O enterro dos suicidas

O suicido tem sido ao longo dos tempos um acto reprovado pela religião, pelos costumes e até pelas leis, pelo que havia práticas arreigadas que demostravam essa repulsão social.

O suicídio como mal social

Em Zurique, o cadáver do suicida era enterrado no pavimento térreo da casa ou do lugar onde se dera a morte. Se se tinha apunhalado, punham-lhe junto à cabeça um pedaço de madeira onde cravavam o punhal; se se tinha afogado, punham-lhe uma pedra sobre a cabeça, outra sobre o estômago e outra em cima dos pés.

Na Sibéria enterravam os suicidas de lado, mas em terra não sagrada.
Em Metz, na França, enforcavam os suicidas (se não tivesse sido essa a forma da morte) e colocavam-nos em tonéis que depois abandonavam à corrente do rio Mosela, com estas palavras inscritas: Deixai ir, é pela justiça.

Em Estrasburgo, faziam o mesmo que em Metz e, em 1584, suicidando-se um dos seus bispos, foi também ele metido num tonel e lançado ao Reno.

Já no século XVIII, uma bula de Bento XIV considerou o suicídio como um acto de loucura, e permitiu finalmente que os que se tinham dado à morte se sepultassem em terra santa.

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Paulo Leitão Batista, «Histórias de Almanaque»

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