Ainda a questão da Barragem do Sabugal

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Volto à questão da barragem do Sabugal, embora sem esperanças que alguma coisa daqui vá resultar…

Barragem do Sabugal e a aldeia da Malcata

Albufeira da Barragem do Sabugal e a aldeia da Malcata

A questão da Barragem do Sabugal é tão velha que comecei a ouvir falar dela em minha casa, há perto de sessenta anos, era o meu pai vereador da Câmara e o seu representante num qualquer grupo de trabalho que existia.

E há duas verdades que não vale a pena escamotear:

1) A barragem só foi construída para fazer o transvase de água da bacia hidrográfica do Douro para a do Tejo, em que as barragens do Sabugal e da Meimoa eram elementos fundamentais. E este transvase era necessário porque era a única forma de garantir em permanência água para a rega da Cova da Beira. Pode estar nos documentos oficiais muita coisa, mas, preto no branco, foi para isto que a barragem foi construída;

2) A opção tomada, não a nível regional, mas a nível nacional, foi a de entregar a gestão dos sistemas de rega a Associações de Regantes, com as consequências que se registam em todo o país (e sei do que falo, pois conheço bem o que se passa na Lezíria do Tejo ou na bacia do Trancão). Esta opção foi claramente um erro, pois, na prática, significa deixar a gestão de uma coisa pública, a água, nas mãos de privados, sem acautelar o interesse público. E não acredito que qualquer poder público tenha a coragem de reverter esta situação.

– Estas duas constatações devem levar-nos a desistir de defender os interesses do Concelho?

– Claro que não!

No entanto, penso que se torna necessário algum bom senso, que é o que me parece estar a faltar nalgumas abordagens que passam para as páginas sociais.

E, sobretudo, não serve para nada tomar atitudes de «terra queimada» ou de fundamentalismos radicais, do tipo «quem não está de acordo connosco é nosso inimigo».

Vamos acalmar todos e encontrar os melhores caminhos para que os interesses do Concelho do Sabugal sejam garantidos.

Ninguém é dono do rio Côa, ninguém tem que se considerar o «Robin dos Bosques da água», mas também ninguém, só porque foi eleito, se pode colocar numa posição de «posso, quero e mando».

Nada se conseguirá se continuarmos por este caminho.

:: ::
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

One Response to Ainda a questão da Barragem do Sabugal

  1. José Escada diz:

    Caro Ramiro Matos. A audição publica tratou o tema nas suas várias vertentes. Para a sua preparação tivemos reunião com DGADR e com a APA. Os contratos subjacentes foram analisados, perguntas foram colocadas e respostas obtidas. Contradições foram evidenciadas. Apresentámos argumentos para motivar a reavaliação dos contratos e atender a todos os interesses em presença ….Digamos que a AMCF esta hoje suficientemente documentada para se pronunciar e objectivamente pressionar… e não temos duvidas … se a Autarquia fizer a sua parte e estiver à altura será possível colocar a gestão da água da albufeira do Sabugal num outro patamar… A audição publica foi uma clara demonstração da utilidade de uma sociedade civil ativa e atuante! Abraço

Deixar uma resposta