Casteleiro – Linguajares e até brejeirices

José Carlos Mendes - Orelha - Colaborador - Capeia Arraiana - 180x135

Desde os «maçónicos» até à «marrana está barronda» – eis neste artigozito algumas lembranças para a malta do meu tempo: assim se falava, assim se fala, assim se vivia, assim se vive na minha aldeia – a mais bonita de todas de todo o País, sem dúvida…

«O Centro» daqueles tempos foi sempre ponto de encontro

«O Centro» daqueles tempos foi sempre ponto de encontro

Vejo sempre estas minhas notas sobre o nosso Povo como uma forma de homenagear as pessoas mais velhas do meu tempo. Apreciei sempre a maneira como resistiam às agruras da vida e a maneira como me surpreendiam com os nossos modos de falar. Que bonito! Leia e diga se não tenho toda a razão…

O valor das palavras

Há palavras e expressões que nos anos 50 têm um significado profundo e subliminar que hoje nem se imagina. Na maior parte dos casos, o regime e a Igreja fizeram bem o seu papel: sedimentaram em cima da ignorância do Povo o significado que quiseram para cada palavra. Um exemplo. A Maçonaria combatia o regime? Então, tudo o que é mação é mau. Passaram esta ideia de base para as pessoas, repetiram isso até à exaustão e… nem preciso de explicar mais nada. De cada vez que se queria dizer que Fulano ou Sicrano era mau, tinha mau íntimo etc., bastava dizer: «Aquilo é que é um maçónico!»

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Linguajar antigo com piada

Sempre me deliciou a maneira como os nossos mais velhos falam e falavam. Quanto mais entrava pelo Liceu e Faculdade, mais percebia o que estava em cima da mesa quando alguém chegava e dizia: «A marrana anda barronda.» E sempre procurei perceber de onde vinham aquelas palavras que não estavam no dicionário. Umas vezes percebia, outras nem tanto. Querem ler alguns exemplos? Vamos a isso.

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Casteleiro – brejeirice popular

«Brejeirices» – mas desta vez no tratamento de umas pessoas a outras. Adoro estes modos de falar do Povo, quando em acção no dia-a-dia, isto é, sem a pessoa estar preocupada… «ai, ai, o que é que vão pensar de mim». Ninguém tem receio do que vão pensar terceiros. Fala-se e pronto. Sem rebuço. Não há qualquer retraimento. Não: quando se está ali no ambiente bem conhecido, sem mirones, não há esses cuidados. Sai cada uma, que até ferve… São apodos meio brejeiros, meio sérios. São saltos de língua rápida, dos quais em geral não vem mal ao mundo. Os ditos nestes casos são formas de falar. Trazem elogios e pancada de meia-noite, tudo de língua. São momentos únicos de má-língua, de língua afiada. O autor ou se dirige expressamente ao visado ou fala de outrem que não está presente.

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Divertiu-se? Então isso é que interessa.

Boa semana para si neste bonito Outono!

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«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

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