Invasões Francesas (5)

António Gonçalves - Colaborador - Orelha - Capeia Arraiana

:: :: RAPOULA DO CÔA :: :: Algumas aldeias raianas foram fustigadas pelos soldados napoleónicos entre julho de 1810 e abril/maio de 1812. Em julho de 1810, após a tomada de Almeida realizaram razias nas aldeias raianas; na retirada, em fevereiro ou março de 1811, entraram no concelho de Sabugal, vindos da Guarda, deixando um rasto de violência e destruição por onde passaram; em abril de 1812, quando da quarta invasão, as populações foram, mais uma vez, vítimas das barbaridades dos invasores. Muitos arquivos foram destruídos! Provavelmente não houve aldeia do concelho de Sabugal que não tivesse a “honra” de os receber!

Invasões francesas

O Cura José Antunes Galante, em 1815, lavrou os registos de óbitos seguintes:

“Domingos Rodrigues Birra meo freguez e natural desta freguesia de Santa Maria Madalena de Rapoula do Côa, Aro e Bispado da Guarda foi morto pellos Franceses no dia vinte e nove de Março da Era de mil e outocentos e onze e foi marido de Roza Gouveia desta freguesia, foi sepultado no Campo fiz-lhe o uso desta Igreja, tinha feito testamento e para constar fiz este cujo tirei de hum apontamento por se me ter desencaminhado o livro (…) da guerra. Rapoula trinta de Janeiro de mil outo centos e quinze.”(26)

“Aos vinte e nove dias do mez de Março do anno de mil outocentos e onze nesta minha freguesia da Rapoula do Côa, Aro e Bispado da Guarda foi morta pelos Franceses Anna Cardoza solteira, foi enterrada no Campo junto ao moinho das poldras desta minha freguesia era pobre disselha a Missa de presente de que fiz este termo cujo tirei de hum Caderno aonde o tinha apontado por verdade me asigno Rapoula do Côa trinta de Janeiro de mil outto centos e quinze.”(27)

Domingos Afonço, filho de João Afonço e sua mulher Thereza “foi morto pellos Franceses” em vinte e nove de março e “sepultado junto à fonte deste povo.”(28)

Os registos do tempo da guerra não existem, certamente que foram destruídos! O Cura, conhecedor do seu povo, guardou alguns apontamentos pessoais e realizou os respetivos assentos, alguns anos depois, para memória futura.

Desconhecemos o motivo de os corpos não serem sepultados na Igreja Matriz, como era prática na época. São várias as possibilidades: Falta de espaço; insegurança devido à presença dos franceses e o fato de serem pessoas pobres.

Repare-se que o pároco só realizou os respetivos registos em 1815, certamente devido ao desaparecimento dos arquivos. Se os seus pares, nas outras freguesias, tivessem o mesmo procedimento seria muito útil para a reconstituição da história local.

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«Memórias de Sortelha», por António Augusto Gonçalves

Notas:
26- Arquivo Distrital da Guarda – Cx. 58, Registos de Óbitos de Rapoula do Côa – 1815, folha 2. O espaço entre parêntesis encontra-se ilegível.
27- Idem, folha 2v.
28- Idem.

One Response to Invasões Francesas (5)

  1. Capitulo IX da Guerra em Espanha escrito Albert Jean Michel de Rocca (1788-1818), soldado suiço/francês

    “Os franceses permaneceram na Guarda até o dia 28, e na aproximação dos ingleses, abandonaram aquela cidade para ocupar a posição forte da Ruvina. Defenderam o puntão da Rapoula do Côa até o dia 3 com alguma vantagem; e no dia 4 repassaram a fronteira portuguesa, deixando uma pequena guarnição atrás deles em Almeida.”

    Rocca’s “War in Spain”
    CHAPTER IX.
    The French remained at Guarda till the 28th, and on the approach of the English, abandoned that town to occupy the strong position of Ruivinha. They defended the ford of Rapoula de Coa on the 3d with some advantage; and on the 4th they repassed the Portuguese frontier, leaving a small garrison behind them in Almeida.

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