Ainda o madeiro e o presépio natural

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

Na sua última crónica no Capeia Arraiana, Ramiro Matos defendeu, e bem, a ideia de que o «Presépio Natural» do Sabugal e o «Madeiro» de Penamacor, poderiam gerar uma atratividade comum com benefício para ambos os concelhos.

O Presépio do Sabugal e o Madeiro de Penamacor

O chamado «evento» ou «iniciativa» local é algo que acontece e que tem incidência na vida da comunidade e que, geralmente, fica na memória das pessoas. O evento exige pesquisa, planeamento, organização, coordenação e controlo. Para que tenha sucesso na atractividade obriga a uma boa e criativa divulgação, a fazer com a devida antecedência.

Importa ainda que a própria comunidade local se afeiçoe ao evento e compreenda que o mesmo é basilar para o desenvolvimento do concelho.

Não basta apresentar o «Presépio Natural» como o maior do género. Para que ganhe foros de iniciativa-chave precisa de evoluir, ou, como também fez notar o Ramiro Matos, de se «reinventar e criar novas formas de atração».

Carece de iniciativas paralelas, muito para além do «mercadinho» e da exposição de árvores de natal feitas com material reciclável. É preciso mobilizar os agentes locais, numa autêntica cooperação produtiva para que o evento se afirme e promova o concelho do Sabugal em diversas vertentes, sendo uma oportunidade para se dar a conhecer o que se produz, os serviços que se prestam, as tradições, o património, a gastronomia…

Concordo que o facto dos dois eventos, madeiro e presépio natural, coincidirem no espaço e no tempo lhes gera um potencial que deve ser aproveitado com a conjugação de esforços entre os dois Municípios.

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«Contraponto», de Paulo Leitão Batista

2 Responses to Ainda o madeiro e o presépio natural

  1. António Emídio diz:

    Amigo Leitão :

    Começas o teu artigo falando de evento ou iniciativa que geralmente fica na memória das pessoas ; depois disto não podia passar sem escrever o que vem na Revista Nova Águia – Revista cultural para o século XXI – Nº 24, do 2º Semestre de 2019. Começa com um artigo de J.Pinharanda Gomes homenageando o Dr. João Bigotte Chorão. Já no fim do artigo refere-se ao 7º Centenário da concessão do Foral de D.Diniz que a Câmara Municipal do Sabugal festejou : « …O Dr. Paulo Leitão Baptista, que também presidia ao destino da Casa do Concelho em Lisboa, foi a alma grande da coordenação cultural dos festejos que seria ilustrado com um Congresso em que eruditos especialistas, se possível com alguma relação com o Concelho, se encontrassem e dialogassem para melhor conhecimento da história e da vida concelhias. Leitão Baptista insistiu deveras no desejo de contar com oradores sabugalenses ou, pelo menos com alguma genealogia no raiano concelho (…) três membros da família Bigotte Chorão viajaram com alguns familiares e outros convidados, de Lisboa para o Sabugal…»

    Amigo Leitão, na memória de J.Pinharanda Gomes estavam algumas pessoas, mas o teu trabalho e a tua iniciativa superaram tudo pelo menos a nível cultural.

    António Emídio

    • leitaobatista diz:

      Meu caro Amigo António Emídio,
      Obrigado pelas tuas palavras. Não li ainda esse texto do saudoso Pinharanda Gomes, um pensador que se tornou uma referência em vários campos do saber, mas que nunca escondeu a sua identidade quadrazenha e sabugalense, de que, aliás, muito se orgulhava. Foi na verdade uma aventura aquela realização do Congresso do VII Centenário do Foral do Sabugal, em 1996. Uma ideia dele, que me coube pôr em prática numa altura em que a Casa do Concelho do Sabugal se uniu com a Câmara Municipal para organizar esse evento ímpar.
      De facto, essa foi uma iniciativa que ficou na memória das pessoas e cujo modelo, porventura até melhorado, deveria ter tido continuidade na comemoração de outras datas históricas no nosso concelho.

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