 2011» com edição na Malcata

A edição 2011 do «Pintar Sabugal» teve como cenários as paisagens da Malcata. Reportagem e edição da jornalista Sara Castro com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana
LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana
Autoria: LocalVisãoTV posted with Galeria de Vídeos Capeia Arraiana

jcl

Acção popular contra as eólicas de Sortelha

ANÚNCIO PÚBLICO – Os advogados dr. Francisco Nicolau e dr. João Valente anunciam o patrocínio de uma acção popular contra as eólicas de Sortelha.

«Os advogados Dr. Francisco Nicolau (do escritório do Dr. Garcia Pereira, mas a título particular) e Dr. João Valente vão patrocinar acção popular pedindo a impugnação, por ilegalidade e nulidade de licenciamento dos parques eólicos de Sortelha, bem como dos concelhos limítrofes de Belmonte e Guarda, pelas razões e fundamentos já aqui aduzidos no Capeia Arraiana num anterior artigo de opinião, tanto mais que, corre voz pública, que o parque de Sortelha vai ser aumentado em mais seis torres geradoras.
1 – O processo será patrocinado a título completamente gratuito, da parte dos advogados, está isento de custas judiciais porque se trata de defesa de um interesse público, e já se encontra redigido.
2 – Qualquer cidadão recenseado no concelho e/ou freguesia de Sortelha, ou associação de direito privado com sede no Concelho e/ou Freguesia do Sabugal que queiram patrocinar a acção a título de autores (sem qualquer custo ou honorários) pode fazê-lo.
Para esse efeito devem contactar até ao fim da primeira semana do próximo mês de Novembro para o email: joaovalenteadvogado@gmail.com
3 – Qualquer cidadão que tenha interesse em colaborar como testemunha ou perito (designadamente problemas de ruído, ambientais ou técnicos) agradece-se também contacto para o mesmo endereço electrónico, até à referida data.
4 – Oportunamente será equacionada a abertura de uma conta em nome de uma associação ou conjunto de cidadãos independentes para custear e fiscalizar eventuais despesas (estudos e perícias) com o processo.
João Valente, Advogado

Orientação da Estrela à Malcata

Jornada de orientação divida em seis etapas denominada «Corrida Aventura» que contou com a participação de cerca de 130 participantes entre a Serra da Estrela e a Serra da Malcata. Reportagem e edição das jornalistas Paula Pinto, Sara Castro, Andreia Marques com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana
LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana
Autoria: LocalVisãoTV posted with Galeria de Vídeos Capeia Arraiana

jcl

Projectos em 3D promovem património beirão

O autor da «Rota dos 5 Castelos em 3D do concelho do Sabugal», Nuno Dias, apresentou mais um trabalho para promoção e divulgação do património histórico da região beirã. O projecto «Valverde em 3D», retrata digitalmente em três dimensões os edifícios mais importantes da freguesia de Valverde, no concelho do Fundão.

Valverde 3D

«Valverde em 3D» foi um projecto desenvolvido de modo a promover e divulgar digitalmente, em três dimensões (3D), os edifícios mais importantes da aldeia de Valverde, do concelho do Fundão. É um projecto pioneiro para uma aldeia de Portugal, sendo Valverde a «primeira aldeia de Portugal» a ter os seus edifícios mais importantes em 3D. A transposição do papel e da fotografia para a imagem animada por programas digitais possibilita serem vistos por qualquer pessoa em qualquer parte do Mundo, no maior portal geográfico do Mundo – o Google Earth.
O Projecto «Valverde em 3D» foi apresentado no dia 9 de Abril de 2011 aos seus habitantes, no Pavilhão Desportivo, na festa comemorativa do Dia da Freguesia.
Na «Visita Virtual 3D» projectada na sessão e disponível no blogue oficial foram visualizados os seguintes edifícios: o depósito da água, a igreja matriz, o museu D. João de Oliveira Matos, a Junta de Freguesia, a capela do Espirito Santo, a escola primária, o pavilhão desportivo, a capela de São Domingos e a capela do mártir São Sebastião, esta última situada na anexa Carvalhal.
«Além do “Valverde em 3D” sou, também, o autor da “Rota dos Cinco Castelos em 3D do concelho do Sabugal”, um projecto que lancei em 2009 e visou promover e divulgar os cinco castelos e que tem como objectivo promover e divulgar a nossa região», declarou ao Capeia Arraiana o autor, Nuno Dias, aproveitando para mostrar a sua satisfação pela divulgação do seu trabalho nos mais importantes meios de comunicação nacionais.

Blogue oficial de Valverde. Aqui.
Página no Sketchup com os 5 Castelos do Sabugal. Aqui.

Nuno Dias é natural do Fundão, Castelo Branco. Actualmente é freelancer na área de Modelação 3D e estudante de Licenciatura em Engenharia Civil na Universidade da Beira Interior, onde também é formador do curso «Iniciação ao Autocad».
aps

Casas de abrigo florestais abandonadas

Há cerca de 50 anos foram construídas duas casas florestais na área geográfica de Fóios e uma na área de Quadrazais, no concelho de Sabugal. As referidas casas foram habitadas por guardas florestais, com as respectivas famílias, durante uma dezena de anos. Os guardas tinham por missão fiscalizar as áreas de baldio que haviam sido florestadas.

Clique nas imagens para ampliar

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaNessa altura havia muitos pastores em toda a zona e era necessário e conveniente que as cabras não entrassem nas áreas florestadas.
Depois das árvores se terem desenvolvido, e quando o gado já podia entrar nas respectivas áreas, e também porque era desumano terem essas famílias a cerca de quatro ou cinco quilómetros dos povoados, os Serviços Florestais deixaram as casas ao abandono.
No princípio da década dos anos 90, altura em que o engº Renato Costa foi Director da Reserva Natural da Serra da Malcata e, sob proposta dele, o ICN adquiriu, aos Serviços Florestais, as três casas, tendo conseguido, através da aprovação de um projecto, uma verba que foi muitíssimo bem aplicada. As casas foram, na verdade, muito bem recuperadas e equipadas para a prática do turismo. Acontece, porém, que entretanto o senhor engº Renato Costa foi substituído e os directores vindouros nunca manifestaram grande interesse em alugar as casas, para a prática do turismo, muito embora a procura seja enorme.
Para que serviu o dispêndio da verba em causa se as casas continuam igualmente fechadas e com os equipamentos a degradarem-se? É de bradar aos céus. Somos, de facto, um País que nem se governa nem se deixa governar. A quem interessará que as casas continuem fechadas e abandonadas? É, na verdade, um crime de lesa Pátria.
Numa altura em que tanto se fala em turismo rural, e vindo tantos grupos para esta bonita zona raiana, não haverá alguém que consiga dar uma ordem e pôr as coisas no devido lugar? Somos pobres porque nos fazem ser pobres.
Enviem para os Vossos contactos para ver se conseguimos envergonhar senhores responsáveis pelo ICNB.
Enquanto continuarmos a ser governados por quem não nos conhece, pobre interior.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Forcão – Capeia Arraiana – o grande livro

No livro «Forcão – Capeia Arraiana» as poderosas imagens de Joaquim Tomé (Tutatux) investem ao longo das páginas nas galhas da escrita magistral de António Cabanas e vão servir para acrescentar história à História das terras de Riba-Côa. António Cabanas, natural de Meimoa, é também um homem da Malcata e da Raia e é agora, definitivamente, um verdadeiro raiano. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana
LocalVisãoTv - © Capeia Arraiana
Autoria: LocalVisãoTV posted with Galeria de Vídeos Capeia Arraiana

jcl

Mor Karbasi na abertura do Festival Sefardita

Mor Karbasi, uma das mais belas e aclamadas vozes da música latina e sefardita, vai actuar no Teatro Municipal da Guarda, dia 18 de Setembro, pelas 21 horas, na abertura do 2º Festival Internacional da Memória Sefardita.

A jovem israelita, que reside em Londres, Inglaterra, tem antepassados judeus (marroquinos e persas) e é uma grande fã do flamenco. Em palco, canta em ladino, espanhol, hebraico e, ocasionalmente, em Inglês.
O reportório inclui músicas antigas e tradicionais inspiradas na cultura judaica do século XV.
Mor Karbasi já disse à imprensa que não quer apresentar a música sefardita «como parte de um museu empoeirado». O objectivo é «reanimá-la» tornando-a «acessível a um vasto público que a merece».
Mor Karbasi tem no currículo actuações no Reino Unido, EUA, França, Espanha e Itália, e participa agora na abertura do 2º Festival Internacional da Memória Sefardita.
plb (com Turismo Serra da Estrela)

Reserva Natural Serra da Malcata - Sabugal - Penamacor - Capeia Arraiana

«Pé n’A Terra» para conhecer a biodiversidade

«Saída Pé n’A Terra» é o nome da iniciativa da Transcudânia e da Quercus para evocar o Dia da Terra, pela qual promovem uma ida à Serra da Malcata.

Rio Côa e Serra da Malcata - Sabugal - Capeia Arraiana

Rio Côa e Serra da Malcata – Sabugal – Capeia Arraiana

Lince da Malcata - © Capeia Arraiana

Exposição «Terra de Linces» em Penamacor (1)

A Câmara Municipal de Penamacor chamou a si a exposição fotográfica «Terra de Linces», uma organização da Associação Iberlinx (que o município de Penamacor integra), em parceria com a EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva, Águas do Algarve, Junta de Andalucia, Ayuntamento de Valencia del Mombuey e ICNB.

(Clique nas imagens para ampliar.)

Lince da Malcata - © Capeia Arraiana

Exposição «Terra de Linces» em Penamacor (2)

A Câmara Municipal de Penamacor chamou a si a exposição fotográfica «Terra de Linces», uma organização da Associação Iberlinx (que o município de Penamacor integra), em parceria com a EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva, Águas do Algarve, Junta de Andalucia, Ayuntamento de Valencia del Mombuey e ICNB.

Exposição Terra de Linces

aps

Jovens de Portugal e Espanha catalogam património

Cerca de 30 jovens de Portugal e Espanha realizaram nas últimas semanas uma catalogação de bens materiais e imateriais de várias localidades fronteiriças da região do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Douro-Duero. O projecto, denominado «Observatório para a Promoção Cultural do Eixo Duero-Douro», pretende segundo os promotores ajudar a preservar o património cultural e social da região para as novas gerações.

Jose Luis PascualJose Luis Pascual, alcaide de Trabanca e presidente do Agrupamento, explicou que se quer «resgatar do esquecimento» uma parte «muito rica do património, numa das fronteiras mais antigas da Europa». Permitirá ainda contribuir para a formação como agentes culturais dos jovens espanhóis e portugueses participantes, explicou. O projecto vai permitir a recompilação da informação relativa a festas, costumes, património arquitectónico, gastronomia, personagens, jogos, mapas ou construções de uma dezena de municípios dos dois lados da fronteira.
A documentação foi depois digitalizada em várias páginas web, uma por cada município, permitindo que a informação «esteja disponível para todos e se possa conhecer em qualquer parte do mundo», explicou Pascual.
Em concreto o projecto abrangeu as localidades portuguesas de Sortelha, Vila do Touro, Malcata, Miranda do Douro, Vila Nova de Foz Côa, Numão e Freixo de Espada à Cinta e do lado espanhol Almaraz de Duero, Cabeza de Caballo, Espeja, Trabanca e Villaseco de los Reyes.
aps (com agência Lusa)

Serra da Malcata recebe 16 mil árvores

A associação ambientalista Quercus, em parceira com a Fundação Yves Rocher, vão proceder ao plantio de 16.250 árvores autóctones na Serra da Malcata, numa campanha de reflorestação, que prevê a plantação em Portugal de um total 165 mil árvores em quatro anos.

Serra da MalcataSegundo a Quercus, neste projecto, para além da Malcata, a Serra d’Arga receberá 5000 árvores, o Alvão/Marão 20 mil.
No primeiro ano, serão plantadas 41.250 árvores, pertencentes a 23 espécies, algumas das quais raras, em três sítios de importância comunitária: Serra d’Arga (Viana do Castelo), Alvão/Marão (Vila Pouca de Aguiar) e Malcata (Penamacor e Sabugal).
Esta campanha de plantação de árvores enquadra-se no projecto «Criar Bosques», da Quercus, que visa a plantação de espécies autóctones, em diferentes localidades de Portugal, com o objectivo de salvar a floresta original portuguesa.
Para a concretização deste projecto, a Quercus celebrou, em Agosto de 2010, um protocolo com a Fundação Yves Rocher. A contribuição desta fundação insere-se numa iniciativa mais ampla e à escala mundial, chamada «Plantemos para o Planeta: Mil milhões de árvores para o Planeta», lançada em 2006 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que incentiva a plantação de árvores em todo o mundo como resposta à ameaça do aquecimento global.
A Fundação Yves Rocher, criada em 1991, e colocada sob a égide do Instituto de France desde 2001, defende a interacção entre a natureza e o Homem, tendo como objectivo participar na elaboração de um mundo mais verde através de acções concretas a favor do ambiente.
plb

Tradição e Sabores em Novembro no Sabugal

Castanhas, mel, cogumelos e avelãs produzidos em território raiano marcaram presença na Feira dos Produtos Locais no Mercado do Sabugal. Reportagem com imagem de Sérgio Caetano da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
[vodpod id=Video.4860383&w=425&h=350&fv=]

jcl

Casas da Malcata chegam ao Parlamento

No Dia Mundial do Turismo os deputados do Partido Socialista eleitos pelos distritos de Castelo Branco e da Guarda apresentaram na Assembleia da República um requerimento para obter o aproveitamento turístico das casas da natureza que estão ao abandono na Reserva Natural da Serra da Malcata. O documento foi endereçado ao secretário de Estado do Ambiente, secretário de Estado do Turismo e ministra do Trabalho e da Segurança Social.

(Clique nas imagens para ampliar)

Jorge Seguro SanchesQuase 30 anos depois da sua criação legal, a Reserva Natural da Serra da Malcata identifica-se cada vez mais como um potencial centro de Turismo Rural e de Natureza, assumindo assim uma grande importância, para o país e para uma região que procura apostar no turismo como uma das poucas opções de futuro e de fixação de populações.
Depois de vultuosos investimentos feitos nos anos 90 do século XX, as casas abrigo, integradas na Reserva Natural da Serra da Malcata, bem como as instalações-sede da reserva, possibilitam o alojamento de turistas em instalações muito bem enquadradas
e que permitem uma visita única a uma das reservas europeias mais rica em termos de biodiversidade (aliás considerada em 1987 como Reserva Biogenética do Conselho da Europa).
Numa visita recente à Reserva pudemos verificar o potencial das casas abrigo – sem uso mas em aparente bom estado de conservação – e das quais se juntam fotos (casa do Major e casa da Ventosa).
Todavia este tipo de alojamento não está a ser aproveitado, nem está licenciado (conforme é referido no portal do ICNB). Aqui.
Esta situação pode ser uma oportunidade para não só dotar aquela região de mais algum alojamento como pode ser considerada como um potencial de parceria entre serviços públicos que desta forma – e sem grandes acréscimos de custos – podem oferecer aos portugueses mais turismo aliás de características praticamente únicas no continente europeu.
Acresce a existência na serra da Malcata (junto à casa da Ventosa) de uma pista de aviação – actualmente utilizada apenas no combate aos incêndios – a qual pode ser também uma mais-valia num tipo de turismo cada vez mais procurado mas sempre em respeito da natureza.
A Fundação INATEL (que em Portugal tem um papel decisivo no turismo social) tem hoje na sua rede alguns equipamentos com estas características (nomeadamente no distrito de Bragança) e que são um bom exemplo no aproveitamento do turismo no Interior do país.
Independentemente do tipo de solução que se encontre para aquelas casas parece-nos contudo que a actual situação (de não aproveitamento e de praticamente abandono) é inaceitável pelo que apelamos a um entendimento entre os serviços públicos com potencial intervenção nas áreas do turismo e do ambiente e com a colaboração – sempre necessária –
das autarquias envolvidas.
Jorge Seguro Sanches
(Deputado do Partido Socialista pelo distrito de Castelo Branco)

Casas de abrigo abandonadas na Serra da Malcata

As três casas florestais de abrigo da Reserva Natural da Serra da Malcata foram recuperadas na década de 90 do século passado para serem utilizadas para turismo. Em 2010 estão fechadas e com os equipamentos a degradarem-se.

Casas Abrigo Malcata

José Manuel Campos - Nascente do CôaHá cerca de 50 anos foram construídas duas casas florestais na área geográfica de Fóios e uma na área de Quadrazais, no concelho de Sabugal. As referidas casas foram habitadas por guardas florestais, com as respectivas famílias, durante uma dezena de anos. Os guardas tinham por missão fiscalizar as áreas de baldio que haviam sido florestadas. Nessa altura havia muitos pastores em toda a zona e era necessário e conveniente que as cabras não entrassem nas áreas florestadas.
Depois das árvores se terem desenvolvido, e quando o gado já podia entrar nas respectivas áreas, e também porque era desumano terem essas famílias a cerca de quatro ou cinco quilómetros dos povoados, os Serviços Florestais deixaram as casas ao abandono.
No princípio da década dos anos 90, altura em que Eng.º Renato Costa foi Director da Reserva Natural da Serra da Malcata e, sob proposta dele, o ICN adquiriu, aos Serviços Florestais, as três casas, tendo conseguido, através da aprovação de um projecto, uma verba que foi muitíssimo bem aplicada. As casas foram, na verdade, muito bem recuperadas e equipadas para a prática do turismo. Acontece, porém, que entretanto o Sr. Eng.º Renato Costa foi substituído e os directores vindouros nunca manifestaram grande interesse em alugar as casas, para a prática do turismo, muito embora a procura seja enorme.
Para que serviu o dispêndio da verba em causa se as casas continuam igualmente fechadas e com os equipamentos a degradarem-se? É de bradar aos céus. Somos, de facto, um País que nem se governa nem se deixa governar. A quem interessará que as casas continuem fechadas e abandonadas? É, na verdade, um crime de lesa Pátria.
Numa altura em que tanto se fala em turismo rural, e vindo tantos grupos para esta bonita zona raiana, não haverá alguém que consiga dar uma ordem e pôr as coisas no devido lugar?
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

PS do Sabugal critica projecto do PROT-Centro

A comissão política concelhia do Partido Socialista do Sabugal criticou severamente o projecto de Plano Regional de Ordenamento do Território da Região Centro (PROT-Centro), considerando que o documento deixa o Sabugal «completamente à margem das dinâmicas de desenvolvimento», lamentando que o presidente da Câmara nunca tenha informado o executivo municipal do seu conteúdo.

PS - Partido Socialista - SabugalOs vereadores socialistas apresentaram na reunião do executivo municipal de 11 de Agosto, um documento que denuncia os erros do projecto do PROT-Centro, que na sua opinião «contribuirá para a agravar a situação com que o concelho se defronta, ou mesmo a colocar em risco a própria sobrevivência da nossa terra».
Numa posição extremamente crítica da acção do Município no processo, a comissão política do PS vem agora lamentar que o presidente da Câmara nunca tenha informado o Executivo da proposta nem das posições assumidas pela edilidade. Dando consequência à sua indignação os socialistas propõem que todos (Executivo, Assembleia Municipal, Juntas de Freguesia e cidadãos) sejam ouvidos, «de forma que em Coimbra se compreenda que não permitiremos ficar arredados do desenvolvimento e condenados a assistir à lenta agonia do nosso concelho».
Numa análise ao projecto, considera-se que o mesmo deixa o concelho «completamente à margem das dinâmicas de desenvolvimento propostas», e denuncia-se que «o Sabugal não integra nenhuma das Unidades Funcionais Relevantes» identificadas, que na Beira Interior se concentram somente no corredor Guarda – Castelo Branco (A23) e na ligação Litoral – Guarda – Espanha (A25). O documento classifica o Sabugal com a polaridade mais baixa (de nível 3), fazendo parte de uma constelação de pequenos centros, condenados à quebra demográfica e ao envelhecimento.
No modelo territorial defendido pelo plano nada de estruturante é reservado ao Sabugal, restando-lhe a inclusão na rede urbana mais fina, pertencente às extensas áreas tocadas pelo processo de desruralização. «E é tudo… Pois para nós, o que parece é que para os autores deste Plano, a Beira Interior é Guarda, Fundão, Covilhã e Castelo Branco, e o resto é paisagem…», dizem os socialistas.
No Turismo o plano destaca a Serra da Estrela, «o que até interessa ao Sabugal», dizem, mas fazem notar a exclusão das Termas do Cró entre as estâncias termais identificadas, a falta de referência à Serra da Malcata e à Albufeira do Sabugal, o que mais uma vez significa a completa marginalização do concelho.
No que toca a acessibilidades, os socialistas dão conta da identificação dos «corredores estruturantes», dos «eixos prioritários de coesão» e das estradas a construir no futuro, com o Sabugal mais uma vez excluído, daí concluindo: «As prioridades em termos de acessibilidades, acentuam o carácter de marginalidade que parece querer ser atribuído ao concelho do Sabugal».
No referente à inovação e competitividade, a análise dos socialistas leva-os à conclusão de que «o Sabugal não conta para as estratégias de desenvolvimento da Região Centro e da Beira Interior». O sabugal inclui-se, segundo o documento, nas áreas geográficas que «deverão assumir o desígnio estratégico de se estruturar como palco para a articulação com os principais núcleos de desenvolvimento (principalmente no acesso a serviços) e para a amarração da estratégia de desenvolvimento regional».
Face a gravidade da situação, os socialistas consideram que o assunto não pode ficar limitado aos gabinetes técnicos ou ao presidente da Câmara e aos vereadores com pelouros atribuídos, defendendo que todos devem ser ouvidos.
O documento elaborado pelos socialistas, acaba com a identificação de três propostas: a disponibilização de todos os documentos do projecto no site da Câmara, o agendamento de uma reunião com a Mesa da Assembleia e as Juntas de Freguesia, para a tomada de uma posição conjunta, e a realização de uma «jornada de reflexão pública» sobre o assunto.

Ver documento oficial na íntegra. Aqui.
plb

Há linces em Andújar (2)

A convite do ICNB e do projecto Valia deslocámo-nos à Serra de Andújar na Andaluzia para ver in loco o que os espanhóis estão a fazer pela recuperação da população de linces. Autarcas, proprietários de zonas de caça, agricultores, biólogos, representantes de associações ambientalistas, pudemos apreciar o muito que é preciso fazer para melhorar os habitats de Lince.

GALERIA DE IMAGENS
Fotos com Direitos Reservados – Clique nas imagens para ampliar

«Terras do Lince», opinião de António Cabanas
(Vice-Presidente da Câmara Municipal de Penamacor)
kabanasa@sapo.pt

Há linces em Andújar (1)

A convite do ICNB e do projecto Valia deslocámo-nos à Serra de Andújar na Andaluzia para ver in loco o que os espanhóis estão a fazer pela recuperação da população de linces. Autarcas, proprietários de zonas de caça, agricultores, biólogos, representantes de associações ambientalistas, pudemos apreciar o muito que é preciso fazer para melhorar os habitats de Lince.

António Cabanas - Terras do Lince - Capeia ArraianaAqueles que como eu gostam do lobo cerval e anseiam vê-lo de novo no nosso país regressaram satisfeitos. Não é que o tivéssemos visto, mais depressa o lince nos veria a nós, tal era o tamanho da comitiva e todos sabem como é acutilante o seu olhar. Mas as fotos tiradas pelas máquinas automáticas, sim, tinham-no registado na noite anterior. Um excremento fresquinho, ainda a cheirar intensamente, coelhos quanto baste, veados, águias, vistos até do autocarro e paisagem de montado até perder de vista.
Bom foi ouvir Miguel Ángel Simón, responsável pelo projecto Lince, falar dos excelentes resultados do projecto.
Ainda que os censos mais antigos não fossem fiáveis estimava-se que houvesse em meados do século XX 5 a 6 mil linces, reduzidos no final dos anos 70 a 1200 e a 1100 no final de 80. Em 2002 Guzman apontava não mais de 200 animais para a população espanhola, sendo certo que em Portugal era praticamente nula a presença do felino.
No início do milénio, os técnicos de ambos os países davam como inevitável a sua extinção. O desânimo tinha-se instalado na comunidade científica e o seu desaparecimento de um local tão emblemático como a Malcata era revelador de uma situação irreversível. Além do mais as tentativas para os reproduzir em cativeiro não estavam a resultar e quando finalmente começavam a dar frutos, eis que uma leucemia mata 9 linces só em 2007! Era o fim do Lince Ibérico! Até os mais esperançosos acreditaram estar perante a morte anunciada da espécie.
Contra todas as expectativas porém, o felino tem vindo a recuperar nos últimos anos. A Serra de Adújar-Cardena conta hoje com cerca de 160 linces quando em 2002 havia apenas 60. Também a população de Doñana, apesar da consanguinidade tem vindo a aumentar, o mesmo acontecendo na Serra Morena. Tudo isso se deve aos esforços de melhoria dos habitats que têm sido feitos nestes refúgios.
Com a viagem, tinha o ICNB a intenção de demonstrar aos caçadores e proprietários do Alentejo que a introdução do lince não lhes trará prejuízos. É conhecida a enorme desconfiança de uns e outros face às habituais restrições que impendem sobre os territórios geridos pelo ICNB. Curiosamente, na hora de fazer o balanço da viagem, tinha-se virado o feitiço contra o feiticeiro: caçadores e terra tenentes vinham encantados com o que viram e se o ICNB queria os linces que seguisse os bons exemplos dos espanhóis, respeitasse as herdades e as actividades e que em vez de impor restrições as ajudasse a tornar mais rentáveis como acontecia em Andújar. Para eles foi isso que a visita lhes mostrou: dois proprietários de fincas contentes com as limpezas, as adubações e o maneio dos habitats, tudo pago pelo projecto.
Pela nossa parte, ou seja, relativamente à Malcata, ficámos conscientes do muito que há a fazer para aumentar a população de coelho, dos muitos hectares de pastagens a semear, dos marouços a construir, dos coelhos a introduzir, do acompanhamento necessário, do que não ficámos certos é se haverá dinheiro para todo esse esforço. Esperamos que sim.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

(Vice-Presidente da Câmara Municipal de Penamacor)
kabanasa@sapo.pt

Somos pobres porque nos fazem ser pobres

Há cerca de cinquenta anos foram construídas duas casas florestais na área geográfica de Foios e uma na área geográfica de Quadrazais. As referidas casas foram habitadas por guardas florestais, com as respectivas famílias, durante uma dezena de anos.

José Manuel Campos - Nascente do CôaOs guardas tinham por missão fiscalizar as áreas de baldio que haviam sido florestadas. Nessa altura havia muitos pastores em toda a zona e era necessário e conveniente que as cabras não entrassem nas áreas florestadas.
Depois das árvores se terem desenvolvido e quando o gado já podia entrar nas respectivas áreas e também porque era desumano terem essas famílias a cerca de quatro ou cinco quilómetros dos povoados, os serviços florestais deixaram as casas ao abandono.
No princípio da década dos anos noventa altura em que Eng.º Renato Costa foi Director da Reserva Natural da Serra da Malcata e, sob proposta dele, o ICN adquiriu, aos Serviços Florestais, as três casas tendo conseguido, através da aprovação de um projecto, uma verba que foi muitíssimo bem aplicada.
As casas foram, na verdade, muito bem recuperadas e equipadas para a prática do turismo. Acontece, porém, que entretanto o Sr.Eng.º Renato Costa foi substituído e os directores vindouros nunca manifestaram grande interesse em alugar as casas, para a prática do turismo, muito embora a procura seja enorme.
Para que serviu o dispêndio da verba em causa se as casas continuam igualmente fechadas e com os equipamentos a degradarem-se? É de bradar aos Céus. Somos de facto um País que nem se governa nem se deixa governar. A quem interessará que as casas continuem fechadas e abandonadas? É, na verdade, um crime de lesa Pátria.
Numa altura em que tanto se fala no turismo rural, e vindo tantos grupos para esta bonita zona raiana, não haverá alguém que consiga dar uma ordem e pôr as coisas no devido lugar?
Reafirmamos aquilo que já muitas vezes dissemos:
Somos pobres porque nos fazem ser pobres!
Afinal no país só mandam alguns senhores?»
Queremos para todos aquilo que é de todos!
Exigimos justiça!
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Imagem da Semana – Terras do Lince

«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com


Clique na imagem para ampliar

Legenda: Domingos Torrão e António Cabanas, presidente e vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor, com as respectivas mulheres, no jantar dos antigos alunos do Colégio. Não foram alunos nem professores na instituição, mas reconhecem o papel fundamental do antigo Colégio do Sabugal no desenvolvimento da educação na região.

Data: 1 de Maio de 2010.
Local: Restaurante D. Dinis (RaiHotel).
Autoria: Capeia Arraiana.
plb

Nós por cá

No sábado, dia 17 de Abril, depois de ter saído do almoço promovido pela Confraria do Bucho Raiano decidi ir mostrar a barragem à minha esposa visto que eu havia lá estado há poucos dias.

Clique nas imagens para ampliar

Está cheia e bonita. Havia algum vento e as ondas faziam lembrar o mar.
Durante os cerca de vinte minutos que por ali andei verifiquei que chegaram e partiram doze automóveis. Algumas pessoas saím outras observavam através dos vidros das viaturas.
Em conversa com um senhor, também visitante, conversámos sobre essa imensidão de água e concordámos que é, de facto, uma mais valia para a região. No entanto fizemos os dois uma crítica. O lixo, as giestas e as silvas que já invadem o passeio não ficam bem nas fotografias. Vejam as que anexo.
Então aquando da jornada «Sabugal Concelho Limpo» ninguém se deu conta dessa situação?
Os senhores responsáveis pela barragem deverão ser chamados à atenção e obrigados a limpar.
Então os senhores do SEPNA também ainda não deram conta? Vão lá ver e prestem-nos um bom serviço. Queremos e merecemos um miradouro amplo, bonito e chamativo.
José Manuel Campos

O enigmático lince

O Lince é decididamente um animal enigmático. Tão enigmático que são vários os seus nomes: lobo-cerval, liberne, gato-cerval, gato-cravo ou gato-real. Há até quem o apelide de gato-fantasma ou de nunca-te-vi! Também se lhe atribuem características estranhas como a capacidade de perfurar a rocha com o seu «olhar de lince».

Centro Reprodução Lince Ibérico - Silves

António Cabanas - «Terras do Lince»Trepador, territorialista, e dorminhoco como todos os gatos, não precisa de lições de eficiência energética, pois não gasta energias desnecessárias.
Dizem os especialistas que possui uma estratégia K, opção de vida, por sinal, mais difícil do que o comum das espécies. Significa que, ao contrário de outras que investem em termos reprodutivos em proles numerosas (estratégia r), o lince tem como desígnio ter poucas crias. Mesmo quando nascem mais que uma, raramente sobrevivem mais que duas. A sua reprodução em cativeiro tem reflectido essa tendência, registando níveis elevados de mortandade das crias. A comprová-lo ainda recentemente morreu uma das crias das duas que, pela primeira vez, nasceram em Portugal.
Optando geralmente pelo filho único super-protegido pela mãe, assume-se como animal solitário que não tolera amizades, nem vida de casado que não seja por fugazes momentos de satisfação sexual. Passado o cio, fêmea e macho brigam pelo couto de caça até ao ponto de se ferirem mortalmente. Mesmo o acasalamento tem, como nos gatos domésticos, uma aparente conflitualidade.
A sua estratégia comporta ainda outra característica que por razões conhecidas lhe tem dificultado a sobrevivência. Especialista em coelho, do qual se alimenta em mais de 60%, podendo mesmo chegar a 80 ou 90% se este roedor for abundante, caça de salto, na orla das clareiras. É por isso um sprinter, cujo coração lhe impede a maratona de perseguir as presas, como outros incansáveis predadores.
Foi a sua dependência das populações de coelho e a diminuição destas em virtude de doenças (mixomatose e hemorrágica viral) e de outras razões, o factor que mais contribuiu para a situação de ameaça que impende sobre a enigmática espécie. Foi também a alteração dos habitats, o abandono da agricultura e as florestações em áreas contínuas que lhe roubaram o espaço de que precisa para sobreviver: o mosaico de matorral, entremeado de clareiras com pastagem e, sobretudo com coelhos.
Com a redução das populações e sua fragmentação, veio outro problema ao gato-cerval, a consanguinidade e a consequente diminuição de resistência a doenças. Não se estranham por isso as notícias sobre um elevado número de linces a sofrer dos rins, coisa incompreensível para um velocista.
Conhecidas as principais ameaças, impõe-se combatê-las eficazmente, o que nem sempre é tarefa fácil. Melhorar as áreas potenciais para a sua reintrodução, em alimento, ou seja aumentando a população de coelho, parece ser a principal urgência, que em conjunto com a criação de efeitos de orla, redução de riscos de caça e de atropelamentos, pode contribuir para ajudar à sua sobrevivência. Em alguns casos pode ser vantajoso reduzir os competidores ou combater as suas eventuais doenças.
A ciência não conseguiu ainda encontrar uma vacina eficaz para a hemorrágica viral, como o fez para a mixomatose, mas surgiu recentemente uma luzinha de esperança: as populações de coelho de algumas regiões de Valladolid aparentam ser resistentes àquela doença. Podemos estar pois num ponto de viragem, de nova esperança. O programa de reprodução em cativeiro também esteve enguiçado durante mais de uma década e de repente, de forma enigmática a condizer com o bicho, surgiu a fórmula secreta para o reproduzir. Pelos vistos foi só trocar de macho!
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

Sabugal acolheu Conselho Estratégico da Malcata

Hoje, dia 15 de Abril, reuniram no Centro de Educação Ambiental da Senhora da Graça, no Sabugal, os membros do Conselho Estratégico da Reserva Natural da Serra da Malcata (RNSM).

Reserva Natural da Serra da Malcata - Foto jusnmarO Conselho Estratégico é constituído por quinze elementos, pertencentes às mais diversas instituições. Tem por missão discutir, analisar e aprovar os planos e relatórios das várias actividades desenvolvidas pela RNSM.
Por volta das 10,30 horas o Presidente do Conselho Estratégico e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Penamacor, António Cabanas, abriu a sessão, tendo-se entrado, de imediato, na ordem de trabalhos.
O Director desta área protegida, Engenheiro Armando Carvalho, fez uma explanação dos documentos atrás referidos, tendo, no final, dado a palavra a todos os membros que pretenderam pronunciar-se em relação aos documentos em questão.
O vigilante José Henriques fez uma apresentação, em power point, relativa aos trabalhos que se têm desenvolvido em algumas áreas da RNSM. Mostrou também o local onde são depositados os animais mortos, ou já muito debilitados, que acabam por proporcionar excelentes banquetes aos abutres, grifos e outras aves.
Alguns elementos do Conselho Estratégico referiram-se às casas de abrigo que, como é do conhecimento geral, continuam fechadas, muito embora estejam bem apetrechadas para a prática do turismo. Ficou acordado que na próxima reunião já deverá haver novidades em relação à utilização destes edifícios que, na verdade, poderão contribuir para a vinda de pessoas, amantes da Natureza.
Tanto o Presidente da Câmara do Sabugal como o Vice-Presidente António Cabanas, de Penamacor, fizeram claras e evidentes exposições relativas aos aspectos mais gerais, tendo disponibilizado os respectivos Municípios para parcerias em hipotéticos projectos que possam trazer progresso e desenvolvimento para a região.
Desde que a RNSM foi criada, em 1981, que tenho acompanhado as mais diversas actividades. Já critiquei positiva e negativamente, como é óbvio. Mas, cabe aqui e agora, dizer que reconheço o bom trabalho que se vai desenvolvendo muito embora seja do conhecimento geral que os dinheiros, e outros meios, são escassos.
Parabéns ao Director Armando Carvalho – responsável por cinco áreas protegidas – técnicos e funcionários. Quando as equipas se motivam os resultados acontecem. Mas não se esqueçam que se o lince está em vias de extinção o homem também está. Como digo muitas vezes: «Abrem os lares e fecham as escolas».
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)

jmncampos@gmail.com

Lince da Malcata - © Capeia Arraiana

Morreu uma das crias de lince ibérico

Conforme notícia divulgada há poucos minutos pelo «Público on-line» uma das duas crias de Lince Ibérico nascidas em cativeiro no centro de reprodução de Silves no dia de Páscoa faleceu este domingo.

Nasceram duas crias de lince ibérico

O Ministério do Ambiente informou esta terça-feira, que as duas primeiras crias de lince ibérico geradas em cativeiro em Portugal nasceram no passado Domingo de Páscoa no Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico, em Silves.

[vodpod id=Video.3382140&w=425&h=350&fv=]

As duas crias nasceram de parto natural e são a primeira descendência da fêmea Azahar («flor de laranjeira» em árabe) nasceu há cinco anos em liberdade e foi o primeiro animal a ser transferido de Espanha para o centro de Silves, em Outubro passado.
Azahar nunca tinha conseguido engravidar, apesar de várias tentativas, no centro de reprodução de Jerez de la Frontera, de onde foi transferida para Portugal: o stress urbano daquele local terá inviabilizado a gravidez.
jcl (com agência Lusa)

Castelo Penamacor - © Capeia Arraiana

«A escola vai às Terras do Lince» em Penamacor

A divulgação do concelho de Penamacor junto da comunidade escolar está a ser desenvolvida no âmbito do projecto «A escola vai às Terras do Lince» do Gabinete de Turismo do município raiano.

António Cabanas - Terras do Lince - Capeia Arraiana (orelha)

Chouriços «Terras do Lince»

A partir de agora está disponível no mercado mais um produto «Terras do Lince». Trata-se de enchido feito de forma tradicional a partir de porco «Pata Negra». Os suínos são criados em Penamacor, em regime extensivo, em montados de sobro e azinho, a sul da Serra da Malcata, junto à fronteira. A montanheira em sub-coberto, sabiamente feita desde tempos imemoriais, num convívio sereno e ecológico e beneficiando reciprocamente árvores e animais, tem permitido a produção de uma carne suculenta, aromatizada e de sabor intenso.

Terras do Lince - Penamacor - Sabugal

Freguesia de Quadrazais - Sabugal - © Capeia Arraiana (orelha)

Gíria de Quadrazais na TVI

Esta quinta-feira, 11 de Março, no programa «Você na Tv!» da TVI marcam presença alguns quadrazenhos para falar da gíria e do contrabando. A não perder!

Freguesia dos Fóios - Sabugal - Capeia Arraiana (orelha)

«Sabugal Concelho Limpo» nos Fóios

A Junta de Freguesia de Foios, a equipa de Sapadores, o Grupo Cultural e Desportivo, a Associação de Caça e Pesca e os Vigilantes da Reserva Natural da Serra da Malcata acordaram aceder e envolver-se na acção «Sabugal Concelho Limpo». A iniciativa vai ser levada a efeito no próximo dia 20 de Março tal como a Câmara Municipal do Sabugal divulgou através de cartazes que foram distribuídos por todo o concelho.

Barragem do Sabugal está completamente cheia (2)

GALERIA DE IMAGENS – 13-2-2010
Fotos Celino Augusto – Clique nas imagens para ampliar

António Cabanas - Terras do Lince - Capeia Arraiana (orelha)

O regresso do Lince

A notícia de um novo centro de reprodução de lince em cativeiro que está a ser construído no nordeste da Extremadura espanhola, leva-nos a retomar o tema da crónica do início do ano, «Que 2010 nos traga o Lince». Esta nova estrutura está quase pronta em Zarza de Granadilla, junto à barragem de Gabriel y Galan, prevendo-se a sua conclusão antes do Verão. Os linces irão de Doñana, tal como os que foram para Silves, mas só depois de adquirido equipamento e contratado pessoal para que o centro possa funcionar, o que se prevê para o final de 2011.

Lince Ibérico da Serra da Malcata

Se tudo correr bem, o centro disporá de Linces para libertar lá para 2014, 2015, e visto serem a Sierra de Gata e as Hurdes tradicionalmente território do felino, poderão ser escolhidas para a reintrodução, vindo a reforçar a população da Serra da Malcata.
Entretanto, quer em Portugal quer em Espanha, os técnicos estudam a espécie, os seus competidores e as suas presas. O ICNB prepara planos de acção onde se inclui o diagnóstico das doenças susceptíveis de transmissão ao lince. É que ao contrário do que se pode pensar, a suposta vida saudável dos animais, em absoluta liberdade, não os isenta de patologias e viroses.
Um dos linces que mais contribuiu para a criação em cativeiro morreu no passado dia 1 de Fevereiro na Sierra Morena, com dez anos de idade, acometido de insuficiência renal crónica. Entre 2005 e 2008 Garfio – assim se chamava o felino – foi pai de onze crias. Dizem os técnicos que dos 72 animais do programa de criação, 25 sofrem do mesmo mal, o que motivou os especialistas da nefrologia espanhola e internacional a procurar um tratamento eficaz para a insuficiência renal do gato mais ameaçado do mundo.
Duas biólogas espanholas, da Estación Biológica de Doñana, estiveram esta semana entre nós para recolherem amostras de lince com vista ao estudo genético das suas populações. Duas peles em Meimoa e Meimão, um lince embalsamado no Museu de Penamacor e outro no Porto oriundo também de Penamacor, foram para já os espécimes objecto da recolha.
Outros linces embalsamados e peles haverá certamente na nossa região e na região vizinha espanhola que possam contribuir com amostras de tecido (geralmente um pedaço de unha) para alargamento da base de recolha. Quanto mais indivíduos forem estudados maior fiabilidade terá o estudo. Aqui deixamos o apelo a quem possuir material biológico, ou saiba da sua existência para que informe o Capeia Arraiana que assim também contribui para a preservação do Gato Real. Recorda-se que foi a evolução dos estudos de biologia que permitiram o sucesso recente da criação em cativeiro, coisa quase impossível anos atrás.
Estas notícias contrastam com a falta delas na Malcata, onde o ICNB, não possui sequer um biólogo que prepare o terreno, para que na hora de libertar animais existam as melhores condições, que estude as populações de coelho e os competidores, que promova a reintrodução de presas.
Esta carência deixa-nos deveras preocupados. Sabemos das dificuldades financeiras do ICNB e que os próximos anos não prometem melhoras nessa matéria, mas também sabemos que o Lince é assunto prioritário da conservação da natureza em Portugal. Gostaríamos pois que o ICNB assumisse as suas responsabilidades na Malcata, dotando-a de técnicos capazes de levar por diante as tarefas que se impõem. Se isso acontecer estará cumprido o voto formulado, para este ano, no anterior artigo.
As duas autarquias envolvidas estão dispostas a ajudar. Não é altura de cruzar os braços.
A Malcata possui a maior área natural, sem população humana, a maior área do Estado, que somada à da Portucel e à de dois ou três latifúndios, dão a esta serra as melhores condições de gestão. Fizeram-se nela investimentos de monta, na instalação de marouços, pastagens e cercados, e em estudos da flora e dos habitats em geral. Ao contrário de outras zonas potenciais de reintrodução de Lince, a Malcata quase não tem zonas de caça, reduzindo ao mínimo o conflito e os factores de risco. Além disso, o último exemplar capturado em Portugal foi na Malcata em 1992.
O maior problema poderá ser a reduzida população de coelhos, mas já vão aparecendo outras presas como o corso, o esquilo e o muflão. De resto ainda vamos a tempo de reintroduzir coelhos, presa preferida do Lince.
Que 2010 nos traga o Lince!
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Um almoço que alimentou o corpo e o espírito

Num destes domingos de Janeiro, almocei no restaurante Trutalcôa, um dos muitos restaurantes do nosso Concelho. Se menciono o nome, é pela razão da envolvência que caracterizou o almoço, nada tem a ver com publicidade.

Restaurante TrutalCôa - Quadrazais - Capeia Arraiana

Viveiros de trutas e Restaurante TrutalCôa – Quadrazais

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Uma centralidade transfronteiriça?

A localização do Concelho do Sabugal deve ser entendida não como factor negativo, mas como um dos pilares de uma estratégia de desenvolvimento sustentada.

Numa recente visita aos Fóios a convite do José Manuel, seu Presidente de Junta, permitiram-me tomar contacto com um gigantesco mapa que se destaca na parede da recepção do Centro Cívico.
O mapa que reproduzo em anexo é em si mesmo de tal modo elucidativo que quase dispensava quaisquer comentários. No entanto não quero deixar passar esta oportunidade para, mais uma vez repetir aquilo que venho defendendo há muito tempo.

Em crónica escrita há perto de um ano, dizia então, e cito:
«(…) um modelo de regionalização que sirva os interesses do Concelho do Sabugal, não pode deixar de comportar os seguintes aspectos essenciais:
1 – Integração nas estratégias de desenvolvimento do Eixo Urbano Guarda-Castelo Branco;
2 – Aprofundamento das relações com os Concelhos de Belmonte e de Penamacor;
3 – Aprofundamento da relação com os Municípios da raia espanhola;
4 – Aposta decisiva na construção de um modelo de desenvolvimento regional que englobe os eixos urbanos Guarda-Castelo Branco e Salamanca-Plasência-Cáceres.»

E o mapa a que me refiro, permite ter um olhar diferente para o posicionamento do nosso Concelho, já não enquanto um território isolado e em situação desfavorável face às dinâmicas regionais da Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco, mas enquanto parte integrante de uma realidade transfronteiriça que, em torno do complexo montanhoso Malcata/Gata, agrega quatro Unidades Territoriais – Sabugal e Penamacor em Portugal e Alto Águeda e Sierra de Gata em Espanha.
Percebe-se pela leitura deste Mapa, como podem ser estreitas as relações inter-fronteiriças: Batocas – La Almedilla; Aldeia da Ponte – La Albergueria de Argañan; Lajeosa – Navas Frias – Casillas de Flores; Aldeia do Bispo – Navas Frias;e Fóios – Navas Frias.
Mas percebe-se também como seria importante aprofundar as ligações das freguesias de Santo Estêvão, Casteleiro e Moita com o Meimão, o Vale da Senhora da Póvoa e a Meimoa, no Concelho de Penamacor, quer pela gestão comum da Reserva Natural da Serra da Malcata, quer do sistema de aproveitamento hídrico das águas do Côa.
Todos sabem que não sou dos que pensam que o desenvolvimento vai vir de Lisboa como os bebés vinham de Paris numa cegonha…
As realidades socioeconómicas deste conjunto de municípios são muito semelhantes e os problemas e desafios com que se defrontam muito idênticos.
Isolados pouco poderemos fazer. Em conjunto, estabelecendo estratégias de afirmação regional comuns, somos mais fortes.
A riqueza natural das Serras da Malcata e da Gata; o património histórico edificado; o património cultural; a gastronomia e o artesanato; os usos e costumes; a centralização relativa face aos principais núcleos urbanos da Região – Castelo Branco – Fundão – Covilhã – Guarda e Salamanca – Ciudad Rodrigo- Cáceres, eis outras tantas oportunidades de desenvolvimento.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

Malcata candidata às «7 Maravilhas Naturais»

Dentre as centenas de locais nomeados para o concurso «7 Maravilhas Naturais de Portugal» está o Parque Natural da Serra da Malcata, atendendo à sua beleza e unicidade da paisagem, sua importância ecológica e estado de conservação, critérios de base de que se serviram os especialistas.

Serra da MalcataO concurso integra sete categorias: Zonas Marinhas, Zonas Aquáticas Não Marinhas, Grutas e Cavernas, Praias e Falésias, Florestas e Matas, Grandes Relevos e Áreas Protegidas.
De acordo com dados constantes na página on-line das 7 Maravilhas Naturais de Portugal, fazem ainda parte dos nomeados outros locais da região, como a Serra do Pisco (Guarda), o Vale do Rio Águeda (Figueira de Castelo Rodrigo), Casais do Folgosinho (Gouveia), Vale Glaciar do Zêzere e Covão d’Ametade (Manteigas), Rio Ocreza e Serra da Gardunha (Fundão), Ribeira do Paul (Covilhã), Parque Icnológico de Penha Garcia e Inselberg de Monsanto (Idanha-a-Nova).
A maior parte das candidaturas validadas são montanhas, vales, serras e formações rochosas, onde se destacam, entre outras as serras de Marvão e São Mamede (Portalegre) ou as Pedras Parideiras (Arouca) e a Pedra Bolideira (Chaves). O rio Vez (Arcos de Valdevez), as Fisgas de Ermelo (Mondim de Basto) e as Portas do Vale do Almourão (Proença-a-Nova).
A categoria de Zonas Aquáticas Não Marinhas inclui a Lagoa de Óbidos, a Ria de Alvor (Portimão), os rios Mouro (Monção), Alva (em Moura Morta, Poiares), Douro (Peso da Régua) e Paiva (Arouca). Integra ainda a Cascata da Cabreia (Sever do Vouga), a Fraga da Pena (Arganil) e o Sapal do Rio Coina (Barreiro).
Já nas Zonas Marinhas destaca-se a Ilha da Berlenga e a Onda dos Supertubos, na praia do mesmo nome, em Peniche.
A praia da Amoreira (Aljezur), o Litoral do Guincho (Cascais), a Ponta João D’Arens (Portimão), o Cabo da Roca (Sintra) e a Fajã dos Padres (Madeira) integram a categoria Praias e Falésias. Esta inclui ainda a Praia Velha, Concha e São Pedro de Moel (Marinha Grande), as Falésias do Cabo Mondego (Figueira da Foz) e as praias fluviais de Fragas de São Simão e Ana de Aviz (Figueiró dos Vinhos).
A Furna do Enxofre (Santa Cruz da Graciosa, Açores), as grutas de Alvados, Santo António e Mira e Aire (Porto de Mós), Moeda (Batalha) e o Algar do Pena (Santarém) aparecem na categoria Grutas e Cavernas.
Nas Florestas e Matas há a assinalar as candidaturas da Mata Nacional do Buçaco (Mealhada), o Pinhal do Rei/Mata Nacional de Leiria (Marinha Grande) e os Montados de Sobro e Azinho (Avis, Portalegre), entre outras.
A Reserva Natural da Serra da Malcata concorre na categoria reservada às áreas protegidas, donde ainda fazem parte o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, a Ria Formosa (Algarve), o Estuário do Tejo ou a Floresta Laurisilva (São Vicente, Madeira), o Parque Natural de Montesinho (Vinhais) e a Área da Reserva da Lagoa de Santo André (Santiago do Cacém).
A lista de candidaturas será analisada por 77 especialistas que vão eleger as 77 candidatas (11 de cada categoria) para a fase seguinte, o que acontecerá a 7 de Fevereiro.
Em 7 de Março são anunciados os 21 locais finalistas (três por categoria). A votação pública para as 7 Maravilhas Naturais de Portugal acontecerá depois até 7 de Setembro.
plb

Que 2010 nos traga o Lince!

No final de um ano difícil para todos, (talvez nem todos) é hora de olhar para trás, para o caminho percorrido e efectuar o balanço do que de bom e mau se passou. Mas é também hora de fazer votos de um excelente Ano de 2010 para este território raiano e para todos os que nele encontraram laços e afectos.

Lince Ibérico - Malcata

António Cabanas - «Terras do Lince»Entre as muitas realizações que todos queremos ver concretizadas, umas da competências dos poderes públicos, central ou autárquicos, outras da sociedade civil, ou seja de cada um de nós, pela minha parte, gostaria especialmente que o primeiro lince a colocar em liberdade, o fosse já em 2010, na Reserva da Malcata.Se esse desiderato for conseguido, o Ministério do Ambiente e o ICNB ficarão redimidos dos erros e omissões cometidos em anos anteriores em prejuízo desta área protegida (Ap).
Ao longo das últimas décadas as populações da sua envolvente têm abdicado de tirar da serra proveitos que, naturalmente, não resolveriam os nossos problemas, mas poderiam, com outras opções de uso, ajudar a minimizá-los. Entre muitos outros possíveis, darei apenas dois exemplos:
1. A Serra da Malcata foi, ancestralmente, refúgio de fauna de pequeno e grande porte, potencialmente indutora do desenvolvimento da actividade cinegética, que sempre se praticou nas suas vertentes. Para se aferir dessa histórica actividade leia-se «Caçadas aos javalis» do Dr. Framar.
Caso se tivesse seguido a opção cinegética, a serra poderia albergar hoje uma série de zonas de caça turística, muito rentáveis e geradoras de emprego. Geridas de forma empresarial, as grandes herdades da serra por certo estariam povoadas de veados e corços, muflões e javalis para atrair os mais endinheirados amantes da arte da caça.
2. Outro valioso recurso a aproveitar poderia ser a energia eólica. Com várias cumeadas de altitudes próximas dos 1000 metros, só uma alternativa muito mais valiosa justificará que qualquer país desenvolvido abdique deste enorme potencial energético.
Não quero mencionar sequer outras alternativas de aproveitamento, designadamente, florestal, para não abrir outras frentes de opinião fracturante.
Já defendi, sem qualquer tibieza, a compatibilidade entre a energia eólica e a conservação do Lince, opinião alias, publicada na comunicação social nacional. Não é agora o momento de esgrimir tais argumentos.
A Malcata podia ser um parque natural, alargado a outras zonas dos dois concelhos, podia até ser o 2.º parque nacional do país, mas não é uma coisa nem outra: é antes uma reserva natural. Sendo uma reserva, é a conservação das espécies, em especial o Lince e não as paisagens o seu principal valor.
São essencialmente dois os impactes apontados pela corrente de opinião que rejeita a exploração eólica nas Aps, o visual e a perturbação da avifauna. O primeiro é obviamente subjectivo, o segundo precisará de ser melhor estudado e comprovado.
Os que, legitimamente, acham que os aerogeradores descaracterizam e empobrecem as paisagens naturais, não podem usar esse argumento na Malcata: primeiro porque ela já está rodeada deles, depois porque o seu plano de ordenamento restringe a visitação, sinal claro de que não se pretende a fruição das suas paisagens. E as paisagens só são belas perante o nosso olhar.
Por ironia, os espanhóis preparam-se para encher de torres eólicas a cumeada de fronteira, onde o recurso energético devia ser comum. Os molinos ficarão a uns centímetros da reserva, cujo Regulamento os proíbe terminantemente! Os grifos e abutres negros, que com frequência cruzam a fronteira, ficarão sujeitos ao seu alegado impacte.
Assim a Malcata ficará com os dois «temíveis» impactes ambientais, mas não receberá um cêntimo de compensação! Temos que afirmar que os seus interesses e os das espécies que ali se preservam foram mal defendidos.
Teria sido mais vantajoso negociar contrapartidas em favor do lince, por exemplo. E que contrapartidas!? Num estudo solicitado pela Câmara de Penamacor a uma empresa eólica, a Malcata poderia render, em energia, cerca de 40 milhões de euros anuais (1 milhão seria para as autarquias).
Nunca fui de ideias fixas. O que hoje nos parece correcto, pode amanhã, com melhor conhecimento, parecer-nos incorrecto e as opções de curto prazo nem sempre se revelam vantajosas a longo prazo. Mas estas são dúvidas que teremos sempre, sejam quais forem as opções.
Há porém valores – e os valores são perenes – que temos obrigação de defender. Os valores da justiça e da solidariedade devem estar sempre presentes nas políticas públicas. A defesa e preservação do Lince, é um desafio nacional que deve ser custeado pelo todo nacional, tal como o TGV ou o aeroporto de Lisboa. Não é justo que alguns paguem um benefício que é de todos.
Penamacor e Sabugal nunca foram compensados por contribuírem para um objectivo nacional e até supranacional. Pior, relativamente à questão do Lince, nos últimos anos a nossa região tem sido preterida, em favor de outras regiões, o que significa uma falta de ética e de respeito pelos investimentos feitos na Malcata em estudos e aquisição de terrenos.
Não temos nada contra o Algarve nem contra o Alentejo, até gostamos muito dessas regiões, mas não podemos permitir que o ICNB perca o azimute, traçado ao longo de mais de duas décadas. Não podem os interesses políticos sobreporem-se aos interesses da conservação.
A reintrodução do Lince na Malcata terá de ser uma medida prioritária da Conservação da Natureza a nível nacional, não apenas no discurso. Como não acreditamos na sorte resta-nos estar activamente atentos e vigilantes.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

Roubo do Sagrado no Vale da Senhora da Póvoa

É necessário um acto de desagravo à Senhora da Póvoa.

Pinharanda Gomes - Carta DominicalEstão frescas na nossa memória as notícias de dois graves sacrilégios: com uma serra de serrar rocha, alguém cortou e roubou as cruzes manuelinas (do século XVI) que desde há séculos estavam implantadas no adro da Matriz de Loures e nos Quatro Caminhos de Frielas. Inacreditável! Para que irão e para que servirão essas cruzes, emblemas do património nacional, acerca de cujo destino não vemos as autoridades em acção. É pedra… Se fossem notas!
Somos agora feridos com uma punhada no peito, quando soubemos que a veneranda e antiga imagem de Nossa Senhora da Póvoa de Vale de Lobo tinha sido roubada do seu santuário.
Nossa Senhora da Póvoa é, desde dos fins do século XVIII, o santuário mariano da Beira Baixa e de Ribacoa. Os mais novos não sabem, mas os da minha geração, jovens nos meados do século XX, ainda nos lembramos das filas de carros de tracção animal (bois, burros ou cavalos) enfeitados com festões e colchas de seda, transportando famílias inteiras, para a Senhora da Póvoa, logo na segunda-feira de Pentecostes. Romagem para dois dias, levava-se de comer o bastante e, à ida e à volta, era costume parar no sítio do Castanheiro das Merendas, já muito depois do Sabugal, para alimentar os animais e as pessoas.
Senhora da PóvoaRomaria de piedade, de promessas e também das folias que vinham de Monsanto e de Penamacor, com os seus estandartes, descantes e bombos; e, algumas vezes, toldados pelo vinho, moços que acabavam em lutas de vida e de morte. Leiam o «Maria Mim» de Nuno de Montemor e a «Celestina» de Joaquim Manuel Correia.
O ladrão deve ter-se arrependido, e abandonou a secular e sagrada imagem, debaixo de uma árvore, onde gente do povo a encontrou. Já devolvida à sua santa casa, falta agora que os povos da Beira-Côa e da Beira da Malcata e do Meimão, procedam a uma cerimónia de desagravo, na presença de todas as autoridades civis, militares e políticas da região. Não é possível que nada se faça como se nada tivesse acontecido:

«Nossa Senhora da Póvoa
Tem um galo no andor,
Cada vez que o galo canta
Acorda Nosso Senhor»

«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes
pinharandagomes@gmail.com

Ao forcão rapazes!

Depois da poeira da batalha eleitoral, é preciso que cada um, entre vencedores e vencidos, saiba encontrar o seu papel, na tradução exacta do mandato que lhe foi confiado pelos votos dos eleitores. Uns e outros, embora de forma diversa, assumiram compromissos e responsabilidades perante os sabugalenses e estes esperam que os seus eleitos estejam à altura de tais desafios.

Câmara Municipal do Sabugal

António Cabanas - «Terras do Lince»Desde o meu ingresso no Instituto de Conservação da Natureza e na Reserva da Malcata, já lá vão mais de 20 anos, tornei-me um amante do Sabugal, da sua riqueza histórica e cultural, das suas especificidades, das suas belezas naturais e, obviamente, das suas gentes. Fui descobrindo, confesso até com alguma inveja, as imensas potencialidades deste enorme município raiano. Alguém, nessa altura, já nem me lembro quem, ofereceu-me uma cópia do «Maria Mim», que estava esgotado, e li um dos exemplares das «Caçadas aos Javalis na Serra da Malcata» que havia na pequena biblioteca da Reserva. Daí para cá descobri, entre outros interessantes comunicadores, esse fascinante escritor, que dá pelo nome de Leal Freire. Tenho adquirido, lido e coleccionado todos os livros do Sabugal, as suas monografias, os estudos, os livros de poesia e romance. E que Rica surpresa ao ler «Celestina», onde encontrei referências ao carlo-miguelista penamacorense Francisco Pina Ferraz!
Apesar do meu feitio, ríspido, tenho granjeado bons amigos nas terras de Riba Côa, na actividade política e profissional, nos convívios gastronómicos, nas actividades de lazer, e, claro, nas inevitáveis capeias. Conheço e sou amigo dos presidentes de câmara e vereadores, permanentes e da «senha», que têm passado pelo Município. Tenho amigos na esquerda e na direita, numa e na outra margem desse belo rio Cuda, acerca do qual o professor Zé Manel lembrava, cheio de oportunidade, que nenhum rio teria foz se não tivesse nascente.
Remato, afirmando que se não fosse natural de onde sou, da Princesa da Cova da Beira, só gostaria de ser de Riba Côa. E dito isto, já se entende onde quero chegar. É que tinha prometido a mim mesmo não escrever uma linha que fosse sobre a política local sabugalense. E se não resisto à tentação de transigir nesta minha promessa, há apenas dois motivos: a actual situação política sem paralelo nas terras transcudanas e a estima que me merecem os seus protagonistas.
Tenho acompanhado o aceso debate político sobre a gestão dos assuntos autárquicos sabugalenses e as recentes posturas dos grupos eleitos, como acompanhei, com interesse a campanha eleitoral, desde o anúncio dos primeiros nomes e a feitura de listas, até ao rescaldo eleitoral. Pelas razões que se entendem, sempre recusei os vários convites dos contendores para intervir neste ou naquele evento que pusesse em causa o meu distanciamento. Mas só nesses.
Na última «Capeia das Capeias», em Aldeia da Ponte, lá estive, entre amigos, ao sol tórrido do Verão, misturado nas conversas tauromáquicas de emigrantes e espanhóis, alguns deles também amigos. Mas a conversa mais absorvente não era sequer em redor dos toiros, mas sim das eleições. Noutros territórios vizinhos, fizera-se uma pausa, uma trégua, foi-se a banhos e esperou-se pela rentrée para se voltar à luta pura e dura da política. No Sabugal, não! Ninguém quis tirar férias, a luta ficou até mais encarniçada, havia um ar pesado que ameaçava borrasca, marcava-se à zona, homem ao homem, taco a taco. No apinhado bar da praça, espaço de homens, juntavam-se os candidatos, sempre rodeados pelos seus mais próximos colaboradores e por candidatos às Juntas de Freguesia. Pagavam-se rodadas e mais rodadas de cerveja. Mas a espuma que pairava no ar, não era a da cerveja dos muitos copos que se bebiam ou dos que ficavam cheios, rejeitados em cima do balcão, era outra a espuma, era outro o éter que as conversas destilavam, entre meias palavras e entre grupos que se faziam e desfaziam, no leva e traz de quem vai despejar a bexiga. Sentia-se que a coisa estava dividida! No meio da confusão de quem apoia a quem, pressentia-se que o PSD estava mais fragilizado do que habitualmente e que o Partido da Terra viera baralhar as contas a uns e outros. Uma incógnita das grandes!
Contados os votos, o povo, mais esclarecido, ou mais alienado, disse o que queria. Se não o disse claramente, foi porque não o quis dizer, o que também quer dizer alguma coisa. Expressou a sua vontade e cada um ficou com um pedaço da manta que, como sempre, não estica: ou tapa os pés ou a cabeça.
Terão agora os eleitos que entender o que o eleitorado disse nas entrelinhas.
Confesso que tenho assistido com alguma expectativa à catadupa de acontecimentos em redor da acomodação no poder. Tranquiliza-me a convicção que tenho de que, apesar da poeira que ainda paira no ar, das feridas por sarar e das diatribes da campanha que alguns tardarão em esquecer, «maioria» e oposição saberão ultrapassá-las com elevação, com sentido da causa pública e do interesse municipal. É assim que sempre procedem as sociedades civicamente evoluídas.
Bem sei que já há quem se posicione para daqui a 4 anos, mas ninguém pense que ganhará o que quer que seja com jogadas precipitadas ou irreflectidas, a tanto tempo de distância. Ganhará, isso sim, quem for mais forte e mais inteligente, atributos que se demonstram na prática da acção política, nas opções e posições assumidas e quantas vezes na recusa da pressão dos aparelhos partidários e dos interesses particulares.
Quem ganha sem maioria terá que ter a humildade de dialogar, chegar a entendimentos duradouros, sob pena de não conseguir garantir a governabilidade e se fragilizar ainda mais. Mesmo quando se ganha com maioria há que ser magnânimo e respeitar as oposições.
Quem perde tem também que assumir as suas responsabilidades. Não há vitórias morais: ganha-se ou perde-se. E quem perde não pode querer o poder para si.
Quem ganha sem maioria sabe o que o espera: que a oposição, se quiser, pode emperrar o exercício do poder. E uma situação pantanosa que perdure será prejudicial ao Sabugal, numa altura do quadro comunitário em que todas as energias devem estar concentradas no desenvolvimento de novos projectos. Um presidente e uma câmara que desperdicem o tempo e as energias a resolver os litígios do poder, dificilmente poderão ter um bom desempenho. Por certo que os sabugalenses não querem que isso aconteça, desejarão antes que a sua câmara os governe com justiça e saber e esteja na primeira linha do combate aos muitos problemas com que o Sabugal, como todo o interior, se debatem.
Não haverá outro caminho, e braços de ferro dão quase sempre mau resultado, designadamente para quem os levanta.
Sempre admirei a forma raçuda como o raiano sabugalense encara a vida do dia e dia e as suas dificuldades. Mais admiro o seu orgulho e a defesa que faz das tais especificidades. Como dizia há dias o Antoine das trutas: isto é como ao forcão, temos que lhe pegar todos juntos!
Ao forcão rapazes!
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

Novo livro sobre o lince-ibérico

A editora Bizâncio acaba de lançar o livro «Lince-Ibérico», o qual aborda diferentes aspectos da biologia do felino mais ameaçado do mundo, ilustrados por fotos de animais em habitat natural onde a sua existência se encontra ameaçada.

Lince Ibérico da Serra da MalcataA publicação é o resultado de uma colaboração do jornalista Paulo Caetano, autor dos textos, e do biólogo Joaquim Pedro Ferreira, responsável pelas fotos, enriquecida também por ilustrações de Jorge Mateus.
Numa altura em que o projecto nacional de reprodução do lince-ibérico dá um passo decisivo com o acolhimento de linces para o repovoamento do seu habitat tradicional em Portugal, chega aos escaparates um livro-álbum muito elucidativo.
Trata-se de uma publicação que apresenta o felino mais ameaçado do mundo nos vários aspectos da sua biologia, que vão desde os hábitos alimentares à reprodução, sempre ilustradas com fotos do esquivo carnívoro obtidas em meio natural em momentos nunca capturados da sua vida quotidiana.
Continuam a chegar linces ao centro nacional de reprodução, situado em Silves, no Algarve, num processo que deverá estar concluído até ao final deste mês, altura em que o centro de reprodução português deverá acolher os 16 animais previstos.
plb

À fala com… António Cabanas

António Cabanas, 48 anos, natural da Meimoa, concelho de Penamacor, é licenciado em Sociologia pela Universidade da Beira Interior. Pertence aos quadros do ICN-Instituto de Conservação da Natureza e está «emprestado» à Câmara Municipal de Penamacor desde 2001 onde exerce o cargo de vice-presidente da equipa liderada por Domingos Torrão. No seu currículo destaca-se a publicação de obras sobre temáticas como o contrabando, o madeiro de Penamacor e a Meimoa.

(Clique nas imagens para ampliar.)

Quando terminou os estudos do liceu (antigo sétimo ano) foi trabalhar para o restaurante «Furnas Lagosteiras» perto de Cascais. Explorou um snack-bar no Shopping Cacém e sentiu o chamamento do espírito de aventura. Durante cerca de dois anos foi embarcadiço em navios de cruzeiro nas Caraíbas «onde ganhou algum dinheiro porque no barco não era possível gastar nada». Depois veio para a Malcata e terminou, finalmente, os estudos que não conseguiu acabar quando era jovem. «Os meus pais eram agricultores e tinham algumas dificuldades económicas próprias do mundo rural e entendi que não devia estar a sacrificá-los. Mas… prometi-lhes que terminaria os estudos nem que fosse até aos 80 anos», recorda António Cabanas.
Entre 1987e 2001 António Cabanas sentiu o bater do coração da Reserva Nacional da Serra da Malcata. Foi vigilante, técnico superior e finalmente director da Reserva durante dois anos. Em 2001 uma lista independente encabeçada por Domingos Torrão venceu as eleições para a Câmara Municipal de Penamacor e António Cabanas «transferiu-se» para a autarquia assumindo o cargo de vice-presidente. Em 2005 e nas recentes eleições autárquicas de 2009 a equipa de Domingos Torrão e António Cabanas foi reconduzida à frente dos destinos do município de Penamacor. «Actualmente ainda pertenço aos quadros do Instituto de Conservação da Natureza e como isto de ser autarca não é eterno quando cessar as funções na Câmara Municipal de Penamacor, onde estou desde 2001, voltarei a trabalhar no ICN», esclarece o vice-presidente Cabanas.
– Esteve vários anos ligado à Reserva Natural da Serra da Malcata que muitos relacionam com o lince ibérico. Que projectos recorda?
– Recordo a candidatura do projecto da Senhora da Graça com um orçamento de 200 mil contos, falando em moeda antiga, e que teve alguma envergadura para a época. Este projecto pretendia ter, por um lado, a vertente florestal com plantas autóctones da região e como viveiro das árvores protegidas de todo o País, uma espécie de viveiro do ICN a nível nacional e por outro lado uma vertente de educação ambiental, interpretação da natureza e visitação. Infelizmente não tem havido meios para esta estrutura funcionar a cem por cento mas, de alguma forma, tem sido um baluarte da Reserva da Malcata. Outro projecto em que me empenhei como director foi o «Life» para o estudo do lince e dos seus ecossistemas. O lince é uma espécie que vive uma grave crise. Já fui muito céptico mas, actualmente, estou mais confiante e considero que há grandes possibilidades das populações de linces voltarem à Malcata e a outros territórios ibéricos. Em 1977 o doutor Luís Palma fez estudos na Malcata e registou cerca de 30 linces, em 1987 falava-se numa comunidade de 14 ou 15, em 1992 capturámos uma fêmea mas em 1995 já não conseguimos assinalar nenhum vestígio da sua presença. Em Portugal o lince está extinto mas nos próximos anos vão ser transferidos animais espanhóis para regiões portuguesas onde vão crescer em cativeiro. Apesar do entendimento político entre os dois governos ibéricos ainda não é seguro que a espécie se salve mas há uma nova esperança…
– …«Terras do Lince» é uma marca em que aposta a Câmara Municipal de Penamacor…
– É a bandeira de Penamacor. Há uns anos atrás os ambientalistas que apareciam por cá eram olhados com alguma desconfiança e, afinal, hoje somos todos ambientalistas. Para Penamacor, para o Sabugal, para o Alto Águeda e para a Sierra da Gata a existência do lince será certamente uma mais-valia. É uma marca que faz a diferença e nos pode trazer vantagens económicas. «Terras do Lince» é uma marca que está a ser divulgada através dos produtos regionais – azeite, mel, queijo e enchidos – e pode ser aproveitada para programas turísticos.
– O território da Malcata é partilhado por dois concelhos portugueses e duas comunidades espanholas. Facilita ou prejudica a actuação dos responsáveis?
– Há vantagens porque há diversidade. É um território de transição da fauna e da flora entre o Mediterrâneo e o Atlântico Continental e por isso esta diversidade a Sul com o azinhal, os medronheiros, sobreiros e a Norte com o carvalhal e os castanheiros. Infelizmente do lado espanhol não há um estatuto de conservação como existe no lado português. Os espanhóis são sensíveis à defesa da natureza mas preocupam-se muito mais com o turismo. A Reserva da Malcata tem um plano de ordenamento excessivamente restritivo que acaba por se tornar maléfico. Nos últimos anos a Malcata deixou de ser falada porque um território fechado afasta as pessoas e tem um efeito negativo. Quando há visitação há promoção e uma atenção redobrada sobre o território que facilita a pressão política para a atribuição de mais meios – técnicos e humanos – pelo poder central.
– Em Penamacor sente-se o espírito raiano?
O penamacorense não se considera raiano – com excepção, talvez, das freguesias de Salvador e Aranhas – mas eu considero-me raiano pelo Sabugal e pelos amigos que conheci quando estive na Malcata. Penamacor como praça-forte sempre esteve de costas voltadas para Espanha. Curiosamente iniciámos num processo de geminação com Valverde del Fresno a cerca de 30 quilómetros e com a qual apenas temos uma ligação por estrada há poucos anos. Há uma distância física muito diferente da relação que as aldeias raianas do Sabugal têm com as localidades espanholas de Albergaria ou Navasfrias.
– Como se define o político António Cabanas?
– A causa pública é algo que nasce dentro de nós. Desde miúdo que sinto a necessidade de estar activamente na sociedade. Integrei o grupo coral da igreja na Meimoa, associações, o clube de futebol… O autarca é um homem da causa pública. Nas eleições autárquicas é costume dizer-se que o que conta são as pessoas. As freguesias vivem dependentes das câmaras e estas do Governo e todos sabemos e sofremos na pele o ter ou não ter apoios. Quando somos da cor e estamos com o poder comemos e quando não somos… cheiramos. Por isso compreendo e não condeno os chamados «vira-casacas» porque eles traçam estratégias – incluindo o sucesso pessoal – para atingir os melhores objectivos para as suas autarquias. Em função das minhas competências académicas e do meu percurso profissional na Malcata o ambiente, o ordenamento do território, o turismo, a etnografia e a cultura local são as temáticas com que mais me identifico.
– Há um homem de cultura para além da política…
– A matriz cultural da etnografia e da antropologia beirãs são excelentes elementos de estudo para qualquer sociólogo e o meu trabalho reflecte essas influências. Além disso sou um homem com origens no mundo rural. Os trabalhos no campo com os meus pais foram experiências muito enriquecedoras para a minha pessoa. Cada uma das minhas obras deve ser lida de forma distinta e entendido como uma forma de preservar testemunhos. O livro «Carregos» foi motivado pelo meu pai e pelos meus tios que foram contrabandistas e contavam estórias que eu ouvia com muita atenção. Os vigilantes da Reserva da Malcata tinham motorizadas para andar pelos caminhos pedregosos da serra. No meu primeiro dia de serviço na Malcata levava na ideia passar pela quinta do Major – também conhecida por quinta do Pinharanda ou quinta da dona Rita – onde os contrabandistas passavam com os carregos. O livro sobre a Meimoa tem uma motivação histórica com as nossas raízes, a nossa alma, os nossos antepassados. A Meimoa é uma comenda da Ordem de Aviz, a igreja da Meimoa fez parte da Ordem de Alcântara, a mãe de Pedro Álvares Cabral era a senhora dona da Meimoa e o rei D. Afonso V doou a Meimoa ao primeiro conde de Penamacor e assim através de uma pequena aldeia podemos contar um pouco da história de Portugal. São facetas que desconhecia e acabei por descobrir durante a investigação. O livro «Madeiro» retoma o fio à meada do contrabando porque voltamos ao património cultural das tradições. O Natal tem origem no solestício de Inverno muito anterior aos romanos. O monumental madeiro de Penamacor com 18 tractores de sobreiro é o maior de Portugal e considerei que merecia ser destacado.
– Há publicações na forja?
– Tenho dois projectos que quero levar a bom porto ainda para este ano. Vamos comemorar o primeiro centenário do nascimento de Mário Bento, patrono do Museu da Meimoa, com a publicação de um livro sobre a Comenda da Ordem de Aviz atribuída à Meimoa e em conjunto com a técnica da Câmara, Laurinda Mendes, estou a preparar um opúsculo com muita pesquisa na Torre do Tombo sobre a história cronológica de Penamacor.

No dia 11 de Outubro a lista de Domingos Torrão foi a jogo nas eleições para a Câmara Municipal de Penamacor e venceu com 53,64 por cento dos votos. Os nossos parabéns a António Cabanas pela recondução como vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor e as boas-vindas como «opinador» residente no Capeia Arraiana onde passará a assinar a coluna «Terras do Lince».
jcl