Invasões Francesas (6)

António Gonçalves - Colaborador - Orelha - Capeia Arraiana

:: :: SABUGAL :: :: Algumas aldeias raianas foram fustigadas pelos soldados napoleónicos entre julho de 1810 e abril/maio de 1812. Em julho de 1810, após a tomada de Almeida realizaram razias nas aldeias raianas; na retirada, em fevereiro ou março de 1811, entraram no concelho de Sabugal, vindos da Guarda, deixando um rasto de violência e destruição por onde passaram; em abril de 1812, quando da quarta invasão, as populações foram, mais uma vez, vítimas das barbaridades dos invasores. Muitos arquivos foram destruídos! Provavelmente não houve aldeia do concelho de Sabugal que não tivesse a “honra” de os receber!

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Álbum de Campanha Sobre Marchas, Manobras e Planos de Batalha do Exército Português, Realizados no âmbito da Guerra Peninsular, pelo Capitão Manuel Isidro da Paz

É surpreendente o fato de a Batalha se travar em 3 de abril de 1811 e os primeiros registos de óbitos existentes serem de final de agosto! Tudo indica que tal se deveu ao desaparecimento dos Assentos de Óbitos, como se pode deduzir dos documentos seguintes:

“Este Livro hade servir para se escreverem os óbitos das freguesias de S. João e Santa Maria desta villa de Sabugal, que vai numerado e rubricado com o meu sobrenome = Paiva =
… Sabugal 5 de Agosto de 1811
O Arcipreste António de Paiva Monteiro”(29)

De referir que os registos de óbito foram lavrados em 1811, no entanto, referem-se que as mortes ocorreram em 1810.

Do dia de 29 agosto de 1810 o Cura Manuel Caldeira lavrou os Assentos de Óbitos seguintes:

– José Gonçalves Pinharanda, de quarenta anos, “morto pelos Franceses”; José António de Figueiredo, solteiro, de trinta anos; Ignácio Fernandes, “casado que foi com Isabel … , de setenta anos”, “ficou sepultado no campo por não haver comodidade de sepultar na Igreja por causa dos Franceses”; Sebastião Martins, casado com Maria Lourença, “ficou sepultado no campo por causa dos franceses”.(30)

Em 10 de Setembro: Luís Gomes foi sepultado em Malcata porque morreu quando fugia dos franceses.(31)

Assentos de 12 de setembro de 1810:

O mesmo escreveu: “ficou sepultado no campo por causa dos Franceses” nos registos de José Lourenço, solteiro, de vinte anos, filho de José Lourenço e Maria Ferreira e de Domingos Nabais, casado com Rita Gonçalves Pinharanda, de cinquenta anos. Estes registos foram lavrados em 12 de agosto de 1811.

No período que se seguiu verificaram-se diversas mortes devido a fome e epidemias.(32)

Do ano de 1812 não existem os respetivos registos, passa de 1811 para 1813, apesar do título do conjunto documental, existente no Arquivo distrital da Guarda, que agora ser consultado digitalmente, referir: “Registos de Óbitos 1811-1959”. Muito provavelmente foram destruídos!

Alguns morreram à fome, como foi o caso de Jerónimo Lameiras da Silva, em vinte e dois de setembro de 1810, outros de “malina”, como Umbelina Coelha, em 12 de novembro.(33)

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«Memórias de Sortelha», por António Augusto Gonçalves

Notas:
29. Arquivo Nacional da Torre do Tombo: Registo de Óbitos de Sabugal, em: PT-ADGRD-PRQ-PSBG29-003-00001_m0001.tif.
30. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Registo de Óbitos de Sabugal, em: PT-ADGRD-PRQ-PSBG29-003-00001_m0002.tif.
31. Idem.
32. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Registo de Óbitos de Sabugal, em: PT-ADGRD-PRQ-PSBG29-003-00001_m0003.tif
33. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Registo de Óbitos de Sabugal, em: PT-ADGRD-PRQ-PSBG29-003-00001_m0003.tif / PT-ADGRD-PRQ-PSBG29-003-00001_m0004.tif.

PS. Atualmente estes materiais estão digitalizados e online o que facilita a sua consulta. A primeira publicação resultou de consulta presencial no Arquivo Distrital da Guarda, em: Registos de Óbitos de Sabugal – 1811-1859, Cx. 71. Assim, o texto atual foi adaptado às novas circunstâncias.

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