O interior no programa do governo

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

O novo governo de António Costa propõe-se estimular a convergência entre o litoral e o interior, entre o norte e o sul, entre a cidade e o campo. Até aqui nada de novo, mas há medidas concretas que merecem atenção por trazerem à liça uma nova abordagem ao problema.

António Costa e os quatro ministros de estado

O governo assume que o território tem manifestas assimetrias económicas e sociais que urge colmatar, «porque o nosso futuro não pode estar condicionado pelo local onde nascemos ou vivemos». Atenuar as diferenças entre regiões e dar atenção especial aos territórios de baixa densidade e às zonas de fronteira, é algo que estará presente na acção governativa.

O programa aponta muitas medidas para a captação de investimento, a diversificação e qualificação do tecido produtivo, a promoção da fixação de pessoas e a afirmação dos territórios transfronteiriços.

Porém, este governo aposta em duas áreas novas e interessantes e que podem ser vitais para o desenvolvimento do interior: a habitação e o trabalho à distância.

Em plena crise habitacional, com os preços de aquisição e de arrendamento das casas atingindo níveis incomportáveis, o governo propõe-se implementar o programa Reabilitar para Povoar, com o objectivo de alargar a oferta de habitação nos territórios do interior, a preços acessíveis, e apoiar os agregados familiares em matéria de acesso à habitação.

No que reporta ao trabalho à distância, tem-se em conta o papel crescente das tecnologias de informação e comunicação que podem contribuir para fixar postos de trabalho no interior do país. Daí o propósito de estabelecer incentivos para a deslocalização de postos de trabalho para fora dos grandes centros urbanos, incluindo a criação de centros de apoio, ou de teletrabalho.

O resto do programa são medidas interessantes, boa parte já conhecidas de outras governações, incluindo do executivo anterior de António Costa. Ainda assim, destacam-se:

– Investir na ferrovia do corredor interior norte e sul;

– Lançar um programa de mobilização da diáspora, incentivando os nossos emigrantes a investir no interior;

– Adoptar políticas activas de repovoamento do interior através da atracção de imigrantes;

– Criar um programa Erasmus interno, fomentando a mobilidade de estudantes entre o litoral e o interior;

– Lançar um programa de regresso ao campo.

Aferiremos, com o correr do tempo, a verdadeira implementação das medidas e o seu real impacto no desenvolvimento do interior.

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«Contraponto», de Paulo Leitão Batista

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