Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (40)

Franklim Costa Braga - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja.
>> ETAPA 40 >> CUBA.

Mapa de Cuba

Mapa de Cuba


II – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 90

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1993

2.ª Viagem a CUBA

Entre 13 e 29 de Agosto de 1993

Curiosidades
Programa do Club Vip: Lisboa – Caracas – Havana – Varadero – Havana – Caracas – Lisboa.

Não conhecia ninguém do grupo. Custou: Avião=122.500$00.

Há que acrescer o custo dos hotéis, alojamento e comida, de que não encontro a fatura, mas que deve rondar à volta de 300.000$00.

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>> 13.08.1993 >> Saída, pelas 12:50 horas com a Viasa. Chegada a Caracas pelas 15:00 horas (são menos seis horas na Venezuela). Foram oito horas de viagem. Bagunça no aeroporto. Só pelas 16:00 horas saímos para o hotel Meliá Caribe, na zona de praias, longe do aeroporto, em La Guaira. Fiquei no quarto 145, razoável. Dei uma volta pela cidade, que haveria de ser arrasada por uma forte chuvada uns anos mais tarde. Depois, bom jantar no hotel e cama pelas 21:00 horas.

No hotel conheci as portuguesas Joana e a Josefina e a chilena Verónica, de olhos verdes, que também ia para Cuba fazer mergulho.

Franklim com a chilena Verónica no hotel em La Guaira-Venezuela

Franklim com a chilena Verónica no hotel em La Guaira-Venezuela

>> 14.08.1993 >> Bom pequeno-almoço. Apanhei um autocarro até Caracas, subindo um percurso de uns 30 quilómetros, depois de trocar 10$ por 92 bolívares cada dólar.

Visita da catedral, parlamento, pantéon e centro da cidade. No autocarro conheci a Raquel, madeirense, residente na Venezuela. Regresso ao meio-dia. Almoço no Macdonalds e partida às 16:00 horas para o aeroporto com a chilena Verónica. Aí estava à espera de avião para Lisboa um grupo de estudantes, que nos divertiram com as suas brincadeiras. Partimos às 18:45 horas em avião da Viasa para La Habana, onde chegámos pelas 21:30 horas.

Nada revistaram no aeroporto, uma excepção. Tínhamos à espera a guia e um autocarro. Levei duas cubanitas – Gisel e amiga – no autocarro para o quarto n.º 1319 do Habana Libre. Intimidades. Dei-lhes umas conservas.

Pantéon Nacional da Venezuela-sarcófago de Simon Bolívar

Pantéon Nacional da Venezuela-sarcófago de Simon Bolívar

>> 15.08.1993 >> Pequeno-almoço no hotel e partida, pelas 09:00 horas para a visita da cidade de La Habana Viega, com programa igual ao da primeira viagem, com visita do Capitólio, cópia do americano, da Catedral e das casas da época colonial, a maioria em ruínas ou muito degradadas. Fomos a La Bodeguita d’el Medio, onde bebi um mojito, que era caro porque era pago em dólares. Tal como na primeira viagem, visitámos uma fábrica de charutos Cohíba, uma das melhores marcas. Cuba é grande produtora de tabaco.

Andando numa rua, um senhor, que disse ser coronel do exército, perguntou-me se não gostava da sua sobrinha, que estava junto dele, a Dalila, enfermeira que tinha um pouco de asma. Disse-lhe que sim e ela ficou por minha conta. É frequente os familiares oferecerem as moças. Uma vez, em Varadero, um irmão ofereceu-me a irmã arquitecta. Eu estava com o Vieira Sanches, meu colega, abrigado da chuva debaixo do toldo dum restaurante. Parece que não tinham onde ficar. Estavam molhados e, provavelmente, com fome. A arquitecta parecia boa moça. Arrependi-me de não lhe ter dado abrigo. Doutra vez, em Havana, uma mãe do Oriente, a zona de Holguin e Santiago, entregou-me uma filha de 14 anos, que parecia ter mais idade. As cubanas são desenvolvidas para a idade real. Outra vez, também em Havana, a avó da Yasnélis, de Nuevitas, que ia ter com a filha nas Canárias, entregou-me a Yasnélis, de 17 ou 18 anos, pedindo-me que cuidasse dela.

Almoçámos no restaurante 1830. Continuámos a visita da cidade e o resto da tarde foi livre. Jantámos no hotel. À noite, quem quis foi ao espectáculo do Tropicana, ao ar livre. Como eu já lá tinha ido, desta vez não fui.

A Dalila acabou por ir dormir comigo nessa noite. O coronel, seu tio, estava com intenções de fugir para Miami, como muitos outros cubanos. Utilizavam todos os meios possíveis para atravessar o mar até Miami, desde barcos velhos remendados, bóias de câmaras de ar de camiões, balsas, etc. O governo americano tinha um acordo com o governo cubano de receber 100 cubanos por ano. Os interessados em emigrar, aos montes, inscreviam-se numa delegação americana em Havana, numa transversal à Avenida de los Presidentes, e aguardavam que lhes saísse a tômbola. O governo cubano comprometia-se a travar a emigração clandestina. A dada altura, o governo americano suspendeu o acordo e o governo cubano abrandou a vigilância. Foi uma corrida aos meios artesanais de fuga a partir da baía de Matanzas.

Havia uma lancha clandestina que fazia o percurso ao largo de Colón-Miami. Parece que havia corrupção da parte da guarda norte-americana, que deixava entrar os clandestinos da lancha a troco de uns bons dólares. Ouvi muitas vezes aos cubanos falar dessa lancha.

Encontro com a Gretel e Leonor. Jantar e cama com a Dalila.

Franklim com a Dalila na Habana Viega

Franklim com a Dalila na Habana Viega

>> 16.08.1993 >> Pequeno-almoço no hotel e manhã livre para visitar com a Dalila as redondezas do Vedado, com a Universidade Clássica da Colina, o jardim da Copélia e o Malecón junto ao mar. A Dalila foi para casa.

Fui à Cubatours e depois fui para o quarto. Almoço e espera até às 16:00 horas para ir para Varadero de autocarro. Conversei com a Marleni Montes, empregada do hotel, muito simpática. A Verónica tinha ido para Varadero para o hotel Superclube, já que não pertencia ao grupo.

Em Varadero fiquei instalado no apartamento M 311 de Villa Punta Blanca.

>> 17.08 a 28.08.1993 >> Dias livres em Varadero, na praia. Num desses dias conheci o José, mulato, que estava a pescar com uma pequena rede e perguntou-me se queria comer em casa dele. Fui lá comer lagosta e depois acabei por, noutras viagens, ficar lá a dormir e a comer.

Muitos cubanos oferecem aos turistas a possibilidade de comer lagosta em suas casas. É proibido apanhá-las. São todas para exportação. Mas a realidade é que muitos as cozinham e vi várias pessoas a vendê-las às casas que tinham turistas. Também comi lagosta em casa da Yorális, de Santa Marta, no dia do seu aniversário, para que ela me convidou, cujo pai trabalhava no hotel Nacional.

Conheci muitas moças, de quem recebi muitas carícias. A Beatriz, a Ili (Iliana), empregada do restaurante Las Tejas, a Jeny, a loura Daiami, a mulata Isabel, a Sacha, enfermeira em La Habana, juntamente com uma outra enfermeira mulata, a Miriam, a Marisol, empregada na cartografia militar, a Maicré, a Midiala, a Cecília, a Lisandra, a Diana, a Tânia, empregada do bar, e a Elsa.
Outro pormenor de Cuba: as moças têm nomes muito esquisitos. Parece que as mães procuram dar às suas filhas nomes que ninguém mais tem, sobretudo a partir dos anos setenta. É um fenómeno que também se verifica na minha aldeia. Para além de alguns citados, conheci noutras viagens nomes como: Daymi, Daiami, Daimiri, Eribel, Kénia, Kirénia, Licet, Mayelin, Migdália, Mildrey, Naimi, Niurka, Odelca, Onaisis, Odalys, Tamara, Yamilé, Yasnay, Yasnelis, Yaguelin, Yudi, Yudielkis, Yéni, Zoila, etc.

Uma noite fui a uma boíte. Sentei-me à entrada ao lado duma moça, a Beatriz, de 19 anos, de Santa Clara. Aparentemente tratava-se duma moça séria. Nem dançámos. Acabámos por ir dormir no meu apartamento, contornando a vigilância dos custódios (os seguranças). Estes fazem-se a pagamentos em dólares para deixar entrar as moças. Enfim, mais um modo de vida dos cubanos corruptos ou que se servem do lugar ocupado no emprego. De manhã saiu para casa duma tia, disse. Não sei se era verdade. O que é certo é que, durante tantas vezes que passei férias em Varadero, nunca mais a vi por lá. Aprendi depois que quase todas as moças diziam estar em casa de tias. Uma maneira de driblarem a polícia. Conheci um velhote em Varadero que habitava sozinho numa vivenda. O certo é que albergava seis ou mais gineteras que, certamente, lhe pagavam, para além doutros favores de que desfrutaria.
Nas escolas têm aulas de educação sexual. Por isso as moças entregam-se facilmente como sendo uma coisa normal. Os preservativos (condons) vendem-se nas farmácias a preço muito baixo, embora a qualidade fosse fraca, qualidade que foi melhorando. À medida que fui conhecendo as empregadas das farmácias, pude comprar quantos quis e trouxe grande quantidade para Portugal. Para os estrangeiros eram mais caros, em dólares, tal como os medicamentos. Mas eu sempre comprei o que quis como se fosse cubano.

Haveria de visitar a Beatriz em sua casa, em Santa Clara, noutra viagem.

O caso da Ili(Iliana) é típico de outro costume. A Ili, bonitota, era empregada no restaurante Las Tejas, onde eu comia. Convidei-a a ir comigo à boite do hotel Paradiso. Aceitou. Dançámos e bebeu um trago cubano-um rum. Viemos dormir no meu apartamento, embora não tenha ficado toda a noite. Verifiquei noutras viagens que, sobretudo em La Habana, levar uma moça a uma boite implicava por parte dela pagar o favor com estar na cama com o turista. Aconteceu-me algumas vezes em La Habana.

Num destes dias apareceu em frente dos apartamentos uma moça vestida de noiva, acompanhada da mãe e um fotógrafo, que lhe ia tirando fotografias nos locais que achava mais bonitos. Perguntei pelo noivo e disseram-me que não era um casamento, mas sim a festa dos 15 anos. Outro costume cubano: Quando as moças fazem 15 anos vestem-se de noivas, como querendo dizer que já são mulheres e estão prontas para casar. Como, em geral, não fazem a primeira comunhão, substituem essa nossa festa pela festa dos 15 anos. Nesse dia têm autorização para visitar os hotéis dos turistas e aí poderem tirar fotos.

Quando casam, o par tem o direito de passar a lua de mel num hotel. Não sei se são todos ou só alguns privilegiados do partido.

Tornei-me conhecido das moças e até dos polícias. Estes nada me diziam na praia quando estava com moças, nem lhes pediam o carnet de identidade quando estavam comigo, ao contrário do que faziam às outras moças, constantemente incomodadas com o pedido do carnet.

Junto do canal havia um ponto de «alfândega» para passar para os apartamentos de Punta Blanca e boite do Paradiso, com uma casota para o polícia. Certa tarde desatou a trovejar, coisa frequente no Verão, e choveu a cântaros com uma imensidade de raios e trovões. Abriguei-me na casota do polícia. Este chegou a mostrar medo da trovoada. Ficou meu amigo, a ponto de eu poder passar as moças que quisesse para a boite. Uma vez levei cinco comigo. O polícia apenas me disse – «Franklim, estás a abusar!» – Mas lá passámos, tendo-as deixado continuar sozinhas a meio do caminho.

Numa noite em que eu passeava junto do canal, vi à entrada da ponte duas moças a pedir boleia. Queriam ir para La Habana. Era quase meia-noite e ninguém as levava. Eram enfermeiras. Uma branca, a Sacha, e outra negra. Convidei-as a passar a noite comigo. Aceitaram. No dia seguinte partiram para La Habana. A branca haveria de a rever noutra viagem em La Habana, junto ao terminal de autocarros.

A enfermeira Sacha no apartamento M 311 do Franklim

A enfermeira Sacha no apartamento M 311 do Franklim

A estudante Lili no M 311

A estudante Lili no M 311

De entre as moças que conheci em Varadero já no fim da minha estada destaco a Kirénia, de 19 anos, natural de Peréa, uma aldeola longínqua e perdida na província de Sancti Spiritus, comarca de Yaguajay. Passeava com a mãe Lurdes pela praia, certamente à procura de um noivo estrangeiro, como muitas, desejosas de sair de Cuba.

Gostei da moça e conversei com ela, sem nada de carícias. Era uma moça séria. Haveria de a encontrar noutra viagem e de a visitar na sua terra, como contarei mais tarde.

Franklim com a Kirénia

Franklim com a Kirénia

>> 29.08.1993 >> Saí dos apartamentos de Villa Punta Blanca e fui de autocarro para La Habana. Tomei o avião às 12:30 horas para Caracas. Saída de Caracas às 19:30 horas para Lisboa.

>> 30.08.1993 >> Chegada a Lisboa pelas 09:05 horas da manhã.

Compras: Trouxe umas garrafas de rum e uma ou outra caixa de charutos.

(Fim da Etapa 40.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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