Category Archives: Serra da Malcata

Somos pobres porque nos fazem ser pobres

Há cerca de cinquenta anos foram construídas duas casas florestais na área geográfica de Foios e uma na área geográfica de Quadrazais. As referidas casas foram habitadas por guardas florestais, com as respectivas famílias, durante uma dezena de anos.

José Manuel Campos - Nascente do CôaOs guardas tinham por missão fiscalizar as áreas de baldio que haviam sido florestadas. Nessa altura havia muitos pastores em toda a zona e era necessário e conveniente que as cabras não entrassem nas áreas florestadas.
Depois das árvores se terem desenvolvido e quando o gado já podia entrar nas respectivas áreas e também porque era desumano terem essas famílias a cerca de quatro ou cinco quilómetros dos povoados, os serviços florestais deixaram as casas ao abandono.
No princípio da década dos anos noventa altura em que Eng.º Renato Costa foi Director da Reserva Natural da Serra da Malcata e, sob proposta dele, o ICN adquiriu, aos Serviços Florestais, as três casas tendo conseguido, através da aprovação de um projecto, uma verba que foi muitíssimo bem aplicada.
As casas foram, na verdade, muito bem recuperadas e equipadas para a prática do turismo. Acontece, porém, que entretanto o Sr.Eng.º Renato Costa foi substituído e os directores vindouros nunca manifestaram grande interesse em alugar as casas, para a prática do turismo, muito embora a procura seja enorme.
Para que serviu o dispêndio da verba em causa se as casas continuam igualmente fechadas e com os equipamentos a degradarem-se? É de bradar aos Céus. Somos de facto um País que nem se governa nem se deixa governar. A quem interessará que as casas continuem fechadas e abandonadas? É, na verdade, um crime de lesa Pátria.
Numa altura em que tanto se fala no turismo rural, e vindo tantos grupos para esta bonita zona raiana, não haverá alguém que consiga dar uma ordem e pôr as coisas no devido lugar?
Reafirmamos aquilo que já muitas vezes dissemos:
Somos pobres porque nos fazem ser pobres!
Afinal no país só mandam alguns senhores?»
Queremos para todos aquilo que é de todos!
Exigimos justiça!
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Imagem da Semana – Terras do Lince

«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com


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Legenda: Domingos Torrão e António Cabanas, presidente e vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor, com as respectivas mulheres, no jantar dos antigos alunos do Colégio. Não foram alunos nem professores na instituição, mas reconhecem o papel fundamental do antigo Colégio do Sabugal no desenvolvimento da educação na região.

Data: 1 de Maio de 2010.
Local: Restaurante D. Dinis (RaiHotel).
Autoria: Capeia Arraiana.
plb

Nós por cá

No sábado, dia 17 de Abril, depois de ter saído do almoço promovido pela Confraria do Bucho Raiano decidi ir mostrar a barragem à minha esposa visto que eu havia lá estado há poucos dias.

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Está cheia e bonita. Havia algum vento e as ondas faziam lembrar o mar.
Durante os cerca de vinte minutos que por ali andei verifiquei que chegaram e partiram doze automóveis. Algumas pessoas saím outras observavam através dos vidros das viaturas.
Em conversa com um senhor, também visitante, conversámos sobre essa imensidão de água e concordámos que é, de facto, uma mais valia para a região. No entanto fizemos os dois uma crítica. O lixo, as giestas e as silvas que já invadem o passeio não ficam bem nas fotografias. Vejam as que anexo.
Então aquando da jornada «Sabugal Concelho Limpo» ninguém se deu conta dessa situação?
Os senhores responsáveis pela barragem deverão ser chamados à atenção e obrigados a limpar.
Então os senhores do SEPNA também ainda não deram conta? Vão lá ver e prestem-nos um bom serviço. Queremos e merecemos um miradouro amplo, bonito e chamativo.
José Manuel Campos

O enigmático lince

O Lince é decididamente um animal enigmático. Tão enigmático que são vários os seus nomes: lobo-cerval, liberne, gato-cerval, gato-cravo ou gato-real. Há até quem o apelide de gato-fantasma ou de nunca-te-vi! Também se lhe atribuem características estranhas como a capacidade de perfurar a rocha com o seu «olhar de lince».

Centro Reprodução Lince Ibérico - Silves

António Cabanas - «Terras do Lince»Trepador, territorialista, e dorminhoco como todos os gatos, não precisa de lições de eficiência energética, pois não gasta energias desnecessárias.
Dizem os especialistas que possui uma estratégia K, opção de vida, por sinal, mais difícil do que o comum das espécies. Significa que, ao contrário de outras que investem em termos reprodutivos em proles numerosas (estratégia r), o lince tem como desígnio ter poucas crias. Mesmo quando nascem mais que uma, raramente sobrevivem mais que duas. A sua reprodução em cativeiro tem reflectido essa tendência, registando níveis elevados de mortandade das crias. A comprová-lo ainda recentemente morreu uma das crias das duas que, pela primeira vez, nasceram em Portugal.
Optando geralmente pelo filho único super-protegido pela mãe, assume-se como animal solitário que não tolera amizades, nem vida de casado que não seja por fugazes momentos de satisfação sexual. Passado o cio, fêmea e macho brigam pelo couto de caça até ao ponto de se ferirem mortalmente. Mesmo o acasalamento tem, como nos gatos domésticos, uma aparente conflitualidade.
A sua estratégia comporta ainda outra característica que por razões conhecidas lhe tem dificultado a sobrevivência. Especialista em coelho, do qual se alimenta em mais de 60%, podendo mesmo chegar a 80 ou 90% se este roedor for abundante, caça de salto, na orla das clareiras. É por isso um sprinter, cujo coração lhe impede a maratona de perseguir as presas, como outros incansáveis predadores.
Foi a sua dependência das populações de coelho e a diminuição destas em virtude de doenças (mixomatose e hemorrágica viral) e de outras razões, o factor que mais contribuiu para a situação de ameaça que impende sobre a enigmática espécie. Foi também a alteração dos habitats, o abandono da agricultura e as florestações em áreas contínuas que lhe roubaram o espaço de que precisa para sobreviver: o mosaico de matorral, entremeado de clareiras com pastagem e, sobretudo com coelhos.
Com a redução das populações e sua fragmentação, veio outro problema ao gato-cerval, a consanguinidade e a consequente diminuição de resistência a doenças. Não se estranham por isso as notícias sobre um elevado número de linces a sofrer dos rins, coisa incompreensível para um velocista.
Conhecidas as principais ameaças, impõe-se combatê-las eficazmente, o que nem sempre é tarefa fácil. Melhorar as áreas potenciais para a sua reintrodução, em alimento, ou seja aumentando a população de coelho, parece ser a principal urgência, que em conjunto com a criação de efeitos de orla, redução de riscos de caça e de atropelamentos, pode contribuir para ajudar à sua sobrevivência. Em alguns casos pode ser vantajoso reduzir os competidores ou combater as suas eventuais doenças.
A ciência não conseguiu ainda encontrar uma vacina eficaz para a hemorrágica viral, como o fez para a mixomatose, mas surgiu recentemente uma luzinha de esperança: as populações de coelho de algumas regiões de Valladolid aparentam ser resistentes àquela doença. Podemos estar pois num ponto de viragem, de nova esperança. O programa de reprodução em cativeiro também esteve enguiçado durante mais de uma década e de repente, de forma enigmática a condizer com o bicho, surgiu a fórmula secreta para o reproduzir. Pelos vistos foi só trocar de macho!
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

Sabugal acolheu Conselho Estratégico da Malcata

Hoje, dia 15 de Abril, reuniram no Centro de Educação Ambiental da Senhora da Graça, no Sabugal, os membros do Conselho Estratégico da Reserva Natural da Serra da Malcata (RNSM).

Reserva Natural da Serra da Malcata - Foto jusnmarO Conselho Estratégico é constituído por quinze elementos, pertencentes às mais diversas instituições. Tem por missão discutir, analisar e aprovar os planos e relatórios das várias actividades desenvolvidas pela RNSM.
Por volta das 10,30 horas o Presidente do Conselho Estratégico e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Penamacor, António Cabanas, abriu a sessão, tendo-se entrado, de imediato, na ordem de trabalhos.
O Director desta área protegida, Engenheiro Armando Carvalho, fez uma explanação dos documentos atrás referidos, tendo, no final, dado a palavra a todos os membros que pretenderam pronunciar-se em relação aos documentos em questão.
O vigilante José Henriques fez uma apresentação, em power point, relativa aos trabalhos que se têm desenvolvido em algumas áreas da RNSM. Mostrou também o local onde são depositados os animais mortos, ou já muito debilitados, que acabam por proporcionar excelentes banquetes aos abutres, grifos e outras aves.
Alguns elementos do Conselho Estratégico referiram-se às casas de abrigo que, como é do conhecimento geral, continuam fechadas, muito embora estejam bem apetrechadas para a prática do turismo. Ficou acordado que na próxima reunião já deverá haver novidades em relação à utilização destes edifícios que, na verdade, poderão contribuir para a vinda de pessoas, amantes da Natureza.
Tanto o Presidente da Câmara do Sabugal como o Vice-Presidente António Cabanas, de Penamacor, fizeram claras e evidentes exposições relativas aos aspectos mais gerais, tendo disponibilizado os respectivos Municípios para parcerias em hipotéticos projectos que possam trazer progresso e desenvolvimento para a região.
Desde que a RNSM foi criada, em 1981, que tenho acompanhado as mais diversas actividades. Já critiquei positiva e negativamente, como é óbvio. Mas, cabe aqui e agora, dizer que reconheço o bom trabalho que se vai desenvolvendo muito embora seja do conhecimento geral que os dinheiros, e outros meios, são escassos.
Parabéns ao Director Armando Carvalho – responsável por cinco áreas protegidas – técnicos e funcionários. Quando as equipas se motivam os resultados acontecem. Mas não se esqueçam que se o lince está em vias de extinção o homem também está. Como digo muitas vezes: «Abrem os lares e fecham as escolas».
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)

jmncampos@gmail.com

Morreu uma das crias de lince ibérico

Conforme notícia divulgada há poucos minutos pelo «Público on-line» uma das duas crias de Lince Ibérico nascidas em cativeiro no centro de reprodução de Silves no dia de Páscoa faleceu este domingo.

Lince Ibérico - Serra da MalcataFoi divulgado apenas esta noite pelos responsáveis pelo Centro de Reprodução de Silves que morreu no passado domingo uma das duas crias de lince ibérico nascidas em cativeiro há uma semana.
Esta demora foi motivada por uma análise pormenorizada das razões do óbito. De acordo com a informação de Sandra Moutinho ao mesmo jornal que «nos resultados da autópsia a cria não apresentava sinais de maus tratos, rejeição ou malformações».
«As duas crias de lince ibérico estiveram sempre bem até domingo, dia em que uma delas morreu de causa aguda e de forma rápida», explicou, por seu lado, o director do Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico, Rodrigo Serra.
No entanto nas próximas semanas serão feitas várias análises e testes. Para nossa alegria a outra cria nascida também a 4 de Abril encontra-se de perfeita saúde. O Capeia Arraiana deseja-lhe vida longa.
È também importante realçar que a mãe já se encontra mais calma. Este lince fêmea (azahar) foi um dos primeiros animais a chegar ao nosso país cedidos pelo Zoobotânico de Jerez de la Frontera em Espanha.
aps

Nasceram duas crias de lince ibérico

O Ministério do Ambiente informou esta terça-feira, que as duas primeiras crias de lince ibérico geradas em cativeiro em Portugal nasceram no passado Domingo de Páscoa no Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico, em Silves.

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As duas crias nasceram de parto natural e são a primeira descendência da fêmea Azahar («flor de laranjeira» em árabe) nasceu há cinco anos em liberdade e foi o primeiro animal a ser transferido de Espanha para o centro de Silves, em Outubro passado.
Azahar nunca tinha conseguido engravidar, apesar de várias tentativas, no centro de reprodução de Jerez de la Frontera, de onde foi transferida para Portugal: o stress urbano daquele local terá inviabilizado a gravidez.
jcl (com agência Lusa)

«A escola vai às Terras do Lince» em Penamacor

A divulgação do concelho de Penamacor junto da comunidade escolar está a ser desenvolvida no âmbito do projecto «A escola vai às Terras do Lince» do Gabinete de Turismo do município raiano.

Câmara Municipal PenamacorA Câmara Municipal de Penamacor, através do Gabinete de Turismo, desenvolveu um projecto denominado «A escola vai às Terras do Lince» com o objectivo da promoção e da divulgação turística do concelho raiano.
A iniciativa engloba as vertentes histórica, cultural e natural e é destinada aos alunos e professores da comunidade escolar.
As visitas propostas serão realizadas por guias especializados e são complementadas com actividades lúdico-desportivas organizadas pelo Gabinete de Desporto do município.
Cada aluno participante receber um dossiê com informações diversas que incluem os locais a visitar.
Os programas prevêm o estacionamento para autocarros e a possibilidade de almoçar nos restaurantes da vila.
Para informações adicionais ou marcações deve ser contactado o Gabinete de Turismo da Câmara Municipal de Penamacor pelo tel. 277394106.
jcl (com Gabinete de Turismo)

Chouriços «Terras do Lince»

A partir de agora está disponível no mercado mais um produto «Terras do Lince». Trata-se de enchido feito de forma tradicional a partir de porco «Pata Negra». Os suínos são criados em Penamacor, em regime extensivo, em montados de sobro e azinho, a sul da Serra da Malcata, junto à fronteira. A montanheira em sub-coberto, sabiamente feita desde tempos imemoriais, num convívio sereno e ecológico e beneficiando reciprocamente árvores e animais, tem permitido a produção de uma carne suculenta, aromatizada e de sabor intenso.

Terras do Lince - Penamacor - Sabugal

António Cabanas - «Terras do Lince»A salsicharia, recentemente construída na vila raiana, no antigo matadouro municipal, pertence à empresa Vale do Alcaide e foi co-financiada pelo IEFP e pelo Penamacor Finicia. A Câmara cedeu o espaço em regime de comodato com prazo alargado, a empresa elaborou o projecto e executou as obras.
Os diversos tipos de paios e chouriços «Terras do Lince» poderão a partir de agora ser comprados em algumas cadeias de hipermercados nacionais, em França e na Suíça, juntando-se aos queijos, azeite, mel e doces já existentes. A estes produtos juntar-se-ão em breve azeitonas de mesa e outros produtos das terras do lince.
A marca, registada há dois anos pelo município de Penamacor, está disponível para produtos agro-alimentares e serviços e produtos turísticos dos concelhos integrantes da Serra da Malcata (Sabugal e Penamacor), e das regiões espanholas vizinhas Sierra de Gata e Alto-Águeda.
Os representantes destes quatro territórios reuniram-se recentemente em Hoyos para acertarem estratégias de cooperação transfronteiriça e lançarem projectos comuns aos instrumentos financeiros existentes. Há muito que os respectivos municípios cooperam nas áreas do turismo, da educação ambiental, da juventude e, genericamente, do desenvolvimento regional. As candidaturas ao programa POCTEP, antigo Interreg, estão agora abertas e as quatro regiões pretendem candidatar projectos nas áreas do Turismo, das energias renováveis, do emprego e em todas aquelas a que a cooperação possa conferir algum tipo de vantagem.
Um dos temas em discussão na reunião foi justamente a marca «Terras do Lince», em que a vontade de a aproveitar e potenciar foi consensual, para isso, deverá agora ser registada na União Europeia e apostar-se na sua promoção.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

Gíria de Quadrazais na TVI

Esta quinta-feira, 11 de Março, no programa «Você na Tv!» da TVI marcam presença alguns quadrazenhos para falar da gíria e do contrabando. A não perder!

«Carregos» de António Cabanas«Se perguntas onde eu moro
Vivo ao fundo da serra
Sou de ao pé de Vale de Espinho
Quadrazais é a minha terra»

(Manuel Leal Freire, in «Por Terras do Sabugal»)

«E aí começam ambos a trabalhar, ele em armas de fogo, que vai buscar a Vigo, e ela em cortes de seda, que esconde debaixo da camisa, enrolados à cinta, de tal maneira que já ninguém sabe ao certo quando atravessa o ribeiro grávida a valer ou prenha de mercadoria.»
(Miguel Torga, in «Novos Contos da Montanha»).

«Todas as aldeias raianas sentem orgulho na vida do contrabando, mas nenhuma o sente tão fortemente como Quadrazais. As aldeias disputam entre si o título de bastião do contrabando. Algumas arvoram-se de terem possuido as maiores sociedades de contrabando e de terem sido palco das maiores transacções das últimas décadas. Penha Garcia no concelho de Idanha-a-Nova e o Soito no concelho do Sabugal, foram talvez aquelas onde a actividade atingiu maiores dimensões nos últimos tempos, mas foi Quadrazais, também no concelho do Sabugal, que mais fama granjeou ao longo dos anos.»
(António Cabanas, in «Carregos»)

O património cultural de Quadrazais (e de todos os sabugalenses) – a gíria dos contrabandistas quadrazenhos – vai estar esta quinta-feira, 11 de Março, entre as 10 e as 13 horas, no programa «Você na TV!» transmitido nas manhãs da TVI. Em directo, com Cristina Ferreira e Manuel Luís Goucha, vão estar presentes alguns irredutíveis quadrazenhos, para mais uma vez dar um ar da sua graça, com histórias e linguajares do contrabando na primeira pessoa.
As singularidades da dureza das terras raianas onde «Galo» era «Cantante», «Carro de Bois» um «Charriante», a «Noite» se transformava em «Choina», «Guarda Fiscal» era «Fusco», os «Sapatos» se transformavam em «Calcos» e a «Perna» em «Gambia».
Aqui ficam, por curiosidade, mais alguns exemplos de vocábulos da gíria quadrazenha: Alâmpio, azeite; amatriz, amanhã; assuquir, comer; briol, vinho; porco, grunhante; cambalache, negócio; cosco, tostão; esgueirante, ladrão; esquilona, hora; facho, guarda; fuganta, pistola; galhal, muito dinheiro; moienes, eu; paivante, fumador; e vunhir, vir».
jcl (com António Moura)

«Sabugal Concelho Limpo» nos Fóios

A Junta de Freguesia de Foios, a equipa de Sapadores, o Grupo Cultural e Desportivo, a Associação de Caça e Pesca e os Vigilantes da Reserva Natural da Serra da Malcata acordaram aceder e envolver-se na acção «Sabugal Concelho Limpo». A iniciativa vai ser levada a efeito no próximo dia 20 de Março tal como a Câmara Municipal do Sabugal divulgou através de cartazes que foram distribuídos por todo o concelho.

Sabugal - Concelho LimpoJá foi feito o levantamento dos locais onde irão decorrer as mais diversas acções.
Para além das instituições acima referidas aceita-se a participação de todas as pessoas que se queiram associar a esta bela iniciativa.
Se não quiser ou não puder participar mas se souber de objectos que estejam depositados no limite goegráfico de Foios agradecemos que nos informem para podermos ir recolhe-los e depositá-los na lixeira que está por detrás do cemitério.
Por falar em cemitério também pretendemos pedir às pessoas que vão tratar das sepulturas dos seus entes queridos que não atirem com nada para fora dos muros. Isso é uma autêntica vergonha. Depois lá têm que ir os elementos da Junta, Sapadores ou outros funcionários a apanhar esse lixo. Acha isso bem feito? Claro que não.
Dessas acções nem os próprios defuntos devem gostar.
Se vir alguém deitar o lixo para fora do cemitério diga-lhe, imediatamente, que tem um contentor à entrada. Então tanto pediram o contentor e continuam (só algumas pessoas) a deitar o lixo para onde muito bem lhes apetece?
Sejam correctos, educados e asseados.
Bem-hajam.
A Junta de Freguesia de Foios

Barragem do Sabugal está completamente cheia (2)

GALERIA DE IMAGENS – 13-2-2010
Fotos Celino Augusto – Clique nas imagens para ampliar

O regresso do Lince

A notícia de um novo centro de reprodução de lince em cativeiro que está a ser construído no nordeste da Extremadura espanhola, leva-nos a retomar o tema da crónica do início do ano, «Que 2010 nos traga o Lince». Esta nova estrutura está quase pronta em Zarza de Granadilla, junto à barragem de Gabriel y Galan, prevendo-se a sua conclusão antes do Verão. Os linces irão de Doñana, tal como os que foram para Silves, mas só depois de adquirido equipamento e contratado pessoal para que o centro possa funcionar, o que se prevê para o final de 2011.

Lince Ibérico da Serra da Malcata

António Cabanas - «Terras do Lince»Se tudo correr bem, o centro disporá de Linces para libertar lá para 2014, 2015, e visto serem a Sierra de Gata e as Hurdes tradicionalmente território do felino, poderão ser escolhidas para a reintrodução, vindo a reforçar a população da Serra da Malcata.
Entretanto, quer em Portugal quer em Espanha, os técnicos estudam a espécie, os seus competidores e as suas presas. O ICNB prepara planos de acção onde se inclui o diagnóstico das doenças susceptíveis de transmissão ao lince. É que ao contrário do que se pode pensar, a suposta vida saudável dos animais, em absoluta liberdade, não os isenta de patologias e viroses.
Um dos linces que mais contribuiu para a criação em cativeiro morreu no passado dia 1 de Fevereiro na Sierra Morena, com dez anos de idade, acometido de insuficiência renal crónica. Entre 2005 e 2008 Garfio – assim se chamava o felino – foi pai de onze crias. Dizem os técnicos que dos 72 animais do programa de criação, 25 sofrem do mesmo mal, o que motivou os especialistas da nefrologia espanhola e internacional a procurar um tratamento eficaz para a insuficiência renal do gato mais ameaçado do mundo.
Duas biólogas espanholas, da Estación Biológica de Doñana, estiveram esta semana entre nós para recolherem amostras de lince com vista ao estudo genético das suas populações. Duas peles em Meimoa e Meimão, um lince embalsamado no Museu de Penamacor e outro no Porto oriundo também de Penamacor, foram para já os espécimes objecto da recolha.
Outros linces embalsamados e peles haverá certamente na nossa região e na região vizinha espanhola que possam contribuir com amostras de tecido (geralmente um pedaço de unha) para alargamento da base de recolha. Quanto mais indivíduos forem estudados maior fiabilidade terá o estudo. Aqui deixamos o apelo a quem possuir material biológico, ou saiba da sua existência para que informe o Capeia Arraiana que assim também contribui para a preservação do Gato Real. Recorda-se que foi a evolução dos estudos de biologia que permitiram o sucesso recente da criação em cativeiro, coisa quase impossível anos atrás.
Estas notícias contrastam com a falta delas na Malcata, onde o ICNB, não possui sequer um biólogo que prepare o terreno, para que na hora de libertar animais existam as melhores condições, que estude as populações de coelho e os competidores, que promova a reintrodução de presas.
Esta carência deixa-nos deveras preocupados. Sabemos das dificuldades financeiras do ICNB e que os próximos anos não prometem melhoras nessa matéria, mas também sabemos que o Lince é assunto prioritário da conservação da natureza em Portugal. Gostaríamos pois que o ICNB assumisse as suas responsabilidades na Malcata, dotando-a de técnicos capazes de levar por diante as tarefas que se impõem. Se isso acontecer estará cumprido o voto formulado, para este ano, no anterior artigo.
As duas autarquias envolvidas estão dispostas a ajudar. Não é altura de cruzar os braços.
A Malcata possui a maior área natural, sem população humana, a maior área do Estado, que somada à da Portucel e à de dois ou três latifúndios, dão a esta serra as melhores condições de gestão. Fizeram-se nela investimentos de monta, na instalação de marouços, pastagens e cercados, e em estudos da flora e dos habitats em geral. Ao contrário de outras zonas potenciais de reintrodução de Lince, a Malcata quase não tem zonas de caça, reduzindo ao mínimo o conflito e os factores de risco. Além disso, o último exemplar capturado em Portugal foi na Malcata em 1992.
O maior problema poderá ser a reduzida população de coelhos, mas já vão aparecendo outras presas como o corso, o esquilo e o muflão. De resto ainda vamos a tempo de reintroduzir coelhos, presa preferida do Lince.
Que 2010 nos traga o Lince!
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

Uma centralidade transfronteiriça?

A localização do Concelho do Sabugal deve ser entendida não como factor negativo, mas como um dos pilares de uma estratégia de desenvolvimento sustentada.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Numa recente visita aos Fóios a convite do José Manuel, seu Presidente de Junta, permitiram-me tomar contacto com um gigantesco mapa que se destaca na parede da recepção do Centro Cívico.
O mapa que reproduzo em anexo é em si mesmo de tal modo elucidativo que quase dispensava quaisquer comentários. No entanto não quero deixar passar esta oportunidade para, mais uma vez repetir aquilo que venho defendendo há muito tempo.

Em crónica escrita há perto de um ano, dizia então, e cito:
«(…) um modelo de regionalização que sirva os interesses do Concelho do Sabugal, não pode deixar de comportar os seguintes aspectos essenciais:
1 – Integração nas estratégias de desenvolvimento do Eixo Urbano Guarda-Castelo Branco;
2 – Aprofundamento das relações com os Concelhos de Belmonte e de Penamacor;
3 – Aprofundamento da relação com os Municípios da raia espanhola;
4 – Aposta decisiva na construção de um modelo de desenvolvimento regional que englobe os eixos urbanos Guarda-Castelo Branco e Salamanca-Plasência-Cáceres.»

E o mapa a que me refiro, permite ter um olhar diferente para o posicionamento do nosso Concelho, já não enquanto um território isolado e em situação desfavorável face às dinâmicas regionais da Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco, mas enquanto parte integrante de uma realidade transfronteiriça que, em torno do complexo montanhoso Malcata/Gata, agrega quatro Unidades Territoriais – Sabugal e Penamacor em Portugal e Alto Águeda e Sierra de Gata em Espanha.
Percebe-se pela leitura deste Mapa, como podem ser estreitas as relações inter-fronteiriças: Batocas – La Almedilla; Aldeia da Ponte – La Albergueria de Argañan; Lajeosa – Navas Frias – Casillas de Flores; Aldeia do Bispo – Navas Frias;e Fóios – Navas Frias.
Mas percebe-se também como seria importante aprofundar as ligações das freguesias de Santo Estêvão, Casteleiro e Moita com o Meimão, o Vale da Senhora da Póvoa e a Meimoa, no Concelho de Penamacor, quer pela gestão comum da Reserva Natural da Serra da Malcata, quer do sistema de aproveitamento hídrico das águas do Côa.
Todos sabem que não sou dos que pensam que o desenvolvimento vai vir de Lisboa como os bebés vinham de Paris numa cegonha…
As realidades socioeconómicas deste conjunto de municípios são muito semelhantes e os problemas e desafios com que se defrontam muito idênticos.
Isolados pouco poderemos fazer. Em conjunto, estabelecendo estratégias de afirmação regional comuns, somos mais fortes.
A riqueza natural das Serras da Malcata e da Gata; o património histórico edificado; o património cultural; a gastronomia e o artesanato; os usos e costumes; a centralização relativa face aos principais núcleos urbanos da Região – Castelo Branco – Fundão – Covilhã – Guarda e Salamanca – Ciudad Rodrigo- Cáceres, eis outras tantas oportunidades de desenvolvimento.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Malcata candidata às «7 Maravilhas Naturais»

Dentre as centenas de locais nomeados para o concurso «7 Maravilhas Naturais de Portugal» está o Parque Natural da Serra da Malcata, atendendo à sua beleza e unicidade da paisagem, sua importância ecológica e estado de conservação, critérios de base de que se serviram os especialistas.

Serra da MalcataO concurso integra sete categorias: Zonas Marinhas, Zonas Aquáticas Não Marinhas, Grutas e Cavernas, Praias e Falésias, Florestas e Matas, Grandes Relevos e Áreas Protegidas.
De acordo com dados constantes na página on-line das 7 Maravilhas Naturais de Portugal, fazem ainda parte dos nomeados outros locais da região, como a Serra do Pisco (Guarda), o Vale do Rio Águeda (Figueira de Castelo Rodrigo), Casais do Folgosinho (Gouveia), Vale Glaciar do Zêzere e Covão d’Ametade (Manteigas), Rio Ocreza e Serra da Gardunha (Fundão), Ribeira do Paul (Covilhã), Parque Icnológico de Penha Garcia e Inselberg de Monsanto (Idanha-a-Nova).
A maior parte das candidaturas validadas são montanhas, vales, serras e formações rochosas, onde se destacam, entre outras as serras de Marvão e São Mamede (Portalegre) ou as Pedras Parideiras (Arouca) e a Pedra Bolideira (Chaves). O rio Vez (Arcos de Valdevez), as Fisgas de Ermelo (Mondim de Basto) e as Portas do Vale do Almourão (Proença-a-Nova).
A categoria de Zonas Aquáticas Não Marinhas inclui a Lagoa de Óbidos, a Ria de Alvor (Portimão), os rios Mouro (Monção), Alva (em Moura Morta, Poiares), Douro (Peso da Régua) e Paiva (Arouca). Integra ainda a Cascata da Cabreia (Sever do Vouga), a Fraga da Pena (Arganil) e o Sapal do Rio Coina (Barreiro).
Já nas Zonas Marinhas destaca-se a Ilha da Berlenga e a Onda dos Supertubos, na praia do mesmo nome, em Peniche.
A praia da Amoreira (Aljezur), o Litoral do Guincho (Cascais), a Ponta João D’Arens (Portimão), o Cabo da Roca (Sintra) e a Fajã dos Padres (Madeira) integram a categoria Praias e Falésias. Esta inclui ainda a Praia Velha, Concha e São Pedro de Moel (Marinha Grande), as Falésias do Cabo Mondego (Figueira da Foz) e as praias fluviais de Fragas de São Simão e Ana de Aviz (Figueiró dos Vinhos).
A Furna do Enxofre (Santa Cruz da Graciosa, Açores), as grutas de Alvados, Santo António e Mira e Aire (Porto de Mós), Moeda (Batalha) e o Algar do Pena (Santarém) aparecem na categoria Grutas e Cavernas.
Nas Florestas e Matas há a assinalar as candidaturas da Mata Nacional do Buçaco (Mealhada), o Pinhal do Rei/Mata Nacional de Leiria (Marinha Grande) e os Montados de Sobro e Azinho (Avis, Portalegre), entre outras.
A Reserva Natural da Serra da Malcata concorre na categoria reservada às áreas protegidas, donde ainda fazem parte o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, a Ria Formosa (Algarve), o Estuário do Tejo ou a Floresta Laurisilva (São Vicente, Madeira), o Parque Natural de Montesinho (Vinhais) e a Área da Reserva da Lagoa de Santo André (Santiago do Cacém).
A lista de candidaturas será analisada por 77 especialistas que vão eleger as 77 candidatas (11 de cada categoria) para a fase seguinte, o que acontecerá a 7 de Fevereiro.
Em 7 de Março são anunciados os 21 locais finalistas (três por categoria). A votação pública para as 7 Maravilhas Naturais de Portugal acontecerá depois até 7 de Setembro.
plb

Que 2010 nos traga o Lince!

No final de um ano difícil para todos, (talvez nem todos) é hora de olhar para trás, para o caminho percorrido e efectuar o balanço do que de bom e mau se passou. Mas é também hora de fazer votos de um excelente Ano de 2010 para este território raiano e para todos os que nele encontraram laços e afectos.

Lince Ibérico - Malcata

António Cabanas - «Terras do Lince»Entre as muitas realizações que todos queremos ver concretizadas, umas da competências dos poderes públicos, central ou autárquicos, outras da sociedade civil, ou seja de cada um de nós, pela minha parte, gostaria especialmente que o primeiro lince a colocar em liberdade, o fosse já em 2010, na Reserva da Malcata.Se esse desiderato for conseguido, o Ministério do Ambiente e o ICNB ficarão redimidos dos erros e omissões cometidos em anos anteriores em prejuízo desta área protegida (Ap).
Ao longo das últimas décadas as populações da sua envolvente têm abdicado de tirar da serra proveitos que, naturalmente, não resolveriam os nossos problemas, mas poderiam, com outras opções de uso, ajudar a minimizá-los. Entre muitos outros possíveis, darei apenas dois exemplos:
1. A Serra da Malcata foi, ancestralmente, refúgio de fauna de pequeno e grande porte, potencialmente indutora do desenvolvimento da actividade cinegética, que sempre se praticou nas suas vertentes. Para se aferir dessa histórica actividade leia-se «Caçadas aos javalis» do Dr. Framar.
Caso se tivesse seguido a opção cinegética, a serra poderia albergar hoje uma série de zonas de caça turística, muito rentáveis e geradoras de emprego. Geridas de forma empresarial, as grandes herdades da serra por certo estariam povoadas de veados e corços, muflões e javalis para atrair os mais endinheirados amantes da arte da caça.
2. Outro valioso recurso a aproveitar poderia ser a energia eólica. Com várias cumeadas de altitudes próximas dos 1000 metros, só uma alternativa muito mais valiosa justificará que qualquer país desenvolvido abdique deste enorme potencial energético.
Não quero mencionar sequer outras alternativas de aproveitamento, designadamente, florestal, para não abrir outras frentes de opinião fracturante.
Já defendi, sem qualquer tibieza, a compatibilidade entre a energia eólica e a conservação do Lince, opinião alias, publicada na comunicação social nacional. Não é agora o momento de esgrimir tais argumentos.
A Malcata podia ser um parque natural, alargado a outras zonas dos dois concelhos, podia até ser o 2.º parque nacional do país, mas não é uma coisa nem outra: é antes uma reserva natural. Sendo uma reserva, é a conservação das espécies, em especial o Lince e não as paisagens o seu principal valor.
São essencialmente dois os impactes apontados pela corrente de opinião que rejeita a exploração eólica nas Aps, o visual e a perturbação da avifauna. O primeiro é obviamente subjectivo, o segundo precisará de ser melhor estudado e comprovado.
Os que, legitimamente, acham que os aerogeradores descaracterizam e empobrecem as paisagens naturais, não podem usar esse argumento na Malcata: primeiro porque ela já está rodeada deles, depois porque o seu plano de ordenamento restringe a visitação, sinal claro de que não se pretende a fruição das suas paisagens. E as paisagens só são belas perante o nosso olhar.
Por ironia, os espanhóis preparam-se para encher de torres eólicas a cumeada de fronteira, onde o recurso energético devia ser comum. Os molinos ficarão a uns centímetros da reserva, cujo Regulamento os proíbe terminantemente! Os grifos e abutres negros, que com frequência cruzam a fronteira, ficarão sujeitos ao seu alegado impacte.
Assim a Malcata ficará com os dois «temíveis» impactes ambientais, mas não receberá um cêntimo de compensação! Temos que afirmar que os seus interesses e os das espécies que ali se preservam foram mal defendidos.
Teria sido mais vantajoso negociar contrapartidas em favor do lince, por exemplo. E que contrapartidas!? Num estudo solicitado pela Câmara de Penamacor a uma empresa eólica, a Malcata poderia render, em energia, cerca de 40 milhões de euros anuais (1 milhão seria para as autarquias).
Nunca fui de ideias fixas. O que hoje nos parece correcto, pode amanhã, com melhor conhecimento, parecer-nos incorrecto e as opções de curto prazo nem sempre se revelam vantajosas a longo prazo. Mas estas são dúvidas que teremos sempre, sejam quais forem as opções.
Há porém valores – e os valores são perenes – que temos obrigação de defender. Os valores da justiça e da solidariedade devem estar sempre presentes nas políticas públicas. A defesa e preservação do Lince, é um desafio nacional que deve ser custeado pelo todo nacional, tal como o TGV ou o aeroporto de Lisboa. Não é justo que alguns paguem um benefício que é de todos.
Penamacor e Sabugal nunca foram compensados por contribuírem para um objectivo nacional e até supranacional. Pior, relativamente à questão do Lince, nos últimos anos a nossa região tem sido preterida, em favor de outras regiões, o que significa uma falta de ética e de respeito pelos investimentos feitos na Malcata em estudos e aquisição de terrenos.
Não temos nada contra o Algarve nem contra o Alentejo, até gostamos muito dessas regiões, mas não podemos permitir que o ICNB perca o azimute, traçado ao longo de mais de duas décadas. Não podem os interesses políticos sobreporem-se aos interesses da conservação.
A reintrodução do Lince na Malcata terá de ser uma medida prioritária da Conservação da Natureza a nível nacional, não apenas no discurso. Como não acreditamos na sorte resta-nos estar activamente atentos e vigilantes.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

Roubo do Sagrado no Vale da Senhora da Póvoa

É necessário um acto de desagravo à Senhora da Póvoa.

Pinharanda Gomes - Carta DominicalEstão frescas na nossa memória as notícias de dois graves sacrilégios: com uma serra de serrar rocha, alguém cortou e roubou as cruzes manuelinas (do século XVI) que desde há séculos estavam implantadas no adro da Matriz de Loures e nos Quatro Caminhos de Frielas. Inacreditável! Para que irão e para que servirão essas cruzes, emblemas do património nacional, acerca de cujo destino não vemos as autoridades em acção. É pedra… Se fossem notas!
Somos agora feridos com uma punhada no peito, quando soubemos que a veneranda e antiga imagem de Nossa Senhora da Póvoa de Vale de Lobo tinha sido roubada do seu santuário.
Nossa Senhora da Póvoa é, desde dos fins do século XVIII, o santuário mariano da Beira Baixa e de Ribacoa. Os mais novos não sabem, mas os da minha geração, jovens nos meados do século XX, ainda nos lembramos das filas de carros de tracção animal (bois, burros ou cavalos) enfeitados com festões e colchas de seda, transportando famílias inteiras, para a Senhora da Póvoa, logo na segunda-feira de Pentecostes. Romagem para dois dias, levava-se de comer o bastante e, à ida e à volta, era costume parar no sítio do Castanheiro das Merendas, já muito depois do Sabugal, para alimentar os animais e as pessoas.
Senhora da PóvoaRomaria de piedade, de promessas e também das folias que vinham de Monsanto e de Penamacor, com os seus estandartes, descantes e bombos; e, algumas vezes, toldados pelo vinho, moços que acabavam em lutas de vida e de morte. Leiam o «Maria Mim» de Nuno de Montemor e a «Celestina» de Joaquim Manuel Correia.
O ladrão deve ter-se arrependido, e abandonou a secular e sagrada imagem, debaixo de uma árvore, onde gente do povo a encontrou. Já devolvida à sua santa casa, falta agora que os povos da Beira-Côa e da Beira da Malcata e do Meimão, procedam a uma cerimónia de desagravo, na presença de todas as autoridades civis, militares e políticas da região. Não é possível que nada se faça como se nada tivesse acontecido:

«Nossa Senhora da Póvoa
Tem um galo no andor,
Cada vez que o galo canta
Acorda Nosso Senhor»

«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes
pinharandagomes@gmail.com

Ao forcão rapazes!

Depois da poeira da batalha eleitoral, é preciso que cada um, entre vencedores e vencidos, saiba encontrar o seu papel, na tradução exacta do mandato que lhe foi confiado pelos votos dos eleitores. Uns e outros, embora de forma diversa, assumiram compromissos e responsabilidades perante os sabugalenses e estes esperam que os seus eleitos estejam à altura de tais desafios.

Câmara Municipal do Sabugal

António Cabanas - «Terras do Lince»Desde o meu ingresso no Instituto de Conservação da Natureza e na Reserva da Malcata, já lá vão mais de 20 anos, tornei-me um amante do Sabugal, da sua riqueza histórica e cultural, das suas especificidades, das suas belezas naturais e, obviamente, das suas gentes. Fui descobrindo, confesso até com alguma inveja, as imensas potencialidades deste enorme município raiano. Alguém, nessa altura, já nem me lembro quem, ofereceu-me uma cópia do «Maria Mim», que estava esgotado, e li um dos exemplares das «Caçadas aos Javalis na Serra da Malcata» que havia na pequena biblioteca da Reserva. Daí para cá descobri, entre outros interessantes comunicadores, esse fascinante escritor, que dá pelo nome de Leal Freire. Tenho adquirido, lido e coleccionado todos os livros do Sabugal, as suas monografias, os estudos, os livros de poesia e romance. E que Rica surpresa ao ler «Celestina», onde encontrei referências ao carlo-miguelista penamacorense Francisco Pina Ferraz!
Apesar do meu feitio, ríspido, tenho granjeado bons amigos nas terras de Riba Côa, na actividade política e profissional, nos convívios gastronómicos, nas actividades de lazer, e, claro, nas inevitáveis capeias. Conheço e sou amigo dos presidentes de câmara e vereadores, permanentes e da «senha», que têm passado pelo Município. Tenho amigos na esquerda e na direita, numa e na outra margem desse belo rio Cuda, acerca do qual o professor Zé Manel lembrava, cheio de oportunidade, que nenhum rio teria foz se não tivesse nascente.
Remato, afirmando que se não fosse natural de onde sou, da Princesa da Cova da Beira, só gostaria de ser de Riba Côa. E dito isto, já se entende onde quero chegar. É que tinha prometido a mim mesmo não escrever uma linha que fosse sobre a política local sabugalense. E se não resisto à tentação de transigir nesta minha promessa, há apenas dois motivos: a actual situação política sem paralelo nas terras transcudanas e a estima que me merecem os seus protagonistas.
Tenho acompanhado o aceso debate político sobre a gestão dos assuntos autárquicos sabugalenses e as recentes posturas dos grupos eleitos, como acompanhei, com interesse a campanha eleitoral, desde o anúncio dos primeiros nomes e a feitura de listas, até ao rescaldo eleitoral. Pelas razões que se entendem, sempre recusei os vários convites dos contendores para intervir neste ou naquele evento que pusesse em causa o meu distanciamento. Mas só nesses.
Na última «Capeia das Capeias», em Aldeia da Ponte, lá estive, entre amigos, ao sol tórrido do Verão, misturado nas conversas tauromáquicas de emigrantes e espanhóis, alguns deles também amigos. Mas a conversa mais absorvente não era sequer em redor dos toiros, mas sim das eleições. Noutros territórios vizinhos, fizera-se uma pausa, uma trégua, foi-se a banhos e esperou-se pela rentrée para se voltar à luta pura e dura da política. No Sabugal, não! Ninguém quis tirar férias, a luta ficou até mais encarniçada, havia um ar pesado que ameaçava borrasca, marcava-se à zona, homem ao homem, taco a taco. No apinhado bar da praça, espaço de homens, juntavam-se os candidatos, sempre rodeados pelos seus mais próximos colaboradores e por candidatos às Juntas de Freguesia. Pagavam-se rodadas e mais rodadas de cerveja. Mas a espuma que pairava no ar, não era a da cerveja dos muitos copos que se bebiam ou dos que ficavam cheios, rejeitados em cima do balcão, era outra a espuma, era outro o éter que as conversas destilavam, entre meias palavras e entre grupos que se faziam e desfaziam, no leva e traz de quem vai despejar a bexiga. Sentia-se que a coisa estava dividida! No meio da confusão de quem apoia a quem, pressentia-se que o PSD estava mais fragilizado do que habitualmente e que o Partido da Terra viera baralhar as contas a uns e outros. Uma incógnita das grandes!
Contados os votos, o povo, mais esclarecido, ou mais alienado, disse o que queria. Se não o disse claramente, foi porque não o quis dizer, o que também quer dizer alguma coisa. Expressou a sua vontade e cada um ficou com um pedaço da manta que, como sempre, não estica: ou tapa os pés ou a cabeça.
Terão agora os eleitos que entender o que o eleitorado disse nas entrelinhas.
Confesso que tenho assistido com alguma expectativa à catadupa de acontecimentos em redor da acomodação no poder. Tranquiliza-me a convicção que tenho de que, apesar da poeira que ainda paira no ar, das feridas por sarar e das diatribes da campanha que alguns tardarão em esquecer, «maioria» e oposição saberão ultrapassá-las com elevação, com sentido da causa pública e do interesse municipal. É assim que sempre procedem as sociedades civicamente evoluídas.
Bem sei que já há quem se posicione para daqui a 4 anos, mas ninguém pense que ganhará o que quer que seja com jogadas precipitadas ou irreflectidas, a tanto tempo de distância. Ganhará, isso sim, quem for mais forte e mais inteligente, atributos que se demonstram na prática da acção política, nas opções e posições assumidas e quantas vezes na recusa da pressão dos aparelhos partidários e dos interesses particulares.
Quem ganha sem maioria terá que ter a humildade de dialogar, chegar a entendimentos duradouros, sob pena de não conseguir garantir a governabilidade e se fragilizar ainda mais. Mesmo quando se ganha com maioria há que ser magnânimo e respeitar as oposições.
Quem perde tem também que assumir as suas responsabilidades. Não há vitórias morais: ganha-se ou perde-se. E quem perde não pode querer o poder para si.
Quem ganha sem maioria sabe o que o espera: que a oposição, se quiser, pode emperrar o exercício do poder. E uma situação pantanosa que perdure será prejudicial ao Sabugal, numa altura do quadro comunitário em que todas as energias devem estar concentradas no desenvolvimento de novos projectos. Um presidente e uma câmara que desperdicem o tempo e as energias a resolver os litígios do poder, dificilmente poderão ter um bom desempenho. Por certo que os sabugalenses não querem que isso aconteça, desejarão antes que a sua câmara os governe com justiça e saber e esteja na primeira linha do combate aos muitos problemas com que o Sabugal, como todo o interior, se debatem.
Não haverá outro caminho, e braços de ferro dão quase sempre mau resultado, designadamente para quem os levanta.
Sempre admirei a forma raçuda como o raiano sabugalense encara a vida do dia e dia e as suas dificuldades. Mais admiro o seu orgulho e a defesa que faz das tais especificidades. Como dizia há dias o Antoine das trutas: isto é como ao forcão, temos que lhe pegar todos juntos!
Ao forcão rapazes!
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

Novo livro sobre o lince-ibérico

A editora Bizâncio acaba de lançar o livro «Lince-Ibérico», o qual aborda diferentes aspectos da biologia do felino mais ameaçado do mundo, ilustrados por fotos de animais em habitat natural onde a sua existência se encontra ameaçada.

Lince Ibérico da Serra da MalcataA publicação é o resultado de uma colaboração do jornalista Paulo Caetano, autor dos textos, e do biólogo Joaquim Pedro Ferreira, responsável pelas fotos, enriquecida também por ilustrações de Jorge Mateus.
Numa altura em que o projecto nacional de reprodução do lince-ibérico dá um passo decisivo com o acolhimento de linces para o repovoamento do seu habitat tradicional em Portugal, chega aos escaparates um livro-álbum muito elucidativo.
Trata-se de uma publicação que apresenta o felino mais ameaçado do mundo nos vários aspectos da sua biologia, que vão desde os hábitos alimentares à reprodução, sempre ilustradas com fotos do esquivo carnívoro obtidas em meio natural em momentos nunca capturados da sua vida quotidiana.
Continuam a chegar linces ao centro nacional de reprodução, situado em Silves, no Algarve, num processo que deverá estar concluído até ao final deste mês, altura em que o centro de reprodução português deverá acolher os 16 animais previstos.
plb

À fala com… António Cabanas

António Cabanas, 48 anos, natural da Meimoa, concelho de Penamacor, é licenciado em Sociologia pela Universidade da Beira Interior. Pertence aos quadros do ICN-Instituto de Conservação da Natureza e está «emprestado» à Câmara Municipal de Penamacor desde 2001 onde exerce o cargo de vice-presidente da equipa liderada por Domingos Torrão. No seu currículo destaca-se a publicação de obras sobre temáticas como o contrabando, o madeiro de Penamacor e a Meimoa.

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Quando terminou os estudos do liceu (antigo sétimo ano) foi trabalhar para o restaurante «Furnas Lagosteiras» perto de Cascais. Explorou um snack-bar no Shopping Cacém e sentiu o chamamento do espírito de aventura. Durante cerca de dois anos foi embarcadiço em navios de cruzeiro nas Caraíbas «onde ganhou algum dinheiro porque no barco não era possível gastar nada». Depois veio para a Malcata e terminou, finalmente, os estudos que não conseguiu acabar quando era jovem. «Os meus pais eram agricultores e tinham algumas dificuldades económicas próprias do mundo rural e entendi que não devia estar a sacrificá-los. Mas… prometi-lhes que terminaria os estudos nem que fosse até aos 80 anos», recorda António Cabanas.
Entre 1987e 2001 António Cabanas sentiu o bater do coração da Reserva Nacional da Serra da Malcata. Foi vigilante, técnico superior e finalmente director da Reserva durante dois anos. Em 2001 uma lista independente encabeçada por Domingos Torrão venceu as eleições para a Câmara Municipal de Penamacor e António Cabanas «transferiu-se» para a autarquia assumindo o cargo de vice-presidente. Em 2005 e nas recentes eleições autárquicas de 2009 a equipa de Domingos Torrão e António Cabanas foi reconduzida à frente dos destinos do município de Penamacor. «Actualmente ainda pertenço aos quadros do Instituto de Conservação da Natureza e como isto de ser autarca não é eterno quando cessar as funções na Câmara Municipal de Penamacor, onde estou desde 2001, voltarei a trabalhar no ICN», esclarece o vice-presidente Cabanas.
– Esteve vários anos ligado à Reserva Natural da Serra da Malcata que muitos relacionam com o lince ibérico. Que projectos recorda?
– Recordo a candidatura do projecto da Senhora da Graça com um orçamento de 200 mil contos, falando em moeda antiga, e que teve alguma envergadura para a época. Este projecto pretendia ter, por um lado, a vertente florestal com plantas autóctones da região e como viveiro das árvores protegidas de todo o País, uma espécie de viveiro do ICN a nível nacional e por outro lado uma vertente de educação ambiental, interpretação da natureza e visitação. Infelizmente não tem havido meios para esta estrutura funcionar a cem por cento mas, de alguma forma, tem sido um baluarte da Reserva da Malcata. Outro projecto em que me empenhei como director foi o «Life» para o estudo do lince e dos seus ecossistemas. O lince é uma espécie que vive uma grave crise. Já fui muito céptico mas, actualmente, estou mais confiante e considero que há grandes possibilidades das populações de linces voltarem à Malcata e a outros territórios ibéricos. Em 1977 o doutor Luís Palma fez estudos na Malcata e registou cerca de 30 linces, em 1987 falava-se numa comunidade de 14 ou 15, em 1992 capturámos uma fêmea mas em 1995 já não conseguimos assinalar nenhum vestígio da sua presença. Em Portugal o lince está extinto mas nos próximos anos vão ser transferidos animais espanhóis para regiões portuguesas onde vão crescer em cativeiro. Apesar do entendimento político entre os dois governos ibéricos ainda não é seguro que a espécie se salve mas há uma nova esperança…
– …«Terras do Lince» é uma marca em que aposta a Câmara Municipal de Penamacor…
– É a bandeira de Penamacor. Há uns anos atrás os ambientalistas que apareciam por cá eram olhados com alguma desconfiança e, afinal, hoje somos todos ambientalistas. Para Penamacor, para o Sabugal, para o Alto Águeda e para a Sierra da Gata a existência do lince será certamente uma mais-valia. É uma marca que faz a diferença e nos pode trazer vantagens económicas. «Terras do Lince» é uma marca que está a ser divulgada através dos produtos regionais – azeite, mel, queijo e enchidos – e pode ser aproveitada para programas turísticos.
– O território da Malcata é partilhado por dois concelhos portugueses e duas comunidades espanholas. Facilita ou prejudica a actuação dos responsáveis?
– Há vantagens porque há diversidade. É um território de transição da fauna e da flora entre o Mediterrâneo e o Atlântico Continental e por isso esta diversidade a Sul com o azinhal, os medronheiros, sobreiros e a Norte com o carvalhal e os castanheiros. Infelizmente do lado espanhol não há um estatuto de conservação como existe no lado português. Os espanhóis são sensíveis à defesa da natureza mas preocupam-se muito mais com o turismo. A Reserva da Malcata tem um plano de ordenamento excessivamente restritivo que acaba por se tornar maléfico. Nos últimos anos a Malcata deixou de ser falada porque um território fechado afasta as pessoas e tem um efeito negativo. Quando há visitação há promoção e uma atenção redobrada sobre o território que facilita a pressão política para a atribuição de mais meios – técnicos e humanos – pelo poder central.
– Em Penamacor sente-se o espírito raiano?
O penamacorense não se considera raiano – com excepção, talvez, das freguesias de Salvador e Aranhas – mas eu considero-me raiano pelo Sabugal e pelos amigos que conheci quando estive na Malcata. Penamacor como praça-forte sempre esteve de costas voltadas para Espanha. Curiosamente iniciámos num processo de geminação com Valverde del Fresno a cerca de 30 quilómetros e com a qual apenas temos uma ligação por estrada há poucos anos. Há uma distância física muito diferente da relação que as aldeias raianas do Sabugal têm com as localidades espanholas de Albergaria ou Navasfrias.
– Como se define o político António Cabanas?
– A causa pública é algo que nasce dentro de nós. Desde miúdo que sinto a necessidade de estar activamente na sociedade. Integrei o grupo coral da igreja na Meimoa, associações, o clube de futebol… O autarca é um homem da causa pública. Nas eleições autárquicas é costume dizer-se que o que conta são as pessoas. As freguesias vivem dependentes das câmaras e estas do Governo e todos sabemos e sofremos na pele o ter ou não ter apoios. Quando somos da cor e estamos com o poder comemos e quando não somos… cheiramos. Por isso compreendo e não condeno os chamados «vira-casacas» porque eles traçam estratégias – incluindo o sucesso pessoal – para atingir os melhores objectivos para as suas autarquias. Em função das minhas competências académicas e do meu percurso profissional na Malcata o ambiente, o ordenamento do território, o turismo, a etnografia e a cultura local são as temáticas com que mais me identifico.
– Há um homem de cultura para além da política…
– A matriz cultural da etnografia e da antropologia beirãs são excelentes elementos de estudo para qualquer sociólogo e o meu trabalho reflecte essas influências. Além disso sou um homem com origens no mundo rural. Os trabalhos no campo com os meus pais foram experiências muito enriquecedoras para a minha pessoa. Cada uma das minhas obras deve ser lida de forma distinta e entendido como uma forma de preservar testemunhos. O livro «Carregos» foi motivado pelo meu pai e pelos meus tios que foram contrabandistas e contavam estórias que eu ouvia com muita atenção. Os vigilantes da Reserva da Malcata tinham motorizadas para andar pelos caminhos pedregosos da serra. No meu primeiro dia de serviço na Malcata levava na ideia passar pela quinta do Major – também conhecida por quinta do Pinharanda ou quinta da dona Rita – onde os contrabandistas passavam com os carregos. O livro sobre a Meimoa tem uma motivação histórica com as nossas raízes, a nossa alma, os nossos antepassados. A Meimoa é uma comenda da Ordem de Aviz, a igreja da Meimoa fez parte da Ordem de Alcântara, a mãe de Pedro Álvares Cabral era a senhora dona da Meimoa e o rei D. Afonso V doou a Meimoa ao primeiro conde de Penamacor e assim através de uma pequena aldeia podemos contar um pouco da história de Portugal. São facetas que desconhecia e acabei por descobrir durante a investigação. O livro «Madeiro» retoma o fio à meada do contrabando porque voltamos ao património cultural das tradições. O Natal tem origem no solestício de Inverno muito anterior aos romanos. O monumental madeiro de Penamacor com 18 tractores de sobreiro é o maior de Portugal e considerei que merecia ser destacado.
– Há publicações na forja?
– Tenho dois projectos que quero levar a bom porto ainda para este ano. Vamos comemorar o primeiro centenário do nascimento de Mário Bento, patrono do Museu da Meimoa, com a publicação de um livro sobre a Comenda da Ordem de Aviz atribuída à Meimoa e em conjunto com a técnica da Câmara, Laurinda Mendes, estou a preparar um opúsculo com muita pesquisa na Torre do Tombo sobre a história cronológica de Penamacor.

No dia 11 de Outubro a lista de Domingos Torrão foi a jogo nas eleições para a Câmara Municipal de Penamacor e venceu com 53,64 por cento dos votos. Os nossos parabéns a António Cabanas pela recondução como vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor e as boas-vindas como «opinador» residente no Capeia Arraiana onde passará a assinar a coluna «Terras do Lince».
jcl

À fala com… José Reis

E.F.VPTLC.MV é o nome de código do «exercício militar» que vai levar até terras raianas de Penamacor, Sabugal e Almeida altas patentes da Força Aérea. O encontro de convívio entre ex-directores do Centro de Treino e Sobrevivência, instrutores dos cursos de Fuga e Evasão e familiares está marcado para este sábado, 12 de Setembro. A Ordem de Operações está a cargo do sargento-chefe José Reis, natural da Freineda mas «com muitos amigos no concelho do Sabugal» como fez questão de nos dizer durante uma cordial conversa na Base Aérea do Montijo.

À fala com... José Reis - Clique na imagem para ampliar À fala com... José Reis - Clique na imagem para ampliar À fala com... José Reis - Clique na imagem para ampliar

«Tenho 48 anos feitos no dia 27 de Agosto. Sou natural da terra do melhor vinho do Mundo: Fernão Pó. O meu pai era funcionário da CP e eu nasci lá como que por acaso mas fui registado e baptizado na freguesia da Freineda, concelho de Almeida, terra de onde são naturais os meus pais», começou por nos dizer em jeito de apresentação o Sargento-Chefe da Força Aérea, José Reis.
E lançando uma pequena provocação para a conversa acrescentou: «Comecei a trabalhar aos cinco anos!» Apercebendo-se da nossa expressão de surpresa lançou-se nas explicações desvendando que «os pais tinham um pequeno comércio na Freineda» e como era pequeno «colocava uma grade de bebidas por detrás do balcão para servir os meio-quartilhos aos clientes». «Cheguei a ser castigado pelo professor porque pensava que eu estava a brincar em vez de ir à escola mas, de facto, estava na tasca do senhor Januário que era o meu pai», recordou entre sorrisos.
Depois da primária ingressou no Colégio São José, conhecido pelo Rocha, na Guarda onde foi considerado um dos melhores alunos até ao 9.º ano. Os fins-de-semana eram passados na Freineda. «Quando os outros estavam em festa eu estava a trabalhar a ajudar os meus pais», acrescenta com a boa disposição que parece acompanhá-lo sempre.
Passou para o Liceu da Guarda, durante três anos, onde fez parte da Associação de Estudantes e da Comissão de Finalistas.
Aos 19 anos («por sorte» como faz questão de frisar) foi chamado para o serviço obrigatório na Força Aérea. «Na antiga BA3, Tancos, fiz a recruta e fui para a Ota onde me graduaram como cabo da Polícia Aérea. Pouco tempo depois surgiu a possibilidade de integrar um exercício de fuga e evasão em Penamacor mas não cheguei a ir», recapitula José Reis.
No final do serviço militar obrigatório frequentou o curso de sargentos que terminou em 1986. Já como furriel foi convidado para a equipa de instrutores dos cursos de fuga e evasão que eram feitos na zona de Penamacor, Sabugal e Almeida e em especial a zona da Malcata. «Na altura era solteiro e como natural da região agradava-me a ideia de ser instrutor do pessoal tripulante. Embora os cursos tivessem a duração de 12 a 14 dias chegávamos a estar 28 dias destacados na zona».
Mas as surpresas com as recordações de José Reis não param. «Tive o privilégio de ter visto linces na Reserva da Malcata em 1987. Nessa altura havia linces na Malcata. Eu vi. Eu e vários camaradas desse curso.»
– Como eram as relações com as populações?
– As relações sempre foram as melhores. A Força Aérea deve está grata às populações de Penamacor, Sabugal e Almeida porque os nossos militares sentem-se como em casa. Os instruendos tinham como missão não ser vistos por ninguém mas, por vezes, surgiam «ajudas» dos residentes na zona porque achavam que os militares andavam com fome. Mas não diziam nada aos nossos agentes infiltrados. Só no exercício seguinte é que nos contavam os pormenores para que os alunos não fossem prejudicados.
– Os exercícios decorriam em «território amigo» do instrutor Reis?
– Os exercícios começavam em Setembro, por causa da Academia, e depois iam de Outubro até Março para ter a dificuldade acrescida do frio. Fiz e mantenho muitas amizades com pessoal da raia, nomeadamente, o senhor Manuel Zé, do Soito, que nos recebe sempre de forma extraordinária na sua quinta. Mas tenho mais amigos que gostava de destacar: o presidente da Junta de Freguesia dos Fóios, professor José Manuel Campos, o presidente da Junta de Freguesia do Soito, José Mendes Matias, o presidente da Câmara de Penamacor, Domingos Torrão, e o presidente da Junta de Penamacor, o senhor Orlando, e o senhor Américo, entre outros.
– E na Freineda?
– Nos tempos da taberna do senhor Januário a Freineda era uma aldeia com muita vida. Tinha uma fábrica de moagem, uma estação de comboios, uma estação de Correios, tinha tudo o que era necessário para o desenvolvimento de um aldeia. Depois começou a emigração e… acabou o contrabando. E a Freineda apesar de não ter perdido a hospitalidade perdeu vitalidade.
– Bem perto a aldeia de São Sebastião é já considerada modelo…
– Sim. A aldeia de São Sebastião, com cerca de 70 habitantes, é uma anexa de Castelo Bom mas é de invejar o dinamismo da associação local e do seu presidente Joaquim Fernandes a quem aproveito para agradecer e dar o meu apoio pelo seu dinamismo e pela sua capacidade de lutar pela aldeia com alma e coração. No Lar, recentemente inaugurado, que mais parece um hotel os utentes têm todas as condições com muita qualidade de vida. Já este ano fizemos aqui na Base do Montijo um baptismo de voo para cerca de 90 crianças carenciadas organizado pela associação com o apoio do senhor general COFA.
– Actualmente é um dos responsável pela messe da Base do Montijo?
– Depois de ter passado 20 anos como instrutor do treino de evasão e sobrevivência tive um problema físico durante uma demonstração de helicóptero e foi convidado pelo comando a fazer parte da gerência da messe. A unidade tem mais de 800 militares e servimos, diariamente, cerca de 700 refeições.
– A gastronomia raiana é apreciada?
– Faço questão de divulgar a gastronomia raiana. Sempre que tenho um presente para oferecer trago um frasquinho de mel produzida pelo Amílcar Morgado da Freineda. É um dos mais conceituados produtores apícolas nacionais e faço questão de divulgar o seu «Mel da Freineda». Além disso sou um amante do bucho raiano. Há uma casa em Nave de Haver que faz uns buchos espectaculares e aproveito para os trazer para confeccionar almoços para grupos especiais. Na Freineda temos bons pratos como, por exemplo, o borrego. Agora inventaram mais um – o toston – um leitãozinho frito com alho.
– Como surge este «exercício» de antigos operacionais do Curso de Fuga e Evasão?
– Eu fiz parte do pessoal instrutor do curso de evasão e este ano por iniciativa do director do curso foi decidido juntar os antigos directores, subdirectores, agentes e neste momento estou com 72 inscrições. Não é um almoço. É um exercício especial que vai decorrer pela região raiana. A concentração está marcada para as 10 horas da manhã de sábado, dia 12 de Setembro, na Câmara Municipal de Penamacor de onde seguimos para as instalações da carreira de tiro da Meimoa. No castelo do Sabugal vamos aproveitar para tirar uma fotografia de grupo e vamos ser recebidos por representantes do Município e, de seguida, na «Casa do Castelo» e no CyberCafé «O Bardo» para um «exercício de Porto de Honra». Vamos passar pela vila do Soito, do amigo Matias, para uma prova com um aperitivo e a prova de sobrevivência está marcada para o TrutalCôa com truta frita e enchidos regionais. Cumprindo militarmente o roteiro vamos visitar o Centro Cívico dos Fóios para mais um «exercício» que servirá para dar início à «evasão» até Aldeia de São Sebastião. Para as 17:30 horas está marcada uma foto de grupo no monumento ao general Wellinton na Freineda.
– Este «exercício» demonstra que o José Reis sente a Raia?
– Sou um raiano convicto e tudo faço para divulgar a nossa região. Ainda não nos preocupam muito os problemas das cidades e por isso continuamos a ter muita qualidade de vida. Como costuma dizer o nosso conterrâneo professor Fernando Carvalho Rodrigues, pai do primeiro satélite português, «nós somos de uma zona que quando se bate à porta primeiro mandam-nos entrar e depois perguntam-nos quem somos». Este «exercício» serve para divulgar a Força Aérea que tenho muito gosto em servir e para que as populações falem bem dos militares e os militares falem bem da nossa região.
A terminar aqui deixamos mais um curioso episódio da vida deste militar raiano. «Por alturas do São Martinho o José Mendes Matias, presidente da Junta de Freguesia do Soito, fez-me chegar uma encomenda com castanhas. Aproveitei para as enviar para os militares portugueses que estão no Afeganistão com um galhardete da Junta. Os elementos do contingente devolveram-no assinado por todos. Agora guardo-o, com muito orgulho, no meu gabinete.»

Aproveitámos para convidar José Reis a estar presente no dia 7 de Novembro, no próximo almoço em Lisboa da Confraria do Bucho Raiano e a inscrever-se como confrade. O convite foi aceite.
jcl

Serra da Malcata vai receber linces espanhóis

O ministro do Ambiente, Nunes Correia e a sua homóloga espanhola, Elena Espinosa Mangana, assinaram em Penamacor esta terça-feira, 28 de Julho, Dia Nacional da Conservação da Natureza, um protocolo para a cedência de 20 linces nascidos em cativeiro em Espanha.

Reserva Natural da Serra da Malcata - Foto jusnmarO presidente da Câmara Municipal de Penamacor, Domingos Torrão, foi o anfitrião da cerimónia de assinatura do protocolo para a introdução na Serra da Malcata de linces nascidos em Espanha. O Fado, o Eucalipto, a Espiga e a Erika são alguns dos 20 linces (14 machos e seis fêmeas) integrados no Plano de Acção para a Criação em Cativeiro do Lince Ibérico que prevê a implementação em Portugal, no prazo máximo de três anos, de um programa detalhado para a reintrodução dos animais nas zonas de habitat histórico da espécie.
O ministro Nunes Correia afirmou que «a Serra da Malcata é uma zona de eleição e será uma das primeiras regiões a receber o lince». O governante e a sua homóloga espanhola sublinharam a importância do esforço conjunto dos dois países para a recuperação da emblemática espécie ibérica.
O presidente da Câmara de Penamacor, Domingos Torrão manifestou na sessão de assinatura do protocolo a vontade de receber linces. «O que queremos é o lince, porque o lince é de cá», acrescentando para reforçar o desejo que o município já registou a marca «Terras do Lince».
A Reserva Natural da Malcata, criada em 1981, está a tentar aumentar a densidade média de coelho-bravo (que representa 80 por cento da alimentação do lince). Em algumas zonas conseguiu passar de um coelho por hectare para cinco, no período de 1997 a 2006. Para isso promoveu o refúgio ao abrir clareiras e plantar centeio, construiu 180 abrigos e, em 1994 e de 1997 a 2003, repovoou a zona com 1200 coelhos.
Actualmente, Espanha tem 77 linces nos seus centros de reprodução em cativeiro. Os 20 animais que foram cedidos a Portugal virão de El Acebuche (em Doñana), La Olivilla (Raen) e de Jerez de la Frontera.

Os registos indicam 1992 para o último lince avistado em liberdade na Serra da Malcata «penamacorense».
jcl

Programa eleitoral de um pseudo-candidato

Elaborar um programa de acção não devia ser demasiada metafísica para qualquer candidato; mas falta em pragmatismo o que sobra em teoria aos programas dos candidatos à Câmara do Sabugal.

João ValenteEu, leitor amigo, habituado por formação à liberdade e por dever de ofício a dizer o que penso com clareza, vou direitinho ao assunto:
O concelho só teve peso reivindicativo junto do poder central quando fez lobby na histórica «Irmandade de Riba-Côa», com os restantes concelhos da região. Isoladamente nunca teve voz. Por isso tem que concertar estratégias com os concelhos limítrofes na resolução dos problemas comuns.
E os seus problemas, já toda a gente sabe, são a baixa qualidade de vida, falta de oportunidades de emprego, que levam à emigração e consequente desertificação e envelhecimento da população.
A fixação da população obtém-se pela qualidade de vida. A qualidade de vida surge com mais rendimento disponível. O rendimento com mais emprego e negócios. As oportunidades de empregos e negócios com mais necessidades de consumo.
A população residente tem um baixo rendimento e portanto nenhuma capacidade de consumo, o que torna a actividade empresarial incipiente e de pouca importância. E não existindo actividade empresarial também não há empregos e criação de riqueza. E sem riqueza não há qualidade de vida. É um ciclo vicioso!
Não havendo consumo interno que dinamize a economia do concelho, tem de se captar consumo externo. É uma verdade de la Palisse!
Temos para vender a vizinhança com Espanha, o património cultural (capeia, romaria dos «encoratos» a Sacaparte, etc), gastronómico (bucho, enchidos, castanhas, ciclo do linho, do azeite, do pão), Histórico (os cinco castelos, sítios arqueológicos de Carya Tallaya e Sabugal Velho, aldeias históricas de Sortelha, Vila Touro, Alfaiates, Vilar Maior), natural (rio côa, Cesarão, barragem do Sabugal, trilhos de contrabando).
Os programas dos candidatos falam em combate à desertificação, melhorar a qualidade de vida da população, ajudar as empresas. Isso também propuseram os candidatos e os presidentes anteriores e foi o que se viu. Parra, muita; uva nenhuma! Fogo bonito; no fim, canas…
Pois meus amigos, eu cá se fosse candidato, definiria umas quantas medidas concretas, baseadas nas potencialidades que temos para oferecer, para atrair consumo, gerar oportunidades de emprego e indirectamente aumentar o rendimento disponível da população e por conseguinte a estabilidade demográfica.
Apenas alguns exemplos, de iniciativas que, enquadradas numa estratégia global, poderiam atrair consumo e criar oportunidades de emprego:
– Museu do linho em Aldeia Velha;
– Trajecto eco-turístico em Vilar Maior descendo as fragas do castelo ao rio;
– Oficinas de artes tradicionais em Alfaiates conjugadas com a feira mensal;
– Museu do Azeite em Santo Estêvão;
– Fluviário no Sabugal e praia artificial ou piscinas naturais. Provas de canoagem;
– Dinamização dos pólos arqueológicos de Caria Talaya e Sabugal Velho;
– Uso dos poderes administrativos para recuperar os núcleos urbanos históricos;
– Feira agrícola no Soito conjugada com certame de Capeias divulgado a nível nacional e internacional;
– Prova desportiva de BTT e de hipismo a nível nacional da rota dos cinco castelos;
– Comemorações anuais da batalha do Graveto;
– Feira medieval em Sortelha e feira de gastronomia associada à «Aldeia das sopas»;
– Definição, demarcação e sinalização de alguns trilhos pedestres e para ciclo turismo aproveitando as veredas de contrabando, leitos dos rios e belezas paisagísticas;
– Feira de Gastronomia no Sabugal associada ao bucho raiano;
– Bienal de artes e certame de teatro no Sabugal;
– Revista mensal de qualidade divulgando a cultura e tradições da região;
– Criação e divulgação da marca «Transcudânia» em todos os produtos e actividades ligadas à região;
– Formação de uma equipa multidisciplinar para criação, coordenação e divulgação de projectos turísticos, culturais e desportivos;
– Coordenação de políticas com os restantes concelhos limítrofes, reeditando a antiga irmandade dos concelhos de Riba-Côa, definindo um espaço geográfico próprio no contexto regional, nacional e internacional;
– Campanha agressiva de marketing divulgando todas estas iniciativas e projectos, feita por uma equipa de profissionais.

Isto é, amigos leitores, a diferença entre a teoria e o pragmatismo: Reconhecer que não há recursos e tempo para acudir a tudo; estimular a economia do concelho com iniciativas pontuais e bem orientadas ao consumo externo. A iniciativa privada indo ao encontro às necessidades de consumo, criará o emprego e a riqueza de que precisamos.
Se assim não acontecer… Ramo de oliveira, caldeirinha e água benta, aos pés!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Aprovado o Parque de Campismo do Sabugal

O projecto para a construção do Parque de Campismo e Lazer do Sabugal foi aprovado na última Assembleia Municipal. O Capeia Arraiana visitou os 7,2 hectares de carvalheira destinados ao projecto na companhia de Manuel Rito, presidente da Câmara Municipal do Sabugal.

Parque Campismo Sabugal - clique para ampliar

GPS: Latitude – 40°20’36.97″N – Longitude – 7° 5’42.31″W

(Clique nas imagens para ampliar.)

Na reunião ordinária de 30 de Abril de 2009 o Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Manuel Rito, agendou uma reunião para o dia 8 de Maio com os representantes da parceria público-privada para a construção do parque de campismo.
A Comissão de Análise, da Sabugal+, depois de analisadas as propostas dos concorrentes escolheu o consórcio constituído pelas empresas Imoestrela-Sociedade de Investimentos da Serra da Estrela, Arser-Areias da Serra da Estrela, Equipav-Gestão de Equipamentos e Manuel Rodrigues Gouveia, SA. As conclusões foram apresentados para votação e aprovados, por maioria, na Assembleia Municipal de 26 de Junho.
Na sequência da aprovação fiicou, também, decidido que seria constituída uma empresa para gerir a construção e a exploração ficando a Sabugal+ com 49 por cento e o consórcio com os restantes 51 por cento do capital. O investimento de 9 milhões e cem mil euros será pago ao consórcio pela autarquia sabugalense, durante um período de 25 anos, e no final passará a pertencer na totalidade ao Município.
Junto à Robinil, à loja de materiais de construção da firma Ricardo&Ricardos e ao lindo chalet de António Fernandes (com a particularidade de ter um girocóptero na garagem) tem início uma verdejante estrada secundária com vista privilegiada para o Rio Côa e para o Castelo do Sabugal. É conhecida como a estrada da Senhora da Graça pois dá acesso ao parque de merendas e ao santuário da igreja das cinco paredes projectada pelo Padre Souta. Após a construção da barragem do Sabugal serve, também, para acesso ao passadiço que fica por cima do grande paredão que sustém as águas da albufeira.
No início de uma ligeira inclinação da estrada a última casa antes dos terrenos do parque de campismo pertence à Junta de Freguesia de Aldeia de Santo António e tem servido para local de votação e de convívio. É nesta zona privilegiada do concelho do Sabugal com vista para a Serra da Malcata e onde o rio Côa, corre agora, regulado pelas «comportas humanas», que vai ser construído o futuro Parque de Campismo e Lazer do Sabugal.
«Durante o mandato do presidente Morgado houve a possibilidade de adquirir este terreno e não hesitámos», lembra com orgulho Manuel Rito, presidente da Câmara Municipal do Sabugal, enquanto saltávamos pela parede de pedra ao lado da portaleira enferrujada.
«São 7,2 hectares com carvalheira que vão desde a estrada até lá abaixo ao rio Côa. A sombra é muito importante num parque de campismo mas possivelmente temos que cortar algumas árvores para melhorar o espaço para os campistas. Enquadrados nesta magnífica paisagem estamos perto de tudo. Do Sabugal, do rio Côa, da barragem, da Malcata, da… tranquila qualidade raiana», diz-nos Manuel Rito no meio de uma majestosa carvalheira.
– Um parque de campismo não é só árvores e sombra. Que tipo de equipamentos estão previstos?
– O projecto prevê uma capacidade para 600 campistas, a construção de 16 bungalows (casas para ocupação temporária), bar, restaurante, piscina, campo de jogos e uma rede de trilhos pedonais e para BTT. Faltava ao concelho do Sabugal um parque de campismo com qualidade e de referência para evitar que os turistas nos visitem só de passagem. A Turismo Serra da Estrela considera o parque de campismo do Sabugal como um dos projectos de primeira categoria a incluir no Plano Estratégico Serra da Estrela 2009-2013 e aproveito para divulgar, com grande satisfação, que neste plano foi também incluído o complexo do Parque Termal do Cró.
Parque de Campismo e Lazer do Sabugal. Um equipamento que deverá ser concebido com directrizes idênticas às dos parques naturais ou ecológicos, dentro do conceito de sustentabilidade ambiental, que faz falta ao turismo do concelho e ao aproveitamento das potencialidades da albufeira da Barragem do Sabugal.
jcl

Lince na Malcata depende dos coelhos

O ministro do Ambiente, Nunes Correia, admitiu em declarações ao jornal «Reconquista» que a Reserva Natural da Serra da Malcata poderá vir a acolher alguns linces ibéricos nascidos em cativeiro provenientes de Espanha. Mas… tudo depende do sucesso da reintrodução do coelho naquela zona protegida.

Reserva da Malcata - Sabugal - PenamacorO Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico, inaugurado em Silves (Algarve) em Maio, está pronto para receber em breve os primeiros felinos.
Nunes Correia, ministro do Ambiente, em declarações ao jornal «Reconquista» admite que a serra da Malcata também poderá vir a acolher alguns linces mas tudo depende do sucesso da reintrodução do coelho, principal alimento do lince, na serra situada entre os concelhos do Sabugal e de Penamacor.
Recorde-se que a instalação do Centro de Reprodução do Lince Ibérico no Algarve foi contestada pelas autarquias do Sabugal e de Penamacor, que partilham o território da Reserva Natural da Serra da Malcata, criada em 1981 no âmbito de uma campanha pela preservação do lince.
O presidente do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), Tito Rosa, confirma que «há dificuldades na reintrodução da população de coelhos nesta área protegida. Actualmente quase não há coelhos na serra da Malcata, devido à caça e à prevalência de doenças que, nos últimos anos, dizimaram a presa. Por isso, a reintrodução do lince na Serra da Malcata ainda é uma incógnita, apesar de nos próximos meses estar prevista a chegada a Portugal de alguns destes animais, provenientes do parque de Doñana, em Espanha».
jcl (com jornal «Reconquista»)

Três linces nasceram em cativeiro em Espanha

Três linces machos ibéricos nasceram no dia 18 de Março no Centro de Conservação de El Acebuche, situado no Parque Natural de Doñana, em Madrid, segundo anunciou a agência Reuters citando o organismo ambiental Ex-situ.

Lince IbéricoO Programa de Conservação Ex-situ informou que nasceram três linces ibéricos em cativeiro e que um outro parto está previsto para os próximos dias. Os filhotes são crias da lince Saliega, que havia dado à luz outros dez exemplares em quatro partos anteriores. O pai é o lince Almoradux, único macho do parque dentro do grupo de reprodutores do programa conservacional.
«Das 16 fêmeas que copularam este ano, sabemos que dez passaram no teste de gestação que detecta a presença do hormônio relaxina, uma foi reprovada e cinco ainda serão diagnosticadas», esclarece em comunicado o organismo espanhol.
O objetivo do programa de reprodução em cativeiro é proporcionar o número suficiente de animais para ajudar a restaurar a espécie no habitat natural, criando novas populações para pôr em prática planos de reintrodução.
O lince ibérico (lynx pardinus) é considerado o carnívoro mais ameaçado do planeta. Os especialistas acreditam que Andalucía e Castilla-La Mancha sejam as únicas regiões na Espanha que ainda tenham populações da espécie com boas condições para viver.
aps

Efeito Borboleta

«O batimento de asas de uma borboleta no Brasil pode provocar um tornado no Texas?»

António MouraEsta é a célebre metáfora (Efeito Borboleta) tornada emblemática pela Teoria do Caos, fenómeno de sensibilidade às condições iniciais, com o seu conceito de «determinismo relativo». De facto, a pergunta que a metáfora coloca não é cientificamente aceitável, devido ao efeito de dissipação da pequena quantidade de energia emitida. Por vezes a Ordem que emerge do Caos, é exactamente oposta ao chamado Efeito Borboleta. E talvez possamos considerar também, que se o seu efeito pode criar um tornado, também o pode anular.
Na verdade, o que podemos retirar da observação da complexidade, é o de ela conduzir à simplicidade, assim como o caótico à estabilidade ou a guerra à paz.
Para o observador que sabe distanciar-se do palco, da sua acção, movimentos e tempo, não é muito difícil cheirar a transformação das coisas nas suas transições pendulares. Mas para aquele que em permanência está na acção, mergulhado nos conceitos, valores e condicionalismos resultantes desses apegos, o olhar visionário não é possível, embora seja ciclicamente indispensável no virar de página dos grandes problemas.
Muitas coisas têm de ser alteradas nesta presente sociedade tribal. Não nos iludamos, os mecanismos de obtenção e consolidação do poder que regulam o mundo, continuam a ser os mesmos dos tempos da barbárie. A espada é hoje a pena, a palavra ditatorial e sem apelo armada por doce lei orgânica, ou norma comunitária, para melhor engolirmos. Os lobbies vistos com normalidade democrática, cercam leis que se perpetuam ao serviço do mais forte, porque o homem continua a ser o mesmo, apenas mudou a forma, não o conteúdo.
O poder do povo, chegou à encruzilhada da legitimidade que advém do voto, sem ter forçosamente razão. A razão tem que ver com qualidade e não com quantidade. O princípio da democracia baseia-se num pressuposto primário que atribui o poder ao mais forte (a união faz a força), o seu funcionamento gerou-se na noite dos tempos, ele cria blocos de oposição assimétrica, tal como no mundo natural, presas e predadores.
Onde está o homem?
Descobriu-se ao acaso, num filme passado a grande velocidade numa sala de montagem, que os búfalos africanos vão a votos quando decidem mudar de pastagens. Deitados enquanto ruminam, a votação realiza-se lentamente, e consiste em levantarem-se individualmente, apontando o focinho numa determinada direcção e deitar-se de novo. Um após outro de forma contínua, até finalmente toda a manada se erguer e seguir o rumo médio de todas as direcções apontadas. Uma notável proeza de consenso democrático.
Onde está o animal?
Por vezes, frequências inaudíveis à maioria das mentes, podem transformar alguns raros pelo seu toque. Outros apenas ouvem, dogmatizam e enquadram nas suas próprias culturas, transformando, mesmo que parcialmente (por ignorância ou excesso de conhecimento), veiculam ainda assim ensinamentos que transcendem as suas próprias limitações, crenças, moral e demais ferramentas de apoio à normalidade vivida.
Mensagens sem tempo nem lugar concreto, surgem naquilo que não oferece resistência nem contem, porque só o vazio pode realmente conter.
Retiremos das mensagens aquilo que de acessório o animal coloca, e veremos a mesma origem e universalidade, o mesmo tronco comum. Apenas a nossa mente caótica impede esse olhar visionário. Essa torre de Babel.
Na babilónia, Babil significava «Porta de Deus», no hebraico antigo significa «Confusão». Confusão às Portas de Deus, nada de mais natural.
A mensagem de uma borboleta vale mais pela transformação que se opera no seu interior, do que pela mudança que provoca no exterior. Ela vive rastejando até à morte que lhe dá vida, para uma simbiose com as flores.
«Caminho sem Percurso», opinião de António Moura

mouramel@sapo.pt

Conselho Estratégico da Reserva da Malcata

O vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor, António Cabanas, foi eleito presidente do Conselho Estratégico da Reserva Natural da Serra da Malcata.

Serra da MalcataO artigo 8.º do Decreto-Lei nº 136/2007, de 27 de Abril que procedeu à reestruturação do antigo Instituto da Conservação da Natureza em Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), criou a figura de Conselho Estratégico das Áreas Protegidas de interesse nacional, de modo a potenciar o relacionamento com todos os actores que interagem nas áreas protegidas, tendo em conta a transversalidade que se exige da gestão activa da conservação da natureza e da biodiversidade, os quais serão compostos nos termos aí previstos.
Tais conselhos assumem no âmbito da nova orgânica, a dignidade de órgãos do ICNB, I.P., isto é, não são já apenas instrumentos locais de consulta, mas sim agentes do próprio órgão da administração indirecta do Estado.
Em particular, a participação das autarquias locais é reforçada pelo posicionamento institucional dos conselhos estratégicos, estando deste modo ligadas de forma mais profunda e influente à estratégia de gestão da conservação da natureza e da biodiversidade no universo que representam.
Nestes termos, ao Conselho Estratégico da Reserva Natural da Serra da Malcata foi proposta a seguinte composição representativa das entidades:
– ICNB, I.P., Instituto das Florestas, Direcção-Geral de Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior, Câmara Municipal de Penamacor, Câmara Municipal do Sabugal, Juntas de freguesia da Malcata, Meimão, Meimoa, Penamacor, Quadrazais, Vale de Espinho, Organizações não governamentais de ambiente de âmbito regional ou de âmbito nacional com intervenção na área da Reserva Natural, exercendo mandato único em sistema rotativo anual, associações representativas dos sectores económicos consideradas em conjunto em sistema rotativo, pelo período de um ano.
– A primeira reunião do Conselho Estratégico da Reserva Natural da Serra da Malcata, decorreu neste passado dia 19 de Março, onde se entendeu proceder a alguns afinamentos posteriores, relativamente à constituição de elementos que passarão ou não a integrar definitivamente o Conselho. Nomeou-se um presidente – Dr. António Cabanas – para os dois próximos anos, em sistema rotativo entre as duas Câmaras. A aprovação do regulamento ficou ainda agendada para posterior reunião.
António Moura

O valor paisagístico

É de grande importância o impacto que a imagem pode gerar a jusante ao utilizar o visitante como embaixador.

António MouraAs imagens quaisquer que elas sejam, urbanas, rurais, de paisagens mais ou menos humanizadas, constituem uma poderosa influência do nosso comportamento. Num novo espaço em aproximação a primeira mensagem é sempre visual, é a mais importante, é aquela em que mais acreditamos porque é gerada na distância onde o não compromisso é possível, e por isso lhe atribuímos mais verdade ou pureza. À medida que nos aproximamos da imagem, ela desaparece, para dar lugar ao objecto real com o qual temos de estabelecer compromissos. O objecto real, por contaminação passa assim a fazer parte da nossa realidade ou da percepção que temos dela, e que projectamos também nos outros. Tal como no amor, apaixonamo-nos por imagens pintadas dentro de nós, porque o mecanismo de aproximação física assim o exige.
O que buscam as pessoas nos seus momentos de turismo e lazer, e no contacto com lugares novos, é a percepção de imagens e sabores numa liberdade que a distância de uma acção transitória permite.
No entanto, a imagem que temos de nós próprios e que no quotidiano projectamos à nossa volta, em todas as nossas acções, é a imagem que realmente influencia os outros, porque é a imagem real, não a imagem turística.
Na nossa comunidade, muitas são as aldeias cuja imagem pode ser englobada na categoria de cacofonia paisagística. Numa panóplia de cores, materiais e formas anárquicas, que apenas podem revelar interesse para algum estudioso em ciências humanas.
Nem as igrejas escapam à lapidação do «espírito do avô», onde se misturam granitos polidos de texturas e origens diversas, com o nosso tosco antigo. Onde as suas torres, outrora ornamentadas com ninhos de cegonha e apetrechos (galos) indicadores do sentido do vento, dão agora lugar à manifestação de endinheirados egos, na forma de enormes cruzes luminosas medonhamente descaracterizadoras.
As edificações religiosas nas aldeias do nosso Concelho, capelas e igrejas, deveriam constituir espaços privilegiados de projecção de imagem. Espaços geridos por entidades ou comissões de vocação multidisciplinar coordenadas pelo próprio I.P.P.A.R., e não deixadas entregues a comissões de festas, ou mordomos preocupados antes de mais em mostrar a grandeza de si próprios através de «notáveis obras de restauro e acrescentos sem nexo» ou de festas e romarias. Como se a fé pudesse ser mostrada a alguém.
A morte do avô, é a destruição de tudo aquilo que representa a imagem de um passado cuja proximidade compromete e priva de apreciarmos em liberdade.
«Caminho sem Percurso», opinião de António Moura

mouramel@sapo.pt

Meimão – No coração da Serra da Malcata

Em tempos, julgava que o Meimão era uma das quarenta freguesias do Sabugal. Fica mais próxima deste concelho, que de Penamacor de que dista 30 quilómetros a norte; a Secção da GNR pertencia ao Posto da GNR do Sabugal e anda hoje à diocese da Guarda.

José MorgadoNo entanto esta freguesia, pertence e sempre pertenceu ao concelho de Penamacor, sendo uma das suas 12 freguesias. Actualmente não deve ter mais de 500 habitantes.
O que me levou a debruçar sobre o Meimão, prende-se com as seguintes razões:
– É a freguesia, deste concelho, no coração da Reserva da Malcata, que fica mais a norte da Beira Interior Sul, na zona de transição entre a também chamada Terra Fria e as regiões do Sul. Confina com as Terras do Riba Côa e portanto a ultima freguesia a Nordeste do distrito de Castelo Branco. Os seus limites dividem águas, umas a caminho do Rio Douro, outras para Sul, a desaguar no Rio Zêzere que as leva para o Rio Tejo. É aqui também (à semelhança de Quarta-Feira) que a zona de montanha se separa da depressão da Cova da Beira. O clima é igualmente de transição, com Verões demasiado quentes e Invernos frios, mas cujos nevões não atingem a intensidade dos do Sabugal. Abunda o castanheiro, o carvalho e o medronheiro que coabitam com a oliveira, alguns sobreiros e azinheiras;
– É a freguesia das redondezas (até prova em contrário) onde se encontram mais rapazes solteiros (42) contra uma única solteira que ainda por cima namora rapaz de «fora» (vidé: Reportagem da SIC);
– Ser demasiado redundante falar unicamente nesta rubrica «Terras entre Côa e Raia» quando os nossos vizinhos têm tantas afinidades connosco;
– Porque qualquer povoado por mais pequeno que seja, tem a sua história, costumes, hábitos e tradições, em muito semelhantes às freguesias circundantes mas com algumas particularidades e evolução social e económica que merecem divulgação.
Segundo Joaquim Tomás, com raízes em Meimão, «a história de Meimão é caracterizada por duas fases bem distintas, um longo período de isolamento e obscurantismo até meados do Sec.XX. Outra, nas últimas décadas, em que se transformou num das aldeias modelo do concelho, com acontecimentos ligados à presença do Padre José Miguel Pereira (natural do Soito) e à construção da barragem».
MeimãoGeograficamente, o Meimão, situa-se num vale profundo, num dos contrafortes da Serra da Malcata, zona também raiana, é atravessado pela Ribeira do Arrebentão, afluente da Ribeira do Alízio (mais conhecida por ribeira da Meimoa).
Está situado entre quatro montes com altitudes superiores a 800 metros, escondendo a povoação (visto de cima, Meimão parece estar no fundo de um alguidar conforme descrição do Pe. António Marques).
Para lá chegar, vindo do Sul, em Penamacor segue-se para Norte no sentido Sabugal e corta-se à direita pela estrada da Carreira de Tiro. Vindo do Sabugal apanha-se a EN233 em direcção a Penamacor e ao 5,5 km vira-se à esquerda para Meimão (Guia Turístico de Manuel da Silva Ramos). Assim, só se entrava e só se saia do Meimão, por itinerários acidentados e íngremes, mas é esta particularidade, que lhe confere características próprias.
Mas actualmente para quem não tem viatura TT, para chegar lá, o acesso é fácil a partir da EN322, passando junto ao paredão da barragem, pela margem direita da Ribeira do Alízio.
Demasiado afastada dos centros urbanos e das redes de comunicação, Meimão tem sofrido, ao longo dos anos as consequências da interioridade e do isolamento (M. Lopes Marcelo, 1993) O isolamento era de tal ordem que constituía uma fatalidade. Ninguém se referia a ela, quando por ela passava. A descrição mais representativa, com que termino, é de Alexandre Herculano, que por volta de 1853, refere nos seus apontamentos de viagem pelo país o seguinte:
«…paramos para almoçar do farnel na aldeia da Orgueira (…) Saindo da vila [Sabugal] em direcção a Penamacor, caminhamos por entre matas cerradas de carvalhos (…) entra-se na serra das Aguça doiras [local próximo, onde actualmente se encontra o depósito para abastecimento da água a Meimão], terreno inóspito, matos rasteiros, com raras excepções, tudo parece inculto, verdadeira imagem do deserto.Descida para um vale extenso [Ponte da Pedra] onde aqui e acolá no meio dos matos se vê raro olivedo ou campo cultivado: meia légua pelo vale abaixo, a pequena aldeia da Meimoa. Aí comemos queijo e peras numa taberna.»
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Jardim natural autóctone

Um exemplo concreto, que não só os turistas, mas nos também deveríamos apreciar.

Jardim Natural AutóctoneO conceito de «jardim natural autóctone» deve estar presente sempre que se idealizar um novo espaço, dando preferência a espécies autóctones em detrimento das exóticas que podem ser encontradas em qualquer lado. Isso dará especificidade e carácter próprio. Temos de adquirir um novo olhar para aquilo que sempre esteve à nossa frente. Será que muita gente sabe que neste momento os amieiros estão com a candeia em flor (parte masculina equivalente à candeia dos castanheiros), ou que o Mostageiro, belíssima arvore endémica na nossa região nunca foi aproveitada para efeitos ornamentais e de sombreamento, o próprio medronheiro com a sua folha persistente, encaixa muito bem neste conceito de jardim natural autóctone. As vantagens são inúmeras, melhor adaptação ao nosso clima e solo, menor utilização de mão de obra e de água na manutenção dos espaços.
Os extensos relvados, são o exemplo acabado daquilo que não serve,nem para o nosso clima nem para a nossa economia. As várias Urzes existentes no concelho, poderiam com grande vantagem substituir os relvados, fornecendo florações ao longo de todo o ano.
Floração da Torga, (Erica Austrális), Março e Abril.
Floração da Queiró, (Erica Umbellata), Abril a Junho.
Floração da Caluna, (Calluna Vulgaris), Agosto a Outubro.
Floração da Urze Branca, (Erica Arborea), Março/Julho.
Floração da Esteva, (Cistus Ladanifer), Abril/Maio.
Floração do Rosmaninho, (Lavandula Stoechas), Abril/Maio.
Floração do Medronheiro, (Arbutus unedo), Outubro/Novembro.
Sem querer tornar fastidiosa a leitura finalizo com um endemismo ibérico conhecido por Rosa Albardeira (Paeonia broteroi), que floresce na Primavera.
Criar jardins com estas espécies seria um acto cultural e um excelente cartão de visita.
António Moura

Centro do Lince Ibérico procura tratadores

O Centro Nacional de Recuperação do Lince Ibérico (CNRLI), no concelho de Silves, Algarve, procura tratadores para acompanhar e criar o Lince Ibérico.

Cartaz da Campanha em Defesa do Lince da MalcataO Centro Nacional de Recuperação do Lince Ibérico faz parte do Programa de Conservação ex situ para o Lince Ibérico e pretende constituir uma equipa multidisciplinar e de orientação científica. Os tratadores funcionarão como primeira linha para assegurar o bem-estar dos linces do programa de reprodução em cativeiro, pelo que devem conhecer, profundamente, cada um dos linces do centro e trabalhar individualmente com eles, para assegurar o seu bem-estar em cativeiro e uma resposta adequada ao maneio necessário.
A equipa de tratadores terá a seu cargo algumas tarefas específicas como sejam a alimentação e cuidado diário dos felinos, o registo informatizado diário, a aplicação das diferentes técnicas de maneio de exemplares que se praticam no programa como, por exemplo, as uniões entre exemplares, prevenção e separação de lutas e maneio de crias.
Faz parte da proposta de trabalho a exigência da aplicação de medidas de biossegurança adequadas em todas as instalações e zelar pelo seu cumprimento por parte de todo o pessoal da equipa do centro ou colaboradores e levar a cabo as acções de enriquecimento ambiental nas instalações.
Outras das actividades dos futuros tratadores prendem-se em manter as instalações limpas e organizadas, tanto as instalações para animais como as de armazenamento e preparação de alimentos (limpeza e manutenção de jaulas para coelhos vivos) e manutenção das instalações (limpeza de câmaras, gestão da cobertura vegetal, verificação de vedações) e elaboração de novos elementos.
Os interessados deverão enviar curriculum vitae ou contactar Rodrigo Serra para o e-mail rserra@netcabo.pt ou pelo telemóvel 918942439.

O sucesso da reprodução do lince em Silves, poderá traduzir-se a médio prazo numa reintrodução controlada na Serra da Malcata, espero que tanto Penamacor como o Sabugal, não deixem de reclamar ao nível político, a reintrodução preferencial nesta área protegida. Seria até finalmente, muito boa justificação para a existência da própria Área Protegida que relembremos, foi criada exclusivamente para proteger o lince.
António Moura

Estratégia para salvar o lince ibérico

Cientistas portugueses e espanhóis propõem a recuperação da diversidade genética do coelho como estratégia para salvar da extinção o lince ibérico da Serra da Malcata.

Lince Ibérico da Serra da MalcataA proposta foi apresentada por cientistas das universidades de Évora, Málaga e da Estação Biológica de Doñana num estudo a publicar no início de 2009 na revista científica internacional «Diversity and Distribution», especializada em biogeografia da conservação.
O lince ibérico, o felino mais ameaçado de extinção em todo o mundo alimentava-se até ao século passado de duas linhagens genéticas de coelho com habitat em duas zonas distintas da Península Ibérica, uma situada no nordeste e outra no sudoeste.
Os dois animais surgiram aproximadamente ao mesmo tempo na península e evoluíram em conjunto ao longo do último milhão de anos, período durante o qual estabeleceram inter-relações complexas cuja preservação é agora defendida pelos cientistas.
A população de coelhos do nordeste sofreu nos anos 1980 uma redução drástica que foi acompanhada por uma diminuição de linces, tendo estes passado a ficar confinados ao sudoeste, numa área que abrange Espanha e Portugal e inclui a Serra da Malcata.As duas zonas geográficas estão separadas por uma diagonal situada entre Vigo e Múrcia, sendo que o lince foi ficando relegado à parte esquerda desta diagonal e, mais recentemente, ao sul desta área.
A equipa de investigadores universitários procurou saber se o declínio do lince seria apenas um problema de falta de coelhos ou também, como suspeitavam, de falta de diversidade desta presa.
Para testar esta possibilidade desenvolveram dois modelos matemáticos, um para cada espécie, em que relacionaram conjuntos de factores ambientais, como o clima e o estado dos solos, com a abundância da população.Os modelos foram depois usados para testar se a razão principal do declínio do lince eram variações ambientais ou variações nas populações de coelhos, tendo a conclusão apontado fortemente para a última hipótese.
A equipa constatou também uma associação negativa entre a linhagem de coelhos do sudoeste, a única actualmente ao dispor do lince, e as condições óptimas de vida do coelho, sugerindo que esta subespécie não está a prosperar, contrariamente à do nordeste, o que compromete ainda mais a situação do lince.
jcl com agência Lusa

Finalmente um organismo credível

A Zona Controlada das doenças das abelhas, era desde há muito desejada pelos apicultores mais conscientes dos problemas sanitários que a livre circulação de abelhas vinha fomentando.

Colmeias de António MouraA contaminação de apiários por deslocação de enxames infectados, nomeadamente de Espanha, onde a elevada concentração de colmeias propicia a que qualquer surto seja potencialmente explosivo, constitui um dos maiores problemas das abelhas na nossa região. Neste momento uma grave ameaça constituída por uma nova forma de Nosemose multirresistente circula em Espanha.
O controlo do movimento dos enxames, tal como era feito através do simples preenchimento de formulário Mod. 488/DGV, não vinha por si só resolver o problema das doenças das abelhas.
Os novos recursos humanos disponibilizados pela Meimoacoop e onde a DGV (por não os ter) delegou competências, vem trazer uma nova logística às relações entre os apicultores e a Direcção-Geral de Veterinária, uma maior proximidade e flexibilidade conduzirá a uma melhor e mais rápida resolução dos problemas, nomeadamente em termos de análises laboratoriais e consequentes procedimentos.
Os maiores êxitos para a Meimoacoop nos seus projectos apícolas.
Há muito tempo que a nossa apicultura necessitava de um organismo credível com uma vertente comercial.
Saúdo também a iniciativa dos produtos «Terras do Lince».
António Moura
(apicultor da Serra da Malcata)

Leia a excelente crónica de José Robalo sobre o apicultor António Moura aqui.
jcl

Zona apícola da Meimoa foi homologada

Foi apresentado pelos presidentes da Meimoacoop, Domingos Bento, e dos Municípios do Sabugal, Manuel Rito, e de Penamacor, Domingos Torrão, o projecto de construção de uma central meleira na freguesia do Vale da Senhora da Póvoa, no concelho de Penamacor. A cerimónia decorreu no sábado, 13 de Dezembro, nas instalações da cooperativa e o momento foi aproveitado para divulgar a homologação por parte da Direcção-Geral de Veterinária, da zona apícola controlada que envolve os concelhos de Penamacor, Belmonte e Sabugal.

ColmeiasA Meimoacoop – Cooperativa Agrícola do Bloco do Regadio da Meimoa foi designada, pela Direcção-Geral de Veterinária (DGV), gestora da Zona Controlada para as doenças das abelhas que integra a área geográfica dos concelhos de Belmonte, Penamacor e Sabugal, sendo responsável pela implementação e execução das medidas enunciada sem prejuízo das competências e sob a orientação da DGV.
Todos os apicultores com apiários implantados na zona controlada devem ser detentores de boletim de apiário Mod. 507/DGV, para inscrição de acções sanitárias e estão sujeitos a análises anatomo-patológicas anuais, acções sanitárias e de tratamento conforme determinado pela DGV, medidas de controlo de foco de doença de referência e inquérito epidemiológico sistemático e medidas de desinfecção e higiene sistemática.
A partir de agora a introdução na zona controlada pela Meimoacoop de abelhas, enxames, colónias ou colmeias e seus produtos bem como substâncias ou materiais destinados ao uso em apicultura carece de prévia autorização da Direcção de Serviços Veterinários da Região do Centro (Mod. 488/DGV – Comunicação de deslocação em apiários).
Com a definição das seis novas zonas controladas elevam-se a 11 as áreas de produção de mel existentes em Portugal.
O momento foi ainda aproveitado para apresentar o projecto de uma central meleira a construir na freguesia do Vale da Senhora da Póvoa, no concelho de Penamacor, onde técnicos especializados irão realizar análises, receitar medicamentos e receber o mel da zona controlada.
O presidente da Câmara Municipal de Penamacor, Domingos Torrão, trazia na bagagem os primeiros produtos «Terras do Lince», uma marca registada pelo seu município para promover os produtos regionais como o queijo, o azeite e, claro, o mel.
jcl

Serra do Caldeirão promove-se como terra do lince

Uma campanha da CP e da Liga para a Protecção da Natureza, designada «Percursos – Comboio e Natureza», está a promover a realização de percursos de comboio seguidos de passeios na serra algarvia, sendo o lince uma das imagens de marca apresentadas.

Lince Ibérico«A Serra do Caldeirão é um local de ocorrência histórica do lince-ibérico, o felino em maior risco de extinção a nível mundial», diz o folheto de divulgação da campanha, que sugere uma viagem de comboio até Loulé, seguida de uma pedalada de bicicleta até à aldeia da Feiteira, a partir de onde se propõem diferentes percursos pedestres.
Fala-se nas paisagens, na geologia , na flora e nas tradições da região, mas também se refere a fauna como um dos aspectos curiosos da serra. Para além do papa-figos, da águia, da raposa e do saca-rabos, a Serra do Caldeirão terá em breve uma população de linces, que bem poderão ser um dos seus principais atractivos.
«Considerado um habitat prioritário para esta espécie, a Serra mantém características adequadas para a sua presença ou susceptíveis de serem optimizadas, de forma a promover a sua recuperação ou reintrodução», refere ainda a brochura.
Esta promoção é já o resultado na decisão governativa de instalar o Centro de Reprodução do Lince Ibérico em Silves, no Algarve, bem como a ideia de que a Serra do Caldeirão será o primeiro habitat a reintroduzir a espécie.
Tudo isto surge em detrimento da Serra da Malcata, cuja reserva natural foi criada para proteger o lince, que apenas ali existia. O logótipo da reserva é mesmo a imagem dum lince, numa simbologia elucidativa da importância da espécie para a serra, que abarca os concelhos do Sabugal e de Penamacor. São agora claros os sinais de que a Malcata ficou de facto a perder, restando-lhe aceitar um papel secundário ou desaparecer de cena.
plb

Mel é melhor que xarope para a tosse

Segundo estudo realizado nos Estados Unidos, o mel é mais eficaz no tratamento da tosse em crianças do que os xaropes de venda livre nas farmácias.

Mel de rosmaninho da Serra da MalcataO estudo, realizado por investigadores da Universidade da Pensilvânia e publicado na revista «Pediatrics and Adolescent Medicine», aponta para a eficácia demonstrada de uma colher de mel tomada pelas crianças antes de se deitarem.
Para além de ser eficaz no tratamento da tosse o mel tem um efeito positivo na qualidade do sono das crianças, facto que o torna mais aconselhável do que muitos xaropes não sujeitos a receita médica.
O estudo incidiu sobre 105 crianças com tosse, experimentando-se nelas os efeitos da administração de xarope e de mel na redução da gravidade, frequência e intensidade da tosse nocturna, originada pela infecção das vias respiratórias superiores.
O mel, produto usado durante séculos, para o tratamento da infecção das vias respiratórias e da tosse, foi progressivamente substituído pelos xaropes fabricados pela indústria farmacêutica. Porém o resultado deste estudo aponta para um regresso às terapias tradicionais, fazendo valer o rifão popular: De Deus vem o bem e das abelhas o mel. Ou este outro, que aponta para as devidas porções do precioso remédio: Mel se o achaste come o que baste.
plb

Penamacor reage à reprodução do lince no Algarve

A decisão governamental de instalar o Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro do Lince Ibérico em Silves provocou uma forte reacção de indignação por parte do Município de Penamacor. Porém da Câmara Municipal do Sabugal não há sinais de reacção, imperando o silêncio.

Lince IbéricoO jornal Reconquista dá conta, na edição de ontem, da indignação da Câmara Municipal de Penamacor. Embora não considere a decisão uma surpresa, o vice-presidente do Município, António Cabanas, afirmou irónico: «Que eu saiba o lince não vai a banhos. Esta decisão já era falada, mas esperava que não se concretizasse.»
Considera que tanto Penamacor como o Sabugal fizeram muitos sacrifícios para cumprirem as regras da Reserva da Malcata, tudo para que se mantivesse a esperança de ver o lince regressar à serra. O vice-presidente da Câmara de Penamacor foi director da Reserva e conhece bem esses sacrifícios a que os municípios se sujeitaram. Chegaram mesmo a ser adquiridos terrenos para o centro de reprodução e apostou-se na repovoação da serra com coelhos, com os quais o lince se alimenta.
Concretizando melhor o que foram os sacrifícios António Cabanas lembra as restrições impostas aos municípios, para a preservação do habitat do lince. Calcula que só o concelho de Penamacor está a perder cerca de um milhão de euros por ano devido à energia eólica que não pode explorar dentro da Reserva.
No referente ao Município do Sabugal há porém silêncio, pois não se conhece qualquer posição pública face à matéria. «Reconquista tentou ainda chegar à fala com o presidente da Câmara Municipal do Sabugal, o concelho que partilha com Penamacor o território da Reserva Natural da Serra da Malcata. Uma reacção que não foi possível de obter a tempo desta edição, por Manuel Rito Alves se encontrar incontactável», lê-se na edição do semanário albicastrense.
Da parte do Ministério do Ambiente a justificação da ida do centro de reprodução para Silves assenta nas medidas de compensação ambiental que era necessário conceder a Silves face à construção da barragem de Odelouca.
plb

Penamacor quer reintroduzir lince na Malcata

Domingos Torrão, presidente da Câmara de Penamacor, está disposto a fazer o que for necessário para que o felino dado por extinto volte à reserva da Malcata e tem já um plano para que tal aconteça.

Domingos TorrãoSegundo notícia do Diário XXI o autarca de Penamacor defende que a reprodução do lince seja feita em cativeiro para depois os animais serem devolvidos ao seu habitat natural. Domingos Torrão justificou ao jornal a sua luta em favor do retorno do animal à serra: «Penamacor continua a ser o território [português] que mais garantias dá para a criação e procriação do Lince. Por isso, queremos reintroduzi-lo». Sublinhou mesmo que já existe entendimento com o novo director das Áreas Protegidas, Armando Carvalho.
Salientou o óptimo relacionamento que mantém com a nova equipa directiva da Reserva, o que oferece desde logo garantias de um bom acolhimento da ideia. Explicou mesmo que estão já a ser estabelecidos contactos com reservas espanholas da Extremadura e da Andaluzia, nomeadamente com centro de El Acebuche, no Parque de Doñana, onde a reprodução do Lince Ibérico em cativeiro está em curso com sucesso.
O deficiente relacionamento com o anterior director da Reserva, Pedro Sarmento, é já passado surgindo agora com o novo responsável uma ligação muito forte que se espera vir a dar bons frutos.
O autarca falou com o Diário XXI na sexta-feira, dia 13 de Julho, à margem da inauguração da Feira Agrícola Comercial de Penamacor (FACEP) e a notícia vem publicada na última edição do jornal.
plb

Transcudânia promove serra das Mesas e Malcata

A Associação Transcudânia, em parceria com o programa «Ciência Viva» e com o apoio da Câmara Municipal do Sabugal, convida os amantes da natureza a participarem nas actividades do «Biologia no Verão».

Afloramentos graniticos da Serra das MesasAs propostas da Transcudânia passam por um conjunto de actividades de descoberta da biodiversidade da Serra das Mesas e da Serra da Malcata, inseridas na iniciativa Biologia no Verão, promovida pela Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica.
Os conteúdos da iniciativa e os itinerários dos circuitos foram inventariados pelo roteiro do património natural e cultural do Vale do Côa, cujos principais autores foram, António dos Santos Queirós, Jorge Rodrigues Paiva, Ana Berliner, António Sá Coixão, Adriano Vasco Rodrigues, Gastão Branco Antunes, Jorge António Saraiva, Manuel Sabino Perestrelo e Maria Luísa Ribeiro. Contaram ainda com a colaboração da Associação Cultural Desportiva e Recreativa de Freixo de Numão, da Associação de Desenvolvimento Local Rural e Cultural de Cidadelhe e do Parque Arqueológico do Vale do Côa.
O trabalho de campo que possibilitou a iniciativa foi realizado pelos sabugalenses Carlos Alexandre e Vítor Clamote, a quem se deve a realização da iniciativa no concelho do Sabugal.
Os objectivos fundamentais são a divulgação e compreensão dos valores presentes nas serras da Malcata e das Mesas, pretendendo-se também alertar as pessoas para os impactes da acção do Homem na Natureza, tendo como pano de fundo o estado de preservação do lince.
As acções realizam-se em Julho (dias 15, 18, 21, 26 e 31), Agosto (dias 6, 9, 10, 11, 15, 17, 18, 19, 25 e 29) e em Setembro (dias 1, 9, 10 e 15).
Os interessados deverão proceder obrigatoriamente a uma inscrição prévia, a qual é gratuita. A mesma pode ser feita pela Internet, através do sítio www.cienciaviva.pt.
A associação cultural Transcudânia tem por objectivos proteger e divulgar o Património Histórico e Natural do Concelho do Sabugal, no âmbito do turismo ambiental e numa dimensão regional e transfronteiriça. O nome Transcudânia surge inspirado na possível tribo que habitava esta zona de Riba Côa na proto-história, os lanciences transcudani.
plb